Daniel Pipes


Falando Abertamente

Vejo Erdo?an provavelmente conquistando poder ditatorial o suficiente (ou para um sucessor) para alcançar seu sonho e implementar a Shari’a plena.

O cardápio no meu voo, no início deste mês, pela Turkish Airlines assegurava aos passageiros que “não haveria carne de porco”. O cardápio também oferecia uma boa seleção de bebidas alcoólicas, incluindo champagne, whiskey, gim, vodka, rak?, vinho, cerveja, licor e conhaque. Esta excentricidade de aderir e ao mesmo tempo ignorar a lei islâmica, a Shari’a, simboliza o singular e único papel público do Islã na Turquia de hoje, bem como o desafio de compreender o Partido da Justiça e do Desenvolvimento (conhecido pela abreviação turca, AKP) que vem governando o país desde 2002.

Antes ditadores do que islamistas eleitos

 Morsi e a Irmandade Muçulmana seguiram nosso script ao pé da letra.

 
Quem é pior, o Presidente Mohamed Morsi, o islamista eleito que procura aplicar a lei islamista no Egito ou o presidente Hosni Mubarak, o ex-ditador derrubado por tentar iniciar uma dinastia? Genericamente, é mais provável que uma ordem liberal, democrática, irá surgir dos ideólogos islamistas que governam por meio das urnas ou de ditadores gananciosos sem nenhum programa em particular além da sua própria sobrevivência e poder?

As recentes atitudes de Morsi proporcionam a resposta, estando claro que islamistas são ainda piores que ditadores.

Gaza não é a chave, Filadélfia é

A segunda guerra entre o Hamas e Israel de 10 a 21 de novembro estimulou um imenso debate sobre seus aspectos positivos e negativos, cada lado tentando atrair um grande bloco de indecisos (19 por cento dos americanos de acordo com

CNN/ORC, 38 por cento segundo Rasmussen). Será que Israel é um estado criminoso que não tem o direito de existir, muito menos usar de força? Ou será que Israel é uma democracia liberal moderna, sob estado de direito, que de forma justificável protege civis inocentes? A moral move o debate.

Para qualquer pessoa sensível, é óbvio que os israelenses estão 100 por cento certos em se proteger de ataques injustificáveis. Uma charge da primeira guerra entre o Hamas e Israel de 2008 – 2009 mostra, de forma simbólica, um terrorista atirando detrás de um carrinho de bebê em um soldado israelense na frente de um carrinho de bebê.

A virada islamista da Turquia, 10 anos depois

Primeiro ministro turco Recep Tayyip Erdo?an na capa da revista Time em 2011.

Caso Erdo?an perca o apoio eleitoral, prepare-se para que ele adote meios não democráticos a fim de manter-se no poder. Ele delineou esse caminho antes mesmo de se tornar primeiro ministro, com a famosa declaração “Democracia é como um bonde. Quando se chega no ponto, se desce”.

Será que a Turquia está—devido ao seu tamanho, localização, economia e sofisticada ideologia islamista—posicionada para se tornar o maior problema do Ocidente no Oriente Médio?

Já se passou uma década tumultuada desde que o Partido da Justiça e do Desenvolvimento foi eleito pela primeira vez em 3 de novembro de 2002. Quase que despercebidamente, o país deixou a era pró Ocidente iniciada por Mustafa Kemal Atatürk (1881-1938) e entrou na era anti-ocidente de Recep Tayyip Erdo?an (nascido em 1954).

A eleição de 2002 foi seguida de 10 anos de idas e vindas entre frágeis governos de centro esquerda e centro direita. Os anos de 1990 também testemunharam a primeira vez em que um primeiro ministro islamista tomou posse, Necmettin Erbakan, permanecendo no poder por um ano antes de ser deposto via um golpe militar “light” em 1997. Visto o passado, aquele período marcou o intervalo entre a morte de Turgut Özal em abril de 1993, o imponente ex- primeiro ministro e presidente e a ascensão de Erdo?an ao cargo de primeiro ministro em 2003.

A unidade do islamismo

Todos os islamistas têm o mesmo objetivo, a aplicação plena e severa da lei islâmica (a Sharia) e muitas vezes cooperam entre si para este fim, às vezes secretamente.

O ataque de 14 de setembro contra a embaixada dos Estados Unidos em Túnis deixou 4 mortos, 49 feridos, vários edifícios saqueados e queimados e a bandeira preta dos salafistas tremulando nas dependências da embaixada. O partido islamista da Tunísia, Ennahda, “moderado” ora no poder, por sua vez, respondeu imediatamente condenando o incidente, o Ministro do Interior Ali Larayedh reconheceu que o governo “falhou quanto à proteção da embaixada acrescentando, deveríamos nos retratar perante os americanos”. O líder do Ennahda, Rachid Ghannouchi, condenou os salafistas com mais veemência ainda como um “perigo” à liberdade e segurança na Tunísia pedindo que fossem combatidos por meio de todas as medidas legais.

As declarações reasseguraram aos americanos que se malucos barbados usando burcas querem matá-los, islamitas moderados usando gravatas e hijabs são civilizados, aliados respeitadores da lei. Que por sua vez se encaixa em uma política datando de 1992, de combater islamitas violentos e ao mesmo tempo cooperar com os islamistas não violentos. Desse modo as tropas americanas executaram Osama bin Laden, ao passo que presidentes americanos ajudaram os islamistas a chegar ao poder na Turquia e no Egito.

Ancara em Guerra

Por que o governo turco atua de forma tão agressiva contra o regime de Assad da Síria?

Talvez o Primeiro Ministro Recep Tayyip Erdo?an espera que lançar disparos de artilharia contra a Síria ajudará a colocar no poder um governo satélite em Damasco. Quem sabe espera que ao enviar um avião de guerra adentro do espaço aéreo sírio ou forçar a aterrissagem de uma aeronave civil síria que vinha da Rússia, obter apoio do Ocidente e envolver a OTAN. Eventualmente, tratar-se-ia de uma grande operação para desviar a atenção de uma iminente crise econômica devido a um excesso de empréstimos.

As ações de Erdo?an se encaixam em um contexto que remonta meio século. Durante a guerra fria, Ancara alinhou-se a Washington como membro da OTAN ainda que Damasco servisse como a Cuba do Oriente Médio de Moscou, um estado cliente altamente confiável. As conturbadas relações entre a Turquia e a Síria também tiveram origens locais, incluindo um litígio sobre a fronteira, diferenças quanto aos recursos aquáticos e o apoio sírio ao PKK, um grupo terrorista curdo. Os dois países chegaram à beira da guerra em 1998, quando a oportuna capitulação do governo Assad evitou o conflito armado.

A infância muçulmana de Obama

Obama continua sendo o candidato misterioso com uma autobiografia repleta de hiatos e até de falsificações.

Barack Obama apareceu brandindo contra o seu rival republicano, patrocinando anúncios na televisão perguntando: “O que Mitt Romney está escondendo?” A alusão trata de questões relativamente secundárias como declarações de imposto de renda de anos anteriores de Romney, a data em que ele deixou de trabalhar para a Bain Capital e registros não públicos da sua prestação de serviços como dirigente das Olimpíadas de Salt Lake City e como governador de Massachusetts. Obama justificou suas exigências para que Romney libere mais informações sobre si mesmo, ao declarar em agosto de 2012 que “O povo americano crê que se você deseja ser presidente dos Estados Unidos, a sua vida seja um livro aberto quando se trata de questões como suas finanças”. Esquerdistas como Paul Krugman do New York Times endossam entusiasticamente tal enfoque no currículo de Mitt Romney.

Romney x Obama vis-à-vis Israel

A diferença entre os partidos em relação ao conflito árabe-israelense está se tornando tão profunda quanto as diferenças na economia ou nas questões culturais.

Se Obama for reeleito, Israel será tratado da forma mais fria até hoje por um presidente dos Estados Unidos.

“O Presidente Obama jogou aliados como Israel para debaixo do ônibus”. Foi o que Mitt Romney, candidato republicano à presidência disse em um importante discurso aceitando a nomeação de seu partido na semana passada, repetindo a gíria que significa sacrificar um amigo por motivos egoístas. Romney já empregou esta frase antes, por exemplo em maio de 2011 e em janeiro de 2012. A censura a Obama ajusta-se à persistente crítica republicana. Particularmente, outros recentes candidatos presidenciais usaram ou endossaram a mesma fórmula do “ônibus” vis-à-vis Obama e Israel, incluindo Herman Cain em maio de 2011, Rick Perry em setembro de 2011, Newt Gingrich em janeiro de 2012 e Rick Santorum em fevereiro de 2012.

Spy vs. Spy, Estados Unidos vs. Israel

Israelenses espionando americanos está de volta ao noticiário: líderes do estado judeu acabaram de peticionar pela soltura de Jonathan Pollard e a Associated Press informou, com alarme, que as autoridades da segurança nacional dos Estados Unidos por vezes consideram Israel “uma ameaça genuína de contra-inteligência”. O tom de indignação de tirar o fôlego indica: Como ousam! Quem pensam que são?

Mas espionar aliados é a norma e é uma via de mão dupla. Antes de ficarem tão possessos, os americanos deveriam entender que Washington não é isento. De Reagan a Obama, o governo dos Estados Unidos tem mantido um esforço enorme de espionagem contra Israel. Alguns exemplos:

Após um ataque israelense contra o Irã

Os mulás enfrentam sérias limitações quanto a capacidade de retaliação, incluindo vulnerabilidade militar e necessidade premente em não aumentar o número de inimigos externos.

Como irão os iranianos responder a um ataque israelense contra a sua infraestrutura nuclear? As respostas a esta previsão têm grande importância, que afetam não apenas a decisão de Jerusalém, mas também o quanto outros países estão trabalhando para evitar um ataque israelense.