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Esquerda e criminalidade: Parte I

por  Thomas Sowell

Dentre os dogmas da esquerda está o que afirma que colocar indivíduos na prisão não reduz a criminalidade e que a “raiz” social do crime deve ser atacada como prevenção, pouco importando as enormes evidências de que essa postura simplesmente não funciona.

A mentalidade geral da esquerda política é similar em todos os países e em todos os tempos.[1]

A tolerância para com criminosos perigosos, encontrada em escritores do séc. XVIII, tais como William Godwin e Condorcet, tem seu eco, hoje em dia, naqueles que fazem vigílias de protesto nas execuções [de pena de morte] de assassinos e que reclamam que não estamos sendo bonzinhos com os trogloditas presos em Guantanamo.

Questões específicas variam de lugar para lugar e de tempos em tempos, mas a mentalidade permanece notavelmente similar. O que é também diferente de país para país e de uma época para outra é o nível de resistência enfrentada pela esquerda, o que determina o quão longe ela pode ir, na prática.

Os EUA sempre foram mais resistentes à esquerda que a maioria dos países europeus. Podemos ver, quase sempre, para onde vai a esquerda americana observando aonde chegou a esquerda européia.

Um novo livro sobre o crime na Inglaterra mostra o que acontece quando a mentalidade da esquerda prevalece no sistema judiciário. O livro se intitula “A Land Fit for Criminals” [Um país ideal para criminosos] e foi escrito por David Fraser.

Num passado ainda recente, a Inglaterra era uma das nações mais obedientes à lei na face da Terra. Quando Lee Kuan Yew visitou Londres, vindo de Singapura, logo após a II Guerra Mundial, ele ficou tão impressionado com a honestidade dos ingleses e seu respeito à lei e à ordem que ele voltou para casa determinado a fazer o mesmo em seu país.

Hoje, Singapura é uma das nações mais obedientes à lei no mundo, enquanto a criminalidade na Inglaterra aumentou a um nível que, pela primeira vez, excede à dos EUA.

O que aconteceu entre uma e outra época foi o crescimento contínuo dos dogmas esquerdistas, até seu completo predomínio, tanto no sistema legal, quanto na mídia e entre as elites políticas da Inglaterra.

Hoje, um ladrão preso em flagrante pela polícia inglesa tem grande chance de receber uma advertência. Se ele já tiver sido condenado por roubo, ele poderá receber uma advertência mais severa. Mas, ele dificilmente enfrentará a situação draconiana, por exemplo, de ser posto atrás das grades.

Roubo é considerado ofensa “leve” por líderes de ambos os partidos (do Trabalho e Conservador) na Inglaterra. Casos raros em que ladrões são presos são criticados pela mídia.

A ideologia esquerdista a respeito do crime, incluindo seu desprezo pela propriedade privada, tem se alastrado por todo o espectro político, atingindo a todos que desejam ser considerados “homens de seu tempo”. Essa ideologia é essencialmente a mesma em ambos os lados do Atlântico, mas na Inglaterra atingiu uma dominância muito maior e sem contestação.

Dentre os dogmas da esquerda está o que afirma que colocar indivíduos na prisão não reduz a criminalidade e que a “raiz” social do crime deve ser atacada como prevenção, além de que a “reabilitação”, por meio de vários programas “na comunidade”, é mais efetiva que a prisão de criminosos.

Nada disso é novidade e sua racionalidade já é velha de mais de dois séculos. O que é notável é como montanhas de evidências factuais contrárias são ignoradas, evitadas ou simplesmente ocultadas, em ambos os lados do Atlântico.

O livro de David Fraser examina essas evidências à exaustão e expõe a alegação fraudulenta usada para tentar justificar a contínua leniência para com criminosos, enquanto a criminalidade cresce assustadoramente na Inglaterra.

Há montanhas similares de evidências contra os dogmas criminais da esquerda nos EUA e essas evidências são, da mesma forma, ignoradas, evitadas e ocultadas por esquerdistas. Mas, aqui a esquerda enfrenta uma oposição maior, razão pela qual ela não atingiu uma dominância tão grande quanto na Inglaterra – ainda.

Em ambos os países, os ideólogos têm o apoio de políticos e burocratas “práticos”[2] que simplesmente não querem gastar o dinheiro necessário para construir e manter prisões para trancafiar, durante longos períodos, os criminosos.

Aqueles que comparam custos e benefícios definem “custos” como aquilo que o governo gasta. Mas, os custos pagos pelo público, apenas em termos econômicos, excedem enormemente o custo das prisões. Mas isso não importa, tanto para os ideólogos, quanto para os políticos e burocratas jurídicos “práticos”.

Notas:

[1] O sítio Townhall.com publica, na página deste artigo de Sowell, uma foto do jornalista da Globo seqüestrado pelo PCC. Na legenda da foto, há referência à aquiescência da emissora em divulgar um comunicado, no Fantástico, do grupo criminoso. (N. do T.)

[2] Sobre homens “práticos”, Chesterton tem um delicioso texto. Para sua versão original clicar aqui. Para a versão traduzida clicar aqui. (N. do T.)

Publicado por Townhall.com

 

Traduzido por Antônio Emílio Angueth de Araújo

“Estudos provam que….”: Final

por  Thomas Sowell

Quando somente pessoas com determinadas visões podem conduzir certos estudos, não se surpreenda se “estudos provarem que” aquele conjunto de visões é verdadeiro.

É freqüente ouvirmos que “todos os especialistas concordam que” A é melhor que B ou que “estudos provam que” A é melhor que B. Mas uma das razões para isso pode ser que aqueles que preferem A sejam os que conseguem mais dinheiro para conduzir seus estudos ou que têm acesso aos dados necessário aos estudos.

Há alguns anos atrás, um livro de William Bowen e Derek Bok apresentava uma lista de levantamentos estatísticos que os autores interpretaram como probantes do sucesso de políticas de admissão preferencial de negros nas faculdades e universidades.

Um coro de aprovação a esse estudo foi ouvido na mídia que foi ecoado na academia e dentre políticos esquerdistas. O estudo foi posteriormente citado numa decisão histórica da Suprema Corte a respeito da ação afirmativa.

Nem todos, contudo, consideraram esse um grande estudo – ou mesmo um estudo adequado. Mas, a ninguém foi permitido o acesso aos dados brutos sobre os quais Bowen e Bok basearam o estudo. Desta forma, ninguém pôde trabalhar com os números e tirar suas próprias conclusões.

Dentre aqueles que viram os dados está o professor Stephen Thernstrom, cujo longo e respeitável trabalho na área do estudo inclui a criação, juntamente com outros indivíduos, da Enciclopédia Havard de Grupos Étnicos Americanos. A ele foi negado acesso aos dados.

Quando somente pessoas com determinadas visões podem conduzir certos estudos, não se surpreenda se “estudos provarem que” aquele conjunto de visões é verdadeiro.

Eu não me surpreendi que não se permitiu ao Prof. Thernstrom o acesso aos dados. Eu já tive experiências similares.

Nos anos 1970, tentei conseguir dados estatísticos de Havard para testar várias alegações sobre políticas de ação afirmativa. Derek Bok, então reitor de Havard, foi um primor de pessoa ao me receber, chegando até a elogiar um livro sobre economia que eu havia escrito. Mas, no final, eu não consegui sequer um único conjunto de dados.

Durante o mesmo período, eu estava também pesquisando as escolas para negros de comprovado sucesso acadêmico. Atravessei o país de ponta a ponta para tentar conseguir dados de uma escola, conversei com os membros do Conselho de Educação, enfrentei todos os “caminhos” burocráticos – e, depois de tudo feito e a poeira abaixada, eu acabei não conseguindo uma única estatística.

Por que não? Pense bem. As autoridades educacionais desenvolveram explicações para a razão de eles não conseguirem educar crianças negras. Se eu escrevesse alguma coisa informando sobre resultados acadêmicos extraordinários nessa escola de negros em particular, isso iria abrir uma caixa preta política, que levaria as pessoas a perguntarem o porquê de outras escolas não poderem fazer o mesmo.

Os burocratas da educação decidiram manter a caixa preta selada.

Os críticos da ação afirmativa têm dito, há muito tempo, que a admissão de negros em escolas para as quais eles não têm qualificação cria insucessos acadêmicos totalmente desnecessários para esses estudantes, que evadem ou são reprovados nas escolas em que eles nunca deveriam estar, quando, a maioria deles tem condições de obter sucesso em outras escolas.

O fim da admissão preferencial na Universidade da Califórnia e na Universidade do Texas levou a um aumento da taxa de conclusão dos cursos de graduação de estudantes negros, como os críticos previam? Quem sabe? Essas universidades nada informarão sobre essas estatísticas.

Isso não é peculiar aos EUA. Na Inglaterra, a alegação tem sido, infindavelmente, que colocar criminosos na cadeia “não funciona” e que vários programas de reabilitação “na comunidade” têm mais sucesso na redução da reincidência dos criminosos em seus crimes.

Quando dados estatísticos do Home Office mostraram o contrário do que estava sendo proclamado pelo secretário desse departamento, por outras autoridades, pela mídia e pela academia, a solução foi simples: tais dados não estão mais acessíveis.

Às vezes, não são os dados, mas é o dinheiro que é usado para limitar quem pode fazer estudos sobre questões controvertidas. Defensores do “aquecimento global” têm acesso a todo tipo de verba governamental, mas os céticos e críticos não podem depender de tal generosidade e podem colocar suas carreiras em risco, pois, com esses estudos muitos burocratas raivosos podem perder seus cargos e são exatamente estes que controlam a chave do cofre.

Mesmo quando o dinheiro dos impostos que pagamos é usado para coletar dados ou financiar estudos, aqueles que gastam esse dinheiro e controlam dos dados tratam, freqüentemente, essas coisas como se fossem sua propriedade particular, a ser usada para promover estudos que reforcem seus próprios interesses e ideologias.

Notas:

Leia também “Estudos provam que…” – Parte II

Publicado por Townhall.com

 

Traduzido por Antônio Emílio Angueth de Araújo

“Estudos provam que…” – Parte II

por  Thomas Sowell

As grandes redes de televisão e a mídia impressa têm amplos recursos financeiros para conferir as alegações, antes de apresentá-las ao público como “notícias”. Mas não espere muita preocupação com os fatos quando isso puder estragar uma grande estória ou a distorção política que a acompanhe.

Meu falecido orientador, economista prêmio Nobel George Stigler, costumava dizer que é muito instrutivo gastar algumas horas numa biblioteca, checando estudos que foram citados como fontes em outros trabalhos. Quando comecei a fazer isso, achei não só instrutivo, mas decepcionante.

Uma nota de pé de página num texto sobre economia do trabalho citava seis estudos que apoiavam suas conclusões. Mas, depois que fui à biblioteca e consultei esses seis estudos, descobri que eles citavam um outro estudo – o mesmo em todos os seis.

Agora que os seis estudos tinham se reduzido a um, fui a ele – e descobri que era um estudo de uma situação muito diferente da discutida no texto sobre economia do trabalho.

Alguns anos atrás, houve uma grande agitação na mídia esquerdista por causa de um estudo que mostrava que (1) grávidas negras recebiam cuidados pré-natais menos freqüentes que as brancas e que (2) a taxa de mortalidade infantil era maior entre os negros.

Houve editoriais indignados no New York Times e no Washington Post culpando o governo por não prover um acesso maior aos cuidados pré-natais a fim de prevenir a mortalidade infantil.

Depois de conseguir uma cópia do estudo original, descobri que o mesmo estudo – na mesma página – mostrava estatísticas que indicavam que (1) as mulheres americanas de descendência mexicana recebiam ainda menos cuidados pré-natais que as mulheres negras e que (2) a taxa de mortalidade infantil entre os americanos de descendência mexicana não era maior que entre os brancos.

Poucas páginas além, as estatísticas mostravam que as americanas de descendência chinesa, japonesa e filipina também recebiam menos cuidados pré-natais que as mulheres brancas – e seus descendentes apresentavam uma menor taxa de mortalidade.

Aparentemente, o cuidado pré-natal não era a resposta, apesar de ser um tipo de resposta adequada à tendência mental da mídia esquerdista e além de proporcionar uma ocasião para eles se mostrarem indignados.

Mais recentemente, a National Academy of Sciences- NAS (Academia Nacional de Ciências) divulgou um estudo que supostamente provava, além de qualquer dúvida, que as atividades humanas eram responsáveis pelo “aquecimento global”. Um coro de vozes na mídia, na política e na academia proclamava que isso não era mais uma questão a ser discutida, mas um fato científico, provado por dados reais.

O relatório do NAS não continha apenas estatísticas, mas uma impressionante lista de cientistas que supostamente colocavam a “cobertura no bolo”.

O único problema era que os cientistas não tinham escrito o relatório e, de fato, não o tinham sequer visto antes de publicado, ainda que eles tivessem algum tipo de afiliação à NAS.

Pelo menos um dos cientistas, o meteorologista Richard S. Lindsen do MIT, publicamente se opôs à conclusão do relatório e continua a fazê-lo. Mas esse fato se perde em meio à comoção midiática.

Além disso, o que é um meteorologista do MIT comparado a Al Gore e seu filme?

Ninguém tem tempo de checar toda alegação de que “estudos provam que”. Mesmo com a ajuda de um incrível assistente de pesquisa, consigo checar apenas algumas.

No entanto, as grandes redes de televisão e a mídia impressa têm amplos recursos financeiros para conferir as alegações, antes de apresentá-las ao público como “notícias”. Mas quando o programa “60 Minutes” não se preocupa em basear uma estória, sobre o período em que presidente Bush serviu à guarda nacional, em documentos forjados, não espere muita preocupação com os fatos quando isso puder estragar uma saborosa estória ou a distorção política que a acompanhe.

Reconheçamos. Não há muita recompensa para quem fica conferindo as fontes originais.

Certa vez, um ministro estava me explicando a estrutura de suas orações funerais. Ele dizia, “Em determinado momento, todos esperam que você diga algo de bom sobre o morto. Agora, se eu estivesse rezando em seu funeral, o que eu diria de bom sobre você, Tom?”

Ele pensou, pensou – por um período desconcertantemente longo. Finalmente, ele disse gravemente: “Em suas pesquisas, ele sempre usou fontes originais”

 

Aceitarei o elogio!

Notas:

Leia também “Estudos provam que….”: Parte I

Publicado por Townhall.com

 

 

Traduzido por Antônio Emílio Angueth de Araújo

“Estudos provam que….”: Parte I

por  Thomas Sowell

O que os “estudos provam” é, geralmente, qualquer coisa desejada por aqueles que fizeram o estudo.

Todas as vezes que eu ouço a frase “estudos provam” isso ou aquilo me lembro do início de minha carreira como economista no Ministério do Trabalho, em Washington.

 

O ministro do trabalho Arthur Goldberg ia comparecer perante o Congresso para defender uma determinada política de seu ministério e tentar transformá-la em lei. Na parte inferior da hierarquia, me apresentaram quatro conjuntos de dados, ainda não publicados, e me pediram para elaborar um relatório, a ser enviado ao ministro, analisando-os.

 

Dois dos conjuntos de dados pareciam apoiar a posição do ministério, mas os outros dois pareciam contrariá-la. Quando escrevi o parecer explicando essas coisas e dizendo que, no geral, os dados eram inconclusivos, houve muito desânimo em toda a hierarquia que me separava do ministro.

 

Eles ficaram também surpresos com o fato de alguém escrever tais coisas mesmo sabendo qual a posição do ministério sobre a questão. Eles pegaram meu relatório, editaram-no e o reescreveram antes de encaminhá-lo às camadas superiores de comando.

 

O ministro Golberg fez, confiante, a apresentação do relatório reescrito ao Congresso, provavelmente sem saber que os dados contraditórios foram deixados de lado.

 

Foi uma valiosa experiência, em meu início de carreira, aprender que o que os “estudos provam” é, geralmente, qualquer coisa desejada por aqueles que fizeram o estudo. Os estudos do Ministério do Trabalho “provam” o que quer que sirva aos interesses do Ministério do Trabalho, tal com os estudos do Ministério da Agricultura “provam” o que serve aos interesses do Ministério da Agricultura.

 

O mesmo acontece do outro lado do Atlântico, onde um novo livro sobre o sistema criminal inglês expõe os métodos fraudulentos usados para gerar estatísticas sobre o “sucesso” de vários programas de alternativas à prisão. O livro intitulado “A Land Fit for Criminals” (Um País Ideal para Criminosos) de David Fraser.

 

Os dados podem ser precisos, mas a definição de “sucesso” os torna sem significado. Quando um criminoso é colocado em regime de suspensão condicional da pena e esse regime não é revogado por uma violação, isso é “sucesso”.

 

Infelizmente, o sistema de justiça criminal inglês não revoga automaticamente a condicional quando um criminoso comete um novo crime. Um criminoso numa condicional de dois anos pode cometer um crime depois de seis meses, ser condenado e sentenciado e depois de cumprir a sentença, voltar para completar os 18 meses restantes da condicional, produzindo “sucesso” estatístico para o programa de regime condicional. Esse é o ponto central do “estudo”.

Do outro lado do Atlântico, é um caso terminal de ingenuidade colocar estudos estatísticos sob a responsabilidade das mesmas agências governamentais cujas políticas estão sendo analisadas por esses estudos.

 

Tampouco é razoável deixar essas agências contratarem os estudos de pesquisadores “independentes” nas universidades ou de think tanks, pois, elas [as agências] obviamente identificarão as pessoas com percursos pessoais que virtualmente garantirão as conclusões por elas desejadas.

 

O especialista em clima, Richard S. Lindzen, do M.I.T. tem afirmado que a enorme quantidade de recursos governamentais disponíveis para estudos sobre o “aquecimento global” pode desencorajar os céticos a se manifestarem sobre seu ceticismo.

 

Isso não é peculiar ao estudo do “aquecimento global”. Muitas pessoas que reclamam do efeito corruptor do dinheiro parecem nunca considerar esse efeito quando se trata de dinheiro governamental.

 

Se as autoridades governamentais estivessem dispostas a conhecer os fatos, elas poderiam estabelecer uma agência estatística independente, do tipo do General Accounting Office, para elaborar estudos dos efeitos das políticas das outras agências.

 

Isso significaria que a raposa não estaria mais na chefia do galinheiro, quer a raposa fosse o Ministério do Trabalho, do Comércio ou qualquer outro ministério ou agência.

 

Significaria também que várias idéias “brilhantes” do Congresso ou da Casa Branca correriam o risco de serem desmascaradas como contra-produtivas ou ineficientes. Carreiras promissoras poderiam ser arruinadas, tanto de políticos eleitos como de burocratas nomeados.

 

Não suspenda a respiração, esperando que isso aconteça. Mas, lembre-se sempre disso quando alguém diz “estudos provam que .”

Notas:

Publicado por Townhall.com

 

Traduzido por Antônio Emílio Angueth de Araújo

História distorcida

por  Thomas Sowell

Indivíduos de todas as raças e cores foram escravizados – e escravizadores. Indivíduos brancos eram comprados e vendidos como escravos ainda no Império Otomano, décadas depois dos negros americanos terem sido libertados.

Uma das razões pelas quais nossas crianças estão aquém, academicamente, das de outros países, é o tempo excessivo que é gasto nas salas de aulas americanas, com distorções de nossa história, por motivos ideológicos.

 

O que você sentiria, se fosse índio americano, ao ver os invasores europeus tomando sua terra? É o tipo de questão a que nossas crianças estão expostas nas escolas. Esse é um caso clássico de olhar para o passado com as suposições – e a ignorância – do presente.

 

Umas das coisas que se aceita naturalmente hoje em dia é que é errado tomar a terra de alguém por meio da força. Nem os índios, nem os invasores europeus tinham essa concepção.

 

Ambos tomavam a terra de outros pela força – como faziam os asiáticos, os africanos etc. Os índios, sem dúvida, lastimam a perda de muitas batalhas. Mas, isso é completamente diferente de dizer que eles consideravam as batalhas uma forma errônea de determinar a propriedade da terra.

 

As crianças de hoje não têm a menor possibilidade de se colocarem no lugar dos índios de séculos atrás – com a visão-de-mundo deles– sem um conhecimento de história infinitamente maior do que é hoje – ou foi no passado –, ensinado por nossas escolas.

 

Tampouco a compreensão da história é o objetivo de tais questões. O propósito é vencer a guerra contra a sociedade Ocidental. Em resumo, a propaganda substituiu a educação como o objetivo de muitíssimos de nossos “educadores”.

 

As escolas são não as únicas instituições que distorcem a história para ganhar alguns pontos na guerra ideológica. “Nunca se esqueçam que eles possuíam muitos escravos” é uma enorme manchete de primeira página da seção de crítica literária do The New York Times, da edição do dia 14 de dezembro [de 2003]. Na página interna há uma condenação de George Washington e de Thomas Jefferson.

 

De todos os fatos trágicos sobre a história da escravidão, o mais impressionante para um americano atualmente é que, apesar da escravidão ter sido uma instituição presente em todo o mundo, por milhares de anos, em nenhum lugar do planeta ela foi uma questão controversa antes do século XVIII.

 

Indivíduos de todas as raças e cores foram escravizados – e escravizadores. Indivíduos brancos eram comprados e vendidos como escravos ainda no Império Otomano, décadas depois dos negros americanos terem sido libertados.

 

Todo mundo odiava a idéia de ser escravizado, mas poucos tinham qualquer reclamação a respeito de escravizar outros. A escravidão não era um assunto nem entre intelectuais, nem entre líderes políticos, até o século XVIII – e, a partir de então, apenas no seio da civilização ocidental.

 

Dentre aqueles que se tornaram contrários à escravidão no século XVIII estavam George Washington, Thomas Jefferson, Patrick Henry e outros líderes americanos. Você pode pesquisar todo o século XVIII na África, na Ásia ou no Oriente Médio sem encontrar lá uma rejeição minimamente comparável.

 

Mas, quem é singularizado pela sarcástica crítica atual? Os líderes americanos do século XVIII.

 

Decidir que a escravidão era uma coisa errada foi muito mais fácil do que decidir o que fazer com milhões de pessoas provenientes de outro continente, de outra raça, e sem qualquer preparação histórica para viver entre cidadãos livres, numa sociedade como a dos EUA, onde eles constituíam 20% de toda a população.

 

Fica claro, pela correspondência pessoal de Washington, Jefferson e muitos outros que sua rejeição moral da escravidão era inegável, mas a questão prática do que fazer então, os deixou perplexos. E a situação permaneceu assim por mais de meio século.

 

Em 1862, um navio transportando escravos da África para a América, violando o banimento do comércio internacional de escravos, foi capturado. A tripulação foi presa e o capitão foi enforcado nos EUA – apesar de a escravidão ser ainda legal tanto na África quanto nos EUA naquele tempo.

 

O que isso nos diz? Que escravizar pessoas era considerado uma abominação mas, o que fazer com os milhões de pessoas que foram previamente escravizadas não estava igualmente claro.

 

Essa questão foi finalmente respondida por uma guerra na qual uma vida foi perdida por cada seis pessoas libertadas. Talvez, aquela teria sido a única resposta. Mas, não façamos de conta, hoje, que tenha sido uma resposta fácil – ou que aqueles que se debatiam com o dilema no século XVIII eram especialmente vilões, enquanto muitos líderes e muitas pessoas em todo o mundo, não viam nada de errado na escravidão.

 

A propósito, a edição de setembro [de 2003] da National Geografic contém um artigo sobre milhões de pessoas que, ainda hoje, são escravizadas em todo mundo. Mas, onde está a indignação moral contra isso?

Notas:

Publicado por Townhall.com

 

Traduzido por Antônio Emílio Angueth de Araújo

Naquele tempo e agora

por  Thomas Sowell

O que aconteceria se as pessoas, instituições e atitudes de agora fossem, de alguma forma, transportadas para o tempo da II Guerra Mundial? Qual teria sido o resultado?

Aqueles de nós velhos o suficiente para lembrarmos da II Guerra Mundial temos dolorosos lembretes de como as coisas mudaram no comportamento americano em tempo de guerra. Naquele tempo, o candidato derrotado na eleição de 1940 – Wendell Wilkie – não somente apoiou a guerra mas tornou-se o enviado pessoal do presidente Roosevelt ao primeiro-ministro Winston Churchill.

 

Estávamos todos no mesmo barco – e sabíamos disso. Pessoas que tinham sido altamente críticas com respeito à política externa americana antes do ataque a Pearl Harbor, agora calavam-se e se devotavam a vencer a guerra.

 

O que aconteceria se as pessoas, instituições e atitudes de agora fossem, de alguma forma, transportadas para o tempo da II Guerra Mundial? Qual teria sido o resultado? Teríamos vencido ou perdido aquela guerra?

 

O que dizer da grande comoção atual, um cessar-fogo?

 

Acontece que a II Guerra Mundial teve o maior cessar-fogo da História. Ela era chamada de “falsa guerra” porque, apesar da França estar oficialmente em guerra contra a Alemanha, ela lutou muito pouco durante meses, enquanto o grosso do exército alemão estava na Polônia e a França tinha uma superioridade acachapante no front ocidental.

 

O famoso correspondente William L. Shirer falava de um front ocidental “irreal”, com soldados “em ambos os lados olhando, mas não atirando”. Os soldados alemães se banhavam no Reno e acenavam para os franceses do outro lado, que respondiam aos acenos.

 

Durante esse período, Hitler se oferecia para uma negociação com a França e a Inglaterra.

 

Kofi Anan teria adorado essa situação.

 

Em 19 de novembro de 1939, a reportagem diária de Shirer dizia: “Por quase dois meses não tem havido nenhuma ação militar terrestre, marítima ou aérea”. Em 1º janeiro de 1940, ele escreveu: “esse tipo falso de guerra não pode continuar por muito tempo”. Mas, já havia exatos quatro meses que a guerra tinha começado. Não é isso um imenso cessar-fogo?

 

Esse cessar-fogo, de fato, levou à paz? Não. Como outros tantos, ele ajudou o agressor.

 

Ele deu a Hitler tempo para mover suas divisões do front oriental, depois de ter conquistado a Polônia para o front ocidental, e enfrentar a França.

 

Agora que aquela superioridade ao longo do Reno era do exército alemão, repentinamente passou-se de uma guerra de mentirinha para uma devastadoramente real.

 

Hitler atacou e a França desabou em seis semanas.

 

Ao final, em 1945, os exércitos aliados fizeram tanto a Alemanha quanto o Japão se retraírem. O que teria então acontecido se tivéssemos Kofi Anan e essa gelatinosa mentalidade chamada “opinião mundial”?

 

Kofi Anan teria clamado por um cessar-fogo.

 

Ele poderia ter dito que a resposta americana à Alemanha era totalmente “desproporcional” porque os alemães nunca tinham desembarcado tropas em solo americano ou bombardeado cidades americanas, e que eles não eram, com certeza, uma ameaça real aos EUA naquele momento.

 

A maior parte da frota japonesa estava, então, no fundo do oceano e muitos dos seus aviões tinham sido derrubados. Por que não negociar um acordo, a fim de salvar vidas de civis inocentes?

 

E se tivéssemos dado ouvido a tais conversas?

 

Sem dúvida a Alemanha e o Japão teriam assinado algum tipo de acordo a fim de se verem livres dos exércitos aliados e terem algum tempo para respirar.

 

Ambos tinham programas que almejavam a construção de armas nucleares. Um dos últimos atos dos nazistas antes da capitulação foi o envio de material para o Japão, por submarino, para ajudar o programa nuclear daquele país.

 

Qualquer acordo de paz que tivéssemos negociado com o Japão teria dado tempo aos japoneses para o desenvolvimento não somente da tecnologia nuclear mas também de aviões de guerra, cujos projetos foram conseguidos na Alemanha, país que tinha então os aviões mais avançados do mundo.

 

Não há a mais mínima dúvida de que o Japão não teria tido a menor hesitação em lançar bombas nucleares em cidades americanas. E eles não teriam voltado, anos mais tarde, para demonstrar pesar pelo que tivessem feito, como muitos americanos fizeram em Hiroshima e Nagasaki.

 

Mas não cessamos o fogo enquanto nossos inimigos não foram derrotados. Kofi Anan e a atual “opinião mundial” não teriam gostado disso.

Notas:

Publicado por Townhall.com

 

Tradução de Antônio Emílio Angueth de Araújo.

Pacifismo versus paz

por  Thomas Sowell

Houve um tempo em que era suicídio ameaçar, muito menos atacar, uma nação com muito poder militar. A “opinião mundial”, a ONU e os “movimentos pela paz” eliminaram esse meio de intimidação.

Umas das muitas falhas de nosso sistema educacional é que quem por ele passa não sabe distinguir retórica de realidade. Nele não se aprende nenhuma forma sistemática de analisar idéias, derivar suas implicações e testá-las contra os fatos.

 

Movimentos pela “paz” estão entre os que aproveitam dessa inabilidade geral de enxergar a realidade por trás da retórica. Apenas poucas pessoas parecem interessadas na história real desses chamados movimentos pela “paz” – isto é, se tais movimentos realmente produzem paz ou guerra.

 

Tome, como exemplo, o Oriente Médio. Pede-se o cessar-fogo no interesse da paz. Mas, tem havido mais cessar-fogo no Oriente Médio do que em qualquer outro lugar. Se eles realmente promovessem a paz, o Oriente Médio seria a região mais pacífica na face da Terra, em vez de a mais violenta.

 

A II Guerra Mundial acabou com um cessar-fogo ou com a aniquilação da Alemanha e Japão? Não se enganem, civis inocentes morreram no processo. De fato, prisioneiros americanos morreram quando nós atacamos a Alemanha.

 

Essa é a razão pela qual o General Sherman disse, há mais de um século atrás, “guerra é inferno”. Mas ele ajudou a acabar com a Guerra Civil com sua marcha devastadora sobre a Geórgia – não por meio de cessar-fogo ou dobrando-se à “opinião mundial”, pois não havia fofoqueiros corruptos como as Nações Unidas a demandar a substituição da força militar por diplomacia.

 

Houve um tempo em que era suicídio ameaçar, muito menos atacar, uma nação com muito poder militar, pois um dos perigos para o atacante era o prospecto de ser aniquilado.

 

A “opinião mundial”, a ONU e os “movimentos pela paz” eliminaram esse meio de intimidação. Hoje, um agressor sabe que se sua agressão fracassar, ele será ainda mais protegido do poder retaliador e da fúria dos agredidos, pois haverá os resmungadores de sempre a demandar um cessar-fogo, negociações e concessões.

 

Tem havido uma fórmula para nunca acabar com os ataques contra Israel. A desastrosa história dessa situação vem de outros tempos e lugares – mas quem se preocupa com a história?

 

Lembra da Guerra das Malvinas, quando a Argentina enviou tropas para aquelas ilhas para tomar sua pequena colônia britânica no Atlântico Sul?

 

A Argentina vinha alegando ter o direito de posse daquelas ilhas por mais de um século. Por que eles não atacaram aquelas pequenas ilhas antes? Nunca a Inglaterra teve tropas suficientes no local para defendê-las.

 

Antes de haver movimentos pela “paz” e a ONU, mandar tropas para aquelas ilhas poderia facilmente significar um encontro desagradável com tropas ou bombas inglesas em Buenos Aires. Agora, a “opinião mundial” condenou a Inglaterra somente por ter enviado as forças armadas para o Atlântico Sul para recuperar suas ilhas.

 

Vergonhosamente, nosso próprio governo era um dos que se opunham ao uso de força por parte da Inglaterra. Mas, felizmente, a primeira ministra britânica, Margaret Thatcher ignorou a “opinião mundial” e recuperou as Ilhas Malvinas.

 

O resultado mais catastrófico dos movimentos de paz foi a II Guerra Mundial. Enquanto Hitler estava armando a Alemanha até os dentes, os movimentos pela “paz” na Inglaterra estavam defendendo que seu próprio país se desarmasse como “um exemplo para os outros”.

 

Os deputados do Partido Trabalhista votaram consistentemente contra os gastos militares e os estudantes universitários ingleses prometeram, publicamente, nunca lutar pelo seu país. Se os movimentos pela “paz” trouxessem a paz, não teria havido a II Guerra Mundial.

 

Aquela guerra não só levou à morte dezenas de milhões de pessoas, mas ela quase terminou com uma acachapante vitória dos nazistas na Europa e dos japoneses na Ásia. E, agora sabemos, os EUA eram os próximos na lista de Hitler.

 

Nos primeiros dois anos daquela guerra, as democracias ocidentais perderam virtualmente todas as batalhas, em todos os lugares do mundo, porque os movimentos pela “paz” do pré-guerra as deixaram com um equipamento militar inadequado e, em sua maior parte, obsoleto. Os nazistas e os japoneses sabiam disso. E foi por isso que eles começaram a guerra.

 

Movimentos pela “paz” não trazem paz, mas guerra.

Notas:

Publicado por Townhall.com

 

Traduzido por Antônio Emílio Angueth de Araújo

Um ‘ciclo’ de contra-senso

por  Thomas Sowell

Aqueles que continuam a pedir um fim para o ‘ciclo de violência’ são os que tornam tal violência mais provável.

Agora que Israel respondeu aos lançamentos de mísseis e à captura de seus soldados por terroristas com ataques militares às áreas controladas por esses terroristas, a maior parte de nossa mídia está deplorando um novo ‘ciclo de violência’ no Oriente Médio.

 

Por razões desconhecidas, alguns indivíduos parecem considerar equivalência verbal como se fosse equivalência moral – e a última como um tipo de símbolo de liberalidade e tolerância, quando não de superioridade intelectual.

 

Assim, quando terroristas palestinos (‘militantes’ na ‘Novilíngua’ politicamente correta) atacam Israel e então Israel responde por meio de força militar, isso é apenas, para algumas pessoas, um outro ‘ciclo de violência’ no Oriente Médio.

 

A noção de ‘ciclo’ sugere que cada lado está somente respondendo ao que o outro lado fez. Mas, o que exatamente fez Israel para incitar os últimos atos terroristas? Israel voluntariamente retirou-se de Gaza, depois de evacuar seus assentamentos, e entregou a região às autoridades palestinas.

 

Os terroristas usaram, então, as terras recém adquiridas para lançar mísseis em Israel e, então, prenderam um soldado israelense. Outros terroristas no Líbano seguiram a mesma estratégia. O grande mantra do passado, ‘trocar terra pela paz’, está agora completamente desacreditado, ou deveria estar.

 

Mas fatos não significam nada para indivíduos que estão determinados a encontrar equivalências tanto no Oriente Médio atual, quanto na antiga Guerra Fria.

 

Como todas as coisas são iguais, exceto em suas diferenças, e diferentes, exceto em suas similaridades, nada é mais fácil do que criar paralelos verbais e equivalências morais, apesar de alguns indivíduos se sentirem orgulhosos por serem capazes de tais truques verbais.

 

Séculos atrás, Thomas Hobbes disse que palavras são os contadores dos homens sábios, mas são o dinheiro dos ignorantes.

 

A despeito da retórica da moda, não há nenhum ‘processo de paz’ no Oriente Médio, da mesma forma que a negociação de ‘terra por paz’ não é uma opção viável. Nem tampouco um ‘país’ palestino é uma solução para a paz.

 

Durante os longos anos em que os países árabes controlaram o território agora proposto como o país palestino, ninguém falava sobre este país. Somente depois que Israel tomou posse desse território, como resultado da guerra de 1967, é que ele se tornou, abruptamente, o sagrado país palestino.

 

Não há nenhuma concessão que trará paz duradoura para o Oriente Médio porque os terroristas e seus apoiadores não se satisfarão com essas concessões. A única coisa que os satisfará é a destruição de Israel.

 

Até lá, eles infligirão tanta destruição e derramamento de sangue nos israelenses quanto puderem, a qualquer tempo. Essa realidade brutal não desaparecerá por meio de mágica verbal.

 

Os terroristas têm falado por meio de palavras e feitos, inclusive homens-bomba. Eles têm o que Churchill certa vez denominou, referindo-se aos nazistas, “um ódio tão intenso que é capaz de carbonizar a alma daqueles que cruzam seu caminho”.

 

Vimos isso em 11 de setembro de 2001 – ou deveríamos ter visto. Mas muitos, especialmente dentre a intelligentzyia, estão determinados a não ver.

 

De todas as democracias ocidentais, somente duas não têm escolha, exceto defender sua sobrevivência com suas próprias forças militares – os EUA e Israel. O resto tem tido, por mais de um século, o luxo de depender das forças militares americanas em geral e do poderio nuclear dos EUA, em particular.

 

Povos que são, por longo tempo, protegidos de perigos mortais podem se dar o luxo de acreditar na inexistência de perigos mortais. Armas nucleares nas mãos do Irã e da Coréia do Norte – e, através deles, nas mãos dos terroristas inundados de ódio – podem ser tudo o que acordará tais povos. Mas, então, pode ser muito tarde.

 

Aqueles que continuam a pedir um fim para o ‘ciclo de violência’ são os que tornam tal violência mais provável. ‘A opinião mundial,’ em geral, e as Nações Unidas, em particular, podem sempre aconselhar ‘moderação’ como resposta aos ataques e ‘negociação’ como resposta às ameaças mortais.

 

O que isso significa é que aqueles que causaram o problema terão um menor preço a pagar do que se aqueles que eles atacaram tivessem total liberdade de lançar um contra-ataque à altura. Abaixar o preço a ser pago pelos agressores, virtualmente garante mais agressão.

Notas:

Publicado por Townhall.com

 

Traduzido por Antônio Emílio Angueth de Araújo

História Geral da África – Uma Introdução

por Thomas Sowell

Se a história recente da África for bem contada – ou seja, se terceiros não forem culpados pela pobreza do continente –, ela será de grande utilidade para o Brasil.

Nota do Tradutor: Já que teremos, conforme nos informa Os Africanos – Sumário e Implicações: páginas 170-173 [**]

Para entender a África, a Geografia é mais importante que a História. Fernand Braudel É um fato central na história da África moderna, e na de muitos países do terceiro mundo, a existência de uma enorme disparidade em termos de riqueza, tecnologia e poder entre as nações imperiais européias e os povos das regiões colonizadas. A magnitude dessa disparidade possibilitou a várias nações européias superar, com o uso de uma pequena porção de seu poderio total, os mais desesperados esforços dos africanos para permanecerem independentes, adquirindo vastas áreas da África que eram, em sua maioria, de pouca significação econômica para os europeus, no esquema geral das coisas. Como diz Geoffrey Blaine, num influente estudo sobre as guerras nos últimos trezentos anos (The causes of war, p.198), “os custos, financeiros e em termos de vida humana, de um ano de guerra colonial eram menores do que aqueles de um mês de guerra no continente europeu”. A África era, certamente, de grande importância para os africanos e algumas vezes, para certas autoridades européias coloniais, alguns missionários e determinados interesses financeiros. Mas, para os europeus residentes na Europa a África significava mais uma porção de seu império mundial. Para as autoridades governamentais, especialmente britânicas, a grande preocupação era de que a África não se tornasse um transtorno ou um peso excessivo para os tesouros nacionais. A política britânica do “governo indireto” através de autoridades nativas locais e instituições nacionais – modificada para se adequar aos propósitos coloniais – foi o resultado do desejo de minimizar os custos em função de uma dada quantidade de controle governamental. Na maioria dos casos, com a exceção das “regiões montanhosas brancas” do Quênia ou das sociedades de colonos brancos da Rodésia e da África do Sul, não houve a intenção de transplantar a sociedade européia para os países africanos, como aconteceu nos EUA ou na Austrália. Mas, apesar do controle governamental indireto ter sido um mero expediente para os europeus, ele afetou profundamente as instituições, a sociedade e o futuro dos povos colonizados. Não raro, as autoridades nativas tradicionais que originalmente possuíam poderes limitados por amarras tradicionais, tornavam-se pequenos autocratas quando contavam com o apoio das forças aparentemente invencíveis das nações imperialistas. Os brancos, nessas condições, eram ainda mais autocráticos. Além do mais, imperialismo de baixo custo exigia que se agisse imediatamente em relação a idéias, indivíduos e movimentos que pudessem necessitar mais tarde, caso fossem desconsiderados, do uso de tropas e de material bélico para a manutenção do controle. Uma outra experiência do controle imperialista de baixo custo foi a mística do homem branco, muito além e acima do que o racismo espontâneo pudesse produzir. Apesar de eficaz por muitos anos, essa mística era vulnerável a qualquer revelação de sua fragilidade humana. A natureza de um castelo de cartas do imperialismo europeu na África tornou-se aparente com a rápida expansão das independências nacionais nos anos 1960. Poucas nações africanas tiveram de empreender guerras desesperadas, do tipo empreendida por George Washington ou Simon Bolívar, para a obtenção da independência. Quando a repressão de baixo custo fracassou na África, os líderes africanos foram, em mais de um país, simplesmente soltos e postos na chefia dos estados independentes pelos governos imperialistas que em muitos casos não consideraram a situação merecedora de uma guerra em grande escala.

Naqueles casos excepcionais em que a independência só aconteceu depois de lutas longas, ferozes e sangrentas – no Quênia, na Argélia ou Rodésia-Zimbabwe, por exemplo – a resistência-chave à independência veio mais das comunidades de colonos europeus na África do que de interesses econômicos no interior das nações imperialistas. Isso é parte de um amplo padrão de amargas relações entre os povos nativos e os colonos estrangeiros que se recusavam a deixar suas terras que eram agora seu solo nativo – ou aceitar serem governados pelos colonizados, com quem eles compartilhavam uma história de desconfiança e hostilidade. Ulster na Irlanda e West Bank em Israel são outros exemplos a mostrarem que nem grandes interesses econômicos, nem diferenças de cor são essenciais a este fenômeno.

Apesar dos africanos apresentarem padrões comuns a outros povos conquistados, eles são únicos em alguns aspectos. Os países africanos não foram, na maioria dos casos, diferentes tanto das colônias americanas ou da Inglaterra sob o Império Romano, nem réplicas da sociedade imperial, nem verdadeiramente integradas ao seu sistema legal ou às suas t radições sociais. Não obstante muitas nações africanas independentes imitarem no início e de forma superficial as sociedades democráticas ocidentais, o período relativamente curto de governo de molde ocidental, dificilmente poderia reproduzir na África os séculos de tradição que tornaram viáveis as instituições democráticas na Europa e em sociedades dela derivadas [EUA e Austrália, por exemplo]. De forma similar, os feitos econômicos da Europa não foram prontamente transferidos para a África, parcialmente por causa das severas limitações geográficas e climáticas que, por muito tempo, retardaram o desenvolvimento político, econômico e cultural em muitas partes do continente. Além disso, a breve história de exposição da África à cultura da Europa não possibilitou a reprodução, em solo africano, do progresso econômico europeu, tal como ocorreu com a reprodução do desenvolvimento das instituições democráticas. Contudo, de algum modo a cultura européia deixou sua marca nos africanos. Essa transferência cultural limitada se fez de várias formas, variando desde influências inconscientes até através de estudos formais. Entretanto, apesar do desejo inicial de muitos países independentes em imitar o Ocidente, por meio da construção de um parque industrial, por exemplo, muito pouco de ciência, tecnologia ou capacidade de gerência organizacional do Ocidente foi transferido para os africanos. Apesar de muitos africanos destinados a se tornarem líderes de seus países, terem passado anos, em alguns casos décadas, vivendo e estudando na Europa e nos EUA, o que eles trouxeram de volta do Ocidente não foram as habilidades práticas e o conhecimento tecnológico que fazem a riqueza e o poder do Ocidente mas, ao invés disso, eles trouxeram as teorias sociais e as especulações morais dos intelectuais europeus e americanos. Muito da penosa história do primeiro quarto de século de independência da África foi uma história dos líderes africanos – sem o conhecimento e a experiência prática nem da África, nem do Ocidente – tentando experimentos sociais radicais em seus próprios povos, baseados em teorias não testadas de intelectuais ocidentais. Os resultados foram catastróficos. Todo o quarto de século, começando em 1965, presenciou um crescimento econômico per capita negativo em Uganda, Tanzânia, Chad, Zâmbia, Gana, Senegal, Madagascar, Zaire, Nigéria, Benin e República Central Africana. Isso significa que muitos africanos estavam mais pobres uma geração após a independência do que eles eram sob os governos imperialistas. Depois de muita decadência econômica, tragédia social, repressão política, freqüente brutalidade e derramamento de sangue, alguns países e seus líderes começaram a mudar de curso nos anos 1980, liberando a economia de controles estatistas e assim estimulando a iniciativa e as energias de seus próprios povos, levando a soerguimentos econômicos em países economicamente devastados, como Nigéria e Gana. Por volta de 1997, talvez uma dezena de países africanos estava crescendo a taxas anuais de 5% ou maiores. Isso sugere que uma dose, mesmo que atrasada, de pragmatismo estava começando a substituir a fascinação inicial de visões grandiosas e inflamada retórica que marcaram o começo da era da independência na África. Porém, na última década do século XX, o crescimento econômico na África ainda estava atrás daquele de muitos outros países em termos percentuais ou em termos absolutos. Entretanto, a África não era a única nesta situação. O grau de liberdade está correlacionado à taxa de crescimento econômico das nações em geral. Para a maior parte da África, liberdade para o povo permanece uma aspiração, três décadas depois que as independências nacionais foram alcançadas Notas: Janer Cristaldo, uma História Geral da África obrigatória em nossos colégios por obra e graça do senador Paulo Paim, vou dar minha humilde, mas patriótica, contribuição a tão nobre iniciativa.

 

Se a história recente da África for bem contada – ou seja, se deixarmos de lado a baboseira de culpar, pela pobreza do continente, a exploração dos países ocidentais –, ela será de grande utilidade para o Brasil, como se pode ver abaixo. É claro que não tanto quanto a história da Grécia que está, aliás, desaparecendo de nossos currículos.

Um excelente texto sobre os africanos e sua história aparece numa obra de Thomas Sowell: Conquests and Cultures: An international history (Basic Books, 1999). São míseras 74 páginas (capítulo 3) que valem uma leitura atenta [*].

Traduzo, a seguir, o trecho final do capítulo em que o autor apresenta um sumário do material exposto. Espero com isso me habilitar a entrar no fantástico mercado(?) oficial de livros didáticos referendados pelo MEC, com a eventual tradução do capítulo inteiro.

***

Janer Cristaldo, uma História Geral da África obrigatória em nossos colégios por obra e graça do senador Paulo Paim, vou dar minha humilde, mas patriótica, contribuição a tão nobre iniciativa.

Se a história recente da África for bem contada – ou seja, se deixarmos de lado a baboseira de culpar, pela pobreza do continente, a exploração dos países ocidentais –, ela será de grande utilidade para o Brasil, como se pode ver abaixo. É claro que não tanto quanto a história da Grécia que está, aliás, desaparecendo de nossos currículos.

Um excelente texto sobre os africanos e sua história aparece numa obra de Thomas Sowell: Conquests and Cultures: An international history (Basic Books, 1999). São míseras 74 páginas (capítulo 3) que valem uma leitura atenta [*].

Traduzo, a seguir, o trecho final do capítulo em que o autor apresenta um sumário do material exposto. Espero com isso me habilitar a entrar no fantástico mercado(?) oficial de livros didáticos referendados pelo MEC, com a eventual tradução do capítulo inteiro.

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A tragédia da África e

Preservando uma visão: Final

por  Thomas Sowell

O maior perigo para a visão esquerdista são os fatos sobre as conseqüências do próprio esquerdismo e das leis, políticas e modos de vida que ele fez nascer.

Apesar do caloroso brilho de auto-satisfação que a visão esquerdista envolve a quem a partilha, a feiúra dos fatos continua a estragar esse glamour. Alguns esquerdistas acabam abandonando o barco e desertam para o conservadorismo quando os fatos são em número muito grande para serem ignorados.

Isso leva tempo, claro, e nesse ínterim há um interminável suprimento de jovens que se encantam com a visão esquerdista e substituem aqueles que dela se desencantaram.

Outros esquerdistas se atêm às suas idéias até o amargo fim – especialmente quando o fim não é tão amargo para eles, pessoalmente, quando vivem protegidos na academia, nas cortes, em fundações e em outros lugares onde eles não pagam o preço por estarem errados, não importando o quão desastrosas são para os outros as conseqüências de suas idéias.

Mesmo assim, fatos são perigosos para essa visão. Em tempos recentes, a esquerda tem procurado, crescentemente, suprimir os fatos que contrariam sua visão.

A pesquisa sobre diferenças biológicas inatas são claramente um anátema para aqueles com a visão esquerdista. Mesmo a pesquisa que traz à tona diferenças culturais e comportamentais de grupos de indivíduos é um grande perigo.

Ambos os tipos de pesquisa prejudicam a noção de que há “soluções” que o governo pode impor para eliminar as diferenças, lacunas, disparidades ou “desigualdades” que o esquerdismo alega ser capaz de suprimir.

A pesquisa científica sobre diferenças nas funções cerebrais de homens e mulheres é denunciada por feministas radicais, que estão exigindo o banimento de tais pesquisas. Não importa o que os MRI[1] dizem; as feministas radicais afirmam que todas as diferenças são devidas à “sociedade”.

Os esquerdistas têm trabalhado duro, por longo tempo, para substituir a própria palavra “sexo” por “gênero”, pois sexo é um fato biológico inato, enquanto gênero é um designação social arbitrária, tal como a língua francesa designa o gênero feminino pelo nome “plume” (pena).

Isso é um sinal da facilidade com que se podem amedrontar amplos setores da sociedade de forma tal que, agora, muitos acham necessário dizer gênero em vez de sexo, mesmo sem se preocupar em considerar qual a diferença dos dois ou porque eles mudaram a maneira de falar.

Em se tratando de minorias étnicas e raciais, políticos e juízes esquerdistas podem constituir processos na instância federal se testes de QI forem aplicados a crianças negras. Dentre os fatos de que nunca teríamos tido notícia, caso alguns não tivessem encontrado saídas para esse tabu, está aquele que diz que o QI dos negros tem crescido em décadas recentes.

O maior perigo para a visão esquerdista são os fatos sobre as conseqüências do próprio esquerdismo e das leis, políticas e modos de vida que ele fez nascer.

Que a família negra, que sobreviveu por séculos de escravidão e por gerações de discriminação, tenha se desintegrado com o surgimento do estado de bem-estar social esquerdista é apenas um exemplo.

Os esquerdistas têm sido levados ao expediente desesperado de atribuir esse fato e outras patologias sociais presentes nos guetos negros atuais ao “legado da escravidão” –, apesar do fato de que no passado as crianças negras cresciam mais freqüentemente em lares com os dois pais do que o fazem hoje.

Os negros, uma ou duas gerações após a abolição, tinham maiores taxas de emprego e menores taxas de crimes do que têm hoje.

O ilogismo do “legado da escravidão” enquanto argumento, apenas ilustra a tentativa desesperada de salvar a visão esquerdista.

Os próprios indivíduos que argumentam dessa forma nunca cometeriam tais ilogismos se estivessem discutindo algo que não fosse uma ameaça à sua visão.

Um dos mais impressionantes exemplos da destrutividade social do estado de bem-estar social esquerdista pode ser encontrado na situação de moradores brancos de bairros pobres na Inglaterra, descrita no brilhante e criterioso livro Vida da classe inferior) de Theodore Dalrymple[2].

Nesse caso, não é possível culpar pela degenerescência social a escravidão, o racismo ou outras coisas que são citadas como causas do comportamento dos negros nos EUA. Mesmo assim, os resultados são virtualmente idênticos, até mesmo crianças sendo surradas por colegas por quererem uma educação de melhor qualidade.

A visão da esquerda, repleta de inveja e ressentimento, exerce seu maior peso naqueles que estão por baixo – tanto brancos, quanto negros – que usam essa visão paranóica como uma desculpa para atitudes e comportamentos contra-produtivos e, ao final, auto-destrutivos.

Notas:

Leia também Preservando uma visão e Preservando uma visão II

Publicado por Antônio Emílio Angueth de Araújo

[1] Magnetic Resonance Imaging – técnica de obtenção de imagens funcionais do cérebro por meio de ressonância magnética. (N. do T.)

[2] Ver A esquerda e o conceito de classe. (N. do T.)