Heitor De Paola


O eixo anti-liberal

Em plena campanha presidencial brasileira em 2002, o Prof Constantine Menges, do Hudson Institute, previu que com a eleição de Lula estaria formado um novo eixo do mal: o latino-americano, constituído por Havana-Caracas-Brasília. Seu estudo estava baseado nas atas do Foro de São Paulo, o que levava a antever ainda, o apoio destes três governos a movimentos similares na Bolívia, Equador, Argentina, Uruguai e Peru, para “recuperar na América Latina o que fora perdido na Europa do Leste”.

A cada dia que passa percebe-se como suas previsões estavam acertadas. Na Venezuela a “Revolução Bolivariana” de Chávez, segue de vento em popa restringindo a liberdade de informação, caminhando celeremente para a abolição da propriedade privada, apoiando a narco-guerrilha colombiana e, principalmente, fornecendo petróleo para sustentar o moribundo regime comunista cubano.

No Brasil o governo petista vai mais lentamente no mesmo caminho. Como não estamos montados em petróleo é preciso manter uma rígida política econômica que atraia investimentos e enriqueça banqueiros, às custas de sufocar as empresas privadas através de juros escorchantes e brutal aumento da carga tributária. Ao mesmo tempo estimula a invasão de propriedades rurais produtivas. Enquanto são criados inúmeros programas “sociais” que não saem do papel, o dinheiro para Cuba flui como em cachoeira, complementando o petróleo venezuelano.

A estratégia do Foro de São Paulo – inspirada pelo eterno Comandante – é a mesma empregada pelos movimentos antiliberais ao longo do século XX: o movimento de tesoura. Enquanto a Venezuela radicaliza, o Brasil contemporiza, mas o objetivo a atingir é o mesmo, o estrangulamento do regime democrático e da economia liberal, cercando pelo Sul o Grande Satã, os Estados Unidos da América.

Não há mais oposição no Brasil, sem que tenha sido necessária nenhuma repressão armada. É impressionante a falta de reação daqueles que deveriam ser os maiores interessados, o empresariado, que parece marchar alegremente para o matadouro.

Notas:

Publicado pelo Instituto Liberal RJ.

A América dividida – a colheita: a quinta internacional (final)

“Não podemos esperar que o povo americano

salte de uma só vez do capitalismo para o

comunismo mas podemos ajudar seus líderes

eleitos a administrar pequenas doses de socialismo,

até que um dia os americanos acordem

e se dêem conta de que chegaram ao comunismo”.

NIKITA S.KRUSCHËV

 

“O povo americano jamais adotará, conscientemente,

o socialismo. Mas sob o nome de ‘liberalismo’ aceitará

todos os pontos do programa socialista, até que,

um dia, a América será uma nação socialista,

sem nem ter noção do que aconteceu”.

NORMAN THOMAS

(Candidato do Partido Socialista a Presidente

dos EUA de 1932 a 1948).

A pesquisa com a qual comecei esta série de três artigos demonstra claramente a divisão da opinião pública americana. Mas enquanto internamente prevaleceu, momentaneamente, o apoio às teses mais tradicionais, resultando na vitória expressiva de George W Bush, no exterior a situação é bem diferente. Nunca o anti-americanismo esteve no nível em que está hoje. Pela primeira vez espocaram em tom de seriedade, em vários países – inclusive nos EUA – a idéia absurda de que o mundo todo deveria votar nas eleições presidenciais americanas. E teria certamente dado Kerry de barbada. Mesmo no interior dos EUA, pesquisas mais recentes indicam a preferência da maioria por um governo “de coalizão” com o Partido Democrata.

A pílula do anti-americanismo é dourada por belas expressões ou palavras-chave: um mundo melhor é possível, paz agora, multilateralismo, etc. Ora, quem não quer viver num mundo melhor, em paz, em que o poder seja dividido eqüitativamente e não permaneça nas mãos de poucos arrogantes do Salão Oval? Por outro lado, se disseminam entre a população diversas ameaças, puras invencionices, como o perigo ambiental e o aquecimento global, a superpopulação, o anti-tabagismo histérico, as diferenças de renda entre pessoas e nações, a fome e/ou obesidade, etc. É preciso manter a população em permanente alerta aos inúmeros “riscos”, preparando-a para engolir a amarga pílula da “nova ordem mundial”, e do governo mundial que trará o “mundo melhor possível”, o orwelliano 1984 ou o admirável mundo novo sonhado por Aldous Huxley, ou o terrível mundo de H G Wells in The Shape of Things to Come.

Seguindo uma das normas básicas da desinformação – acuse os inimigos daquilo que você está fazendo -, disseminou-se a idéia fantasiosa de uma “globalização neoliberal” ou “consenso de Washington”, que não passa da livre circulação internacional de capital financeiro, sem pretensões de poder político. Enquanto isso, foi se formando uma verdadeira quinta internacional, a sucessora das anteriores, principalmente a terceira (comunista) que perdeu o fôlego, e a quarta (trotskista) que nunca decolou. Na opinião do sumo sacerdote do anti-americanismo, Noam Chomsky, “ela é a semente da primeira internacional ‘autêntica’, o sonho das esquerdas e das organizações de trabalhadores desde a origem dos tempos modernos”.

Diferentemente das anteriores, no entanto, esta internacional não tem interesses homogêneos de longo prazo. Os grupos que a compõem diferem em tudo numa parafernália que, vista de perto, é pura insanidade, pois junta inimigos tradicionais, como muçulmanos radicais e movimentos gays, partidos operários e grandes financistas! Mas são unânimes nos ítens principais que os unem: o anti-americanismo e anti-sionismo radicais, o anti-liberalismo, a anti-democracia, o ataque às religiões judaico-cristãs, a liberação das drogas e do aborto, os movimentos ecológicos anti-capitalistas, etc. Sendo impossível listar todos os componentes, limitar-me-ei aos principais focos, deixando claro que todos se interpenetram numa rede mundial.

O FORUM SOCIAL MUNDIAL

O FSM, que reúne as mais variadas organizações esquerdistas, junto com uma fauna – e flora, pois abundam as ervas e papoulas – de jovens drogados, índios, desocupados em geral, que serve apenas para mascarar o que a cúpula realmente trata en petit comité: a coordenação de todos os movimentos comunistas mundiais que se dissimulam atrás da palavra social, para atrair aqueles que ainda sentem alguma ojeriza pela verdadeira, comunista. A idéia do FSM surgiu após os violentos distúrbios organizados contra a realização do encontro da World Trade Organization em Seattle, em 1999. A idéia – bem sucedida – era unir as organizações que comandaram os distúrbios. Apresentado como uma reunião de pessoas interessadas em construir uma “sociedade planetária” centrada no ser humano, não passa de um encontro de líderes esquerdistas, partidos ainda comunistas, ONGs e ativistas anti-globalização neoliberal, grupos “pacifistas” anti-americanos, organizações guerrilheiras, muçulmanos radicais, feministas e grupos gays, todos interessados em unir suas forças contra os EUA por ser o baluarte da civilização ocidental. Na verdade, o FSM não tem força para coisa alguma, como reconheceu o autodenominado sociólogo Emir Sader: “Apesar de tudo não conseguimos evitar a guerra do Iraque. Parece que nem existimos!”

Para que possam valer alguma coisa é preciso – suprema ironia! – o auxílio do próprio inimigo: dividir a América, atraindo a quinta-coluna americana (ver Parte II). Para isto foi feito um bom uso dos resultados do logro chamado Perestroika. Entra em cena novamente Mikhail Gorbachëv. Quatro meses antes do “fracassado” golpe contra Gorbachëv, fundava-se em San Francisco, Califórnia, o Talmapas Institute, iniciativa de uma ONG denominada Global Security Project, uma entidade de cúpula de cidadãos americanos e soviéticos que, entre outras sandices, recomendava um sistema global de computadores como alternativa à Internet. Quando finalmente Gorbachëv vai morar lá o Talmapas Institute assume seu verdadeiro nome: Gorbachëv Foundation-USA. Não po
r coincidência, a geração que forjou Port Huron atinge posições de destaque e domina finalmente o Partido Democrata, a tal ponto que o veterano Senador Democrata pela Geórgia, Zell Miller ter trocado de Partido. Acusado pela esquerda, principalmente Carter, de traidor, respondeu com a frase de Ronald Reagan ao fazer o mesmo em 1962: “Eu não deixei o Partido Democrata; foi o Partido Democrata que me abandonou”. Referia-se à imensa esquerdização do Partido nas mãos dos ativistas anti-guerra do Vietnã.

O “SHADOW PARTY”

A esquerda do Partido Democrata prega, abertamente, o colapso da posição estratégica americana no mundo e a entrega da política externa e da defesa americanas a organismos “multilaterais” que sejam reconhecidos pela “comunidade internacional”. Quem assistiu aos debates Bush-Kerry lembra a ênfase de Kerry neste ponto, criticando o unilateralismo da decisão sobre a guerra do Iraque e o desrespeito às resoluções do Conselho de Segurança da ONU. A esquerda do Partido Democrata é verdadeiramente um ‘partido dentro do Partido’, ao qual vários comentadores políticos e jornalistas passaram a se referir como Shadow Party – um partido à sombra do Partido. É constituído por uma rede de grupos não lucrativos e não ligados abertamente ao Partido que levantam centenas de milhões de dólares para utilização na campanha presidencial. Conseqüentemente, a força motriz na luta política contra Bush foi um grupo de bilionários e milionários operando através das estruturas secretas do Shadow Party, fazendo uso de comitês que não precisam se registrar na Comissão Federal eleitoral nem divulgar a origem de seus fundos – por isto é chamado de soft money (dinheiro mole) por força da Secção 527 do Código do Internal Revenue Service (IRS), o equivalente americano à nossa Receita Federal.

A principal ‘sombra desta sombra’ é o indefectível George Soros, dono de uma fortuna de US$ 7 bilhões de dólares e disposto a encampar uma cruzada contra a re-eleição de Bush na qual investiu inicialmente US$ 18 milhões. As primeiras campanhas nas quais Soros usou o soft money já em 2000, foram duas de suas preferidas: o controle de armas e desarmamento civil com uma feroz campanha contra a National Rifle Association (NRA), e a legalização da maconha (estas campanhas terão algum ‘cheiro’ do Brasil atual?). A campanha contra Bush e, portanto o lançamento do Shadow Party, começou em 17 de julho de 2003 com a reunião de um grupo de estrategistas políticos, ricos doadores, líderes da esquerda operária e ativistas Democratas, grande número deles oriundos da administração Clinton, na casa de Soros em Southampton Beach, Long Island. Entre os participantes destaque para Peter Lewis, associado também na campanha da liberação da maconha, John Podesta, ex-Secretário de Clinton e Madeleine Allbright, ex-Secretária de Estado, idem.

Obviamente, John Kerry tentou se desvencilhar imediatamente de qualquer associação com Soros, ligado a interesses anti-americanos externos (ver adiante), mas o próprio Soros, por razões inconfessáveis, revelou ao USAToday que falou diversas vezes por telefone com Kerry quanto ambos estavam passando férias em mansões vizinhas em Sun Valley, Idaho (estranho ter sido só telefone com esta proximidade!) e que evitaram um encontro pessoal por causa das imprevisíveis repercussões’. No entanto, suas maiores doações anti-Bush foram para a MoveOn.org – onde trabalha Zach Exley, assessor de Kerry – e a American Coming Together (ACT) – onde está seu chefe de campanha no Arkansas, Rodney Shelton.

Tendo perdido a eleição o Shadow Party passou a utilizar outras táticas. Após três décadas de silêncio, no último Natal o ex-Senador e candidato presidencial Democrata derrotado, George McGovern, escreveu uma carta ao Los Angeles Times exigindo a rendição americana no Iraque e a volta dos militares para casa. A guinada à esquerda do Partido Democrata começou com sua campanha presidencial em 1972, cujo slogan era ‘American come home’, do Vietnã, claro. Praticamente todos os veteranos da luta contra a guerra do Vietnã estão unidos contra a guerra do Iraque. A Jane Fonda da vez – que justificava as ações comunistas como ‘libertação’ – é Michael Moore que afirma que Abu Musab al-Zarqawi está lutando para libertar o povo iraquiano da agressão americana.

 A ONU

Em setembro de 2000 reune-se na sede da ONU o que foi considerado o maior encontro de Chefes de Estado da história: o United Nation's Millennium Summit. Os líderes das nações representadas eram pressionados a assinar diversos tratados de aceitação global, incluindo o controvertido Estatuto de Roma que abre caminho para a Corte Penal Internacional, feito sob medida para condenar americanos e israelenses e o Protocolo de Kyoto, também sob medida para paralisar a indústria americana. “Coincidentemente” do outro lado da ilha de Manhattam, no New York Hilton Towers reúne-se o State of the World Forum, convocado por quem? Ora, quem disse Gorbachëv levou o prêmio! Nesse Fórum ele exigia um novo e mais amplo papel para a ONU. O Forum – um projeto iniciado em 1994 pela Gorbachëv Foundation-USA – busca o diálogo entre líderes mundiais, tanto dos governos como de setores da “sociedade civil organizada” (lembram qual o discurso aqui no Brasil?) na busca de um novo paradigma para a civilização no limiar do novo milênio. Este novo paradigma inclui uma expansão radical da ONU com maior força de coerção sobre os governos nacionais. No seu discurso de abertura ele disse: ‘Em 1998 eu falei de um novo papel para a ONU. Além do Conselho de Segurança, devemos ter um Conselho Econômico e um Conselho Ambiental, ambos com igual autoridade ao de Segurança’. Embora tendo negado que estava propondo o controle sobre a liberdade econômica, sugeria que ‘o Conselho Econômico deverá ter direito de desenvolver regras que previnam situações explosivas, pois o mercado capitalista mundial sem regras nítidas traz a falência das economias menores e a recessão’. Acrescentou que ‘no final, as corporações internacionais terão que aceitar este controle’, no que um observador questionou se isto não seria apenas a internacionalização da versão marxista de controle econômico.

O onipresente George Soros, na apr
esentação dos 500 participantes do Forum, disse que o mesmo era a quintessência da voz do globalismo enquanto criticava acerbamente as corporações e o Congresso Americano, controlado pelos Republicanos. No terceiro dia ficava claro que em todas as sessões cada orador abordava um novo ângulo da mesma idéia: a ONU deveria coordenar a governança global! Só assim haveria condições para assegurar os direitos humanos, mercados estáveis e direitos pessoais. Certamente algum mecanismo de força seria necessário para proteger os direitos de toda a Humanidade, obviamente, um exército planetário e transnacional. No principal Painel do Fórum – co-presidido por John Sweeney, Presidente da central sindical esquerdista americana AFL-CIO, Soros e Gorbachëv – foi proposto um novo globalismo bom em oposição àquele do “consenso de Washington”, que trouxe desigualdade entre as nações e violação dos direitos humanos. O Painel propôs, entre outras coisas, que os empréstimos do FMI fossem dirigidos diretamente a indivíduos e Ongs, sem necessidade de garantias nacionais o que certamente desnacionalizaria o capital, num primeiro passo para a inexorável abolição dos Estados Nacionais. Pregava-se ainda, a criação de um imposto sobre a circulação de capital.

AS ONGS

Cada vez mais as ONGs vão se tornando o maior lobby dentro da ONU. Calcula-se em 1.000 ONGs financiadas por Fundações americanas e européias defendendo a agenda estabelecida naquele Fórum de potencialização da ONU e contra a soberania americana. Incluem-se aqui, principalmente, as ONGs que exigem o desarmamento da população civil, pois um povo armado até os dentes como o americano não é fácil de dominar. Os grandes promotores do governo mundial são preponderantemente grandes corporações e universidades, think tanks e Fundações isentas de impostos – entre as principais estão o Council on Foreign Relations (CFR), a Trilateral Commission (TC), o Bilderberg Group (BG), e o Committee for Economic Development (CED). O padrão geralmente seguido pela ONU para aumentar seu poder é, mais uma vez, uma estratégia de pinça ou tesoura: por “baixo”, congressos, fóruns, manifestações de rua organizadas por estas ONGs para convencer a maioria da população mundial de que expressam um “consenso da comunidade internacional”; por “cima”, líderes corporativos, políticos e diplomatas que “apenas” respondem aos clamores de tal vontade da “sociedade civil organizada”.

Porém, mais uma vez sem a cooperação de líderes americanos que desejam impor esta nova ordem mundial contra seu próprio País, nada seria possível. E é aí que entra o papel da esquerda do Partido Democrata e a proposta de leis que atentam contra o Bill of Rights, centradas contra a Segunda Emenda – principalmente a liberdade do estabelecimento de uma milícia armada e do porte de armas – e, de maneira cínica, aparentemente defendendo a Primeira – mormente a de não legislar sobre assuntos religiosos. Baseados nisto surgem os movimentos ateístas e pagãos que acionam os governos locais e o federal por qualquer coisa que se refira a símbolos ou crenças judaico-cristãs, o seu maior inimigo. Compare-se com a seguinte frase de Gorbachëv, em 15/12/1987 (já em pleno processo de Perestroika): “Não pode existir trégua na luta contra a religião porque, enquanto ela existir, o comunismo não prevalecerá. Devemos intensificar a destruição de todas as religiões aonde for que elas sejam praticadas ou ensinadas”.

Nesta luta contam com outra quinta-coluna: a religiosa, infiltrada nas Igrejas americanas – tal como a Teologia da Libertação por aqui – através do National Council of Churches (NCC). Seu Secretário Geral, Rev. Robert Edgar, logo após a re-eleição de Bush, proferiu: ‘Esta eleição confirmou que esta é mesmo uma nação dividida, não apenas politicamente, mas em termos de nossa interpretação da vontade de Deus’. Seu Programa de Combate ao Racismo (PCR) é uma das maiores fontes de financiamento para os movimentos guerrilheiros comunistas do terceiro mundo. Um exemplo da atitude do NCC em relação à América Latina é a do Bispo Metodista James Armstrong, após uma visita a Cuba em 1977: ‘Há uma diferença significativa entre situações aonde as pessoas são aprisionadas por se oporem a regimes que perpetuam a desigualdade social, como no Chile e no Brasil p. ex., e aquela nas quais são aprisionadas por se opor a um regime que se propõe eliminar as desigualdades, como em Cuba’, argumento que passou a valer para todas as esquerdas e ainda hoje leva à execração dos militares chilenos, brasileiros, argentinos e uruguaios, simultaneamente com o enaltecimento de Fidel Castro. A campanha do NCC para apoiar os ambientalistas que pretendem liquidar a indústria americana levou o nome ridículo de “O que Jesus gostaria de dirigir?” (What Jesus would drive?), levada a cabo através do Evangelical Environmental Network (EEN), que defende que os problemas ambientais são primariamente espirituais – contra o planeta que Deus nos deu.

OS PAÍSES INIMIGOS E OS PAÍSES AMIGOS DOS INIMIGOS

A lista dos inimigos é sobejamente conhecida. Todo o mundo islâmico e a maioria dos países africanos, os países com pretensões hegemônicas como Rússia e China, os regimes de esquerda da América Latina. (Não abordarei estes últimos, recomendando aos leitores uma visita ao blog NOTALATINA, onde notícias e análises acuradas são apresentadas). Mas nem América Latina, nem África nem os sheiks têm poder suficiente para fazer frente ao imenso poderio militar americano e à sua vantagem tecnológica. Além da quinta-coluna americana, é fundamental a ajuda dos pseudo-aliados da Velha Europa! A Europa do apaziguamento, da “acomodação”, que apóia terroristas no Oriente Médio, considerando-os “combatentes da liberdade”, enquanto amealha grandes lucros armando-os.

Depois que secou a torneira da ajuda soviética ao Iraque, Saddam apelou para o pseudo aliado mais hipócrita dos EUA: a França, que desde Napoleão não ganha uma batalha sequer, tendo sido invadida à vontade pelos alemães sempre que estes quiseram. Atualmente, em pleno “Quarto Reich” – o econômico – a França rendeu-se mais uma vez, com aparência de vitória, ao Euro, a moeda que substituiu o Marco no Banco Central alemão, carregando consigo toda a velha Europa, já quase uma Eurábia, de tão invadida pelos muçulmanos. A figura central da aliança é o Presidente Jaques Chirac, supostamente de “direita&rdq
uo;, no país que inventou este eufemismo. Suas relações com Saddam datam de 1975 quando, como Primeiro Ministro, recebeu Saddam, então Vice-Presidente do Iraque, saudando-o como “um amigo pessoal”. Apesar do embargo determinado pela ONU, a França continuou vendendo peças de reposição para os Mirage F1 e helicópteros de ataque Gazelle. Segundo o Representante Republicana pela Pennsilvania, Curt Weldon, Vice-Presidente do Comitê das Forças Armadas, “a França, infelizmente, está se tornando menos confiável do que a Rússia, por transferir peças e tecnologia para Saddam”. Além disto, a França transferiu tecnologia nuclear para a construção e operação dos dois reatores nucleares de Bagdad. Saddam também adquiriu, durante o embargo da ONU, entre 650.000 e 1 milhão de toneladas de equipamento militar convencional. Os maiores fornecedores foram França, Rússia e China.

Sabendo disto, o que poucos tomam conhecimento, é enojante ver as manobras hipócritas, mentirosas e irônicas dos representantes destes países no Conselho de Segurança da ONU que votou contra a guerra do Iraque! Some-se a isto o escândalo “oil for food”, com participação do filho (só do filho?) do Secretário Geral Kofi Annan. O que confirma a conclusão de Fred Gedrich. Após extenso estudo estatístico sobre as votações da Assembléia Geral da ONU, quase unanimemente anti-americana, concluiu que a ONU “é uma instituição moralmente corrupta e falida, porque serve como santuário para as forças mais sinistras do mundo”. Por que raios os EUA deveriam entregar os destinos de sua política externa e de defesa à ela? Mas a ONU não é obrigada a defender os EUA, nem a Rússia que só deixou de ser comunista no papel – e volta à antiga política soviética, apoiando e ajudando o programa nuclear do Irã -, nem a China, jamais se declaram aliadas dos EUA nem nunca foram por eles salvas da humilhação da invasão germânica. A França hipócrita, covarde, ingrata é traidora sim!

Ou os EUA evoluem nas suas avaliações estratégicas – inclusive escolhendo melhores amigos – ou a divisão concreta da América é só questão de tempo. 2002 foi uma chance de respirar, mas e em 2006? Voltará a quinta coluna com Hillary Clinton? Teria sido 2002 apenas aquela “visita da “saúde” dos pacientes moribundos? O que virá: guerra civil ou o caos de Weimar?

Notas:

Bibliografia válida para as três partes deste artigo:

 Anatoly Golitisyn, New Lies for Old, Clarion House, Atlanta, Ga, USA, 1984.

                          The Perestroika Deception, Edward Harle, London & NY, 1990.

Berit Kjos, Brave New Schools, Harvest House, 1982

Bill Gertz, Treachery: How American’s Friends an Foes are Secretly Arming our Enemies.

Coletânea de artigos sobre a Nova Ordem Mundial:

The McGovern Syndrome. & Richard Poe, The Shadow Party, Part I,II,III,   (part I, com links para as outras duas)

Fred Gedrich, UN General Assembly Voting Habits.

Greg Yardley, The Fifth International, FrontPageMagazine.com, June 26, 2003.

Henry Broder, Europe, thy Name is Cowardice, Welt am Sonntag, comentado por

Mathias Dapfner CEO, Axel Springer.

Hilton Kramer, The Twilight of the Intellectuals: Culture and Politics in the Era of Cold War, Ivan R Dee, Chicago, 1999.

Jacob Laskin, The Church of the Latter-Day Leftists.

Mona Charen, Useful Idiots: how Liberals got it wrong in the Cold War and still Blame America first, Regnery Publ., Washington, DC, 2003.

Olavo de Carvalho, Porões Lacrados.

Port Huron Statement of the Students for a Democratic Society, 1962, Courtesy Office of Sen Tom Hayden.

Rachel Ehrenfeld & Shawn Macomber, The Soros-Kerry Nexus.

Robert H Bork, Slouching Towards Gomorrah: Modern Liberalism and American Decline, Regan Books, NY, 1996.

Stephen Koch, Double Lives: Spies and Writers in the Secret Soviet War against the West, The Free Press, NY, 1994.

The Vicious Global Intelligence War Leading to Universal Chaos, Soviet Analyst, vol 28, 7-8.

The State of the World Forum and the United Nations Millennium Summit, reportagem de Mary Jo Anderson.   

Who is John Kerry?, American Conservative Union (ACU), 2004.

William Jasper, The United Nations Exposed, recomenda-se a leitura de excelente  síntese do livro por Thomas R. Eddlem.

Sobre o assunto leia também: A América dividida  I e II – True Lies I e II – Este é John Kerry.

MIDIA SEM MÁSCARA informa antes e melhor!

Com relação às notícias ontem veiculadas, de que o Presidente Lula assinou decreto criando um “corredor de proteção ambiental” ao longo da margem esquerda da estrada Cuiabá-Santarém, como se fosse grande novidade, produto de uma reunião ministerial de horas a fio, Mídia Sem Máscara já havia publicado um artigo de minha autoria, em 7 de julho de 2003, Lendas e Mistérios da Amazônia em que se mostra que isto estava previsto por fazer parte de um plano antigo de entrega da Amazônia às ONGS internacionais. Podemos, pois, provar que é mentira o tom de improvisação e até mesmo imaginar a quem interessou o assassinato da freirinha comunista. Segue abaixo trecho daquele artigo:

A “comunidade internacional” – nunca se define bem o que é isto mas é a mesma que se opõe a toda e qualquer política externa do Governo Bush – deverá dar início a uma campanha visando criar um corredor ambiental no sentido Leste-Oeste, em Mato Grosso. O objetivo é de uma “nobreza” exemplar: a preservação ambiental. Segundo o botânico Ghillian Prance, do Royal Botanical Garden – uma das ONGs comandadas direta ou indiretamente pelo Príncipe Charles -, um dos maiores especialistas mundiais em plantas tropicais, a proposta dessa tal comunidade prevê a implantação do corredor ambiental, ao longo de uma das grandes estradas, como a Cuiabá-Santarém. Atualmente, a principal estratégia de preservação da biodiversidade, supostamente para o Brasil, é a da criação de corredores ecológicos entre unidades de conservação, isto é, a mesma estratégia adotada pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) que assinou, em 10/06/2003, um acordo com uma ONG alemã, “extremamente bondosa” que se dedica à preservação dos ambientes naturais. Outra fonte de financiamento é a ONG Conservation International (CI), diretamente envolvida com o estabelecimento de um desses corredores oficiais – o corredor Cerrado-Pantanal. A CI adquiriu, em 1999, uma fazenda de ecoturismo de 50 mil hectares, que estava sendo desativada na região do rio Negro, no Pantanal. Tudo somado, já teriam assegurado a preservação de 200 mil hectares.

Em 4 de agosto de 2004, em novo artigo em Mídia Sem Máscara, Amazônia: a Doação Anunciada”, volto a denunciar o mesmo quando me referi ao “Projeto de Lei Prevê Privatização da Amazônia”. Portanto, aos cidadãos civis e militares que vivem anunciando a “internacionalização da Amazônia” por intenções malévolas dos Estados Unidos, perguntamos: onde está o verdadeiro inimigo contra a integridade territorial brasileira? Na Casa Branca ou no Planalto?

Auschwitz

The same day I saw my first horror camp, I visited every nook and cranny. I felt it my duty to be in a position from then on to testify about these things in case there ever grew up at home the belief or assumption that the stories of Nazi brutality were just propaganda."

General Dwight D. Eisenhower

 

 

"" 

 Prisioneiros libertados do campo de concentração de Auschwitz (Liberation Chronicle, 1945).

 

 

 

 

 

 

 

No dia 27 de Janeiro de 2005 comemorou-se os 60 anos da libertação do Campo de Concentração de Auschwitz-Birkenau. Nesse dia, em 1945, soldados do 60o Exército do Primeiro Front Ucraniano, comandados pelo Marechal Ivan Koniev, chegaram a Oświęcim (nome germanizado para Auschwitz), Polônia, e após perda de 230 soldados liberaram a cidade e os arredores, onde ficavam os campos. Poucos prisioneiros restavam; somente aqueles que não conseguiam caminhar – velhos, doentes. Os demais, aproximadamente 56.000 tinham sido levados em marcha batida, em pleno inverno, entre 17 e 21 de janeiro, no que ficou conhecido como a Marcha da Morte, para outros campos no interior do III Reich (ver rotas abaixo). Inúmeros morreram de frio, cansaço, inanição ou doenças. Na ânsia de esconder vestígios e testemunhos das atrocidades ali cometidas, as autoridades dos campos, além da evacuação, queimaram documentos e dinamitaram algumas instalações (ver abaixo). Mas não deu tempo para queimar todas as pistas, pois o avanço soviético foi muito rápido.

 ""
 A Marcha da Morte: Rotas de evacuação de Auschwitz

 

"" 

Câmaras de gás e Crematório de Birkenau dinamitados em Janeiro de 45. As ruínas do crematório II  ainda estão visíveis nesta foto tirada logo após a liberação.

O complexo de campos – Auschwitz I, Auschwitz II-Birkenau, Auschwitz III-Monovitz e mais de quarenta sub-campos – entrou em operação em maio de 1940 sob o comando de Rudolf Höess, mais de um ano antes dos nazistas iniciarem a Endlösung der Judenfrage, a Solução Final da Questão Judaica na Europa. Foi o maior de todos e o que apresenta os números mais impressionantes. No início serviu para aprisionar a elite intelectual, social e religiosa da Polônia, cientistas, líderes políticos e da inteligência considerada extremamente perigosa, e destinada à deportação para campos no interior da Alemanha. Em 1941 ocorreu a primeira expansão com a chegada de tchecos, iugoslavos e prisioneiros de guerra soviéticos, como também franceses, bielo-russos e ucranianos. Em princípio de 1942 o campo foi incluído no planejamento da “Solução Final”, tornando-se um centro de extermínio predominantemente de judeus. Os cálculos de gazeados e cremados entre 1940-45 oscila entre 1.300.000 e 1.600.000. Os judeus, somando em torno de 1.100.000 foram 85% dos deportados e 90% das vítimas. Some-se a estes mais 150.000 poloneses, 23.000 ciganos, 15.000 prisioneiros de guerra soviéticos e 10.000 de outras nacionalidades [1].

 * * *

Mas este não pretende ser apenas mais um artigo anti-nazista para comprovar quão malvados eram. Dou por líquido e certo que sua crueldade assassina já está exaustivamente demonstrada e não tenho a mínima paciência para discutir idiotices delirantes dos “negadores do Holocausto”. O termo “revisionismo histórico” não se aplica aqui, pois revisar a história, acrescentando novos fatos ou corrigindo outros, é um processo historiográfico legítimo, enquanto a negativa do Holocausto é simplesmente fraude! Seria como chamar o Homem de Piltdown de revisionismo antropológico e não de fraude montada para enganar propositadamente os pesquisadores sérios. Eisenhower já previra a tentativa de fraudar a história, como vimos na epígrafe. O nazismo foi uma parte de um problema – o anti-semitismo – que não começou nem terminou ali. Sem dúvida foi a pior – nunca antes houvera uma matança com aquelas proporções e baseada em planejamento tão preciso.

Já se disse que os judeus, em se considerando o povo eleito, despertam a inveja e a cobiça de muitos e o que os nazistas fizeram foi tentar roubar esta idéia [2] para uma suposta raça superior a que pertenceriam os germânicos – a “raça” ariana –, cuja existência não passa de fruto de fantasias megalomaníacas de Gobineau, Houston Stewart Chamberlain, Alfred Rosenberg e outros. Mas enquanto os judeus têm fé no que representam e, portanto não precisam matar ninguém para se assegurarem, os nazistas, para dar credibilidade perante si mesmos, precisavam exterminar todos os judeus, pois um que sobrasse seria a denúncia da mentira.

Creio que o 60o aniversário da libertação do maior campo de morticínio da história da Humanidade, exige uma reflexão mais ampla e profunda que supere as velhas desculpas projetivas que encontram culpados e absolvem quem os descobre. Esta é uma atitude tipicamente comuno-nazista, mesmo quando empregada “contra” os nazistas ou comunistas.

O anti-semitismo europeu é uma realidade de séculos, particularmente entre os alemães. É impossível admitir que o sumiço de seis milhões de pessoas passasse desapercebido do restante da população sem que esta fosse, em algum grau, cúmplice. Pôr a culpa só nos nazistas alegando nada ter tido com isto foi obviamente uma mentira deslavada do povo alemão, que se locupletou com o morticínio tomando posses, negócios e propriedades dos desaparecidos e principalmente satisfazendo seu ancestral anti-semitismo. Por isto se calavam [3]. Sabe-se também que o processo de nazificação da Alemanh
a só teve êxito porque tornou a filiação ao Partido – e principalmente às SS – fator importantíssimo de ascensão social [4], praticamente fechando qualquer outro caminho. Quem não pertencia ao Partido era um paria.

 * * *

A URSS saiu da guerra como heroína na luta contra o nazi-fascismo por uma magistral obra de desinformação dos magos da propaganda de Stalin. Menos de vinte anos depois de uma humilhante derrota na Primeira Guerra e das pesadas obrigações do Tratado de Versailles, a Alemanha estava re-armada até os dentes, sendo capaz de conquistar quase toda a Europa. Milagre? Não, depois da abertura dos arquivos de Moscou, na década de 90, sabe-se que foi Lenin e depois Stalin que armaram a Alemanha secretamente e ajudaram o intenso treinamento das tropas do Reichswher em terras soviéticas, sem que o Ocidente percebesse [5]. Stalin particularmente acreditava que a Alemanha serviria como um escudo protetor da URSS e ponta de lança no assalto às democracias ocidentais, odiadas inimigas de todos os ditadores. As conversações se iniciaram logo após a assinatura do Tratado de Versailles, através de Karl Radek, membro do Comitê Central do Partido Comunista Alemão e do Comitê Executivo do Komintern, então aprisionado na Alemanha por ter organizado manifestações da Spartakus Bund, liga auxiliar do PCA. O programa de cooperação era extremamente vasto (op. cit., cap. 4). Descobriu-se também que a GESTAPO foi estruturada segundo o modelo da GPU soviética e que seu chefe, Heinrich Müller, reportava-se diretamente aos serviços secretos soviéticos [6]. O Pacto Germano-Soviético de 1939 não foi, portanto, como afirmam até hoje os comunistas, uma medida meramente defensiva de Stalin: foi o resultado de uma antiga cooperação entre duas ditaduras igualmente sanguinárias, que resultou na prisão e morte dos opositores das duas e na partilha da Polônia, acertada em Protocolo secreto.

 * * *

Se as mãos comunistas estão sujas de sangue, inclusive judeu, as ocidentais não estão mais limpas, principalmente as das grandes corporações americanas que começaram a se formar no início do século passado. Três fatores foram importantes naqueles tempos.

O primeiro foi que na última década do século XIX Theodor Herzl, identificando a questão judaica como uma questão nacional e não apenas cultural ou religiosa, funda o Movimento Sionista, de retorno dos judeus às terras ancestrais. Com sua morte em 1904 assume a direção do movimento Chaim Weizmann. O segundo fator foi a crescente demanda por petróleo com o desenvolvimento dos motores de combustão interna e os primórdios da indústria automobilística, e a descoberta do viscoso líquido no Golfo Pérsico. John D Rockfeller, através de práticas não muito elogiáveis, tornara-se virtualmente monopolista nos EUA com 64% da produção e distribuição, até que a Suprema Corte, baseada na lei anti-trust sancionada por Theodore Roosevelt, acabou o monopólio e instantaneamente surgiram 37 novas empresas, todas ávidas por produzir e, principalmente, prospectar em áreas prováveis. O terceiro fator foi o clima generalizado de conflagração que tomou conta da Europa nestas primeiras décadas.

Os três fatores se juntaram no Oriente Médio com outro: o crescente nacionalismo árabe sufocado pelo Império Otomano e que explodiu como gasolina durante a guerra. Desde o início do conflito tanto a Inglaterra quando a Alemanha tentaram ganhar a simpatia das lideranças árabes e sionistas. Os planos alemães foram frustrados por seu aliado Otomano que não tinha a mínima intenção de aceitar a independência. O Sherifado de Hidjaz, na península arábica, foi alvo dos alemães e depois dos britânicos através do Coronel T E Lawrence (o Lawrence da Arábia), que conquistou a simpatia – e dizem que muito mais – do Sheriff Husayn ibn Ali, inflando sua sede de independência. Firmou-se em 1915 o Tratado McMahon-Husayn que garantia a independência dos territórios árabes desde que estes se aliassem à Inglaterra contra os turcos. Mas em 1916 britânicos e franceses firmam secretamente o Tratado Sykes-Picot onde previam a divisão do Oriente Médio em áreas controladas diretamente por cada um dos dois países, áreas de influência, e mandato misto na Palestina, não deixando a menor chance de independência árabe. Em 2 de novembro de 1917 os sionistas conseguem a primeira grande vitória: Lord Balfour consegue do Rei Jorge V a Declaração Balfour [7]. Na Conferência de Paz de Paris, em 1919, ocorre o primeiro encontro entre uma liderança sionista e uma árabe. Weizmann se reúne com o Emir Faisal ibn al Hussein, sucessor de Husayn e firmam o Tratado Weizmann-Faisal no qual é reconhecida a ascendência comum e a necessidade dos dois povos viverem em paz. Faisal, com muita clarividência, condicionou o Tratado ao cumprimento por parte dos britânicos do Tratado McMahon-Huseyn, o que já estava previsto que nunca aconteceria pelo Sykes-Picot. Assim, a primeira grande chance de entendimento entre árabes e judeus foi perdida pela traição britânico-gaulesa. Quando, no ano seguinte, a Liga das Nações concede o Mandato para a formação de um Estado Judeu na Palestina, os ingleses logo disseram que a Declaração Balfour não era bem assim e a re-interpretaram. O impedimento da livre emigração judaica fracionou o Movimento Sionista, levando à saída de Ze’ev Jabotinsky em 1925.

 * * *

É preciso ter em mente que, com exceção das ditaduras, inexiste o tal “interesse nacional”, mas sim diversos interesses dentro de uma mesma nação, cuja resultante dá um rumo numa certa direção. Existem os interesses das corporações, do governo, religiosos, etc. Nas monarquias os interesses próprios das famílias reinantes nem sempre convergem com as linhas de fronteira nacional onde reinam [8]. O problema é quando algum desses interesses é tão conflitante com os demais que não pode vir à luz: torna-se secreto, e seus defensores passam a se valer dos legítimos aparelhos do Estado para seus próprios interesses.

É aí que entram em cena três sinistros personagens, verdadeiramente um “trio das Arábias”! [9] O primeiro chamava-se Harry St. John Bridger Philby, ou Jack Philby, pai do mais famoso “Kim” Philby, mais tarde descoberto como espião soviético no Serviço Secreto Inglês. Pois saíra ao pai! Demitido do serviço civil britânico por conduta sexual imprópria – chegou a estuprar a mãe de Kim, que seria produto deste estupro – conseguiu ser recrutado pelo Serviço Secreto Exterior, MI6, e mandado para o OM estabelecer uma rede de espionagem. Porém, seu rancor pela Inglaterra só rivalizava com seu fanático anti-semitismo. Chama
va a Declaração Balfour de “sórdida traição”. No que encontrou eco em T E Lawrence quando foi enviado ao OM em 1917 para uma missão secundária junto a um terrorista e assassino da radical seita Wahabbita, Abdul-Aziz ibn Abdul-Rahman Al Saud, ou ibn Saud, o segundo personagem do trio. Em 1921 Philby é demitido do MI6 por seu arabismo extremado e violento anti-semitismo, mas Lawrence o salva conseguindo um posto em Amman, na Transjordânia, onde reinava Abdullah, filho de Hussein, assim como o pai, aliado dos ingleses e razoavelmente favorável à instalação da pátria judaica. Philby finge assessorar Abdullah mas trabalha secretamente para ibn Saud que queria destronar Hussein em Meca e tomar o trono. Em Amman vem a conhecer seu correspondente no Serviço Secreto americano e terceiro elemento do trio, Allen Dulles. Dulles era ambivalente em relação aos judeus, mas Philby o convence de que uma pátria sionista seria contrária aos interesses ocidentais. Ambos ajudam ibn Saud, que em 1925 finalmente toma Meca e exila Hussein para Amman. Estava terminada a tradicional dinastia Hachemita que reinava sobre a Península Arábica desde o século XIII e fundada a Arábia Saudita (de Saud). Philby e Dulles tiveram uma enorme ascendência sobre ibn Saud, recém saído da vida nômade, semi-analfabeto e ignorante do mundo dos grandes negócios.

E é aqui que os interesses do trio se unem com o dos grandes negócios: a prospecção de petróleo na Arábia Saudita. O trio consegue uma concessão para a Standard Oil of Califórnia (SOCAL), controladora da Gulf Oil, contrariando interesses britânicos. Não cabe neste artigo descrever todas as tramas que se seguiram; basta dizer que os irmãos Dulles, Allen e John Foster – mais tarde todo poderoso Secretário de Estado de Eisenhower – eram os advogados dos Rockfeller. Na década de 30, com a Grande Depressão, o capital americano do qual Rockfeller e Averel Harriman eram grandes investidores, passou a migrar para onde havia mais lucro: a Alemanha em plena reconstrução, através do Grupo Thyssen. Dulles estabelece uma rede finenceira que abarca os donos do petróleo americanos, a Arábia Saudita e os grupos que armavam os nazistas, principalmente Thyssen e I G Farben, onde futuramente se fabricou o Zyklon-B, gás usado nas câmaras de gás dos campos de concentração, baseado numa fórmula originalmente desenvolvida pela própria Standard Oil para fabricação de borracha sintética. Durante a guerra, a Standard Oil chegou a chantagear os Aliados com a redução do fornecimento e subiu astronomicamente seus preços.

O início da II Guerra Mundial veio encontrar Allen Dulles novamente operando no Serviço Secreto americano, o Office of Strategic Services (OSS), precursor da CIA, que veio a ser montada e dirigida por ele com a colaboração de agentes nazistas retirados da Alemanha no final da guerra. Muitas outras conexões existiram e podem ser encontradas nas fontes recomendadas.  

* * *

Finalmente, a conexão árabe através do Mufti de Jerusalém, al-Huseinni, já foi devidamente explorada em outro artigo, Islã: a Conexão Nazista, ao qual remeto os leitores.

* * *

As responsabilidades pelos horrores de Auschwitz, portanto, constituem uma trama de interesses escusos internacionais. Muitos outros poderiam ser mostrados, mas não posso deixar de falar sobre o mais comum, do qual poucos escapam: a indiferença! A indiferença mata tanto quanto a mão que empunha a arma. Temo que o virulento anti-sionismo atual venha a causar novos morticínios, muito embora, demonstrando que Herzl estava absolutamente certo, hoje os judeus têm uma pátria: o Estado de Israel. Espero, como vi escrito em Dachau, que NUNCA MAIS!

Notas:

http://www.auschwitz-muzeum.oswiecim.pl/html/eng/historia_KL/liczba_narodowosc_piper_roads.html

Nina Levin apresenta estatísticas globais algo conflitantes entre si que vale a pena ler, porém em todas o total de judeus mortos na Polônia como um todo gira em torno de 3.000.000. The Holocaust, Schocken Books, NY, 1968

www.wzusman.com

 

[4] Cf. Herbert F. Ziegler, Nazy Germany’s New Aristocracy: The SS Leadership, Princeton University Press, 1989, Michael Kater, The Nazy Party: a Social Profile of Members and Leaders, 1919-1945, Blackwell, London, 1983 e John M. Steiner, Power Politics and Social Change in National Socialist Germany, Mouton Publ., The Hague/Paris, 1983

 

[6] Rabino Marvins S. Antelman, To Eliminate the Opiate, vol. 2, Zionist Book Club, Jerusalem, 2002

http://www.john-loftus.com.

A América dividida – Parte II

Primeiro tomaremos o Leste da Europa, depois,as massas da Ásia. Então, cercaremos a América,última fortaleza do capitalismo. Nem precisaremosatacar. Ela cairá no nosso colo como uma fruta podre. 

Vladimir Ilyitch Lenin

Inicio com uma reflexão e uma hipótese. Estamos tão acostumados à visão marxista da história que, mesmo os que não aceitam explicitamente seus demais postulados, tendem a utilizar seu método de análise histórica – o materialismo histórico – a primazia das ‘condições materiais de existência’ como determinantes das superestruturas morais e religiosas. Estudando a Guerra Civil Americana, cada vez eu me convencia mais de que as razões econômicas eram absolutamente secundárias. O que houve na América, naquele período, era muito mais uma profunda divisão moral e religiosa acerca principalmente da escravidão, às quais se acrescentaram razões econômicas como superestrutura que ameaçavam o País de uma ruptura radical: a Secessão. Já no seu discurso de posse em 1861, Abraham Lincoln dizia:

In your hands, my dissatisfied fellow countrymen, and not in mine, is the momentous issue of civil war. The government will not assail youYou have no oath registered in Heaven to destroy the government, while I shall have the most solemn one to ‘preserve, protect and defend’ it.

Lincoln seguia piamente as palavras constitucionais de seu juramento, dizendo-se Presidente de one Nation, under God, indivisible, hoje, a parte mais atacada do Pledge of Allegiance.

Sugiro como hipótese que a Guerra Civil Americana estava entre os assuntos estudados mais a fundo pelos elaboradores da Grande Estratégia comunista, chegando à conclusão de que os EUA só se dividem por problemas morais e/ou religiosos. Os comunistas abandonaram o materialismo histórico há muito – só em alguns países do Ocidente ainda se acredita naquela xaropada. Tendo verificado que era impossível vencer militar ou economicamente os EUA, só havia este meio demorado, mas eficaz: desmoralizar e destruir por dentro o american way of life, a moral e a religião que são a argamassa que mantém aquele País unido.

***

A mais importante tarefa foi a de desmoralizar o anti-comunismo como anacronismo reacionário e obstáculo à re-estruturação mundial – leia-se governo mundial – e à paz. Foram utilizados jornalistas regiamente pagos, como Wilfred Burchett que fazia reportagens contra a ação americana no Vietnã e exaltava a ‘maior cultura’ dos vietnamitas que estavam apenas ‘defendendo sua pátria’ da agressão americana – como já havia feito na Guerra da Coréia. A fuga de seu agente controlador Yuri Vassilievitch Krotkov, cujo codinome era George Kalin, para a Inglaterra em 1963, revelou ao mundo sua ação de subverter jornalistas ocidentais e trair diplomatas ocidentais em Berlim, desde 1946. A abertura dos arquivos de Moscou confirmou e como se não bastasse, a viúva de Burchett recebeu a comenda ‘Ordem da Amizade’ da Coréia do Norte.

Outra frente, que vou apenas citar de passagem aqui, era conseguir isolar os EUA dos seus tradicionais aliados europeus e mostrar os EUA, com seu anacronismo anticomunista, e não a URSS, como a maior causa da instabilidade internacional e a principal ameaça à paz mundial ou, ao menos, despertar a cínica tendência de não ver diferenças fundamentais entre os dois regimes. Para isto foram utilizados diversos “agentes de influência” como, p. ex., outro jornalista, Pierre-Charles Path que por duas décadas concentrou esforços em minar as relações franco-americanas. Mas ele foi apenas um entre muitos que influenciaram até mesmo De Gaulle a retirar a França da participação militar na OTAN. Quem quer que tenha vivido as décadas de 70 a 90 deve ter ouvido sempre os mesmos argumentos quando alguém criticava o comunismo: está bem, mas ninguém é anjo, o capitalismo também tem seus pontos negativos – ou então, que os americanos também apoiavam regimes ditatoriais –, ou foram os americanos que jogaram as duas únicas bombas atômicas da história –, ou os americanos só pensam nos seus próprios interesses. Coisas óbvias, ainda hoje ouvidas em quaisquer reuniões de bem-falantes, mas cuja intenção não era óbvia. Inseminaram-se por via subliminar, de maneira a fazer com que a pessoa achasse que estava ‘olhando com seus próprios olhos’ ou sendo original. Nada disto: desinformatsiya pura!

As sementes para a futura campanha contra a guerra do Vietnã foram lançadas durante a campanha presidencial de Henry Wallace, candidato do Partido Progressista em 1948, que afastou do Partido Democrata a esquerda anti-americana. Esta mesma esquerda constituída de idiotas úteis e agentes diretos mencionada na primeira parte, obra brilhante de Münzenberg, sob as ordens de Féliks Dzerjinsky (A história da infiltração no período entre-guerras merece um artigo à parte). Esta voltaria às suas fileiras durante a campanha do Vietnã.

Em junho de 1962 reuniram-se em Port Huron, Michigan, estudantes das mais diversas universidades americanas para formarem a Students for A Democratic Society (SDS), onde imperavam palavras de ordem que rejeitavam a América e sua cultura, negavam que a Guerra Fria era culpa da URSS – essencialmente pacífica pois precisava de tranqüilidade para desenvolver seu socialismo, um sistema mais humano que o capitalismo americano. Deste encontro resultou um manifesto baseado num texto elaborado por Tom Hayden – futuro Senador e futuro marido de Jane Fonda – (baseado nos escritos do sociólogo radical C. Wright Mills): o Port Huron Statement of the Students for a Democratic Society, o documento da New Left de maior circulação na década. Sua importância nunca foi devidamente avaliada mesmo nos EUA; aqui no Brasil, que eu saiba, é um ilustre desconhecido de nossas ‘elites intelectuais’.

Este documento é de enorme relevância para entendermos o que se passa até hoje nos EUA, pois foi ali que nasceu o movimento contra a guerra do Vietnã que dividiu a sociedade americana de maneira quase irreversível e lançou no opróbrio as Forças Armadas, e onde também foram lançadas as bases da moderna versão da New Age e do Governo Mundial, para os quais, a divisão da América é condição sine qua non (Ver parte III, a seguir). As grandes agitações universit&a
acute;rias do final da década tiveram aí sua origem. Neste mesmo ano ocorreu a primeira manifestação em Berkeley, Califórnia. Seria ingenuidade não perceber a ação da desinformatsiya para romper as hostes inimigas, evocando as piores suspeitas e pensamentos entre eles. É de se notar que o candidato à Presidência derrotado em 2004, John Kerry, tão logo deu baixa, uniu-se a estes movimentos, traindo sua condição de veterano de guerra.

Em 1968, Tom Hayden conseguiu tumultuar de tal maneira a Convenção do Partido Democrata que pôs por terra as chances de Hubert Humphrey, candidato do então Presidente Johnson e, como ele, a favor da continuação e aprofundamento da Guerra no Sudeste asiático. Nixon ganhou as eleições e já em 71 cancelou as convocações obrigatórias – drafts – que eram, na aparência, a principal reivindicação da juventude: o retorno às Forças Armadas voluntárias. Embora este ato tenha acalmado um pouco as manifestações, logo, logo a mentira apareceu: não era nada disto, era um movimento anti-americano mesmo! A vanguarda do movimento – entre os principais se encontravam novamente John Kerry, Tom Hayden e Jane Fonda – fundaram um “tribunal de crimes de guerra”, condenando o papel americano do Vietnã. Não foi coincidência que Bertrand Russel fundou o Tribunal Internacional com idêntica intenção.

Em 1972 os mesmos ativistas se uniram na campanha do mais radical esquerdista do Partido Democrata, George McGovern, derrotado pela reeleição de Nixon. McGovern defendia a supressão total de ajuda ao Vietnã do Sul e ao Camboja, abrindo caminho para a conquista comunista destes países, o que veio a ocorrer quando Nixon renunciou em 1975 em função do escândalo Watergate. Nixon e os defensores da guerra alertaram que a queda de qualquer um daqueles países acarretaria a queda de todos os demais – a famosa “teoria do dominó”, tão negada pelos esquerdistas – o que acarretaria um banho de sangue no Sudeste Asiático. A esquerda negava, dizendo que era uma mera desculpa para a agressão imperialista. Porém, foi exatamente o que aconteceu! Lembram Pol Pot e seus dois milhões de cambojanos barbaramente assassinados? Segundo David Horowitz: “o tempo provou que os ativistas contra a guerra (e ele tinha sido um deles) estavam trágica e catastroficamente errados, mas nunca tiveram a decência de admiti-lo”.

 O REFLUXO INESPERADO E A REAÇÃO

 

Uma democracia só pode tomar decisões inteligentes

sobre seu futuro se tiver uma clara percepção da

realidade, pois a intenção dos métodos ativos de

desinformação é exatamente distorcer esta realidade.

 

RICHARD H. SCHULTZ & ROY GODSON

DEZINFORMATSIYA: ACTIVE

MEASURES IN SOVIET STRATEGY.

A humilhação da falsa derrota no Vietnã não foi o suficiente. A eleição de Ronald Reagan em 1980 foi um revés violento. Com a restauração dos valores americanos tradicionais e a revitalização do papel das Forças Armadas, tornou-se mais difícil romper o pacto americano. Era preciso aprofundar a estratégia de acordo com as novas “condições objetivas”.

Embora tenha sido um dos mais importantes Presidentes da história dos EUA, a “era Reagan” foi cheia de falhas, principalmente em seguir a recomendação de Schultz & Godson, em epígrafe. Além de Reagan, estes anos foram marcados por outras duas fortes personalidades na luta contra o comunismo: Margareth Thatcher e o Papa João Paulo II. Apesar da excelente conjunção que este trio representava, havia um calcanhar de Aquiles: o excessivo triunfalismo que tomou conta da América e do Ocidente. Muito contribuiu também o charme de Mikhail e Raíssa Gorbachëva que encantou e iludiu ao menos a Reagan e Thatcher. Acreditou-se em tudo o que os soviéticos queriam que se acreditasse, não levando em conta que o próprio Gorbachëv anunciara em seu livro Perestroika, Novas Idéias para meu País e o Mundo, que a fonte ideológica da Perestroika era Lenin: “As obras de Lenin e seus ideais socialistas permaneceram conosco como fonte inesgotável de pensamento dialético criativo, riqueza teórica e sagacidade política (…) Voltar-se para Lenin estimulou grandemente o partido e a sociedade em sua busca de explicações e respostas às questões que surgiam”.

Poderia ter sido mais claro? Não seria de desconfiar que uma imensa farsa estava montada e se desenrolando aos olhos de quem os tivesse para enxergar? Mas não, a estratégia de Lenin sempre dera certo com o Ocidente desde que, perguntado pelo recém nomeado Diretor Geral da Tcheka, Féliks Dzerjinski sobre o que deveria ser dito aos ocidentais, Lenin respondera: “Diga sempre o que eles desejam ouvir!”. É o mesmo que a China continua fazendo hoje com o mesmo sucesso! Ao invés de um socialismo “humanizado”, agora é: “uma nação, dois sistemas”, a ratoeira montada pelo gato Deng para atrair os ratos (capitalistas ocidentais).

Mas outro fator contribuiu para que os olhos e ouvidos da América estivessem fechados: a também excessiva confiança de Reagan no liberalismo e na iniciativa privada. Em 4 de dezembro de 1981 emitiu a Ordem Executiva 12.333 [*] que revogava disposição anterior do National Security Act de 1947 [**], praticamente abrindo as portas para um certo grau de privatização dos serviços de operações secretas, de inteligência e “atividades especiais”. Proliferaram as empresas privadas de operações de inteligência e, obviamente, cada uma seguindo seus próprios interesses e não os dos EUA, criaram uma balbúrdia enorme nas operações de informação e da “clara percepção da realidade”. Foi muito fácil para os agentes do KGB prosseguirem com suas atividades secretas e a infiltração, principalmente na educação americana. Isto deveria servir para ficar claro que a iniciativa privada não é uma panacéia liberalóide aplicável aos serviços públicos, onde deve imperar a lealdade à Pátria e aos seus princípios, e não o lucro de mercado.

Em 1985, expressando claramente a exagerada confiança no “fim do comunismo” e na “vitória do liberalismo”, o Departamento de Estado autoriza a Carnegie Corporation negociar com a Academia Soviética de Ciências &ndas
h; um dos principais braços do KGB – a completa re-estruturação (Perestroika!) do currículo e das normas de educação americanas. Estava cumprido – ao menos no setor educacional – a verdadeira intenção da Perestroika: re-estruturar o Ocidente, não a Rússia.

Finalmente, para não estender demais esta parte, em 1990, já no governo Bush Sr – que havia fundado, juntamente com James Baker, Alvin Toffler e Edmund de Rothschild, um instituto para estudar novas formas de educação “global” – a Global Education Associates funda o Projeto Global 2000, no qual 16 ONGs e 4 agências da ONU estudam o estabelecimento do um “Diálogo Transcultural numa Perspectiva Holística; um Renascimento Espiritual; Desarmamento, Segurança Econômica e ambiental”. Todas elas, teses da New Age e do Governo Mundial!

Notas:

* Ver http://www.fas.org/irp/offdocs/eo12333.htm

2.7 CONTRACTING Agencies within the Intelligence Community are authorized to enter into contracts or arrangements for the provision of goods or services with private companies or institutions in the United States and need not reveal the sponsorship of such contracts or arrangements for authorized intelligence purposes.  Contracts or arrangements with academic institutions may be undertaken only with the consent of appropriate officials of the institution.

** Ver  http://www.state.gov/r/pa/ho/time/cwr/17603.htm

Leia também A América dividida – Parte I.

A América dividida – Parte I

Os comunistas devem se preparar para usar todo

tipo de estratagema para evitar e esconder a

verdade (…) A parte prática da política comunista

é a de incitar um inimigo contra o outro (…) não

corrigir seus erros, mas romper as hostes inimigas,

evocando as piores suspeitas e pensamentos entre eles.

Vladimir Ilich Lênin

 

Uma pesquisa realizada pelo pool USATODAY/CNN/GALLUP duas semanas após as últimas eleições americanas, mostrou que 65% dos americanos acreditam que o País está ‘muito dividido’ sobre os valores morais e 72% disseram que ‘nunca antes a divisão foi tão grande’. Jeff Jones, analista da Gallup, acredita que isto se deve ao fim da quase unanimidade causada pelos ataques terroristas de 11 de setembro. A intensidade dos sentimentos em relação a Bush está no auge, pois Bush é o Presidente mais polarizador desde Johnson, em plena guerra do Vietnã.

Desde as eleições Bush tem aprofundado sua agenda política interna, enfatizando o corte de impostos, que deseja tornar permanente, e a reforma da previdência social estatal no sentido de dar aos trabalhadores o direito de investir parte de sua poupança – ambas prioridades para os conservadores, mas às quais se opõem os Democratas e parte dos Republicanos. 2/3 do total dos entrevistados prefere que o Presidente busque um consenso bipartidário. Até mesmo os que se declaram Republicanos dividiram-se ao meio neste item: 46% a 46%. Mesmo assim, mostraram-se mais favoráveis ao Presidente e menos pessimistas em relação à situação da guerra do Iraque.

Chegou-se a falar de uma divisão radical entre estados azuis, predominantes nas duas costas e vermelhos centrais, divulgou-se uma falsa emigração em massa de americanos para o Canadá e psicoterapeutas oportunistas inventaram um ‘surto de depressão coletiva’ nos estados azuis. Alguns analistas políticos chegaram a discretamente avaliar possibilidades de uma nova secessão e guerra civil.

Para um entendimento mais profundo das raízes desta divisão é necessário recuar alguns anos no passado e deslocar-se para o leste.

 *** 

Nos últimos anos da era stalinista instalou-se uma crise no governo soviético, no partido comunista e na ideologia – internamente e no mundo todo. Economia e agricultura em ruínas, poder total da polícia política. Anti-semitismo declarado. Guerrilhas nacionalistas. Crise iugoslava. Reações contra o comunismo no Ocidente. A resposta de Stalin foi mais terror e repressão em massa. Stalin exercia o poder total: sobre o Partido e sobre o Estado. Após sua morte em 1953, estes poderes foram divididos: Nikita Kruschëv assume a chefia do Partido – como Primeiro Secretário – e durante os quatro anos seguintes, estabeleceu-se uma intensa luta pelo poder do Estado, com os governos de Zhdanov, Beria e Malenkov se sucedendo. Em 1956 Kruschëv denuncia os crimes de Stalin em reunião “secreta” no XX Congresso e no ano seguinte elimina o grupo Malenkov-Bulganin-Molotov e assume o poder total.

Em 1958, para tentar reverter a tendência de desintegração do bloco soviético, foi criado o Departamento de Operações Ativas do Comitê Central e indicado para dirigí-lo Alieksandr Shieliepin que apresenta um extenso relatório criticando o KGB (Comitê de Segurança do Estado), por não ser capaz de influenciar a opinião da população em favor do regime e não evitar o crescimento de tendências anticomunistas no mundo. Como resultado das discussões, foi formulada uma nova estratégia de longo prazo para restabelecer o objetivo comunista de sempre: o domínio mundial.

Uma política difere essencialmente de uma estratégia, pelo fato de que a primeira tem objetivos claros e explícitos; uma estratégia tem objetivos secretos enquanto se alardeiam falsos objetivos que servem para conquistar corações e mentes. Estas são as duas características que os ocidentais têm sido incapazes de perceber: o caráter essencialmente secreto do regime comunista e a desinformação (em russo desinformatsiya), a disseminação de informações falsas e provocativas. As operações de desinformação diferem da propaganda convencional, por esconderem suas origens e objetivos reais, e envolvem ações clandestinas que incluem a distribuição de documentos, cartas, memorandos forjados e a propagação de rumores maliciosos. Cria-se a agência de propaganda Novostyi que ao contrário da TASS não se dedicava às notícias e desinformação, mas somente ao último propósito.

Em 1958 Shieliepin é nomeado Diretor do KGB e cria o Departamento D (de Desinformatsiya) que aprofundou a estratégia já formulada por Lênin na década de 20: o padrão ‘fraqueza e evolução’ que consiste em subestimar publicamente o poder comunista e aplacar os temores de seus adversários, por meio da criação de falsas crises internas e divulgação de fraquezas e dissidências no mundo comunista, publicando as más notícias e retendo as boas. Foi minuciosamente estudada a aplicação por Lênin, da Nova Política Econômica, para atrair capital ocidental que financiasse o desenvolvimento soviético.

Em 1960 realiza-se em Moscou o Congresso dos Oitenta e Um Partidos Comunistas. Foi elaborada a Grande Estratégia de longo prazo – eventualmente denominada Perestroika – com objetivos mundiais a se desdobrarem em etapas sucessivas, cujo timing dependeria das ocorrências do mundo real (das ‘condições objetivas’, em linguagem leninista). Interessa-nos aqui somente o que se refere aos Estados Unidos de América, deixando o restante para uma série de artigos sobre a Perestroika a ser brevemente publicada.

 *** 

Perestroika pode ser traduzida por ‘re-estruturação’, porém a fase da re-estruturação interna foi sendo preparada secretamente até chegar a Gorbachëv. Enquanto isto, foram tomadas medidas para re-estruturar a visão que o mundo ocidental tinha sobre os países comunistas, o verdadeiro sentido de perestroika. A primeira tarefa era agir em bloco, mas criar a ilusão de falsos conflitos entre os países comunistas, como foi o “conflito Sino-Soviético”, acertado secretamente entre Kruschëv e Mao. O termo “ditadura do proletariado” foi oficialmente
abandonado e, mais tarde, substituído por “governo de todos”.

Em segundo lugar, era necessário criar uma base segura de operações o mais próximo possível dos EUA, e Cuba – comunista desde 59 e participante do Congresso dos 81 – era o local ideal. O que ocorreu poderia servir para um estudo de caso de como a desinformação funciona: a presença de mísseis russos em Cuba. Sabedor da absoluta superioridade tecnológica americana, Kruschëv jamais cogitou pôr mísseis lá para atacar os EUA. Causariam poucos danos, enquanto a retaliação seria o fim da URSS. Já naquela época a superioridade tecnológica americana era insuperável. Ao mesmo tempo, através de agentes infiltrados na CIA sabia que Kennedy jamais permitiria a permanência dos mesmos lá. O objetivo era, pois, bem outro e foi conseguido com maestria. Com o bloqueio e a exigência de retirada Kruschëv exigiu uma contra-partida, que era o único objetivo verdadeiro: que os EUA assinassem um tratado garantindo que jamais iriam intervir em Cuba, documento até hoje respeitado. Pronto: a base seguríssima de operações na América Latina estava conseguida com a garantia americana. E os americanos – e o mundo todo – se sentiram vitoriosos!

A terceira, já diretamente destinada a provocar uma divisão interna nos EUA, foi engajar os americanos numa guerra impopular, o que foi facilmente conseguido com a ameaça de invasão do Vietnã do Sul, país garantido pelos EUA após a derrota francesa em Dien Bin Phu, pelo Norte e a criação de uma guerrilha interna no Sul, o Vietcong. Como o Congresso americano jamais concedeu a Johnson e depois a Nixon autorização para declaração de guerra formal ao Vietnã do Norte, as Forças Armadas americanas – que teriam fácil e rapidamente ganho a guerra – ficaram chafurdando na lama e acabaram se retirando, numa aparente vitória de pés-rapados sobre a mais poderosa força até então existente. Ao mesmo tempo foram explorados os escrúpulos da opinião pública Ocidental em atacar civis, fazendo o recomendado por Mao: o guerrilheiro é o peixe e o povo a água; um peixe não vive fora d’água! Entenda-se: misturem-se ao povo e não serão atacados pelos estúpidos americanos. O sucesso foi tão grande que se transformou no modelo a ser usado em todo mundo: quem não lembra de como proliferaram os exércitos de libertação nacional?

A história real, secreta, foi bem outra. Foi mobilizada a antiga rede de agentes infiltrados, companheiros de viagem e idiotas úteis no interior dos EUA para criar uma cunha que dividisse o povo americano. Esta infiltração se dera principalmente nos setores culturais e na mídia pela brilhante atuação de Willi Münzenberg, a serviço do KOMINTERN (Internacional Comunista), no período entre guerras. Para atrair a intelectualidade americana e mundial era preciso criar a falsa ilusão de uma ‘humanização’ do regime. Para isto serviu o ‘vazamento’ da denúncia dos crimes de Stalin e se iniciou a “desestalinização” – que não passou de um retorno aos ensinamentos de Lênin, e o Ocidente mais uma vez acreditou que era para valer. Inventaram-se até mesmo falsas dissidências internas no bloco e uma falsa oposição dentro da própria URSS. Estes ‘dissidentes’ democratas entraram em contato com a intelectualidade ocidental dando a impressão de haver convergência de valores e planos. Iugoslávia e Romênia, aparentemente rompidas, atraíam o Ocidente. A falsa ruptura com a China permitiu um movimento de pinça em que a URSS posava de socialismo com face humana e a China de demônio. Mas os mesmo objetivos eram mantidos.

 A CONSTRUÇÃO DE UM “DISSIDENTE”

Era preciso estimular o triunfalismo de que a guerra fria terminara com a vitória expressiva do Ocidente. O reconhecimento da ‘derrota’ da URSS visava o desarmamento dos EUA, pois, se não há inimigos a combater?! A desestabilização do complexo industrial militar americano era o alvo desta farsa – na qual até hoje meio mundo acredita porque a sensação quase tóxica de ser vitorioso é boa demais para ser abandonada, em função dos avisos de paranóicos que querem estragar a festa de todos! Entrava-se na fase da Perestroika propriamente dita e da glasnost (transparência), já preparadas desde 1958.

Esta última consistiu numa abertura seletiva e controlada dos “arquivos de Moscou”, deixando vazar documentos que eram do interesse do KGB para implementar a estratégia leninista de um passo atrás, dois à frente. Previa-se o novo fechamento assim que os objetivos fossem alcançados, o que Putin fez há pouco.

Mas de nada adiantava enfraquecer militarmente a América sem continuar o trabalho anterior de arregimentação interna, pois para conseguir a divisão do País, era preciso minar ainda mais a confiança do povo americano nas suas Instituições, no sistema democrático e federativo, no american way of life (alvo de intensos ataques da esquerda hollywoodiana), e nas crenças religiosas e os fundamentos morais. E a substituição da velha liderança soviética representada por Brejniev, Andropov, Chiernienko, por um líder ocidentalizado, com uma bela esposa muito parecida com as American first ladies.

A preparação para isto deveu-se, entre outras coisas, aos inestimáveis serviços prestados pelo maior agente de influência da KGB no Ocidente: Andrei Sakharov, o “pai da bomba H”, físico respeitado internacionalmente. Já em 1967, num manifesto ao mundo e apresentando-se como porta-voz de uma secretamente controlada “dissidência”, Sakharov divulgava suas “predições”, integralmente ditadas pelo KGB:

a) Vitória dos “realistas” e reformas econômicas e democráticas;

b) Vitória dos reformistas de esquerda contra o racismo e o militarismo;

c) Necessidade de reverter o quadro após a vitória americana, reforçando a posição dos aliados social-democratas (nos EUA chamados “liberais”) para cooperação USA-URSS sobre desarmamento e ajuda ao 3o Mundo;

d) Re-estruturação política e econômica dos dois lados para atingir uma desejável ‘convergência’ entre os sistemas– em russo sblizhenie – a essência do futuro governo mundial: o democratismo, um governo comunista com aparência de democracia.

Para reforçar o mito do dissidente confiável era preciso uma peça genial de desinformação: o “exílio” de Sakahrov para Gorki, em 1980. Aí todas as dúvidas “paranóicas” de dissiparam, choveram manifestos, preparados pelo KGB, de pr
otestos contra este tratamento ignóbil a um dissidente tão ilustre, que “conseguiu ludibriar a censura soviética” enviando uma carta a Carter onde introduzia o ponto de vista dos “dissidentes” sobre direitos humanos, obviamente os ditos “direitos sociais”. Manifestos, manifestações, mesas-redondas e outros, “contra a guerra e pela paz” proliferaram.

E o Ocidente continuou acreditando na farsa – como hoje muitos se deixam iludir pelos suposto assassinato de familiares de Deng Xiaoping e a “abertura” chinesa – mesmo quando, na posse de Gorbachëv, Sakharov foi nomeado seu principal assessor para a Perestroika! Além do papel ativo de Sakharov como elo de ligação entre os “liberais” americanos e seus falsos correspondentes soviéticos, foram de fundamental importância:

 1- Encontro entre Gorbachëv e assessores com membros selecionados da elite americana na sua primeira viagem a Washington;

2- Campanha permanente da Embaixada Soviética; pela primeira vez um Embaixador, Anatoliy Dobrynin, era o próprio rezidient do KGB;

3- Uso permanente da Rezidientura do KGB nos USA;

4- Avalanche de convites para viagens a Moscou e cooperação internacional.

Mas nada disto teria resultado satisfatório se outra condição não fosse preenchida, e este será o objeto da parte II.

Drogas: liberdade de escolha ou compulsão destrutiva?

Uma das maiores falácias dos defensores da liberação das drogas ou da redução de danos, é utilizar argumentos liberais – como o direito dos indivíduos de determinar suas próprias vidas – para o uso de drogas pesadas. Nos seus termos, os usuários de drogas são vistos como uma ‘minoria’ que não deveria ser constrangida ou ter restringido seu direito de usar as substâncias que desejarem. Mesmo estando baseado em princípios constitucionais e legais que garantem os direitos das minorias, este argumento não leva em consideração importantes fatores psicológicos que induzem ao uso de drogas.

Uma característica marcante dos artigos desta área é a falta total de humanismo e de considerações psicológicas. Os usuários são tratados apenas como um ‘grupo social minoritário’, não como indivíduos. No entanto, usar drogas não é pertencer a uma minoria, como as minorias raciais ou religiosas. Não depende da cor da pele ou de opções morais mas de algo muito mais dramático e terrível: uma insuportável e muitas vezes irresistível compulsão. Somente uma observação superficial e afetivamente distanciada pode levar a crer de outra forma. Somente se os virmos como indivíduos, conhecendo algo de seus sofrimentos e desesperança, poderemos entender melhor o que se passa no seu interior. Mas é imperativo abandonar o bias coletivista que impera em nosso meio.

Qualquer um que tenha tido alguma experiência em hospitais psiquiátricos que aceitam usuários de drogas pesadas não pode acreditar na falácia da ‘liberdade de escolha’. São realmente escravos das drogas, dos vendedores e traficantes, não cidadãos autoconscientes capazes de tomar decisões por si mesmos. Esta é uma das razões pelas quais eu não acredito na proposta dos defensores da redução de danos, de estabelecer áreas restritas nas quais o uso de drogas seria livre, ainda que sob supervisão governamental ou de ONG’s ‘especializadas’.

Eu tive a oportunidade de observar a degradação moral, psicológica e física à qual sucumbem os usuários depois de um tempo variável de uso maciço de drogas. Dessas experiências, direi algo sobre uma renomada clínica dos anos 70, cujo nome omito em razão do sigilo.

Embora não sendo membro da equipe internei muitos pacientes de minha clínica psiquiátrica privada, pois lá usavam os mais modernos métodos da época, como Comunidade Terapêutica, Praxiterapia e Hospital Dia, usando medicamentos na menor quantidade possível. Inicialmente usuários de drogas não eram aceitos, pois costumam causar muitas dificuldades e perturbações para os pacientes com problemas psicóticos. Como se poderia esperar de uma clínica particular muito cara, as internações começaram a rarear. Os proprietários decidiram então aceitar usuários de drogas.

Em pouco tempo estabeleceu-se um clima de grande violência, incluindo agressões físicas a pacientes psicóticos, aos membros da equipe e moradores da vizinhança. Membros subalternos da equipe foram induzidos por violência ou pagamento a traficar drogas para dentro da clínica. Várias vezes a intervenção policial foi necessária.

Eu poderia citar várias outras experiências similares que tiveram os mesmos resultados. Todas elas reproduzem, em menor escala, o que é recomendado pelos defensores da redução de danos: locais afastados da sociedade em geral onde reunir usuários com a finalidade de controlá-los e evitar maiores danos a si mesmo e ao meio. Não levar em consideração experiências passadas como a que eu referi leva, certamente, a incorrer nos mesmos erros. Tratados como grupo – certamente maiores do que em uma pequena clínica – tornará impossível controlá-los e contê-los. Lideranças naturais serão desenvolvidas tornando impossível a vida daqueles que querem abandonar as drogas. Mais ainda, a seleção da equipe – ao menos no Brasil, como foi divulgado – será entre pessoas que se auto declaram ex-usuários, transexuais e HIV positivos como ‘agentes terapêuticos’. Posso bem imaginar o que irá ocorrer nestes locais!

A substituição induzida das drogas mais pesadas pela maconha ameaçará qualquer tentativa legítima de abstinência, pois a maconha causa uma falsa sensação de onipotência e onisciência quando, na verdade, os sentidos de realidade, identidade, integridade do self e os valores morais, ficam distorcidos e progressivamente debilitados, até o ponto de estupor chamado de ‘chapado’. A distribuição de seringas – como defendida por várias instituições como LEVI STRAUSS FOUNDATION, TIDES FOUNDATION (financiada pelo Howard Heinz Endowment, co-Presidido por Tereza Heinz Kerry) – através do FUND FOR DRUG POLICY REFORM – e pelo NATIONAL AIDS FUND, por melhores intenções que apresentem, é ainda pior! Não são soluções mas declarações de incompetência e desesperança! Significa dizer aos usuários: vocês estão definitivamente perdidos, sentenciados a usar drogas pelo resto de suas vidas, tudo o que podemos fazer por vocês é retardar este terrível fim, reduzindo os danos físicos que vocês podem causar a si mesmos – como adquirir AIDS ou hepatite – mas psicologicamente, abandonem toda esperança!

Além disto, antevejo estes locais como campos de concentração onde estes indivíduos serão mantidos à parte da sociedade, para que morram sem causar danos à mesma. Em seus portões deverão ser escritas as palavras de Dante: Lasciate ogni speranza voi ch’entrate.

EXISTEM ALTERNATIVAS?

Certamente que nenhuma perfeita. Mas, as alternativas não podem se basear no tratamento de usuários dentro da visão coletivista que defende que eles sejam um grupo minoritário que deve ter liberdade para fazer suas escolhas, como é a moda atual. Mas na atenção aos indivíduos que sofrem e que não são livres mas escravos compulsivos às demandas de seus impulsos destrutivos e, secundariamente, aos traficantes que sabem muito bem como manipular esta compulsão. No entanto, esta visão não representaria um trabalho fácil para discursos belos mas vazios dos que advogam a `engenharia social´. Certamente demandaria um árduo trabalho focado primariamente na conquista de abstinência e não na redução de danos.

Uma pesquisa recentemente realiza da na Escócia [Notas:

http://www.gla.ac.uk:443/newsdesk/stories2.cfm?PRID=2815

Artigo originalmente escrito em Inglês e traduzido pelo próprio autor para o site

Drogas: repressão não resolve?

Recentemente a Revista Época (nº 333, 04/10/2004 – Notas:

Artigo originalmente escrito em Inglês e traduzido pelo próprio autor para publicação no site

Com a Ucrânia pode?

The United States emerged in 1990 as the unique post-Cold War “hyper power”,

 fulfilling the worst nightmare of anti-Americans, who blamed it for all of the

world’s ills and engaged in unprecedented spasms of America-hatred.

                                                                                                               DANIEL PIPES

Quando o governo socialista, mas razoavelmente pragmático de FHC anunciou um acordo com os EUA para aluguel da Base de Lançamentos de Alcântara, Maranhão, foi um Deus nos acuda! AMEAÇA À SOBERANIA NACIONAL! O BRASIL SE PÕE DE JOELHOS FRENTE AO IMPÉRIO! Isto foi o mínimo que se disse para condenar certos sistemas de salvaguarda tecnológica incluídos no texto, tais como: acesso restrito do pessoal brasileiro ao espaço alugado, distribuição por parte dos americanos de crachás para liberação de acesso às áreas de lançamento, não acesso à tecnologia de ponta americana, proibir a inspeção de contêineres que entrassem no País com material aeroespacial, etc. Tudo dentro das normas de contratos de aluguel comuns: se eu alugo um imóvel de minha propriedade para alguém, não posso mais entrar nele para fazer inspeções, controles ou bisbilhotar sua bagagem. Abro mão do usufruto do imóvel para usufruir o aluguel que me é pago. O único ponto que considero polêmico, era o impedimento do Brasil usar o dinheiro para desenvolvimento de sua indústria aeroespacial, mas isto poderia ser resolvido na mesa de negociações.

Mas não houve negociações, pois o projeto esbarrou numa das personalidades mais tacanhas deste País, o jurássico Waldir Pires, então Relator do Acordo na Comissão de Relações Exteriores da Câmara de Deputados. O texto do Relator modificava o acordo: permitia o acesso de brasileiros às áreas restritas, obrigava os contêineres americanos lacrados a serem abertos e vistoriados por brasileiros, distribuía crachás para brasileiros, e incluía que, em caso de falha do lançamento, os brasileiros poderiam fotografar e pesquisar o que encontrassem nos escombros de lançamentos americanos. O deputado sempre disse que o acordo feria a “soberania nacional” e conseguiu aprovar seu relatório na comissão por 41 votos a favor e apenas um contra. Os partidos de oposição, que hoje são da base do governo no Congresso, votaram a favor do texto de Pires. Dizia ele, em agosto de 2001: “Não sou contra o uso comercial da base de Alcântara. Mas esse acordo é incompatível com a ‘soberania’ nacional”. Em setembro de 2002 o então candidato Lula disse: “Esse acordo não é um acordo, pois não levou em conta a ‘soberania nacional’. Não nos permite fiscalizar um contêiner em nosso território e nem ter acesso à tecnologia. Isso aqui não é um quintal para se fazer experiências”.

Tais “destemidas” palavras encontraram eco e pleno apoio de alguns grupos nacionalistas não menos jurássicos, sempre prontos a defender a tal “soberania nacional”. (Existem outros, brasileiros sinceros, que prefiro chamar patriotas). Batendo no peito varonil – alguns feminis – desenterraram a já putrefata campanha “O Petróleo é Nosso”, geradora deste monstro insaciável que é a Petrossauro, que há mais tempo bombeia dinheiro para o bolso e pensão de seus funcionários do que petróleo para o País. No combate ao Acordo surgiram verdadeiros delírios quanto aos satânicos desígnios do “Império”, como cercar nossa cobiçada Amazônia pelo Leste, já que pelo Oeste existem várias bases americanas – só que de monitoramento de satélites e do movimento de aviões de narcotraficantes. Atribuiu-se até o acidente com um VLS nacional que explodiu em terra, possivelmente por incompetência, à suposta presença de navios americanos na área do Caribe. (Que a Amazônia é cobiçada não há dúvidas, mas por outros grupos. Ler meus artigos Lendas e Mistérios da Amazônia e Amazônia: a Doação Anunciada, ambos em MSM).

Pois na semana em curso, o hoje Presidente Lula assinou decreto que promulga acordo idêntico entre Brasil e Ucrânia. Uma das cláusulas prevê a necessidade do uso de crachás, de identificação obrigatória, que serão emitidos exclusivamente pela Ucrânia, quando houver atividades de lançamento. Caso necessária, a presença de brasileiros na área de preparação do Veículo Lançador de Satélite será acompanhada “o tempo todo” por ucranianos. Além de impedir a presença de brasileiros na base, o acordo não permite que os participantes ucranianos prestem qualquer assistência aos brasileiros no que se refere ao projeto e desenvolvimento de veículos de lançamentos, equipamentos da plataforma de lançamentos e espaçonaves, a menos que a assistência seja autorizada pelo governo da Ucrânia. Em outro trecho, o documento afirma que somente os ucranianos terão o controle de determinadas áreas e o acesso ao veículo de lançamento, à plataforma e às espaçonaves. Em caso de falha do lançamento, o governo brasileiro terá que permitir que os ucranianos auxiliem na busca. E restituirá as peças encontradas sem examiná-las ou fotografá-las.

O Presidente da Agência Espacial Brasileira no governo FHC, Luiz Gylvan Meira Filho, disse que os dois aco rdos são quase idênticos. Diz ele que “havia muito desconhecimento na época e houve certo exagero de retórica política”.

Hoje, Ministro da Controladoria-Geral da União, o mesmo indefectível Pires, divulgou nota afirmando que o acordo de salvaguardas tecnológicas, celebrado entre Brasil e Ucrânia para o uso da Base de Alcântara foi assinado num contexto político-diplomático “inteiramente diferente” do que havia quando o governo passado propôs acordo similar com os EUA.

O próprio Globo, órgão oficial do PT – ao menos enquanto jorrarem as tetas magnânimas do BNDES – qualificou, em comentário intitulado Ato Juvenil: “Como o que não foi concedido aos Estados Unidos terminou sendo liberado para a Ucrânia, tornou-se impossível disfarçar o anti-americanismo juvenil por trás do episódio. Não vá depois o governo reclamar se algum troco for dado ao Brasil em mesas de negociações mais importantes. Não há mão única em assuntos desse tipo”.

Anti-americanismo juvenil coisa nenhuma: isto está dentro do novo contexto político-diplomático “inteiramente diferente”, aquele definido pelo Foro de São Paulo. Portanto, não houve contestações sob a alegação de que o acordo fere a “soberania nacional”! Pires justifica dizendo que ao menos a Ucrânia não se nega a transferir tecnologia ao Brasil. Cidadãos de Alcântara, São Luiz e adjacências: TREMEI! Mudem-se ou comprem urgentemente roupas anti-radiação, pois o ápice tecnológico daquele paiseco de quinta categoria, ainda comuno-fascista, é Tchernobyl!

Como bons seguidores da recomendação de Lenin – acuse sempre seus inimigos de fazerem o que na verdade é você que está fazendo –, o que se pretende é ampliar o cerco, não à Amazônia, mas aos EUA. Brasil, Venezuela, Cuba – na retaguarda Argentina, Bolívia e agora o Uruguai. A idéia de que este cerco significará uma ameaça aos EUA é que pode ser chamada de juvenil – pior, infantil ou até mesmo coisa de anencéfalos – pois basta um terço da força aeronaval de um USS Ronald Reagan para acabar com a festa.

E onde estão os protestos dos mesmos que esbravejaram contra o Acordo anterior? Mutismo absoluto! E como se sabe: quem cala consente! Fica definitivamente provado que “soberania nacional” não passa de dissimulação de um virulento, corrosivo e rancoroso anti-americanismo! A Ucrânia pode porque se encaixa perfeitamente na sua ideologia: economia estatizada, com excelentes cabides de empregos para seus apaniguados, política sem nenhuma tradição democrática, tendo evoluído do regime fascista e anti-semita de Kolchak para o dos sátrapas comunistas e hoje ainda uma ditadura comuno-fascista. Por isto os distingo dos verdadeiros patriotas, que querem o bem do Brasil e admiram os EUA por seu desenvolvimento político, moral e tecnológico, buscando alcançá-los. Aqueles, pelo contrário, não pensam no bem de ninguém, só na destruição do invejado inimigo, cuja prosperidade os humilha.

Por isto com a Ucrânia pode; com os EUA não pode!

***

NOTA DE ESCLARECIMENTO SOBRE O ARTIGO

 COM A UCRÂNIA PODE?

 Heitor De Paola

13/11/2004

 O Globo publica hoje (13/11/2004) carta do Ministro Waldir Pires dizendo que A interpretação do GLOBO, segundo a qual os textos são praticamente idênticos, nasceu, ao meu ver, de uma leitura aligeirada e absurdamente equivocada do assunto”. E se refere a salvaguardas políticas que não existem no atual e as cita: 1) a que proibia o governo brasileiro de usar o dinheiro obtido para  o desenvolvimento de veículos lançadores – o que o Globo não falou, mas eu sim, dizendo-me contrário a este absurdo; 2) a que proibia a cooperação brasileira com países que não sejam membros do Regime de Controle de Tecnologia de Mísseis (MCTR) que não citei por estar plenamente de acordo; 3) a que abria a possibilidade de veto político unilateral de lançamentos, que, apesar de ter lido o acordo, desconheço, deve ser interpretação do Ministro;  4) a que estabelecia a obrigatoriedade de somente assinar novos acordos de salvaguardas com outros países nos mesmos moldes do acordo Brasil/EUA, com a qual concordo em parte, mas também poderia ter sido negociada se o Ministro não tivesse vetado a continuação das mesmas – certamente com apoio quase unânime da Comissão da qual era Relator, como também frisei.

 Embora a carta não tenha sido dirigida ao Mídia Sem Máscara nem a mim, julgo ser nosso dever informar aos leitores que o Ministro não citou nenhuma das salvaguardas que constam do meu artigo e que portanto, não as desmentido, confirma.

Notas:

As informações d’O Globo encontram-se nos seguintes links:

http://oglobo.globo.com/jornal/pais/146939748.asp

http://oglobo.globo.com/jornal/pais/146952657.asp

A América falou!

And the Star-Spangled Banner

in triumph shall wave O’er the land of the free

and the home of the brave!

Com a frase título o Presidente George W. Bush colocou em três palavras, no seu discurso de vitória, o sentido mais profundo da democracia americana: regularmente – o mais amiúde possível – dar a palavra ao povo para que expresse sua opinião sobre os governantes. Sua re-eleição coroou 216 anos ininterruptos de 55 eleições presidenciais, desde a memorável eleição de George Washington, o primeiro Presidente de uma Nação escolhido pelo povo em toda a história da humanidade. Também em nenhum outro País ou época houve tal estabilidade, com eleições até mesmo durante guerras, civil ou externas. A América falou – o maior contingente eleitoral de toda a história – e disse, em números (ainda faltando alguns ajustes):

Bush – 59.117.523 – 51,07% – Venceu em 30 Estados

Kerry – 55.554.584 – 48% – Venceu em 20 Estados

Diferença – 3.562.939 – 3,07%

No Colégio Eleitoral – 286 x 252 (Os sete votos de Iowa foram aqui computados para Bush por já estar terminada a apuração com a vitória de Bush, segundo FoxNews, CNN e New York Times, faltando o anúncio oficial).

Além de ter recebido a maior votação da história dos pleitos presidenciais, o Partido Republicano conquistou maioria no Senado e ampliou a da Câmara de Representantes:

Senado – 55 Rep. x 44 Dem. + 1 Ind. (antes: 48 R x 51 D + 1 Ind.)

Câmara – 231 Rep. x 200 Dem + 1 Independente [faltam decidir 3 cadeiras]

(antes: – 227 R x 205 D + 1 Ind.)

Governos Estaduais após este pleito, com 11 disputados: 28 Rep. x 22 Dem.

 

  Votação por destrito: grande vantagem de Bush.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em termos quantitativos uma vitória por maioria absoluta, sem máculas, completa e incontestável! Nem mesmo os problemas de apuração, tão anunciados, ocorreram: o resultado saiu em pouco mais de 12 horas! O que dirão agora aqueles que, em 2000, consideraram Bush um Presidente ilegítimo pelos problemas havidos na Florida – embora a Associação de Jornalistas do Estado tenha continuado oficiosamente a recontagem na qual a diferença pró-Bush foi maior ainda – e também por ter perdido nos votos populares – numa demonstração de total ignorância da Constituição Americana (ver meu artigo O Processo Eleitoral Americano)? E agora Josés? Principalmente se compararmos que em 2000 Bush era apenas um ex-Governador do Texas e filho de ex-Presidente, e agora foi duramente testado por quatro anos! Não tenho ilusões de que os Josés nada dirão quanto à legitimidade de mais de 3.5 milhões e meio de votos.

ANÁLISE QUALITATIVA INICIAL

Qualitativamente, no entanto, a América disse muito mais!

A América disse não à radicalização esquerdista que imperou no Partido Democrata, com a escolha de um Candidato que, mesmo sendo um Veterano, se opôs à Guerra do Vietnã, expondo seus compatriotas prisioneiros de Guerra à sanha assassina dos comunistas. Com isto afastou seus eleitores conservadores e centristas, como já acontecera com McGovern. Até mesmo o Líder Democrata no Senado, Tom Dashle, não foi re-eleito, perdendo a vaga para um Republicano pela primeira vez. Os democratas que conquistaram lugares no Congresso o fizeram com base em plataformas relativamente conservadoras.

Disse não à manobra Democrata de transformar os conflitos do Afeganistão e do Iraque em novos Vietnãs. Não se deixou enganar porque as situações são radicalmente diferentes: se a América se cansou de uma guerra interminável num País que nunca atacara os EUA diretamente e não entendia porque seus filhos deviam morrer lá – embora as razões fossem, a meu ver, válidas –, entendeu perfeitamente a necessidade de uma luta incansável contra o terrorismo, onde quer que se encontre – pois a América foi ferida diretamente em 11 de setembro – e reagiu! Os Democratas não entenderam este sentimento e tentaram uma jogada em que foram fragorosamente derrotados. Não entenderam que além de ser the land of the free, a América também é the home of the brave, como diz o seu Hino!

Disse não às tentativas da “comunidade internacional” de manipular suas políticas interna, externa e de segurança; disse não aos inimigos europeus travestidos de aliados, França e Alemanha, a primeira salva duas vezes pelas armas Americanas da invasão de seu território pela segunda – ocupação com a qual souberam colaborar muito bem! Disse não, sobretudo à famigerada ONU e seu arrogante Secretário Geral e às inúmeras ONGs que desejam acabar com a América como ela é; mostraram que a defesa e a segurança da América não podem ser decididas por votações de outros países, alguns seus inimigos confessos e que abrigam terroristas, como a Síria e a Líbia, na ocasião. Como já advertia Alexander Hamilton em 1787 (devemos nos precaver dos adversários) chiefly from the desire in foreign powers to gain an improper ascendant in our councils! Rejeitou, assim, a invasão de suas fronteiras políticas e culturais por outros num movimento travestido da bela palavra “multilateralismo”. Particularmente, por indivíduos só rdidos como Georges Soros – que está tão desolado que anunciou a retirada do seu blog do ar – cujo principal interesse é a legalização das drogas para tomar para si este mercado gigantesco da morte!

A América disse sim aos seus valores tradicionais, morais, religiosos e econômicos, dizendo não ao casamento gay, em todos os onze Estados em que Emendas neste sentido foram votadas pelo povo, inclusive naqueles em que Kerry ganhou, como Michigan e Oregon! E disseram não às leis liberalizantes do aborto, re-elegendo um Presidente campeão da campanha contra. Tanto os eleitores democratas quanto os republicanos votaram a favor de várias propostas republicanas ou conservadoras em diversos referendos. Os resultados por distritos eleitorais (precincts) em Ohio evidenciam que foi nos rurais que Bush conquistou sua vitória no principal battleground state deste ano. E foi assim nos demais Estados em que a diferença foi pequena. Foram os americanos que constroem o País com suas próprias mãos que lhe deram a vitória, não os intelectuais da Costa Leste. Os Democratas de lá, cuja visão não ultrapassa muito as fronteiras acadêmicas de Massachusetts, não se deram conta de que o último de seus candidatos “aristocráticos” a ser eleito foi John Kennedy. Depois dele só ganharam com os “matutos” Carter, da Geórgia, e Clinton, do Arkansas, que sabiam como Bush falar a linguagem simples do povo do que aqui chamamos grotões. O mesmo erro de perspectivas levou os candidatos Edwards e Kerry a mencionarem a filha lésbica de Cheney, o que certamente ofendeu muitos Americanos não treinados nas artes do politically correct.

O registro de aproximadamente 10 milhões de novos eleitores, muitos jovens, animou os Democratas porque eles achavam que detinham o monopólio da juventude. Pois se enganaram redondamente! Nem mesmo a tentativa de imputar aos Republicanos a idéia esdrúxula de ressuscitar o draft, a convocação militar obrigatória, os enganou.

Sobretudo, como bem o disse Amity Shlaes, do Financial Times, “essa vitória derrubou algumas das premissas que dominaram o ano eleitoral, entre elas a idéia de que a direita americana é basicamente marginal e desprezível. E (a vitória de Bush) é uma vitória (da direita) que foi conquistada em três frentes: da política externa, da política social e da econômica”.

A primeira pesquisa pós-eleitoral, realizada pela insuspeitíssima CNN, indicou que 51% dos entrevistados estavam satisfeitos com os resultados; 39% estavam desolados. 57% pensam que Bush unirá a Nação; 39% que desunirá ainda mais. 74% consideraram a vitória fair and square; compare-se com este último resultado em 2000: 48% apenas a acharam legítima.

33% se disseram otimistas com o segundo mandato, 23% entusiasmados, somando 56%! 24% se disseram amedrontados e 18% pessimistas, somando 42%.

CONGRATULATIONS, MR BUSH! FOUR MORE YEARS! GOD BLESS YOU AND AMERICA!