O falso mea culpa das FARC

As FARC não reconheceram de maneira clara e sincera que são os responsáveis pela mais vasta atividade criminosa que a Colômbia conheceu em toda sua história. O que fizeram ontem em Havana está longe de ser um mea culpa convincente e crível. O que o chefe guerrilheiro “Pablo Atrato” declarou em Cuba, no sentido de que as “ações” das FARC durante o “conflito armado” afetam a população civil, porém que ela “não foi o alvo principal nem secundário para eles”, não é senão uma maneira habilidosa de tratar de lavar as atrocidades cometidas por elas contra a força pública, como se ultimar, ferir e mutilar militares e policiais não fosse um crime espantoso. 

Ao mesmo tempo em que “Pablo Atrato” dizia isso, outro porta-voz das FARC, um tal “Matías Aldecoa”, exigia em Havana que “os Estados Unidos e outras potências estrangeiras” reconheçam sua “responsabilidade central” no chamado conflito colombiano. O terrorista que lançava esse discursos inflamado, não disse se entre as “outras potências estrangeiras” ele incluía a desaparecida Rússia de Stalin, ditadura totalitária de onde partiram efetivamente as ordens, o dinheiro, o treinamento e o apoio político para criar um aparato político-militar devastador que pudesse se apoderar da Colômbia, em plena guerra fria, para reforçar o comunismo soviético.

As piruetas de Fabrizio

Segundo o representante da ONU, os guerrilheiros encarcerados são vítimas do Estado e devem fazer parte da peregrinação a Cuba em igualdade de condições com as viúvas, os órfãos e os mutilados que as ações das FARC deixam.

Quem está por se desmobilizar são as FARC, não o Estado colombiano. Quem promete pôr fim a uma estratégia de mais de 60 anos de crimes contra a Colômbia são as FARC. Ninguém mais. Nos chamados “diálogos de paz”, esse é o ponto central, o único, o que justifica esse esforço, inútil até agora, de dois anos de conversações: o fim das ações do bando armado mais mortífero e depredador que a Colômbia conheceu em toda a sua história.

Lá, nessa “mesa de negociação” na ilha-prisão, o que está em jogo é, em princípio, embora as FARC pensem outra coisa, como pôr um ponto final nas ações do comunismo armado na Colômbia. O ponto não é especular acerca dos defeitos do capitalismo, nem sobre a legitimidade ou as carências do Estado colombiano. Este, pelo contrário, teve que se defender contra a opressora agressão ordenada pelo mastodonte soviético. Teve que se mobilizar de maneira defensiva contra o fruto local de uma realidade bélica exterior à Colômbia: a Guerra Fria.

Colômbia: Santos ordena esmagar o uribismo

Lorenzo Madrigal, reconhecido colunista de El Espectador, a quem de modo algum se poderia rotulá-lo de uribista, descreveu com franqueza esta semana o que está ocorrendo na política nacional, a propósito de três fatos concomitantes da conjuntura atual: a tentativa de desbancar o Procurador (Alejandro Ordóñez), a condenação de Andrés Felipe Arias, e a cruzada para que se levante o asilo do Panamá à María del Pilar Hurtado.

“O poder, que Echandía não soube para que servia (certamente que soube), permite destruir o inimigo e negar-lhe pela rádio, pela imprensa, pelos tribunais (olho!), pelo Congresso, pela administração pública, qualquer possibilidade de emergir de uma derrota eleitoral. O unanimismo absolutista não é a melhor maneira de fazer a paz”, sentenciou em sua coluna semanal.

Nada mais e nada menos que o empreendimento grotesco de alinhar os quatro poderes e enfileirá-los contra o adversário político, não com o propósito democrático de confrontá-lo em uma lide civilizada, senão de arrasá-lo e destruí-lo. Imprensa, executivo, legislativo e judiciário, todos em uma como em Fuenteovejuna.

Santos, FHC e a “paz” das FARC

No princípio do mês de julho o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, reuniu durante três dias em Cartagena de Índias os ex-presidentes Bill Clinton, Felipe González, Ricardo Lagos, Tony Blair e Fernando Henrique Cardoso (FHC), para o que ele chamou de “Terceira Via”. O objetivo, na realidade, era buscar apoio para seu projeto utópico e criminoso de selar a paz entre governo e FARC. Tudo às custas do contribuinte.

FHC escreveu, então, um artigo que foi publicado no site do PSDB, cumprindo com o acordado no encontro de propagandear, perante o mundo, que Santos é o “presidente da paz” e os que têm-se mostrado contra esta aberração porque prima pela impunidade, são “inimigos da paz”.

O direito de asilo em perigo

A ONG que exige que Panamá e Colômbia violem os direitos humanos de uma colombiana asilada, que tem o direito de ser protegida pelo Panamá, é a mesma que defendeu em 2004 quatro terroristas que os Estados Unidos capturaram nos confins do Afeganistão e Paquistão em 2001, e encerrado em Guantánamo.

Você já tinha visto uma ONG defensora dos direitos humanos que exige a certos Estados desconhecer, atacar e violar os direitos humanos? Você tinha visto dois Estados latino-americanos jogar fora uma tradição de respeito ao direito de asilo porque uma ONG lhes disse que o façam? Essa ONG existe e esses Estados existem. E a Colômbia é um deles. Não vale a pena, no momento, dar a conhecer o nome dessa grotesca e influente ONG, nem discutir que credibilidade podem ter suas credenciais no momento de se apresentar nos circuitos judiciais e no mundo cada vez mais enrarecido dos direitos humanos.

No momento, há que constatar um fato: mal orientados por juristas fanáticos, Colômbia e Panamá estão pisoteando o direito de asilo, um dos direitos do homem mais antigos do mundo, que esses dois países respeitavam há até cinco anos.

Colômbia: a paz chegará com justiça ou com impunidade?

Santos estará submetido a pressões sem precedentes, porque foram os aliados ideológicos dos irregulares que emprestaram a ele um fundamental apoio para que ganhasse o segundo turno

O resultado das recentes eleições efetuadas na Colômbia gera inúmeras expectativas, entre elas, até que ponto o presidente Juan Manuel Santos terá que fazer concessões aos setores da extrema-esquerda durante seu segundo mandato.

É certo que Santos contava com um amplo respaldo popular, mas sua derrota no primeiro turno ante Oscar Iván Zuluaga, mostrava que requeria o apoio de um setor que, embora historicamente contrário à sua política social e econômica, está identificado plenamente com uma parte de sua gestão: os diálogos com as forças da narco-guerrilha.

Venceu a trampa, denuncia Uribe

Passados alguns dias depois do choque com a vitória roubada do camarada Juan Manuel Santos, o Notalatina faz nova edição comentando aquele fatídico 15 de junho e denúncias feitas pelo ex-presidente Uribe dois dias antes das eleições em sua conta de Twitter. Entretanto, em vez de escrever um texto, preferi traduzir e publicar dois artigos: o primeiro, que dá nome a esta edição, da lavra do ex-presidente e senador eleito Álvaro Uribe, e o segundo do querido amigo Ricardo Puentes Melo. E o faço porque eles dizem tudo, melhor do que eu poderia fazê-lo, sobre o que aconteceu no segundo turno da eleição presidencial na Colômbia. Leiam com atenção e desfrutem, sobretudo o vídeo no final. 


Venceu a trampa, denuncia Uribe

Comunicado do ex-presidente Uribe.

Nossa gratidão à doutora Marta Lucía Ramírez e aos milhões de colombianos que acompanharam esta luta.

Em nome da paz, o governo Santos impulsionou a maior corrupção da história caracterizada por abuso de Governo, entrega de somas de dinheiro a parlamentares para compra de votos, oferta de dinheiro do Governo a Prefeitos e Governadores para forçá-los a intervir ilegalmente na campanha em favor do presidente-candidato, compra de votos, violação da Lei de Garantias, propaganda ilegal com dinheiro do Estado em pauta publicitária que coincide com a publicidade do candidato-presidente.

Observações sobre o momento pós-eleitoral colombiano

1. A re-eleição de Juan Manuel Santos, em 15 de junho passado, é uma verdadeira derrota do uribismo. Porém, ela não é definitiva, nem marca o fim de uma época. Pelo contrário, o combate entre democracia e coletivismo na Colômbia se agudiza. Santos terá quatro anos mais para culminar seu único plano de governo: seu processo de capitulação ante as FARC. Essa linha é o que ele chama de “processo de paz”. Essa capitulação, que Santos mostrou como uma via razoável para a paz, não é só um erro, é uma calamidade para a Colômbia. Desde 1970, cada governo colombiano propôs às FARC soluções pacíficas. As FARC as rechaçaram sempre. Fizeram saber que a capitulação era a única saída. É o que chamam “solução política”. Não eram cálculos locais. Eram os desígnios da URSS em plena Guerra Fria. A via da capitulação começou a ser uma tentação. Ela existiu de maneira latente e vacilante, com altos e baixos, desde então. Essa idéia, inoculada à classe dirigente pelas próprias FARC, é o maior logro subversivo desse aparato de morte, desde sua fundação nos anos 50. Só Álvaro Uribe Vélez, em seus dois períodos de governo (2002-2010), rechaçou essa tentação e conseguiu tirar as FARC do universo político e militar. Com Juan Manuel Santos essa tentação renasceu e transbordou. Hoje chega a seus limites mais extremos. Pela primeira vez, um presidente põe em evidência o liberalismo político e econômico da Colômbia e ganha uma eleição apresentando isso como um “processo de paz”. Se esse projeto não for derrotado, a Colômbia terá que aceitar ser mais uma vítima da depredação política, econômica e financeira de Cuba, o verdadeiro artífice da subversão global, como é hoje a Venezuela.

“O castrismo sobreviverá”, lamenta Pedro Corzo em seu novo livro

Os ensaios do novo livro de Pedro Corzo destilam, nas palavras do autor, “preocupação” e “dor” pela “falta de solidariedade da política latino-americana em relação a Cuba, e o escasso compromisso dos líderes da região com o enraizamento da democracia no continente”.

Miami – O jornalista, cineasta e ativista cubano Pedro Corzo, exilado em Miami, reúne no livro “Mediataciones en la Vía”, conferências e ensaios publicados nos últimos 20 anos e prognostica que “o castrismo sobreviverá aos Castro (Fidel e Raúl)” como “forma de poder”.

“Não considero que o castrismo tenha morrido, porque o castrismo não é uma ideologia, senão uma forma de manter o poder”, expôs hoje Corzo em uma entrevista, na qual mostrou-se convicto de que o processo de “sucessão dinástica” em favor do presidente cubano, Raúl Castro, trata de articular um “processo de transição dentro do próprio castrismo”. 

Colômbia: As perguntas que não fizeram ao senhor Revert

Rafael Revert está em liberdade. O indivíduo que a imprensa colombiana chama “o espanhol”, no obscuro episódio da infiltração que o Ministério Público realizou em completa ilegalidade contra a campanha do candidato Oscar Iván Zuluaga, ostenta, além disso, a qualidade de “testemunha protegida do Ministério Público” e, o que é pior, estaria a ponto de sair do país, sob a proteção do Ministério Público Geral da Nação.

Se esse personagem se for do país, o promotor Eduardo Montealegre Lynett estaria se metendo em uma tremenda confusão. Como os advogados de Oscar Ivan Zuluaga, vítima de Rafael Revert, poderão interrogar o prófugo Revert? Pois terão que fazê-lo e descobrir outras verdades, pois a atuação desse mercenário está longe de ter sido esclarecida e porque a tal infiltração que ele executou, e que o Ministério Público utilizou para que Zuluaga perdesse no primeiro turno da eleição presidencial, sem conseguir, não pode ficar desse tamanho. A justiça tem muito que dizer a respeito.