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Trivializando o Holocausto

26 de abril de 2017 - 16:31:19

Por Ron Jager 

ISRAPUNDIT – 24/04/2017

Esta semana, Israel vai relembrar não só os seis milhões de judeus que pereceram no Holocausto, mas também as histórias não contadas dos muitos atos de resistência judaica que ocorreram durante este período em toda a Europa, o Holocausto sendo o período mais escuro da história judaica.

No entanto, nos últimos meses, como o Holocausto tem sido cinicamente usado como pano de fundo pelos liberais judeus na América para atacar o Presidente Trump, não é de estranhar que, em resposta a este uso partidário do Holocausto, mais e mais vozes podem ser ouvidas afirmando que é tempo de os Judeus superarem o Holocausto e sugerem que agora é o momento para os judeus seguirem em frente e parar de fazer do Holocausto o evento mais importante na história judaica.

Com assassinatos em massa acontecendo nos últimos anos durante os tempos de Obama, muitos de seus partidários democratas e liberais têm sugerido que o Holocausto é desnecessariamente destacado como se fosse mais especial do que outros eventos históricos. Eles afirmam que, embora o Holocausto estivesse em uma escala muito maior e horrivelmente bem organizado, estava longe de ser o primeiro incidente de um poder dominante matando aqueles considerados “inferiores” com acusações falsas, e essencialmente não tão diferente do que está acontecendo no Oriente Médio nos últimos 5 anos, enquanto os admiradores de Obama nada fizeram para impedir.

Para muitos destes democratas liberais de “Tikkun Olam” [*], a humanidade tem perpetrado atrocidades horríveis em outros seres humanos por séculos. Eles parecem genuinamente intrigados sobre a razão pela qual a negação do Holocausto é considerada um crime em mais de uma dúzia de países.

Certamente, no que lhes diz respeito, isso é uma reação exagerada. Nós prendemos aqueles que acreditam e expressam a opinião de que a Terra é plana? Por que a negação de um acontecimento histórico pode ser considerada um crime, algo prejudicial para a sociedade?

Acontecimentos históricos parecem o fim do mundo na época em que ocorrem, eventualmente desaparecem da consciência pública e se tornam memória. Quando os sobreviventes do Holocausto deixarem de estar por perto e quando não houver mais oportunidade de deixar as crianças e os educadores ouvirem o testemunho direto do Holocausto, o Holocausto será apenas mais um evento estudado nas aulas de história mundial? Será que o esforço para a gravação de testemunhos do Holocausto será suficiente para preservar a memória histórica em termos da magnitude e singularidade do Holocausto?

Há poucos eventos históricos que passaram por um maior escrutínio e preservação. Talvez possamos até mesmo reconhecer que fizemos o suficiente para garantir que o Holocausto nunca poderá ser esquecido. Em um mundo moral, um mundo que diferencia o bem do mal, o certo do errado, esse tipo de preservação da memória histórica provavelmente seria suficiente. No entanto, hoje, na era da globalização, em que tudo é visto através do prisma do relativismo cultural, os fatos e evidências não são suficientes, os inimigos dos judeus e de Israel não só afirmam que os judeus exageram como ainda que o Holocausto foi inventado para justificar a fundação do Estado de Israel, mas vão além e afirmam falsamente que Israel está cometendo um Holocausto sobre os árabes que vivem na Judéia e Samaria.

Infelizmente mas não surpreendente, muitos judeus não estão imunes à trivialização politicamente correta do Holocausto e à aceitação do universalismo como contexto intelectual de interpretação dos acontecimentos mundiais. No entanto, a identidade judaica que ignora ou menospreza ou “supera” aquela tentativa sistemática de exterminar a raça judaica há setenta e cinco anos, não pode compreender a importância do estabelecimento do Estado de Israel. O povo judeu fez um esforço de consciência para reconstruir as cinzas do Holocausto. Aqueles que consideram o Holocausto como apenas mais um evento infeliz não podem entender que para lidar com ameaças existenciais atuais, Israel deve fazer o que for necessário para que o lema “nunca mais” não se torne um slogan vazio.

Aqueles que descrevem o Holocausto como apenas mais um evento histórico devem ser lembrados do que era o Holocausto. No recente The Lost, A Search for Six of Six Million, de Daniel Mendelsohn, ele descreve detalhadamente o horror central da ação nazista em colaboração com os habitantes de Bolechow, na Polônia, em setembro de 1942:

A história da Sra. Grynberg foi um episódio horrível. Os ucranianos e alemães, que entraram em sua casa, a encontraram dando à luz. As súplicas de espectadores de nada adiantaram e ela foi tirada de sua casa de camisola e arrastada para a praça em frente à prefeitura. Lá, ela foi arrastada para um depósito de lixo no pátio da prefeitura com uma multidão de ucranianos presentes fazendo piadas, zombando e assistindo a dor do parto daquela criança. A criança foi arrancada imediatamente de seus braços junto com seu cordão umbilical e jogada para a multidão e ela ficou de pé sangrando por algumas horas junto à muralha da prefeitura, depois foi com todos os outros para a estação de trem, onde a carregaram para um vagão num trem para (o campo de concentração) Belzec.

Em cada geração, a nação judaica teve que lidar com a ameaça de aniquilação. No antigo Egito, parecia que os judeus acabariam. Na antiga Pérsia, parecia que Haman aniquilaria a nação judaica. Todos esses chamados grandes impérios desapareceram e, contra todas as probabilidades, nós, a nação judaica, ainda estamos aqui. Não apenas sobrevivemos, mas prosperamos. A enormidade do Holocausto, no entanto, com a maioria dos judeus europeus sendo sistematicamente assassinado é um evento singular que desafia qualquer comparação no último milênio.

Em retrospectiva, o Holocausto obriga os judeus a confrontar seu próprio judaísmo. Depois de tais eventos indizíveis como o descrito acima, todo judeu deve olhar para dentro de si e pensar: Hitler tentou exterminar o meu povo e o mundo ficou em silêncio. Será que, por meio da apatia e da indiferença, me tornarei sócio de Hitler? Ou será que minha vida transmite um testemunho para a glória do povo judeu e sua ressurreição das cinzas? Essa é a verdadeira razão de que não é o momento para os judeus “ultrapassarem e irem além” do Holocausto nem concordar em trivializá-lo como apenas mais um triste episódio na história mundial.

[*] Tikkun olam (hebraico para “reparação do mundo”) passou a conotar a ação social e a busca da justiça social. A frase tem origens na literatura rabínica clássica e na cabala Lurianic, uma vertente principal do misticismo Judeu que se origina na obra do cabalista do século XVI Isaac Luria.

Tradução: Heitor De Paola

O Autor, um veterano de 25 anos da I.D.F. (Israel Defense Forces), serviu como um oficial de saúde mental de campo e Comandante da Clínica Militar Psiquiátrica Central para soldados de reserva em Tel-Hashomer. Desde sua aposentadoria, ele presta serviços de consultoria a ONGs que implementam programas de Psicoterapia e Psicopedagogia em comunidades do Norte e do Sul de Israel. Hoje, Ron é um conselheiro estratégico no Office of the Chief Foreign Envoy of Judea and Samaria.
  • Não há monstruosidade que Hitler tenha cometido que Stálin não tivesse feito PIOR! O Holodomor matou aproximadamente a mesma quantidade de pessoas em menos de 1 ano e por um meio até mais cruel e desumano: inanição!

    O regime soviético foi tão brutal que dezenas de milhares de várias partes da Europa se voluntariaram para combatê-lo pela Wehrmacht ou pela SS, cientes principalmente dos crimes perpetrados pelos comunistas na Espanha.