Daniel Pipes


Fique fora do atoleiro sírio

Mais cedo ou mais tarde, após Assad e a sua encantadora esposa levantarem acampamento, os islamistas provavelmente tomarão o poder, os sunitas se vingarão e as tensões regionais irão se desenrolar na Síria.

À medida que o governo sírio aumenta de forma desesperada e cruel os esforços em se manter no poder, apelos para uma intervenção militar, mais ou menos no modelo líbio, têm se tornado cada vez mais insistentes. Com certeza, esse curso é moralmente atraente. Mas, será que os países ocidentais deveriam seguir esse ponto de vista? Acredito que não.

Contar os refugiados palestinos?

A solução do conflito árabe-israelense requer o fim da farsa absurda e danosa da proliferação de refugiados palestinos fantasmas.

O âmago fétido e tenebroso da guerra árabe contra Israel, como já venho afirmando há muito tempo, não consiste nos conflitos sobre Jerusalém, postos de controle ou “assentamentos”. Melhor dizendo, consiste nos assim chamados, refugiados palestinos.

Assim chamados pelo fato dos cerca de 5 milhões de refugiados legalmente reconhecidos, assistidos pela UNRWA (“Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina”), apenas 1 porcento serem realmente refugiados que se enquadram na definição da agência como “pessoas cujo local normal de residência era a Palestina entre junho de 1946 e maio de 1948, que perderam tanto seus lares como seus meios de sobrevivência em consequência do conflito árabe-israelense de 1948”. Os outros 99% são descendentes daqueles refugiados ou o que eu chamo de refugiados fantasmas.

Descobrindo os primórdios do Islã

Revisionistas postulam uma exposição radicalmente nova quanto ao Islã antigo.

Em 1880 apareceu a publicação de um livro que se destaca isoladamente como o estudo mais importante já realizado sobre o islamismo. Escrito em alemão pelo jovem judeu húngaro, célebre especialista Ignaz Goldziher, portando o título nada descritivo Muslim Studies (Muhammedanische Studien, “Estudos Muçulmanos”), sustentava que o hadith, o vasto acervo de narrações e ações atribuídas ao profeta islâmico Maomé, carecia de legitimidade histórica. Em vez de fornecer detalhes confiáveis sobre a vida de Maomé, Goldziher demonstrou que o hadith surgiu a partir de debates, dois ou três séculos depois, a respeito da natureza do Islã.

Missionários do Islã em histórias em quadrinhos

Barack Obama elogiou os gibis por terem “cativado a imaginação de um número tão grande de jovens com super-heróis que personificam os ensinamentos e a tolerância do Islã”.

Histórias em quadrinhos como método para missionar o Islã (da’wa)?

Isso. Há um ano, a Universidade de Harvard promoveu um workshop para ensinar artistas de histórias em quadrinhos como abordar o “desconforto dos americanos em relação ao Islã e ao Oriente Médio”. E durante esta semana, a Universidade de Georgetown levará ao ar um documentário da PBS, Wham! Bam! Islã!, enaltecendo um gibi chamado Os 99.

Não é briga de trânsito, é terrorismo

O preço que se paga por ignorar as raízes religiosas e ideológicas do terrorismo islamista é muito alto.

Em 25 de fevereiro de 1994, Baruch Goldstein, um médico israelense de origem americana, foi à mesquita no Túmulo dos Patriarcas em Hebron e assassinou 29 muçulmanos com uma arma automática, antes de ser dominado e cometer suicídio. Esse massacre gerou teorias de conspiração e tumultos em círculos muçulmanos, incluindo acusações de que o governo de Israel estava por trás de Goldstein, alegação que, apesar das fortes condenações contra esse ataque pelo governo israelense, não foi completamente rechaçada.

Árabes israelenses, vivendo um paradoxo

Será que os árabes, que totalizam um quinto da população de Israel, podem ser cidadãos leais ao estado judaico?

Com essa pergunta em mente, visitei recentemente várias regiões habitadas pelos árabes de Israel (Jaffa, Baqa al-Gharbiya, Umm al-Fahm, Haifa, Acre, Nazaré, as Colinas de Golã, Jerusalém) e mantive uma troca de ideias com as principais correntes israelenses, tanto árabes como judaicas.

Os árabes, como eram vistos há cinquenta anos

“Outrora gentis e acomodáveis, a remota civilização dos árabes vem sendo arrebatada hoje pelos ventos revigorantes da mudança. Uma fértil espécie de desordem está substituindo os velhos e definidos padrões de vida”. Essas palavras que parecem contemporâneas foram publicadas em 1962, em um atraente livro, de 160 páginas, repleto de fotografias, intitulado The Arab World (O Mundo Árabe).

A edição ostenta três virtudes que valem a pena serem revistas cuidadosamente, meio século depois. Primeiro, os editores da revista Life, a então destacada revista semanal americana, produziram-na, implicando valor cultural. Segundo, o alto funcionário reformado do Departamento de Estado, George V. Allen, autor da introdução, apontou as credenciais de establishment do livro. Terceiro, Desmond Stewart (1924-1981), aclamado jornalista britânico, historiador e escritor, escreveu o texto.

“Cedo ou tarde, todos serão refugiados palestinos”

De todas as questões que movem o conflito árabe-israelense, nenhuma é mais central, maligna, primordial, duradoura, emocional e complexa do que o status das pessoas conhecidas como refugiados palestinos.

As origens desse caso único, observa Nitza Nachmias da Universidade de Tel-Aviv, remonta ao Conde Folke Bernadotte, mediador do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Ao referir-se àqueles árabes que fugiram do Mandato Britânico da Palestina, sustentava ele em 1948, que a ONU tinha a “responsabilidade em aliviar seu sofrimento” pelo fato de ter sido uma decisão da ONU a criação de Israel, que os tornou refugiados. Por mais incorreto que seja esse enfoque, ele ainda permanece vivo e muito forte e ajuda a explicar porque a ONU dedica essa atenção inigualável aos refugiados palestinos aguardando seu próprio estado.

Castelorizo: ponto crítico no Mediterrâneo?

Lembre-se deste nome, Castelorizo, você ouviu falar dele aqui pela primeira vez.

Trata-se da ilha mais remota e mais oriental das ilhas da Grécia, a 130 quilômetros da Ilha de Rhodes, 274 quilômetros a oeste de Chipre e apenas 1,6 quilômetros da costa da Turquia. Castelorizo (em grego ??????????? ou oficialmente Megisti, ???????) é minúscula, compreendendo apenas 13 quilômetros quadrados, além de outras ilhas desabitadas do arquipélago, ainda menores. Seus 430 habitantes estão bem abaixo dos 10.000 do século XIX. O guia de viagens Lonely Planet escolheu-a uma das quatro melhores ilhas gregas (das milhares) para mergulho e snorkeling. Não há transporte público da adjacente Anatólia, somente da distante Ilha de Rhodes, de avião ou balsa.

Sudão do Sul, o novo aliado de Israel

1674A nova república representa um exemplo animador de uma população não muçulmana resistindo ao imperialismo islâmico através da sua integridade, persistência e dedicação. Nesse sentido, o nascimento do Sudão do Sul ecoa o nascimento de Israel.

Não é todo dia que o líder de um país completamente novo realiza a sua viagem inaugural, como chefe de estado, para Jerusalém, capital do país mais sitiado do mundo, no entanto, foi exatamente isso que Salva Kiir, presidente do Sudão do Sul, acompanhado pelos seus ministros das relações exteriores e da defesa, fez no final de dezembro. O presidente de Israel Shimon Peres saudou a sua visita como um “momento comovente e histórico”. A visita provocou comentários de que o Sudão do Sul iria estabelecer a sua embaixada em Jerusalém, tornando-o o único governo do mundo a fazê-lo.

Esse raro desdobramento é o resultado de uma história incomum.