Nivaldo Cordeiro


O Brasil pós Lula

A sentença prolatada pelo juiz Sérgio Moro do Lula, condenando Lula a 9 anos e seis meses de prisão, praticamente decretou a sua morte política. O período que se abre agora até a confirmação da sentença em segunda instância será apenas um prolongado velório e, como todo velório, terminará no sepultamento político do ex-presidente. A […]

O voto e o concurso

O STF e outros membros do Poder Judiciário têm usurpado a ação dos representantes do povo, dando-se a si mesmos poder delegado que não possuem, nunca possuíram. Há um duelo institucional em curso no Brasil, bem espelhado no editorial do jornal O Estado de São Paulo na edição de hoje. O Poder Judiciário tem legitimidade […]

O erro de Eliana Cardoso

Eliana Cardoso, cega com seu “femicídio” e seu feminismo, passou por cima dos fatos e nada viu. Só enxergou aquilo que quis ver.

Pensar em Guimarães Rosa como um simpatizante feminista avant la lettre é um disparate. Pô-lo como um combatente suposto contra o que ela chamou de “femicídio” (termo mais feio. Acho que tudo que vem das feministas é feio. Por que será?) é uma ideia completamente fora de lugar.

As duas globalizações

Esse processo político é, na verdade, a maior ameaça que paira sobre a humanidade desde a origem, uma vez que tal entidade política mundial não poderia ser outra coisa que não uma ditadura.

Sobre o Estado


As distopias que visualizam o futuro próximo com a mais completa escravidão das pessoas relatam uma ameaça real.

Todo mundo já leu em algum lugar a famosa frase do francês Frédérik Bastiat:  “O Estado é a grande ficção pela qual todo mundo se esforça para viver à custa de todo mundo”.  Ele escreveu essa frase sarcástica no final do século XIX e a realidade desde então só piorou. Nos albores do século XX no mundo todo o Estado não se apropriava de mais do que 4% do PIB e, mesmo nos EUA, hoje em dia já leva para mais de 30% do PIB. No entanto, essa frase não é verdadeira por um simples motivo: o Estado é mais do que uma realidade distribuidora de renda. Muito mais. É o Poder. Temos, para explicar o Estado, que sair do sarcasmo de Bastiat e penetrar nas suas entranhas.

O ideólogo FHC

O que FHC chama de ultraconservadores são os cristãos e os que são contra o socialismo.

FHC sabe que a derrota do PT foi um passo atrás no rumo da revolução que ele tanto acalantou e pela qual tanto lutou.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em tudo que escreve não se esquece de sua veia de ideólogo socialista, razão porque elegeu como inimigo de verdade o grupo conservador, não apenas na sua representação política, mas na sua condição existencial. FHC nunca faz esse combate com idêntica energia quando se refere aos liberais doutrinários, pois sabe ele que o berço de ambas as ideologias, socialista e lieral, é o mesmo. FHC aceita o liberalismo, sobretudo na sua versão norte-americana, mas também na clássica. Descobriu governando, ao implantar o Plano Cruzado, que a ciência econômica digna do nome é a liberal. Seu “neoliberalismo” consiste na conciliação do Estado grande com as ideias centrais do liberalismo clássico, ao menos no que se refere à busca do equilíbrio econômico e na boa administração da moeda.

O Whatsapp e a Justiça

A cada polícia criada, a cada regulamento promulgado, a cada burocracia que se agiganta sobre o particular, vemos parte da liberdade morrer.
O caso do WhatsApp é exemplar.

O atentado em Nice

Foi chocante ver as imagens de um filme amador, feito por aparelho de telefone celular, do atentado terrorista em Nice, com o uso de um caminhão para atropelar a multidão desavisada. Brutal, eficaz, apocalíptico. Por isso sempre achei que Cervantes estava certo ao pôr na boca de Dom Quixote que moinhos de ventos eram gigantes que ameaçavam os homens. As máquinas modernas são esses gigantes, quanto maiores e mais maravilhosas podem ser postas a serviço do mal. A metáfora hilária cervantina nunca foi tão bem expressa pelos fatos, pena que um Dom Quixote não estivesse a postos para atacar o gigante e defender as pessoas em Nice.

A multiplicação dos pães

Que os bens existentes nesse mundo destinam-se ao sustento de todos ninguém discute, mas nem só de pão vive o homem.

Dizer que cabe ao governo assegurar acesso aos bens é uma aberração anticristã.

O arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer, em artigo publicado no Estadão, no sábado, fez a seguinte afirmação:

“Outro princípio importante que deve orientar a vida social e política é a “destinação universal dos bens”. Os bens existentes neste mundo destinam-se ao sustento de todos, “com o critério da equidade, tendo por guia a justiça e por companheira a caridade (Gaudium et spes, 69).

Razões da queda

Vimos o triunfo da democracia e o que eu achava mais improvável, a saída não violenta do PT do poder, está acontecendo.

Dilma Rousseff cassada fecha um ciclo de expansão das esquerdas brasileiras, que tentaram implantar a revolução pelo voto. É preciso dizer que o PT quase conseguiu, faltou apenas o passo decisivo para controlar o Congresso Nacional. Fracassou, todavia. Na tentativa de subjugar Parlamento, o PT inventou o mensalão e o petrolão, apostou forte na via da corrupção como atalho para o poder total. Diga-se que é preciso muita incompetência para pôr 2/3 do parlamento contra si, sendo o partido governante. O descalabro administrativo foi decisivo.