Ipojuca Pontes


Brasília, a mãe de todos os escândalos

Não sei se os leitores sabem, mas Brasília nasceu de um porre. Logo depois, enxergando na provocação do bêbado um “negócio da China”, Juscelino Kubitschek passou a fazer dela o cavalo de batalha do seu “plano de metas”.

Mergulhada num eterno mar de corrupção e sufocada por ondas sucessivas de escândalos, Brasília vai completar 50 anos no próximo 21 de abril. Os principais veículos da mídia cabocla estão faturando alto com anúncios programados pelo ora trancafiado (ex-) governador José Roberto Arruda, que, entre outras bravatas, diz ser a cidade artificial uma das “mais admiráveis do mundo”.

Barreto, o falso Al Capone

luis-carlos-barretoSó para exemplificar: se o repórter almejasse dar ao leitor uma visão mais completa do empresário Barreto, na certa não deixaria de consultar os arquivos do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (1ª instância, vara cível) e tomar conhecimento das inúmeras ações judiciais (arquivadas ou não) contra o grande produtor.

Caiu-me em mãos o Nº 39 da “piauí”, revista cultural de esquerda – de propriedade do filho do falecido banqueiro Walter Moreira Salles, João Moreira Salles – que, no propósito dissimulado de promover o filme “Lula, o Filho do Brasil”, traz ampla matéria sobre Luiz Carlos Barreto, tido pela publicação como “o chefe do clã mais poderoso do cinema nacional”. Título da reportagem: “Metade Jesus Cristo, metade Al Capone”.

O fracasso do filme de Lula

E na sua terceira semana de exibição, em circuito nacional, a freqüência media do filme, que já era baixa, caiu 70%, consolidando a derrocada.

Produto estrategicamente amparado pelo aval do Palácio do Planalto e embalado para ser visto por 20 milhões de espectadores pagantes, “Lula, o Filho do Brasil”, o mais caro filme produzido até hoje no país (algo em torno de R$ 40 milhões, incluindo farta publicidade, confecção de 430 cópias e outras despesas) – fracassou miseravelmente. Ao tomar conhecimento do fato Lula ficou “desapontado”, pois contava com o êxito do filme para arrebanhar votos e eleger Dilma Rousseff – ex-terrorista e assaltante de banco – à presidência da República.

Choque da desordem e a “indústria de multa”

De minha parte, avanço que sou intransigentemente contra a prefeitura construir garagem ou qualquer coisa no gênero, entre outros motivos pelas inalienáveis licitações fraudulentas, comissões, superfaturamentos e os tradicionais desperdícios que campeiam o negócio pútrido das “obras públicas” no Brasil – afinal, sempre pagas pelo contribuinte.

Antes de tudo devo me penitenciar junto aos leitores do deste site por não ter esclarecido em minúcia, no artigo sobre o choque da desordem no Rio de Janeiro promovido pelo prefeito Eduardo Paes, que “estacionamento defronte aos prédios sem garagens”, defendido por mim, não é, sob nenhuma hipótese, a mesma coisa que “estacionamento na calçada” – equívoco que determinou a justa reação de alguns leitores. Sendo um intransigente defensor do livre direito de ir e vir, como defender o estacionamento de veículos nas calçadas, um abuso flagrante ao pedestre? Nem de porre!

Rio de Janeiro: Choque da desordem

Enquanto a prefeitura enche as burras de dinheiro esfolando os munícipes, e trama projeto bilionário para mergulhar no subsolo a vida urbana da Avenida Rio Branco, obra irretocável de Pereira Passos, a cidade atravessa a sua fase mais crítica, entregue à sujeira, às intempéries, à marginalidade e ao caos urbano generalizado.

Mas, como ia dizendo no último artigo, em pouco menos de um ano o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, versão carioca do Conde Drácula, já cometeu todo tipo de vilania contra os seus munícipes, a começar pela ampliação de tributos e criação de novos impostos – dois achaques que prometeu à população jamais cometer. Sim, claro, o “carioca” protesta e assume ar de indignação, escreve incontáveis cartas às redações de jornais, mas não há do que reclamar: todo mundo pressentia que, embora noviço no executivo, Paes iria se comportar como o político (socialista) veterano que só enxerga no cidadão a presa indefesa a ser vampirizada.

Prefeito pilantra

Prestem atenção neste nome: Eduardo Paes. Vai ser o próximo governador do Rio. Em matéria de escolha, o eleitorado do Rio de Janeiro, do gênero “mulher de malandro”, é um dos piores do mundo, senão o pior.

Pilantra é termo generoso para se definir a administração do prefeito Eduardo Paes, no Rio de Janeiro, a cidade dos 1001 horrores. Em pouco menos de um ano à frente da prefeitura, ele já cometeu todo tipo de vilania contra os seus habitantes, inclusive a de criar novos impostos e aumentar o IPTU – dois achaques que, antes das eleições municipais de 2008, jurou à população jamais cometer. Coitado do trouxa que nele acreditou!

Se Lula existe, tudo é permitido

– “E daí?… Se Lula pode e faz pior, por que é que eu não posso?”

No romance “Os Irmãos Karamazov”, de Fiódor Dostoievski, o personagem Ivan, o mais velho dos irmãos, durante extensa conversa com o diabo em pessoa, ao ser tomado por incontrolável impulso de euforia, observa: “Se Deus não existe, tudo é permitido!”.

Quando o Brasil começou a se ferrar

Tivemos na República Velha uma sucessão de governos ineptos, depois duas revoluções ditatoriais (uma civil e outra militar) consideradas “modernizadoras”, o suicídio de Vargas e a ascensão democrática de Juscelino, o presidente que fez da construção de Brasília (“a mãe de todos os escândalos”) instrumento programático da corrupção oficial.

Vendo no jornal da TV Globo (“uma emissora a serviço do governo”) Lula dizer que as imagens do governador Zé Arruda arrastando a grana do propinoduto brasiliense “não falam por si”, nem provam coisa alguma, me veio à cabeça uma pergunta tardia, mas obrigatória: quando foi que o Brasil começou a se ferrar?

O filme de Lula e a propaganda criminosa

Atualizado em 4 de dezembro de 2009, às 16h00.

Embora o aval de Lula e os direitos de filmagens estivessem cedidos desde 2003, a “expertise” da produção programou sua exibição exatamente para 2010, ano de eleições presidenciais, no pressuposto de que o melodrama mistificador seria peça publicitária capaz de influenciar a massa ignara na hora do voto.

O articulista Zuenir Ventura, comunista light a serviço da patotagem do cinema novo, reverberou a opinião (“O Globo” 25/11/09) de Luiz Carlos Barreto, quem sabe bolado nos intestinos mentais deste produtor, de que o filme “Lula, o filho do Brasil” (no qual a Globo Filmes, empresa das Organizações Globo, investiu R$ 800 mil) foi produzido “para ganhar dinheiro, sem qualquer objetivo ideológico”. Antes, no mesmo espaço, fazendo marketing disfarçado, Ventura já havia caitituado o filme de Lula, que, segundo ele, iria “mexer com a emoção e encharcar o cinema de lágrimas”.

O grande Anselmo Duarte

Nunca foi diletante, nem teve pai rico ou partido político atrás de si. Sua dialética não era a das teorias concentracionárias, mas, sim, a da própria vida.

AnselmoDuarteMorreu o grande Anselmo Duarte, de longe a maior personalidade do cinema brasileiro moderno, mesmo considerando a presença do lendário Alberto Cavalcanti. Anselmo era ao mesmo tempo um sujeito sagaz, corajoso, inquieto, engraçado, generoso, mentalmente ágil, com grande experiência de vida real e dotado de qualidade rara para quem pretende dirigir, bem, um filme: discernimento. O diretor paulista, mesmo tendo um argumento precário em mãos, sabia distinguir com clareza e enfrentar com paciência e criatividade os obstáculos técnicos, materiais e humanos encontradas num set de filmagens, e a todos superar – coisa difícil de ver, por exemplo, em qualquer espécime do Cinema Novo – vivo ou morto.