Daniel Pipes


Oriente Médio enfermo

Diplomatas do Século XIX chamavam o Império Otomano de “Homem Doente da Europa”. Agora, eu nomeio todo o Oriente Médio como Homem Doente do Mundo. Os ódios, o extremismo, a violência e o despotismo necessitam de muitas décadas para serem remediados.

A recente queda de Faluja no Iraque para um grupo ligado a Al-Qaeda nos traz à memória uma indesejável lembrança das vidas e recursos americanos dedicados, de 2004 a 2007 para controlar a cidade, todo esse empenho em vão. Na mesma linha, o desperdício de centenas de bilhões de dólares para modernizar o Afeganistão não evitou a soltura de 75 prisioneiros que atacaram cidadãos americanos.

Al-Qaeda conquista Faluja no Iraque.

Esses dois exemplos apontam para uma conclusão mais abrangente: os males estão tão arraigados no Oriente Médio (com a exceção do notável Estado de Israel) que as potências estrangeiras não conseguem encontrar o remédio para a sua cura. Abaixo um rápido resumo:

a água está se esgotando. Uma barragem em construção no Nilo Azul na Etiópia, ameaça consideravelmente cortar o principal abastecimento de água do Egito, ocasionando devastações por anos a fio. A Síria e o Iraque sofrem com a falta de água porque os rios Eufrates e Tigre estão secando. As plantações do narcótico da planta khat absorvem tamanho volume de água, do já limitado abastecimento no Iêmen, que Sana poderá se tornar a primeira cidade capital moderna, a ser abandonada devido à seca. Esquemas mal concebidos para a plantação de trigo na Arábia Saudita esvaziaram aquíferos.

Um século de islamismo africano americano

Nobre Drew Ali, fundador do Moorish Science Temple of America.

O ano de 2013 marcou o centenário da fundação divulgada do Templo Canaanita em Newark, Nova Jersey. Foi uma das primeiras formas nativas do islamismo africano americano, totalmente distinta do islamismo padrão, a religião de 1.400, fundada por Maomé na Arábia. Desse movimento veio Elijah Muhammad, Malcolm X e Louis Farrakhan.

O século pode ser dividido em dois grandes períodos: a invenção de uma nova religião (1913 a 1975) e a mobilização para a normatização do Islã (1975-2013).

Timothy Drew (1886-1929), americano afro-descendente, autodenominado Nobre Drew Ali, fundou o templo de Newark. Em 1925 fundou mais um, melhor organizado, com o nome de Moorish Science Temple of America. Suas ideias derivam de quatro fontes não muito plausíveis, pan-africanistas, Shriners, Muçulmanos Ahmadiyya e racistas brancos.

Conservadores continuam sendo acusados pela conduta de Lee Harvey Oswald

O general Ion Mihai Pacepa, desertor do bloco soviético, já explicou tudo a respeito da culpa da KGB no assassinato de Kennedy. E ele mesmo avisou que a campanha de desinformação jamais iria acabar. Mas a esquerda finge não entender, e assim fortalece a farsa comunista.

Em uma análise brilhante, realizada em 2007, no livro Camelot and the Cultural Revolution: How the Assassination of John F. Kennedy Shattered American Liberalism (Camelot e a Revolução Cultural: Como o assassinato de John F. Kennedy abalou o Liberalismo Americano, Encounter), James Piereson mostra como a esquerda transformou o assassinato comunista de John F. Kennedy, um político de esquerda, em uma mancha nos conservadores e como essa distorção fez com que a esquerda evoluísse para o fenômeno mórbido que é hoje. (Para visualizar o resumo do livro, acesse “Lee Harvey Oswald’s Malign LegacyO Legado Maligno de Lee Harvey Oswald.)

Com a chegada do quinquagésimo aniversário do assassinato, a esquerda ainda está presa a esse esquema, colocando a culpa pelo assassinato, na cultura de extrema direita de Dallas de 1963, subestimando o fato incontestável que o comunista Lee Harvey Oswald de maneira alguma representava essa cultura. Eles simplesmente não desistem. Um exemplo tirado do New York Times de hoje, “Dallas Mudada Tenta Atinar Com Seu Pior Dia“. Primeiro, Manny Fernandez apresenta uma cultura de direita da suposta Cidade do Ódio:

Obama se aproxima do Irã e sauditas se irritam

O “Plano de Ação Conjunta” assinado pelo Irã com o assim chamado P5+1 (China, França, Alemanha, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos) em 24 de novembro, em Genebra, foi motivo de comemoração para os árabes xiitas, preocupação para os árabes sunitas e pânico para os sauditas. A reação saudita acarretará consequências imprevisíveis e de longo alcance.

Quando o chefe dos negociadores do Irã, Mohammad Javad Zarif, trouxe para casa um acordo no valor de cerca de 23 bilhões de dólares, os árabes xiitas acertaram o passo com Teerã. O primeiro ministro do Iraque Nouri al-Maliki manifestou seu “total apoio a esse passo”. O presidente da Síria Bashar al-Assad deu boas-vindas ao acordo, como sendo “o melhor caminho para sustentar a paz e a estabilidade”. O Presidente da Câmara do Parlamento do Líbano, Nabih Berri chamou o entendimento de “acordo do século”. E o Hisbolá considerou o acordo uma “grande vitória para o Irã”.

O raio de esperança da debilitada América de Obama

obamadebil

O fato do governo socialista francês de François Hollande ter acabado de obstruir um mau acordo com Teerã, surgindo como herói das negociações de Genebra, é de certa maneira uma grande surpresa. Mas, do ponto de vista lógico, também está de acordo com a passividade da administração Obama.

A política externa americana está em queda livre, sem precedentes, com uma Casa Branca irresponsável, alheia, mal prestando atenção ao mundo exterior e, quando presta atenção, age de maneira inconsistente, fraca e fora da realidade. Se fossemos discernir algo memorável como uma Doutrina Obama, ela seria mais ou menos assim: “afronte os amigos, afague os inimigos, menospreze os interesses americanos, busque o consenso e aja de forma imprevisível”.

Juntamente com outros comentaristas, eu lamento esse estado de coisas. Mas a atitude francesa mostra que há um raio de esperança.

Obama cai em cima de Israel

A sensação da visita de Barack Obama a Israel em março de 2013 foi do tipo bom demais para ser verdade. Ao mesmo tempo em que praticamente não pressionava Israel, instruía os palestinos a não imporem precondições para iniciarem as negociações, advertindo-os a “reconhecer que Israel será um estado judeu”. Isso não batia com o jeito dele, indicando que, mais tarde, haveria um preço a pagar.

Então, após oito meses, veio a conta, composta de dois componentes. Tomei a liberdade de parafrasear a posição americana: “primeiro, não faça nada enquanto chegamos a um acordo com Teerã que congelará, mas não desmantelará o programa nuclear. segundo, pare com a construção ilegítima de residências na Cisjordânia ou a Autoridade Palestina irá, com a aquiescência americana, iniciar a terceira intifada”.

Obama cai em cima de Israel

A sensação da visita de Barack Obama a Israel em março de 2013 foi do tipo bom demais para ser verdade. Ao mesmo tempo em que praticamente não pressionava Israel, instruía os palestinos a não imporem precondições para iniciarem as negociações, advertindo-os a “reconhecer que Israel será um estado judeu”. Isso não batia com o jeito dele, indicando que, mais tarde, haveria um preço a pagar.

Então, após oito meses, veio a conta, composta de dois componentes. Tomei a liberdade de parafrasear a posição americana: “primeiro, não faça nada enquanto chegamos a um acordo com Teerã que congelará, mas não desmantelará o programa nuclear. segundo, pare com a construção ilegítima de residências na Cisjordânia ou a Autoridade Palestina irá, com a aquiescência americana, iniciar a terceira intifada”.

As respostas israelenses às duas exigências têm sido resolutas, francas e bem diferentes das que se tem memória. O Primeiro Ministro Benjamin Natanyahu desferiu violentas criticas quanto à perspectiva de um acordo com o Irã como sendo um “erro monumental” e após reunir-se com o Secretário de Estado John Kerrydeu o seguinte recado:

lembrei ao Secretário de Estado que ele disse que era melhor não fazer acordo do que fazer um mau acordo. E o acordo que está em discussão nesse momento em Genebra é um mau acordo. É um péssimo acordo. O Irã não necessita sequer desmantelar uma única centrífuga. Mas a comunidade internacional está aliviando as sanções impostas ao Irã pela primeira vez, em vários anos. O Irã está conseguindo tudo que deseja nesse estágio, sem dar nada em troca. Justamente quando o Irã se encontra sob forte pressão. Faço um apelo ao Secretário Kerry para que não se apresse em assinar o acordo, que aguarde, repense, a fim de obter um bom acordo. Mas este é um mau acordo, muito, muito ruim. É o acordo do século para o Irã, é um acordo perigoso e ruim para a paz e para a comunidade internacional.

O Ministro da Economia e do Comércio Naftali Bennett foi ainda mais direto, levantando até a possibilidade de uma bomba nuclear iraniana destruir a cidade de Nova Iorque:

esses dias cruciais de novembro serão lembrados por muitos anos. O mundo livre está diante de uma encruzilhada, com uma opção muito clara: permanecer forte e insistir que o Irã desmonte seu programa de armas nucleares ou se render, ceder e permitir que o Irã mantenha suas 18.500 centrífugas. Em anos vindouros, quando um terrorista islâmico detonar uma maleta em Nova Iorque ou quando o Irã lançar um míssil nuclear sobre Roma ou Tel-aviv, será unicamente porque um mau acordo foi fechado nesses momentos decisivos.

Como em uma luta de boxe, o regime do Irã está deitado na lona. A contagem está nos últimos segundos da marca dos 10. Agora é hora de aumentar a pressão e forçar o Irã a acabar com o programa nuclear. Não deixá-lo continuar. Seria perigoso suspender as sanções e aceitar um acordo que permita ao Irã ficar com a linha inteira de produção de urânio. Seria perigoso porque o Irã iria em um, dois ou três anos, voltar tudo ao que era e obter uma bomba nuclear antes que o mundo possa fazer algo para impedi-lo. Desligar as centrífugas não é o bastante. Devem ser totalmente desmanteladas. Apelamos ao Ocidente que evite assinar um mau acordo.

A responsabilidade de Israel é garantir a segurança de seus cidadãos e é exatamente isso que iremos fazer. Nunca iremos terceirizar nossa segurança.

Quanto à questão palestina, o Ministro da Defesa Moshe Ya’alon adiantou:

não há necessidade de temer as ameaças sobre se haverá ou não a terceira intifada. Estivemos e estamos em um conflito aberto e contínuo (com os palestinos), no que diz respeito a eles não terminará nas fronteiras de 1967. Temos Sheikh Munis, (o nome como eles chamam) Tel-aviv, Majdal, (o nome como chamam) Ashkelon. Saímos da Faixa de Gaza e eles continuam a nos atacar. Eles criam sua juventude para acreditar que Haifa e Acre são portos palestinos, além de muitas outras coisas. Aqui não há nenhum sinal de acordo. Temos que ser inteligentes e não temer as ameaças sobre se haverá ou não a terceira intifada.

Escrevi antes da última eleição presidencial que “os problemas de Israel irão realmente começar” se Obama for reeleito. Na segunda posse de Obama, eu previ que quando ele estivesse “livre das amarras da reeleição, poderia finalmente dar vazão ao seu antigo ponto de vista antissionista, após uma década de posicionamento político. Atente para um tom marcadamente desfavorável da segunda administração Obama frente ao terceiro governo de Netanyahu”.

Chegou a hora.

 

 

Chipre se une ao Oriente Médio

A República de Chipre entrou no turbilhão da região mais volátil do mundo, graças as novas reservas de gás e petróleo combinadas com uma política externa errática da Turquia e a guerra civil na Síria. Ainda que os líderes dessa ilha do Mediterrâneo mostrem competência ao lidar com essas novas oportunidades e ameaças, elas necessitam de apoio de uma forte marinha dos EUA, o que não está disponível.

As descobertas de petróleo e gás no fundo do mar na costa cipriota sucedem diretamente aquelas encontradas anteriormente na costa israelense, adjacentes, descobertas pelas mesmas companhias (Noble) americana e (Delek, Avner) israelenses. A estimativa atual de 141,6 bilhões de metros cúbicos de gás, somadas às descobertas de petróleo, estimadas em 800 bilhões de dólares, perfazem um valor enorme para um país pequeno cujo PIB atual não passa de 24 bilhões de dólares. 

Rússia Muçulmana?

O assassinato a facadas de Yegor Shcherbakov, de 25 anos, de etnia russa, ocorrido em 10 de outubro, cometido aparentemente por um muçulmano do Azerbaijão, desencadeou distúrbios anti-migração em Moscou,vandalismo e agressõesdetenção de 1.200 pessoas trazendo à tona uma grave tensão na vida dos cidadãos russos.

Além da etnia muçulmana contar com cerca 21 a 23 milhões dos 144 milhões de habitantes do total da população russa, ou seja 15%, sua proporção vem aumentando rapidamente. Diz-se que alcoólatras de etnia russa contam com a taxa de natalidade européia e a taxa de mortandade africana, sendo a natalidade de apenas 1,4 filhos por mulher e a mortandade de homens em torno dos 60 anos. Em Moscou, a taxa de natalidade dos cristãos é de 1,1.

Israel: o momento certo para Danny Danon?

Loucura“. É assim que Danny Danon retrata a decisão do Primeiro Ministro Benjamin Natanyahu de transferir104 assassinos para a Autoridade Palestina como “gesto de boa vontade”.

Danon (direita) é visto por muitos como uma espinha atravessada na garganta de Netanyahu, como mostra a charge no diário Ha’aretz.

Ele não está sozinho, muitos observadores (inclusive eu) estamos indignados com essa medida. Mas Danon, 42, encontra-se em uma posição única e privilegiada nesse debate, pelo fato de (1) fazer parte do parlamento de Israel como membro do Partido Likud de Netanyahu, (2) ser presidente do Comitê Central do Likud e (3) servir como vice-ministro da defesa de Israel. Visto através dos olhos de um americano, essas críticas lembram a entrevista concedida pelo Gen. Stanley McChrystal em 2010 onde ridicularizava o Vice-Presidente Joe Biden. Mas McChrystal estava de saída enquanto Danon continua ganhando influência e prestígio.