Internacional


Obama e McCain: o que eles dizem sobre o Oriente Médio

O que pensam os candidatos Republicano e Democrata sobre o papel de Israel no Oriente Médio?

Com o término das eleições primárias do Partido Democrata, os eleitores americanos podem se concentrar em questões de substância política. Por exemplo: qual é a diferença de abordagem dos dois principais[*] candidatos no que diz respeito a Israel e a tópicos relacionados? Entrevistas paralelas conduzidas pelo jornalista Jeffrey Goldberg, da revista The Atlantic, que conversou com o democrata Barack Obama no início de maio e com o republicano John McCain no final do mesmo mês, oferecem insights importantes.

Recebendo basicamente o mesmo conjunto de perguntas, os dois saíram em direções opostas. Obama usou a entrevista para convencer os leitores de sua boa-fé. Por três vezes ele reiterou seu apoio a Israel: “[A] idéia de um estado judeu seguro é, fundamentalmente, uma idéia justa e necessária. […] A necessidade de preservar um estado judeu que seja seguro é… uma idéia justa que deveria ser apoiada aqui nos Estados Unidos e ao redor do mundo. […] Sob a minha presidência, vocês não verão qualquer relaxamento no compromisso com a segurança de Israel”.

Obama então detalhou seu apoio dentro de quatro contextos especificamente judaicos.

– Evolução pessoal: “[Q]uando eu penso a respeito da idéia sionista, penso sobre como meus sentimentos quanto a Israel foram moldados em minha juventude – na verdade, já na minha infância. Na sexta-série, eu tive um monitor de acampamento judeu-americano que tinha passado um tempo em Israel”.

– Carreira política: “[Q]uando eu comecei a organizar atividades políticas em Chicago, meus dois companheiros nessa tarefa eram judeus e eu fui atacado por associar-me a eles. Assim, fiquei na trincheira com meus amigos judeus”.

– Idéias: “[E]u sempre brinco dizendo que a minha formação intelectual se deu através de estudiosos e escritores judeus, ainda que eu não soubesse disso na época. [Eu não sei]  se foram os teólogos ou Philip Roth que ajudaram a dar forma à minha sensibilidade, ou ainda, se foram escritores mais populares, a exemplo de um Leon Uris”.

– Filosofia: “[M]inha equipe às vezes me provoca porque me angustio com questões morais. Creio que, em parte, aprendi isso do pensamento judaico, do fato de que suas ações têm conseqüências, que elas importam e que há imperativos morais”.

Em contraste, McCain não viu necessidade de provar o seu sionismo nem suas credenciais pró-judaicas. Considerando-as como dadas, McCain usou a entrevista para levantar questões políticas, particularmente a ameaça vinda do Irã. Por exemplo, quando perguntado sobre a razoabilidade e justiça do sionismo, ele replicou: “[É] notável que o sionismo tenha existido em meio a guerras e  grandes provações e que tenha se mantido fiel aos ideais de democracia, de justiça social e de diretos humanos”. E continuou: “Eu penso que o Estado de Israel permanece sob ameaça significativa de organizações terroristas, assim como da continuada campanha dos iranianos para varrer Israel do mapa”. Referindo-se ao Irã novamente, McCain comprometeu-se “a nunca permitir  outro Holocausto”. Ele referiu-se à ameaça de destruição de Israel como algo que tem “profundas conseqüências à segurança nacional dos Estados Unidos” e enfatizou o fato de que Teerã patrocina organizações terroristas cujo intento é a destruição dos Estados Unidos da América.

Uma segunda diferença diz respeito à importância do conflito árabe-israelense. Obama o descreveu como um “ferimento aberto”, uma “chaga aberta” que infecta “toda a nossa política externa”. Mais especificamente, Obama disse que a falta de uma solução para esse conflito “fornece um pretexto para que militantes jihadistas antiamericanos se engajem em ações indesculpáveis”. Indagado sobre a declaração de Obama, McCain criticou severamente a idéia de que o radicalismo islâmico resulta da confrontação árabe-israelense: “[E]u não considero o conflito uma ferida. Eu penso que é um desafio à segurança nacional [americana]”. McCain continuou, pondo em evidência que: “[S]e o conflito árabe-israelense fosse resolvido amanhã, nós ainda nos veríamos face à enorme ameaça do extremismo radical islâmico.”

Finalmente, os dois discordam quanto à significância da permanência de israelenses a viver na Margem Ocidental. Obama deu grande ênfase ao tópico ao comentar que se o número deles continuar a crescer ”[N]ós ficaremos paralisados e presos ao mesmo status quo ao qual estivemos presos há décadas”. McCain reconheceu que esse é um assunto muito importante, mas rapidamente mudou o foco do tópico, centrando-o na campanha de bombardeio do Hamas à localidade de Sderot, a assediada cidadezinha israelense onde ele esteve pessoalmente em março deste ano, cujos terríveis apuros ele explicitamente comparou aos Estados Unidos continentais sendo atacados a partir de uma de suas fronteiras.

A dupla entrevista de Goldberg salienta dois fatos. Primeiramente, os candidatos dos partidos principais à presidência ainda precisam, de qualquer maneira, mostrar deferência e consideração para manter estreitos os laços americanos com Israel, ainda que no caso de Obama, essa deferência possa contradizer suas posições anteriores. Em segundo lugar, enquanto McCain está seguro quanto ao assunto, Obama preocupa-se em conquistar o voto pró-Israel.

Notas:

[*] NT: Nas eleições americanas há um grande número de candidatos não fil iados nem ao Partido Republicano (GOP), nem ao Partido Democrata. Em eleições anteriores, Ralph Nader e Ross Perot foram os nomes mais conhecidos entre os chamados independentes. Em 1992, Perot, um empresário texano, recebeu 18.9%  do voto popular  – aproximadamente 19.741.065 votos – (mas nenhum voto no Colégio Eleitoral ).

Publicado originalmente no Jerusalem Post, em 05/06/2008.

Também disponível em danielpipes.org

Tradução: MSM

A rede organizada por trás do livro anti-Bush

O que quer que você pense de Bush, McCain ou a Guerra no Iraque, não há dúvidas de que o ex-assessor de imprensa de Bush fez o papel de “idiota útil”.

O editor Peter Osnos, que pessoalmente admite estar trabalhando com o ex-assessor de imprensa da Casa Branca no Governo Bush, Scott McClellan, em seu novo livro, “What Happened” (O que houve), iniciou sua carreira como um assistente de I. F. Stone, o “jornalista” pró-comunista conhecido como agente de influência soviético, tio de Kathy Boudin, terrorista comunista da Weather Undergound.

Mas as conexões não param por aqui. Chesa, filho de Boudin, foi criado pelos colegas de Barack Obama, Bill Ayers e Bernardine Dohrn, que foram camaradas de Boudin no grupo terrorista comunista após Cathy Boudin ter sido presa por seu envolvimento em um roubo e assalto a mão armada que resultou na morte de dois policiais e um segurança. Dohrn foi preso mais tarde por recusar-se a cooperar em uma investigação oficial sobre o crime.

Obama tira proveito do livro de McClellan porque ele foi obviamente manipulado sob a orientação de Osnos, para infligir o máximo prejuízo ao Presidente Bush e, por conseguinte, ao seu colega republicano e apoiador da Guerra no Iraque, Senador John McCain. Nada disso pode ser coincidência.

Praticamente todos os antigos amigos de McClellan dizem que o que ele está escrevendo e dizendo agora não parece de forma nenhuma ser coisa dele. A explicação óbvia é que, qualquer que seja a razão ou motivação, ele está lendo um script preparado por Osnos e pela extrema esquerda.

Uma reportagem de 30 de maio do Washington Post dizia: “Em algum momento entre a proposta e a publicação, de acordo com o que contou McClellan ontem, caíram os antolhos, levando-o a escrever um livro no qual acusa seu ex-chefe, o Presidente Bush, e seus assistentes superiores de abandonarem a ‘imparcialidade e a honestidade’ para empreender uma ‘campanha de propaganda política’ que levou a nação a uma ‘guerra desnecessária.’”

Mas o jornal também citou Osnos como tendo dito que McClellan “precisou de uma orientação editorial para contar a história que ele queria contar o tempo todo”. Isto envolveu até mesmo o subtítulo, que a princípio terminava com “O que há de errado com Washington”, mas que tornou-se “A cultura da Fraude de Washington” no produto final. Osnos contou ao jornal que o subtítulo “evoluiu”. A história obviamente também.

Uma questão que foi levantada por críticos é se McClellan está nessa só pelo dinheiro. Mas isto é menos importante do que o fato de que a rede que fez deste livro uma realidade incorpora muitos elementos da extrema esquerda. A rede que incluía Stone, que morreu em 1989, foi o assunto do livro de 2003 de Susan Braudy, Family Circle (Círculo Familiar), sobre as ligações comunistas e socialistas da família de Boudin. A página 185 mostra Kathy Boudin e Bernardine Dohrn juntos, “após o retorno de Bernardine de Cuba”, onde ela teve “uma calorosa reunião com os membros do Viet cong”.

A linha de ataque

É significativo que Osnos diga que cada livro que ele publica inclui uma dedicatória a Benjamin C. Bradlee, I. F. Stone e Robert Bernstein, ex-presidente da Random House. Os dois primeiros são dignos de menção. Bradlee foi o editor-executivo do Washington Post, famoso por dizer certa vez que, durante a cobertura do affair Irã-Contra na gestão Reagan, ele estava tendo “a maior diversão desde Watergate”. Bradlee estava esperando derrubar Reagan, da mesma forma que haviam derrubado Nixon na cobertura feita pelo jornal sobre o escândalo Watergate.

Nixon tinha adquirido uma reputação nacional como deputado e tinha feito a base para sua campanha à presidência do país quando ajudou a expor o espião soviético Alger Hiss no Departamento de Estado e uma rede comunista dentro do governo norte-americano. Interessantemente, um dos repórteres de Bradlee no caso Watergate foi Carl Bernstein, cujos pais foram membros do Partido Comunista controlado pelos soviéticos. O episódio Irã-Contras não derrubou Reagan, mas a extrema esquerda aparentemente espera que o livro de McLellan derrube ou prejudique mais o Presidente George W. Bush. Também pode, nos seus pontos de vista, causar algum prejuízo colateral a McCain.

Trata-se de uma tática que tem sido utilizada reiteradas vezes. Aproveitando a cobertura de um livro, a mídia cria uma aparência de “escândalo”, desta vez com um ex-“integrante” do governo, e tenta infligir um prejuízo político que beneficia os Democratas. O problema para McClellan é que ele parece claramente tolo, enumerando responsabilidades na Guerra do Iraque – e assim por diante – que já foram na maioria das vezes levantadas antes pelos inimigos políticos do presidente. McClellan, que nunca objetou às políticas quando as promoveu e defendeu, está agindo como uma marionete.

A rede soviética

Osnos é a chave para compreender a rede que está trabalhando nos bastidores. Osnos foi assistente de I. F. Stone nos anos 1960. Stone posicionava-se como um escritor radical independente, mas foi exposto como um agente soviético nas transcrições de mensagens soviéticas conhecidas como as interceptações do Projeto Venona e por outras fontes. O ex-Major General da KGB, Oleg Kalugin, identificou Stone como um agente soviético mas, sob a pressão de amigos de Stone na mídia, mais tarde voltou atrás nesta descri ção precisa. Contudo, em seu livro, “The First Directorate: My 32 Years in Intelligence and Espionage Agains the West”, Kalugin ainda identificava Stone como um “companheiro de viagem” da União Soviética que “não escondia sua admiração pelo sistema soviético” durante um período de muitos anos, e com o qual tinha contatos e almoços regulares.

Osnos ainda é um dentre muitos jornalistas de extrema esquerda que não querem aceitar os fatos terríveis sobre seus heróis e ícones. Mas como o fundador do AIM, Reed Irvine, contou ao New York Times em 1992, “a acusação de que I. F. Stone era um agente soviético não surpreende aqueles que sabiam que como um companheiro de viagem, se não um membro do Partido [Comunista], Stone permanecia um stalinista convicto após os expurgos, o pacto de Hitler e Stalin e a absorção do Leste Europeu…”

O livro de Braudy sobre os Boudins, Family Circle, tem muito a dizer sobre Kathy Boudin e seu tio, I. F. Stone, também conhecido por Izzy. Antes de entrar em uma vida de crime como terrorista comunista, ela quis trabalhar para o jornal do seu tio, que era também onde Osnos havia trabalhado. Ela nos conta que Stone tentou organizar uma oposição ao envolvimento dos EUA na Guerra da Coréia a fim de tornar a Coréia do Sul a salvo para o comunismo, e que ele trabalharia mais tarde para remover as forças americanas do Sul do Vietnã a fim de pavimentar o caminho para uma vitória militar dos comunistas por lá. Stone e seus camaradas tiveram sucesso no caso vietnamita. Seu histórico pró-comunista estava claro para quem quisesse ver, exceto para Osnos e os seus.

Defendendo os Vermelhos

De acordo com Braudy, Stone “ganhou fama nos anos 1950 por lutar pelos direitos das pessoas que foram acusadas de terem sido membros do Partido Comunista Americano”. Mas nada disso aparentemente incomodou Osnos, que foi trabalhar para Stone nos anos 1960. E a ligação de Osnos com Stone não incomodou o Post. “Após trabalhar para I. F. Stone, Peter Osnos tornou-se um correspondente internacional do Washington Post e editor internacional e nacional do jornal”, divulga o site oficial de I. F. Stone.

Em 1980, Osnos foi professor convidado no Instituto para Estudos de Programas de Ação (IPS – Institute for Policy Studies), pró-marxista, durante as aulas de Karen DeYoung sobre “correspondência estrangeira”.

DeYoung, à época uma correspondente internacional do Post, é hoje uma editora associada no jornal. O curso do IPS ocorria durante o período em que a antiga União Soviética e sua subordinada, a Cuba comunista, estavam desestabilizando a América Central e esperando instalar uma série de governos comunistas. Reagan freou a investida soviética em uma conjuntura crítica quando ele ordenou a libertação militar de Granada, controlada pelos comunistas. Simultaneamente, Reagan também estava apoiando o governo democrático de El Salvador, que enfrentava um movimento terrorista-comunista, e os Combatentes da Liberdade na Nicarágua. Foi este último que desencadeou no affair “Irã-Contra” quando Oliver North, membro do Conselho de Segurança Nacional, providenciou assistência não-oficial à resistência nicaragüense enquanto o Congresso dominado pelos Democratas tentava cortar sua ajuda.

Para Karen DeYoung, como ela revelara à classe, “a maioria dos jornalistas de hoje, ao menos a maior parte dos jornalistas ocidentais, são muito ávidos por procurar grupos guerrilheiros, grupos esquerdistas, porque presumem serem eles os mocinhos”. Osnos, por sua vez, manifestava uma visão estranha do comunismo, como notou o editor do AIM Clif Kincaid em um artigo na Human Events de abril de 1983, “The IPS and the Media: Unholy Alliance” (O IPS e a mídia: Aliança profana). Ele dizia não saber por que os soviéticos agiam da maneira como agiam. Mas ele havia visitado Cuba, onde não achara provas do controle soviético, e voltara convencido de que havia um “relacionamento aparentemente genuíno” entre Castro e o povo cubano.

Em 12 de março de 2008, enquanto preparava a publicação do livro de McClellan, Osnos encontrou tempo que chega para homenagear I. F. Stone pelo aniversário de seu nascimento. Outros que prestaram homenagens foram Robert Kaiser, editor associado e ex-editor administrativo do Washington Post, e Myra MacPherson, autor de um livro sobre Stone e ex-repórter do Washington Post.

Este é o ambiente que produziu o livro de McClellan. O que quer que você pense de Bush, McCain ou a Guerra no Iraque, não há dúvidas de que o ex-assessor de imprensa de Bush fez o papel de “idiota útil”.

Mais uma vez a mídia se diverte.

Notas:

Cliff Kincaid é Editor da Accuracy in Media AIM e pode ser contactado em cliff.kincaid@aim.org

Tradução: Marcel van Hattem

ALBA – Alternativa Bolivariana para as Américas

Em 26 de março de 2008, ao desembarcar em Recife, onde se encontrou com o presidente Lula, Hugo Chávez defendeu a criação de uma Organização do Tratado do Atlântico Sul para a defesa da região, dizendo ser esse “o plano de Bolívar”.

A idéia original de formação da Alternativa Bolivariana para as Américas foi apresentada por Hugo Chávez em dezembro de 2001, durante a II Reunião de Cúpula dos Chefes de Estado e de Governo da Associação de Estados do Caribe, mas a instituição somente surgiu formalmente em dezembro de 2004, quando, em Havana, Fidel Castro e Hugo Chávez firmaram os protocolos de sua fundação.

Com a chegada de Evo Morales à presidência da Bolívia, esse país passou a fazer parte da entidade e, logo a seguir, Dominica, em janeiro de 2008 e Nicarágua, esta após o triunfo de Daniel Ortega nas eleições para a presidência.

O Equador, em 13 de junho de 2008, rejeitou a entrada na ALBA, segundo Nota do Ministério das Relações Exteriores, mas que “acompanha com atenção a iniciativa”.

Reunidos em Havana dias 27 e 28 de abril de 2005, Fidel Castro e Hugo Chávez firmaram um plano para o início de implementação da Alternativa Bolivariana para as Américas (ALBA), uma espécie de solidariedade econômica e financeira entre os dois países. Um Bloco de Poder Regional, conforme o denomina Hugo Chávez e seus aspones, dentre os quais o cientista político alemão Heinz Dieterich. A ALBA, pretende ser uma alternativa à ALCA (Área de Livre Comércio das Américas), que persegue a liberação absoluta de bens, serviços e investimentos. A ALBA, por sua vez, estaria empenhada em lutar contra a pobreza e a exclusão social, segundo seus fundadores.

Foram 49 os acordos assinados entre Cuba e Venezuela.

Em 27 e 28 de abril de 2007, foi realizada em Barquisimeto, Venezuela, a V Reunião de Cúpula da ALBA, tendo como países observadores convidados o Uruguai, Equador, Dominica, Saint Kitts y Nevis, S. Vicente e Granada. Numeroso contingente cubano presta “colaboração” a países integrantes da ALBA: 39 mil na Venezuela, 2.300 na Bolívia e 58 na Nicarágua.

A VI Reunião de Cúpula da ALBA foi realizada em Caracas dias 24 e 25 de janeiro de 2008 com a presença dos países-membros e dos convidados Granada, S. Vicente, Antigua, Barbados, Saint Kitts y Nevis, Equador, Haiti, Uruguai e Honduras. Nessa oportunidade, Dominica foi integrada formalmente à ALBA.

Em janeiro de 2008, em seu programa semanal de rádio “Alô Presidente”, Hugo Chavez, acompanhado por Daniel Ortega, presidente a Nicarágua, propôs a criação de uma força armada conjunta da Alternativa Bolivariana para as Américas, com o objetivo de enfrentar uma hipotética agressão dos EUA. Então, já integravam a Alba, a Bolívia, Venezuela, Cuba, Dominica e Nicarágua.

Ainda em 26 de janeiro de 2008, Bolívia, Cuba, Venezuela e Nicarágua assinaram um documento fundando o Banco da ALBA, com um capital de US$ 1 bilhão, banco que deverá ser submetido a decisões políticas e não econômicas e financeiras, segundo disse o ministro venezuelano das Finanças, Rafael Isea.

Em um vídeo [*] que circula na Internet, citando Lula textualmente, Hugo Chávez disse que o Presidente do Brasil concorda formar um Conselho de Defesa e, em conseqüência, um exército bolivariano para enfrentar o inimigo comum, os EUA.

Em 26 de março de 2008, ao desembarcar em Recife, onde se encontrou com o presidente Lula, Hugo Chávez defendeu a criação de uma Organização do Tratado do Atlântico Sul para a defesa da região, dizendo ser esse “o plano de Bolívar”.

Em 23 de abril, no Palácio Miraflores, em Caracas, foi realizada uma reunião entre Hugo Chávez, Evo Morales, Daniel Ortega e Carlos Lage, vice-presidente de Cuba. O ponto principal da reunião foi sentir a solidariedade dos países da ALBA “ante os intentos separatistas da oligarquia na Bolívia”.

Foram essas as atividades da ALBA até o momento, atividades que certamente serão ofuscadas pela prioridade à formação da Unasul (União das Nações Sul-Americanas) constituída em reunião realizada dia 23 de maio de 2008, em Brasília, na qual o presidente Lula propôs – e não foi aprovada – a constituição de um Conselho de Defesa Regional, iniciativa que prevê a convergência do Mercosul e da Comunidade Andina de Nações. Essa idéia não aprovada deu origem à formação de um grupo de trabalho que deverá pronunciar-se sobre essa iniciativa nos próximos seis meses. Para muitos analistas o Conselho de Defesa Regional iria configurar um intento de criação da Organização do Tratado de Defesa do Atlântico Sul, o tal “plano de Bolívar”, citado por Chávez em 26 de março de 2008, em Recife.

Notas:

[*] http://www.dailymotion.com/video/x46u7g_alba-defensa_news

O queridinho da elite global

Barack Obama é o primeiro candidato presidencial que se apresenta com uma biografia nebulosa, contraditória e, a rigor, incompreensível,  capaz de se amoldar às projeções mais desencontradas que a imaginação do eleitor possa lançar sobre ele.

Nada mais significativo do retardamento mental brasileiro do que a insistência mecânica, repetitiva, psicastênica, no mote: Estarão os EUA maduros para aceitar um presidente negro? A chantagem psicológica embutida nessa pergunta é tão óbvia, tão grosseira, tão primária (“ou você vota em Obama ou confessa que é racista”), que por aqui até mesmo os mais devotos porta-vozes do candidato democrata procuram evitá-la, deixando-a para jornaizinhos de estudantes e grupos de esquerda sem a mínima expressão eleitoral.

Tomando como modelo o discurso desses jornaizinhos, a “grande mídia” nacional revela todo o seu provincianismo, a sua radical incapacidade de superar os slogans anti-americanos mais bobocas dos anos 50. Afinal, por que os americanos deveriam, só para provar “maturidade”, eleger presidente o representante de uma comunidade étnica que mal chega a doze por cento da sua população?

No Brasil, os negros e afrodescendentes são quase metade do contingente demográfico, e nunca um deles foi comandante das Forças Armadas, nem ministro das Relações Exteriores. Nem mesmo candidato à presidência. Em Cuba jamais houve sequer um ministro negro, mas o estoque de negros nas prisões é um dos mais altos do mundo.

O que singulariza o sr. Barack Obama e explica a onda de badalação em torno dele não é a cor da sua pele, nem a soma de seus duvidosos talentos. Alan Keyes – meu candidato, se eu votasse nas eleições americanas — é duas vezes mais preto que ele, mil vezes mais culto e dez mil vezes mais honesto, e nem por isso deixou de ser boicotado ao ponto de ter de sair do Partido Republicano e lançar-se como candidato independente. Embora tenha considerável apoio entre os conservadores, foi excluído de todos os debates e jamais aparece na “grande mídia”.

As diferenças específicas do sr. Barack Obama são as seguintes:

1 . Desde William Z. Foster e Earl Browder, que na década de 40 concorreram pelo Partido Comunista e tiveram votações irrisórias, Obama é o esquerdista mais radical que já se apresentou a uma eleição presidencial americana.

2 . Ele apóia todas as medidas globalistas voltadas à destruição da soberania americana. Os círculos globalistas devolvem a gentileza, financiando-o generosamente.

3 . Ele é o primeiro candidato presidencial que se apresenta com uma biografia nebulosa, contraditória e, a rigor, incompreensível, sendo menos uma pessoa historicamente identificável do que um amálgama de lendas e subterfúgios capaz de se amoldar às projeções mais desencontradas que a imaginação do eleitor possa lançar sobre ele. É, em toda a extensão do termo, uma figura construída, um fantoche.

4 . Ele é o primeiro candidato presidencial americano que jamais teve um emprego produtivo. Só trabalhou como ativista. É um comedor de subsídios por natureza, e não espanta que seu programa de governo consista essencialmente de quatro coisas: aumentar impostos, elevar as despesas estatais até às alturas da catástrofe pura e simples, estrangular a indústria americana por meio de mais leis restritivas e bloquear sob lindos pretextos ecológicos a exploração de petróleo, tornando os EUA ainda mais dependentes da OPEC.

5 . O círculo de proteção erigido em torno dele pela grande mídia é tão sólido que mesmo sucessivamente desmascarado pelas mentiras tolas que profere e pela revelação de suas ligações com toda sorte de terroristas e vigaristas, ele continua sendo tratado como alma pura e santa. Tal como Lula, ele foi adotado pela elite globalista e investido do dom da impecância eterna, imune à sujeira da sua vida real, que todo mundo conhece mas que é proibido levar em conta.

O manto de proteção estendido sobre ele chega mesmo ao Brasil, onde até um colunista supostamente conservador como Ali Kamel canta louvores ao candidato com base tão-somente nas suas intenções declaradas, abstraindo, como se fossem zeros à esquerda, toda a sua atividade anterior e os inumeráveis trechos francamente racistas dos seus dois livros.

6 . Somado a essas qualidades, o fato de ser negro é somente um detalhe útil, que não precisa nem deve ser explorado muito abertamente. A chantagem é tanto mais eficiente quanto mais sutil.

Notas:

Publicado pelo
Diário do Comércio em 13/06/2008

Hitler está aqui

O diário oficialista Últimas Notícias lançou ontem um balão de ensaio para medir a capacidade de resposta da sociedade, frente ao projeto chavista de estabelecer na Venezuela uma tirania com roupagem institucional. A reforma é calcada no que Hitler fez na Alemanha em circunstâncias iguais, quando a cidadania ainda tinha alguma força para resistir ao seu projeto de poder pessoal totalitário.

Segundo o diário oficialista, o MVR apresentaria à Assembléia Nacional uma reforma da Constituição que, sem dissimulação, porá nas mãos de Chávez todos os mecanismos de poder, com capacidade discrecional para encarcerar cidadãos civis e militares, fechar empresas, aprovar as leis que acomodem seu projeto e, assentado no terror, reeleger-se indefinidamente como o tem feito Fidel e o teria feito Hitler se os aliados não tivessem entrado em Berlim.

A emenda de 21 artigos converterá a Constituição em um instrumento de poder total do presidente sobre os indivíduos e a sociedade. É exata a “coincidência” entre esta reforma chavista e a que Hitler efetuou desde o poder, em circunstâncias exatamente iguais.

A mudança fundamental, estritamente copiada de Hitler, é que o presidente poderá prender sem julgamento prévio de mérito a generais e almirantes, o qual lhe permitirá aterrorizar a Força Armada e usá-la sem limitações para esmagar os cidadãos. Em seguida vêm os artigos dirigidos para, segundo a proposta do MVR, “…atacar com severidade e prontidão o procedimento dos grupos econômicos…”, com o qual Chávez poderá encarcerar indefinidamente os empresários que “não cooperem com seu regime”, e fechar suas empresas.

Se nesta reforma ainda resta algum resquício de liberdade, a “debilidade” será coberta rapidamente aprovando leis orgânicas específicas que preenchem o vazio e, se fizer falta, genéricas leis habilitantes (poder discrecional para o governante) por maioria simples. Este procedimento da maioria simples se considera inaceitável nos países democráticos, quando se trata de reformas estruturais, às quais em teoria democrática e lógica sã não podem ser impostas à maioria por uma minoria, muito embora esta seja a menor das minorias como é o caso do MVR na Assembléia.

Tudo isto será coroado aprovando a reeleição indefinida do presidente da República. Uma e outra vez, até o infinito, procedimento absolutamente eliminado em todas as constituições do mundo civilizado, pois o utilizam somente em nações primitivas onde um homem forte se eterniza no poder mediante o terror, como no passado fizeram os velhos ditadores latino-americanos.

O projeto será introduzido e aprovado em qualquer momento na Assembléia Nacional, eliminando definitivamente qualquer possibilidade de Liberdade e Democracia na Venezuela. É o mais trágico que ocorreu a um país do ocidente depois que desapareceram ditaduras como a de Trujillo… e o resultado pode ser ainda mais horrendo do que o de Cuba governada por Fidel Castro.

Notas:

Fonte: Coluna “A sangue frio”, diário El Nuevo País.

Tradução: Graça Salgueiro