Daniel Pipes


O CAIR é um grupo terrorista?

Pela primeira vez, um governo islamista expôs a dimensão maligna e terrorista do CAIR.

Nós que acompanhamos o movimento islamista caímos das nuvens em 15 de novembro quando soubemos que o gabinete ministerial dos Emirados Árabes Unidos incluiu o Conselho de Relações Americano Islâmicas (CAIR) na lista de 83 organizações terroristas proscritas, juntamente com o Talibã, Al-Qaeda e EIIS.

Foi uma surpresa, já que as próprias autoridades dos EAU têm um histórico de promover o islamismo, porque o CAIR tem um histórico de levantar fundos nos EAU e também porque a embaixada dos EAU em Washington já teceu elogios ao CAIR.

Grupo de estudos à venda ou para alugar

O artigo do Times expôs, de forma espantosa, a corrupção de instituições esquerdistas como o Brookings Institution, o Center for American Progress e o National Democratic Institute.
A revelação não encontrou nenhum centavo doado a instituições conservadoras como o American Enterprise Institute, a Heritage Foundation e o Hudson Institute.
 

Em uma revelação de 4.000 palavras, de deixar cair o queixo, “Potências Estrangeiras Compram Influência de Grupos de Estudo” publicada no New York Times em 7 de setembro, Eric Lipton, Brooke Williams e Nicholas Confessore analisam o desconhecido problema de governos estrangeiros financiarem Grupos de Estudo.

O trio descobriu que embora a extensão, em sua totalidade, seja “difícil de ser levantada … desde 2011, pelo menos 64 governos estrangeiros, entidades controladas pelo estado ou por autoridades governamentais, têm contribuído com um grupo dos 28 maiores institutos de pesquisa baseados nos Estados Unidos”. Usando as informações disponíveis, incompletas, eles estimam “uma contribuição ou um compromisso de no mínimo US$92 milhões vindos de governos estrangeiros interessados, nos últimos quatro anos. Com toda a certeza o total é bem mais do que isso”.

Lições da guerra em Gaza

À medida que as operações israelenses contra o Hamas estão perdendo intensidade, apresento sete insights sobre o conflito que já dura um mês:

Escudo antimísseis: O impressionante desempenho da Cúpula de Ferro, o sistema de proteção que derrubou praticamente todos os foguetes do Hamas que ameaçavam vidas ou propriedades, acarreta importantes implicações militares tanto para Israel quanto para o mundo. Seu sucesso sinaliza que a “Guerra nas Estrelas” (como os adversários apelidaram maliciosamente a Cúpula de Ferro quando da sua criação em 1983), pode realmente proporcionar proteção contra foguetes e mísseis de curto alcance e provavelmente de longo alcance mudando, potencialmente, o futuro das operações militares.

A Cúpula de Ferro em ação, protegendo israelenses.

Túneis: O uso de túneis atrás das linhas inimigas não é uma tática nova, já teve sucesso, historicamente falando, como por exemplo na Batalha de Messines em 1917, quando minas britânicas mataram 10.000 soldados alemães. As Forças de Defesa de Israel (IDF) sabiam da existência dos túneis antes do início das hostilidades em 8 de julho, mas não avaliaram quantos eram, comprimento, profundidade, qualidade da construção e sofisticação eletrônica. Jerusalém percebeu rapidamente, segundo o Times of Israel, que a mesma supremacia de “Israel no ar, mar e terra não se dava no subsolo”. Assim sendo, as Forças de Defesa de Israel (IDF) precisavam de mais tempo para atingir o domínio subterrâneo.

O quão islâmicos são os muçulmanos?

A Lei Islâmica exige muito dos muçulmanos, qual o sucesso deles em atingir esses preceitos?

Scheherazade S. Rehman e Hossein Askari da Universidade de Georgetown oferecem uma resposta em um artigo publicado em 2010, “

O Quão Islâmicos são os Países Islâmicos?” Nele são listados os ensinamentos islâmicos, calculadas as maneiras como esses ensinamentos são aplicados em 208 países e territórios. Eles postulam quatro índices distintos (economia, lei e governança, direitos humanos e políticos, relações internacionais), feito isso, são organizados em um único índice geral, que eles chamam de IslamicityIndex.

EI2 significa IslamicityIndex Econômico; LGI2 IslamicityIndex de Lei e Governança; HPI2 IslamicityIndex de direitos humanos e políticos e IRI2IslamicityIndex de Relações Internacionais. Juntos formam o IslamicityIndex (I2).

Isso pode causar certa surpresa, os dez primeiros países da lista do Islamicity são, começando pelo topo da lista, Nova Zelândia, Luxemburgo, Irlanda, Islândia, Finlândia, Dinamarca, Canadá, Reino Unido, Austrália e Holanda. Os últimos dez são Maiote, Cisjordânia e Gaza, Somália, Ilha de Man, Eritréia, Sudão, Ilhas do Canal, Iraque, República Federal dos Comoros e Angola. Visto de outra maneira, nenhum dos dez primeiros países “islâmicos” possui maioria muçulmana, mas em sete dos últimos dez, metade ou mais da população é muçulmana.

Egito: surpreendente apoio a Israel, e não ao Hamas

 “O Egito não intervirá para deter a guerra na Faixa de Gaza porque o Hamas conspirou com a Irmandade Muçulmana contra o Egito.
O Hamas trabalhava com a Irmandade Muçulmana contra o exército egípcio”.

O atual ataque do Hamas a Israel persuadiu a previsível confusão de nacionalistas palestinos, islâmicos, ultra-esquerdistas e anti-semitas de sair da caverna para criticar de forma ameaçadora o Estado judeu. Porém, mais curiosamente, Israel está recebendo apoio, ou contenção e equanimidade pelo menos, de fontes inesperadas:

O Secretário Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon: “Hoje nos enfrentamos ao perigo de uma escalada integral em Israel e Gaza com a ameaça de uma ofensiva terrestre ainda palpável e somente evitável se o Hamás deixar de disparar projéteis”. As Forças libanesas de Interior detinham dois particulares por haver disparado projéteis sobre Israel. Efetivos da segurança egípcia confiscavam uma vintena de projéteis que estavam sendo introduzidos de contrabando em Gaza. Mahmoud Abbas, secretário da Autoridade Palestina, assistia em Israel a uma “conferência de paz” organizada pelo diário Haaretz, a mesma jornada em que começava o atual enfrentamento* e indignou o Hamás por sua disposição a seguir trabalhando com o Governo de Israel. O ministro jordaniano de Exteriores, Nasser Judej exigia que Israel “detenha imediatamente sua escalada”, porém equilibrava isto com chamamentos à “restauração da calma total e o respeito aos civis” e “a volta às negociações diretas”.

Violência descontrolada do ISIS, o Oriente Médio treme

A Al-Qaeda e seus parceiros estão mais perigosos do que nunca, tendo mudado do terrorismo para a conquista de territórios. O bem estar dos americanos e de outras nacionalidades depende dessa realidade ser reconhecida e abordada na prática.

A tomada de poder de Mosul pelos jihadistas em 9 de junho significa controlar a segunda maior cidade do Iraque, se apoderar de um enorme depósito de armas, de US$429 milhões em ouro, caminho livre para conquistar Tikrit, Samarra e possivelmente a capital Bagdá. Os curdos iraquianos tomaram Kirkuk. Trata-se do evento mais importante no Médio Oriente desde o inicio das revoltas árabes em 2010.

Eis o porquê:

Ameaça regional: os Militantes do Exército Islâmico no Iraque e na Síria (ISIS), grupo dedicado ao terror, está prestes a derrubar os governos do Iraque e da Síria e possivelmente mais, começando pela Jordânia. Presente nos dois lados da fronteira Iraque/Síria, ele poderia tanto fazer desaparecer a fronteira centenária entre essas duas criações coloniais como acabar a existência desses estados como entidades unitárias, subvertendo assim a ordem política do Oriente Médio na forma que ela surgiu a partir da Primeira Guerra Mundial. O governo dos EUA avisa corretamente que o ISIS é “uma ameaça para toda a região”.

Londonistão: uma visão presciente de uma ficção de 1914

A exagerada narrativa antecipa de forma assustadora a aliança da esquerda com os islamistas de nossos tempos, fenômeno praticamente imperceptível até os anos de 1980.

Há exatamente um século, o renomado escritor britânico G.K. Chesterton (1874-1936), considerado por seus admiradores como o maior pensador e escritor do século XX, publicou um curioso livro de ficção intitulado The Flying Inn (A Pousada Voadora). No interlúdio da Primeira Guerra Mundial, ele imaginou o Império Otomano conquistando a Grã Bretanha e impondo a lei da Sharia.

Chesterton percorre esse improvável cenário como meio de ridicularizar o progressismo, a mesma abordagem arrogante, “científica,” de cima para baixo, esquerdista, ao governo que caracteriza a época de Obama. Chesterton explicou corretamente que “o negócio dos Progressivos é continuar a cometer erros” e The Flying Inn sarcasticamente expõe essas falhas. Nas passagens, sua visão de uma ilha com o cetro islamizado, tem figuras que saltam aos olhos, merecendo comemoração pelo seu centenário.

Proibido na Biblioteca Britânica

Se você precisar de estímulo para cometer assassinatos em nome da jihad, a Biblioteca Britânica possui uma esplêndida variedade de tópicos para você escolher.

Respeitados anti-jihadistas como Geert Wilders, Michael Savage e Robert Spencer têm em comum a distinção de terem sido agraciados com a proibição de entrarem no Reino Unido e, agora, o Governo de Sua Majestade, em sua sabedoria, proibiu também o acesso a dois websites ligados a mim. Não é exatamente a mesma coisa e, com certeza, estou trabalhando para que a proibição seja cancelada, mas também a uso como uma perversa condecoração de honra, dado o vergonhoso histórico daquele governo em relação ao islamismo.

Digamos que você esteja na Biblioteca Britânica, depósito da biblioteca nacional, uma instituição governamental, em termos gerais equivalente a (Library of Congress) Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos ou a (Bibliothèque nationale) Biblioteca Nacional da França. Digamos que você queira ler o que David Brog tem a dizer sobre o declínio do apoio evangélico a Israel no último Middle East Quarterly. Se você digitar MEForum.org receberá o seguinte resultado:

Padrões insensatos do Islã

Como o Islã molda a maneira dos muçulmanos viverem? Os requisitos formais da religião formam a limitada base de uma estrutura bem maior de padrões que ampliam as regras formais do Islã, expandindo-as de forma inesperada e não planejada.

Alguns exemplos: segundo o Alcorão é terminantemente proibido consumir carne suína, o que levou ao virtual desaparecimento de porcos domesticados em áreas onde a maioria é muçulmana, provocando a substituição por carneiros e cabras. Estes por sua vez pastaram demasiadamente levando, ao que o geógrafo Xavier de Planhol classifica como “catastrófico desflorestamento”, que por sua vez “é uma das principais razões da escassa paisagem mormente evidente nas regiões do Mediterrâneo dos países islâmicos”. Observe o avanço das restrições alimentícias corânicas nas desertificações de vastas extensões de terras. O comando dos livros sagrados não tinha a intenção de provocar danos ecológicos, mas foi o que aconteceu.

Judeus na Palestina?

Recentemente irrompeu um alvoroço em Israel sobre uma questão totalmente teórica: os israelenses que ora moram na Cisjordânia deveriam ter permissão de continuar morando lá sob domínio palestino? Essa discussão, na prática, chama a atenção para um dos problemas mais complicados e irreconciliáveis do conflito árabe-israelense, merecendo assim nossa ponderação.

O Primeiro Ministro de Israel, Benjamin Natanyahu precipitou as coisas em 24 de janeiro: “Eu não pretendo remover um assentamento (judaico) sequer (da Cisjordânia). Eu não pretendo desalojar um único israelense”. Comentando essa declaração, uma autoridade do gabinete do primeiro ministro (PMO), que não quis se identificar, explicou que, “Assim como Israel tem uma minoria árabe, o primeiro ministro não vê porque a Palestina não possa ter uma minoria judaica. Os judeus que moram no lado palestino deveriam ter a opção de continuar ou não morando lá”. Esse assessor disse que essa posição de Netanyahu “vem de longe“.