Igualdade, cegueira da liberdade

Os mais recentes fatos políticos na Venezuela mostram que o presidente Maduro prendeu outro opositor, o Sr. Antonio Ledezma, atual prefeito de Caracas e apreendeu outras 53 pessoas durante os primeiros dois meses do ano. Esses fatos lamentáveis, como bem os podemos considerar, estão tendo um aspecto favorável. Esse fator favorável é que pôs à luz do dia, e por conseguinte ante o mundo, a realidade da tendência totalitária do governo venezuelano, enquanto que por mais de cinqüenta anos ela foi ignorada na Cuba de Castro.

 

Tanto assim que ao tempo em que se põem de manifesto os fatos mencionados na Venezuela, o governo dos Estados Unidos pretende reiniciar relações com o governo de Cuba. Assim, já teve lugar reuniões de representantes dos Estados Unidos com o governo mais criminoso que apareceu na América Latina. E mais ainda, não obstante que Raúl Castro já manifestou que não haverá nenhuma mudança no sistema de governo cubano, está programada a visita do vice-presidente dos Estados Unidos, John Kerry, ao Uruguai, para se entrevistar com Raúl Castro.

A hora do ultraje

Eduardo Mackenzie analisa o seqüestro do Gen. Alzate.

 
Sob o comando do presidente Juan Manuel Santos, as Forças Armadas, e os demais organismos do Estado encarregados da segurança do país, estão vivendo uma de suas piores épocas. O que ocorreu ao General Rubén Darío Alzate, comandante da Força-Tarefa Conjunta Titã, com jurisdição no Chocó, uma enorme e rica região com saída para dois oceanos e por isso mesmo estratégica para a segurança da Colômbia, deixou o país atônito.

O súbito e insólito seqüestro do General Alzate, em 16 de novembro passado, por parte de um grupo minúsculo das FARC, e a forma que adquiriu, 14 dias depois, a liberação dele e de seus dois acompanhantes, o Cabo primeiro Jorge Rodríguez e a advogada Gloria Urrego, não consegue ser digerido por ninguém.

O falso mea culpa das FARC

As FARC não reconheceram de maneira clara e sincera que são os responsáveis pela mais vasta atividade criminosa que a Colômbia conheceu em toda sua história. O que fizeram ontem em Havana está longe de ser um mea culpa convincente e crível. O que o chefe guerrilheiro “Pablo Atrato” declarou em Cuba, no sentido de que as “ações” das FARC durante o “conflito armado” afetam a população civil, porém que ela “não foi o alvo principal nem secundário para eles”, não é senão uma maneira habilidosa de tratar de lavar as atrocidades cometidas por elas contra a força pública, como se ultimar, ferir e mutilar militares e policiais não fosse um crime espantoso. 

Ao mesmo tempo em que “Pablo Atrato” dizia isso, outro porta-voz das FARC, um tal “Matías Aldecoa”, exigia em Havana que “os Estados Unidos e outras potências estrangeiras” reconheçam sua “responsabilidade central” no chamado conflito colombiano. O terrorista que lançava esse discursos inflamado, não disse se entre as “outras potências estrangeiras” ele incluía a desaparecida Rússia de Stalin, ditadura totalitária de onde partiram efetivamente as ordens, o dinheiro, o treinamento e o apoio político para criar um aparato político-militar devastador que pudesse se apoderar da Colômbia, em plena guerra fria, para reforçar o comunismo soviético.

As piruetas de Fabrizio

Segundo o representante da ONU, os guerrilheiros encarcerados são vítimas do Estado e devem fazer parte da peregrinação a Cuba em igualdade de condições com as viúvas, os órfãos e os mutilados que as ações das FARC deixam.

Quem está por se desmobilizar são as FARC, não o Estado colombiano. Quem promete pôr fim a uma estratégia de mais de 60 anos de crimes contra a Colômbia são as FARC. Ninguém mais. Nos chamados “diálogos de paz”, esse é o ponto central, o único, o que justifica esse esforço, inútil até agora, de dois anos de conversações: o fim das ações do bando armado mais mortífero e depredador que a Colômbia conheceu em toda a sua história.

Lá, nessa “mesa de negociação” na ilha-prisão, o que está em jogo é, em princípio, embora as FARC pensem outra coisa, como pôr um ponto final nas ações do comunismo armado na Colômbia. O ponto não é especular acerca dos defeitos do capitalismo, nem sobre a legitimidade ou as carências do Estado colombiano. Este, pelo contrário, teve que se defender contra a opressora agressão ordenada pelo mastodonte soviético. Teve que se mobilizar de maneira defensiva contra o fruto local de uma realidade bélica exterior à Colômbia: a Guerra Fria.

Colômbia: Santos ordena esmagar o uribismo

Lorenzo Madrigal, reconhecido colunista de El Espectador, a quem de modo algum se poderia rotulá-lo de uribista, descreveu com franqueza esta semana o que está ocorrendo na política nacional, a propósito de três fatos concomitantes da conjuntura atual: a tentativa de desbancar o Procurador (Alejandro Ordóñez), a condenação de Andrés Felipe Arias, e a cruzada para que se levante o asilo do Panamá à María del Pilar Hurtado.

“O poder, que Echandía não soube para que servia (certamente que soube), permite destruir o inimigo e negar-lhe pela rádio, pela imprensa, pelos tribunais (olho!), pelo Congresso, pela administração pública, qualquer possibilidade de emergir de uma derrota eleitoral. O unanimismo absolutista não é a melhor maneira de fazer a paz”, sentenciou em sua coluna semanal.

Nada mais e nada menos que o empreendimento grotesco de alinhar os quatro poderes e enfileirá-los contra o adversário político, não com o propósito democrático de confrontá-lo em uma lide civilizada, senão de arrasá-lo e destruí-lo. Imprensa, executivo, legislativo e judiciário, todos em uma como em Fuenteovejuna.

Santos, FHC e a “paz” das FARC

No princípio do mês de julho o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, reuniu durante três dias em Cartagena de Índias os ex-presidentes Bill Clinton, Felipe González, Ricardo Lagos, Tony Blair e Fernando Henrique Cardoso (FHC), para o que ele chamou de “Terceira Via”. O objetivo, na realidade, era buscar apoio para seu projeto utópico e criminoso de selar a paz entre governo e FARC. Tudo às custas do contribuinte.

FHC escreveu, então, um artigo que foi publicado no site do PSDB, cumprindo com o acordado no encontro de propagandear, perante o mundo, que Santos é o “presidente da paz” e os que têm-se mostrado contra esta aberração porque prima pela impunidade, são “inimigos da paz”.

O direito de asilo em perigo

A ONG que exige que Panamá e Colômbia violem os direitos humanos de uma colombiana asilada, que tem o direito de ser protegida pelo Panamá, é a mesma que defendeu em 2004 quatro terroristas que os Estados Unidos capturaram nos confins do Afeganistão e Paquistão em 2001, e encerrado em Guantánamo.

Você já tinha visto uma ONG defensora dos direitos humanos que exige a certos Estados desconhecer, atacar e violar os direitos humanos? Você tinha visto dois Estados latino-americanos jogar fora uma tradição de respeito ao direito de asilo porque uma ONG lhes disse que o façam? Essa ONG existe e esses Estados existem. E a Colômbia é um deles. Não vale a pena, no momento, dar a conhecer o nome dessa grotesca e influente ONG, nem discutir que credibilidade podem ter suas credenciais no momento de se apresentar nos circuitos judiciais e no mundo cada vez mais enrarecido dos direitos humanos.

No momento, há que constatar um fato: mal orientados por juristas fanáticos, Colômbia e Panamá estão pisoteando o direito de asilo, um dos direitos do homem mais antigos do mundo, que esses dois países respeitavam há até cinco anos.

Colômbia: a paz chegará com justiça ou com impunidade?

Santos estará submetido a pressões sem precedentes, porque foram os aliados ideológicos dos irregulares que emprestaram a ele um fundamental apoio para que ganhasse o segundo turno

O resultado das recentes eleições efetuadas na Colômbia gera inúmeras expectativas, entre elas, até que ponto o presidente Juan Manuel Santos terá que fazer concessões aos setores da extrema-esquerda durante seu segundo mandato.

É certo que Santos contava com um amplo respaldo popular, mas sua derrota no primeiro turno ante Oscar Iván Zuluaga, mostrava que requeria o apoio de um setor que, embora historicamente contrário à sua política social e econômica, está identificado plenamente com uma parte de sua gestão: os diálogos com as forças da narco-guerrilha.

Venceu a trampa, denuncia Uribe

Passados alguns dias depois do choque com a vitória roubada do camarada Juan Manuel Santos, o Notalatina faz nova edição comentando aquele fatídico 15 de junho e denúncias feitas pelo ex-presidente Uribe dois dias antes das eleições em sua conta de Twitter. Entretanto, em vez de escrever um texto, preferi traduzir e publicar dois artigos: o primeiro, que dá nome a esta edição, da lavra do ex-presidente e senador eleito Álvaro Uribe, e o segundo do querido amigo Ricardo Puentes Melo. E o faço porque eles dizem tudo, melhor do que eu poderia fazê-lo, sobre o que aconteceu no segundo turno da eleição presidencial na Colômbia. Leiam com atenção e desfrutem, sobretudo o vídeo no final. 


Venceu a trampa, denuncia Uribe

Comunicado do ex-presidente Uribe.

Nossa gratidão à doutora Marta Lucía Ramírez e aos milhões de colombianos que acompanharam esta luta.

Em nome da paz, o governo Santos impulsionou a maior corrupção da história caracterizada por abuso de Governo, entrega de somas de dinheiro a parlamentares para compra de votos, oferta de dinheiro do Governo a Prefeitos e Governadores para forçá-los a intervir ilegalmente na campanha em favor do presidente-candidato, compra de votos, violação da Lei de Garantias, propaganda ilegal com dinheiro do Estado em pauta publicitária que coincide com a publicidade do candidato-presidente.

Observações sobre o momento pós-eleitoral colombiano

1. A re-eleição de Juan Manuel Santos, em 15 de junho passado, é uma verdadeira derrota do uribismo. Porém, ela não é definitiva, nem marca o fim de uma época. Pelo contrário, o combate entre democracia e coletivismo na Colômbia se agudiza. Santos terá quatro anos mais para culminar seu único plano de governo: seu processo de capitulação ante as FARC. Essa linha é o que ele chama de “processo de paz”. Essa capitulação, que Santos mostrou como uma via razoável para a paz, não é só um erro, é uma calamidade para a Colômbia. Desde 1970, cada governo colombiano propôs às FARC soluções pacíficas. As FARC as rechaçaram sempre. Fizeram saber que a capitulação era a única saída. É o que chamam “solução política”. Não eram cálculos locais. Eram os desígnios da URSS em plena Guerra Fria. A via da capitulação começou a ser uma tentação. Ela existiu de maneira latente e vacilante, com altos e baixos, desde então. Essa idéia, inoculada à classe dirigente pelas próprias FARC, é o maior logro subversivo desse aparato de morte, desde sua fundação nos anos 50. Só Álvaro Uribe Vélez, em seus dois períodos de governo (2002-2010), rechaçou essa tentação e conseguiu tirar as FARC do universo político e militar. Com Juan Manuel Santos essa tentação renasceu e transbordou. Hoje chega a seus limites mais extremos. Pela primeira vez, um presidente põe em evidência o liberalismo político e econômico da Colômbia e ganha uma eleição apresentando isso como um “processo de paz”. Se esse projeto não for derrotado, a Colômbia terá que aceitar ser mais uma vítima da depredação política, econômica e financeira de Cuba, o verdadeiro artífice da subversão global, como é hoje a Venezuela.