Nivaldo Cordeiro


Os três eixos da revolução brasileira


A esquerda deixou de ter o monopólio da mídia e da produção de ideias. A internet deu voz àqueles que, isolados, nada podiam fazer para interferir no processo.

É notório que o Brasil vem num processo de transformação rápido, que tem sido produzido pela revolução socialista que está em curso. Esta revolução quer ser silenciosa e tem passado desapercebida para a maioria dos brasileiros. Poucas vozes se levantaram para denunciar e falar sobre o assunto. Quero aqui explicitar como esse movimento revolucionário tem sido implantado em nosso país.

Êxodo, de Ridley Scott


As maravilhas relatadas no livro aconteceram e foram para mostrar que, quem conhece Javé, não pode compactuar e nem se submeter ao Estado idólatra.

Seu eu não fosse leitor assíduo da Bíblia e desconhecesse o livro do Êxodo, até teria gostado da leitura feita por Ridley Scott no seu recente filme Êxodo – Deuses e Reis. Bela fotografia, Christian Bale está soberbo no papel de Moisés, a cenografia recria ricamente as cidades egípcias, sua periferia escravizada composta por israelitas; a recriação do processo produtivo das construções de monumentos é bastante convincente.

Christian Bale conseguiu fazer um Moisés viril, destemido, nobre. Sua função de líder enviado por Deus o tornou uma figura símbolo fortíssima e Bale soube dar dignidade ao personagem. Um sacerdote e um guerreiro, um profeta, assim fez Bale retratar esse personagem, muito rente ao texto. Gostei de como foi apresentado o seu encontro com a família de sua esposa, mostrando como se vivia e se viajava e se dava abrigo a estrangeiros naqueles tempos. Moisés foi também um peregrino vindo dos desertos.

O PT e o ajuste fiscal

Foi preciso que se instalasse a maior crise das últimas décadas para que a política econômica fosse modificada.

Ontem a Câmara de Deputados aprovou a Medida Provisória 665, que reduz benefícios trabalhistas e impõe arrocho contra os trabalhadores. A própria edição da Medida Provisória mostra a grande contradição que é intrínseca ao PT. De um lado, denuncia o “neoliberalismo” supostamente por esse ser contra os trabalhadores, fazendo discurso populista sobre temas econômicos complexos. Do outro, praticou uma medida saneadora necessária, pois que o modelo desenvolvimentista adotado pela presidente Dilma Rousseff esgotou-se em meio à mais grave crise econômica desde 1930. O princípio de realidade triunfou sobre o discurso populista. No último programa do PT Lula ainda vociferava suas palavras de ordem de 30 anos atrás, mas foram palavras ao vento, sem influir nas decisões tomadas.

Balanço do 12 de Abril


A multidão nas ruas sabe que o PT é o mal na política, tanto por suas más intenções revolucionárias quanto pela incompetência na gestão governamental.

Este domingo, 12 de abril, ficou marcado pelas grandes manifestações de massa, em todo o país. O mar de gente na Avenida Paulista foi o emblema dos atos. O que eu vi – e preciso ser honesto comigo mesmo – foi uma manifestação maior do que a do dia 15 de março. O espalhamento dos carros de som ajudou no preenchimento do espaço público. A estimativa da Polícia Militar de que havia 275 mil (um terço da anterior) não é realista. Os organizadores estimaram o número em 800 mil presentes, número bem próximo do real.

O caos político

O PT esgotou-se de tanto mentir. Não tem mais condições para governar o país.

Se as manifestações do domingo vindouro forem da envergadura com que estão previstas, Dilma Rousseff terá que sair do poder.

O dia de ontem mostrou o tamanho do desastre da desarticulação política da presidente Dilma Rousseff. Sua inabilidade e falta de realismo levou-a a um beco sem saída. Para piorar, está colhendo os frutos dos graves erros de decisão que tomou desde que a campanha eleitoral foi encerrada, refletidos nos índices de preços e da produção. A irritação dos brasileiros com seu governo está expressa nas elevadíssimas taxas de rejeição que ela sofre, as maiores desde que são medidas.

Procura-se um jardineiro

Ou impeachment ou o caos.

O dia 12 de Abril será o enxotamento dos petralhas. Será o começo do fim.

Tenho dito que o mundo político é como o quintal da nossa casa, onde brincam os filhos e brincarão toda a descendência. Cabe ao dono da casa, o cidadão, escolher se seu quintal será um monturo ou se um jardim. O Brasil está um monturo e precisa urgentemente de um jardineiro para pôr mãos à obra.

Esse é o sentido das grandes manifestações populares anti-PT, como a do 15 de Março e como será a de 12 de Abril. Toda a gente anseia pelo jardineiro que irá fazer as flores florirem novamente. A higienização do quintal é a tarefa preliminar. Remover o PT é um imperativo histórico, é a expressão dessa higienização.

Sinais de vitalidade

A possibilidade de impeachment da presidente é real e parece ter se tornado a única saída racional para o estancamento da crise política e da crise econômica.

Remover Dilma Rousseff do poder parece ser o único caminho de sobrevivência da nação.

Dois sinais de grande vitalidade a sociedade brasileira deu nos últimos tempos, ambos sinalizando uma resistência contrarrevolucionária vigorosa. Como se sabe, nas últimas décadas o Brasil foi envolvido pela tática gramsciana de tomada do poder, sendo um dos seus focos a revolução cultural. Outro o aparelhamento ideológico dos formadores de opinião, notadamente a grande imprensa. O produto dessa revolução gramsciana foi levar sucessivos governos de esquerda ao poder, destruindo, no processo, a direita política. O processo revolucionário, todavia, parece que está sendo estancado de forma espontânea pelos brasileiros, o que é algo muito promissor, sem o concurso das forças política organizadas.

A verdadeira questão da corrupção

Um Executivo irresponsável criou a própria armadilha para seus agentes, ao permitir o liberou geral. Os petistas escorregaram em sua própria casca de banana.

Qualquer estudioso mediano de ciência política sabe que a corrupção é inerente ao exercício do poder e dele não pode ser separada. A corrupção não pode ser extirpada. Qualquer burocrata saberá sempre traduzir seu poder em mercadoria. Uma leitura atenta do que Ortega y Gasset escreveu sobre Mirabeau vai ensinar que é assim, sempre foi assim.

Bem outra coisa é haver tolerância com a corrupção. Quando ocorre isso perde-se o controle e o Estado deixa de exercer suas funções, passando, cada grupo de poder no seu interior, a atuar como facção autônoma, impedindo a funcionalidade do sistema. Nenhum Estado sobrevive se a corrupção ocorrer sem repressão e sem custos. Na raiz, está o sistema jurídico, que codifica e administra a Justiça.

A eleição de Eduardo Cunha

Como compreender a eleição de Eduardo Cunha para a presidência da Câmara dos Deputados, contra a vontade do PT e da presidente Dilma Rousseff? Para responder a essa pergunta é preciso, antes, analisar os resultados das últimas eleições. Em artigos sobre o tema eu avaliei que o PT, não obstante ter vencido a eleição para a Presidência da República, tinha amargado uma sonora derrota parlamentar. A eleição consagradora de Eduardo Cunha foi apenas a consequência lógica dessa derrota sonora nas urnas.

 

É bom que se diga que a posição do PSDB e seus aliados em torno do nome alternativo de Júlio Delgado foi uma jogada tática que deu conforto aos seus líderes. Para Eduardo Cunha, o relevante era não haver segundo turno, pois não precisava para isso dos votos das oposições em si, mas apenas que ela não somasse com o adversário petista, dando alento à sua candidatura. O PSDB não aderiu, mas deu apoio tático. O resultado foi desastroso para o Palácio do Planalto.

O problema do PT

Essa gente acredita que pode governar de costas para a realidade, pregando e praticando coisas inviáveis e nocivas, contra a ordem econômica sadia e contra os bons costumes.

De fato, o PT chegou a uma encruzilhada histórica. Está há doze anos no poder e se encontra naquele limiar inevitável, o do caos econômico derivado das políticas distributivistas populistas que inviabilizam o livre mercado, seja pelo excesso de tributação, seja pelo excesso de intervenção estatal. Para cumprir a sua agenda, o PT terá necessariamente que caminhar para seu viés autoritário. Com imprensa livre e o Congresso Nacional funcionando não haverá mais “avanços” na agenda revolucionária, podendo haver mesmo um retrocesso “neoliberal” em razão das necessidades imediatas inadiáveis.