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EUA: Nem políticos, nem a retórica. O atirador é o culpado!

19 de junho de 2017 - 18:36:03

Quando a deputada Gabrielle Giffords foi baleada e seriamente ferida no lado de fora de um supermercado em seu distrito no Arizona há seis anos, alguns esquerdistas apontaram do dedo acusador para os conservadores. O que aconteceu teria sido por causa de nossa retórica histriônica contra o presidente Obama e seu partido. Foi porque Sarah Palin fez um mapa com alvos em alguns distritos eleitorais (http://www.cbsnews.com/news/sarah-palin-criticized-over-gabrielle-giffords-presence-on-target-list ). E foi por causa do “clima de ódio” da direita (http://www.nytimes.com/2011/01/10/opinion/10krugman.html), fomentado quase exclusivamente por um movimento político, segundo um proeminente colunista do New York Times:

“Quando você ouve as terríveis notícias vindas do Arizona, você fica completamente surpreso? Ou você está, de algum modo, esperando alguma coisa como esta atrocidade acontecer? (…) Não há muita dúvida sobre o que tem mudado (…). É a impregnação do nosso discurso político – e especialmente em nossas rádios – com retórica de aniquilação que está por trás da crescente onda de violência. De onde vem esta retórica venenosa? Não deixem fazer uma falsa pretensão de isenção: ela vem, devastadoramente, da direita. É difícil imaginar um membro democrata do congresso apelando aos seus eleitores para estarem “armados e perigosos” sem ser marginalizado. Mas a deputada Michele Bachmann, que faz exatamente isso, é uma estrela em ascensão no GOP. E esse enorme contraste estão na mídia (…) Então, o massacre de Arizona fará nosso discurso menos venenoso? Isso realmente interessa aos líderes do GOP. Eles aceitarão a realidade do que está acontecendo com a America, e tomarão medidas contra a retórica de aniquilação? Ou eles tentarão considerar o massacre como o mero ato de um indivíduo perturbado, e continuarão como antes?”

Isto era, e é, nonsense.
Ironicamente, a mesma coluna poderia ser reescrita hoje, apenas com os papeis dos partidos revertidos. Exemplos de frases (http://www.factcheck.org/2011/01/obama-guns-and-the-untouchables/) e exortações (https://www.realclearpolitics.com/video/2017/01/31/kaine_take_advantage_of_public_outcry_at_trump_to_get_outside_the_bubble.html) do lado contrário que poderiam ser consideradas “de aniquilação”, ou apoiadoras de uma onda de violência, abundam. Realmente, por ter pintado os republicanos como criadores deliberados de um ambiente perigoso, alguém poderia usar as próprias palavras de Paul Krugman para alegar que seu ensaio continha mensagens ocultas que ajudaram a criar em seus leitores mais radicais a impressão de ser preciso fazer algo por conta própria para suprimir a “ameaça”. Vê como isso pode funcionar, professor? É claro, como foi demonstrado, que toda a tese de Krugman era uma falácia. O homem que tentou matar Giffords (ela sobreviveu, ao contrário de seis outros transeuntes inocentes (http:/www.cbsnews.com/news/victims-of-the-tucson-shooting-rampage/) era realmente um muito apolítico esquizofrênico paranoico que raramente prestava atenção (https://theweek.com/articles/488016/9-things-weve-learned-about-jared-lee-loughner) ao noticiário. Ele e sua doença mental foram os culpados pela atrocidade, não a política.

Mas nos estágios iniciais da investigação, ainda eram muito obscuras que motivações o suspeito poderia ter tido. Uma não desprezível possibilidade ainda existia na ocasião que ele fosse um extremista politizado que tinha subitamente perdido a cabeça. Muitos de nós argumentamos então, e continuamos a fazê-lo, que independente das consequências que pudesse ter, não foi a retórica que matou aquelas pessoas. Jared Loughner as matou. Os esquerdistas que tinham desviado e coletivizado a culpa estavam engajados em histérica ou calculada demagogia ou demonização. O objetivo: marcar toda a centro-direita como “hidrófoba” para desencorajar seu discurso e deslegitimar seus objetivos políticos. Por muito tempo a mídia repetiu e espalhou este mantra, e quando os pressupostos falsos da versão de Krugman foram expostos, o mal já estava feito. A “verdade mais forte” tinha prevalecido. Muitos americanos ainda confundem o incidente como um atentado político. Mary Katharine Ham e eu recapitulamos estes fatos com grande frustração em nosso livro de 2015, End of Discussion (http://endofdiscussionbook.com), identificando o episódio como um exemplo paradigmático de cínica e detestável omissão.

O que nos traz à manhã do dia 14 de junho, quando um progressista de esquerda – que trabalhou para Bernie Sanders e detestava amargamente (https://townhall.com/tipsheet/christinerousselle/2017/06/14/shooter-identified-n2341086) tanto o presidente Trump quanto os republicanos em geral – atirou em cinco pessoas em um campo de beisebol onde o time dos congressistas do GOP estava treinando. Entre os feridos está o Whip (https://pt.wikipedia.org/wiki/Whip_(pol%C3%ADtica) ) da bancada majoritária, Steve Scalise. Mas graças a Deus, e à imensurável coragem do segurança (https://twitter.com/jhseher/status/874977497598889984), evitou-se o que poderia ter sido um massacre. Os jogadores, funcionários e familiares estavam desarmados e presos dentro de um campo fechado. Se não fosse a polícia do Capitólio trocar tiros com o atirador e assim eliminá-lo, os alvos estariam indefesos contra um fanático com um rifle, que comprovadamente tinha um grande estoque de munição a disposição. (Caso você se espante com isso, este indivíduo tinha uma licença para portar armas legalmente obtida e emitida (https://www.washingtonpost.com/local/2017/live-updates/public-safety/updates-shooting-at-congressional-baseball-practice-in-virginia/police-neighbors-report-suspect-recently-was-shooting-outside-his-illinois-home/?utm_term=.bd40aeb92245) pelo estado onde vivia, Illinois, conhecido por suas leis restringindo o porte de armas). Com a situação invertida, alguns da direita têm sido rápidos em apontar o dedo acusador para a esquerda. Mas não foi a retórica que deu os tiros. Foi James Hodgkinson. E como isto tem acontecido na esteira de outros ataques violentes, esta afirmação (https://twitter.com/DouthatNYT/status/875022488404717569) permanece válida:

“Você é responsável por incitar violência se você realmente incita ou organiza ou abençoa a violência. De outro modo, não. Era verdade com Obama, é verdade agora.”

Eu admito que é enlouquecedor assistir tantos elementos da esquerda rotineiramente atribuir atos horríveis aos conservadores como um todo, mesmo quando acaba sendo descoberto que seus reais autores não têm qualquer ligação com a direita política. Isso não é incomum (https://nypost.com/2012/07/24/of-massacres-media-myths). É também profundamente frustrante testemunhar muitos na mídia minimizando e subestimando atos de terrorismo político ou desprezíveis banhos de sangue que são confirmados terem sido causados por esquerdistas (https://townhall.com/tipsheet/guybenson/2017/05/31/surprise-portland-killings-blamed-on-trump-perpetrated-by-bernie-supporter-n2333217), algumas vezes por razões assumidamente políticas (http://hotair.com/archives/2013/04/24/frc-shooter-i-targeted-them-because-splc-list-said-they-were-anti-gay). Não há dúvidas que há um padrão de duas medidas em ação, então eu até simpatizo com a tendência de pensar que alguns esquerdistas radicais devem ser responsabilizados segundo seus próprios e feios padrões e táticas se isso servir para que eles aprendam alguma lição ou mudem seus hábitos. Mas eu não acredito que uma escalada de injusta demagogia modificará a conduta de alguém para melhor. Essa injusta demagogia será depois institucionalizada como normal, e será inevitavelmente devolvida mais adiante. E para deter essa queda de padrão – racionalizada e justificada como retaliação contra prévias calúnias – os conservadores devem começar a abandonar essa tática para objetar de forma crível e moralmente correta da próxima vez que nossos oponentes usarem esse golpe baixo. Nesse sentido, eu rejeito este tipo de atitude:

(Tradução do post no Twitter: Isso não é errado. Exceto se nós combatermos fogo com fogo, nós perdermos. Eu sou pelo que está disposto a ganhar. Foda-se a civilidade. Isso é uma guerra).

O debate político e as instituições são os meios através do qual uma sociedade civilizada resolve suas diferenças, para evitar violência e “guerra”. O castigo coletivo inerente em toma lá da cá e nas batalhas baseadas em culpado-por-associação não pode ser uma “vitória”. A América perde quando métodos terríveis são adotados e banalizados. Dito isso, vocês acham que eu acredito que os prestativos esquerdistas deveriam considerar as consequências potenciais de argumentos inaceitáveis (https://www.google.com/#q=republicans+want+to+kill+people), como a repetida acusação que republicanos na verdade querem matar pessoas através de seus policias? Sim, eu acredito.

Algo da vilificação e desumanização que envolve nossa política está fora de controle, e talvez os que estão fora dos partidos sejam mais vulneráveis a estas insanas palavras de ordem. Cada lado deve se policiar, e trabalhar para controlar seus piores excessos de retórica, mesmo – ou principalmente – quando a tensão se eleva em torno de difíceis debates. Eu também acredito firmemente que a esquerda tem forçosamente o dever de erradicar a crescente crença entre alguns de seus membros que palavras ou votos “odiosos” são similares à violência, e portanto a violência é uma resposta aceitável. Este conceito está criando raízes em campi universitários e entre as várias categorias dos assim chamados “guerreiros da justiça social”. Isto banaliza a ideia de que força ou coerção física (https://townhall.com/tipsheet/guybenson/2017/02/14/berkeley-protester-fascists-shouldnt-be-allowed-to-speak-n2285784) é uma resposta aceitável para ofensa ou reclamação. Os esquerdistas têm o dever de lidar com seu problema.

E finalmente, usar as perversas ações de um perturbado mental como um porrete contra milhões de cidadãos cumpridores da lei que podem compartilhar algumas opiniões politicas com ele é, de qualquer maneira, desleal e errado. Se o campo de batalha ideológico “exige” um  tolo, demagógico pelotão de fuzilamento americano, não contem comigo. Numa nota mais edificante, eu os deixarei com duas poderosas imagens de humanidade e bons valores compartilhadas em um dia sombrio em Washington. Primeiro, uma fotografia do time de beisebol dos democratas juntos numa oração (http://thehill.com/blogs/blog-briefing-room/news/337719-dem-baseball-team-praying-for-colleagues-after-shooting) em nome de seus colegas republicanos, seguida pelo senador Sanders (que tem sido muito bom (https://townhall.com/tipsheet/guybenson/2017/04/26/enough-with-these-speechsuppressing-disruptions-from-campus-leftists-sayselizabeth-warren-n2318061) em algumas questões sobre a livre expressão, mesmo se sua retórica às vezes se aproxima (https://twitter.com/redsteeze/status/875036850565632001) do terreno “aniquilador”) denunciando e repudiando de forma clara todas as formas de violência política:

(Tradução do post no Twitter: Time de beisebol dos democratas reza por seus colegas republicanos depois do tiroteio: http://hill.cm/0ur73mP)

(Tradução do post no Twitter: Senador Sanders diz que suposto atirador é suspeito de também ter sido um voluntário em sua campanha: “Eu estou enojado com esse execrável ato (…) Eu condeno essa ação.” )

Amanhã a noite o jogo de beisebol para fins de beneficência do congresso acontecerá como planejado. Esta é exatamente a decisão certa, e eu espero que os washingtonianos proporcionem um público recorde – tanto por solidariedade quanto por grandes causas (https://www.congressionalbaseball.org). Um momento de unidade e visão pode ainda surgir desta terrível provação. Bola pra frente, pessoal!

 

Publicado no Townhall.

Tradução: Flamarion Daia

 

  • Vamos ser sinceros e sair do mundo da fantasia. Um assalariado pai de família no Brasil JAMAIS vai conseguir comprar uma arma legal pois quem tem dinheiro e tempo para desembolsar 5 ou 7 mil reais em uma arma decente para defesa e frequentar todos os meses clubes de tiro são geralmente pessoas de classe média alta e alta ou filhinhos de papai solteiros que não tem nem um gato pra sustentar em casa.

    A ÚNICA maneira de um pai de família poder ter uma arma em casa e de maneira ilegal pois com 2 mil reais é possível comprar pelo menos um .38 na boca de fumo.

    E não me venham falar que isso é criminoso. Criminoso é o governo safado impedir o cidadão de bem de defender sua casa e sua família.

    Antes ser preso sobrevivendo do que morrer para não ser preso.

    Agora se o sujeito tem dinheiro sobrando tenta adquirir uma legalizada, mas quem não tem vai na ilegal mesmo. O importante é a luta pela sobrevivência.

  • Vamos ser sinceros e sair do mundo da fantasia. Um assalariado pai de família no Brasil JAMAIS vai conseguir comprar uma arma legal pois quem tem dinheiro e tempo para desembolsar 5 ou 7 mil reais em uma arma decente para defesa e frequentar todos os meses clubes de tiro são geralmente pessoas de classe média alta e alta ou filhinhos de papai solteiros que não tem nem um gato pra sustentar em casa.

    A ÚNICA maneira de um pai de família poder ter uma arma em casa é de maneira ilegal pois com 2 mil reais é possível comprar pelo menos um .38 ou uma 765 na boca de fumo.

    E não me venham falar que isso é criminoso. Criminoso é o governo safado impedir o cidadão de bem de defender sua casa e sua família.

    Antes ser preso sobrevivendo do que morrer para não ser preso.

    Agora se o sujeito tem dinheiro sobrando tenta adquirir uma legalizada, mas quem não tem vai na ilegal mesmo. O importante é a luta pela sobrevivência.

  • Franklin William

    Mentira todo mundo sabe que a culpa foi da arma que se atirou-se hahaha.

  • Luiz Santiago

    Eu discordo devido a um fator, vários esquerdistas notórios na mídia tem pregado abertamente a violência física (e o homicídio, inclusive) como forma de combater o “ódio” vindo de Trump e da direita. Não há como não recair culpa sobre eles por incitação à violência, uma vez que até mesmo encenações do assassinato de Trump tem acontecido promovidas por artistas da esquerda. É um caso muito diferente do uso que a esquerda fez para culpar os republicanos pelo ato de um lunático.

  • Phillip Garrard

    Acho que vcs nao tem ideia do que esta acontecendo nos USA. A esquerda americana esta cada dia mais violenta e descontrolada. O odio a Trump vem de todos os liberais e nao ha liberais moderados, apenas radicais. A ,midia todo dia INVENTA um novo processo contra Trump, mesmo sabendo que e insistentavel. Mesmo o caso Russia, que foi desmentido pelo proprio ex-diretor da CIA, continua em pauta como se nada pudesse ser verdade a nao ser a culpa de Trump em algo que nunca existiu…

  • gustavo druziki

    Só discordo do título “o atirador é o culpado”. O correto seria “o assassino é o culpado”. Atirador é quem pratica tiro, quem atira em outras pessoas sem a prerrogativa de legítima defesa não é atirador, é assassino.