Daniel Pipes


O provável colapso do islamismo

As rivalidades, minimizadas quando os islamistas penavam na oposição, aparecem quando detêm o poder.
 

Ali Khamene’i e Mahmoud Ahmedinejad nos bons tempos.

Em 2012, parecia que os islamistas poderiam superar suas diferenças internas, que não são poucas, como as sectárias (sunitas, xiitas), políticas (monárquicas, republicanas), táticas (política, violência) ou atitudes em relação à modernidade (Salafi, Irmandade Muçulmana) e cooperarem. Por exemplo, na Tunísia, os salafistas e a Irmandade Muçulmana (IM) encontraram um denominador comum. As diferenças entre todos esses grupos eram verdadeiras, porém secundárias, conforme expus naquela época, porque “todos os islamistas têm o mesmo objetivo, a aplicação rígida e total da lei islâmica (a Shari’a)”.

Estaria Netanyahu indo para a esquerda?

Com a Síria e o Egito em chamas, o que leva o Secretário de Estado dos EUA John Kerry a voltar ao Oriente Médio pela sexta vez desde fevereiro para se dedicar ainda mais à diplomacia de ponte aérea israelense-palestina?

Em parte porque ele e outros tantos liberais acreditam que a guerra árabe e iraniana (e agora turca?) contra Israel se resume no conflito israelense-palestino, consequentemente enfatizam demasiadamente essa dimensão, em parte também porque Kerry endossa a ilusão liberal de que os problemas relacionados a Israel constituem o “epicentro” da região (conforme declarou certa vez James L. Jones, então conselheiro de segurança nacional de Obama) logo, sua solução deve preceder o engajamento nos demais problemas do Oriente Médio.

Israel Feliz

Desistam, encontrem outro país para atormentar.

Em uma declaração tipicamente desastrada, o Secretário de Estado dos EUA John F. Kerry se queixou recentemente que os israelenses estão satisfeitos demais para acabar o conflito com os palestinos: “A população de Israel não acorda todos os dias ponderando se amanhã haverá paz porque há uma sensação de segurança, de realização e de prosperidade”.

Embora o Sr. Kerry equivoca-se em relação aos israelenses (o rejeicionismo palestino, não a prosperidade, fez com que eles abandonassem a diplomacia), ele está certo, quanto aos israelenses terem “a sensação de segurança e de prosperidade”. Eles são por via de regra felizes. Uma pesquisa de opinião recente constatou que 93% dos israelenses judeus têm orgulho de serem israelenses. Sim, as armas nucleares assombram e existe a possibilidade de confrontação com Moscou, mas as coisas nunca estiveram melhores. Com agradecimentos a Efraim Inbar da Universidade Bar-Ilan por ter-nos fornecido algumas das informações a seguir, vamos averiguar o porquê dessa constatação.

Educação por meio de assassinatos em Boston

Qual será o impacto a longo prazo do ataque à Maratona de Boston e a subsequente perseguição, estilo filme de ação, entre 15 e 19 de abril, matando um total de quatro pessoas e ferindo 265?

Comecemos com o que não será impactado. O impacto não conciliará a opinião americana, se o slogan “United We Stand (Unidos Venceremos”) durou apenas alguns meses após o 11/9, o consenso após o ataque de Boston será ainda mais elusivo. A violência não se traduzirá em medidas de segurança nos Estados Unidos, como as realizadas em Israel. Nem levará a um maior preparo para lidar com a violência mortal da repentina síndrome de jihad. Não acabará com a controvérsia quanto aos motivos que estão por trás da indiscriminada violência muçulmana contra não muçulmanos. E certamente não ajudará a chegar a termo em relação aos debates sobre imigração ou armas.

Apoie Assad

Uma vitória dos rebeldes, é bom lembrar, iria promover enormemente o inescrupuloso governo turco fortalecendo, ao mesmo tempo, os membros da jihad e substituindo o governo de Assad por islamistas inflamados e triunfantes.

Os analistas concordam que “está aumentando a erosão dos recursos do regime sírio”, que ele continua a recuar sistematicamente, tornando o avanço dos rebeldes e a vitória islamista cada vez mais provável. Como resposta, estou mudando minhas recomendações políticas de neutralidade para algo que faz com que eu, como humanitário e inimigo de longa data da dinastia Assad, pare antes de escrever:

Os governos ocidentais deveriam apoiar a ditadura maligna de Bashar al-Assad.

Quando o AIPAC tirou o time

A famosa declaração proferida em 2008 por Chuck Hagel, sobre o Comitê de Relações Públicas Americano-Israelense (AIPAC), a instituição mais importante do lobby pró Israel, dizia “o lobby judaico intimida muita gente por aqui [no Congresso]. Eu sou um senador dos Estados Unidos. Eu não sou um senador israelense”.

Algo estranho então aconteceu: em 7 de janeiro Barack Obama nomeou Hagel para o cargo de Ministro da Defesa, assim que o AIPAC anunciou que não se oporia ao ex-senador republicano de Nebraska. Realmente, tão neutro queria ser nesse delicado tópico que o seu porta-voz evitou até mencionar o nome de Hagel, declarando apenas que o “AIPAC não se posiciona quanto às nomeações presidenciais”. O AIPAC manteve completo silêncio durante todo o processo de confirmação de Hagel como Ministro da Defesa, ocorrido em 26 de fevereiro. Mais importante ainda, não levantou um dedo para influenciar a votação.

Crise da burca na Filadélfia

burcanicabePraticamente qualquer cidade no Ocidente, a qualquer hora, poderia passar pelos mesmos problemas da Filadélfia

Filadélfia, cidade em que eu moro, tornou-se tranquila e discretamente a capital do mundo Ocidental em que o traje islâmico feminino favorece a prática criminosa.

Primeiramente uma explicação sobre as indumentárias islâmicas, todas com a tendência de serem chamadas de véus em inglês, podem ser classificadas em três categorias. Algumas cobrem parte do corpo (abaya, hijab, xador, jilbab ou khimar), principalmente o cabelo, pescoço e ombros, mas revelam o rosto e a identidade da mulher, algumas cobrem o rosto (o yashmak) mas mostram as curvas do corpo enquanto outras cobrem o corpo todo, inclusive a identidade e o sexo da pessoa. O yashmak, nosso tópico de hoje, seria melhor descrito como manto para cobrir o corpo inteiro do que simplesmente um véu: que por sua vez é subdividido em dois tipos, os que cobrem a pessoa completamente (a chadari ou burca) e os com uma fenda para os olhos (haik ou nicab).

A Turquia está deixando o Ocidente?

As recentes medidas tomadas pelo governo turco indicam sua disposição em livrar-se do clube das democracias da OTAN em favor da gangue de estados autoritários russo e chinês.

Logotipo da Organização para a Cooperação de Xangai (em chinês e Russo).

Eis porque:

Começando em 2007, Ancara solicitou três vezes, sem sucesso, participar como Membro Visitante da Organização para a Cooperação de Xangai (ou SCO, informalmente conhecida como Xangai Cinco). Fundada em 1996 pelos governos russo e chinês, juntamente com três países da Ásia Central Soviética (com a afiliação de mais um em 2001), a SCO recebeu pouquíssima atenção no Ocidente, embora tenha espetaculares ambições sobre segurança entre outras, incluindo a possível criação de um cartel de gás. Além disso, oferece uma alternativa ao modelo Ocidental, desde a OTAN, passando pela democracia, indo até a substituição do dólar americanocomo moeda de reserva. Após as três rejeições, Ancara solicitou o status de “Parceiro de Diálogo” em 2011. Em junho de 2012, obteve a aprovação.

O antissionismo de Obama

obamanetanyahuFaltam pormenores, mas sabemos que ele estudou, favoreceu, incentivou e se relacionou com extremistas palestinos.

Jerusalém, prepare-se para quatro anos bem complicados.

Eu previ dois meses antes da eleição presidencial de novembro de 2012 que, se Barack Obama fosse reeleito, “Israel seria tratado da forma mais fria até hoje dispensada por um presidente dos Estados Unidos”. Bem, a eleição acabou e o tratamento frio está em vigor. Obama sinalizou nos últimos dois meses o que nos espera, vejamos:

Usando táticas da Guerra Fria para confrontar o Irã

À medida que os americanos buscam encontrar uma alternativa para a difícil e desagradável opção de aceitar a fanática liderança do Irã em possuir armas nucleares ou bombardear preventivamente suas instalações nucleares, um analista apresenta a possibilidade de um terceiro caminho. Curiosamente, a ideia vem de uma longínqua política frente a outro inimigo – o estilo da administração Reagan de tratar a União Soviética – no entanto, este modelo, não muito plausível, proporciona um protótipo aceitável.

Abraham D. Sofaer, ex-juiz distrital dos Estados Unidos e consultor jurídico do Departamento de Estado, agora membro sênior da Hoover Institution, sustenta no livro Taking On Iran: Strength, Diplomacy and the Iranian Threat (Enfrentando o Irã: Poder, Diplomacia e a Ameaça Iraniana) (Hoover Institution, 2013), que desde a queda do Xá durante a administração Carter, Washington “tem respondido à agressão iraniana com sanções ineficazes, condenações e advertências vazias”.