Heitor De Paola


Drogas: repressão não resolve?

Recentemente a Revista Época (nº 333, 04/10/2004 – Notas:

Artigo originalmente escrito em Inglês e traduzido pelo próprio autor para publicação no site

Com a Ucrânia pode?

The United States emerged in 1990 as the unique post-Cold War “hyper power”,

 fulfilling the worst nightmare of anti-Americans, who blamed it for all of the

world’s ills and engaged in unprecedented spasms of America-hatred.

                                                                                                               DANIEL PIPES

Quando o governo socialista, mas razoavelmente pragmático de FHC anunciou um acordo com os EUA para aluguel da Base de Lançamentos de Alcântara, Maranhão, foi um Deus nos acuda! AMEAÇA À SOBERANIA NACIONAL! O BRASIL SE PÕE DE JOELHOS FRENTE AO IMPÉRIO! Isto foi o mínimo que se disse para condenar certos sistemas de salvaguarda tecnológica incluídos no texto, tais como: acesso restrito do pessoal brasileiro ao espaço alugado, distribuição por parte dos americanos de crachás para liberação de acesso às áreas de lançamento, não acesso à tecnologia de ponta americana, proibir a inspeção de contêineres que entrassem no País com material aeroespacial, etc. Tudo dentro das normas de contratos de aluguel comuns: se eu alugo um imóvel de minha propriedade para alguém, não posso mais entrar nele para fazer inspeções, controles ou bisbilhotar sua bagagem. Abro mão do usufruto do imóvel para usufruir o aluguel que me é pago. O único ponto que considero polêmico, era o impedimento do Brasil usar o dinheiro para desenvolvimento de sua indústria aeroespacial, mas isto poderia ser resolvido na mesa de negociações.

Mas não houve negociações, pois o projeto esbarrou numa das personalidades mais tacanhas deste País, o jurássico Waldir Pires, então Relator do Acordo na Comissão de Relações Exteriores da Câmara de Deputados. O texto do Relator modificava o acordo: permitia o acesso de brasileiros às áreas restritas, obrigava os contêineres americanos lacrados a serem abertos e vistoriados por brasileiros, distribuía crachás para brasileiros, e incluía que, em caso de falha do lançamento, os brasileiros poderiam fotografar e pesquisar o que encontrassem nos escombros de lançamentos americanos. O deputado sempre disse que o acordo feria a “soberania nacional” e conseguiu aprovar seu relatório na comissão por 41 votos a favor e apenas um contra. Os partidos de oposição, que hoje são da base do governo no Congresso, votaram a favor do texto de Pires. Dizia ele, em agosto de 2001: “Não sou contra o uso comercial da base de Alcântara. Mas esse acordo é incompatível com a ‘soberania’ nacional”. Em setembro de 2002 o então candidato Lula disse: “Esse acordo não é um acordo, pois não levou em conta a ‘soberania nacional’. Não nos permite fiscalizar um contêiner em nosso território e nem ter acesso à tecnologia. Isso aqui não é um quintal para se fazer experiências”.

Tais “destemidas” palavras encontraram eco e pleno apoio de alguns grupos nacionalistas não menos jurássicos, sempre prontos a defender a tal “soberania nacional”. (Existem outros, brasileiros sinceros, que prefiro chamar patriotas). Batendo no peito varonil – alguns feminis – desenterraram a já putrefata campanha “O Petróleo é Nosso”, geradora deste monstro insaciável que é a Petrossauro, que há mais tempo bombeia dinheiro para o bolso e pensão de seus funcionários do que petróleo para o País. No combate ao Acordo surgiram verdadeiros delírios quanto aos satânicos desígnios do “Império”, como cercar nossa cobiçada Amazônia pelo Leste, já que pelo Oeste existem várias bases americanas – só que de monitoramento de satélites e do movimento de aviões de narcotraficantes. Atribuiu-se até o acidente com um VLS nacional que explodiu em terra, possivelmente por incompetência, à suposta presença de navios americanos na área do Caribe. (Que a Amazônia é cobiçada não há dúvidas, mas por outros grupos. Ler meus artigos Lendas e Mistérios da Amazônia e Amazônia: a Doação Anunciada, ambos em MSM).

Pois na semana em curso, o hoje Presidente Lula assinou decreto que promulga acordo idêntico entre Brasil e Ucrânia. Uma das cláusulas prevê a necessidade do uso de crachás, de identificação obrigatória, que serão emitidos exclusivamente pela Ucrânia, quando houver atividades de lançamento. Caso necessária, a presença de brasileiros na área de preparação do Veículo Lançador de Satélite será acompanhada “o tempo todo” por ucranianos. Além de impedir a presença de brasileiros na base, o acordo não permite que os participantes ucranianos prestem qualquer assistência aos brasileiros no que se refere ao projeto e desenvolvimento de veículos de lançamentos, equipamentos da plataforma de lançamentos e espaçonaves, a menos que a assistência seja autorizada pelo governo da Ucrânia. Em outro trecho, o documento afirma que somente os ucranianos terão o controle de determinadas áreas e o acesso ao veículo de lançamento, à plataforma e às espaçonaves. Em caso de falha do lançamento, o governo brasileiro terá que permitir que os ucranianos auxiliem na busca. E restituirá as peças encontradas sem examiná-las ou fotografá-las.

O Presidente da Agência Espacial Brasileira no governo FHC, Luiz Gylvan Meira Filho, disse que os dois aco rdos são quase idênticos. Diz ele que “havia muito desconhecimento na época e houve certo exagero de retórica política”.

Hoje, Ministro da Controladoria-Geral da União, o mesmo indefectível Pires, divulgou nota afirmando que o acordo de salvaguardas tecnológicas, celebrado entre Brasil e Ucrânia para o uso da Base de Alcântara foi assinado num contexto político-diplomático “inteiramente diferente” do que havia quando o governo passado propôs acordo similar com os EUA.

O próprio Globo, órgão oficial do PT – ao menos enquanto jorrarem as tetas magnânimas do BNDES – qualificou, em comentário intitulado Ato Juvenil: “Como o que não foi concedido aos Estados Unidos terminou sendo liberado para a Ucrânia, tornou-se impossível disfarçar o anti-americanismo juvenil por trás do episódio. Não vá depois o governo reclamar se algum troco for dado ao Brasil em mesas de negociações mais importantes. Não há mão única em assuntos desse tipo”.

Anti-americanismo juvenil coisa nenhuma: isto está dentro do novo contexto político-diplomático “inteiramente diferente”, aquele definido pelo Foro de São Paulo. Portanto, não houve contestações sob a alegação de que o acordo fere a “soberania nacional”! Pires justifica dizendo que ao menos a Ucrânia não se nega a transferir tecnologia ao Brasil. Cidadãos de Alcântara, São Luiz e adjacências: TREMEI! Mudem-se ou comprem urgentemente roupas anti-radiação, pois o ápice tecnológico daquele paiseco de quinta categoria, ainda comuno-fascista, é Tchernobyl!

Como bons seguidores da recomendação de Lenin – acuse sempre seus inimigos de fazerem o que na verdade é você que está fazendo –, o que se pretende é ampliar o cerco, não à Amazônia, mas aos EUA. Brasil, Venezuela, Cuba – na retaguarda Argentina, Bolívia e agora o Uruguai. A idéia de que este cerco significará uma ameaça aos EUA é que pode ser chamada de juvenil – pior, infantil ou até mesmo coisa de anencéfalos – pois basta um terço da força aeronaval de um USS Ronald Reagan para acabar com a festa.

E onde estão os protestos dos mesmos que esbravejaram contra o Acordo anterior? Mutismo absoluto! E como se sabe: quem cala consente! Fica definitivamente provado que “soberania nacional” não passa de dissimulação de um virulento, corrosivo e rancoroso anti-americanismo! A Ucrânia pode porque se encaixa perfeitamente na sua ideologia: economia estatizada, com excelentes cabides de empregos para seus apaniguados, política sem nenhuma tradição democrática, tendo evoluído do regime fascista e anti-semita de Kolchak para o dos sátrapas comunistas e hoje ainda uma ditadura comuno-fascista. Por isto os distingo dos verdadeiros patriotas, que querem o bem do Brasil e admiram os EUA por seu desenvolvimento político, moral e tecnológico, buscando alcançá-los. Aqueles, pelo contrário, não pensam no bem de ninguém, só na destruição do invejado inimigo, cuja prosperidade os humilha.

Por isto com a Ucrânia pode; com os EUA não pode!

***

NOTA DE ESCLARECIMENTO SOBRE O ARTIGO

 COM A UCRÂNIA PODE?

 Heitor De Paola

13/11/2004

 O Globo publica hoje (13/11/2004) carta do Ministro Waldir Pires dizendo que A interpretação do GLOBO, segundo a qual os textos são praticamente idênticos, nasceu, ao meu ver, de uma leitura aligeirada e absurdamente equivocada do assunto”. E se refere a salvaguardas políticas que não existem no atual e as cita: 1) a que proibia o governo brasileiro de usar o dinheiro obtido para  o desenvolvimento de veículos lançadores – o que o Globo não falou, mas eu sim, dizendo-me contrário a este absurdo; 2) a que proibia a cooperação brasileira com países que não sejam membros do Regime de Controle de Tecnologia de Mísseis (MCTR) que não citei por estar plenamente de acordo; 3) a que abria a possibilidade de veto político unilateral de lançamentos, que, apesar de ter lido o acordo, desconheço, deve ser interpretação do Ministro;  4) a que estabelecia a obrigatoriedade de somente assinar novos acordos de salvaguardas com outros países nos mesmos moldes do acordo Brasil/EUA, com a qual concordo em parte, mas também poderia ter sido negociada se o Ministro não tivesse vetado a continuação das mesmas – certamente com apoio quase unânime da Comissão da qual era Relator, como também frisei.

 Embora a carta não tenha sido dirigida ao Mídia Sem Máscara nem a mim, julgo ser nosso dever informar aos leitores que o Ministro não citou nenhuma das salvaguardas que constam do meu artigo e que portanto, não as desmentido, confirma.

Notas:

As informações d’O Globo encontram-se nos seguintes links:

http://oglobo.globo.com/jornal/pais/146939748.asp

http://oglobo.globo.com/jornal/pais/146952657.asp

A América falou!

And the Star-Spangled Banner

in triumph shall wave O’er the land of the free

and the home of the brave!

Com a frase título o Presidente George W. Bush colocou em três palavras, no seu discurso de vitória, o sentido mais profundo da democracia americana: regularmente – o mais amiúde possível – dar a palavra ao povo para que expresse sua opinião sobre os governantes. Sua re-eleição coroou 216 anos ininterruptos de 55 eleições presidenciais, desde a memorável eleição de George Washington, o primeiro Presidente de uma Nação escolhido pelo povo em toda a história da humanidade. Também em nenhum outro País ou época houve tal estabilidade, com eleições até mesmo durante guerras, civil ou externas. A América falou – o maior contingente eleitoral de toda a história – e disse, em números (ainda faltando alguns ajustes):

Bush – 59.117.523 – 51,07% – Venceu em 30 Estados

Kerry – 55.554.584 – 48% – Venceu em 20 Estados

Diferença – 3.562.939 – 3,07%

No Colégio Eleitoral – 286 x 252 (Os sete votos de Iowa foram aqui computados para Bush por já estar terminada a apuração com a vitória de Bush, segundo FoxNews, CNN e New York Times, faltando o anúncio oficial).

Além de ter recebido a maior votação da história dos pleitos presidenciais, o Partido Republicano conquistou maioria no Senado e ampliou a da Câmara de Representantes:

Senado – 55 Rep. x 44 Dem. + 1 Ind. (antes: 48 R x 51 D + 1 Ind.)

Câmara – 231 Rep. x 200 Dem + 1 Independente [faltam decidir 3 cadeiras]

(antes: – 227 R x 205 D + 1 Ind.)

Governos Estaduais após este pleito, com 11 disputados: 28 Rep. x 22 Dem.

 

  Votação por destrito: grande vantagem de Bush.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em termos quantitativos uma vitória por maioria absoluta, sem máculas, completa e incontestável! Nem mesmo os problemas de apuração, tão anunciados, ocorreram: o resultado saiu em pouco mais de 12 horas! O que dirão agora aqueles que, em 2000, consideraram Bush um Presidente ilegítimo pelos problemas havidos na Florida – embora a Associação de Jornalistas do Estado tenha continuado oficiosamente a recontagem na qual a diferença pró-Bush foi maior ainda – e também por ter perdido nos votos populares – numa demonstração de total ignorância da Constituição Americana (ver meu artigo O Processo Eleitoral Americano)? E agora Josés? Principalmente se compararmos que em 2000 Bush era apenas um ex-Governador do Texas e filho de ex-Presidente, e agora foi duramente testado por quatro anos! Não tenho ilusões de que os Josés nada dirão quanto à legitimidade de mais de 3.5 milhões e meio de votos.

ANÁLISE QUALITATIVA INICIAL

Qualitativamente, no entanto, a América disse muito mais!

A América disse não à radicalização esquerdista que imperou no Partido Democrata, com a escolha de um Candidato que, mesmo sendo um Veterano, se opôs à Guerra do Vietnã, expondo seus compatriotas prisioneiros de Guerra à sanha assassina dos comunistas. Com isto afastou seus eleitores conservadores e centristas, como já acontecera com McGovern. Até mesmo o Líder Democrata no Senado, Tom Dashle, não foi re-eleito, perdendo a vaga para um Republicano pela primeira vez. Os democratas que conquistaram lugares no Congresso o fizeram com base em plataformas relativamente conservadoras.

Disse não à manobra Democrata de transformar os conflitos do Afeganistão e do Iraque em novos Vietnãs. Não se deixou enganar porque as situações são radicalmente diferentes: se a América se cansou de uma guerra interminável num País que nunca atacara os EUA diretamente e não entendia porque seus filhos deviam morrer lá – embora as razões fossem, a meu ver, válidas –, entendeu perfeitamente a necessidade de uma luta incansável contra o terrorismo, onde quer que se encontre – pois a América foi ferida diretamente em 11 de setembro – e reagiu! Os Democratas não entenderam este sentimento e tentaram uma jogada em que foram fragorosamente derrotados. Não entenderam que além de ser the land of the free, a América também é the home of the brave, como diz o seu Hino!

Disse não às tentativas da “comunidade internacional” de manipular suas políticas interna, externa e de segurança; disse não aos inimigos europeus travestidos de aliados, França e Alemanha, a primeira salva duas vezes pelas armas Americanas da invasão de seu território pela segunda – ocupação com a qual souberam colaborar muito bem! Disse não, sobretudo à famigerada ONU e seu arrogante Secretário Geral e às inúmeras ONGs que desejam acabar com a América como ela é; mostraram que a defesa e a segurança da América não podem ser decididas por votações de outros países, alguns seus inimigos confessos e que abrigam terroristas, como a Síria e a Líbia, na ocasião. Como já advertia Alexander Hamilton em 1787 (devemos nos precaver dos adversários) chiefly from the desire in foreign powers to gain an improper ascendant in our councils! Rejeitou, assim, a invasão de suas fronteiras políticas e culturais por outros num movimento travestido da bela palavra “multilateralismo”. Particularmente, por indivíduos só rdidos como Georges Soros – que está tão desolado que anunciou a retirada do seu blog do ar – cujo principal interesse é a legalização das drogas para tomar para si este mercado gigantesco da morte!

A América disse sim aos seus valores tradicionais, morais, religiosos e econômicos, dizendo não ao casamento gay, em todos os onze Estados em que Emendas neste sentido foram votadas pelo povo, inclusive naqueles em que Kerry ganhou, como Michigan e Oregon! E disseram não às leis liberalizantes do aborto, re-elegendo um Presidente campeão da campanha contra. Tanto os eleitores democratas quanto os republicanos votaram a favor de várias propostas republicanas ou conservadoras em diversos referendos. Os resultados por distritos eleitorais (precincts) em Ohio evidenciam que foi nos rurais que Bush conquistou sua vitória no principal battleground state deste ano. E foi assim nos demais Estados em que a diferença foi pequena. Foram os americanos que constroem o País com suas próprias mãos que lhe deram a vitória, não os intelectuais da Costa Leste. Os Democratas de lá, cuja visão não ultrapassa muito as fronteiras acadêmicas de Massachusetts, não se deram conta de que o último de seus candidatos “aristocráticos” a ser eleito foi John Kennedy. Depois dele só ganharam com os “matutos” Carter, da Geórgia, e Clinton, do Arkansas, que sabiam como Bush falar a linguagem simples do povo do que aqui chamamos grotões. O mesmo erro de perspectivas levou os candidatos Edwards e Kerry a mencionarem a filha lésbica de Cheney, o que certamente ofendeu muitos Americanos não treinados nas artes do politically correct.

O registro de aproximadamente 10 milhões de novos eleitores, muitos jovens, animou os Democratas porque eles achavam que detinham o monopólio da juventude. Pois se enganaram redondamente! Nem mesmo a tentativa de imputar aos Republicanos a idéia esdrúxula de ressuscitar o draft, a convocação militar obrigatória, os enganou.

Sobretudo, como bem o disse Amity Shlaes, do Financial Times, “essa vitória derrubou algumas das premissas que dominaram o ano eleitoral, entre elas a idéia de que a direita americana é basicamente marginal e desprezível. E (a vitória de Bush) é uma vitória (da direita) que foi conquistada em três frentes: da política externa, da política social e da econômica”.

A primeira pesquisa pós-eleitoral, realizada pela insuspeitíssima CNN, indicou que 51% dos entrevistados estavam satisfeitos com os resultados; 39% estavam desolados. 57% pensam que Bush unirá a Nação; 39% que desunirá ainda mais. 74% consideraram a vitória fair and square; compare-se com este último resultado em 2000: 48% apenas a acharam legítima.

33% se disseram otimistas com o segundo mandato, 23% entusiasmados, somando 56%! 24% se disseram amedrontados e 18% pessimistas, somando 42%.

CONGRATULATIONS, MR BUSH! FOUR MORE YEARS! GOD BLESS YOU AND AMERICA!

A derrota do liberalismo no Brasil

Sobre a nudez forte da Verdade

O manto diáfano da fantasia

EÇA

Peço desculpas ao mestre da Póvoa do Varzim, por utilizar suas belas palavras em assunto tão prosaico como as eleições municipais brasileiras, às quais, pela falta de importância, sua genialidade não dedicaria sequer uma sílaba.

Em 1958 reuniu-se em Moscou a nata do pensamento soviético, sob o comando de Aliexandr Shieliepin, recentemente nomeado Diretor Geral do KGB. Nestas reuniões, convocadas por Nikita Kruschëv, ficou evidente que as estratégias comunistas para o domínio mundial haviam falhado até então. Principalmente a truculência de Stalin tinha se mostrado ineficaz, embora conseguindo adeptos em todo o mundo até seus crimes serem denunciados pelo próprio Kruschëv no XX Congresso do Partido. Decidiu-se que uma nova estratégia, de longo prazo, se impunha. Foi, então, elaborado o plano que veio a se chamar Perestroika, a ser desenvolvido para enganar o Ocidente a respeito da “morte do comunismo”. Perestroika significa re-estruturação mas até a defecção de Golitsiyn não se soube que a idéia era re-estruturar o Ocidente para absorver a nova estratégia.

Anatoliy Golitsyn, um dos mais importantes agentes do KGB, fugiu para o Ocidente em 1961. Tão logo chegado aos EUA passou a alertar a CIA despachando inúmeros memorandos, onde pretendia demonstrar que o método de análise ocidental estava erradíssimo e que um novo método se impunha: o que levasse em consideração as decisões de tais reuniões, ou seja, que se planejara, já em 58 o que viria a acontecer em 85. (Por uma coincidência [ou presságio?] Orwell escrevera em 48 o que previu para 84!). A ascensão de um líder “ocidentalizado” tipo Gorbachëv, inclusive com uma esposa tipo American first lady, como Raíssa, estava no programa. Este líder daria “fim” à URSS de modo a fazer o Ocidente acreditar que “o comunismo acabara”. Com isto previa-se que o Ocidente se desarmaria, principalmente abandonando o projeto Star Wars previsão plenamente confirmada. O que mais se ouve dizer é que o comunismo acabou na queda do Muro de Berlim, etapa também planejada em 58.

Não obstante a CIA não aceitou as sugestões de Golitsiyn e continuou com o método antigo de análise. Este método é baseado na inocente tolice do Ocidente de que as coisas são como parecem ser, isto é, que é melhor acreditar no “manto diáfano da fantasia” do que desvendar a “nudez forte da verdade” que jaz sob o mesmo. Assim, acreditou-se num “conflito sino-soviético” em 1964, quando tudo estava arranjado entre Kruschëv e Mao. Um radicaliza, e o outro mostra-se “liberal”, para atraírem as duas vertentes do pensamento ocidental. Mao é o diabo, os russos são a salvação. E o Ocidente acreditou! Gorbachëv acabou com o comunismo! E o Ocidente acreditou! Hoje, a China abre-se para o capitalismo e a Rússia se fecha politicamente. O jogo segue num nunca acabar de movimentos de gangorra. E os ocidentais, nem tão inocentemente – porque muitos se locupletam com lucros fantásticos – continuam se enganando!

Lamentavelmente, o mesmo está a ocorrer nas análises liberais sobre as eleições municipais de 2004. A mesma inocência de que as coisas são como parecem ser leva inúmeros liberais a acreditar que o PT foi derrotado quando o que importa é que as esquerdas venceram em toda a linha, acabando de vez com o liberalismo no Brasil! Kruschëv (Serra/Fogaça) ganhou de Mao (Marta/Pont) e os liberais se ufanam. Ganhamos, o PT foi derrotado! Quando a grande estratégia de Fidel e do Foro de São Paulo não passa apenas pelo PT, mas também pelo PSDB – cuja principal função foi preparar a vitória de Lula em 2002 – e principalmente pelo PPS do Fogaça, pelo PC do B, e pelo PDT.

Tristes liberais que não levantam o manto diáfano da fantasia para atingir a nudez forte da verdade: a derrota final do liberalismo no Brasil, pois quando liberais têm que apoiar notórios comunistas como Serra, Fogaça, et caterva, o liberalismo acabou!

O processo eleitoral norte-americano

Além do fato de que as pessoas comparecem em um local apropriado para depositar seus votos, o sistema americano difere em tudo o mais do brasileiro, levando a enormes confusões baseadas na falta de informação, misturadas com muita desinformação proposital para desacreditá-lo. Até mesmo em quem os americanos votam – e sabem disto – difere de nós, ao menos nas eleições presidenciais e de alguns Estados. A seguir vão algumas informações que suponho úteis para acompanhar o processo.

ALGUNS DADOS HISTÓRICOS

Até antes mesmo da chegada do Mayflower os pioneiros que vinham da Inglaterra traziam consigo o germe da plena autonomia, pois mesmo submetidos à autoridade real britânica, os princípios enunciados na Magna Carta e no direito consuetudinário Inglês davam aos mesmos uma liberdade de ação de que não gozavam os europeus do Continente. Longe do poder real imediato que era representado por um Governador Geral das Colônias, este espírito de liberdade floresceu. Ao invés de formarem um estado centralizado, logo começaram a se dividir em colônias [i] semi-independentes com legislaturas próprias. Como o Governo central era exercido pelo Governador, as colônias foram se tornando cada vez mais independentes entre si. Duas já nasceram repúblicas: Rhode Island e Connecticut e ambas obtiveram Cartas Regias onde se estatuía que “os homens livres teriam o poder de governar a si mesmos, desde que nenhuma Lei por eles elaborada contrariasse a Lei Inglesa”. A restrição era tão vaga que jamais foi obedecida. Era início do self government.

Portanto, o governo autônomo e independente já estava nas próprias raízes do futuro País. Quando da Guerra de Independência (1776-1783) todas se uniram na defesa de Massachusetts contra a declaração do Parlamento Inglês de “estado de rebelião”. Já em 1774 se havia reunido o Primeiro Congresso Continental, ao qual todas mandaram um representante, menos a Georgia. Esta união era muito fraca, o que logo ficou demonstrado ao fim da guerra: as 13 colônias se transformaram nos 13 Estados e não queriam saber de um Governo Central. Em 1776, proclama-se a independência no que viria a se tornar o primeiro dos American State Papers: a Declaração de Independência, redigida por Thomas Jefferson, mas os 13 Estados não conseguiram formar um Governo Central. Em 1781 adotaram um segundo documento, os Articles of Confederation and Perpetual Union, um instrumento fraco e inadequado que era mais uma espécie de liga de amizade do que a constituição de um País. Em 1786 havia o constante risco de guerra entre eles por emitirem leis conflitantes e não havia nem mesmo um Judiciário único que dirimisse as divergências.

Tornou-se inadiável convocar uma Convenção que redigisse um documento aceito por todos os Estados que previsse alguns mecanismos executivos, legislativos e judiciários comuns a todos.

A CONSTITUIÇÃO AMERICANA

A Convenção era constituída de quantos membros cada Estado quisesse mandar, mas cada Estado só tinha um voto. Iniciou-se com 55, mas só 33 permaneceram até o fim. Reuniu-se em Filadélfia e trabalhou em extremo sigilo, a portas fechadas para evitar pressões dos eleitores e discursos inflamados para as galerias – exatamente o oposto ao que ocorreu no Brasil em 1988 para elaborar a Constituição “cidadã”. Foi adotado o princípio de três poderes, sugerido nas obras de Locke e Montesquieu. As maiores discussões foram quanto à distribuição dos poderes relativos do governo central e dos Estados. Os protestos dos Estados menores foram resolvidos com a criação do Senado, com representação igual para todos.

A Constituição possui apenas seis artigos e vinte e seis Emendas, sendo que as 10 primeiras constituem o Bill of Rights (Declaração de Direitos) tendo sido propostas em 1789 e aprovadas em 810 dias. Interessa-nos aqui, somente os Artigos Primeiro (Os Poderes Legislativos Nacionais) e Segundo (O Poder Executivo Nacional).

O Artigo Primeiro

Os Poderes Legislativos foram investidos em um Congresso dos Estados Unidos da América, constituído de um Senado e uma House of Representatives (equivalente à nossa Câmara de Deputados). Cada Estado tem direito a dois Senadores eleitos pelo povo por seis anos e renováveis em seu terço a cada dois. Exigem-se idade mínima de 30 anos e nove de cidadania americana, e residência no Estado que o eleger no momento da eleição.

Os Representantes, eleitos pelo povo para um mandato de dois anos, serão em número proporcional à população de cada Estado, no mínimo um por 30.000 habitantes e, independente da população, cada Estado terá no mínimo um Representante. A representação deve ser recalculada a cada recenseamento decenal. Em 1910 era de 1/212.000 habitantes e o número aumentava de acordo até 1929, quando uma nova Lei fixou o número de Representantes em 435. Desde então, em cada censo é feito um reapportionment, no qual alguns Estados perdem e outros ganham representações [ii]. A idade mínima é de 25 anos, 7 anos de cidadania e residente no Estado no momento da eleição.

As eleições para ambas as Casas devem ser simultâneas em todos os Estado e desde 1872 foi fixada a terça-feira depois da primeira segunda-feira de novembro dos anos pares. (Nos anos pares divisíveis por quatro – bissextos – coincidem com a eleição do Presidente). Porém o momento, o lugar e a maneira de se proceder à eleição dos Senadores e Representantes serão regulamentados pelas legislaturas estaduais.

O Artigo Segundo

Secção 1 – O Poder Executivo será investido em um Presidente dos Estados Unidos da América. Este desempenhará o seu cargo durante um período de quatro anos e, junto com o Vice Presidente, escolhido por igual prazo, será eleito do seguinte modo:

2 – Cada Estado nomeará, segundo a maneira ordenada pela sua legislatura, um número de eleitores igual ao número total de Senadores e Representantes a que tiver direito no Congresso; nenhum Senador ou Representante ou qualquer pessoa no exercíci o de cargo remunerado ou de confiança dos Estados Unidos poderá ser eleitor.

3 – [Já modificado pelas Emendas XII e XX]. (Redação simplificada) – Os eleitores reunir-se-ão no mesmo dia (primeira segunda-feira depois da segunda quarta-feira de dezembro) em seus respectivos Estados e votarão por escrutínio para Presidente e Vice Presidente, um dos quais pelo menos, não será habitante do mesmo Estado que eles; usarão cédulas separadas numa das quais indicarão Presidente e Vice Presidente; enumerarão todas as pessoas votadas assim como os números de votos em cada uma e estas listas serão encaminhados ao Presidente do Senado. Serão abertas em reunião conjunta das duas Casas e os votos serão contados. Será eleita Presidente a pessoa que obtiver o maior número de votos, se tal número constituir a maioria do total de eleitores; se ninguém obtiver esta maioria a Câmara de Representantes elegerá imediatamente o Presidente, por escrutínio, dentre as três pessoas mais votadas para o cargo. Cada Estado terá direito a um voto e o quorum é a presença de 2/3 dos Estados. (Repete-se para Vice Presidente, só que no Senado e será decidido entre os dois mais votados nas listas).

Este é o Colégio Eleitoral em ação. Como o Distrito de Colúmbia, que não é representado no Congresso, tem direito a 3 votos para as Eleições desde 1929, o número de Eleitores é de 435 + 3 + 100 = 538. O número mínimo de votos será, portanto 538/2 +1 = 270. Em dois terços dos Estados os membros do Colégio Eleitoral não são obrigados a votar no Candidato do Partido que os inscreveu e por isto os Partidos têm métodos extremamente criteriosos para escolhê-los.

A maioria dos Estados adota o sistema de winner-take-all, isto é, o candidato que obtiver mais votos leva todos os votos do Estado. Só Nebraska e Maine adotam o sistema proporcional: dois votos seguem o sistema acima (os correspondentes aos Senadores) e os demais vão para quem vencer em cada Distrito. O Colorado estará votando em 2004 a proposta de alteração para este último sistema que, se aprovado, valerá já para estas eleições.

Exatamente este método indireto de eleição tem sido criticado como antidemocrático. Além da óbvia estabilidade que ele tem proporcionado, deixo a palavra com Alexander Hamilton (The Federalist Papers, n 68):

O método de escolha do Supremo Magistrado foi a única parte do sistema que não sofreu nenhuma censura, nenhuma oposição (…) Julgou-se desejável que a eleição imediata ficasse a cargo dos cidadãos mais capazes de analisar as qualidades apropriadas para o cargo e agir em circunstâncias favoráveis à deliberação e a uma judiciosa combinação de todas as razões e circunstâncias apropriadas. Um número pequeno de pessoas selecionadas por seus concidadãos do povo em geral, será mais capaz de possuir as informações requeridas para tais complicadas investigações. (…)

É desejável reduzir as oportunidades de tumulto ou desordem. (…) um corpo intermediário de eleitores está menos apto a convulsionar a comunidade (…) Como os eleitores escolhidos em cada Estado devem se reunir e votar neste mesmo Estado, esta situação de distanciamento os deixará muito menos expostos ao calor e à agitação (…) do que se se reunissem num só local. (…) [devemos nos prevenir] dos inimigos do governo republicano (…), mormente do desejo de potências estrangeiras de ganhar uma ascendência imprópria nos nossos negócios [Profético???!!!]. Este processo eleitoral garante uma certeza moral de que o ofício de Presidente nunca cairá nas mãos de homens que não possuam em alto grau as qualificações requeridas. Talento para intriga e popularidade fácil podem ser capazes de elevar um homem a estas honras num único Estado; mas para colocá-lo sob a estima e confiança de toda a União serão necessários outros talentos e méritos (…).

Apesar de tudo, somente três vezes [1876,1888 e 2000] o candidato minoritário nos votos populares ganhou no Colégio Eleitoral e somente duas vezes [1800 e 1824] a Eleição do Presidente foi pelos votos da Câmara. Para Vice-Presidente apenas uma vez [1837] a decisão foi no Senado.

O SISTEMA FEDERATIVO EM AÇÃO

Para um País cujo nome oficial é República Federativa do Brasil – mas que de federação nada tem – é difícil entender como este sistema funciona nos países em que ele realmente existe. Estamos acostumados aqui com uma Federação pró-forma, falaciosa, onde impera o centralismo absoluto das decisões no governo “federal”, em Brasília. Não é nada disto que se passa lá onde impera o princípio federativo básico: tudo o que pode ser resolvido pelo indivíduo ou pela comunidade, as autoridades não se metem; tudo que puder ser resolvido pelas autoridades locais (municípios e counties) o Estado não se mete; tudo que puder ser resolvido pelo Estado, o Governo Federal não se mete.

Como claramente expressa a X Emenda:

Os poderes não delegados aos Estados Unidos [iii] pela constituição, nem proibidos pela mesma aos Estados, são reservados aos Estados, respectivamente, ou ao povo.

combinada com a Secção 3 do Artigo 6 (o chamado ponto nodal da Constituição, the linch pin of the Constitution):

Esta Constituição, as leis dos Estados Unidos ditadas em virtude dela e todos os tratados celebrados sob a autoridade dos Estados Unidos constituirão a lei suprema do País; e os Juízes em cada Estado serão sujeitos a ela, ficando sem efeito quaisquer disposições em contrário na Constituição e nas leis de qualquer dos Estados.

Administrativamente os 50 Estados americanos são divididos em counties – condados – que podem ou não coincidir com municípios inteiros, parte de município ou vários municípios. Na Louisiana a divisão é em parishes – paróquias – respeitando a tradição da colonização católica franco-espanhola, mas aplicam-se os mesmo princípios. Excetuando-se as grandes metrópoles onde impera uma organização administrativa mais semelhante à nossa – com Prefeito, Câmara, etc. – é nos counties que reside o centro de onde emanam todas as decisões. A organização escolar, a jurídica e a policial estão nesta unidade administrativa. E a administra&cce dil;ão interna deles é absolutamente autônoma, variando enormemente: há condados que elegem suas autoridades, outros contratam administradores profissionais e estabelecem um orçamento rigorosamente fiscalizado por um conselho de cidadãos escolhidos das formas mais diversas possíveis. Há uma gama imensa de decisões que os condados podem tomar, p. ex., proibir total ou parcialmente o consumo de bebidas alcoólicas em lugares públicos, são os dry counties.

Outro centro da vida americana é a Igreja. Os salões paroquiais são importantes centros de decisão informal. Enquanto as crianças vão para a escola dominical, os adultos decidem. Personagens que não faltam são o Juiz, o Promotor, o Xerife e o Administrador ou Supervisor Escolar. Todos geralmente são eleitos com mandato fixo.

Eleitoralmente os Estados estão divididos em distritos, um número fixo para cada Estado, sendo direito do Estado organizá-los sem interferência do Governo Federal nem do Judiciário – lá não existe Justiça Eleitoral – nem do Trabalho! – existe a Justiça, ponto, que só interfere se for acionada e se constatar que houve algum ato fora da Lei. A Justiça está, grosso modo, organizada em Cortes de Condado, Cortes Estaduais e a Suprema Corte – esta última só aceita processos que digam respeito a direitos constitucionais. Sua ação na Eleição de 2000 foi fundamental e pouco compreendida fora dos EUA.

Um parêntesis para explicar este ponto. Terminada a eleição, os Democratas foram derrotados na Flórida por poucos votos e isto influiu na decisão de quem seria o próximo Presidente. Sentindo-se prejudicados, entraram com um processo na Suprema Corte Estadual da Flórida pedindo a recontagem de votos e esta autorizou. Os Republicanos entraram com outro processo – na verdade uma simples pergunta – na Suprema Corte dos EUA: é constitucional que a Corte Estadual autorize a recontagem? A resposta foi não.

Notas:

Para informações mais detalhadas sugiro o link:

 

Carta ao O Globo

Nota do autor: Enviei ontem (27/10/2004) esta carta ao Globo e como eu já previra, não saiu. O Globo tem que esconder a ignorância política de seus comentaristas políticos que ainda se metem a dar conselhos. Abaixo o artigo comentado.

Prezado Redator

Na coluna Tereza Cruvinel de hoje (27/10/2004), com o título “Nada modelar”, a articulista demonstra um total desconhecimento de como funciona um sistema federativo, o que é indesculpável para alguém que se pretenda comentarista política. Ela critica a votação descentralizada e não simultânea com regras que variam de estado para estado, o voto facultativo, a ausência de Justiça eleitoral centralizada – que, tal como é estruturada, só existe no Brasil – e a existência do Colégio Eleitoral que, na sua opinião e do citado Boaventura de Sousa Santos, “distorce a vontade popular”. 

Mostra desconhecer também a história americana, pois a marca daquele sistema eleitoral, ao longo de vários séculos, tem sido sua estabilidade fundamental, baseada exatamente na descentralização federalista, exigência do povo americano desde a Independência e a proclamação da primeira – e única! – Constituição, em 1787! Desconhece a articulista que o Colégio Eleitoral não “distorce” mas é a vontade explícita do povo. Uma Emenda à Constituição resolveria o problema, mas lá é o povo que decide, pois a Emenda exige a ratificação por no mínimo 35 Estados, a maioria exigindo consulta plebiscitária – e não como na democracia “perfeita” de nosso sofrido País, onde tudo é resolvido em convescotes de lideranças nas mornas tardes de Brasília. Pois o sistema que a articulista tanto se orgulha é o de nossas maquininhas de votar que não emitem nada impresso, tornando impossível a recontagem de votos, estando muitíssimo mais vulnerável a fraudes o nosso processo.

Na ânsia de desmoralizar a mais antiga democracia ininterrupta do mundo faz especulações racistas e, arrogantemente, sugere que “uma boa reforma política iria bem na pátria da democracia”, numa demonstração explícita de ensinar missa ao vigário.

Atenciosamente,

Heitor De Paola 

***

Tereza Cruvinel

O Globo 27/10/2004

Nada modelar

O segundo turno municipal de domingo coincide com a escolha do novo presidente do Uruguai e com o transcurso da eleição americana, pois esta já começou em alguns estados embora esteja marcada para a terça-feira, dia 2. A votação descentralizada e não simultânea é apenas um dos aspectos do sistema eleitoral americano que o faz parecer nada modelar nesta hora.

A campanha presidencial que tem mobilizado os americanos de forma inédita nas últimas décadas é também a que tem despertado mais interesse em outros países, pela razão óbvia de que todos serão, uns mais outros menos, afetados pelo resultado. Muitos são os sites que permitem o voto simulado em Bush ou Kerry, a exemplo do vote.com, onde muitos brasileiros (inclusive do governo e do Congresso) têm dado vazão a suas preferências.

As limitações do sistema americano que saltam à vista enchem de justo orgulho democracias bem mais jovens, como a brasileira. Desde 2000, quando as fraudes da Flórida escandalizaram o mundo, no ano em que fizemos a primeira eleição totalmente informatizada, temos nos orgulhado com razão de nossa tecnologia eleitoral, que proporciona eleições limpas e apuração em tempo recorde.

O risco de fraude é hoje a grande preocupação dos americanos, além do comparecimento, que pode ser decisivo, já que o voto é facultativo. Se os anti-Bush tiverem mais disposição, podem garantir a vitória de Kerry, ou vice-versa. Inúmeros sites na internet alertam e orientam os eleitores, milhares se oferecem como fiscais voluntários. “Quem diria que os americanos ainda teriam esta preocupação, típica das frágeis democracias do Terceiro Mundo”, diz o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos em artigo (agênciacartamaior.com.br) em que chama a atenção para outras falhas. A primeira, o próprio sistema de votação descentralizado, com regras que variam de estado para estado, inscrição em cadernos eleitorais pouco confiáveis e equipamento de votar obsoleto.

Tudo isso, mais a ausência de uma Justiça Eleitoral centralizada, torna a fiscalização impraticável.

Problema mais grave, aponta Boaventura, é a existência de um colégio eleitoral que distorce a vontade popular. Se o candidato vitorioso em um estado leva todos os seus delegados, pode ganhar mesmo tendo sido o menos votado. Foi o que aconteceu em 2000, quando 50.996.039 votaram em Gore e 50.456.141 em Bush, que foi o vencedor.

Outra falha grave está no financiamento de campanhas, baseado em regras que permitem uma intervenção brutal dos interesses econômicos na escolha dos governantes.

E mesmo sendo o voto facultativo, há restrições, como a que impede os ex-presidiários de votar (mesmo que tenham cumprido suas penas há anos). Parece endereçada aos negros. De nossa parte, demos conta de incluir no processo democrático milhões de analfabetos. As fraudes da Flórida revelaram também formas ilegais de manipulação, que podem ir da intimidação à anulação de votos.

A votação antes do dia oficial do pleito, como já está acontecendo, permite a indução do voto pela propaganda e pelas pesquisas. Aqui, nossos políticos reclamam muito das pesquisas e jamais admitiriam a divulgação delas durante o processo de votação.

São problemas deles, dirão alguns. O que nos importa é o rumo da política monetária americana depois das eleições, e deve haver alta dos juros com Kerry ou com Bush. Mas, como diriam nossos reformadores de plantão, uma boa reforma política iria bem na pátria da democracia.

Marta x Serra: a falsa contenda

Existe alguma diferença entre Serra e Marta, entre PSDB e PT? Se existe, eu não conheço, e a candidatura de ambos somente reforça a tese que as eleições no Brasil se resumem, desde 1985, a um verdadeiro me engana que eu voto! Por Heitor de Paola.

Fico impressionado quando leio analistas políticos de inegável competência afirmarem que em São Paulo haverá uma eleição fundamental no segundo turno. Mesmo o meu amigo José Nivaldo Cordeiro, de quem raramente divirjo, acredita nisto. Ainda bem que em algo divergimos! Pois a meu ver, no dia 31 de outubro haverá em São Paulo uma falsa contenda entre aliados, um logro, uma cortina de fumaça, uma deception, como é bem expressado em inglês.

Alega-se que a vitória de Serra seria um golpe no projeto hegemônico do PT, só que não existe este projeto. O verdadeiro projeto hegemônico não é do PT, é do Foro de São Paulo, do qual Serra e seu fraudulento PSDB não fazem parte diretamente, mas apoiam discretamente! Exatamente por isto, Serra protagonizou um dos episódios mais ridículos da história da República: a candidatura que não era, pois o verdadeiro candidato do PSDB, do FHC e do próprio Serra atende pelo nome de Luis Inácio Lula da Silva! Era o candidato do Foro de São Paulo e de Sua Eminência, o Supremo Assassino do Caribe.

À pantomima, à palhaçada das eleições presidenciais de 2002, que denunciei num de meus primeiros artigos sobre o tema, Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse, segue-se agora a eleição em São Paulo – e de quebra também a de Porto Alegre, onde os raros liberais e conservadores vão ter que escolher entre o candidato da ultraesquerda e o da hiperesquerda. Outra falsa contenda!

Como nosso preclaro Presidente adora dizer, “temos que discutir as biografias dos candidatos”. Pois vamos lá. Enquanto a Dona Martinha se refestelava em congressos de psicanálise – onde a conheci pessoalmente e achei-a um belo invólucro para o nada, um vácuo intelectual ambulante – ou nos de “sexologia” (seja lá o que isto significa, talvez trocar de marido?), em seus programinhas cafonas de TV, e discutia a cor preferida de suas calcinhas com o pseudo-intelectual Jô Soares – isto é, a biografia típica de uma imbecil deslumbrada – o que fazia José Serra?

Em 1964 Serra, então Presidente da UNE, participava do comício da Central do dia 13 de março, ao lado de Jango, Brizola e outros que queriam levar nosso País para a órbita de Havana e Moscou. Fugindo da Revolução de 31 de março foi para o Chile, onde junto com FHC e César Maia et caterva, foi parte integrante do “projeto Allende”, o primeiro do Supremo Assassino do Caribe para a América Latina (ou seria América latrina de Fidel?), felizmente frustrado pela decisiva ação das Forças Armadas chilenas sob o comando de Augusto Pinochet. De lá, continuou suas andanças pela esquerda mundial apoiando a ONU e o governo mundial socialista, o projeto cepalino de atraso econômico, junto com o que há de pior na economia das Américas, como Celso Furtado e Maria da Conceição “Tovaritch”. Mas para compor uma imagem oposicionista foi preciso apoiar um projeto qualificado como neoliberal, uma idiotice que ninguém sabe definir mas que incluía privatizações corruptas deixando nas mãos do Estado onipotente o verdadeiro poder de decisão, via “agências reguladoras”. A alegada desestatização de FHC foi feita por quem não acredita no que está fazendo, senão teria começado pela Petrossauro, pelo Banco (ou Bando?) do Brasil, pela Caixa Econômica Federal e com a extinção pura e simples do BNDES. Como Ministro da Saúde destruiu com golpes de canetaço um dos princípios básicos da sociedade de confiança capitalista: o direito à propriedade intelectual, quebrando demagogicamente patentes para criar os “genéricos” e “por coincidência” passar as férias pós-rescaldo eleitoral, no país onde foram criadas estas verdadeiras piratarias medicamentosas, a Índia.

Existe alguma diferença entre Serra e Marta, entre PSDB e PT? Se existe, eu não conheço. Para usar uma expressão do Nivaldo, “sou daqueles que não vê diferenças entre sociais democratas e petistas”. A social-democracia é a ante-sala da ditadura comunista, nos países mais pobres. Os sociais-democratas começam distribuindo benesses, como aposentadorias integrais, controle de preços, saúde e educação “para todos”, distribuição de medicamentos, etc., tornando quase impossível a instalação de um governo liberal pois o povo não aceitará abrir mão facilmente destas benesses. Ao mesmo tempo, jogam a culpa de seu fracasso no capitalismo e nesta modernosa noção vazia, o neoliberalismo. É claro que deixam o trabalho sujo para os comunistas e continuam posando de bonzinhos esperando retomar o poder e continuar o jogo que impede a instalação da verdadeira liberdade. O Brasil é um país social-democrata desde 1930, mas tudo de ruim é culpa do capitalismo que não existe entre nós. Os únicos que tentaram furar este esquema – além dos primeiros governos militares – acabaram renunciando: Jânio e Collor.

PT e PSDB são ambos estatistas, defendem a Petrossauro e demais intervenções estatais, ambos projetaram e realizaram o desmonte e sucateamento de nossas Forças Armadas e o aviltamento de seus membros com salários de fome e desmoralização, e esta vexaminosa proibição dos filhos de militares transferidos cursarem universidades sem prestar novo vestibular, pois já o fizeram antes; um começou e o outro continua os processos de indenizações milionárias de comunistas e terroristas que mais mereciam a cadeia do que ganhar dinheiro às nossas custas. FHC entregou nosso Banco Central a um dos agentes do diabólico Soros e Lula continuou com o agente mor da banca internacional. Ambos apóiam firmemente o desarmamento dos cidadãos de bem. Ambos aprofundaram a entrega da Amazônia para a ONU e as ONGs européias, enquanto jogam as suspeitas nos EUA. Poderia desfiar um rosário de coincidências e nenhuma, repito, nenhuma diferença. Alguém, por favor, poderia me indicar uma sequer? A resistência a Marta parece ser mais coisa de criança teimosa que bate o pezinho no chão, gritando não gosto do PT, não gosto do Lula! O Supremo Carn iceiro Caribeño e os membros de sua quadrilha de malfeitores já devem ter estourado várias garrafas de champagne, comemorando a burrice do eleitorado do maior país do continente.

Bem fiz em obedecer a voz de minha consciência, pela primeira vez, e não comparecer às eleições. Abstive-me conscientemente desta palhaçada que elegeu o trânsfuga César Maia, que já mudou várias vezes de partido mas sempre fez parte do esquema allendista e por isto, tão logo re-eleito, compareceu ao ritual do beija-mão à Metamorfose Ambulante, hipotecando sua solidariedade e apoio ao PT nas falsas contendas do segundo turno no Estado do Rio. Alguém cunhou esta frase excelente: me engana que eu voto! As eleições no Brasil se resumem, desde 1985, a milhões de assaltados sendo obrigados a escolher qual a quadrilha que vai roubá-los. Ok, continuem me roubando, mas não me obriguem a escolher o ladrão.

O vencedor desta falsa contenda terá todo o direito a herdar o título de Barão – ou Baronesa – de Itararé, a batalha que não houve, vago desde a morte de seu genial inventor, Aparício Torelli. Isto se o eleito em Porto Alegre não reivindicá-lo para si. Neste caso, teríamos ao menos uma verdadeira batalha judicial! Como bem o diz Carlos Alberto Reis Lima em recente artigo: Já vimos que uma contagem como essa (51% das intenções de voto em Porto Alegre) só pode ser atingida por uma ideologia vitoriosa, aquela que domou o povo e o obrigou a gostar de carrascos comunistas: – não existe outra ideologia tão majoritária assim no Brasil que não essa esquerda e seu passado de terror! E Fogaça é do time! O mesmo diria de Serra e de Marta se estivesse em São Paulo (…).

Notas:

Sobre o assunto leia também: Eleições 2004 – socialismo triunfante e democracia em risco e Democracia? Onde?

Este é John Kerry

Resumo: O candidato democrata à Casa Branca,
John Kerry, embora seja apresentado pela grande mídia como um homem sério e “herói de guerra”, na verdade possui um histórico nada recomendável, inclusive em termos de patriotismo.

© 2004 MidiaSemMascara.org

JOHN  “HANÓI” KERRY PARA PRESIDENTE?

Foto abaixo: o candidato “herói de guerra” na mesma manifestação com  Jane ‘Hanói’ Fonda, uma das mais fanáticas ativistas pró-comunistas durante a guerra do Vietnã.

Uma foto aparentemente mostrando o candidato Democrata a Presidente John Kerry protestando contra a Guerra do  Vietnã, junto com a atriz anti-Americana “Hanoi Jane” Fonda – a foto mais temida pelos Democratas – existe e foi obtida por NewsMax.com 

Uma outra, comparativa, feita pelo PoliticalHumor é ainda mais clara (abaixo):

 

A foto foi tirada no Dia do Trabalho de 1970. Kerry, então uma estrela em ascensão entre os Veteranos contra a Guerra do Vietnã, juntou-se a Fonda neste violento protesto em Valley Forge, Pensilvannia.

Nesta manifestação, os oradores acusavam os soldados americanos de cometer um genocídio e de “racismo internacional”. E foi neste protesto, exatamente, que Kerry brilhou, começando sua carreira política. No seu discurso ele disse: “Nós estamos aqui acima de tudo porque ganhamos o direito de criticar a guerra”, levantando a platéia, sendo Jane a mais entusiástica. Naquele momento ele se tornou um novo líder nacional.

Seu discurso, mais tarde, como líder dos Democratas em Massachusetts, solidificou ainda mais sua relação com Jane. Eles viajaram juntos a Detroit, para organizar um evento chamado “Winter Soldier Investigation”, em janeiro de 1971. Eles reuniram uma assembléia de veteranos desiludidos descrevendo as maiores atrocidades. De acordo com Jug Burkett, Jane teve um papel fundamental neste evento, inclusive como financiadora. Muitas das “testemunhas” vieram a ser denunciadas, mais tarde, como rematados impostores.

Foi neste encontro que Jane encontrou seu futuro marido, Tom Hayden, da organização radical, “Students for a Democratic Society”.

Foi no ano seguinte que Jane seguiu para Hanói e onde tirou a foto abaixo, onde ela, numa bateria antiaérea norte vietnamita, simulava atirar nos aviões “americanos imperialistas”:

(AP/Wide World Photos)

É interessante notar que a foto abaixo, nitidamente uma montagem, foi publicada unicamente pelo New York Times, jornal que apóia Kerry com unhas e dentes:

De acordo com snopes.com ela é totalmente falsa e é a montagem de duas outras (abaixo), separadas no tempo e no espaço, mostradas abaixo. O fato do NYT reconhecer a falsidade e pedir desculpas, e esta montagem estar servindo às mil maravilhas para a propaganda Democrata, não nos permite suspeitar que tenha sido uma “armação” da campanha de Kerry?

Em vista disso tudo, a organização “Vietnam Veterans Against John Kerry” (Veteranos do Vietnã contra John Kerry)  já elegeu seu cartaz principal:

True Lies II – a face oculta do governo mundial

Heitor de Paola revela detalhes sobre onde a UNESCO, durante a administração de Robert Muller, procurou inspiração para seus programas educacionais.

“Dentro da ONU está o germe e a semente de um

grande grupo internacional de meditação e reflexão –

um grupo de pensadores bem informados, em cujas mãos está o

destino da Humanidade. Eles estão sob o controle de muitos

discípulos do ‘quarto raio’ […] e seu foco é o plano de intuição

Búdica – o plano que comanda toda atividade hierárquica”

Alice B. Bailey [1]

Discipleship in the New Age

Alice Bailey é a inspiradora espiritual de um dos personagens mais sinistros da segunda metade do século passado, Robert Muller. Muller foi Secretário Assistente durante os mandatos de três Secretários Gerais da ONU: Dag Hammarskjöeld (1953-1961), U Thant (1961-1971) e Kurt Waldheim (1972-1981). Foi o idealizador de um método novo de ensino, o World Core Curriculum [2] (*) e fundador da primeira Escola Robert Muller, em Arlington, Texas.

A base deste novo método era constituída de crenças ligadas à New Age, como o holismo, a Espiritualidade Global, o ensino centrado na Mãe-Terra (Gaia) como o centro de toda as crenças religiosas. Os três princípios fundamentais são: Unidade com o Planeta, Unidade com o Povo e Harmonia do Self. Introduzia-se o ‘Pensamento Crítico’ que não significa o que parece – ensinar a criança a pensar por si mesma – mas ‘a aprender como subverter os valores tradicionais de nossa Sociedade. Você não está ‘pensando criticamente’ se aceita os valores transmitidos pelos pais. Isto não é ‘crítico’. Há um viés nitidamente anticristão e antijudaico com a preponderância de práticas mágicas indígenas, panteístas e politeístas, além da mudança da ênfase do ensino para os ‘relacionamentos’ entre indivíduos e entre eles e o planeta [3]. Em 1989 a UNESCO concedeu a Muller o Prêmio de Educação para a Paz e se iniciaram os estudos para que a UNESCO recomendasse que todas as escolas e universidades do mundo se tornassem, lá pelo ano 2000, ‘escolas para a paz e a não-violência’, através do mesmo Curriculum, de ‘modo a preencher a função cósmica inata em cada um de nós’ [op.cit., p. 45]. Muller dirige e depois passa a ser o principal assessor da UNESCO para a educação.

De onde vinha a inspiração para tais ensinamentos? Da já mencionada Alice Bailey. Bem, não exatamente dela, mas de seu ‘guia espiritual’, o Mestre Tibetano Djwhal Khul (gravura), que teria vivido há milhares de anos e falaria através de Alice. Seus primeiros ‘contatos’ se deram aos 15 anos. Em suas próprias palavras: ‘eu estava sentada no escritório, escrevendo. A porta se abriu e entrou um homem alto vestido com roupas ocidentais mas usando um alto turbante. Ele me disse que havia trabalhos já planejados para que eu executasse, mas que eu tinha que mudar muito minha disposição’. Anos depois, ela veio a tomar contato com as ‘Doutrinas Secretas’ dos Teosofistas e reconheceu que ‘aquele homem era o Mestre Koot Hoomi'[4]. Para sabermos a origem dessas idéias é preciso recuar no tempo, até o final do século XIX.

* * *

Estas ‘Doutrinas Secretas’ eram obra de uma das maiores escroques e vigaristas que já existiram, a fugitiva e renegada russa Yelena Pietrovna Blavatsky que apareceu misteriosamente nos EEUU em finais do século XIX. Falida e percebendo a insatisfação dos americanos e ocidentais em geral com o progresso científico e material e o interesse crescente despertado pelo orientalismo e o espiritualismo, passou a se valer disto ensinando que o homem nem era criação divina nem descendente dos macacos como Darwin dizia (sic) mas sim de ‘seres espirituais’. Espertamente alegou que os cientistas haviam estreitado demasiadamente o conceito de ciência, que deveria envolver também conhecimentos ocultos. Logo atraiu um sem número de seguidores. Posteriormente se associou com outros escroques como Annie Besant, Cel Henry Olcott, Georgy Ivanovitich Gurdijeff, Charles Webster Leadbeater. A seita logo se espalhou pelo mundo como uma ‘ciência espiritual que ensina técnicas destinadas a promover a iluminação: estudo dos mestres, preces e meditação’ [5].

Como diziam que as origens estavam na Índia (aonde mais?) sem nunca terem estado lá, estabeleceram sede em Adyar. Leadbeater um conhecido pederasta pedófilo encantou-se por um menino indiano pobre, Jiddu Krishnamurti, filho de um dos seguidores da seita, de quem obteve a posse do mesmo. Leadbeader havia lançado o estudo sobre vidas passadas e logo estudou as vidas de Krishnamurti que publicou em livro “As vidas de Alcyone” [6]. Muito convenientemente encontrou-se que Leadbeader tinha sido casado com Annie Besant 40.000 anos AC e deste casamento havia nascido Krishnamurti, que logo tornou-se o novo Messias.

Foi através de Leadbeader que Alice Bailey tomou contato com as idéias deste grupo. Em 1922 fundou a Lucis (originalmente Lúcifer, aquele que traz a luz) Trust Publishing e a Escola dos Arcanos. Entre 1919 e 1949 publicou 22 livros, 19 dos quais supostamente ‘escritos’ pelo Mestre Djwhal Khul, inclusive os que influenciaram Muller e até hoje a UNESCO e resultaram em outras sociedades como a ‘Igreja Universal e Triunfante’ e o ‘Centro Tara’. Sua ‘mensagem’ é a paz mundial, a unidade de todas as religiões e a dedicação à Humanidade (**). É considerada a mãe da forma atual do movimento da New Age, a ‘nova espiritualidade’, da qual um dos principais sponsors é Al Gore [7]. Comparando com a ‘Revolução Cultural’ de Gramsci, Olavo de Carvalho diz que ‘[ambas] têm algo em comum: ambas pretendem introduzir no espírito humano modificações vastas, profundas e irreversíveis. Ambas convocam à ruptura com o passado, e propõem à humanidade um novo céu e uma nova terra [8].’

Os adeptos da Nova Era chegaram à conclusão que o principal guia espiritual deste ‘acordar’ foi o padre jesuíta e antropólogo francês Pierre Teilhard de Chardin (1881-1955). O indefectível Muller escreveu: ‘Teilhard sempre viu as Nações Unidas como a concretização institucional de sua filosofia monista e evolucionária aplicada à política, levando-o a advogar a visão de alguma forma de existência de somente um governo mundial’ [9]. Em seu livro ‘The Future of Man’ Teilhard escreveu: ‘Apesar de que ainda não se pode prever a forma, a humanidade amanhã vai acordar para um mundo pan-organizado’ [10].

A essência das idéias de Teilhard está contido em seu livro ‘O Fenômeno Humano’ [11]. Num esboço rápido, o autor defende uma continuidade absoluta entre criação da Terra, seres inanimados, seres vivos e o homo sapiens, aquele que, através do processo que denominou hominização atinge a capacidade reflexiva e, pela socialização torna-se a ‘camada pensante’ do planeta. É uma visão sintética do desenvolvimento evolutivo universal, terminada no aparecimento abrupto da ‘consciência do self’ – o limiar da reflexão – e posteriormente na união mundial de uma rede de todos os pensamentos humanos, o que denominou noosfera, em cujo âmago preside o Cristo, ápice da evolução. Cristo conduziria a humanidade de forma tanto transcendente como imanente para o ‘Ponto Omega’, o Reino de Deus. Esta noosfera representa o nível superior à biosfera, à hidrosfera e à atmosfera. Isto é, seria algo assim como uma extensão dos fenômenos geológicos e biológicos, produzido por uma ‘nova era’ da evolução, a noogênese (op. cit., pp. 188 ss). Suas obras foram banidas pela Igreja porque conceituavam um Cristo que nada tinha a ver com a noção Cristã.

Pois foi por aí mesmo que Alice Bailey e seu discípulo Muller pegaram Teilhard e estenderam para um conceito sincretista e panteísta de Cristo e de Deus como uma energia impessoal, Deus é tudo, está em tudo, e Cristo nada mais é do que um dos ‘Mestres Ascendentes’, um Avatar, juntamente com Maitreya e Boddhisattva ou o Imã Mahdi ou as ‘forças vivas de Gaia’, a ‘Mãe Terra’ [12]. A preparação para o reaparecimento de Cristo nada tem a ver com o conceito bíblico da volta de Cristo no Juízo Final, mas sim do ‘Mestre Universal’ que estabelecerá uma ‘Era de Ouro’ sobre a Terra.

E é exatamente isto que tem sido ensinado nas Escolas Robert Muller e recomendado pela UNESCO, através da Outcome-Based Education (OBE) (*): o fim de todos os conflitos religiosos pela eliminação de todas as religiões que seriam substituídas por um ‘naturalismo científico’ (**).

* * *

Fazer penetrar nas Nações Unidas estas idéias foi brincadeira de criança para o Secretário Assistente Robert Muller: Dag Hammarskjöeld, o economista racional nórdico, terminou sua carreira na Secretaria Geral como um grande místico, defendendo que a espiritualidade era a chave última para o destino da Terra, no tempo e no espaço [13]. Para se ter uma idéia de qual espiritualidade falava, um folheto sobre a Sala de Meditação no edifício sede, dizia que o misterioso altar magnético dentro dela ‘é dedicado ao Deus que todos os homens cultuam, sob diversos nomes e várias formas’ [id.]. Em 1973, U Thant, outro místico, fundou a organização ‘Cidadãos Planetários’, juntamente com o ativista da Nova Era Donald Keys. Esta organização está devotada à propaganda no Novo Gnosticismo, que elimina as noções básicas das religiões tradicionais. Como já dizia Olavo de Carvalho: ‘Com (a eliminação do) senso da eternidade e da universalidade, vai embora também o senso de verdade, a capacidade humana de distinguir o verdadeiro do falso, substituído por um sentimento coletivo de “adequação” ao “nosso tempo”. A “supraconsciência” da Nova Era […..] (atinge) a mais absoluta falta de inteligência’ [op.cit., p 71].

Consta que Javier Perez de Cuellar, Secretário Geral de 1982-1992, teria sido abduzido por seres extraterrestres em 30 de novembro de 1989. Embora ele se recusasse a falar sobre isto, numa pergunta direta feita pelo Príncipe de Lichtenstein – supostamente uma autoridade mundial em UFO’s – ele não negou [id]. A possível invasão de seres alienígenas sai do reino da pura ficção científica para ser endossada pelo líder da ONU e considera-se que faria parte da propaganda para criar um governo mundial que representasse a Humanidade num eventual conflito interplanetário (para mais detalhes deste engodo ver [14]). No edifício sede da ONU existe um instrutor oficial de ‘meditação indígena’, Sri Chinmoy, que promove duas sessões semanais nas quais sua audiência deve relaxar e entrar em transe através de músicas.

Robert Muller re-escreveu o primeiro capítulo da Bíblia para incluir as Nações Unidas. Sob o título ‘A Nova Gênesis’ o primeiro verso fica assim:

‘E Deus viu que todas as nações da Terra, brancas e negras, ricas e pobres, de Norte a Sul, de Leste a Oeste, e de todos os credos enviavam seus emissários a uma alta casa de vidro [edifício sede] nas praias do Rio do Sol Nascente, na Ilha de Manhattan, para ficarem juntos, pensarem juntos, juntos cuidarem do mundo e todos os seus povos. E Deus disse: Isto é Bom. E foi o primeiro dia da Nova Era [New Age] na Terra’. (ver [9], p. 17).

Em 1980 a ONU inicia uma série de ‘Meditações para a Paz’, comandada por uma miríade de organizações esotéricas e ocultistas, filiadas à ‘Nova Espiritualidade’, embora isto não tenha vindo a público. Evoluíram para ‘Dias de Meditação’ em intervalos regulares, onde foi criada uma ‘Comissão Planetária’ organizada por John Randolph Price cujo objetivo é:

‘documentar a verdade de que o homem é um ser espiritual que possui todos os poderes do mundo espiritual é, na verdade, Deus individualizado, e desde que perceba esta sua verdadeira identidade, tornar-se-á um Mestre da Mente, com domínio sobre o mundo material’ (cit em [13]).

Foram criados os ‘Trabalhadores da Luz’ (Lightworkers) cuja função é levar a Humanidade a uma nova ‘consciência planetária’ (***).

Uma contribuição nada desprezível foi dada pela ativista albanesa Agnes Gonxha Boyaxhiu, estabelecida na Índia, onde fundou as ‘Missionárias da Caridade’ com vários hospitais para carentes e doentes terminais. O principal deles, em Calcutá, está localizado numa propriedade do Templo dedicado a Kali, a deusa indiana da destruição, cujo culto incluía sacrifícios animais. Em julho de 1981 pronunciou pela primeira vez uma ‘Oração Universal pela Paz’, na Igreja Anglicana de St. James, em Picaddilly, Londres, um dos fronts da promoção da Nova Era em círculos cristãos. Esta oração dizia:

‘Leve-me da morte para a vida, da falsidade para a verdade. Leve-me do desespero para a esperança, do medo para a confiança. Leve-me do ódio para o amor. Permita que a paz encha nossos corações, nosso mundo, nosso universo. Paz. Paz. Paz.’

É curioso que uma das mais importantes figuras do catolicismo no mundo, candidata à canonização – sim, trata-se da Madre Teresa de Calcutá (na foto com Danielle Duvalier, esposa de Jean-Claude Duvalier, o “Baby”-Doc) – ao invés de proferir uma prece cristã, tenha entoado uma adaptação de um antigo mantra dos Upanishads (tratados monísticos das doutrinas secretas hindus de 800-600 AC), modificado pelo ambientalista e monge Jainista Satish Kumar [15]. O mantra original diz: ‘Leve-me do irreal para o real! Leve-me da escuridão para a luz! Leve-me da morte para a imortalidade’.

Nos Upanishads não há lugar para um Deus pessoal como o Deus Judaico-Cristão; Deus é o Self, ‘o âmago interior, o self dentro do homem, e quem o conhece não sofre […] não é um sujeito lógico, psicológico nem epistemológico, nem mesmo o self desejoso e ativo do idealismo europeu: é o puro sujeito conhecedor (prãjnã âtmã) [16]. Mas muitos cristãos (sic) consideram os Upanishads tão válidos quanto a Bíblia.

Será por coincidência que Madre Teresa mantinha relações estreitas com notórios ditadores assassinos, como Jean-Claude Duvalier, de quem recebeu a Legion d’Honneur em 1981 e – teoricamente impedida de visitar seu País – tenha ido à Albânia pouco depois da morte do ditador Enver Hoxha para prestar homenagens [17]? E posteriormente tenha voltado lá e dedicado seu Prêmio Nobel da Paz ao mesmo, tendo depositado uma coroa de flores do monumento à “Mãe Albânia”, em Tirana, e prestado homenagem no túmulo do ‘Camarada Enver Hoxha’, acompanhada oficialmente pela Sra. Hoxha, pelos principais Ministros de Estado e pelo Presidente da Assembléia do Povo? Jamais ela fez qualquer crítica ao brutal regime de Tirana nem protestou contra a supressão de todas as religiões [18]. Talvez por isto, em 7 de setembro de 2001, tenha pedido para se submeter a exorcismo pelo Arcebispo de Calcutá, Henry D’Souza [19].

O saudável movimento ecumênico – entre religiões nitidamente separadas mas unidas por alguns ideais comuns – está celeremente sendo substituído por um sincretismo religioso que modifica, de dentro, a própria liturgia, uma espécie de espiritualidade Cristocêntrica na qual o Cristo dos Evangelhos perde todo sentido e não haverá mais lugar para o Deus Judaico-Cristão nem para os Profetas Bíblicos. Veja-se a relação deste sincretismo monista com as idéias de Teilhard de Chardin mencionadas acima.

* * *

É pouco provável que haja uma conspiração ocultista na fundação da ONU. É mais plausível que todos esses elementos interessados num Governo Mundial sincretista e ditatorial, venham se aproveitando da facilidade de infiltração no organismo mundial dado o misticismo de seus dirigentes. Com isto se aproveitam na enorme penetração do mesmo em todos os países e em todas as áreas em cada país, para estabelecer uma rede mundial a serviço de seus propósitos. Precisamos estar alertas porque minando as bases religiosas ocidentais ruirá todo o edifício civilizacional nelas baseado: a liberdade, a democracia, a ciência e a tecnologia. Isto se tornará mais visível quando os frutos das escolas aqui mencionadas, em todo o mundo, se tornarem por sua vez nos líderes mundiais. Por esta razão apresentarei em breve um levantamento destas novas bases da educação originadas nas nefastas idéias de Robert Muller e Alice Bailey.

(*) Uma análise deste curriculum, que já chegou ao Brasil, e da educação ali proposta (OBE) já está em curso por este autor.

(**) Refiro os leitores ao primeiro artigo desta série, True Lies e aos Manifestos Humanistas lá citados. Esta é a sua origem.

(***) Para uma ampla compreensão deste processo nos bancos escolares é fundamental a leitura da obra de Berit Kjos, já citada [3], capítulo 4, Establishing a Global Spirituality.

REFERÊNCIAS

[1] Alice B. Bailey, Discipleship in the New Age, Lucis Press, 1955. Links para A Bailey: http://beaskund.helloyou.ws/netnews/bk/toc.html; http://www.lucistrust.org/ http://www.conspiracyarchive.com/NewAge/Alice_Bailey.htm

[2] http://www.unol.org/rms/wcc.html

[3] cit. em Berit Kjos, Brave New Schools, Harvest House Publishers, Eugene, Oregon,1995, p. 21

[4] http://prophecyconfirmations.com/1136prophecy.htm

[5] Peter Washington, Madame Blavatsky’s Baboon: A History of the Mystics, Mediums and Misfits Who Brought Spiritualism to America, Shocken Books, NY

[6] Teoshophical Society, Adyar

[7] Ver: http://www.uneco.org/Earth_in_the_Balance.html

[8] A nova Era e a Revolução Cultural, 1993, disponível para download em:http://www.olavodecarvalho.org/livros/neindex.htm Recomendo, em especial, a leitura atenta do cap. III, pp. 69-72

[9] The Desire to be Human: a Global Reconnaissance of Human Perspective in an Age of Transformation, Miranana, 1983. Tudo sobre Robert Muller, por ele mesmo, pode ser encontrado nos seguintes sites: www.goodmorningworld.org , www.robertmuller.org e http://www.robertmuller.org/decide/ .

[10] Harper & Row, 1955

[11] Ed. Herder, São Paulo, 1965, tradução do original francês Le Phénomene Humain, Ed du Seuil, Paris. Mais sobre Teilhard em: http://www.richmond.edu/~jpaulsen/teilhard/isnoogen.html

[12] http://prophecyconfirmations.com/1136prophecy.htm

[13] Muller, op. cit, citado em The Occult Character of the United Nations, de Alan Morrison, em: http://www.diakrisis.org/un_occultism.htm

[14] UFOs, Aliens and the Approaching Grand Deception, por Alan Morrison, em http://www.diakrisis.org . Mais uma vez a Sociedade Teosófica está presente: para uma descrição atual da vida extraterrestre por Madame Blavatsky ver: http://www.theosophy.com/theos-talk/200401/tt00460.html ; para uma descrição atual dos habitantes de Marte por Charles Leadbeater ver: http://www.theosophy.com/theos-talk/200401/tt00463.html

[15] Alan Morrison, em http://www.diakrisis.org/mother_teresa.htm

[16] K. Satchidananda Murty, Philosophy in India: Traditions, Teaching and Research, Indian Council of Philosophical Research, 1985 Ver também: Mircea Eliade, Histoire des Croyances et des Idées Religieuses, Ed Payot, 1976, Tomo I, vol 2

[17] http://www.nationmaster.com/encyclopedia/Mother-Theresa-of-Calcutta

[18] Yearbook on International Communist Affairs: Partie and Revolutionary Movements-1990, Hoover Institution Press, Stanford University, CA, Richard Staar, Ed.

[19] www.cnn.com/2001/WORLD/asiapcf/south/ 09/04/mother.theresa.exorcism

True Lies

É difícil traduzir true lies para o Português. Talvez a melhor seja mentiras embutidas numa verdade, por sua vez também embutida noutras mentiras. Mentiras com algum fundo verdadeiro que, sendo gradualmente administradas, entorpecem a mente de tal modo que a maioria acaba acreditando.

Experimentem colocar uma rã numa panela comágua fervendo. Ela vai pular fora e se safar! Agora, coloquem a mesma rã em água fria e aqueçam lentamente. A rã vai gostar, a mudança gradual de temperatura vai entorpece-la, e quando ferver, ela já não poderá saltar porque estará morta.

É difícil traduzir true lies para o Português. Talvez a melhor seja mentiras embutidas numa verdade, por sua vez também embutida noutras mentiras. E é disto que tratarei aqui: de mentiras com algum fundo verdadeiro que, sendo gradualmente administradas, entorpecem a mente de tal modo que a maioria acaba acreditando. Se fossem mentiras abertas, ou ditas de chofre, seriam rejeitadas, tal como fez a rã. Mas quem não se deixa entorpecer e enxerga a verdade por trás de tanto mascaramento, percebe que o que ocorre hoje no mundo é o resultado de uma estratégia de domínio mundial, é logo tido como paranóico. Por esta razão, este artigo contém inúmeras referências de fontes.

Limitar-me-ei, por ora, a uma das maiores mentiras que vem sendo administrada de forma gradual e eficientíssima na mente das pessoas: a da necessidade de um Governo Mundial que assegure a eterna Paz entre os homens, do qual a Organização das Nações Unidas já seria o embrião. Esta seria a verdadeira globalização, mas enquanto isto se lança a idéia oposta: de que a globalização seria do interesse dos Estados Unidos da América. Esta é uma das mais eficientes estratégias de dissimulação. Lança-se um projeto, atribui-se o mesmo ao inimigo como coisa do demônio e, enquanto ele é combatido, instala-se aquilo mesmo que se finge combater.

A idéia inicial data de 1931 e tem sua origem na Escola Lênin de Guerra Política, de Moscou, onde se ensinava: “A guerra de morte entre comunismo e capitalismo é inevitável. Hoje, certamente, não estamos suficientemente fortes. Nosso tempo chegará em 20 ou 30 anos. Para vencer, precisamos do elemento surpresa, a burguesia deverá ser amortecida, anestesiada, por um falso senso de segurança. Um dia, começaremos a espalhar o mais teatral movimento pacifista que o mundo já viu. Faremos inacreditáveis concessões. Os países capitalistas, estúpidos e decadentes….cairão na armadilha oferecida pela possibilidade de fazer novos amigos e mercados, e cooperarão na sua própria destruição” (1). Posteriormente, esta ofensiva pela “paz” contaria com a encomenda de Stalin a Picasso de um símbolo, que resultou na famosa pomba branca com ramo de oliveira. Foi também por inspiração de Stalin que Picasso forjou uma das maiores fraudes artísticas do século XX, ao trocar o nome de quadro já pronto, La Muerte del Toro, para Guernica, após a destruição desta cidade pela Luftwafe.

Dois anos depois é lançado o primeiro “Manifesto Humanista” apelando para uma síntese de todas as religiões e uma ordem econômica de “cooperação social” (2). Em 1939 H G Wells, um autor de ficção científica obcecado por idéias místicas orientalistas, lança New World Order onde defende que a maior doença da humanidade é o individualismo nacionalista e advoga uma nova ordem de “democracias socialistas”. A brochura é publicada pela Carnegie Endowment for Peace, braço da Carnegie Foundation. O mesmo Wells publicará Open Conspiracy, (3) onde traça a estratégia de uma conspiração mundial. Mais tarde publicará The Shape of Things to Come: A Prophetic Vision of the Future (4), onde, após avaliar o estado mundial de então, mostra um governo mundial já estabelecido que exerce o poder ditatorial.

Em 1948 a National Education Association, fundada e financiada pela Carnegie Corporation, lança o que seria a base para todas as discussões posteriores:

“Fica bem estabelecida a idéia de que a preservação da paz e da ordem internacionais requer o uso da força para compelir uma nação a conduzir seus procedimentos e interesses dentro de um quadro estabelecido por um sistema mundial. A expressão mais moderna desta doutrina de segurança coletiva é a Carta das Nações Unidas. (…) Muitos acreditam que uma paz duradoura jamais será conseguida enquanto o mundo continuar constituído do atual sistema de estados-nações. Este é um sistema de anarquia internacional”. (5)

No mesmo ano o psicólogo comportamental B F Skinner, propõe (6) uma “sociedade perfeita” na qual “as crianças serão educadas pelo Estado, não por seus pais, e serão treinadas desde o nascimento para demonstrar somente os comportamentos e características desejáveis”. Suas idéias passaram a ser implantadas nas escolas americanas. Já em 1931, outro obcecado por ocultismo oriental, Aldous Huxley, (7) lançara Brave New World onde tais idéias era levadas ao extremo, talvez até servindo de inspiração a Skinner. Jamais a engenharia social tinha sido levada a tais extremos (*). Na mesma linha a Associação para Supervisão e Desenvolvimento dos Currículos Escolares (ASCD), publica To Nurture Humaneness: Commitments for the 70’s“, onde se defende que “os controles sociais não podem ser deixados à própria sorte e a mudanças não planejadas – usualmente atribuídas a Deus! (8) “Muitas das decisões que hoje são tomadas pelos indivíduos, em breve serão tomadas por outros em seu nome”! (9).

O mais surpreendente é que em 1985 o Departamento de Estado dá à Carnegie Corporation “autoridade para negociar com a Academia de Ciências da União Soviética (conhecida como um ramo da KGB) no sentido de desenvolver novos currículos e re-estruturar a educação Americana!” (10).

Em 1999 é lançado o “Manifesto 2000” (11), terceira versão do Manifesto Humanista. Em seu item III são lançadas as bases para substituir todas as religiões por um certo “naturalismo científico” com o abandono de todas as idéias metafísicas ou teológicas, mas baseado exclusivamente nas ciências. No item VIII a, “Nova Agenda Global”, inclui “igualdade, estabilidade, alívio da pobreza, redução dos conflitos e salvaguardas para o meio ambiente”. O mais importante é o item IX (A Necessidade de Novas Instituições Planetárias). Uma das estratégias é utilizar “organizações e fundações voluntárias voltadas para a educação e o desenvolvimento social”. Obviamente, as ONG’s, apátridas no sentido mais extremo da palavra, totalmente desligadas dos governos nacionais para implementar o internacionalismo. Mas existem outras: reforma da Constituição da ONU, incluindo “um corpo legislativo bicameral, com um Parlamento Mundial eleito pelo povo, um imposto sobre transações financeiras para ajudar países subdesenvolvidos (seria a tal CPMF Mundial proposta pelo governo brasileiro?), o fim do direito de veto no Conselho de Segurança (objetivo defendido pelas ditaduras), uma Agência Ambiental, e um Tribunal Internacional (Tribunal Penal Internacional) com poderes de fazer valer suas sentenças”.

Nas “Promessas do Manifesto 2000” (12) aparece claramente qual o alvo principal dos mesmos: os Estados Unidos da América. O que nos dois primeiros era oculto, agora se desvela com clareza meridiana. Acusam-se os EEUU de isolacionistas, de estarem dominados por uma “ortodoxia religiosa”, defende-se uma Ética Planetária e novas instituições políticas para lidar com problemas globais. Mas não são os EEUU como um todo: são as administrações Republicanas, já que o Partido Democrata apoiou firmemente este Manifesto, através de uma das mais importantes figuras na New Age, Al Gore. Por isto a grita internacional e as acusações de fraude contra a eleição de Bush. Acusa o Congresso de então, majoritariamente Republicano, de obedecer a influências de uma “coalizão Cristã” (sic), de não retornar à UNESCO, de não reconhecer o Tribunal Penal Internacional, de diminuir a ajuda aos países subdesenvolvidos e de aderir às idéias liberais de livre comércio.

Outros objetivos, ainda não vislumbrados, foram genialmente acrescentados. Descobriu-se um meio de internacionalizar países, como Brasil e EEUU, que têm grandes extensões de território e tribos indígenas, através da criação de “nações indígenas”. Um novo conceito que vai muito além das tradicionais reservas, pois pretende-se um status internacional fora da soberania do País. Nos EEUU várias extensões de terra já são propriedade de ONG’s e tribos indígenas. No Brasil, os dois últimos governos e o atual atuam decisivamente neste sentido. Outro objetivo veio a ser importante pela rápida, extensa e profunda revolução nas comunicações com a Internet. Passou a ser necessário controla-la, o que não é tão fácil como a velha e simples censura dos meios de comunicação. Brasil, Índia e China já propuseram este controle. Cuba e China já a exercem de maneira cabal.

NOVOS DESENVOLVIMENTOS DA FARSA – OS FORUNS SOCIAIS MUNDIAIS

Como já disse acima, a melhor estratégia de dissimulação é estabelecer um projeto, chamá-lo de satânico ou hediondo, atribui-lo ao inimigo visado e, enquanto se combate o projeto como de autoria deste, criam-se as condições de implementa-lo. Autêntica true lie! Para quem pode ler em profundidade, as notícias dos Fóruns Sociais, mundiais ou locais, fica claro que seu objetivo é estabelecer a mais ampla globalização de que se tem notícia. No entanto, todas as manifestações e “teses” apresentadas são contra a globalização! Mas qual? Uma suposta globalização “neoliberal”, apenas um substituto para a falsa idéia de “imperialismo” inventada por Lênin, que seria comandada pelos Estados Unidos da América. Chega a ponto de pessoas de bom nível intelectual argumentarem que, se a globalização fosse idéia comunista existiria um “Manifesto do PC” em cada esquina, e não um McDonalds! Transforma-se a disseminação de empresas americanas pelo mundo como um bem urdido plano de conquista mundial e, evidentemente, como é de praxe e o atual Fórum de Mumbai não foge à regra, pretende-se o boicote a tais empresas!

Estes fóruns não passam de uma mistura psicótica de xamãs, pagés, pseudo-padres, dançarinos exóticos, para entorpecer um bando de adolescentes idiotas imbecilizados, talvez até com drogas das mais pesadas, e faze-los massa de manobra para uma “revolução mundial anti-neoliberal” e “entender como é boa a internacionalização, o “amor” e a “cooperação entre os povos”. Todos convenientemente vestindo jeans, comendo hambúrgueres e tomando Coca-Cola – ou usando só coca, sem cola! – enquanto os verdadeiros líderes traçam a estratégia para a globalização ditatorial. Nada mais são do que o novo passo na cronologia acima apresentada, de conquista de um governo mundial ditatorial, anti cristão, anti judaico (as duas únicas religiões que não entram no “multiculturalismo” planetário! Um exemplo claro de true lie é o uso que se faz da presença de monges tibetanos e indígenas de outros países. O Tibet, invadido pela China Comunista com o custo de centenas de milhares de vida, luta por sua autonomia e todos apóiam. Ora, se os tibetanos podem por que não os ianomâmis, ou txucarramães, os apaches, sioux, etc? Misturam-se alhos com bugalhos e só sobra os últimos pois a China não está nem aí; perdem, Brasil e EEUU!

Estes fóruns têm dado tão certo que já se organiza um novo, mais amplo, o Fórum Universal das Culturas, ou Fórum Barcelona 2004 (13) que, durante 141 dias reunirá pessoas de todas as partes do mundo com uma “oferta artístico-solidária-intelectual que vai de mesas redondas, debates, conferências e espetáculos”. “O Fórum é um novo acontecimento internacional para que pessoas de todas as procedências e culturas se encontrem, dialoguem e sugiram soluções para os principais problemas do nosso planeta” , segundo declarou ao Caderno Boa Viagem do Globo (08 de janeiro de 2004) Jaume Pagés, conselheiro-delegado. Já se podem antever os resultados pois haverá reflexões sobre variações climáticas, religião, movimentos migratórios, guerras e modelos econômicos, tendo como base os três eixos fundamentais: desenvolvimento sustentável, diversidade cultural e condições para a paz!

ONU: A GRANDE FARSA!

Desde 1948 nos acostumamos a ouvir que a ONU é o único organismo capaz de manter a paz entre as nações, a defesa dos direitos humanos e acabar com a pobreza e as injustiças no mundo. Por uma bela jogada de Stalin a sede ficou nos EEUU, em terreno doado por John D Rockfeller Jr. A intenção era dar a impressão ao mundo que os EEUU mandavam na ONU, uma excelente true lie. Foi fundada por um punhado de países, muitos dos quais não tinham a menor intenção de respeitar a carta que estavam assinando. Tal como Hitler, Stalin assinava qualquer coisa sem nenhum compromisso de honrar a assinatura. Como a maior parte dos países não respeitava o Pai dos Povos, foi preciso criar o sistema de veto até que a maré virasse e a onda avassaladora de nações descomprometidas assumisse a maioria. Chegou a hora.

Durante a guerra fria foi implementada, com a eficiência de sempre, a mentira de que a ONU acabara se desvirtuando e passara a ficar a serviço do “imperialismo” americano, enquanto, na surdina urdia-se a ampliação do número de países membros descomprometidos exatamente com os princípios de sua carta e da Declaração Universal dos Direitos do Homem, preparando-se o futuro Governo Mundial. Ainda existe uma maioria que pensa que o interesse neste governo é dos americanos, que ainda mandariam na ONU.

Vejamos. Entre os países membros, 102 não são democracias e não respeitam a liberdade e 47 são notórias ditaduras que violentam permanentemente os direitos humanos. Seis deles foram designados pelos EEUU como terroristas. Segundo levantamento de Fred Gedrich, da Freedom Alliance (14):- os 114 membros do Movimento dos Não Alinhados votaram contra os EEUU em 78% (Este grupo inclui todos os estados terroristas e ditatoriais e consideram heróis Castro, Kadhaffi e Assad) – os 22 membros da Liga Árabe votaram contra em 83% – os 56 membros da Conferência Islâmica, 79% – os 53 membros da União Africana, 80%.

Muitos dizem que os EEUU não ajudam os pobres e por isto estes votam contra. Vejamos. Dos 12 bilhões de dólares de ajuda externa direta a 142 países no ano fiscal de 2002, seis países levaram a parte do leão: Israel, Afeganistão, Colômbia, Egito, Jordânia e Paquistão. Israel votou a favor dos EEUU em 93%, os outros cinco, coletivamente, 79% contra.

Por outro lado, os EEUU são responsáveis por 25-27% do orçamento da ONU. Em 1999 (veja-se a “coincidência” com o Manifesto 2000!) o Senado americano aprovou legislação baixando para 20%.

Todas as agências da ONU, futuros Ministérios do Governo Mundial (OMS, UNESCO, OIT, FAO, etc.) estão ocupados por países hostis aos EEUU, sem falar no Secretário Geral, Kofi Annan, uma das maiores jogadas de marketing contra as democracias. Depois de um vigoroso Dag Hammarskjöeld, um birmanês tonto que nunca soube o que fazia lá, U Thant, e um nazista, Kurt Waldheim, agora um legítimo representante dos países “excluídos”, Ghana! (os outros foram Lie Trygve, Butros Butros-Ghali e Javier Pérez de Cuellar).

(Os termos nos quais a ONU avalia o desempenho dos países membros em termos econômico sociais deixam de ser avaliados aqui porque já o foram por Anselmo Heidrich em seu excelente artigo “IDH e Obscurantismo da ONU”).

Como bem o diz Heidrich: a ONU é uma instituição corrupta e moralmente falida porque serve de guarida e porta voz para algumas das mais sinistras forças mundiais. E pergunta: porque razão os EEUU deveriam permitir que esta organização hostil ditasse sua política externa? Pergunta que qualquer pessoa que pense com mais de dois neurônios faz. Mas a resposta óbvia está acima: é o embrião de um futuro governo mundial, com uma burocracia monstruosa e crescente a exaurir cada vez os povos e a impor ditatorialmente, uma suposta nova cultura, a da New Age, com o fim dos Estados Nações e das religiões e morais tradicionais. Estas serão substituídas por um panteísmo animista e ocultista, assunto para o próximo artigo: True Lies II: as Raízes no Ocultismo.

 

(*) Wells e Huxley geralmente são lidos como apenas autores de ficção futurista. Na verdade não eram, acreditavam piamente que estavam sendo proféticos. Junto com George Bernard Shaw, pertenciam a sociedades secretas ligadas à uma das maiores quadrilhas de escroques e vigaristas do século passado, “iniciados” nas idéias psicóticas de Yeliena Pietrovna Blavatsky, Annie Besant, Cel Henry Olcott, Georgy Ivanovitich Gurdijeff, Charles Webster Leadbeater e outros, os criadores da Sociedade Teosófica e da farsa chamada Krishnamurti (15). Isto será objeto de um próximo artigo desta série.

REFERÊNCIAS

(1) Aula de Dmitri Z. Manuilsky, tutor de Nikita S. Khrushchev. Ver em: http://www.mt.net/~watcher/nwonow.html e http://www.ukrweekly.com/Archive/1960/1796021.shtml

(2) http://www.jcn.com/manifestos.html

(3) http://www.mega.nu:8080/ampp/hgwells/hg_cont.htm

(4) CORGI Books, Transworld Publishers Ltd.

(5) Dennis Cuddy, The Grab for Power: A Chronology of the NEA, Plymouth Rock Foundation, Marlborough, NH

(6) Walden II http://www.ship.edu/~cgboeree/ e http://www.ship.edu/~cgboeree/skinner.html

(7) http://somaweb.org/ e http://somaweb.org/w/huxbio.html

(8) pp. 50-51

(9) pp. 79

(10) Charlotte T. Iserbyt, Soviets in the Classrooms: America’s Latest Educational Fad. Também em: http://www.newswithviews.com/iserbyt/iserbyt7.htm

(11) http://www.secularhumanism.org/manifesto/ 2000

(12) http://www.secularhumanism.org/manifesto/promise.htm

(13) http://www.barcelona2004.org/eng/

(14) UN General Assembly Voting Habits, em: http://www.freedomalliance.org/view_article.php?a_ide=312

(15) Ver: Peter Washington, Madame Blavatsky’s Baboon: A History of the Mystics, Mediums and Misfits Who Brought Spiritualism to America, Shocken Books, NY