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Para além da sátira

O pesadelo de povos inteiros trucidados ante o olhar indiferente do mundo e os sorrisos sarcásticos dos bem-pensantes repete-se, igualzinho ao dos anos 30.

Não há discussão possível sem o acesso dos interlocutores a um mesmo conjunto de dados. Os dados do presente artigo estão nos livros “Their Blood Cries Out: The Untold Story of Persecution Against Christians in the Modern World”, de Paul A. Marshall e Lela Gilbert (Word Publishing, 1997) e “Persecution: How Liberals Are Waging War Against Christianity”, de David Limbaugh (Regnery, 2003), e nos sites http://www.religioustolerance.org/rt_overv.htm , http://freedomhouse.org , http://www.markswatson.com/Persecution.html e http://www.persecution.org/newsite/ .

Petrobras x Bancos

Recentemente os bancos Bradesco e Itaú divulgaram seus demonstrativos contábeis referentes ao semestre encerrado em junho. Ambos apresentaram lucros que andam por volta de um bilhão e meio de reais. Instantaneamente os jornais correram a publicar notícias que, como sempre, traziam aquela mensagem subliminar de ganhos espúrios, de injustiça social, de capitalismo selvagem e por aí vai. Os leitores, sempre bem doutrinados, correram a enviar mensagens de desagrado, indignação e revolta.

Lendo estas notícias e respectivas cartas dos leitores, lembrei-me imediatamente do nosso maior e melhor exemplo da doutrina patrimonialista e estatizante que toma conta do país há mais de meio século: a PETROBRÁS, e de um trabalho realizado no início deste ano que se destinava a fazer uma análise econômico financeira sobre os Demonstrativos contábeis apresentados por ela para o exercício de 2003. O estudo abaixo teve como origem uma discussão acalorada com um amigo ex-funcionário da empresa, que se mostrava contra os leilões das áreas de exploração pela ANP.

O trabalho consistiu, basicamente, em coletar dados contábeis consolidados do conglomerado Petrobrás, estabelecer alguns índices à partir desses dados e compará-los com uma outra empresa do mesmo setor. Para efeito de comparação a segunda empresa deveria ter um perfil bastante semelhante, devendo englobar a maioria das atividades desempenhadas pelo conglomerado BR: pesquisa, extração, refino e distribuição. Pela facilidade de pesquisa e por sua óbvia representatividade no setor, escolhi trabalhar com a americana Exxon Mobile, porém se tivesse escolhido outras, como a Texaco, o resultado não seria muito deferente.

É importante esclarecer que todos os números utilizados neste trabalho foram retirados dos demonstrativos contábeis das duas empresas, disponíveis nos sites oficiais das mesmas em: http://petrobrasinfoinvest.com.br/modulos [e] www.exxonmobil.com/corporate/files/corporate/ARfinancial2003.pdf .

Os dados utilizados foram os seguintes, deles se extraindo todos os índices e taxas analisados:

Informações Contábeis Petrobrás (**) Exxonmobil

Lucro Liquido do Período U$ 6,16 bilhões U$ 21,50 bilhões

Patrimônio Líquido (fim exerc.)* U$ 10,93 bilhões U$ 89,90 bilhões

Receita Liquida do Período U$ 33,15 bilhões U$ 246,70 bilhões

Ativos Totais (fim do exercício) U$ 47,17 bilhões U$ 174,28 bilhões

Numero total de empregados 49.100 homens 88.300 homens

(*) Valor Exclui o lucro do ano corrente

(**) Valores convertidos em dolar pela própria empresa

O primeiro ponto que me chamou a atenção nos demonstrativos da Petrobrás foi um resultado líquido (lucro) espetacular no exercício, da ordem de 17,8 bilhões de reais (6,2 bilhões de dólares), muito superior ao lucro auferido por todos os dez maiores bancos brasileiros juntos no mesmo período. Como este número por si só não significa muita coisa, levantei a taxa de retorno sobre o Patrimônio Liquido, que vem a ser a relação entre o lucro líquido do período e o Patrimônio Liquido (Capital Próprio + Reservas). Qual não foi a minha surpresa ao constatar um índice de 56,35%. Quase saí correndo para comprar todas as minhas reservas em ações da Petrobrás, pois há muito poucas empresas na face da terra que produzem tal taxa de retorno. Só para se ter uma idéia, o mesmo índice para a Exxon foi de 22,5% (menos da METADE).

O segundo passo foi levantar o valor da margem líquida da empresa durante aquele exercício. Este índice se obtém pela relação entre o lucro líquido e a receita líquida do período analisado. E foi aí que comecei a sentir-me meio assustado e meio roubado, pois o índice encontrado foi, nada mais, nada menos do que 18,58% (22,24 nas contas da Petrobrás?), ou seja: de cada cem reais de vendas líquidas (descontados todos os impostos diretos incidentes), nada menos do que entre 18 e 22 reais eram puro lucro liquido. Só para se ter uma idéia do absurdo que este número representa, a margem líquida da Exxon, que vem a ser a maior empresa petrolífera do mundo, contando com todo o seu poder de barganha junto a clientes e fornecedores, foi de 8,70%, quase 2,5 vezes menor.

Como teria sido possível tal façanha? A primeira hipótese seria a de que se tratava de uma empresa extremamente eficiente, o que se mostrou falso pelos índices posteriormente analisados. Sobrou então a segunda, da qual eu já desconfiava de longa data: os preços praticados pela Petrobrás em 2003 estavam absurdamente inchados, não só em decorrência da queda brutal do dólar em relação ao real no período, como também em função da queda do próprio preço do petróleo naquele ano.

A pergunta que se colocava, então, era: quem ganhou e quem perdeu com isso?

Em primeiro lugar, como de costume, ganhou a União, que faturou alto nos impostos (estimo algo em torno de 15,40 bilhões de dólares), tanto nos diretos (Cofins, Pis, ICMS, CIDE, etc..) quanto nos indiretos (IR e CSSL), além de, como acionista majoritário, ficar com a maior fatia do lucro.

Logo em seguida vieram os empregados da companhia, que além dos salários (será que ainda são 15 por ano?) médios bem acima do mercado, mais os benefícios extras (as famosas conquistas), ainda levaram o equivalente a 5% do lucro líquido auferido (participações estatutárias). Isto é o que se pode chamar textualmente de re-distribuição de renda (do bolso do consumidor diretamente para o do funcionário público). Pelas contas, se cada empregado recebesse o mesmo valor, daria aproximadamente 17.800 reais para cada cabeça.

O terceiro ganhador são os acionistas minoritários, que receberão polpudos dividendos.

Já os perdedores, bem… os perdedores, infelizmente, fomos todos nós consumidores de derivados de petróleo e gás, ricos e pobres, indiscriminadamente, que passamos um ano inteiro pagando pelos nossos combustíveis muito mais do que seria razoável, desejável e necessário, graças ao monopólio que ainda insistem em defender. O mais interessante de tudo é que não me lembro de uma carta sequer aos jornais reclamando dessa situação.

O passo seguinte foi tentar aferir o nível de eficiência da empresa e de seus empregados, tão propalada pela propaganda maciça. O parâmetro escolhido, em princípio, foi a relação entre a receita líquida e os ativos totais de cada uma das empresas. Este índice serve para medir a capacidade de uma empresa em gerar receitas com base em seu patrimônio total. Como este índice não está sujeito à interferência de uma margem de lucro artificial, criada em função da posição monopolista, a disparidade encontrada foi enorme: enquanto a empresa americana obteve uma receita liquida total da ordem de 141% do seu patrimônio, a nossa eficientíssima Petrobrás obteve apenas a metade, ou seja, 70%. Isto demonstra que o lucro da empresa brasileira no ano passado não foi resultado da sua capacidade empresarial, mas simplesmente dos preços absurdos praticados. Por este índice, a Exxon é duas vezes mais eficiente que a Petrobrás.

Não satisfeito com os resultados encontrados, resolvi dar um crédito à nossa estatal e passei a analisar os resultados em termos da eficiência funcional das duas empresas. A primeira comparação foi entre os valores das Receitas Líquidas em relação ao número total de empregados. Chegamos à conclusão que, em média, cada um dos funcionários da Exxon produziu uma receita líquida da ordem de US$ 2.794.300, enquanto na Petrobrás este valor foi de aproximadamente US$ 676.530. Significa dizer que a produtividade média dos empregados da Exxon em função da sua receita é de cerca de 4 vezes a dos eficientíssimos trabalhadores da Petrobrás. Cabe ressaltar que nestes números não estão incluídos os milhares de funcionários terceirizados da empresa brasileira (este dado não está disponível) e portanto a disparidade é certamente ainda maior.

Mesmo sabendo que o próximo índice não seria muito ilustrativo, haja vista que o lucro apresentado pela Petrobrás encontrava-se artificialmente inchado pela margem líquida analisada acima, resolvi estabelecer a relação entre o lucro líquido das empresas e o seu quantitativo de empregados. Qual não foi a minha surpresa ao ver que, apesar daquela margem exorbitante, que resultou num lucro liquido nominal imenso para os padrões brasileiros, os índices encontrados aqui foram ainda amplamente favoráveis à Exxon e seus empregados, ou seja: Petrobrás ? lucro de US$ 125.714 por empregado; Exxon ? lucro de 243.488 por empregado.

Para finalizar, como este setor é (ou deveria ser) eminentemente de “capital intensivo?, resolvi apurar o índice que mede o valor dos ativos por trabalhador em cada uma das empresas analisadas, chegando aos incríveis números de: Petrobrás ? US$ 962.653 em ativos para cada funcionário e Exxon ? US$ 1.973.703 para cada um. Que grande cabide de empregos!

Como se vê, exceto pela margem líquida artificialmente conseguida, com base única e exclusivamente num monopólio extemporâneo e fora de propósito, qualquer índice que se cogite a vantagem é sempre larga em favor da empresa americana. E, por favor, não me venham dizer que em outras épocas a Petrobrás bancou preços artificialmente baixos em prejuízo próprio porque o balanço que analisei mostra uma saúde financeira invejável tanto em termos de índice de endividamento quanto de liquidez.

Resumo dos índices apresentados:

Índice Medido Petrobrás Exxonmobile

Lucro Líquido / Patrimônio Líquido (%) 56,35 22,50

Margem Líquida (Lucro Líquido / Receita Líquida) (%)18,58 8,70

Receita Líquida / Ativos Totais (%) 70,00 141,00

Receita Líquida / n.º de empregados formais (US$) 676.530 2.794.300

Lucro Líquido / n.º de empregados formais (US$) 125.714 243.488

Ativos Totais / n.º de empregados formais (US$) 962.653 1.973.703

Este é John Kerry

Resumo: O candidato democrata à Casa Branca,
John Kerry, embora seja apresentado pela grande mídia como um homem sério e “herói de guerra”, na verdade possui um histórico nada recomendável, inclusive em termos de patriotismo.

© 2004 MidiaSemMascara.org

JOHN  “HANÓI” KERRY PARA PRESIDENTE?

Foto abaixo: o candidato “herói de guerra” na mesma manifestação com  Jane ‘Hanói’ Fonda, uma das mais fanáticas ativistas pró-comunistas durante a guerra do Vietnã.

Uma foto aparentemente mostrando o candidato Democrata a Presidente John Kerry protestando contra a Guerra do  Vietnã, junto com a atriz anti-Americana “Hanoi Jane” Fonda – a foto mais temida pelos Democratas – existe e foi obtida por NewsMax.com 

Uma outra, comparativa, feita pelo PoliticalHumor é ainda mais clara (abaixo):

 

A foto foi tirada no Dia do Trabalho de 1970. Kerry, então uma estrela em ascensão entre os Veteranos contra a Guerra do Vietnã, juntou-se a Fonda neste violento protesto em Valley Forge, Pensilvannia.

Nesta manifestação, os oradores acusavam os soldados americanos de cometer um genocídio e de “racismo internacional”. E foi neste protesto, exatamente, que Kerry brilhou, começando sua carreira política. No seu discurso ele disse: “Nós estamos aqui acima de tudo porque ganhamos o direito de criticar a guerra”, levantando a platéia, sendo Jane a mais entusiástica. Naquele momento ele se tornou um novo líder nacional.

Seu discurso, mais tarde, como líder dos Democratas em Massachusetts, solidificou ainda mais sua relação com Jane. Eles viajaram juntos a Detroit, para organizar um evento chamado “Winter Soldier Investigation”, em janeiro de 1971. Eles reuniram uma assembléia de veteranos desiludidos descrevendo as maiores atrocidades. De acordo com Jug Burkett, Jane teve um papel fundamental neste evento, inclusive como financiadora. Muitas das “testemunhas” vieram a ser denunciadas, mais tarde, como rematados impostores.

Foi neste encontro que Jane encontrou seu futuro marido, Tom Hayden, da organização radical, “Students for a Democratic Society”.

Foi no ano seguinte que Jane seguiu para Hanói e onde tirou a foto abaixo, onde ela, numa bateria antiaérea norte vietnamita, simulava atirar nos aviões “americanos imperialistas”:

(AP/Wide World Photos)

É interessante notar que a foto abaixo, nitidamente uma montagem, foi publicada unicamente pelo New York Times, jornal que apóia Kerry com unhas e dentes:

De acordo com snopes.com ela é totalmente falsa e é a montagem de duas outras (abaixo), separadas no tempo e no espaço, mostradas abaixo. O fato do NYT reconhecer a falsidade e pedir desculpas, e esta montagem estar servindo às mil maravilhas para a propaganda Democrata, não nos permite suspeitar que tenha sido uma “armação” da campanha de Kerry?

Em vista disso tudo, a organização “Vietnam Veterans Against John Kerry” (Veteranos do Vietnã contra John Kerry)  já elegeu seu cartaz principal:

True Lies II – a face oculta do governo mundial

Heitor de Paola revela detalhes sobre onde a UNESCO, durante a administração de Robert Muller, procurou inspiração para seus programas educacionais.

“Dentro da ONU está o germe e a semente de um

grande grupo internacional de meditação e reflexão –

um grupo de pensadores bem informados, em cujas mãos está o

destino da Humanidade. Eles estão sob o controle de muitos

discípulos do ‘quarto raio’ […] e seu foco é o plano de intuição

Búdica – o plano que comanda toda atividade hierárquica”

Alice B. Bailey [1]

Discipleship in the New Age

Alice Bailey é a inspiradora espiritual de um dos personagens mais sinistros da segunda metade do século passado, Robert Muller. Muller foi Secretário Assistente durante os mandatos de três Secretários Gerais da ONU: Dag Hammarskjöeld (1953-1961), U Thant (1961-1971) e Kurt Waldheim (1972-1981). Foi o idealizador de um método novo de ensino, o World Core Curriculum [2] (*) e fundador da primeira Escola Robert Muller, em Arlington, Texas.

A base deste novo método era constituída de crenças ligadas à New Age, como o holismo, a Espiritualidade Global, o ensino centrado na Mãe-Terra (Gaia) como o centro de toda as crenças religiosas. Os três princípios fundamentais são: Unidade com o Planeta, Unidade com o Povo e Harmonia do Self. Introduzia-se o ‘Pensamento Crítico’ que não significa o que parece – ensinar a criança a pensar por si mesma – mas ‘a aprender como subverter os valores tradicionais de nossa Sociedade. Você não está ‘pensando criticamente’ se aceita os valores transmitidos pelos pais. Isto não é ‘crítico’. Há um viés nitidamente anticristão e antijudaico com a preponderância de práticas mágicas indígenas, panteístas e politeístas, além da mudança da ênfase do ensino para os ‘relacionamentos’ entre indivíduos e entre eles e o planeta [3]. Em 1989 a UNESCO concedeu a Muller o Prêmio de Educação para a Paz e se iniciaram os estudos para que a UNESCO recomendasse que todas as escolas e universidades do mundo se tornassem, lá pelo ano 2000, ‘escolas para a paz e a não-violência’, através do mesmo Curriculum, de ‘modo a preencher a função cósmica inata em cada um de nós’ [op.cit., p. 45]. Muller dirige e depois passa a ser o principal assessor da UNESCO para a educação.

De onde vinha a inspiração para tais ensinamentos? Da já mencionada Alice Bailey. Bem, não exatamente dela, mas de seu ‘guia espiritual’, o Mestre Tibetano Djwhal Khul (gravura), que teria vivido há milhares de anos e falaria através de Alice. Seus primeiros ‘contatos’ se deram aos 15 anos. Em suas próprias palavras: ‘eu estava sentada no escritório, escrevendo. A porta se abriu e entrou um homem alto vestido com roupas ocidentais mas usando um alto turbante. Ele me disse que havia trabalhos já planejados para que eu executasse, mas que eu tinha que mudar muito minha disposição’. Anos depois, ela veio a tomar contato com as ‘Doutrinas Secretas’ dos Teosofistas e reconheceu que ‘aquele homem era o Mestre Koot Hoomi'[4]. Para sabermos a origem dessas idéias é preciso recuar no tempo, até o final do século XIX.

* * *

Estas ‘Doutrinas Secretas’ eram obra de uma das maiores escroques e vigaristas que já existiram, a fugitiva e renegada russa Yelena Pietrovna Blavatsky que apareceu misteriosamente nos EEUU em finais do século XIX. Falida e percebendo a insatisfação dos americanos e ocidentais em geral com o progresso científico e material e o interesse crescente despertado pelo orientalismo e o espiritualismo, passou a se valer disto ensinando que o homem nem era criação divina nem descendente dos macacos como Darwin dizia (sic) mas sim de ‘seres espirituais’. Espertamente alegou que os cientistas haviam estreitado demasiadamente o conceito de ciência, que deveria envolver também conhecimentos ocultos. Logo atraiu um sem número de seguidores. Posteriormente se associou com outros escroques como Annie Besant, Cel Henry Olcott, Georgy Ivanovitich Gurdijeff, Charles Webster Leadbeater. A seita logo se espalhou pelo mundo como uma ‘ciência espiritual que ensina técnicas destinadas a promover a iluminação: estudo dos mestres, preces e meditação’ [5].

Como diziam que as origens estavam na Índia (aonde mais?) sem nunca terem estado lá, estabeleceram sede em Adyar. Leadbeater um conhecido pederasta pedófilo encantou-se por um menino indiano pobre, Jiddu Krishnamurti, filho de um dos seguidores da seita, de quem obteve a posse do mesmo. Leadbeader havia lançado o estudo sobre vidas passadas e logo estudou as vidas de Krishnamurti que publicou em livro “As vidas de Alcyone” [6]. Muito convenientemente encontrou-se que Leadbeader tinha sido casado com Annie Besant 40.000 anos AC e deste casamento havia nascido Krishnamurti, que logo tornou-se o novo Messias.

Foi através de Leadbeader que Alice Bailey tomou contato com as idéias deste grupo. Em 1922 fundou a Lucis (originalmente Lúcifer, aquele que traz a luz) Trust Publishing e a Escola dos Arcanos. Entre 1919 e 1949 publicou 22 livros, 19 dos quais supostamente ‘escritos’ pelo Mestre Djwhal Khul, inclusive os que influenciaram Muller e até hoje a UNESCO e resultaram em outras sociedades como a ‘Igreja Universal e Triunfante’ e o ‘Centro Tara’. Sua ‘mensagem’ é a paz mundial, a unidade de todas as religiões e a dedicação à Humanidade (**). É considerada a mãe da forma atual do movimento da New Age, a ‘nova espiritualidade’, da qual um dos principais sponsors é Al Gore [7]. Comparando com a ‘Revolução Cultural’ de Gramsci, Olavo de Carvalho diz que ‘[ambas] têm algo em comum: ambas pretendem introduzir no espírito humano modificações vastas, profundas e irreversíveis. Ambas convocam à ruptura com o passado, e propõem à humanidade um novo céu e uma nova terra [8].’

Os adeptos da Nova Era chegaram à conclusão que o principal guia espiritual deste ‘acordar’ foi o padre jesuíta e antropólogo francês Pierre Teilhard de Chardin (1881-1955). O indefectível Muller escreveu: ‘Teilhard sempre viu as Nações Unidas como a concretização institucional de sua filosofia monista e evolucionária aplicada à política, levando-o a advogar a visão de alguma forma de existência de somente um governo mundial’ [9]. Em seu livro ‘The Future of Man’ Teilhard escreveu: ‘Apesar de que ainda não se pode prever a forma, a humanidade amanhã vai acordar para um mundo pan-organizado’ [10].

A essência das idéias de Teilhard está contido em seu livro ‘O Fenômeno Humano’ [11]. Num esboço rápido, o autor defende uma continuidade absoluta entre criação da Terra, seres inanimados, seres vivos e o homo sapiens, aquele que, através do processo que denominou hominização atinge a capacidade reflexiva e, pela socialização torna-se a ‘camada pensante’ do planeta. É uma visão sintética do desenvolvimento evolutivo universal, terminada no aparecimento abrupto da ‘consciência do self’ – o limiar da reflexão – e posteriormente na união mundial de uma rede de todos os pensamentos humanos, o que denominou noosfera, em cujo âmago preside o Cristo, ápice da evolução. Cristo conduziria a humanidade de forma tanto transcendente como imanente para o ‘Ponto Omega’, o Reino de Deus. Esta noosfera representa o nível superior à biosfera, à hidrosfera e à atmosfera. Isto é, seria algo assim como uma extensão dos fenômenos geológicos e biológicos, produzido por uma ‘nova era’ da evolução, a noogênese (op. cit., pp. 188 ss). Suas obras foram banidas pela Igreja porque conceituavam um Cristo que nada tinha a ver com a noção Cristã.

Pois foi por aí mesmo que Alice Bailey e seu discípulo Muller pegaram Teilhard e estenderam para um conceito sincretista e panteísta de Cristo e de Deus como uma energia impessoal, Deus é tudo, está em tudo, e Cristo nada mais é do que um dos ‘Mestres Ascendentes’, um Avatar, juntamente com Maitreya e Boddhisattva ou o Imã Mahdi ou as ‘forças vivas de Gaia’, a ‘Mãe Terra’ [12]. A preparação para o reaparecimento de Cristo nada tem a ver com o conceito bíblico da volta de Cristo no Juízo Final, mas sim do ‘Mestre Universal’ que estabelecerá uma ‘Era de Ouro’ sobre a Terra.

E é exatamente isto que tem sido ensinado nas Escolas Robert Muller e recomendado pela UNESCO, através da Outcome-Based Education (OBE) (*): o fim de todos os conflitos religiosos pela eliminação de todas as religiões que seriam substituídas por um ‘naturalismo científico’ (**).

* * *

Fazer penetrar nas Nações Unidas estas idéias foi brincadeira de criança para o Secretário Assistente Robert Muller: Dag Hammarskjöeld, o economista racional nórdico, terminou sua carreira na Secretaria Geral como um grande místico, defendendo que a espiritualidade era a chave última para o destino da Terra, no tempo e no espaço [13]. Para se ter uma idéia de qual espiritualidade falava, um folheto sobre a Sala de Meditação no edifício sede, dizia que o misterioso altar magnético dentro dela ‘é dedicado ao Deus que todos os homens cultuam, sob diversos nomes e várias formas’ [id.]. Em 1973, U Thant, outro místico, fundou a organização ‘Cidadãos Planetários’, juntamente com o ativista da Nova Era Donald Keys. Esta organização está devotada à propaganda no Novo Gnosticismo, que elimina as noções básicas das religiões tradicionais. Como já dizia Olavo de Carvalho: ‘Com (a eliminação do) senso da eternidade e da universalidade, vai embora também o senso de verdade, a capacidade humana de distinguir o verdadeiro do falso, substituído por um sentimento coletivo de “adequação” ao “nosso tempo”. A “supraconsciência” da Nova Era […..] (atinge) a mais absoluta falta de inteligência’ [op.cit., p 71].

Consta que Javier Perez de Cuellar, Secretário Geral de 1982-1992, teria sido abduzido por seres extraterrestres em 30 de novembro de 1989. Embora ele se recusasse a falar sobre isto, numa pergunta direta feita pelo Príncipe de Lichtenstein – supostamente uma autoridade mundial em UFO’s – ele não negou [id]. A possível invasão de seres alienígenas sai do reino da pura ficção científica para ser endossada pelo líder da ONU e considera-se que faria parte da propaganda para criar um governo mundial que representasse a Humanidade num eventual conflito interplanetário (para mais detalhes deste engodo ver [14]). No edifício sede da ONU existe um instrutor oficial de ‘meditação indígena’, Sri Chinmoy, que promove duas sessões semanais nas quais sua audiência deve relaxar e entrar em transe através de músicas.

Robert Muller re-escreveu o primeiro capítulo da Bíblia para incluir as Nações Unidas. Sob o título ‘A Nova Gênesis’ o primeiro verso fica assim:

‘E Deus viu que todas as nações da Terra, brancas e negras, ricas e pobres, de Norte a Sul, de Leste a Oeste, e de todos os credos enviavam seus emissários a uma alta casa de vidro [edifício sede] nas praias do Rio do Sol Nascente, na Ilha de Manhattan, para ficarem juntos, pensarem juntos, juntos cuidarem do mundo e todos os seus povos. E Deus disse: Isto é Bom. E foi o primeiro dia da Nova Era [New Age] na Terra’. (ver [9], p. 17).

Em 1980 a ONU inicia uma série de ‘Meditações para a Paz’, comandada por uma miríade de organizações esotéricas e ocultistas, filiadas à ‘Nova Espiritualidade’, embora isto não tenha vindo a público. Evoluíram para ‘Dias de Meditação’ em intervalos regulares, onde foi criada uma ‘Comissão Planetária’ organizada por John Randolph Price cujo objetivo é:

‘documentar a verdade de que o homem é um ser espiritual que possui todos os poderes do mundo espiritual é, na verdade, Deus individualizado, e desde que perceba esta sua verdadeira identidade, tornar-se-á um Mestre da Mente, com domínio sobre o mundo material’ (cit em [13]).

Foram criados os ‘Trabalhadores da Luz’ (Lightworkers) cuja função é levar a Humanidade a uma nova ‘consciência planetária’ (***).

Uma contribuição nada desprezível foi dada pela ativista albanesa Agnes Gonxha Boyaxhiu, estabelecida na Índia, onde fundou as ‘Missionárias da Caridade’ com vários hospitais para carentes e doentes terminais. O principal deles, em Calcutá, está localizado numa propriedade do Templo dedicado a Kali, a deusa indiana da destruição, cujo culto incluía sacrifícios animais. Em julho de 1981 pronunciou pela primeira vez uma ‘Oração Universal pela Paz’, na Igreja Anglicana de St. James, em Picaddilly, Londres, um dos fronts da promoção da Nova Era em círculos cristãos. Esta oração dizia:

‘Leve-me da morte para a vida, da falsidade para a verdade. Leve-me do desespero para a esperança, do medo para a confiança. Leve-me do ódio para o amor. Permita que a paz encha nossos corações, nosso mundo, nosso universo. Paz. Paz. Paz.’

É curioso que uma das mais importantes figuras do catolicismo no mundo, candidata à canonização – sim, trata-se da Madre Teresa de Calcutá (na foto com Danielle Duvalier, esposa de Jean-Claude Duvalier, o “Baby”-Doc) – ao invés de proferir uma prece cristã, tenha entoado uma adaptação de um antigo mantra dos Upanishads (tratados monísticos das doutrinas secretas hindus de 800-600 AC), modificado pelo ambientalista e monge Jainista Satish Kumar [15]. O mantra original diz: ‘Leve-me do irreal para o real! Leve-me da escuridão para a luz! Leve-me da morte para a imortalidade’.

Nos Upanishads não há lugar para um Deus pessoal como o Deus Judaico-Cristão; Deus é o Self, ‘o âmago interior, o self dentro do homem, e quem o conhece não sofre […] não é um sujeito lógico, psicológico nem epistemológico, nem mesmo o self desejoso e ativo do idealismo europeu: é o puro sujeito conhecedor (prãjnã âtmã) [16]. Mas muitos cristãos (sic) consideram os Upanishads tão válidos quanto a Bíblia.

Será por coincidência que Madre Teresa mantinha relações estreitas com notórios ditadores assassinos, como Jean-Claude Duvalier, de quem recebeu a Legion d’Honneur em 1981 e – teoricamente impedida de visitar seu País – tenha ido à Albânia pouco depois da morte do ditador Enver Hoxha para prestar homenagens [17]? E posteriormente tenha voltado lá e dedicado seu Prêmio Nobel da Paz ao mesmo, tendo depositado uma coroa de flores do monumento à “Mãe Albânia”, em Tirana, e prestado homenagem no túmulo do ‘Camarada Enver Hoxha’, acompanhada oficialmente pela Sra. Hoxha, pelos principais Ministros de Estado e pelo Presidente da Assembléia do Povo? Jamais ela fez qualquer crítica ao brutal regime de Tirana nem protestou contra a supressão de todas as religiões [18]. Talvez por isto, em 7 de setembro de 2001, tenha pedido para se submeter a exorcismo pelo Arcebispo de Calcutá, Henry D’Souza [19].

O saudável movimento ecumênico – entre religiões nitidamente separadas mas unidas por alguns ideais comuns – está celeremente sendo substituído por um sincretismo religioso que modifica, de dentro, a própria liturgia, uma espécie de espiritualidade Cristocêntrica na qual o Cristo dos Evangelhos perde todo sentido e não haverá mais lugar para o Deus Judaico-Cristão nem para os Profetas Bíblicos. Veja-se a relação deste sincretismo monista com as idéias de Teilhard de Chardin mencionadas acima.

* * *

É pouco provável que haja uma conspiração ocultista na fundação da ONU. É mais plausível que todos esses elementos interessados num Governo Mundial sincretista e ditatorial, venham se aproveitando da facilidade de infiltração no organismo mundial dado o misticismo de seus dirigentes. Com isto se aproveitam na enorme penetração do mesmo em todos os países e em todas as áreas em cada país, para estabelecer uma rede mundial a serviço de seus propósitos. Precisamos estar alertas porque minando as bases religiosas ocidentais ruirá todo o edifício civilizacional nelas baseado: a liberdade, a democracia, a ciência e a tecnologia. Isto se tornará mais visível quando os frutos das escolas aqui mencionadas, em todo o mundo, se tornarem por sua vez nos líderes mundiais. Por esta razão apresentarei em breve um levantamento destas novas bases da educação originadas nas nefastas idéias de Robert Muller e Alice Bailey.

(*) Uma análise deste curriculum, que já chegou ao Brasil, e da educação ali proposta (OBE) já está em curso por este autor.

(**) Refiro os leitores ao primeiro artigo desta série, True Lies e aos Manifestos Humanistas lá citados. Esta é a sua origem.

(***) Para uma ampla compreensão deste processo nos bancos escolares é fundamental a leitura da obra de Berit Kjos, já citada [3], capítulo 4, Establishing a Global Spirituality.

REFERÊNCIAS

[1] Alice B. Bailey, Discipleship in the New Age, Lucis Press, 1955. Links para A Bailey: http://beaskund.helloyou.ws/netnews/bk/toc.html; http://www.lucistrust.org/ http://www.conspiracyarchive.com/NewAge/Alice_Bailey.htm

[2] http://www.unol.org/rms/wcc.html

[3] cit. em Berit Kjos, Brave New Schools, Harvest House Publishers, Eugene, Oregon,1995, p. 21

[4] http://prophecyconfirmations.com/1136prophecy.htm

[5] Peter Washington, Madame Blavatsky’s Baboon: A History of the Mystics, Mediums and Misfits Who Brought Spiritualism to America, Shocken Books, NY

[6] Teoshophical Society, Adyar

[7] Ver: http://www.uneco.org/Earth_in_the_Balance.html

[8] A nova Era e a Revolução Cultural, 1993, disponível para download em:http://www.olavodecarvalho.org/livros/neindex.htm Recomendo, em especial, a leitura atenta do cap. III, pp. 69-72

[9] The Desire to be Human: a Global Reconnaissance of Human Perspective in an Age of Transformation, Miranana, 1983. Tudo sobre Robert Muller, por ele mesmo, pode ser encontrado nos seguintes sites: www.goodmorningworld.org , www.robertmuller.org e http://www.robertmuller.org/decide/ .

[10] Harper & Row, 1955

[11] Ed. Herder, São Paulo, 1965, tradução do original francês Le Phénomene Humain, Ed du Seuil, Paris. Mais sobre Teilhard em: http://www.richmond.edu/~jpaulsen/teilhard/isnoogen.html

[12] http://prophecyconfirmations.com/1136prophecy.htm

[13] Muller, op. cit, citado em The Occult Character of the United Nations, de Alan Morrison, em: http://www.diakrisis.org/un_occultism.htm

[14] UFOs, Aliens and the Approaching Grand Deception, por Alan Morrison, em http://www.diakrisis.org . Mais uma vez a Sociedade Teosófica está presente: para uma descrição atual da vida extraterrestre por Madame Blavatsky ver: http://www.theosophy.com/theos-talk/200401/tt00460.html ; para uma descrição atual dos habitantes de Marte por Charles Leadbeater ver: http://www.theosophy.com/theos-talk/200401/tt00463.html

[15] Alan Morrison, em http://www.diakrisis.org/mother_teresa.htm

[16] K. Satchidananda Murty, Philosophy in India: Traditions, Teaching and Research, Indian Council of Philosophical Research, 1985 Ver também: Mircea Eliade, Histoire des Croyances et des Idées Religieuses, Ed Payot, 1976, Tomo I, vol 2

[17] http://www.nationmaster.com/encyclopedia/Mother-Theresa-of-Calcutta

[18] Yearbook on International Communist Affairs: Partie and Revolutionary Movements-1990, Hoover Institution Press, Stanford University, CA, Richard Staar, Ed.

[19] www.cnn.com/2001/WORLD/asiapcf/south/ 09/04/mother.theresa.exorcism

Notícias de Jornal Velho: treinamento de guerrilha em Cuba

Por Carlos I.S. Azambuja em 03 de fevereiro de 2005 (*)

Resumo:
Durante mais de um década 250 militantes da luta armada no Brasil receberam treinamento de guerrilha em Cuba.

© 2005 MidiaSemMascara.org

“Em vez de comandar uma coluna guerrilheira, o grande sonho de minha vida, vou ter que comandar uma coluna de carros oficiais em Brasília”. (José Dirceu, por ocasião de um Seminário do PT dias 15 e 16 de abril de 1989). Durante 13 anos (1961-1974), aproximadamente 300 militantes da luta armada no Brasil receberam treinamento de guerrilha em Cuba e na China (em números redondos, 250 em Cuba e 50 na China). Os que sobreviveram foram anistiados e estão sendo recompensados financeiramente. Recompensados por terem sido derrotados na luta para instaurar no Brasil uma
democracia popular, seqüestrando, matando, assaltando e “justiçando” alguns de seus próprios companheiros e até militares estrangeiros, como o Major do Exército da então Alemanha Ocidental, Edward Von Westernhagen, em 1 de julho de 1968, no Rio, o Capitão do Exército norte-americano Charles Rodney Chandler, em São Paulo, em 12 de outubro de 1968, e o Marinheiro inglês David Cuthberg, no Rio, em 5 de fevereiro de 1972. Os dois primeiros, observem, antes da assinatura do Ato Institucional nº 5. Isso é um paradoxo! Militantes das Ligas Camponesas, ainda antes de 1964, e do Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR), em 1965 e 1966 e mais tarde, até 1974, da Ação Libertadora Nacional (ALN) – organização na qual os cubanos mais apostavam -, da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR8) e do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) receberam treinamento de guerrilha em Cuba. E militantes do Partido Comunista do Brasil (PC do B) e da Ação Popular (AP), freqüentaram a Academia Militar de Pequim nos anos de 1965 e 1966. É interessante e altamente instrutivo conhecer a opinião de alguns militantes treinados em Cuba:  
Maria Augusta Carneiro Ribeiro (“Natacha”, “Márcia”, “Renata”, “Sofia
), militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), que integrou o grupo de banidos em setembro de 1969, em troca da liberdade do embaixador dos EUA no Brasil, seqüestrado no Rio de Janeiro pelo MR8, conta que 20 dias depois de os banidos chegarem ao México, veio o convite, através de enviados do governo cubano, para treinarem em Cuba, quando, então, assumiriam um compromisso com Fidel Castro: “
Faríamos toda a propaganda anti-americana que ele queria e em troca, ele nos daria apoio para treinar, viver lá e voltar” (livro “Exílio: entre Raízes e Radares”, de Denise Rolemberg, 1999).

Em Havana, os militantes recebiam pseudônimos, documentos e eram instalados em aparelhos. Embora tivessem liberdade de circular pela cidade, não eram estimulados a entrar em contato com a população, segundo as orientações recebidas, por questões de segurança. Os militares cubanos os agruparam em turmas de aproximadamente 12 pessoas, de acordo com a organização a que pertenciam. Primeiro, era ministrado um Curso de Explosivos com um mês de duração, em um quartel na província de Havana, onde passavam a semana. Aí, aprendiam fórmulas, a montagem e a desmontagem de explosivos. Em seguida, iniciavam o Curso de Tiro ao Alvo e de Manipulação de Pistolas e Fuzis, que consistia em montá-los e desmontá-los com os olhos abertos e, depois, fechados.

Por fim, as turmas eram conduzidas para o interior do país, onde passavam cerca de 8 meses, no treinamento propriamente dito de guerrilha rural. Os militares cubanos cuidavam da preparação física dos militantes, davam aulas de tática e de cartografia, simulavam emboscadas, promoviam marchas e exercícios de tiro e de sobrevivência na mata.

Embora isso fosse levado muito a sério pelos integrantes de todas as organizações, as condições de treinamento que, supostamente, os colocariam no ambiente e nas situações de uma guerra de guerrilha foram considerados decepcionantes e despertaram críticas de vários militantes:

“Nós fomos para lá acreditando que íamos encontrar um treinamento que nos desse as condições próximas às que teríamos na guerrilha rural no Brasil. Mas nada disso ocorreu. Nós ficamos num barracão de madeira, onde havia uma cama para cada um; uma coisa rudimentar, mas havia. As refeições eram todas servidas por caminhões do Exército. Até para tomar banho tinha um cano… era um acampamento! Nós protestamos contra isso. Tentamos ganhar os cubanos para o fato de que nós queríamos dormir no mato todos os dias, por mais que isso fosse terrível. Porque aquilo ali era uma brincadeira. O próprio Zé Dirceu dizia que o treinamento era um teatrinho de guerrilha e o pior, um vestibular para o cemitério”
(Daniel Aarão Reis, “Exílio, Entre Raízes e Radares. Denise Rolemberg, 1999).

  Embora bem-intencionados, os instrutores eram primários do ponto de vista teórico e político. Longe da realidade que encontrariam na guerrilha, até as marchas eram feitas em trilhas. Apenas uma vez foi realizado um exercício com a duração de 24 horas, procurando se aproximar das condições reais: a chamada marcha da sobrevivência. Na ocasião, deixava-se o acampamento com as mochilas vazias e era preciso comer frutas, caçar, pegar água nos riachos, dormir ao relento:
“Esse dia foi realmente terrível. Se a gente tivesse feito todo o treinamento nessa base, de duas uma: ou a gente não teria agüentado ou teria realmente adquirido uma certa familiaridade com aspectos sérios de uma guerrilha rural”. (Daniel Aarão Reis, “Exílio: Entre Raízes e Radares”). Militantes do MR8 acabaram convencendo a direção de que o treinamento era dispensável, decidindo que os banidos que haviam chegado ao Chile em janeiro de 1971 não o fariam, causando-lhes enorme decepção. “
A gente achava que não valia a pena, que era perda de tempo e consolidou a linha de que o treinamento sério seria montar sítios no Brasil, onde as pessoas ficariam 6 meses de mão na enxada (…) Aquele treinamento, na melhor das hipóteses, dava uma visão crítica do foquismo cubano; na pior, dava a ilusão de que você sabia fazer a guerrilha rural”. (Daniel Aarão Reis, “Exílio
…”). Mas nem todas as organizações brasileiras interpretaram dessa forma a experiência. Prevalecia uma mitificação de Cuba, que as levava a assumir uma atitude subserviente e acrítica em relação aos militares cubanos. Valorizando o treinamento, os militantes valorizavam a si mesmos e a organização à qual pertenciam.

Para os brasileiros, em geral, originários da classe média urbana, que sequer haviam servido o Exército, o treinamento representou um enorme esforço, mesmo levando em conta sua artificialidade. Poucos conseguiam se sair bem dos exercícios e suportar o desgaste físico: “Me lembro que teve um exercício de derrubar árvores com um machado. Nos primeiros 50 golpes que eu dei brotaram logo bolhas enormes em minhas mãos”, conta Daniel Aarão Reis. Vera Silvia Araújo Magalhães fala do treinamento como “um esforço dilacerante, uma barra-pesada psicológica, e uma tensão que tornava a vida um tormento”. Maria Augusta Carneiro Ribeiro encarava esses exercícios como “um pesadelo e uma exaustão física permanente, um horror, um sofrimento”. (livro “Exílio…”).

Ao final do treinamento os militantes saiam do país com documentos preparados em Cuba ou na Argélia ou então, conseguidos por simpatizantes na Europa, ou seja, roubados em festas ou onde fosse possível. No horizonte, entrar no Brasil e dar continuidade à luta. A maior parte desses guerrilheiros treinados em Cuba e que conseguiram voltar, morreram em combates de rua. Os Órgãos de Inteligência possuíam informações sobre essas pessoas, conseguidas através dos depoimentos dos que eram presos ou fornecidas por aqueles que decidiram mudar de lado. O caso mais conhecido foi o do “Grupo Primavera”, ou “Molipo”, ou “Grupo dos 28”, saído da ALN, que foi dizimado, restando apenas quatro sobreviventes, entre os quais José Dirceu, que embora tenha sido aquinhoado pelos cubanos, com o grau de “comandante” (“Comandante Daniel”), regressou ao Brasil clandestinamente, com outro nome e homiziou-se numa cidade no Sul do país, não tendo participado de nenhum combate de rua, como fizeram seus companheiros mortos.

O testemunho de Maria Augusta Carneiro Ribeiro dá uma idéia do que significava, naquele contexto, a possibilidade da morte: o fato de pertencer a uma organização de vanguarda dava um sentido à vida e ao futuro e “não importava se esse futuro era morrer”. Achava que morreria ao voltar o que não a afastava desse objetivo: Segundo ela, “não era uma coisa prazerosa, mas muito lógica. Queria viver, mas era mais importante o papel que estavam me dando. Eu aceitava e achava que era correto”. Além disso, sentia-se em dívida com a Organização, por ter sido libertada através de uma ação de seqüestro. 

Antes de regressar ao Brasil, Maria Augusta submeteu-se a uma cirurgia dentária, na Itália, objetivando mudar a fisionomia a fim de dificultar sua identificação no Brasil. No atual governo, foi nomeada para o cargo de “Ouvidora da Petrobrás”.

A ineficiência do treinamento oferecido pelos cubanos foi evidente, até mesmo para militantes completamente envolvidos pelo projeto da guerrilha. Talvez sua função fosse menos a de preparar guerrilheiros para uma luta, onde as condições e os recursos do inimigo eram tão desiguais mas, como interpretou Vera Silvia Araújo de Magalhães, a de compor “uma mitificação dos militantes, com uma verdadeira identificação a super-heróis”. Correspondia, portanto, à idealização do guerrilheiro voluntarista, cuja disposição seria capaz de mudar o mundo. Neste sentido, talvez o treinamento fosse justificado mas, talvez por isso tornou-se, na realidade, “um estímulo a um delírio” e “um vestibular para o cemitério”.

No caso dos militantes do MR8, eles partiam de Cuba para a Argélia em uma rota que passava pela Checoslováquia e por Moscou. Depois de um certo tempo na Argélia, onde a organização possuía uma base, iriam para o Chile e daí para o Brasil. No entanto, nos primeiros anos da década de 70, antes de chegarem ao Chile a situação já havia mudado consideravelmente: as organizações haviam sido desmanteladas pela chamada repressão e, em Santiago, a deposição de Allende anunciava um outro momento.

Nesse sentido, a próxima estação não seria o Brasil, mas o mundo.

José Anselmo dos Santos (cabo Anselmo”, Augusto”, ”Daniel”, ”Paulo”, ”Renato”, ”Sergio”), em documento por ele próprio redigido, diz ter viajado para Cuba, com outros cinco ex-marinheiros, em 1967, onde receberam treinamento de guerrilha urbana e rural. Todos ficaram em Cuba até fins de 1970.



“Nos cursos de treinamento para atuar como guerrilheiro urbano, além do manuseio de armas curtas, é feito um ensaio permanente para criar hábitos de segurança no local de habitação, nos movimentos diários, em casa e na rua, e mesmo nos momentos de vigília.


Esconderijos

disfarçados nas paredes, nos pisos e nos móveis para conter documentos ou objetos comprometedores. Sinais nas fechaduras, portas da casa, portas de armários, malas, gavetas, para indicar se durante a ausência algum terceiro havia penetrado, visto ou aberto. Em alguns casos, os locais de habitação ou esconderijos domésticos devem estar minados com artefatos explosivos ou incendiários, de tal maneira que se um terceiro abre uma porta ou mala, fecha um circuito que alimenta uma explosão.

Para

estar seguro, um indivíduo na clandestinidade deve desconfiar dos mais insignificantes acontecimentos que não possa explicar na sua vida de relacionamento com outras pessoas. Deve desconfiar de qualquer referência à polícia ou à política. Deve desconfiar de qualquer comentário relativo ao terrorismo. Deve desconfiar de qualquer pessoa que faça perguntas, sejam elas de que tipo for, até mesmo a informação mais banal. Para movimentar-se na rua deve, antes, certificar-se se, à saída de casa, se não está sendo seguido. Para tanto, existem regras: nunca deve tomar o primeiro coletivo e deve fazer uma série de verificações, voltas, checagens e contra-checagens antes de chegar ao local de destino. E com maior cuidado ainda deve proceder quando da volta para casa.


Se vai a um cinema, o que não é aconselhável, deve escolher um assento depois de bem estudar as saídas, a fim de escapar em caso de perseguição.


No local de residência essa medida começa no momento da escolha. Pelo menos os 500 metros de circunferência devem estar bem estudados; os quintais, as ruas, as vielas, as janelas e até mesmo os cachorros.


O dia-a-dia é uma tensão constante. Insuportável, pelo cálculo frio que exige uma situação permanente de fuga. As três regras que os instrutores cubanos aconselham: desconfiança constante; vigilância constante; movimentação constante, no caso de uma guerrilha rural. No caso da cidade, nunca viver mais de 3 meses num único local, e passar os dias vagando, “conhecendo o terreno”. Na impossibilidade de uma vida legal, considerando a estrutura social como “inimigo que deve ser destruído a qualquer custo”, qualquer notícia de caráter oficial tem o peso de uma bofetada. Qualquer notícia ligada à Segurança Nacional vale como uma pressão psicológica e os cuidados se redobram. A amizade e o afeto são perigos que devem ser constantemente combatidos. A beleza deve ser desprezada, a moral social combatida e desvirtuada, e os hábitos de diversão pequeno-burgueses, execrados”.
Prossegue o
“Cabo” Anselmo:
“Em Pinar del Rio, o grupo composto por seis ex-marinheiros nicaraguenses, peruanos, equatorianos e portugueses, passamos a receber treinamento, ler e discutir o livro de Regis Debray “Revolução na Revolução”, cujas páginas abriam uma divergência de grandes proporções no Movimento Comunista Internacional, já que, sem grande profundidade de análise, Debray negava violentamente os principais dogmas leninistas e maoístas. Os velhos comunistas que se autodenominavam marxistas-leninistas não podiam ser dirigentes, vanguardas, em qualquer país latino-americano, uma vez que, habituados nas cidades, não serviam para as selvas e montanhas. Ademais, não era necessária para um guerrilheiro uma perfeita educação marxista-leninista.  
Segundo
Mao-Tsetung, o Partido deveria dirigir o fuzil. Para os professores cubanos, o grupo guerrilheiro já era o Partido, substituindo as velhas estruturas burocráticas dos partidos comunistas tradicionais, seguidores da URSS e da China.
Aprendemos a montar e desmontar fuzis soviéticos e outros. Cada aprendiz disparou milhares de tiros com fuzis, metralhadoras, bazukas de fabricação norte-americana, chinesa, soviética, canhões, revólveres e pistolas. Foi-nos ensinado como montar bombas agressivas e incendiárias. Aprendemos a fazer cálculos para colocar cargas explosivas para destruir pontes, esburacar rodovias, tombar árvores, partir trilhos de ferrovias ou fazer um veículo voar pelos ares. Entramos em intimidade com uma série de recursos e dispositivos da indústria militar e outros de preparação rudimentar provocadores de explosões manuais, elétricas ou retardadas. Conhecemos que a sabotagem urbana, com o objetivo de desorganizar, atrasar e fazer entrar em colapso a produção e a economia, pode assumir variedades incríveis: congestionamento de trânsito provocado; explosão de tanques de gasolina dos autos e conseqüente incêndio de maneira rápida e fácil; rompimento premeditado de aparelhos telefônicos públicos e outros veículos de utilidade pública; depredação de instalações nos locais de diversão pública; paralisação no fornecimento de energia elétrica e outras variedades, todas visando a insatisfação, o mal-estar público, criando assim um clima favorável ao proselitismo e à crítica orientada para a desmoralização dos responsáveis pela máquina administrativa. 


Outra

sistemática utilizada como arma para criar pânico e também para testar dispositivos de segurança são os telefonemas anônimos anunciando bombas colocadas em aviões, locais públicos, embaixadas e consulados, repartições. Mesmo que tais bombas não existam, mobilizam-se corpos policiais, bombeiros e desviam-se pessoas de suas atividades rotineiras num estado psicológico de medo. E se os trabalhadores nas indústrias e serviços, os administradores de empresas internacionais, o pessoal do serviço público, chega a sentir-se inseguro para o cumprimento de suas tarefas, a desmobilização da administração nacional é conseqüente.


Aprende-se a colocar minas no terreno e a escolher locais e distribuir os homens para uma emboscada, cada um com sua tarefa específica. O restante do tempo divide-se em aprender noções de orientação, balística, cálculo de distâncias, distinção de sons noturnos, segurança e guarda nos acampamentos, construção de depósitos de suprimentos e munição, defesa pessoal e táticas de guerrilhas”.

Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz  (“Clemente”, “Quelé”, “Guilherme”), o último dos
comandantes da Ação Libertadora Nacional (assumiu após a morte de Joaquim Câmara Ferreira (“
Toledo”, morto em São Paulo em 23 de outubro de 1970). Participou de assaltos, assassinatos e do
justiçamento de um companheiro. Nesse
justiçamento, o de Marcio Leite Toledo, ele integrou o
Tribunal Revolucionário que o condenou e foi um dos que cumpriram a
sentença, integrando o grupo que assassinou o companheiro, na rua Caçapava, em São Paulo, em 23 de março de 1971. 

A respeito desse episódio recordamos a definição de “Inimigo de Classe” dada por Jorge Semprum (prisioneiro, por 2 anos, do campo de concentração nazista de Buchenwald, de onde foi libertado ao final da guerra; foi expulso do Comitê Central do Partido Comunista Espanhol em 1965 por defender uma linha reformista; de 1988 a 1991 foi ministro da Cultura da Espanha; autor de vários livros): “Não é, de fato, somente quando um comunista se torna agente do ‘inimigo de classe’ que seus camaradas decidem expulsá-lo ou até mesmo executá-lo. É também quando ele se torna agente de si mesmo, ator e não mais somente instrumento da razão-do-partido, do espírito-do-partido. É quando ele decide tornar-se o indivíduo singular, um ser bastante louco, bastante irrresponsável por querer marcar a história do movimento comunista com sua iniciativa pessoal. Mas ele só marcará essa história com o exemplo de sua punição exemplar, com a iniciativa da aceitação, abjeta e ao mesmo tempo gloriosa, dessa punição, em benefício da honra histórica da revolução”. (livro A Montanha Branca”).

Nesse sentido, Marcio Leite Toledo tornou-se agente de si mesmo e foi executado em benefício da honra histórica da revolução.

Em dezembro de 1972, “Clemente” abandonou seus comandados e fugiu para o Chile. E daí, no ano seguinte, para Cuba. 

Em seu livro “Nas Trilhas da ALN”, editora Bertrand Brasil, 1997, “Clemente” traça um quadro contundente dos cursos a que eram submetidos os latino-americanos na ilha da liberdade:

“A interferência deles (dos cubanos) já nos custaram caro demais; a volta dos companheiros do MLP (MOLIPO) sem nossa autorização foi um desastre, 18 mortos e mais tantos presos… e tudo por uma rasteira política de infiltração, querendo influenciar nosso movimento de dentro, para adequar nossa política às necessidades deles. (…) Entendo que militantes nossos, afastados da realidade brasileira e querendo voltar para lutar, questionem a Coordenação Nacional, fundem uma corrente ou saiam da Organização, mas os cubanos não tinham o direito de autorizar a saída deles do país sem nos comunicar, quando havia meios para isso. Cederam os esquemas, promoveram a volta e ajudaram a convencer combatentes que tinham dúvidas. Chegaram a São Paulo procurando militantes queimados, usando esquemas já abandonados por falta de segurança, aparelhos que não mais existiam, despreparados e desinformados dos avanços da repressão. Achavam que não autorizávamos suas voltas para não perdermos o comando da Organização. Infelizmente, sentiram na pele que estávamos cercados, fazendo ações de sobrevivência, assaltando bancos e supermercados na véspera do vencimento de aluguéis, e tentando não desaparecer. (…) O que me revolta é que caíram como moscas, e hoje ninguém assume suas responsabilidades (fls 78 e 79).


No curso de Estado-Maior, em Cuba, esmiúço a história da revolução cubana e constato evidentes contradições entre o real e a versão divulgada América Latina afora (…) Muitas ilusões foram estimuladas em nossa juventude pelo mito do punhado de barbudos que, graças ao domínio de táticas guerrilheiras e à vontade inquebrantável de seus líderes, tomou o poder numa ilha localizada a noventa milhas náuticas de Miami. Balelas, falsificações (…) O poder socialista instituiu a censura, impediu a livre circulação de idéias e impôs a versão oficial. Os textos encontrados sobre a revolução cubana são meros panfletos de propaganda ou relatos factuais, carentes de honestidade e aprofundamento teórico (…).


A ameaça iminente de agressões facilitou a militarização do país. Milícias Populares e Comitês de Defesa da Revolução formam uma teia considerável que abastecem o S2 de informações sobre posições políticas, atitudes sociais e escolhas sexuais dos cidadãos (…) O Partido Comunista é o único permitido, e em seus postos importantes reinam os combatentes de Sierra Maestra ou gente de sua confiança, em detrimento dos quadros oriundos do movimento operário e do extinto Partido Socialista Popular, representante em Cuba do Movimento Comunista Internacional e aliado da União Soviética.


Os contatos com as organizações de luta armada são feitos através do S2, conseqüência esperada das deturpações do regime. A revolução na América Latina não seria uma questão política e sim, usando as palavras do caricato “Totem”
(NOTA: codinome atribuído ao general Arnaldo Uchoa, comandante do Exército em Havana em 1973. “
Totem” lutou na Venezuela e Angola e esteve no Chile durante o governo Allende. No final dos anos 80 foi condenado à morte e fuzilado, sob a acusação de envolvimento com o narcotráfico),
“de mandar bala”. Nos relacionamos com agentes secretos (…) Eles tentam influenciar na escolha de nossos comandantes, fortalecem uns companheiros em detrimento de outros; isolam alguns para criar uma situação de dependência psicológica que facilite a aproximação; influenciam o recrutamento; alimentam melhor os que aderem à sua linha e fornecem informações da Organização; concedem status que vão desde a localização e qualidade da moradia à presença em palanques nos atos oficiais; não respeitam nossas questões políticas e desconsideram nosso direito à autodeterminação (…)
Fabiano” (referência a Carlos Marighela)
negociou com os cubanos de igual para igual, mas “Diogo” (referência a Joaquim Câmara Ferreira)
concedeu demais. Sentiu-se enfraquecido pelas quedas em São Paulo que culminaram na morte do nosso líder, e permitiu algumas ingerências nas escolhas de quadros para a volta e os postos que ocupariam na Organização. No Brasil, recebemos com espanto a volta de um comandante indicado pelos cubanos e aceito por Diogo. O episódio não chegou a ter maiores conseqüências, pois o comandante desertou no caminho e foi morar na Europa” (fls 178 a 181). (referência ao “
comandante
Raul”, Washington Adalberto Mastrocinque Martins,
escalado pelos cubanos para ser o comandante da Coluna guerrilheira, na
Área
Estratégica, no Bico do Papagaio, que desertou no caminho de volta ao Brasil e viveu na Europa até a Anistia). Depois de meses de reuniões de autocrítica, entre “
Clemente” e o que restava da ALN, em Cuba, ainda fazendo cursos, todos decidiram, por unanimidade, abandonar a luta armada. Muitos voltaram ao partido do qual haviam saído, o PCB e outros, como “
Clemente”, optaram por abandonar a luta armada. A montanha de mortos fora em vão.   (*)Carlos I. S. Azambuja é historiador.

True Lies

É difícil traduzir true lies para o Português. Talvez a melhor seja mentiras embutidas numa verdade, por sua vez também embutida noutras mentiras. Mentiras com algum fundo verdadeiro que, sendo gradualmente administradas, entorpecem a mente de tal modo que a maioria acaba acreditando.

Experimentem colocar uma rã numa panela comágua fervendo. Ela vai pular fora e se safar! Agora, coloquem a mesma rã em água fria e aqueçam lentamente. A rã vai gostar, a mudança gradual de temperatura vai entorpece-la, e quando ferver, ela já não poderá saltar porque estará morta.

É difícil traduzir true lies para o Português. Talvez a melhor seja mentiras embutidas numa verdade, por sua vez também embutida noutras mentiras. E é disto que tratarei aqui: de mentiras com algum fundo verdadeiro que, sendo gradualmente administradas, entorpecem a mente de tal modo que a maioria acaba acreditando. Se fossem mentiras abertas, ou ditas de chofre, seriam rejeitadas, tal como fez a rã. Mas quem não se deixa entorpecer e enxerga a verdade por trás de tanto mascaramento, percebe que o que ocorre hoje no mundo é o resultado de uma estratégia de domínio mundial, é logo tido como paranóico. Por esta razão, este artigo contém inúmeras referências de fontes.

Limitar-me-ei, por ora, a uma das maiores mentiras que vem sendo administrada de forma gradual e eficientíssima na mente das pessoas: a da necessidade de um Governo Mundial que assegure a eterna Paz entre os homens, do qual a Organização das Nações Unidas já seria o embrião. Esta seria a verdadeira globalização, mas enquanto isto se lança a idéia oposta: de que a globalização seria do interesse dos Estados Unidos da América. Esta é uma das mais eficientes estratégias de dissimulação. Lança-se um projeto, atribui-se o mesmo ao inimigo como coisa do demônio e, enquanto ele é combatido, instala-se aquilo mesmo que se finge combater.

A idéia inicial data de 1931 e tem sua origem na Escola Lênin de Guerra Política, de Moscou, onde se ensinava: “A guerra de morte entre comunismo e capitalismo é inevitável. Hoje, certamente, não estamos suficientemente fortes. Nosso tempo chegará em 20 ou 30 anos. Para vencer, precisamos do elemento surpresa, a burguesia deverá ser amortecida, anestesiada, por um falso senso de segurança. Um dia, começaremos a espalhar o mais teatral movimento pacifista que o mundo já viu. Faremos inacreditáveis concessões. Os países capitalistas, estúpidos e decadentes….cairão na armadilha oferecida pela possibilidade de fazer novos amigos e mercados, e cooperarão na sua própria destruição” (1). Posteriormente, esta ofensiva pela “paz” contaria com a encomenda de Stalin a Picasso de um símbolo, que resultou na famosa pomba branca com ramo de oliveira. Foi também por inspiração de Stalin que Picasso forjou uma das maiores fraudes artísticas do século XX, ao trocar o nome de quadro já pronto, La Muerte del Toro, para Guernica, após a destruição desta cidade pela Luftwafe.

Dois anos depois é lançado o primeiro “Manifesto Humanista” apelando para uma síntese de todas as religiões e uma ordem econômica de “cooperação social” (2). Em 1939 H G Wells, um autor de ficção científica obcecado por idéias místicas orientalistas, lança New World Order onde defende que a maior doença da humanidade é o individualismo nacionalista e advoga uma nova ordem de “democracias socialistas”. A brochura é publicada pela Carnegie Endowment for Peace, braço da Carnegie Foundation. O mesmo Wells publicará Open Conspiracy, (3) onde traça a estratégia de uma conspiração mundial. Mais tarde publicará The Shape of Things to Come: A Prophetic Vision of the Future (4), onde, após avaliar o estado mundial de então, mostra um governo mundial já estabelecido que exerce o poder ditatorial.

Em 1948 a National Education Association, fundada e financiada pela Carnegie Corporation, lança o que seria a base para todas as discussões posteriores:

“Fica bem estabelecida a idéia de que a preservação da paz e da ordem internacionais requer o uso da força para compelir uma nação a conduzir seus procedimentos e interesses dentro de um quadro estabelecido por um sistema mundial. A expressão mais moderna desta doutrina de segurança coletiva é a Carta das Nações Unidas. (…) Muitos acreditam que uma paz duradoura jamais será conseguida enquanto o mundo continuar constituído do atual sistema de estados-nações. Este é um sistema de anarquia internacional”. (5)

No mesmo ano o psicólogo comportamental B F Skinner, propõe (6) uma “sociedade perfeita” na qual “as crianças serão educadas pelo Estado, não por seus pais, e serão treinadas desde o nascimento para demonstrar somente os comportamentos e características desejáveis”. Suas idéias passaram a ser implantadas nas escolas americanas. Já em 1931, outro obcecado por ocultismo oriental, Aldous Huxley, (7) lançara Brave New World onde tais idéias era levadas ao extremo, talvez até servindo de inspiração a Skinner. Jamais a engenharia social tinha sido levada a tais extremos (*). Na mesma linha a Associação para Supervisão e Desenvolvimento dos Currículos Escolares (ASCD), publica To Nurture Humaneness: Commitments for the 70’s“, onde se defende que “os controles sociais não podem ser deixados à própria sorte e a mudanças não planejadas – usualmente atribuídas a Deus! (8) “Muitas das decisões que hoje são tomadas pelos indivíduos, em breve serão tomadas por outros em seu nome”! (9).

O mais surpreendente é que em 1985 o Departamento de Estado dá à Carnegie Corporation “autoridade para negociar com a Academia de Ciências da União Soviética (conhecida como um ramo da KGB) no sentido de desenvolver novos currículos e re-estruturar a educação Americana!” (10).

Em 1999 é lançado o “Manifesto 2000” (11), terceira versão do Manifesto Humanista. Em seu item III são lançadas as bases para substituir todas as religiões por um certo “naturalismo científico” com o abandono de todas as idéias metafísicas ou teológicas, mas baseado exclusivamente nas ciências. No item VIII a, “Nova Agenda Global”, inclui “igualdade, estabilidade, alívio da pobreza, redução dos conflitos e salvaguardas para o meio ambiente”. O mais importante é o item IX (A Necessidade de Novas Instituições Planetárias). Uma das estratégias é utilizar “organizações e fundações voluntárias voltadas para a educação e o desenvolvimento social”. Obviamente, as ONG’s, apátridas no sentido mais extremo da palavra, totalmente desligadas dos governos nacionais para implementar o internacionalismo. Mas existem outras: reforma da Constituição da ONU, incluindo “um corpo legislativo bicameral, com um Parlamento Mundial eleito pelo povo, um imposto sobre transações financeiras para ajudar países subdesenvolvidos (seria a tal CPMF Mundial proposta pelo governo brasileiro?), o fim do direito de veto no Conselho de Segurança (objetivo defendido pelas ditaduras), uma Agência Ambiental, e um Tribunal Internacional (Tribunal Penal Internacional) com poderes de fazer valer suas sentenças”.

Nas “Promessas do Manifesto 2000” (12) aparece claramente qual o alvo principal dos mesmos: os Estados Unidos da América. O que nos dois primeiros era oculto, agora se desvela com clareza meridiana. Acusam-se os EEUU de isolacionistas, de estarem dominados por uma “ortodoxia religiosa”, defende-se uma Ética Planetária e novas instituições políticas para lidar com problemas globais. Mas não são os EEUU como um todo: são as administrações Republicanas, já que o Partido Democrata apoiou firmemente este Manifesto, através de uma das mais importantes figuras na New Age, Al Gore. Por isto a grita internacional e as acusações de fraude contra a eleição de Bush. Acusa o Congresso de então, majoritariamente Republicano, de obedecer a influências de uma “coalizão Cristã” (sic), de não retornar à UNESCO, de não reconhecer o Tribunal Penal Internacional, de diminuir a ajuda aos países subdesenvolvidos e de aderir às idéias liberais de livre comércio.

Outros objetivos, ainda não vislumbrados, foram genialmente acrescentados. Descobriu-se um meio de internacionalizar países, como Brasil e EEUU, que têm grandes extensões de território e tribos indígenas, através da criação de “nações indígenas”. Um novo conceito que vai muito além das tradicionais reservas, pois pretende-se um status internacional fora da soberania do País. Nos EEUU várias extensões de terra já são propriedade de ONG’s e tribos indígenas. No Brasil, os dois últimos governos e o atual atuam decisivamente neste sentido. Outro objetivo veio a ser importante pela rápida, extensa e profunda revolução nas comunicações com a Internet. Passou a ser necessário controla-la, o que não é tão fácil como a velha e simples censura dos meios de comunicação. Brasil, Índia e China já propuseram este controle. Cuba e China já a exercem de maneira cabal.

NOVOS DESENVOLVIMENTOS DA FARSA – OS FORUNS SOCIAIS MUNDIAIS

Como já disse acima, a melhor estratégia de dissimulação é estabelecer um projeto, chamá-lo de satânico ou hediondo, atribui-lo ao inimigo visado e, enquanto se combate o projeto como de autoria deste, criam-se as condições de implementa-lo. Autêntica true lie! Para quem pode ler em profundidade, as notícias dos Fóruns Sociais, mundiais ou locais, fica claro que seu objetivo é estabelecer a mais ampla globalização de que se tem notícia. No entanto, todas as manifestações e “teses” apresentadas são contra a globalização! Mas qual? Uma suposta globalização “neoliberal”, apenas um substituto para a falsa idéia de “imperialismo” inventada por Lênin, que seria comandada pelos Estados Unidos da América. Chega a ponto de pessoas de bom nível intelectual argumentarem que, se a globalização fosse idéia comunista existiria um “Manifesto do PC” em cada esquina, e não um McDonalds! Transforma-se a disseminação de empresas americanas pelo mundo como um bem urdido plano de conquista mundial e, evidentemente, como é de praxe e o atual Fórum de Mumbai não foge à regra, pretende-se o boicote a tais empresas!

Estes fóruns não passam de uma mistura psicótica de xamãs, pagés, pseudo-padres, dançarinos exóticos, para entorpecer um bando de adolescentes idiotas imbecilizados, talvez até com drogas das mais pesadas, e faze-los massa de manobra para uma “revolução mundial anti-neoliberal” e “entender como é boa a internacionalização, o “amor” e a “cooperação entre os povos”. Todos convenientemente vestindo jeans, comendo hambúrgueres e tomando Coca-Cola – ou usando só coca, sem cola! – enquanto os verdadeiros líderes traçam a estratégia para a globalização ditatorial. Nada mais são do que o novo passo na cronologia acima apresentada, de conquista de um governo mundial ditatorial, anti cristão, anti judaico (as duas únicas religiões que não entram no “multiculturalismo” planetário! Um exemplo claro de true lie é o uso que se faz da presença de monges tibetanos e indígenas de outros países. O Tibet, invadido pela China Comunista com o custo de centenas de milhares de vida, luta por sua autonomia e todos apóiam. Ora, se os tibetanos podem por que não os ianomâmis, ou txucarramães, os apaches, sioux, etc? Misturam-se alhos com bugalhos e só sobra os últimos pois a China não está nem aí; perdem, Brasil e EEUU!

Estes fóruns têm dado tão certo que já se organiza um novo, mais amplo, o Fórum Universal das Culturas, ou Fórum Barcelona 2004 (13) que, durante 141 dias reunirá pessoas de todas as partes do mundo com uma “oferta artístico-solidária-intelectual que vai de mesas redondas, debates, conferências e espetáculos”. “O Fórum é um novo acontecimento internacional para que pessoas de todas as procedências e culturas se encontrem, dialoguem e sugiram soluções para os principais problemas do nosso planeta” , segundo declarou ao Caderno Boa Viagem do Globo (08 de janeiro de 2004) Jaume Pagés, conselheiro-delegado. Já se podem antever os resultados pois haverá reflexões sobre variações climáticas, religião, movimentos migratórios, guerras e modelos econômicos, tendo como base os três eixos fundamentais: desenvolvimento sustentável, diversidade cultural e condições para a paz!

ONU: A GRANDE FARSA!

Desde 1948 nos acostumamos a ouvir que a ONU é o único organismo capaz de manter a paz entre as nações, a defesa dos direitos humanos e acabar com a pobreza e as injustiças no mundo. Por uma bela jogada de Stalin a sede ficou nos EEUU, em terreno doado por John D Rockfeller Jr. A intenção era dar a impressão ao mundo que os EEUU mandavam na ONU, uma excelente true lie. Foi fundada por um punhado de países, muitos dos quais não tinham a menor intenção de respeitar a carta que estavam assinando. Tal como Hitler, Stalin assinava qualquer coisa sem nenhum compromisso de honrar a assinatura. Como a maior parte dos países não respeitava o Pai dos Povos, foi preciso criar o sistema de veto até que a maré virasse e a onda avassaladora de nações descomprometidas assumisse a maioria. Chegou a hora.

Durante a guerra fria foi implementada, com a eficiência de sempre, a mentira de que a ONU acabara se desvirtuando e passara a ficar a serviço do “imperialismo” americano, enquanto, na surdina urdia-se a ampliação do número de países membros descomprometidos exatamente com os princípios de sua carta e da Declaração Universal dos Direitos do Homem, preparando-se o futuro Governo Mundial. Ainda existe uma maioria que pensa que o interesse neste governo é dos americanos, que ainda mandariam na ONU.

Vejamos. Entre os países membros, 102 não são democracias e não respeitam a liberdade e 47 são notórias ditaduras que violentam permanentemente os direitos humanos. Seis deles foram designados pelos EEUU como terroristas. Segundo levantamento de Fred Gedrich, da Freedom Alliance (14):- os 114 membros do Movimento dos Não Alinhados votaram contra os EEUU em 78% (Este grupo inclui todos os estados terroristas e ditatoriais e consideram heróis Castro, Kadhaffi e Assad) – os 22 membros da Liga Árabe votaram contra em 83% – os 56 membros da Conferência Islâmica, 79% – os 53 membros da União Africana, 80%.

Muitos dizem que os EEUU não ajudam os pobres e por isto estes votam contra. Vejamos. Dos 12 bilhões de dólares de ajuda externa direta a 142 países no ano fiscal de 2002, seis países levaram a parte do leão: Israel, Afeganistão, Colômbia, Egito, Jordânia e Paquistão. Israel votou a favor dos EEUU em 93%, os outros cinco, coletivamente, 79% contra.

Por outro lado, os EEUU são responsáveis por 25-27% do orçamento da ONU. Em 1999 (veja-se a “coincidência” com o Manifesto 2000!) o Senado americano aprovou legislação baixando para 20%.

Todas as agências da ONU, futuros Ministérios do Governo Mundial (OMS, UNESCO, OIT, FAO, etc.) estão ocupados por países hostis aos EEUU, sem falar no Secretário Geral, Kofi Annan, uma das maiores jogadas de marketing contra as democracias. Depois de um vigoroso Dag Hammarskjöeld, um birmanês tonto que nunca soube o que fazia lá, U Thant, e um nazista, Kurt Waldheim, agora um legítimo representante dos países “excluídos”, Ghana! (os outros foram Lie Trygve, Butros Butros-Ghali e Javier Pérez de Cuellar).

(Os termos nos quais a ONU avalia o desempenho dos países membros em termos econômico sociais deixam de ser avaliados aqui porque já o foram por Anselmo Heidrich em seu excelente artigo “IDH e Obscurantismo da ONU”).

Como bem o diz Heidrich: a ONU é uma instituição corrupta e moralmente falida porque serve de guarida e porta voz para algumas das mais sinistras forças mundiais. E pergunta: porque razão os EEUU deveriam permitir que esta organização hostil ditasse sua política externa? Pergunta que qualquer pessoa que pense com mais de dois neurônios faz. Mas a resposta óbvia está acima: é o embrião de um futuro governo mundial, com uma burocracia monstruosa e crescente a exaurir cada vez os povos e a impor ditatorialmente, uma suposta nova cultura, a da New Age, com o fim dos Estados Nações e das religiões e morais tradicionais. Estas serão substituídas por um panteísmo animista e ocultista, assunto para o próximo artigo: True Lies II: as Raízes no Ocultismo.

 

(*) Wells e Huxley geralmente são lidos como apenas autores de ficção futurista. Na verdade não eram, acreditavam piamente que estavam sendo proféticos. Junto com George Bernard Shaw, pertenciam a sociedades secretas ligadas à uma das maiores quadrilhas de escroques e vigaristas do século passado, “iniciados” nas idéias psicóticas de Yeliena Pietrovna Blavatsky, Annie Besant, Cel Henry Olcott, Georgy Ivanovitich Gurdijeff, Charles Webster Leadbeater e outros, os criadores da Sociedade Teosófica e da farsa chamada Krishnamurti (15). Isto será objeto de um próximo artigo desta série.

REFERÊNCIAS

(1) Aula de Dmitri Z. Manuilsky, tutor de Nikita S. Khrushchev. Ver em: http://www.mt.net/~watcher/nwonow.html e http://www.ukrweekly.com/Archive/1960/1796021.shtml

(2) http://www.jcn.com/manifestos.html

(3) http://www.mega.nu:8080/ampp/hgwells/hg_cont.htm

(4) CORGI Books, Transworld Publishers Ltd.

(5) Dennis Cuddy, The Grab for Power: A Chronology of the NEA, Plymouth Rock Foundation, Marlborough, NH

(6) Walden II http://www.ship.edu/~cgboeree/ e http://www.ship.edu/~cgboeree/skinner.html

(7) http://somaweb.org/ e http://somaweb.org/w/huxbio.html

(8) pp. 50-51

(9) pp. 79

(10) Charlotte T. Iserbyt, Soviets in the Classrooms: America’s Latest Educational Fad. Também em: http://www.newswithviews.com/iserbyt/iserbyt7.htm

(11) http://www.secularhumanism.org/manifesto/ 2000

(12) http://www.secularhumanism.org/manifesto/promise.htm

(13) http://www.barcelona2004.org/eng/

(14) UN General Assembly Voting Habits, em: http://www.freedomalliance.org/view_article.php?a_ide=312

(15) Ver: Peter Washington, Madame Blavatsky’s Baboon: A History of the Mystics, Mediums and Misfits Who Brought Spiritualism to America, Shocken Books, NY

O minimanual do guerrilheiro urbano

Resumo: Carlos Azambuja analisa o conteúdo de um dos “guias” do terrorismo urbano ao longo da década de 1960: O Minimanual do Guerrilheiro Urbano,  verdadeira “bíblia” do terror comunista latino-americano.

© 2004 MidiaSemMascara.org

É interessante conhecer alguns dos ensinamentos de CARLOS MARIGHELA expressos no Minimanual do Guerrilheiro Urbano, de sua autoria, editado em panfleto em junho de 1969 – ou seja, há 35 anos – e posteriormente traduzido no exterior para diversos idiomas e posto em prática por grupos guerrilheiros de diversos países. Carlos Marighela escreveu:

 A Guerra Psicológica

É uma técnica agressiva, baseada na utilização direta ou indireta dos meios de comunicação de massa e da notícia de boca em boca, no sentido de desmoralizar o governo. Este sempre leva desvantagem, pois impondo a censura aos meios de comunicação acaba arrastado a uma posição defensiva. Com isso, torna-se mais contraditório e desprestigiado, perdendo tempo e energia num controle dispendioso e enervante.

A Guerra Psicológica tem como objetivo desinformar, difundindo inverdades e meias verdades, o que todo mundo pode fazer, criando, assim, um ambiente de nervosismo, descrédito, insegurança, incerteza e intranqüilidade para o governo.

Pode-se, por exemplo:  – anunciar, por telefone ou correio, pistas falsas à polícia e ao governo, avisos sobre colocação de bombas e atos de terrorismo em repartições públicas e outros locais, ameaças de seqüestro e assassinatos, etc, desgastando as autoridades e mantendo-as ocupadas;  – fazer cair nas mãos da polícia planos falsos, desviando sua atenção;  – espalhar boatos, provocando inquietação no governo e na população;  – explorar, pelos mais variados meios, a corrupção, erros e deslizes do governo e seus representantes, obrigando-os a explicações pelos meios de comunicação de massa, por eles próprios postos sob censura;- Formular denúncias às embaixadas estrangeiras, à ONU, à Nunciatura Apostólica e às comissões internacionais de juristas, de defesa dos direitos humanos ou de liberdade de imprensa, apresentando casos concretos de violações e emprego da violência pela ditadura militar, e fazendo sentir que a guerra revolucionária prosseguirá, com graves danos para os inimigos do povo.

– Os Métodos de Conduzir as Ações

Os métodos revolucionários de conduzir as ações diferenciam o guerrilheiro urbano do marginal. Exigem, forçosa e obrigatoriamente a aprendizagem e o emprego dos seguintes elementos: pesquisas e informações; observação; reconhecimento e exploração do terreno; estudo e cronometragem dos horários e itinerários; planejamento; motorização do pessoal e revezamento; seleção da capacidade de fogo; estudo e meios de execução; cobertura; retirada; desova; resgate ou transbordo; eliminação de pistas; e resgate de feridos.

 Algumas Observações sobre o Método

Quando não existe informação, o ponto de partida para o planejamento da ação pode ser a pesquisa e a observação. Mesmo havendo informação, é necessário verificar o que foi informado.

Negligenciar o reconhecimento ou exploração do terreno e o estudo e cronometragem dos itinerários equivale a dar um salto no escuro.

A motorização não pode ser subestimada ou deixada para as vésperas da ação principal a ser executada. Deve ser encarada a sério, realizada com bastante antecedência, exigindo planejamento rigoroso. Começa pela informação, até ser consumada, com cuidado e precisão. A guarda, conservação, manutenção e descaracterização dos veículos expropriados são particularmente importantes. Falhando a motorização, fracassa a ação principal.

Na seleção do pessoal, evita-se a inclusão dos indecisos e vacilantes, que podem contaminar os demais participantes.

A retirada é tão ou mais importante que a operação em si, devendo ser rigorosamente planejada, mesmo para a hipótese de um fracasso.

O resgate deve ser feito com a maior naturalidade e sempre em terreno em cotovelo, ou níveis diferentes, ou ainda dependendo de passagens estreitas, que permitam a travessia a pé, a fim de evitar o encontro de dois carros. Evitar o resgate ou transbordo levando crianças ou fazendo qualquer coisa que desperte a atenção de pedestres. A obrigatória eliminação das pistas exige o máximo de cautela, visando encobrir sinais de dedos e outros indícios. A falta de cuidado trará o nervosismo às nossas fileiras, fator que o inimigo explora com freqüência.

– O Resgate de Feridos

É um problema que merece atenção especial. Em nenhuma hipótese um companheiro ferido deve ser abandonado em mãos do inimigo. Havendo no Grupo de Fogo alguém com conhecimento de primeiros socorros, eles devem ser aplicados imediatamente.

Devemos criar cursos de enfermagem para homens e mulheres, nos quais o guerrilheiro urbano seja matriculado.

Médicos, estudantes de Medicina, enfermeiros, farmacêuticos ou simples iniciados em socorros de urgência, são necessários para a luta revolucionária moderna. Um pequeno manual de primeiros socorros para o guerrilheiro urbano, mesmo mimeografado, deve ser também motivo de iniciativa de qualquer conhecedor do assunto.

A logística médica não pode ser esquecida no planejamento e execução da ação armada. Isso é resolvido por meio de uma clínica móvel ou motorizada, ou um posto volante montado em um automóvel. Outra solução é um enfermeiro aguardar com sua maleta de curativos em uma casa ou outro lugar, para onde será levado o ferido. O ideal será possuir uma clínica própria, bem montada, o que custa muito dinheiro, a não ser que utilizemos material expropriado.

Falhando os recursos apontados, muitas vezes necessitaremos recorrer a clínicas legais, empregando a mão armada, se for o caso, para obter o tratamento.

Na compra eventual de sangue ou plasma sangüíneo, ou quando recorrermos a hospitais ou casas de saúde, jamais fornecer endereços de quaisquer elementos comprometidos com o trabalho clandestino da organização. As casas onde ficarem os feridos só podem ser do conhecimento de reduzidíssimo número de companheiros incumbidos do transporte e do tratamento e acompanhamento. Panos sujos de sangue, medicamentos e outros indícios de tratamento de companheiros feridos, devem ser eliminados.

– A Segurança do Guerrilheiro

Vivendo em constante perigo, dada a possibilidade de sermos denunciados e descobertos, nosso principal problema de segurança é a garantia de estarmos bem escondidos e bem guardados, bem como que estejam assegurados os meios para impedir a vinda da polícia até onde nos encontremos.

O maior perigo que nos ameaça é a infiltração do espião ou delator de nossa organização. O que for apanhado será punido com a morte. O mesmo acontecerá aos desertores que revelarem à polícia o que sabem.

Cautela e severidade no recrutamento são fundamentais para evitar a infiltração e a obtenção de informações a nosso respeito.

Também não se deve permitir que todos conheçam todos, nem que todos conheçam tudo. Cada um só deve conhecer o que disser respeito ao seu trabalho. Esta é a regra fundamental do ABC de segurança.

É inadmissível que o guerrilheiro urbano forneça o seu ou outros endereços clandestinos ao inimigo, ou que fale demais.

Anotações nas margens de jornais, documentos esquecidos, cartões de visitas, cartas e bilhetes, são pistas que a polícia jamais despreza. Cadernetas de endereços e telefones têm que ser abolidas e não se deve escrever ou guardar papéis, evitando arquivos de nomes legais e ilegais, indicações biográficas, mapas, esquemas e planos. Pontos de encontro devem ser memorizados e não anotados.

O transgressor dessas regras deve ser advertido pelo primeiro que verificar a infração;  se prosseguir, devemos evitar trabalhar com ele.

A necessidade de nos movimentarmos constantemente e a relativa proximidade da polícia face ao cerco policial estratégico a que está submetida a cidade, levam-nos a adotar medidas de segurança variáveis, dependendo da movimentação do inimigo. Impõe-se um serviço de informações diário sobre as atividades ostensivas do inimigo, locais de batidas policiais, gargantas e pontos de estrangulamento que estão submetidos a vigilância. A leitura diária do noticiário policial dos jornais é, no caso, ótima fonte de informações.

O mais importante é jamais permitir na organização o menor sinal de afrouxamento nas medidas e regras de vigilância.

Também, e principalmente,  em caso de prisão, a segurança deve ser mantida. O guerrilheiro preso não pode revelar à polícia nada que prejudique a organização, que resulte na prisão de outros companheiros, na descoberta de endereços e esconderijos ou na queda de armas e munições.

– Os Sete Pecados do Guerrilheiro Urbano

1. A inexperiência. Ofuscado por esse pecado, julga o inimigo tolo, subestima sua inteligência, julga as coisas fáceis e, em conseqüência, deixa pistas que conduzem ao desastre. Pode também superestimar o inimigo, considerando-o mais poderoso do que realmente é, acabando por intimidar-se, permanecer inseguro e indeciso, amarrado e sem audácia;

2. Vangloriar-se de suas ações e alardeá-las aos quatro ventos;

3. Envaidecer-se, pretendendo, assim, resolver os problemas da revolução, desencadeando ações na cidade sem preocupação com o lançamento e a sobrevivência da guerrilha rural. Cego pelos êxitos obtidos, acaba organizando uma ação que considera decisiva e na qual joga todas as forças da organização. Como a cidade é a área do cerco estratégico, que não podemos evitar ou romper enquanto a guerrilha rural não for desencadeada e estiver prestes a ser vitoriosa, sobrevém sempre o erro fatal, por onde será dado ao inimigo atacar-nos com golpes certeiros;

4. Exagerar suas forças e querer fazer aquilo que não tem condições e nem está à sua altura, por não possuir, ainda, uma infra-estrutura adequada;

5. Precipitação, perdendo a paciência e ficando nervoso, não esperando por nada e lançando-se intempestivamente às ações e sofrendo revezes inesperados;

6. Atacar o inimigo quando este está assanhado;

7. Não planejar as ações e agir na base da improvisação.

– O Apoio Popular

Para conquistá-lo, o guerrilheiro urbano deve identificar-se permanentemente com as questões populares.

Onde a atuação do governo se revelar inepta ou corrupta, não devemos vacilar em interferir a fim de mostrar que o combatemos, ganhando assim a simpatia popular.

A rebelião do guerrilheiro urbano e sua persistência em interceder nas questões populares são a melhor maneira de assegurar o apoio do povo à causa que defendemos.

Desde que uma parte razoável da população comece a levar a sério a ação do guerrilheiro urbano, seu sucesso estará garantido.

Para o governo não restará alternativa senão intensificar a repressão, com batidas policiais, invasão de lares, prisões de suspeitos e inocentes, barreiras em estradas, tornando a vida insuportável para os cidadãos.

Vendo os militares e a ditadura à beira do abismo e temendo pelas conseqüências da guerra revolucionária, já então num plano bastante avançado e irreversível, os apaziguadores, sempre existentes entre as classes dominantes, e os oportunistas de direita, partidários da luta pacífica, dar-se-ão as mãos e passarão a murmurar nos bastidores, implorando por eleições, democratização, reformas de cartas constitucionais e outros ingredientes destinados a enganar as massas, buscando fazer cessar o impacto revolucionário nas cidades e nas áreas rurais do país.

Já então, o povo começa a entender que é uma farsa votar em eleições, cujo único objetivo é garantir a continuidade da ditadura militar e dar cobertura a seus crimes.

Atacando em cheio a farsa de eleições e das chamadas aberturas políticas, o guerrilheiro urbano deve tornar-se mais agressivo e violento, recorrendo sem cessar à sabotagem,  terrorismo, assaltos, seqüestros, justiçamentos, etc.

Isso anulará qualquer pretensão de enganar as massas, uma vez que tanto o Parlamento como os partidos são chamados a funcionar por honra e graças de um alvará da ditadura militar, num autêntico espetáculo de cães amestrados.

O guerrilheiro urbano deve ter em vista a ação revolucionária em favor do povo, e com ela buscar a participação das massas na luta contra a ditadura militar e pela libertação do país do jugo dos EUA. Partindo da cidade e com o apoio do povo é que se chegará rapidamente à guerrilha rural, cuja infra-estrutura vai sendo montada cuidadosamente à medida que a área urbana mantém sua rebelião.

– A Guerrilha Urbana – Escola de Seleção do Guerrilheiro

A revolução é um fenômeno social que depende de homens, armas e recursos. Armas e recursos existem no país e podem ser tomados e manejados, mas para isso é necessário contar com os homens, pois sem eles nada tem sentido e valor. Os homens devem ter uma motivação político-revolucionária e possuir um preparo técnico adequado.

Entre os requisitos fundamentais e indispensáveis, o primeiro é encontrado entre o imenso e inconfundível contingente dos inimigos da ditadura militar e da dominação do imperialismo dos EUA. Tais homens afluem quase diariamente, e por isso é que a reação não para de anunciar que desbaratou grupos revolucionários, mas está sempre passando pelo dissabor de vê-los ressurgir das próprias cinzas.

Os homens melhor treinados, mais experientes e dedicados da guerrilha urbana e, simultaneamente, da guerrilha rural, constituem a espinha dorsal da guerra revolucionária. Dessa espinha dorsal surgirá o cerne do Exército Revolucionário de Libertação Nacional, oriundo da guerrilha.   

Esse é um resumo do Minimanual do Guerrilheiro Urbano.

Deve ser assinalado que, quando, de fato, irrompeu a guerrilha urbana, em meados dos anos 60, logo após a Revolução de Março de 1964, com alguns quadros das diferentes Organizações já treinados no exterior e dispostos à luta, as Forças Armadas e seus Órgãos de Inteligência, chamados para combatê-los, não possuíam experiência nesse tipo de guerra, uma guerra não convencional. Dessa forma, as táticas e estratégias foram sendo improvisadas de conformidade com as ações empreendidas pelo inimigo.

Dessa forma, erros foram cometidos, vidas preciosas foram perdidas e carreiras foram abreviadas, mas as guerrilhas urbana e rural, os seqüestros de diplomatas e de aviões comerciais, os “justiçamentos”, os assaltos a bancos e a estabelecimentos comerciais, foram erradicados num espaço de tempo relativamente curto, muito embora muitas pessoas, mal informadas ou desinformadas, hoje, desdenhem essa verdade.

As ações levadas a efeito pelas organizações guerrilheiras, além do elemento surpresa, primavam pela rapidez e violência. Não titubeavam  em utilizar suas armas contra quem quer que fosse. Nesse contexto, muitos inocentes tombaram.

Os Serviços de Inteligência militares desempenharam um papel relevante no levantamento e identificação dos militantes e das estruturas das Organizações terroristas, seus fatores de força e suas mazelas interiores, através, fundamentalmente, de agentes infiltrados e desertores desencantados com a progressiva transformação dessas Organizações em grupos de marginais.

Os desertores recrutados, aliás, tiveram um papel fundamental que ainda não foi escrito em seu todo e está para ser reconhecido. Todos, ou a grande maioria, tiveram suas identidades preservadas, conforme os acordos de cavalheiros que presidiam os entendimentos. A maioria deles está aí, incólume e sem traumas. Alguns, de certa forma, ainda continuam militantes.

A imprensa, em geral, segmento que nunca esteve imune à infiltração da esquerda revolucionária, no início das hostilidades, nos anos 60, teve um papel preponderante em favor da guerrilha urbana, com a divulgação, muitas vezes distorcida, de suas ações, tidas como de propaganda armada, até que, em dezembro de 1968, com a censura imposta pelo Ato Institucional nº 5, esse fator de força foi tirado à guerrilha.

Por divergências entre suas lideranças quanto às táticas, ou seja, às formas de conduzir a revolução, nunca, a não ser no início do ano de 1973 (ainda que precariamente), quando a derrota já se configurava  como inevitável, nunca – repetimos – as Organizações de luta armada conseguiram promover uma aliança estável e atuar coordenadamente. Houve casos em que o mesmo alvo era objeto de assalto simultâneo por mais de uma Organização.

Devido a esse fato, tornou-se relativamente menos difícil combatê-las. Todavia não foi fácil neutralizá-las. Isso exigiu sacrifício e abnegação de um punhado de militares, e também civis, que, hoje, são alvos de uma campanha revanchista, por parte de grupos, nacionais e estrangeiros, preocupados em defender os direitos humanos dos terroristas de então, hoje anistiados e indenizados. Muitos com cargos no governo.

Os nomes mais de 100 vítimas da subversão e do terrorismo aloprado não são recordados e tampouco suas famílias, que nada pediram ou pedem, foram indenizadas.

Conhecer o inimigo, sua organização, estrutura e identidades de seus membros são tarefas dos Serviços da Inteligência. O conhecimento antecipado de todas as nuanças de uma Organização terrorista poupa vidas e é mais econômico e menos doloroso se utilizados agentes infiltrados ou se promovido o recrutamento de militantes desencantados. Esta, todavia, não é uma tarefa para principiantes. Mas foi utilizada, com êxito, maior ou menor, por todos os Órgãos de Inteligência que, constitucionalmente, cumprindo decisão política de um governo legítimo, viram-se empenhados no combate à violência armada.

A História registra que Napoleão Bonaparte teria dito que “um espião implantado nos centros de decisão do inimigo, equivale a um Exército de 100 mil homens”. Essa afirmação não está longe da verdade. Recordemos que na 2ª Guerra Mundial, Richard Sorge, personagem do livro “O Espião que Abalou o III Reich”, infiltrado junto à alta cúpula das nações do Eixo, obteve informações de valor inestimável que, fornecidas aos soviéticos, mudaram o curso da guerra no Leste Europeu.

O combate  e o desmantelamento das Organizações voltadas para a violência armada no Brasil, adeptas da linha cubana consubstanciada na implantação de “focos guerrilheiros”, ou da linha chinesa, de “guerra popular prolongada”, foi concluído em meados de 1974, com a erradicação final da chamada Guerrilha do Araguaia, um projeto do PC do B, apoiado pela China e pela Albânia.

Anteriormente, no início dos anos 70, projetos semelhantes, porém em estágios ainda embrionários, da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares e do Partido Revolucionário dos Trabalhadores – uma cisão na Ação Popular -, em áreas próximas ao Araguaia, haviam sido também desmantelados numa operação denominada “Operação Mesopotâmia”.

Paralelamente ao combate prioritário às organizações voltadas para a violência armada, os Órgãos de Inteligência nunca deixaram de acompanhar as atividades desenvolvidas por grupos trotskistas e por partidos marxistas-leninistas ortodoxos, não inseridos na violência armada, mas com atividades altamente deletérias.

Essas Organizações e partidos vieram a ser também desmantelados – em um menor espaço de tempo, graças à experiência adquirida pela chamada repressão – tão logo concluída a fase de erradicação das guerrilhas rural e urbana. Afinal, esses partidos e grupos haviam sido o grande celeiro onde foram formados no be-a-bá da doutrina científica aqueles jovens que, radicalizados, optaram pela violência revolucionária.