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Convocação lembra a de Collor, mas é chavismo em estado puro

por  Reinaldo Azevedo

Ao convocar sua militância para tomar as ruas o PT mimetiza no Brasil o que os seus congêneres de esquerda têm feito continente afora.

O PT, ficou claro na entrevista coletiva do presidente do partido, José Genoino, e do tesoureiro da legenda, Delúbio Soares, vai pedir à população que se vista de vermelho. Vai, em suma, pra galera. Delúbio especificou o público que ele espera estar presente no que chamaram de “ato em defesa do PT”: os filiados do partido, as ONGs, o MST e a “sociedade petista”, aqueles que, segundo ele, não sendo ligados à legenda, têm simpatia por ela. O ato, segundo os dirigentes, será em defesa do partido, mas também contra a corrupção no país. Não poderia ser mais orwelliano do que isso. É pura “novilíngua”: a coisa é o rigoroso contrário da palavra. Explicável: a distopia criada por George Orwell é parente moral da utopia petista. Estão todos em casa. Mas sigamos: eis aí. Chegou a hora de o PT brincar com o perigo. E ele, claro, brinca.

O último que conclamou a população a sair às ruas em defesa do governo foi Fernando Collor, naquele pedido patético para que os brasileiros se vestissem de verde e amarelo. No outro dia, o país estava coalhado de gente envergando luto. Não será ainda o caso desta vez. Até porque, à sua maneira, Delúbio e Genoino sabem o que fazem: parte dos que usaram preto contra Collor vestirá vermelho, desta vez, a favor de Lula. Muito bem: a similaridade com o ex-presidente se esgota aqui. A partir deste ponto, sai Collor, entra Hugo Chávez como inspiração do petismo. Àqueles sempre muito seduzidos e encantados com a conversão do PT à democracia, está sendo dada a primeira lição: esses caras não temem crise, não, senhores! Eles investem nela porque acreditam que, ao fim, saem sempre ganhando. Assim fizeram ao longo de 25 anos e foram bem-sucedidos.

Acuados por denúncias, descendo a ladeira da ética, dos bons costumes políticos, da decência, da funcionalidade, da governabilidade, restou o quê? Partir para a clivagem que sempre esteve subjacente ao discurso do próprio Lula: de um lado, o povo pobre, sedento de justiça; de outro, as elites. O ato proposto é um sinal de que eles se julgam prontos a ir para o confronto. Golpeiam as instituições; tratam o Parlamento como um lupanar; aparelham o Estado; privatizam o destino do país, colando-o ao do partido, e, ora vejam, na hora em que as coisas apertam, fazem o quê? Denunciam a desestabilização. Como se não fossem eles mesmos a desestabilizar o país, o governo e as próprias instituições.

Tudo isso estava escrito e inscrito na estrela. Alguns, como nós (e não fomos os únicos, felizmente), viram e acusaram o risco precocemente; outros perceberam, mas julgaram, sei lá, que o país deveria cumprir uma espécie de carma (eu, hein…); uns poucos, com certa soberba, acreditaram que a razão sempre triunfa no fim (o que é uma inverdade provada cotidianamente pela história); muitos, mais cínicos, apostaram que era possível encabrestar o petismo e ainda colher alguns lucros com isso.

Pois bem. Se é assim, então é chegada a hora de a sociedade civil não se deixar intimidar pelo apparatchik. Antes que prossiga, retomo, como parêntese, o que escrevi na edição anterior. Usando a expressão do colunista Antonio Fernandes do site e-agora (Notas:

Publicado por Primeira Leitura em 08/06/2005.

Por que marcha o MST?

Por que marcha o MST? Por tudo, menos pela Reforma Agrária.

Não é pela reforma agrária que marchou sobre Brasília o MST. Ela, a reforma agrária, está em curso, a despeito da sua inutilidade e do desperdício de recursos escassos em que incorre. Também não é porque os seus militantes não estejam no governo. Seus membros são “o” governo, vez que o PT é a sua expressão política e tem a Presidência da República e o órgão que cuida do assunto, o INCRA, foi integralmente aparelhado pelo movimento, pondo-se a seu serviço.

Então, por quê? Por muitos motivos e aqui posso listar alguns; 1- pelo ativismo político inerente à sua dinâmica; 2- pelo palanque para a suas lideranças, que assim podem aparecer na mídia e também para o seu público interno; 3- porque essa é a sua profissão, o ativismo político. Muitos dos que marcham nunca viram uma roça de perto e até são remunerados como “marchadores”, a se crer no relato da imprensa; 4- porque acreditam na revolução socialista nos termos feitos na China (maoismo); 5- porque o espetáculo fanfarrão faz parte do processo político do movimento, que se alimenta de bravatas contra ordem estabelecida; 6- porque a organização da marcha tem muito de empreitada militar e o movimento nunca descartou o recurso à força para alcançar seus objetivos, daí seus contatos e apoios com guerrilheiros da Colômbia (FARC) e a manifesta simpatia por Cuba e Fidel Castro.

Então o que se vê é uma desordem pública “organizada”, que sob o império da lei não deveria acontecer. Do mesmo modo que organizam a marcha insensata, organizam invasões às propriedades privadas, rasgando a Constituição. Não podemos esquecer que se organizar em grupo para violar a lei é crime. Mais uma vez a omissão das autoridades é gritante, chegando ao inverso de governos bancarem com apoio logísticos e recursos de toda ordem a marcha da insensatez. Vemos o maior, o Poder Público, reclinar-se diante do menor, um grupo que outra coisa não pleiteia que não a destruição da ordem estabelecida.

O MST é como uma corda esticada sobre um abismo, qual o funâmbulo de Nietzsche. A qualquer momento poderá acontecer o acidente fatal, se Satã quiser repetir a peça que pregou ao filósofo amalucado: saltar sobre os marchadores, tirando-lhe o equilíbrio e precipitando a todos, e não apenas os marchadores, mas todo o País, no abismo. O Cão sempre atenta, diz o antigo brocardo.

É preocupante ver os aderentes de toda sorte, como aqueles ligados à ala esquerda da Igreja, políticos dos partidos esquerdistas de um modo geral, os bem pensantes esquerdistas de salão, que acham que assim podem acalmar a sua má consciência, tornando-se agentes da revolução, marchando alguns metros como se machassem em busca de um destino glorioso. Todos na corda bamba sobre o precipício, feitos palhaços de circo do interior, só que não há aqui salvaguardas nem rede protetora: um desequilíbrio que seja e será o fim da linha. É tudo que a comunalha deseja; é tudo que as pessoas de bem receiam e rezam para não acontecer.

Lula, Fidel e dissidentes

É muito estranho que um homem que afirma ser “sensível à dor humana” como Lula nada faça junto ao seu amigo Fidel Castro em favor dos que são oprimidos pela ditadura cubana.


“A tirania é um hábito, tem a propriedade de se desenvolver, e se dilata a tal ponto que acaba virando doença”

Fiodor Dostoievski

 

Com o dinheiro fácil dos empréstimos concedidos por Lula e doações de fartos créditos materiais do coronel Hugo Chávez, o ditador Fidel Castro, que se mostrava disposto a fazer “concessões democráticas” em troca de recursos externos, está partindo para a repressão total e, por extensão, aperta o torniquete em torno dos dissidentes políticos que ousam discordar do regime cubano: já são, agora, mais de 300 os “prisioneiros de consciência” que apodrecem nas 200 prisões de segurança máxima da ilha-cárcere, com destaque para as masmorras de Boniato e Kilo Prieto, pocilgas de 45 graus à sombra.

Em meados de abril, desesperado com a situação, o economista e jornalista Oscar Espinosa Chepe, uma figura emblemática da oposição cubana, escreveu carta ao presidente Lula da Silva solicitando apoio para a libertação de 61 presos do chamado “Grupo 75”, jornalistas trancafiados por Castro depois de denúncias contra os rigores do regime comunista de Cuba. Chepe, favorecido por problemas de saúde (e a pressão da Anistia Internacional) com uma “licença extra-penal”, foi claro e direto na carta (distribuída em Havana) enviada ao amigo brasileiro do provecto ditador: “Sr. Presidente: peço sua ajuda humanitária para a libertação imediata e incondicional dos 61 prisioneiros de consciência condenados a longas penas”.

Até agora Lula não deu resposta ao dissidente cubano e é completo o silêncio do embaixador do Brasil em Cuba, o ex-deputado petista Tilden Santiago, que, em casos semelhantes, dá sempre o calado como resposta – o que significa postar-se, por inferência, ao lado do regime totalitário de Fidel.

Mais próximo da ilha caribenha, no México, é desesperadora a situação de 66 cubanos que haviam sido detidos em alto-mar pela Marinha mexicana, todos desnorteados em precário barco de pesca. Os fugitivos da ilha-cárcere estão num alojamento do Instituto Nacional de Migração (INM), em Forte de Las Flores, Estado de Vera Cruz. E diante da possibilidade de serem repatriados, iniciaram greve de fome ao tempo em que exibem, pelas janelas, cartazes com apelos dramáticos: “Pelo amor de Deus: não nos deportem para Cuba, preferimos morrer aqui”. Ou ainda, em outro pedaço de papelão: “Não nos deportem; nos matarão em Cuba”.

Os fugitivos denunciam que não é possível viver no regime de exploração e precariedade vigentes na ilha, sem falar na opressão e na implacável vigilância da DGI, o centro de espionagem e informações da ditadura. “Fidel es un tirano!”, avaliam. O governador de Vera Cruz, Fidel Herrera, atendeu positivamente a um pedido do governo federal, visto que a Marinha do México não tem instalações para alojar os 66 fugitivos cubanos. Entrevistado pela imprensa, o governador foi sensível ao drama vivido pelos fugitivos: “Vamos buscar uma saída solidária”.

É muito estranho que Lula da Silva, o homem da lágrima copiosa, sempre sensível à dor humana (pelo menos assim o proclama) além de “amigo do peito” de Fidel Castro, ao qual já manifestou completa solidariedade, abrindo inclusive os cofres do BNDES para aliviar as carências da ilha-cárcere, é muito estranho, repito, que Lula se mostre insensível ao pedido de apoio de Oscar Espinosa Chepe, o emblemático dissidente cubano e permaneça no mais completo silêncio. Em outras oportunidades, personalidades menos votadas e diante de fatos semelhantes, pediram e obtiveram a complacência do senhor ditador. O próprio escritor Garcia Marques, amigo de Castro, tem a seu favor o fato inconteste de já ter ajudado a salvar inúmeros dissidentes políticos (ou pessoas do desagrado do regime), até mesmo do indefectível “paredón”. Por sua vez, a ação positiva do governador do Estado mexicano de Vera Cruz, o Sr. Herrera, demonstra que, no campo político, nem tudo está perdido e é sempre possível se tomar medidas inspiradas em “atos de consciência”.

No caso específico de Lula, o pedido de Chepe ainda é mais pertinente, visto que o Presidente metalúrgico vive de entoar, nas suas permanentes viagens e nos seus diuturnos discursos, os valores soberanos da democracia, da paz e do amor. Diante dos 61 prisioneiros de consciência, ameaçados por regime de fome e tortura nas masmorras de Boniato e Kilo Prieto, o presidente Lula, em vez do silêncio, tem a oportunidade única de fugir à retórica das palavras bombásticas e partir para a ação positiva de uma negociação justa e viável, e que pode significar a salvação de dezenas de vidas. O presidente, que já se disse um homem sem pecados, não pode ficar omisso e pecar pela omissão. Seria o mesmo que afirmar o sofisma de que a verdade, na política, é a mentira e a mentira, a paralaxe dos homens. E depois, sejamos rigorosamente verdadeiros: não será com a libertação e posterior deportação de 61 prisioneiros de consciência que a ditadura de Castro irá cair. Para mantê-la viva, pelo menos por tempo considerável, existirá sempre o apoio de países como Brasil e a Venezuela, que se esmeram, até com o sacrifício dos supremos valores da liberdade e dos direitos humanos, em escorar com atos e palavras, nos foros internacionais, uma tirania que apodrece apodrecendo os seus dissidentes e a própria significação do conceito de humanidade.

Por que não agir?

Para os sem terra, tudo. Para os militares, nada

Socialismo revolucionário, é o que a esquerda católica quer para o Brasil. Por isso ao MST tudo, aos militares nada.

Os fatos falam por si mesmos. De um lado bilhões gastos a fundo perdido numa Reforma Agrária cujo fracasso já esta amplamente documentado. Um de seus agentes, o MST é tratado com honras e muito dinheiro vindo de fora, dos cofres públicos e amplo apoio logístico dispensado por governos para sua mais recente marcha-demonstração de força e prestigio, onde não falta apoio da esquerda católica. Fazem escancaradamente doutrinação marxista durante a marcha e exibem uma arrogância como se fossem donos do país e estivessem acima da Lei. De outro lado, pobres senhoras dos militares são tratadas com indiferença e desdém.

Como a CPT e a esquerda católica tratam uma e outra entidade?

O comentário que segue nos dois próximos subtítulos é da jornalista Márcia Peltier no Jornal do Brasil:

Show 1

“A marcha do MST, que deverá chegar em Brasília dia 17, com seus 11 mil integrantes, tem uma logística invejável. Ambulância, carros de apoio, computadores, e um sistema de comunicação integrada com a imprensa, além de cestas básicas garantidas. É uma verdadeira caravana rolidei”.

Show 2

“Já o espetáculo das mulheres dos militares que estão acampadas na Esplanada do Ministério, está longe de ser um show. Sem apoio nenhum, uma das manifestantes passou mal, ontem, e não tinha sequer dinheiro para comprar remédio. Foi ajudada por um passante”.

Dois pesos e duas medidas

Os militares, homens da lei e do silêncio, sempre foram tratados como heróis da pátria. Não é de se esperar deles arrogância e muito menos descumprimento da lei. Acostumados ‘a hierarquia, sentem-se até constrangidos ao reivindicar algo para si mesmos. Suas mulheres estão em manifestação para pedir uma simples reposição salarial, enquanto seus maridos continuam trabalhando seja no Haiti, seja na Amazônia, seja no apoio ‘as Policias Estaduais, seja nos quartéis. Não nos consta que alguma Pastoral da CNBB esteja dando apoio a essas mulheres.

Do outro lado a baderna invasora, arrogante e acima das leis, recebe o apoio do Arcebispo de Goiânia, D.Washington Cruz, que procurou, no início do ano o Governador Marconi Perillo e conseguiu dele um amplo apoio logístico, sem o qual essa manifestação não conseguiria se realizar. Soma-se a esse apoio o da Prefeitura de Goiânia e diversas prefeituras por onde a marcha vai passando. Como, logicamente, não podem contar com apoio dos fazendeiros, vão invadindo onde precisam acampar. Já estão na oitava invasão.

Os custos dessa marcha não ficam nos que a mídia tem chamado a atenção. Segundo Jean Maria Tomazela, do jornal O Estado de São Paulo, “ o MST levou 11 meses para treinar 3 mil militantes em 23 Estados para os postos de comando, numa estrutura cuja hierarquia e disciplina se assemelham ‘as de um exército”. Quem custeou tudo isso?

A CPT – Comissão Pastoral da Terra está presente

Além da presença da CPT, outros grupos religiosos acompanham a marcha. O mais numeroso é o da Presença Solidária da CRB – Conferência dos Religiosos do Brasil, com 100 freiras acompanhando a marcha. Uma delas declarou que “nossa missão é estar onde o povo sofre”.

E as mulheres dos militares? Não sofrem? Onde estão as irmãs para confortá-las?

Doutrinação para uma nova sociedade

Durante as tardes, os “Marchantes” como são chamados, que receberam 10 mil mochilas contendo cadernos, caneta, cartilha da Reforma Agrária, livros de Karl Marx e Florestan Fernandes recebem doutrinação. Não faltam bandeiras com a imagem de Che Guevara, que encabeça a marcha ao lado da bandeira do Brasil, ou cartazes da “Brigada Olga Benário” entre outros ícones do comunismo internacional. Os temas das reuniões quase sempre envolvem questões ideológicas. Como esta de Pedro Simas, da Via Campesina:” Este é um momento de outras possibilidades, por isso colocamos nosso exército de trabalhadores nas ruas, para mudar a realidade que aí está e construir uma nova sociedade.

Um exército?

Cremos ler na consciência de nossos leitores: O MST não estaria preparando um exército  revolucionário? Eis o que relata Antonio Sepúlveda, jornalista do Jornal do Brasil: na marcha do MST “ dez mil radinhos garantem a pregação socialista e o toar de marcha político-militares e revolucionárias, transmitidas por um trio elétrico. Uma delas, a Marcha Brasil, tem um refrão politicamente explícito e literariamente medíocre: “Marcha Brasil, ergue a tua voz / Um novo país só depende de nós / Um país socialista queremos construir / Junto com o povo queremos resistir / É hora, camaradas / Não podemos desistir”. Não tiveram nem o cuidado de substituir o “camarada” soviético pelo “companheiro” petista!Também cantam hino de marcha que tem o refrão:  “um dia eu avistei uma bandeira em minha frente / o coração bateu muito forte, senti algo diferente / sua cor era vibrante, cor de sangue da gente”.

Pois é isso que a esquerda católica quer para o Brasil. Por isso ao MST tudo, aos militares nada.

Notas:

Publicado pelo boletim Sem Medo da Verdade.

Colegas de crença

por  Thomas Sowell

Numa era de democracia, como podem viver juntas milhões de pessoas se cada uma acredita possuir o direito divino de impor sua vontade sobre as outras?

1o de março, 2005

Enquanto a mídia se concentra na crescente polêmica em Harvard, devido às declarações de seu reitor sobre as razões da baixa representação das mulheres nas ciências, um escândalo muito pior e muito mais significativo ocorreu na Universidade de Seattle, onde um grupo de estudantes impediu um Recrutador das Forças Armadas de encontrar-se com outros estudantes que queriam vê-lo.

Primeiramente, o reitor de tal universidade disse que os estudantes baderneiros deveriam desculpar-se. Mas a tempestade que se seguiu levou ao esperado recuo de que os administradores acadêmicos geralmente fazem uso nessas situações.

Uma estudante que fez parte da baderna explicou que ela não queria que ninguém fosse mandado para o exterior para ser assassinado. Aparentemente, nunca lhe ocorreu que o que ela queria não poderia ser imposto automaticamente sobre os outros, com ou sem violência e arruaça.

Nos tempos do direito divino dos reis, é até compreensível porque um determinado monarca poderia pensar que o que ele queria era tudo o que importava. Mas numa era de democracia, como podem viver juntas milhões de pessoas se cada uma acredita possuir o direito divino de impor sua vontade sobre as outras?

Certamente nosso sistema educacional falhou se não ensinou algo assim tão básico em lógica ou moralidade. Mas muitas de nossas escolas e universidades têm estado tão ocupadas em impor formas particulares de pensamento politicamente correto que elas nem sem importaram em explicar porque outras visões advindas de outros grupos não devem ser ignoradas intelectualmente ou desprezadas politicamente.

Quando as formas de propaganda política utilizadas nas instituições de ensino foram recentemente criticadas nessa coluna, um defensor dessas instituições enviou-me um e-mail, alegando que não havia nada errado em impor determinada crença, se estas fossem corretas.

Violando minha resolução de ano novo de parar de tentar discutir racionalmente com pessoas irracionais, eu repliquei, perguntando se este homem se sentiria bem em ser o membro de um júri que deveria votar, após ouvir apenas o lado da acusação ou da defesa.

Sua resposta foi que ele se sentiria – se as pessoas presentes em um lado do caso fossem as que ele conhecesse e confiasse.

Tal opinião é apenas aparentemente bizarra, pois, de fato, não é de nenhuma forma rara ou incomum, apesar de as pessoas que agem sobre tais bases não costumarem mostrar-se aos outros – ou mesmo provavelmente a elas mesmas. Eles não dizem que acreditam em determinadas pessoas acerca de determinados assuntos porque sentem simpatia pelas mesmas, mas é geralmente assim que eles reagem.

Um exemplo dessa estrutura de pensamento foi recontado em um recente ensaio de Ralph Toledano, que contou sua saga de jovem repórter, anos atrás, durante o caso envolvendo Notas:

Publicado por Townhall.com

Tradução: João Costa.

[*] Sobre Alger Hiss leia também A face sombria da ONU.

Acabando com a escravidão

por  Thomas Sowell

Nada poderia ser mais chocante e discordante da visão dos intelectuais de hoje do que o fato de que foram homens de negócios, dedicados líderes religiosos e imperialistas ocidentais que juntos destruíram a escravidão no mundo inteiro.

Para mim, a coisa mais chocante sobre a longa história da escravidão — que abrangeu o mundo inteiro e todas as raças — é que ninguém de nenhum país antes do século XVIII questionava com seriedade se a escravidão era certa ou errada. No fim do século XVIII, esse questionamento começou a aparecer na civilização ocidental, mas não surgiu em nenhum outro lugar do mundo.

Parece tão óbvio hoje que, como disse Abraham Lincoln, se a escravidão não é errada, então nada é errado. Mas nenhum país do mundo cria nisso três séculos atrás.

Um surpreendente livro recém publicado — “Bury the Chains” de Adam Hochschild — mostra as origens históricas do primeiro movimento anti-escravidão do mundo, que começou com uma reunião de 12 homens profundamente religiosos na cidade de Londres em 1787.

O livro recria o próprio mundo diferente daquele tempo, quando a escravidão era tão comum que a maioria das pessoas, de um modo ou de outro, nem ligava para isso. E também não ligavam para isso os principais líderes intelectuais, políticos e religiosos da Inglaterra ou de qualquer outro lugar do mundo.

Os 12 homens que formaram o primeiro movimento anti-escravidão do mundo viam sua tarefa como convencer as pessoas de seu país a pensar na questão da escravidão — a pensar nos fatos brutais e nas implicações morais desses fatos.

Eles achavam que seus esforços seriam suficientes para levar o público inglês — e no final até o próprio o Império Britânico — a ficar contra a escravidão. Embora a idéia deles fosse bem simples, foi exatamente isso o que aconteceu. Não aconteceu rapidamente e não aconteceu sem esbarrões com opositores insensíveis, pois na época os britânicos eram os maiores comerciantes de escravos do mundo e tal comércio criou grupos ricos e politicamente poderosos que defendiam a escravidão.

Apesar disso, o movimento anti-escravidão persistiu durante décadas de lutas e derrotas no Parlamento britânico até que acabaram obtendo uma proibição ao comércio internacional de escravos, e no fim uma proibição à própria escravidão em todo o Império Britânico.

Ainda mais impressionante, a Inglaterra se encarregou sozinha, como a principal potência naval do mundo, de policiar outras nações na questão da proibição ao comércio de escravos. Interceptando e abordando os navios de outros países em alto mar em busca de escravos, os britânicos se tornaram e permaneceram por mais de um século os policiais do mundo em seus esforços de dar uma basta no comércio de escravos.

Bury the Chains” apresenta essa história incrível só até a época da proibição da escravidão no Império Britânico. Esperamos  apenas que Adam Hochschild ou outro escritor prepare um livro igualmente dramático e convincente sobre a saga da luta mundial contra a escravidão.

Contudo, as chances não parecem boas. O primeiro movimento anti-escravidão foi liderado por pessoas que hoje seriam chamadas de “direita religiosa” e seu movimento foi criado por homens de negócios conservadores. Além disso, o que destruiu a escravidão nas nações não ocidentais foi o imperialismo ocidental.

Nada poderia ser mais chocante e discordante da visão dos intelectuais de hoje do que o fato de que foram homens de negócios, dedicados líderes religiosos e imperialistas ocidentais que juntos destruíram a escravidão no mundo inteiro. Mas como tal fato não se encaixa na visão desses intelectuais, é como se para eles tudo isso nunca tivesse ocorrido.

Os conceitos anti-escravidão acabaram se espalhando por toda a civilização ocidental, uma luta que se tornou mundial, colocando o Ocidente contra africanos, árabes, asiáticos e praticamente o mundo inteiro fora do Ocidente, que ainda não viam nada de errado na escravidão. Mas os imperialistas do Ocidente foram os primeiros a possuir armas a base de pólvora, dando-lhes a vantagem de eliminar a escravidão no Ocidente e em outros países.

Em comentário sobre “Bury the Chains”, o jornal Bury the Chains”, o jornal Bury the Chains”, o jornal notas:

Bury the Chains”, o jornal Townhall.com Tradução: Julio Severo.

O discurso de Lula

No seu último discurso na ONU, Lula, o Metamorfose Ambulante, repetiu as bobagens de sempre sobre globalização e pobreza: disse que o mundo de hoje é muito mais desigual do que o de dois séculos atrás (como se tal informação fosse relevante) e também afirmou que, para combater o terrorismo, é preciso lutar contra a fome no mundo.  O discurso de Lula nada tem a ver com a realidade dos fatos; o presidente apenas repetiu as idéias retrógradas do seu partido, que mantém o mesmo caráter autoritário e intervencionista, por mais que extremistas de esquerda pensem o contrário. Na verdade, Lula não mudou significativamente as suas idéias; adaptou-se às circunstâncias do momento, e alterou o seu discurso em um ou outro ponto irrelevante, que apenas engana quem não conhece a estratégia do seu partido, que consiste em dar  uma aparência de democrático a um governo que a cada dia aumenta mais o seu controle sobre a vida do cidadão.

Lula falou em desigualdade na comparação do mundo atual com aquele de dois séculos atrás, e não acrescentou outras informações que refutariam a sua afirmação de que o mundo atual é pior do que o de outrora. A tese de Lula, baseada na consideração de apenas um dado, a desigualdade, é completamente equivocada para a adequada compreensão das diferenças entre as duas épocas em questão. Pois a desigualdade em si não é problema; em um país livre, é natural que haja diferenças, que são resultado da dinâmica do mercado: uma empresa bem sucedida é aquela que satisfaz o consumidor, este sim, o soberano no capitalismo, enquanto no socialismo o soberano é o planejador. Tentar acabar com as desigualdades não é viável nem desejável, pois isso significaria passar por cima dos direitos individuais, já que o Estado precisaria usar a força para tirar de alguns para dar a outros. Além de tudo, a ação do Estado não produziria os efeitos desejados; pelo contrário, criaria uma classe de burocratas parasitários dedicados à distribuição de riqueza. Como afirmou Trotski, o próprio encarregado de distribuir a riqueza não esquecerá de si mesmo… Tal experiência já foi feita nos países socialistas, e os resultados foram catastróficos, mas hoje em dia os debates no Brasil são restritos a um horizonte histórico extremamente limitado. Tudo aquilo que aconteceu em outros lugares e outras épocas parece não ser importante na análise dos nossos problemas atuais, como se nada tivéssemos a aprender da experiência histórica do ser humano. A extrema importância que se dá ao tema da desigualdade é resultado de compreensão inadequada sobre o processo de geração de riquezas. Um país pode ser desigual e também ter ótimos índices de qualidade de vida para o conjunto da sua população. A desigualdade não é incompatível com bons indicadores sociais; pelo contrário, nos países que impuseram o igualitarismo é que não foi possível a geração de riqueza necessária para que se obtivesse um bom padrão de vida. Além disso, falar apenas em desigualdade, sem considerar as outras diferenças entre o mundo de hoje e o do passado, como o fez Lula, é desonestidade intelectual: pois o mundo atual, embora ainda tenha muitos problemas, é consideravelmente mais rico na comparação com qualquer outra época. E a expectativa de vida aumentou, com os progressos tecnológicos. Há ainda o fato de que no mundo de hoje, graças aos avanços tecnológicos, um trabalhador comum tem acesso a bens e serviços que os governantes mais poderosos de alguns séculos atrás sequer imaginavam. É bom lembrar que só não evoluíram os países que praticaram as medidas que o próprio Lula defendeu a vida inteira, como o intervencionismo estatal na economia.

Em relação ao terrorismo, Lula repetiu o seu discurso sobre a fome, que não produziu resultado algum no Brasil. O fracasso do Fome Zero não impediu que Lula propusesse a sua implantação em escala mundial, como se o mundo desse importância aos arrotos de um presidente que governa um país pouco significante sob o aspecto econômico, e, o que é pior, sob o aspecto cultural. As propostas de Lula só poderiam ser impostas por um governo mundial, que violasse a soberania dos países. Lula mostra uma ambição ilimitada de poder, além de ignorância sobre os assuntos que trata: terrorismo nada tem a ver com fome. Pelo contrário, os terroristas a cada dia são mais poderosos porque têm acesso a recursos financeiros e tecnológicos de que não dispunham há anos atrás. E se hoje o terrorismo é um problema cada vez mais preocupante, isso certamente não tem relação com fome: não são os famintos os responsáveis pelo terrorismo; são, sim, os governantes que têm fome de poder.

Hitler está aqui

O diário oficialista Últimas Notícias lançou ontem um balão de ensaio para medir a capacidade de resposta da sociedade, frente ao projeto chavista de estabelecer na Venezuela uma tirania com roupagem institucional. A reforma é calcada no que Hitler fez na Alemanha em circunstâncias iguais, quando a cidadania ainda tinha alguma força para resistir ao seu projeto de poder pessoal totalitário.

Segundo o diário oficialista, o MVR apresentaria à Assembléia Nacional uma reforma da Constituição que, sem dissimulação, porá nas mãos de Chávez todos os mecanismos de poder, com capacidade discrecional para encarcerar cidadãos civis e militares, fechar empresas, aprovar as leis que acomodem seu projeto e, assentado no terror, reeleger-se indefinidamente como o tem feito Fidel e o teria feito Hitler se os aliados não tivessem entrado em Berlim.

A emenda de 21 artigos converterá a Constituição em um instrumento de poder total do presidente sobre os indivíduos e a sociedade. É exata a “coincidência” entre esta reforma chavista e a que Hitler efetuou desde o poder, em circunstâncias exatamente iguais.

A mudança fundamental, estritamente copiada de Hitler, é que o presidente poderá prender sem julgamento prévio de mérito a generais e almirantes, o qual lhe permitirá aterrorizar a Força Armada e usá-la sem limitações para esmagar os cidadãos. Em seguida vêm os artigos dirigidos para, segundo a proposta do MVR, “…atacar com severidade e prontidão o procedimento dos grupos econômicos…”, com o qual Chávez poderá encarcerar indefinidamente os empresários que “não cooperem com seu regime”, e fechar suas empresas.

Se nesta reforma ainda resta algum resquício de liberdade, a “debilidade” será coberta rapidamente aprovando leis orgânicas específicas que preenchem o vazio e, se fizer falta, genéricas leis habilitantes (poder discrecional para o governante) por maioria simples. Este procedimento da maioria simples se considera inaceitável nos países democráticos, quando se trata de reformas estruturais, às quais em teoria democrática e lógica sã não podem ser impostas à maioria por uma minoria, muito embora esta seja a menor das minorias como é o caso do MVR na Assembléia.

Tudo isto será coroado aprovando a reeleição indefinida do presidente da República. Uma e outra vez, até o infinito, procedimento absolutamente eliminado em todas as constituições do mundo civilizado, pois o utilizam somente em nações primitivas onde um homem forte se eterniza no poder mediante o terror, como no passado fizeram os velhos ditadores latino-americanos.

O projeto será introduzido e aprovado em qualquer momento na Assembléia Nacional, eliminando definitivamente qualquer possibilidade de Liberdade e Democracia na Venezuela. É o mais trágico que ocorreu a um país do ocidente depois que desapareceram ditaduras como a de Trujillo… e o resultado pode ser ainda mais horrendo do que o de Cuba governada por Fidel Castro.

Notas:

Fonte: Coluna “A sangue frio”, diário El Nuevo País.

Tradução: Graça Salgueiro

Petrobras x Bancos

Recentemente os bancos Bradesco e Itaú divulgaram seus demonstrativos contábeis referentes ao semestre encerrado em junho. Ambos apresentaram lucros que andam por volta de um bilhão e meio de reais. Instantaneamente os jornais correram a publicar notícias que, como sempre, traziam aquela mensagem subliminar de ganhos espúrios, de injustiça social, de capitalismo selvagem e por aí vai. Os leitores, sempre bem doutrinados, correram a enviar mensagens de desagrado, indignação e revolta.

Lendo estas notícias e respectivas cartas dos leitores, lembrei-me imediatamente do nosso maior e melhor exemplo da doutrina patrimonialista e estatizante que toma conta do país há mais de meio século: a PETROBRÁS, e de um trabalho realizado no início deste ano que se destinava a fazer uma análise econômico financeira sobre os Demonstrativos contábeis apresentados por ela para o exercício de 2003. O estudo abaixo teve como origem uma discussão acalorada com um amigo ex-funcionário da empresa, que se mostrava contra os leilões das áreas de exploração pela ANP.

O trabalho consistiu, basicamente, em coletar dados contábeis consolidados do conglomerado Petrobrás, estabelecer alguns índices à partir desses dados e compará-los com uma outra empresa do mesmo setor. Para efeito de comparação a segunda empresa deveria ter um perfil bastante semelhante, devendo englobar a maioria das atividades desempenhadas pelo conglomerado BR: pesquisa, extração, refino e distribuição. Pela facilidade de pesquisa e por sua óbvia representatividade no setor, escolhi trabalhar com a americana Exxon Mobile, porém se tivesse escolhido outras, como a Texaco, o resultado não seria muito deferente.

É importante esclarecer que todos os números utilizados neste trabalho foram retirados dos demonstrativos contábeis das duas empresas, disponíveis nos sites oficiais das mesmas em: http://petrobrasinfoinvest.com.br/modulos [e] www.exxonmobil.com/corporate/files/corporate/ARfinancial2003.pdf .

Os dados utilizados foram os seguintes, deles se extraindo todos os índices e taxas analisados:

Informações Contábeis Petrobrás (**) Exxonmobil

Lucro Liquido do Período U$ 6,16 bilhões U$ 21,50 bilhões

Patrimônio Líquido (fim exerc.)* U$ 10,93 bilhões U$ 89,90 bilhões

Receita Liquida do Período U$ 33,15 bilhões U$ 246,70 bilhões

Ativos Totais (fim do exercício) U$ 47,17 bilhões U$ 174,28 bilhões

Numero total de empregados 49.100 homens 88.300 homens

(*) Valor Exclui o lucro do ano corrente

(**) Valores convertidos em dolar pela própria empresa

O primeiro ponto que me chamou a atenção nos demonstrativos da Petrobrás foi um resultado líquido (lucro) espetacular no exercício, da ordem de 17,8 bilhões de reais (6,2 bilhões de dólares), muito superior ao lucro auferido por todos os dez maiores bancos brasileiros juntos no mesmo período. Como este número por si só não significa muita coisa, levantei a taxa de retorno sobre o Patrimônio Liquido, que vem a ser a relação entre o lucro líquido do período e o Patrimônio Liquido (Capital Próprio + Reservas). Qual não foi a minha surpresa ao constatar um índice de 56,35%. Quase saí correndo para comprar todas as minhas reservas em ações da Petrobrás, pois há muito poucas empresas na face da terra que produzem tal taxa de retorno. Só para se ter uma idéia, o mesmo índice para a Exxon foi de 22,5% (menos da METADE).

O segundo passo foi levantar o valor da margem líquida da empresa durante aquele exercício. Este índice se obtém pela relação entre o lucro líquido e a receita líquida do período analisado. E foi aí que comecei a sentir-me meio assustado e meio roubado, pois o índice encontrado foi, nada mais, nada menos do que 18,58% (22,24 nas contas da Petrobrás?), ou seja: de cada cem reais de vendas líquidas (descontados todos os impostos diretos incidentes), nada menos do que entre 18 e 22 reais eram puro lucro liquido. Só para se ter uma idéia do absurdo que este número representa, a margem líquida da Exxon, que vem a ser a maior empresa petrolífera do mundo, contando com todo o seu poder de barganha junto a clientes e fornecedores, foi de 8,70%, quase 2,5 vezes menor.

Como teria sido possível tal façanha? A primeira hipótese seria a de que se tratava de uma empresa extremamente eficiente, o que se mostrou falso pelos índices posteriormente analisados. Sobrou então a segunda, da qual eu já desconfiava de longa data: os preços praticados pela Petrobrás em 2003 estavam absurdamente inchados, não só em decorrência da queda brutal do dólar em relação ao real no período, como também em função da queda do próprio preço do petróleo naquele ano.

A pergunta que se colocava, então, era: quem ganhou e quem perdeu com isso?

Em primeiro lugar, como de costume, ganhou a União, que faturou alto nos impostos (estimo algo em torno de 15,40 bilhões de dólares), tanto nos diretos (Cofins, Pis, ICMS, CIDE, etc..) quanto nos indiretos (IR e CSSL), além de, como acionista majoritário, ficar com a maior fatia do lucro.

Logo em seguida vieram os empregados da companhia, que além dos salários (será que ainda são 15 por ano?) médios bem acima do mercado, mais os benefícios extras (as famosas conquistas), ainda levaram o equivalente a 5% do lucro líquido auferido (participações estatutárias). Isto é o que se pode chamar textualmente de re-distribuição de renda (do bolso do consumidor diretamente para o do funcionário público). Pelas contas, se cada empregado recebesse o mesmo valor, daria aproximadamente 17.800 reais para cada cabeça.

O terceiro ganhador são os acionistas minoritários, que receberão polpudos dividendos.

Já os perdedores, bem… os perdedores, infelizmente, fomos todos nós consumidores de derivados de petróleo e gás, ricos e pobres, indiscriminadamente, que passamos um ano inteiro pagando pelos nossos combustíveis muito mais do que seria razoável, desejável e necessário, graças ao monopólio que ainda insistem em defender. O mais interessante de tudo é que não me lembro de uma carta sequer aos jornais reclamando dessa situação.

O passo seguinte foi tentar aferir o nível de eficiência da empresa e de seus empregados, tão propalada pela propaganda maciça. O parâmetro escolhido, em princípio, foi a relação entre a receita líquida e os ativos totais de cada uma das empresas. Este índice serve para medir a capacidade de uma empresa em gerar receitas com base em seu patrimônio total. Como este índice não está sujeito à interferência de uma margem de lucro artificial, criada em função da posição monopolista, a disparidade encontrada foi enorme: enquanto a empresa americana obteve uma receita liquida total da ordem de 141% do seu patrimônio, a nossa eficientíssima Petrobrás obteve apenas a metade, ou seja, 70%. Isto demonstra que o lucro da empresa brasileira no ano passado não foi resultado da sua capacidade empresarial, mas simplesmente dos preços absurdos praticados. Por este índice, a Exxon é duas vezes mais eficiente que a Petrobrás.

Não satisfeito com os resultados encontrados, resolvi dar um crédito à nossa estatal e passei a analisar os resultados em termos da eficiência funcional das duas empresas. A primeira comparação foi entre os valores das Receitas Líquidas em relação ao número total de empregados. Chegamos à conclusão que, em média, cada um dos funcionários da Exxon produziu uma receita líquida da ordem de US$ 2.794.300, enquanto na Petrobrás este valor foi de aproximadamente US$ 676.530. Significa dizer que a produtividade média dos empregados da Exxon em função da sua receita é de cerca de 4 vezes a dos eficientíssimos trabalhadores da Petrobrás. Cabe ressaltar que nestes números não estão incluídos os milhares de funcionários terceirizados da empresa brasileira (este dado não está disponível) e portanto a disparidade é certamente ainda maior.

Mesmo sabendo que o próximo índice não seria muito ilustrativo, haja vista que o lucro apresentado pela Petrobrás encontrava-se artificialmente inchado pela margem líquida analisada acima, resolvi estabelecer a relação entre o lucro líquido das empresas e o seu quantitativo de empregados. Qual não foi a minha surpresa ao ver que, apesar daquela margem exorbitante, que resultou num lucro liquido nominal imenso para os padrões brasileiros, os índices encontrados aqui foram ainda amplamente favoráveis à Exxon e seus empregados, ou seja: Petrobrás ? lucro de US$ 125.714 por empregado; Exxon ? lucro de 243.488 por empregado.

Para finalizar, como este setor é (ou deveria ser) eminentemente de “capital intensivo?, resolvi apurar o índice que mede o valor dos ativos por trabalhador em cada uma das empresas analisadas, chegando aos incríveis números de: Petrobrás ? US$ 962.653 em ativos para cada funcionário e Exxon ? US$ 1.973.703 para cada um. Que grande cabide de empregos!

Como se vê, exceto pela margem líquida artificialmente conseguida, com base única e exclusivamente num monopólio extemporâneo e fora de propósito, qualquer índice que se cogite a vantagem é sempre larga em favor da empresa americana. E, por favor, não me venham dizer que em outras épocas a Petrobrás bancou preços artificialmente baixos em prejuízo próprio porque o balanço que analisei mostra uma saúde financeira invejável tanto em termos de índice de endividamento quanto de liquidez.

Resumo dos índices apresentados:

Índice Medido Petrobrás Exxonmobile

Lucro Líquido / Patrimônio Líquido (%) 56,35 22,50

Margem Líquida (Lucro Líquido / Receita Líquida) (%)18,58 8,70

Receita Líquida / Ativos Totais (%) 70,00 141,00

Receita Líquida / n.º de empregados formais (US$) 676.530 2.794.300

Lucro Líquido / n.º de empregados formais (US$) 125.714 243.488

Ativos Totais / n.º de empregados formais (US$) 962.653 1.973.703

Este é John Kerry

Resumo: O candidato democrata à Casa Branca,
John Kerry, embora seja apresentado pela grande mídia como um homem sério e “herói de guerra”, na verdade possui um histórico nada recomendável, inclusive em termos de patriotismo.

© 2004 MidiaSemMascara.org

JOHN  “HANÓI” KERRY PARA PRESIDENTE?

Foto abaixo: o candidato “herói de guerra” na mesma manifestação com  Jane ‘Hanói’ Fonda, uma das mais fanáticas ativistas pró-comunistas durante a guerra do Vietnã.

Uma foto aparentemente mostrando o candidato Democrata a Presidente John Kerry protestando contra a Guerra do  Vietnã, junto com a atriz anti-Americana “Hanoi Jane” Fonda – a foto mais temida pelos Democratas – existe e foi obtida por NewsMax.com 

Uma outra, comparativa, feita pelo PoliticalHumor é ainda mais clara (abaixo):

 

A foto foi tirada no Dia do Trabalho de 1970. Kerry, então uma estrela em ascensão entre os Veteranos contra a Guerra do Vietnã, juntou-se a Fonda neste violento protesto em Valley Forge, Pensilvannia.

Nesta manifestação, os oradores acusavam os soldados americanos de cometer um genocídio e de “racismo internacional”. E foi neste protesto, exatamente, que Kerry brilhou, começando sua carreira política. No seu discurso ele disse: “Nós estamos aqui acima de tudo porque ganhamos o direito de criticar a guerra”, levantando a platéia, sendo Jane a mais entusiástica. Naquele momento ele se tornou um novo líder nacional.

Seu discurso, mais tarde, como líder dos Democratas em Massachusetts, solidificou ainda mais sua relação com Jane. Eles viajaram juntos a Detroit, para organizar um evento chamado “Winter Soldier Investigation”, em janeiro de 1971. Eles reuniram uma assembléia de veteranos desiludidos descrevendo as maiores atrocidades. De acordo com Jug Burkett, Jane teve um papel fundamental neste evento, inclusive como financiadora. Muitas das “testemunhas” vieram a ser denunciadas, mais tarde, como rematados impostores.

Foi neste encontro que Jane encontrou seu futuro marido, Tom Hayden, da organização radical, “Students for a Democratic Society”.

Foi no ano seguinte que Jane seguiu para Hanói e onde tirou a foto abaixo, onde ela, numa bateria antiaérea norte vietnamita, simulava atirar nos aviões “americanos imperialistas”:

(AP/Wide World Photos)

É interessante notar que a foto abaixo, nitidamente uma montagem, foi publicada unicamente pelo New York Times, jornal que apóia Kerry com unhas e dentes:

De acordo com snopes.com ela é totalmente falsa e é a montagem de duas outras (abaixo), separadas no tempo e no espaço, mostradas abaixo. O fato do NYT reconhecer a falsidade e pedir desculpas, e esta montagem estar servindo às mil maravilhas para a propaganda Democrata, não nos permite suspeitar que tenha sido uma “armação” da campanha de Kerry?

Em vista disso tudo, a organização “Vietnam Veterans Against John Kerry” (Veteranos do Vietnã contra John Kerry)  já elegeu seu cartaz principal: