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Por que o ISIS atacou Manchester, Inglaterra?

25 de maio de 2017 - 17:22:56

Imagem: SWNS/Getty

Nota da tradutora, Graça Salgueiro:

Essa entrevista foi realizada na manhã de 23 de maio, dia seguinte ao ataque. Observe-se que, como expert em estratégia e defesa nacional com décadas de serviço prestado ao Exército da Colômbia combatendo as FARC, o Coronel Villamarín já descartava a ação do que a imprensa costuma chamar de “lobo solitário”, afirmando que tratava-se de uma operação calculada e que a bomba não era, de forma alguma, um artefato caseiro que poderia ser feito por qualquer pessoa. Hoje, 24 de maio, a polícia inglesa confirma tudo o que ele disse: o terrorista não era “amador”, estava vinculado ao ISIS de quem recebeu treinamento e recebeu orientação de profissional experiente para confeccionar a bomba.

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Sem informação precisa e somente com dados gerais de intenções latentes dos bandos terroristas, é improvável impedir a ocorrência de fatos tão trágicos e lamentáveis como o ataque terrorista nos arredores do Coliseu de Manchester na Inglaterra, no qual morreram 22 pessoas e há mais de 50 feridos com gravidade, explicou em 23 de maio de 2017 em entrevista via Skype desde Bogotá à jornalista María Alejandra Requena do programa Café CNN, transmitido todos os dias desde Atlanta e Miami nos Estados Unidos pela cadeia de televisão CNN em Espanhol.

Ante a pergunta de María Alejandra Requena sobre se há possibilidades de neutralizar ações terroristas como esta, eu, Coronel Villamarín, respondi:

É muito difícil neutralizar os terroristas, pois embora se conheçam suas intenções e haja alerta permanente, enquanto não se tenham indícios ou pistas específicas sobre a pessoa ou a célula que realiza a ação criminal, o terrorista conta com uma vantagem que lhe permite agir de surpresa.

Usualmente o que costuma ocorrer com analistas e opinadores do tema é que, depois de ocorridos os fatos, pontificam sobre os presumíveis erros e sobre o que poderia ter sido e não foi.

Talvez um dos desacertos dos organismos de segurança britânicos foi não ter levado em conta que, durante o verão de 2016, ocorreu o chamado Ramadan sangrento, no qual células do ISIS cometeram ações terroristas em diversos lugares do mundo o qual demandava alerta máximo para este ano, pois o Ramadan, ou mês sagrado da espiritualidade islâmica, começa em quatro dias, em 27 de maio.

Ante a pergunta sobre se o autor material do ataque terrorista pôde ter agido sozinho ou faz parte de alguma célula, respondi:

Se o ISIS publicou na rede Telegram que o causador do ataque terrorista em Manchester foi um de seus soldados, isto significa que tratava-se de uma pessoa treinada e doutrinada para agir dessa maneira. Não era um desequilibrado mal chamado lobo solitário que se radicalizou e decidiu cometer este ato criminoso.

Há um erro crasso de interpretação nos meios de comunicação e em alguns analistas que concebem a imagem dos mal chamados lobos solitários como pessoas que agem sozinhas. Isso não é certo nem é possível dentro de uma organização terrorista hierarquizada, com profunda fundamentação religiosa extremista.

A captura de um provável cúmplice no ataque terrorista em Manchester corrobora que o indivíduo fazia parte de uma célula, que outras pessoas o ajudaram a conseguir os explosivos e os materiais para fabricar a bomba, que por razões lógicas foi radicalizado por um iman ou um líder religioso infiltrado em alguma mesquita européia, que o sujeito fez o ritual de encomenda ao islam antes de perpetrar o ataque e que, desafortunadamente, haverá outras ações terroristas do ISIS ou Al-Qaeda em qualquer dos cinco continentes, pois essa é a metodologia da jihad islâmica.

Também fui perguntado sobre o propósito do ataque terrorista em Manchester, ao que respondi:

Um dos propósitos desta ação terrorista era golpear sem nenhuma misericórdia a juventude ocidental, em especial adolescentes ou teenagers, amantes da música pop, vista pelo islam extremista como algo satânico contrário à interpretação puritana da linha sunita salafista do islam, que apadrinha a guerra santa ou jihad.

Assista também a entrevista em vídeo:
http://cnnespanol.cnn.com/video/cnnee-cafe-intvw-lusi-alberto-villamarin-seguridad-isis-se-atribuye-ataque-en-manchester/

http://www.luisvillamarin.com/

 

  • Fernando CR

    Gostaría de ressaltar que no dia 22 de maio faziam 4 anos que o soldado Lee Rigby fora decapitado por um muçulmano imigrante a plena luz do dia em Londres.

  • Será que o fato do show ser de uma mulher tornou o evento um alvo preferencial para o terrorista islâmico? Se o intuito fosse atacar uma aglomeração qualquer, o ataque poderia ter sido perpetrado em um evento esportivo, por exemplo.

    • gustavo druziki

      Na verdade o que eles procuram é grande aglomeração de pessoas para aumentar ao máximo os efeitos secundários do ataque, correria com pisoteamentos por exemplo. São crués covardes. É a melhor definição de um terrorista.

  • “Um dos propósitos desta ação terrorista era golpear sem nenhuma misericórdia a juventude ocidental, em especial adolescentes ou teenagers, amantes da música pop, vista pelo islam extremista como algo satânico contrário à interpretação puritana da linha sunita salafista do islam, que apadrinha a guerra santa ou jihad.”

  • Layon Maciel da Silva

    E nos noticiários reduzindo o ataque e o terrorista a um “simples lobo solitário decepcionado com a vida.” Parabéns pela tradução, Graça!

  • Robson La Luna Di Cola

    A Zorra Total em que se transformou a sociedade Ocidental – no comportamento, roupas, propaganda, artes, etc – está fornecendo argumentos aos muçulmanos para a ocupação e islamização da Europa. O Putin também criticou esta …utaria, certamente para seduzir os altamente conservadores países do Leste Europeu. Estamos ajudando nossos inimigos…

  • Fernando

    Posso estar falando besteira, mas como sempre há este tipo de ataque com bomba realizado pelos (radicais?) islâmicos, isso poderia indicar algum tipo de testes para analisar impacto destes artefatos? Como se fosse um “laboratório” deles? Para estimar o impacto das futuras bombas que irão lançar contra todos nós? Fico preocupado com isso, pois neste mundo em que vivemos isso é admitido pela comunidade internacional.

  • Iason Souto

    Estranho, depois que os britânicos saíram da UE, Londres se tornou alvo dos terroristas.

  • Jorge Dal Salve Moro

    Não existe guerra sem baixas. Enquanto os cristãos do mundo continuarem achando que existe islamico moderado e tentarem resolver essa parada com conversa, a derrota será iminente.