Graça Salgueiro


A farsa do “acordo humanitário”

O papel do presidente Lula nesta farsa teve vários objetivos, um dos quais pôr uma cortina de fumaça sobre as íntimas ligações de seu governo e seu partido (PT) com as FARC, confirmadas nos achados dos computadores de Raúl Reyes.

Causou-me constrangimento e perplexidade os comentários maldosos, baseados em desinformação plantada pela mídia companheira de viagem, a respeito da participação do nosso Exército Brasileiro na operação de resgate dos seqüestrados pelas FARC. Em primeiro lugar, é fundamental que se nomeie as coisas por seus nomes reais, e não pela novilíngua do politicamente correto. Essas pessoas que aos poucos estão sendo libertadas não são “prisioneiros de guerra” – porque se admitirmos isto, estaremos implicitamente concordando que existe uma contenda entre dois Estados –, mas SEQÜESTRADAS por um bando narcoterrorista, de corte marxista-leninista.

Graça Salgueiro

Graça Salgueiro, estudiosa da estratégia e ações da esquerda latino-americana lideradas pelo Foro de São Paulo no continente, edita o blog Notalatina e tem seus artigos publicados no site argentino La Historia Paralela.

Meias-verdades, mentiras e dezinformatsya: a quem interessa?

No Brasil o terrorismo colombiano nunca foi tratado pela mídia com a seriedade devida, e nas pautas dos jornais o tema FARC esgotou-se com a libertação dos 15 reféns, no último 2 de julho. Este tema, entretanto, está longe de acabar e não se resume apenas às FARC.

Escrevo este artigo no dia 20 de julho, data em que a Colômbia comemora sua Independência e que em todo o país ocorreram manifestações pedindo o fim dos seqüestros e dos atos terroristas. A França, que resolveu tomar para si uma vitória que não lhe pertence pois é genuinamente colombiana, também realizou uma manifestação tendo à frente a recém-libertada Ingrid Betancourt, acompanhada de sua intrigante e odiosa mãe Yolanda Pulecio, seus filhos e cantores populares.
 
Aqui no Brasil o terrorismo colombiano nunca foi tratado pela mídia com a seriedade devida, e nas pautas dos jornais o tema FARC esgotou-se com a libertação dos 15 reféns, no último 2 de julho, como se isto encerrasse o assunto de uma guerra que já ultrapassa quatro décadas. Este tema, entretanto, está longe de acabar e não se resume apenas às FARC. Diariamente encontro informes nos sites do Ministério da Defesa e do Comando das Forças Militares colombianas sobre baixas, capturas, deserções e desmobilizações voluntárias de guerrilheiros das FARC, ELN e bandos menores, além da desarticulação de bombas, minas anti-pessoa, apreensão de armamentos, material bélico e de comunicação, laboratórios de processamento de pasta base de coca e toneladas desta droga destruídos ou confiscados pelas Forças Militares, mais de 2.400 crianças libertadas das fileiras guerrilheiras. É um trabalho incessante, abnegado, silencioso.
 
Entre 2000 e 2007 o ELN seqüestrou 3.293 pessoas e mantém ainda em cativeiro 240. A maioria de suas vítimas são pequenos produtores cujo fim é essencialmente a extorsão pela cobrança de resgate. O presidente Uribe tem sido duro com relação a este bando e as Forças Militares têm agido com rigor em sua perseguição. No dia 15 pp., foi abatido em combate o segundo cabeça e chefe de finanças da frente “Heróis e Mártires de Anori”, condinome “Samir”, que era responsável pela cobrança do “imposto” aos produtores e pela comercialização da pasta base de coca. Essas notícias, entretanto, não saem nos nossos jornais. E ainda há quem alardeie que a nossa imprensa é vigilante e presta relevantes informações com o jornalismo investigativo…
 
Durante o período em que Ingrid Betancourt esteve refém das FARC iniciou-se uma campanha mundial pela sua libertação como se ela fosse um “ícone do martírio”, mas muito dessa história foi fabricada para pressionar Uribe e para desmerecer o Governo e a excelência do trabalho da Inteligência e Forças Armadas colombianas. Quando ocorreu o seqüestro, em fevereiro de 2002, esta senhora, então candidata à presidência da Colômbia por um partido “ecologista”, tinha míseros 2% de intenção de votos e seria apenas mais um número nas estatísticas macabras do narco-terrorismo não fossem os bons ofícios de Dominique de Villepin, então chanceler da França. Em julho de 2003 Villepin, que fora amante das irmãs Ingrid e Astrid na época em que estudaram na França, armou uma desastrosa operação de resgate que foi abortada quando o avião teve que aterrisar em Manaus e descobriu-se que não carregava remédios e médicos mas militares. Posteriormente, em 2005, um emissário francês reuniu-se cinco vezes com as FARC nas selvas da Colômbia sem informar ao governo colombiano, causando muito desconforto na diplomacia dos dois países.
 
Com todo este interesse da França pela libertação de Ingrid, as FARC perceberam que ela tornara-se “a jóia da coroa” e que daí poderiam extrair grandes lucros. Ao mesmo tempo, discretamente foi-se construindo o “mito Ingrid” e colaboradores dos terroristas, como Chávez e Piedad Córdoba – e posteriormente os outros membros do Foro de São Paulo do qual as FARC são membros -, uniram-se às pressões, não para que as FARC a libertassem sem condições, mas para que Uribe cedesse às chantagens de desmilitarizar os estados de Pradera e Florida.
 
Inteligentemente Uribe não cedeu nem deu trégua aos combates, até que em meados do ano passado o presidente Sarkozy, a pedido de Villepin, resolveu também participar da farsa. Pediu ao presidente Uribe que libertasse unilateralmente Rodrigo Granda (membro do Secretariado das FARC) como prova de boa-vontade no processo de paz da Colômbia. Em troca as FARC não libertaram nenhum refém, tampouco pararam com o terror. O policial John Frank Pinchao, que conseguiu fugir do cativeiro, informou as condições sub-humanas em que vivem os seqüestrados fazendo um relato comovente, inclusive citando o uso de correntes nos presos para que não fugissem, apresentando a sua própria.
 
Em dezembro as FARC liberaram imagens e fotos de uma Ingrid debilitada e a partir desta foto “construiu-se” a história de que ela padecia de Hepatite B, Leishmaniosis e que “poderia morrer” caso não fosse libertada com urgência. A segunda parte do plano elaborado pelas FARC, Chávez e apoiado pelos filhos de Ingrid e dona Pulecio, era destruir a imagem de Uribe rotulando-o de “desumano” por não ceder aos apelos “humanitários” das FARC. Entretanto, a foto que a tornou famosa por sua “resistência ao martírio” fora tirada em outubro de 2007; seu marido declarou estranhar as doenças que diziam padecer sua mulher uma vez que ela havia se vacinado em 2001 contra malária e outras enfermidades; as correntes eram postas apenas à noite e só passaram a ser usadas depois da tentativa de fuga de Ingrid, ou seja: não foram 6 anos ininterruptos acorrentada pelo pescoço como se dizia.
 
Com relação às “doenças”, segundo o cabo William Pérez que foi seu enfermeiro no cativeiro, Ingrid padecia de depressão. Diz ele: “Ela estava muito fraca e tive que lhe dar muito soro, alimentá-la com cuidado porque não podia comer nada; tudo que comia vomitava”. E acrescenta: “Nas provas de sobrevivência que vocês viram e que escandalizaram o mundo, ela já demonstrava sinais de melhora; imaginem como ela chegou a ficar!”. Quer dizer, quando se falava na iminência de morte ela já estava praticamente recuperada e 9 meses depois, quando foi libertada, é natural que tivesse recobrado a aparência que todos viram no dia do resgate! Quanto à Hepatite B, o hospital francês que fez o checkup negou a existência ou resquício de tal enfermidade, acrescentando que seu estado de saúde era bom.
 
Esta senhora, que sempre foi de esquerda, agora cospe no prato que comeu e dá as costas ao povo que de fato lutou por sua libertação, pois menos de 24 horas depois da “Operação Xeque” embarcava no avião presidencial de Sarkozy rumo à França, onde se encontra até hoje. Lá, não tem poupado agradecimentos ao governo e povo francês por sua libertação, o que tem causado imensa decepção nos colombianos e nos militares que se arriscaram para salvá-la. Se havia alguma pretensão de nova candidatura presidencial, Ingrid acaba de dar um tiro no próprio pé com suas críticas a Uribe, com sua condescendência para com seus verdugos e com esta traição a quem realmente fez tudo por sua libertação.
 
O ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, disse em entrevista no início do mês que a idéia do terceiro mandato não é do presidente Uribe mas que ele não a refuta. O medo que paira entre seus colaboradores é que Uribe não concorrendo, seja eleito alguém que não continue este combate tão exitoso contra os bandos terroristas e se instale, como no resto do continente, um governo comunista. Nas pesquisas de opinião Uribe subiu de 87% para 92%, e 74% apóia o terceiro mandato porque o povo colombiano não quer FARC, não quer terrorismos e rechaça a idéia de apoiá-los “com palavras amorosas”. Segundo o ministro Santos, se as FARC não se renderem por bem, vão receber todo o peso da pressão militar. Se até 2010 Uribe conseguir destruir as FARC e o ELN, ótimo; mas se não, quem conseguirá?

Tá com medinho, “seu” Chávez? Então pede pra sair!

Chávez está com medo mas, como todos os líderes totalitários não se importa muito em perder coisas materiais, desde que não perca o poder.

“Os mitos desmoronam por si mesmos mas só podem ser totalmente
banidos pela verdade”.
Dmitri Volkogonov

O presidente Hugo Chávez está entrando em seu inferno astral mas conta com bons estrategistas que o ajudam a mudar o rumo da prosa quando a luz vermelha se acende. É característico de seu comportamento obsessivo-compulsivo falar o que pensa sem medir as palavras e de tomar atitudes, as mais absurdas e criminosas, sem prever as conseqüências que podem advir desses rompantes.

Dentre estes fatos os mais notórios dos últimos tempos são: a modificação de 69 artigos da Constituição, na qual foi derrotado no Referendum de 2 de dezembro de 2007; os destemperados rótulos e xingamentos ao presidente Álvaro Uribe, da Colômbia, que considera um “cachorro do Império”; a solicitação ao mundo para acolher as FARC como um “agrupamento político beligerante”; o anúncio na Assembléia Nacional de que mastigava folhas de coca diariamente, ofertadas pelo cocalero Evo Morales, presidente da Bolívia; o minuto de silêncio em cadeia nacional pela morte de Raúl Reyes, e, finalmente, a criação da Lei do Sistema Nacional de Inteligência e Contra-Inteligência.

Esta Lei estabelece que todo cidadão fica obrigado a cooperar ilimitadamente com os novos órgãos de Inteligência, com os Conselhos Comunais chavistas e demais associações da militância e, em caso de negar-se a fazê-lo, será punido com uma condenação de dois a quatro anos de cárcere e se for funcionário público a pena é de quatro a seis anos de prisão. No Art. 19, a nova Lei autoriza o “emprego de qualquer meio especial ou técnico para a obtenção e processamento de informação”(Gaceta Oficial Nº 38.940 de 28 de maio de 2008), o que significa que os novos agentes secretos de Chávez podem interceptar correspondência, grampear ligações telefônicas, torturar para obter informação, seqüestrar, drogar, violentar, ameaçar, humilhar em público e até assassinar, tudo em nome da “Segurança Nacional”.

Quando esta Lei foi divulgada começaram as pressões, inclusive dentro das Forças Armadas, para anular esta aberração que Chávez criou utilizando-se das prerrogativas da Lei Habilitante. Uma semana depois, no programa dominical “Alô, Presidente”do dia 8 de junho, aparece um novo Chávez, conciliador, fazendo um mea culpa pelos “exageros” cometidos na tal Lei, alegando em sua defesa ter-se lembrado da tentativa de golpe liderado por ele em 1992 e que não fora, nem aceitaria, ser coagido para delatar quem quer que fosse porque isto era uma violação aos direitos humanos. Em vista deste “reconhecimento”, suspendeu a tal Lei até que fossem revistos alguns artigos.

Ainda no mesmo programa pediu que as FARC se desmobilizem e entreguem todos os reféns, porque a “guerra de guerrilhas é história” e “não se justifica derrocar um governo democraticamente eleito”. Dias depois foi a vez de Rafael Correa, o boneco de ventríloquo de Chávez, repetir o mesmo discurso cínico dizendo: “Por favor, já basta, deixem as armas, vamos ao diálogo político e diplomático para encontrar a paz. Dissemos isso 500 vezes”. (…) “Que futuro tem uma guerrilha que combate um governo democrático, ao menos em aparência, e que não tem nenhum apoio popular no século XXI?”.

Bem, esta solicitação de Chávez teve boa acolhida no governo colombiano e o presidente Uribe agradeceu o gesto de seu par venezuelano [1], passando por cima de todas as agressões e ofensas. Por outro lado, a Corte Suprema de Justiça da Colômbia solicitou à Scotland Yard que revisasse os computadores de Raúl Reyes para corroborar o informe da INTERPOL de que o material ali encontrado era autêntico e não fora violado, alterado ou suprimido.

O que se depreende de todas estas informações? Em primeiro lugar, Chávez pode ter iludido o mundo inteiro com estas declarações, parecendo ter recobrado a sensatez, mas não aos venezuelanos que o conhecem muito bem. Sua popularidade de dezembro até os dias de hoje despencou para risíveis 28% e este é um ano de eleições importantes, para prefeitos e governadores. Ele ainda aguarda o aval do Brasil para ingressar no MERCOSUL e ser defensor das FARC nesse momento depõe contra. Chávez sabe que as FARC estão em franco declínio – em decorrência do excelente trabalho realizado pelos orgãos de Segurança colombianos -, que contam com não mais que míseros 3% de apoio popular e que a Venezuela também é vítima deste bando terrorista por seqüestros, assassinatos e pelo tráfico de drogas e armas.

A Venezuela tem um dos índices de seqüestros mais elevados do mundo – muitos deles pelas mãos das FARC, que Chávez não reclama porque não rendem dividendos políticos – e os crimes por encomenda cresceram tanto, que já são uma das principais causas de morte no país. Por outro lado, os venezuelanos já foram vítimas da espionagem chavista – extra-oficialmente – através das famigeradas listas “Tascón” e “Maisanta” e continuam sendo perseguidos, ameaçados e encarcerados injustamente [2]. Chávez sabe, portanto, que está encurralado, que os venezuelanos o conhecem muito bem e já estão fartos de suas mentiras, de suas truculências e de vê-lo dizer uma coisa hoje para desmentir amanhã, se assim lhe for conveniente politicamente.

Por outro lado, já se sabe das ligações do PT e de funcionários do alto escalão do governo brasileiro com as FARC mas o presidente Lula, malgrado as substanciais provas de envolvimento através dos Encontros do Foro de São Paulo, será poupado, ou melhor, blindado, como vem sendo desde que assumiu o primeiro mandato em 2003.

A política, já disse alguém, é a “arte do possível”. Por isso Uribe fecha os olhos e poupa Lula de uma denúncia formal de envolvimento com as FARC, agradece a Chávez pelo seu pronunciamento e reata relações diplomáticas com o Equador. Por isso também, Rafael Correa mudou seu discurso porque sabe, tanto quanto Chávez, que corre o risco de entrar para a classificação de “países amigos de terroristas” dado pelos Estados Unidos e União Européia. Dependendo comercialmente dos Estados Unidos eles cedem, numa relação de amor e ódio, uma relação tão patológica quanto suas formas de governar.

Chávez está com medo mas, como todos os líderes totalit&aacut e;rios não se importa muito em perder coisas materiais, desde que não perca o poder. Por isso muda o discurso, torna-se compassivo, chora, apela, finge-se de amigo mas sobretudo mente; mente muito e vai continuar mentindo. E é por isto mesmo que este reconhecimento não pode ser simplesmente aceito e a página virada. Não! Se ele não pede para sair, tem que ser julgado e posto na cadeia pelos seus crimes, pois ele é parte dos problemas causados pelas FARC, não só na Colômbia mas em toda a América Latina.

Notas:

[1] Ouça o áudio do agradecimento em http://www.elpais.com/audios/internacional/Uribe/Quiero/reiterar/agradecimientos/Hugo/Chavez/csrcsrpor/20080615csrcsrint_1/Aes/

[2] http://www.payolibre.com/articulos/articulos2.php?id=1433

Escrito originalmente para o Jornal Inconfidência de Belo Horizonte

Ao rato? O queijo!

Três fatos graves marcaram a semana passada sem que, entretanto, os noticiários brasileiros dessem qualquer destaque ou fizessem menção, mesmo que em uma notinha de rodapé. Um deles refere-se à Venezuela onde, através de um acordo bilateral entre este país e Cuba, dá plenos poderes a agentes da Polícia Política cubana para deter, prender, revistar, interrogar, expropriar e até deslocar detidos para julgamento e provável prisão em Cuba, isto se, por misericórdia, não receberem a pena máxima que é o fuzilamento. Apenas o Mídia Sem Máscara e o filósofo e jornalista Olavo de Carvalho em seu artigo de sábado em O Globo, denunciaram mais este avanço do castro-comunismo na Venezuela do neo-ditador Hugo Chávez.

Os outros dois fatos referem-se diretamente a Cuba e a mais uma vitória alcançada pelo ditador Castro. Os 11 países da América Latina que compõem a Comissão de Direitos Humanos da ONU, designaram Cuba, no encontro ocorrido em Genebra, para integrar o “Grupo de Situações” das Nações Unidas.

O que significa pertencer a tal grupo? Significa que seus membros funcionam como uma espécie de “tribunal” que decide o acatamento das denúncias feitas às violações dos direitos humanos praticadas por governos, ONGs e até particulares, ante às quais este grupo decide quais serão acatadas, julgadas e punidas, e se deverão ser tratadas pela Comissão de maneira pública ou confidencial.

A indicação de Cuba a esta Comissão foi feita pela Argentina que, pelo rodízio efetuado anualmente, dá a vez a outro país. Não é de se estranhar tal indicação, considerando que a Argentina é um hoje um país socialista, governada por um “ex” Montonero e amigo e seguidor de Fidel Castro. Fazem parte desta Comissão os seguintes países: Argentina, Brasil, Costa Rica, Cuba, República Dominicana, Equador, Guatemala, Honduras, México, Paraguai e Peru, sendo o México eleito para coordenar os trabalhos que serão deliberados entre 14 de março a 22 de abril.

Este mesmo tipo de representação regional ocorre também no “grupo de situações”, onde cada região do mundo envia um delegado. Assim sendo, agora acompanham Cuba os Países Baixos pelo grupo ocidental, Zimbabwe pela África, Hungria pelo Leste Europeu e China pela Ásia, e está prevista sua primeira reunião no próximo dia 7 de fevereiro em Genebra.

Segundo fontes das Nações Unidas, este ano o “grupo de situações” deverá pronunciar-se sobre 85 denúncias, sendo a maioria delas contra os Estados Unidos por sua intervenção no Iraque, além das respeitantes à Nova Zelândia e Austrália por “prováveis abusos cometidos por agentes do Estado, sobre populações indígenas”.

Vale salientar que Cuba, apesar de fazer parte da Comissão de Direitos Humanos da ONU, descumpre 23 dos 30 Direitos Humanos estabelecidos por esta Comissão e foi eleita para julgar essas arbitrariedades; dos outros, obviamente. É curioso notar, também, que esta “agenda de denúncias” segue em absoluta consonância com a agenda do Foro de São Paulo e do recém-encerrado Fórum Social Mundial de Porto Alegre que diz em suas “resoluções finais”: “A dois anos da invasão no Iraque, a oposição global à guerra maior que nunca. Para o movimento contra a guerra é tempo de aumentar as ações e não dar marcha a ré. Exigimos o fim da ocupação no Iraque. Nos comprometemos a estabelecer mais contatos com as forças anti-ocupação no Iraque e Oriente Médio”. E mais adiante: “Apoiamos os esforços de movimentos sociais e organizações que promovem a luta pela dignidade, a justiça, a igualdade e os direitos humanos, especialmente os dos Dalits, Afro-descendentes, povos indígenas, romas, burakumin e os mais oprimidos e reprimidos setores da sociedade”.

O outro fato ignominioso e que não foi comentado no Brasil (certamente por ter recebido aprovação quase unânime), foi a derrota sofrida pelo povo cubano, aquele “a pé”, escravizado há 46 anos, com a suspensão das restrições diplomáticas a Cuba, pela União Européia.

Esta sanção foi imposta pela UE em junho de 2003, em decorrência da “Primavera Negra de Cuba” onde arbitrariamente o ditador Castro encarcerou, com julgamentos sumaríssimos e condenações de até 28 anos de privação de liberdade, 75 opositores ao regime da Ilha.

Desde que ganhou as eleições no início do ano passado (sob fraudulenta campanha desencadeada com a explosão de trens em Madri, deixando centenas de vítimas), o atual Primeiro-Ministro da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, vinha “costurando” a suspensão das restrições impostas pela UE, e a estratégia foi-se montando em comum acordo com Fidel Castro.

Em meados e fim do ano passado os jornais brasileiros deram destaque, com júbilo encomendado, às libertações ocorridas na Ilha de alguns presos políticos famosos, mas não informaram que isto era parte da “costura” que vinha sendo elaborada pela dupla Castro-Zapatero.

Foi bom ver, apesar de em uma pseudo-liberdade, dissidentes como a grande economista Martha Beatriz Roque Cabello, o poeta e escritor Raúl Rivero, o jornalista Oscar Espinosa Chepe e mais 11 outros presos, fora das infectas marmorras cubanas. Entretanto, o que é aviltante é saber que essas pessoas não passaram de “mercadoria de troca”, como num escambo humano, para pavimentar o caminho para esta resolução que foi assinada ontem, 31.01, pelo Comitê de Política e Segurança da União Européia (COPS).

A nota expedida pelo Conselho, diz o seguinte: “Todas as medidas adotadas em 5 de junho de 2003, ser&at ilde;o temporariamente suspensas. (…) O Conselho decidiu em conseqüência, que a UE suspenderá as restrições relativas às visitas de alto nível. No transcurso destas visitas a situação dos direitos humanos e a posição dos dissidentes deverão ser evocadas com o governo cubano e a sociedade civil. (…) O Conselho toma nota da ‘libertação’ em junho e novembro de 2004, de ‘alguns’ dos prisioneiros políticos encarcerados em março de 2003, porém constata que esta libertação não se produziu de maneira incondicional”.

A República Checa foi o único país a tentar retirar um parágrafo relativo às festas diplomáticas, que foram estabelecidas ser apenas para o corpo diplomático e os cidadãos da UE, mas a presidência do Conselho optou que esta é uma “recomendação” do COPS, órgão que não tem entidade jurídica.

Agora eu pergunto aos leitores: alguém conhece ou já ouviu falar de José Luis García Paneque ? E Librado Linares García, ou ainda o jovem “direitos humanos” de indivíduo algum, mas com o que podem barganhar e lucrar com essa humilhante subserviência a um dos mais abomináveis tiranos que o Século XX conheceu e que perdura firme neste início de Século XXI, provando que, malgrado sua deterioração física, ainda está “rolando os dados”.

Ao rato? Em vez de uma ratoeira que lhe esmagasse a cabeça definitivamente, se lhe ofereceu um enorme queijo suíço, onde ele escorrega prazerosamente e brinca de esconde-esconde por entre os inúmeros buracos e, de quebra, ainda se refestela com a iguaria.

  Idoso vivendo em condições miseráveis em asilo cubano: exemplo de omissão em relação aos direitos humanos em Cuba.

“Seremos como o Che!”

Toda criança nascida em Cuba, após a “Revolução de Todo o Povo”, criou-se ouvindo e repetindo nas escolas como um mantra, ad nauseam, esta frase que dá título ao artigo.

Fidel Castro transformou Guevara no “bom revolucionário”, como para expiar um indisfarçável sentimento de culpa, numa espécie “arcanjo da revolução” e tem ganhado muito dinheiro explorando os incautos turistas que vão à Cuba atrás de “ver” o monumento criado em homenagem a um mega-assassino, um guerrilheiro fracassado que só se deu mal em todas as investidas que fez pelo mundo afora.

Orlando Castro Hidalgo, um espião cubano desertor, assim se refere em seu livro “O Espião de Fidel Castro”: Contaram-me que a Bolívia não era o único objetivo de Guevara. Ele planejara usá-la meramente como um trampolim. Da Bolívia, o movimento de guerrilha penetraria em outros países, criando o que Guevara esperava começar “dois, três, ou vários Vietnames” no hemisfério ocidental”.

E mais adiante revela: “O Ernesto Guevara desses últimos dias desesperados não era a brilhante figura de fama legendária. Estava “gasto fisicamente, totalmente destruído”, de acordo com os sobreviventes. Ao perceber que a derrota era iminente, “tudo o irritava, o exasperava – ele estava com um gênio dos diabos”. Guevara não sofreu somente a derrota militar; o que é pior, sua esperança evaporou-se e seus sonhos o abandonaram. A longa e árdua estrada que ele havia escolhido para seguir terminara num fracasso completo”. (O Espião de Fidel Castro – Orlando Castro Hidalgo, Ed. Artenova, págs. 78 e 79).

Apesar disso, desde a década de 60 esta figura nefasta e fracassada é venerada como santo, herói e modelo de virtude (ver “Santo Ernesto de la Higuera: rogai por nós!), através da mais famosa foto de seu rosto feita pelo fotógrafo cubano Alberto Korda, que se vê estampada em camisas, posteres, bonés, quinquilharias de toda espécie.

Deste falso “bom revolucionário” sabe-se que ordenou o fuzilamento em Cuba de 500 a 1700 prisioneiros e pessoalmente foi responsável pelo assassinato de 179 pessoas, cujos dados foram obtidos pelo Dr. Armando Lago, confirmados com nomes e datas, através de duas ou mais fontes de informação idôneas, livros e jornais.

Deste falso “bom revolucionário” sempre é lembrada a frase que praticamente virou símbolo da militância esquerdista mundial: “Hay que endurecerse pero sin perder la ternura jamás” porém, nunca lembram de citar, também, uma outra que se contrapõe e desnuda o verdadeiro monstro que habita o pseudo mito: “O ódio implacável para com o inimigo nos transporta e nos leva para além das limitações naturais do homem, e nos transforma em máquinas de matar eficazes, violentas, seletivas e frias. Nossos soldados devem ser assim. Uma pessoa sem ódio não pode triunfar sobre um inimigo brutal”. (Discurso na Tricontinetal, em 1961).

O mito não morreu, ao contrário, quanto mais passam-se os anos, mais aura de santo, veneração e apelos à imitação são feitos nos mais recônditos lugares do mundo; que o digam o Fórum Social Mundial e a própria “lojinha do PT” (Time & Life Magazine lançou em sua edição de 29 de novembro, um anúncio de camisas infantis com a tal foto famosa do “Che” em seu Guia de Compras da Internet. É preciso doutrinar a militância desde o berço!

  Fotos: Time -Life
No anúncio, há fotos de bebês usando a tal camisa com as seguintes legendas:
“Publicado na Internet no guia de compras do magazine Time, ‘Viva a Revolução’. Agora os ainda pequenos rebeldes podem expressar-se, eles mesmos, nestes [modelos] únicos para bebês. Este clássico ícone do Che Guevara também está disponível em camisetas de mangas compridas para vários tamanhos de crianças”. E mais abaixo:
“Que viva por muito tempo o rebelde em todos nós… não existe outro ícone melhor que a imagem do Che! Disponível em laranja e castanho. Todos os produtos da Appaman são suaves e pré-encolhidos, 100% algodão e projetados, tingidos e impressos na cidade de Nova York. SKU. Disponibilidade imediata. Preço $ 25.00”.

No mês em que se comemora o nascimento do Salvador do mundo, Aquele que se imolou por Amor a toda a Humanidade, esta revista imola todas as crianças do mundo pedindo-lhes que “sejam com o Che”, aquele que fez de sua razão de viver o ódio mais brutal e inumano contra os próprios irmãos.

A comunidade de cubanos exilados nos Estados Unidos, que conheceu de perto e que muitas das famílias tiveram parentes vítimas da sanha criminosa deste monstro não se rendeu, nem está permitindo que uma afronta deste tipo vá adiante. Várias cartas já foram encaminhadas à revista em sinal de protesto, e manifestações de rua mostram seu descontentamento através de cartazes, que podem ser conferidos através deste site, organizado pela dissidente e exilada cubana, Miriam Mata: Manifestantes protestando contra o uso da imagem de Guevara em roupas infantis

Na reta final, intensifica-se mundialmente o “vale tudo contra Bush”

Mais uma vez a esquerda internacional e os comunistas preparam-se para fazer o que sabem melhor: mentir, manipular e criar factóides.

No início do mês de outubro recebi uma nota do informativo La Voz de Cuba Libre dando conta de que estavam sendo planejadas mundialmente, entre organizações de esquerda, manifestações contra o atual regime trabalhista americano e contra a guerra do Iraque. Temia-se, a princípio, que se tratasse de algo similar ao que ocorreu nas eleições espanholas que vitimou centenas de inocentes para garantir a vitória de Zapatero à presidência daquele país.

Não é bem isso que se planeja, felizmente, mas várias organizações de esquerda estão convocando os simpatizantes às causas comunistas a uma mega marcha no domingo 17 de outubro, que já conta com o aval de várias cidades norte-americanas, Londres, Madri, Itália, França e vários países da América Latina. O México foi o primeiro país a realizar sua manifestação que saiu às 10 horas da manhã do dia 6 de outubro, da rua Medellin, 33, Colonia Condesa, no Distrito Federal do México.

A farsa das “manifestações espontâneas” que as esquerdas mundiais querem fazer crer aos incautos, como no caso da Espanha que acabou dando a vitória ao socialista Zapatero e depois fartamente provado ser uma muito bem articulada manipulação das “redes nômades”, fica também aqui desmascarada, através do artigo que traduzo a seguir.

Por trás dessas “manifestações espontâneas”, há uma organização chamada “Comitê de Solidariedade com a Causa Árabe” (CSCA), que congrega em seu web site toda sorte de apoio a palestinos, iranianos, iraquianos e povos árabes, cujo endereço é: Taba Brasilis, chegando ao cúmulo da estupidez de registrar 95% de aprovação à candidatura Kerry enquanto demonizam Bush até não mais poder, não tenho dúvidas de que tal “manifestação espontânea” levará multidões às ruas repletas de bandeiras vermelhas e, de quebra, incendiando espantalhos com a foto do Presidente Bush, gritando velhas e carcomidas palavras de ordem tais como: “Fora Bush!”, “Não à ALCA e o FMI!”, “Abaixo o Imperialismo!”, “Não à guerra do Iraque!”, etc. Certamente contará com as bênçãos e apoio explícito do pseudo-frei Betto, da CNB do B, tudo isso com a solícita cobertura da Rede Globo, com seus inflamados e nada discretos repórteres-militantes.

Os motivos alegados são uma prova inconteste do non sense imperante entre o que esta gente quer, os meios que empregam para alcançar seus objetivos, e o que a população assimila da mensagem subliminar embutida em todas as ações comunistas. E, mais ainda, eles reivindicam para si direitos que são sistematicamente sonegados há décadas pelos regimes desses países que eles defendem com tanto ardor; quer non sense pior do que este?

Naturalmente, alegarão não ter relação alguma entre este evento e as próximas eleições americanas; entretanto, para bom entendedor meia palavra basta. Tomara que desta mega manifestação não resultem atos mais violentos criminosos como aquele que ocorreu em Madri…

 

Marcha de um milhão de trabalhadores: a classe trabalhadora dos EEUU luta contra a guerra

 

No próximo 17 de outubro de 2004 em Washington DC, sob o lema “Marcha de um milhão de trabalhadores, pelo regresso das tropas e pelo fim da ocupação do Iraque”, unem-se em uma mesma luta a classe trabalhadora e o movimento contra a guerra dos Estados Unidos.

 A iniciativa, que parte de IWW Longshore Union Local 10 (Sindicato Internacional de Trabalhadores de Longshore) de San Francisco, uma das organizações operárias históricas dos Estados Unidos, famosa por sua longa tradição militante nas lutas operárias, reunirá as organizações operárias mais importantes, setores progressistas e coletivistas anti-guerra. Segundo os promotores, “espera-se um mar de trabalhadores de todos os rincões do país reclamando direitos sindicais, trabalho digno e toda a longa lista de direitos trabalhistas e sociais sistematicamente oprimidos nos Estados Unidos”, onde se expressará “a raiva e a ira que sentem ante a matança sem sentido que tem lugar todos os dias no Iraque, pedindo o cessamento imediato da ocupação”. E acrescentam: “São famílias trabalhadoras as que estão na linha de fogo, são seus seres queridos os que são enviados a lutar e a morrer. É o dinheiro roubado dos trabalhadores que está pagando a guerra e a ocupação”. Os promotores estimulam a criação de comitês locais contra a guerra, pedindo que apoiem a Marcha fretando centenas de ônibus que confluirão na capital deferal, Washington DC, em 17 de outubro.

Às reivindicações do movimento contra a guerra se unirão “as demandas centradas no trabalho, no salário digno, contra as demissões, a defesa das pensões e da Seguridade Social, a luta pelo direito à saúde como um direito universal e não um privilégio dos ricos”. Ante a campanha eleitoral presidencial, reclamam “a defesa de nossos direitos antes de confiar e delegar ao próximo presidente, quem quer que seja”. […] “A Marcha de um milhão de trabalhadores do 17 de outubro pretende fazer chegar uma mensagem clara ao Presidente, aos candidatos, aos políticos e à elite empresarial que ostentam o poder real”. […] “Queremos que [o 17 de outubro] seja o próximo grande encontro do movimento contra a guerra. Se o conseguirmos, estaremos lembrando ao próximo Presidente e ao Congresso que não aceitamos falsas desculpas que prolonguem a ocupação do Iraque, destruindo vidas e valiosos recursos que deveriam empregar-se em satisfazer as necessidades básicas da população. A unidade do movimento anti-guerra e das lutas operárias reforçará a unidade de nosso poder potencial na luta contra o sistema”.

Apoios à Marcha:

O primeiro comunicado de convocatória, foi assinado por: Clarence Thomas (Million Workers March Organizing Committee, ILWU Local 10); Brenda Stokely (President, District Council 1707 AFSCME, Co-chair, NYC Labor Against the War); Chris Silvera (Secretary-Treasurer, Local 808 IBT, President National Teamsters Black Caucus), Ralph Shoenman (Communications Coordinator, Million Worker March); Larry Holmes (International Action Center, Steering Committee ANSWER); Sharon Black (Washington/Baltimore Coordinator, Million Worker March), Ramsey Clark (ex Procurador Geral dos EEUU).

Obteve apoio de diversas organizações e ativistas, como os seguintes: Coalition Of Black Trade Unionists; Bill Lucy, Secretary-Treasurer, AFSCME; National Education Association; Transportation Workers Union Local 100 (NY); AFSCME District Council 1707 (NY); South Carolina AFL-CIO; Farm Labor Organizing Committee; AFSCME District Council 92 (MD); D.C. Labor Against The War; International ANSWER; o ator Danny Glover; American Indian Movement; ILWU Local 34; Troy and Albany Labor Council (NY); National Immigration Solidarity Network; New York City Labor Against the War; Global Women’s Strike; Teamsters Black Caucus; o ator Dick Gregory; Myra Shone and Ralph Schoenman, Taking Aim, Pacifica; National Association of Letter Carriers, Branch 3825; Howard Wallace, Pride at Work; Jim Houghton, Harlem Fight Back; Justice 4 Homeless, SF; United Steel Workers of America Local 8751; International Action Center; Nellie Bailey, Harlem Tenants Council; Howard Zinn, historiador; Noam Chomsky, lingüista; AFSCME Local 95, Local 205, Local 215, Local 389, Local 167, Local 1881, Local 1930; ILWU Entire West Coast division; CUE Local 3 e muito mais.

Notas:

Fonte: Graça Salgueiro.

Na reta final, intensifica-se mundialmente o “vale tudo contra Bush"

Mais uma vez a esquerda internacional e os comunistas preparam-se para fazer o que sabem melhor: mentir, manipular e criar factóides.

No início do mês de outubro recebi uma nota do informativo La Voz de Cuba Libre dando conta de que estavam sendo planejadas mundialmente, entre organizações de esquerda, manifestações contra o atual regime trabalhista americano e contra a guerra do Iraque. Temia-se, a princípio, que se tratasse de algo similar ao que ocorreu nas eleições espanholas que vitimou centenas de inocentes para garantir a vitória de Zapatero à presidência daquele país.

Não é bem isso que se planeja, felizmente, mas várias organizações de esquerda estão convocando os simpatizantes às causas comunistas a uma mega marcha no domingo 17 de outubro, que já conta com o aval de várias cidades norte-americanas, Londres, Madri, Itália, França e vários países da América Latina. O México foi o primeiro país a realizar sua manifestação que saiu às 10 horas da manhã do dia 6 de outubro, da rua Medellin, 33, Colonia Condesa, no Distrito Federal do México.

A farsa das “manifestações espontâneas” que as esquerdas mundiais querem fazer crer aos incautos, como no caso da Espanha que acabou dando a vitória ao socialista Zapatero e depois fartamente provado ser uma muito bem articulada manipulação das “redes nômades”, fica também aqui desmascarada, através do artigo que traduzo a seguir.

Por trás dessas “manifestações espontâneas”, há uma organização chamada “Comitê de Solidariedade com a Causa Árabe” (CSCA), que congrega em seu web site toda sorte de apoio a palestinos, iranianos, iraquianos e povos árabes, cujo endereço é: Taba Brasilis, chegando ao cúmulo da estupidez de registrar 95% de aprovação à candidatura Kerry enquanto demonizam Bush até não mais poder, não tenho dúvidas de que tal “manifestação espontânea” levará multidões às ruas repletas de bandeiras vermelhas e, de quebra, incendiando espantalhos com a foto do Presidente Bush, gritando velhas e carcomidas palavras de ordem tais como: “Fora Bush!”, “Não à ALCA e o FMI!”, “Abaixo o Imperialismo!”, “Não à guerra do Iraque!”, etc. Certamente contará com as bênçãos e apoio explícito do pseudo-frei Betto, da CNB do B, tudo isso com a solícita cobertura da Rede Globo, com seus inflamados e nada discretos repórteres-militantes.

Os motivos alegados são uma prova inconteste do non sense imperante entre o que esta gente quer, os meios que empregam para alcançar seus objetivos, e o que a população assimila da mensagem subliminar embutida em todas as ações comunistas. E, mais ainda, eles reivindicam para si direitos que são sistematicamente sonegados há décadas pelos regimes desses países que eles defendem com tanto ardor; quer non sense pior do que este?

Naturalmente, alegarão não ter relação alguma entre este evento e as próximas eleições americanas; entretanto, para bom entendedor meia palavra basta. Tomara que desta mega manifestação não resultem atos mais violentos criminosos como aquele que ocorreu em Madri…

 

Marcha de um milhão de trabalhadores: a classe trabalhadora dos EEUU luta contra a guerra

 

No próximo 17 de outubro de 2004 em Washington DC, sob o lema “Marcha de um milhão de trabalhadores, pelo regresso das tropas e pelo fim da ocupação do Iraque”, unem-se em uma mesma luta a classe trabalhadora e o movimento contra a guerra dos Estados Unidos.

 A iniciativa, que parte de IWW Longshore Union Local 10 (Sindicato Internacional de Trabalhadores de Longshore) de San Francisco, uma das organizações operárias históricas dos Estados Unidos, famosa por sua longa tradição militante nas lutas operárias, reunirá as organizações operárias mais importantes, setores progressistas e coletivistas anti-guerra. Segundo os promotores, “espera-se um mar de trabalhadores de todos os rincões do país reclamando direitos sindicais, trabalho digno e toda a longa lista de direitos trabalhistas e sociais sistematicamente oprimidos nos Estados Unidos”, onde se expressará “a raiva e a ira que sentem ante a matança sem sentido que tem lugar todos os dias no Iraque, pedindo o cessamento imediato da ocupação”. E acrescentam: “São famílias trabalhadoras as que estão na linha de fogo, são seus seres queridos os que são enviados a lutar e a morrer. É o dinheiro roubado dos trabalhadores que está pagando a guerra e a ocupação”. Os promotores estimulam a criação de comitês locais contra a guerra, pedindo que apoiem a Marcha fretando centenas de ônibus que confluirão na capital deferal, Washington DC, em 17 de outubro.

Às reivindicações do movimento contra a guerra se unirão “as demandas centradas no trabalho, no salário digno, contra as demissões, a defesa das pensões e da Seguridade Social, a luta pelo direito à saúde como um direito universal e não um privilégio dos ricos”. Ante a campanha eleitoral presidencial, reclamam “a defesa de nossos direitos antes de confiar e delegar ao próximo presidente, quem quer que seja”. […] “A Marcha de um milhão de trabalhadores do 17 de outubro pretende fazer chegar uma mensagem clara ao Presidente, aos candidatos, aos políticos e à elite empresarial que ostentam o poder real”. […] “Queremos que [o 17 de outubro] seja o próximo grande encontro do movimento contra a guerra. Se o conseguirmos, estaremos lembrando ao próximo Presidente e ao Congresso que não aceitamos falsas desculpas que prolonguem a ocupação do Iraque, destruindo vidas e valiosos recursos que deveriam empregar-se em satisfazer as necessidades básicas da população. A unidade do movimento anti-guerra e das lutas operárias reforçará a unidade de nosso poder potencial na luta contra o sistema”.

Apoios à Marcha:

O primeiro comunicado de convocatória, foi assinado por: Clarence Thomas (Million Workers March Organizing Committee, ILWU Local 10); Brenda Stokely (President, District Council 1707 AFSCME, Co-chair, NYC Labor Against the War); Chris Silvera (Secretary-Treasurer, Local 808 IBT, President National Teamsters Black Caucus), Ralph Shoenman (Communications Coordinator, Million Worker March); Larry Holmes (International Action Center, Steering Committee ANSWER); Sharon Black (Washington/Baltimore Coordinator, Million Worker March), Ramsey Clark (ex Procurador Geral dos EEUU).

Obteve apoio de diversas organizações e ativistas, como os seguintes: Coalition Of Black Trade Unionists; Bill Lucy, Secretary-Treasurer, AFSCME; National Education Association; Transportation Workers Union Local 100 (NY); AFSCME District Council 1707 (NY); South Carolina AFL-CIO; Farm Labor Organizing Committee; AFSCME District Council 92 (MD); D.C. Labor Against The War; International ANSWER; o ator Danny Glover; American Indian Movement; ILWU Local 34; Troy and Albany Labor Council (NY); National Immigration Solidarity Network; New York City Labor Against the War; Global Women’s Strike; Teamsters Black Caucus; o ator Dick Gregory; Myra Shone and Ralph Schoenman, Taking Aim, Pacifica; National Association of Letter Carriers, Branch 3825; Howard Wallace, Pride at Work; Jim Houghton, Harlem Fight Back; Justice 4 Homeless, SF; United Steel Workers of America Local 8751; International Action Center; Nellie Bailey, Harlem Tenants Council; Howard Zinn, historiador; Noam Chomsky, lingüista; AFSCME Local 95, Local 205, Local 215, Local 389, Local 167, Local 1881, Local 1930; ILWU Entire West Coast division; CUE Local 3 e muito mais.

Notas:

Fonte: Graça Salgueiro.