Nonie Darwish


Terrorismo islâmico: jamais aceitá-lo como o “novo normal”

O “novo normal”? Polícia ajuda sobreviventes do atentado terrorista na London Bridge, 4 de junho de 2017. (Foto de Carl Court/Getty Images) Quando ocorrem ataques terroristas, é comum ouvirmos da mídia ocidental e da classe política que devemos aceitar os ataques terroristas como o “novo normal.” Para os cidadãos do Ocidente esta é uma frase […]

A gentil família muçulmana que mora na casa ao lado

No Corão, a vingança santa e a retaliação são uma ordem aos muçulmanos: “Oh! tu, que crês! A retaliação é prescrita a ti. Aquele que transgredir depois disto terá um futuro tenebroso” (Corão 2.178).

Tendo crescido como muçulmana, insisto com os americanos que exijam mais dos chamados muçulmanos “moderados”, em vez de dar-lhes passe livre por seu silêncio, o que a eles parece uma defesa cúmplice da jihad (guerra santa).

Os vizinhos da família muçulmana chechena, cujos filhos foram responsáveis pelo ataque terrorista na Maratona de Boston, disseram que ficaram boquiabertos com as notícias e que essa gentil família muçulmana era conhecida por sua generosidade e amabilidade. Muitos americanos freqüentemente dizem: “Que tal a família muçulmana que mora na casa ao lado? São pessoas realmente ótimas”.

Sem punição por apostasia, o Islã já teria sumido

O Ocidente se recusa a ficar preocupado; e, quando seus cidadãos ficam preocupados, são silenciados. São processados, atacados, ameaçados de deportação, sentenciados à morte, e, às vezes, assassinados.

Os estudantes egípcios do islamismo são ensinados que o canibalismo dos apóstatas é halal (permitido).

 
O líder sunita mais influente do Oriente Médio acaba de admitir o que muitos de nós, que crescemos como muçulmanos no Oriente Médio, sempre soubemos: que o islamismo não poderia existir hoje sem a matança dos apóstatas. Yusuf al-Qaradawi, chefe da Irmandade Muçulmana e um dos mais respeitados líderes do mundo sunita, disse recentemente à TV egípcia: “Se eles [os muçulmanos] tivessem eliminado a punição [freqüentemente a morte] por apostasia, o islamismo não existiria hoje”. O mais chocante a respeito de sua declaração, entretanto, foi que não se tratava de um pedido de desculpas; era uma justificação lógica e orgulhosa em favor da preservação da pena de morte como punição pela apostasia. Al-Qaradawi parecia sensato, não aparentando nenhum conflito moral, nem sequer hesitação, a respeito dessa política no islamismo. Pelo contrário, ele afirmou a legitimidade das leis islâmicas em se apoiarem no justiçamento de rua através do medo, da intimidação, da tortura e do assassinato contra qualquer pessoa que poderia ousar deixar o islamismo.

Usando crianças como armas

A cultura ocidental tem ferido mulheres, crianças e a estrutura familiar, dizendo às mulheres que elas conseguem fazer tudo, falando aos homens que eles são descartáveis, e informando às garotas que a maternidade e o casamento são desnecessários.

Se isto não for abuso dos direitos humanos, então o que é?

No Oriente Médio, crianças estão sendo usadas, pelos adultos que deveriam tomar conta delas, para se tornarem armas jihadistas para conquistar o mundo – às vezes com bombas presas aos seus corpos para matarem seus supostos inimigos. As crianças recebem treinamento com armas para aprenderem a matar judeus, e lhes é dito que morrer por amor à jihad (guerra santa) é a mais alta honra e a única garantia de irem para o céu. Se estas coisas não forem abusos dos direitos humanos das crianças, o que é? Na escola de ensino fundamental que freqüentei em Gaza, a agenda política e cultural do mundo árabe era enfiada por nossa garganta abaixo em efetivamente todos os assuntos.

Sharia para bobos

Na linha de frente pela instalação de uma mesquita no Ground Zero do 11/9, o imã Rauf afirma que a Sharia está em plena harmonia com as leis americanas. Um rápida lida em algumas leis da Sharia mostra com que espécie de pessoas os americanos estão lidando.

O imã Feisal Abdul Rauf* afirma que a constituição dos Estados Unidos é concorde com a Sharia. Examinemos algumas das leis da Sharia para ver se o Imã Rauf é honesto ou um impostor:

A miséria causada pelos árabes

Os árabes alegam amar o povo palestino, mas parecem mais interessados em sacrificá-lo. Se realmente amassem seus irmãos palestinos, eles pressionariam o Hamas para parar de atirar mísseis contra Israel.

Doadores internacionais garantiram quase 4,5 bilhões de dólares como ajuda para Gaza no início deste mês. Nestes últimos anos, tem sido muito penoso para mim testemunhar a situação de deterioração humana na estreita faixa onde morei quando era criança, nos anos 1950.

Uma reforma islâmica

Nascida e educada como uma islâmica, cresci em Gaza e Cairo na época em que Gamal Abdel Nasser comprometeu o Egito com a unificação do mundo árabe para destruir Israel. O Egito mobilizou os árabes de Gaza e encorajou o “fedayeen” a fazer ataques de fronteira em Israel. Meu pai, um alto oficial do escalão egípcio, foi morto num desses ataques. Após a morte de meu pai, por algumas semanas as atenções foram pródigas com minha família. Entretanto, viúvas de “shahids” como meu pobre pai, foram deixadas distantes numa cultura que só respeita famílias lideradas por homens.

Em Gaza, a escola elementar ensinava o ódio, a vingança e retaliação aos judeus. Paz com Israel jamais era mencionada como opção. Ensinou-me para não aceitar doces de estranhos, porque podiam ser judeus tentando envenenar-me.

Vivi no mundo árabe até completar trinta anos enfrentando três grandes guerras e a sempre crescente influencia do fundamentalismo islâmico. A liberdade de expressão fora suprimida. Os cidadãos desenvolveram um certo grau de conforto em serem controlados por ditadores. Suas estátuas e fotografias estavam nas mãos de todos e canções os enalteciam em cada estação de rádio. Testemunhei a opressão da mulher, a mutilação genital feminina, a poligamia, e tudo isto causando devastações na dinâmica familiar.

Finalmente sentia-me feliz em deixar tudo para trás e mudar-me para a América do Norte, em 1978. Repentinamente passei a usufruir liberdade de religião e igualdade entre classes e raças. Meu primeiro trabalho me foi dado por um empresário judeu. Testemunhei judeus, cristãos e muçulmanos praticando suas religiões pacificamente. Entre meus amigos judeus e cristãos eu ouvia palavras de amor, compaixão, perdão e “shalon”. Sinceramente eles se perguntavam o que poderiam fazer para que houvesse paz entre os árabes. Eu sentia a traição de minha cultura de origem, advogando contra a violência ou conversando sobre paz somente perante os ocidentais. Compreendi que crescera atrás de muros de medos, mentiras da mídia e decepções que nos separavam do resto da humanidade. Mas eu não podia verbalizar estes pensamentos.

Quando visitei o Egito em 2001, a situação estava cada vez mais difícil por lá. Poluição, materiais e lixo perigosos eram encontrados às margens do Nilo. Existia uma extrema pobreza, desemprego, inflação alta, corrupção por todos os lados e má administração.

Retornamos aos Estados Unidos em 10/09/2001. Na manhã seguinte o mundo mudou!

Percebi, no exato momento em que o segundo avião atingiu as Tôrres Gêmeas, que o Jihad começara na América. Para meu horror, o país que me havia abrigado, protegido e devolvido a minha esperança, sofria um monstruoso ataque de minha própria cultura de origem. Imediatamente telefonei para alguns amigos muçulmanos. Sem exceção, eles se desculpavam pelo ataque terrorista, tirando a responsabilidade do mundo muçulmano e concluindo que tudo não passava de uma conspiração judaica. Eles não eram fundamentalistas radicais, mas muçulmanos  moderados, educados e viajados. Comecei então a refletir sobre a sociedade onde eu crescera.

Quem não praticava o islamismo fervorosamente ficava na mira dos radicais. Os resultados eram as tempestades domésticas, assassinatos políticos, “fatwas” e terror. Os governos árabes constantemente brigavam para manter a estabilidade interna. E um inimigo não muçulmano é necessário para distrair a atenção popular. Lembro-me quando jovem, visitei um amigo cristão no Cairo, durante as orações da sexta. Do lado de fora da mesquita, ouvíamos os pregadores atacando cristãos e judeus: “Talvez Deus destrua os infiéis e os Judeus, inimigos de Deus!” “Não podemos ser amigos deles ou negociar com eles”! Também ouvíamos os fiéis respondendo: “Amem”! Meu amigo olhou amedrontado e eu estava atônita. Pela primeira vez percebi que era  muito perigoso o caminho pensado e praticado pela minha religião. São aquelas pregações as responsáveis por transformar em terroristas os nossos jovens. Nenhum governo muçulmano é perigoso para eles, e, dentro desta dinâmica, só os regimes tirânicos podem sobreviver. Modificar os pensamentos islâmicos não é fácil, especialmente porque as mudanças precisariam vir deles. E os muçulmanos não estão genuinamente interessados em reformas. Uma enorme e bem fundamentada campanha, em operação desde 11/09/2001, é um trabalho sobre a imagem e a reputação do Islã. Mas isto não confronta a fundamental necessidade de uma reforma islâmica.

Após 11/09/2001, quebrei meu silêncio. Alguns árabes e muçulmanos também encontraram a força, o comprometimento e a honestidade em seus corações para falar que os Estados Unidos e Israel não são os inimigos. Cruzando a América, tenho tido o privilégio de encontrar muitas pessoas. Temos partilhado temores e abraços com muitas mulheres e jovens estudantes. Americanos simplesmente se surpreendem pela cultura muçulmana. Querem saber porque os muçulmanos não se sentem ultrajados pelos acontecimentos de 11/09. Querem saber porque os muçulmanos moderados não se manifestam a respeito. Com o passar do tempo, comecei a receber e-mails de muçulmanos que concordavam comigo. Eles queriam viver em paz com Israel, mas estavam com medo de falar.   Entendi então que havia a necessidade de um fórum para expor idéias e falar livremente, abertamente ou como anônimos.  Recentemente, uma mulher palestina, vivendo agora nos Estados Unidos, e que partilha meus pontos de vista, mandou-me um e-mail que coloquei no meu site. Fora do costume, deixei-a como anônima. Mas ela me respondeu pedindo que eu colocasse seu nome completo. Já é tempo dos árabes livrarem-se do tabu que é a crítica a si mesmo. Um movimento de reforma do mundo árabe é desesperadamente necessário. Lá existe virtude e bondade que precisam se manifestar. É dever do bom muçulmano ser compassivo e tolerante, não só através das palavras, mas principalmente através das ações. Nós precisamos de uma cultura no Oriente Médio que reflita a diversidade de seus povos e que respeite direitos iguais para todos, judeus, cristãos e muçulmanos. Um objetivo pode ser dar as boas vindas ao povo de Israel como vizinhos, e convidá-los para crescerem conosco numa atmosfera de coexistência e paz. Sinto-me prudentemente otimista que o lado bom da natureza humana possa prevalecer.< /p>

Notas:

A autora trabalha como editora e tradutora, é naturalizada norte-americana, vivendo nos Estados Unidos faz 25 anos. Maiores informações no site noniedarwish.

Palavras de origem árabe usadas nos texto:

Fedayeen:  aquele que aprende a sacrificar sua vida por uma causa.

Shahid: Shaheed: mártir. Modernamente refere-se à pessoa que morre por uma causa política.

Fatwa: decisão legal tomada por especialista em leis islâmicas

Tradução: Regina Caldas.