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Notícias de Jornal Velho: treinamento de guerrilha em Cuba

Por Carlos I.S. Azambuja em 03 de fevereiro de 2005 (*)

Resumo:
Durante mais de um década 250 militantes da luta armada no Brasil receberam treinamento de guerrilha em Cuba.

© 2005 MidiaSemMascara.org

“Em vez de comandar uma coluna guerrilheira, o grande sonho de minha vida, vou ter que comandar uma coluna de carros oficiais em Brasília”. (José Dirceu, por ocasião de um Seminário do PT dias 15 e 16 de abril de 1989). Durante 13 anos (1961-1974), aproximadamente 300 militantes da luta armada no Brasil receberam treinamento de guerrilha em Cuba e na China (em números redondos, 250 em Cuba e 50 na China). Os que sobreviveram foram anistiados e estão sendo recompensados financeiramente. Recompensados por terem sido derrotados na luta para instaurar no Brasil uma
democracia popular, seqüestrando, matando, assaltando e “justiçando” alguns de seus próprios companheiros e até militares estrangeiros, como o Major do Exército da então Alemanha Ocidental, Edward Von Westernhagen, em 1 de julho de 1968, no Rio, o Capitão do Exército norte-americano Charles Rodney Chandler, em São Paulo, em 12 de outubro de 1968, e o Marinheiro inglês David Cuthberg, no Rio, em 5 de fevereiro de 1972. Os dois primeiros, observem, antes da assinatura do Ato Institucional nº 5. Isso é um paradoxo! Militantes das Ligas Camponesas, ainda antes de 1964, e do Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR), em 1965 e 1966 e mais tarde, até 1974, da Ação Libertadora Nacional (ALN) – organização na qual os cubanos mais apostavam -, da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR8) e do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) receberam treinamento de guerrilha em Cuba. E militantes do Partido Comunista do Brasil (PC do B) e da Ação Popular (AP), freqüentaram a Academia Militar de Pequim nos anos de 1965 e 1966. É interessante e altamente instrutivo conhecer a opinião de alguns militantes treinados em Cuba:  
Maria Augusta Carneiro Ribeiro (“Natacha”, “Márcia”, “Renata”, “Sofia
), militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), que integrou o grupo de banidos em setembro de 1969, em troca da liberdade do embaixador dos EUA no Brasil, seqüestrado no Rio de Janeiro pelo MR8, conta que 20 dias depois de os banidos chegarem ao México, veio o convite, através de enviados do governo cubano, para treinarem em Cuba, quando, então, assumiriam um compromisso com Fidel Castro: “
Faríamos toda a propaganda anti-americana que ele queria e em troca, ele nos daria apoio para treinar, viver lá e voltar” (livro “Exílio: entre Raízes e Radares”, de Denise Rolemberg, 1999).

Em Havana, os militantes recebiam pseudônimos, documentos e eram instalados em aparelhos. Embora tivessem liberdade de circular pela cidade, não eram estimulados a entrar em contato com a população, segundo as orientações recebidas, por questões de segurança. Os militares cubanos os agruparam em turmas de aproximadamente 12 pessoas, de acordo com a organização a que pertenciam. Primeiro, era ministrado um Curso de Explosivos com um mês de duração, em um quartel na província de Havana, onde passavam a semana. Aí, aprendiam fórmulas, a montagem e a desmontagem de explosivos. Em seguida, iniciavam o Curso de Tiro ao Alvo e de Manipulação de Pistolas e Fuzis, que consistia em montá-los e desmontá-los com os olhos abertos e, depois, fechados.

Por fim, as turmas eram conduzidas para o interior do país, onde passavam cerca de 8 meses, no treinamento propriamente dito de guerrilha rural. Os militares cubanos cuidavam da preparação física dos militantes, davam aulas de tática e de cartografia, simulavam emboscadas, promoviam marchas e exercícios de tiro e de sobrevivência na mata.

Embora isso fosse levado muito a sério pelos integrantes de todas as organizações, as condições de treinamento que, supostamente, os colocariam no ambiente e nas situações de uma guerra de guerrilha foram considerados decepcionantes e despertaram críticas de vários militantes:

“Nós fomos para lá acreditando que íamos encontrar um treinamento que nos desse as condições próximas às que teríamos na guerrilha rural no Brasil. Mas nada disso ocorreu. Nós ficamos num barracão de madeira, onde havia uma cama para cada um; uma coisa rudimentar, mas havia. As refeições eram todas servidas por caminhões do Exército. Até para tomar banho tinha um cano… era um acampamento! Nós protestamos contra isso. Tentamos ganhar os cubanos para o fato de que nós queríamos dormir no mato todos os dias, por mais que isso fosse terrível. Porque aquilo ali era uma brincadeira. O próprio Zé Dirceu dizia que o treinamento era um teatrinho de guerrilha e o pior, um vestibular para o cemitério”
(Daniel Aarão Reis, “Exílio, Entre Raízes e Radares. Denise Rolemberg, 1999).

  Embora bem-intencionados, os instrutores eram primários do ponto de vista teórico e político. Longe da realidade que encontrariam na guerrilha, até as marchas eram feitas em trilhas. Apenas uma vez foi realizado um exercício com a duração de 24 horas, procurando se aproximar das condições reais: a chamada marcha da sobrevivência. Na ocasião, deixava-se o acampamento com as mochilas vazias e era preciso comer frutas, caçar, pegar água nos riachos, dormir ao relento:
“Esse dia foi realmente terrível. Se a gente tivesse feito todo o treinamento nessa base, de duas uma: ou a gente não teria agüentado ou teria realmente adquirido uma certa familiaridade com aspectos sérios de uma guerrilha rural”. (Daniel Aarão Reis, “Exílio: Entre Raízes e Radares”). Militantes do MR8 acabaram convencendo a direção de que o treinamento era dispensável, decidindo que os banidos que haviam chegado ao Chile em janeiro de 1971 não o fariam, causando-lhes enorme decepção. “
A gente achava que não valia a pena, que era perda de tempo e consolidou a linha de que o treinamento sério seria montar sítios no Brasil, onde as pessoas ficariam 6 meses de mão na enxada (…) Aquele treinamento, na melhor das hipóteses, dava uma visão crítica do foquismo cubano; na pior, dava a ilusão de que você sabia fazer a guerrilha rural”. (Daniel Aarão Reis, “Exílio
…”). Mas nem todas as organizações brasileiras interpretaram dessa forma a experiência. Prevalecia uma mitificação de Cuba, que as levava a assumir uma atitude subserviente e acrítica em relação aos militares cubanos. Valorizando o treinamento, os militantes valorizavam a si mesmos e a organização à qual pertenciam.

Para os brasileiros, em geral, originários da classe média urbana, que sequer haviam servido o Exército, o treinamento representou um enorme esforço, mesmo levando em conta sua artificialidade. Poucos conseguiam se sair bem dos exercícios e suportar o desgaste físico: “Me lembro que teve um exercício de derrubar árvores com um machado. Nos primeiros 50 golpes que eu dei brotaram logo bolhas enormes em minhas mãos”, conta Daniel Aarão Reis. Vera Silvia Araújo Magalhães fala do treinamento como “um esforço dilacerante, uma barra-pesada psicológica, e uma tensão que tornava a vida um tormento”. Maria Augusta Carneiro Ribeiro encarava esses exercícios como “um pesadelo e uma exaustão física permanente, um horror, um sofrimento”. (livro “Exílio…”).

Ao final do treinamento os militantes saiam do país com documentos preparados em Cuba ou na Argélia ou então, conseguidos por simpatizantes na Europa, ou seja, roubados em festas ou onde fosse possível. No horizonte, entrar no Brasil e dar continuidade à luta. A maior parte desses guerrilheiros treinados em Cuba e que conseguiram voltar, morreram em combates de rua. Os Órgãos de Inteligência possuíam informações sobre essas pessoas, conseguidas através dos depoimentos dos que eram presos ou fornecidas por aqueles que decidiram mudar de lado. O caso mais conhecido foi o do “Grupo Primavera”, ou “Molipo”, ou “Grupo dos 28”, saído da ALN, que foi dizimado, restando apenas quatro sobreviventes, entre os quais José Dirceu, que embora tenha sido aquinhoado pelos cubanos, com o grau de “comandante” (“Comandante Daniel”), regressou ao Brasil clandestinamente, com outro nome e homiziou-se numa cidade no Sul do país, não tendo participado de nenhum combate de rua, como fizeram seus companheiros mortos.

O testemunho de Maria Augusta Carneiro Ribeiro dá uma idéia do que significava, naquele contexto, a possibilidade da morte: o fato de pertencer a uma organização de vanguarda dava um sentido à vida e ao futuro e “não importava se esse futuro era morrer”. Achava que morreria ao voltar o que não a afastava desse objetivo: Segundo ela, “não era uma coisa prazerosa, mas muito lógica. Queria viver, mas era mais importante o papel que estavam me dando. Eu aceitava e achava que era correto”. Além disso, sentia-se em dívida com a Organização, por ter sido libertada através de uma ação de seqüestro. 

Antes de regressar ao Brasil, Maria Augusta submeteu-se a uma cirurgia dentária, na Itália, objetivando mudar a fisionomia a fim de dificultar sua identificação no Brasil. No atual governo, foi nomeada para o cargo de “Ouvidora da Petrobrás”.

A ineficiência do treinamento oferecido pelos cubanos foi evidente, até mesmo para militantes completamente envolvidos pelo projeto da guerrilha. Talvez sua função fosse menos a de preparar guerrilheiros para uma luta, onde as condições e os recursos do inimigo eram tão desiguais mas, como interpretou Vera Silvia Araújo de Magalhães, a de compor “uma mitificação dos militantes, com uma verdadeira identificação a super-heróis”. Correspondia, portanto, à idealização do guerrilheiro voluntarista, cuja disposição seria capaz de mudar o mundo. Neste sentido, talvez o treinamento fosse justificado mas, talvez por isso tornou-se, na realidade, “um estímulo a um delírio” e “um vestibular para o cemitério”.

No caso dos militantes do MR8, eles partiam de Cuba para a Argélia em uma rota que passava pela Checoslováquia e por Moscou. Depois de um certo tempo na Argélia, onde a organização possuía uma base, iriam para o Chile e daí para o Brasil. No entanto, nos primeiros anos da década de 70, antes de chegarem ao Chile a situação já havia mudado consideravelmente: as organizações haviam sido desmanteladas pela chamada repressão e, em Santiago, a deposição de Allende anunciava um outro momento.

Nesse sentido, a próxima estação não seria o Brasil, mas o mundo.

José Anselmo dos Santos (cabo Anselmo”, Augusto”, ”Daniel”, ”Paulo”, ”Renato”, ”Sergio”), em documento por ele próprio redigido, diz ter viajado para Cuba, com outros cinco ex-marinheiros, em 1967, onde receberam treinamento de guerrilha urbana e rural. Todos ficaram em Cuba até fins de 1970.



“Nos cursos de treinamento para atuar como guerrilheiro urbano, além do manuseio de armas curtas, é feito um ensaio permanente para criar hábitos de segurança no local de habitação, nos movimentos diários, em casa e na rua, e mesmo nos momentos de vigília.


Esconderijos

disfarçados nas paredes, nos pisos e nos móveis para conter documentos ou objetos comprometedores. Sinais nas fechaduras, portas da casa, portas de armários, malas, gavetas, para indicar se durante a ausência algum terceiro havia penetrado, visto ou aberto. Em alguns casos, os locais de habitação ou esconderijos domésticos devem estar minados com artefatos explosivos ou incendiários, de tal maneira que se um terceiro abre uma porta ou mala, fecha um circuito que alimenta uma explosão.

Para

estar seguro, um indivíduo na clandestinidade deve desconfiar dos mais insignificantes acontecimentos que não possa explicar na sua vida de relacionamento com outras pessoas. Deve desconfiar de qualquer referência à polícia ou à política. Deve desconfiar de qualquer comentário relativo ao terrorismo. Deve desconfiar de qualquer pessoa que faça perguntas, sejam elas de que tipo for, até mesmo a informação mais banal. Para movimentar-se na rua deve, antes, certificar-se se, à saída de casa, se não está sendo seguido. Para tanto, existem regras: nunca deve tomar o primeiro coletivo e deve fazer uma série de verificações, voltas, checagens e contra-checagens antes de chegar ao local de destino. E com maior cuidado ainda deve proceder quando da volta para casa.


Se vai a um cinema, o que não é aconselhável, deve escolher um assento depois de bem estudar as saídas, a fim de escapar em caso de perseguição.


No local de residência essa medida começa no momento da escolha. Pelo menos os 500 metros de circunferência devem estar bem estudados; os quintais, as ruas, as vielas, as janelas e até mesmo os cachorros.


O dia-a-dia é uma tensão constante. Insuportável, pelo cálculo frio que exige uma situação permanente de fuga. As três regras que os instrutores cubanos aconselham: desconfiança constante; vigilância constante; movimentação constante, no caso de uma guerrilha rural. No caso da cidade, nunca viver mais de 3 meses num único local, e passar os dias vagando, “conhecendo o terreno”. Na impossibilidade de uma vida legal, considerando a estrutura social como “inimigo que deve ser destruído a qualquer custo”, qualquer notícia de caráter oficial tem o peso de uma bofetada. Qualquer notícia ligada à Segurança Nacional vale como uma pressão psicológica e os cuidados se redobram. A amizade e o afeto são perigos que devem ser constantemente combatidos. A beleza deve ser desprezada, a moral social combatida e desvirtuada, e os hábitos de diversão pequeno-burgueses, execrados”.
Prossegue o
“Cabo” Anselmo:
“Em Pinar del Rio, o grupo composto por seis ex-marinheiros nicaraguenses, peruanos, equatorianos e portugueses, passamos a receber treinamento, ler e discutir o livro de Regis Debray “Revolução na Revolução”, cujas páginas abriam uma divergência de grandes proporções no Movimento Comunista Internacional, já que, sem grande profundidade de análise, Debray negava violentamente os principais dogmas leninistas e maoístas. Os velhos comunistas que se autodenominavam marxistas-leninistas não podiam ser dirigentes, vanguardas, em qualquer país latino-americano, uma vez que, habituados nas cidades, não serviam para as selvas e montanhas. Ademais, não era necessária para um guerrilheiro uma perfeita educação marxista-leninista.  
Segundo
Mao-Tsetung, o Partido deveria dirigir o fuzil. Para os professores cubanos, o grupo guerrilheiro já era o Partido, substituindo as velhas estruturas burocráticas dos partidos comunistas tradicionais, seguidores da URSS e da China.
Aprendemos a montar e desmontar fuzis soviéticos e outros. Cada aprendiz disparou milhares de tiros com fuzis, metralhadoras, bazukas de fabricação norte-americana, chinesa, soviética, canhões, revólveres e pistolas. Foi-nos ensinado como montar bombas agressivas e incendiárias. Aprendemos a fazer cálculos para colocar cargas explosivas para destruir pontes, esburacar rodovias, tombar árvores, partir trilhos de ferrovias ou fazer um veículo voar pelos ares. Entramos em intimidade com uma série de recursos e dispositivos da indústria militar e outros de preparação rudimentar provocadores de explosões manuais, elétricas ou retardadas. Conhecemos que a sabotagem urbana, com o objetivo de desorganizar, atrasar e fazer entrar em colapso a produção e a economia, pode assumir variedades incríveis: congestionamento de trânsito provocado; explosão de tanques de gasolina dos autos e conseqüente incêndio de maneira rápida e fácil; rompimento premeditado de aparelhos telefônicos públicos e outros veículos de utilidade pública; depredação de instalações nos locais de diversão pública; paralisação no fornecimento de energia elétrica e outras variedades, todas visando a insatisfação, o mal-estar público, criando assim um clima favorável ao proselitismo e à crítica orientada para a desmoralização dos responsáveis pela máquina administrativa. 


Outra

sistemática utilizada como arma para criar pânico e também para testar dispositivos de segurança são os telefonemas anônimos anunciando bombas colocadas em aviões, locais públicos, embaixadas e consulados, repartições. Mesmo que tais bombas não existam, mobilizam-se corpos policiais, bombeiros e desviam-se pessoas de suas atividades rotineiras num estado psicológico de medo. E se os trabalhadores nas indústrias e serviços, os administradores de empresas internacionais, o pessoal do serviço público, chega a sentir-se inseguro para o cumprimento de suas tarefas, a desmobilização da administração nacional é conseqüente.


Aprende-se a colocar minas no terreno e a escolher locais e distribuir os homens para uma emboscada, cada um com sua tarefa específica. O restante do tempo divide-se em aprender noções de orientação, balística, cálculo de distâncias, distinção de sons noturnos, segurança e guarda nos acampamentos, construção de depósitos de suprimentos e munição, defesa pessoal e táticas de guerrilhas”.

Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz  (“Clemente”, “Quelé”, “Guilherme”), o último dos
comandantes da Ação Libertadora Nacional (assumiu após a morte de Joaquim Câmara Ferreira (“
Toledo”, morto em São Paulo em 23 de outubro de 1970). Participou de assaltos, assassinatos e do
justiçamento de um companheiro. Nesse
justiçamento, o de Marcio Leite Toledo, ele integrou o
Tribunal Revolucionário que o condenou e foi um dos que cumpriram a
sentença, integrando o grupo que assassinou o companheiro, na rua Caçapava, em São Paulo, em 23 de março de 1971. 

A respeito desse episódio recordamos a definição de “Inimigo de Classe” dada por Jorge Semprum (prisioneiro, por 2 anos, do campo de concentração nazista de Buchenwald, de onde foi libertado ao final da guerra; foi expulso do Comitê Central do Partido Comunista Espanhol em 1965 por defender uma linha reformista; de 1988 a 1991 foi ministro da Cultura da Espanha; autor de vários livros): “Não é, de fato, somente quando um comunista se torna agente do ‘inimigo de classe’ que seus camaradas decidem expulsá-lo ou até mesmo executá-lo. É também quando ele se torna agente de si mesmo, ator e não mais somente instrumento da razão-do-partido, do espírito-do-partido. É quando ele decide tornar-se o indivíduo singular, um ser bastante louco, bastante irrresponsável por querer marcar a história do movimento comunista com sua iniciativa pessoal. Mas ele só marcará essa história com o exemplo de sua punição exemplar, com a iniciativa da aceitação, abjeta e ao mesmo tempo gloriosa, dessa punição, em benefício da honra histórica da revolução”. (livro A Montanha Branca”).

Nesse sentido, Marcio Leite Toledo tornou-se agente de si mesmo e foi executado em benefício da honra histórica da revolução.

Em dezembro de 1972, “Clemente” abandonou seus comandados e fugiu para o Chile. E daí, no ano seguinte, para Cuba. 

Em seu livro “Nas Trilhas da ALN”, editora Bertrand Brasil, 1997, “Clemente” traça um quadro contundente dos cursos a que eram submetidos os latino-americanos na ilha da liberdade:

“A interferência deles (dos cubanos) já nos custaram caro demais; a volta dos companheiros do MLP (MOLIPO) sem nossa autorização foi um desastre, 18 mortos e mais tantos presos… e tudo por uma rasteira política de infiltração, querendo influenciar nosso movimento de dentro, para adequar nossa política às necessidades deles. (…) Entendo que militantes nossos, afastados da realidade brasileira e querendo voltar para lutar, questionem a Coordenação Nacional, fundem uma corrente ou saiam da Organização, mas os cubanos não tinham o direito de autorizar a saída deles do país sem nos comunicar, quando havia meios para isso. Cederam os esquemas, promoveram a volta e ajudaram a convencer combatentes que tinham dúvidas. Chegaram a São Paulo procurando militantes queimados, usando esquemas já abandonados por falta de segurança, aparelhos que não mais existiam, despreparados e desinformados dos avanços da repressão. Achavam que não autorizávamos suas voltas para não perdermos o comando da Organização. Infelizmente, sentiram na pele que estávamos cercados, fazendo ações de sobrevivência, assaltando bancos e supermercados na véspera do vencimento de aluguéis, e tentando não desaparecer. (…) O que me revolta é que caíram como moscas, e hoje ninguém assume suas responsabilidades (fls 78 e 79).


No curso de Estado-Maior, em Cuba, esmiúço a história da revolução cubana e constato evidentes contradições entre o real e a versão divulgada América Latina afora (…) Muitas ilusões foram estimuladas em nossa juventude pelo mito do punhado de barbudos que, graças ao domínio de táticas guerrilheiras e à vontade inquebrantável de seus líderes, tomou o poder numa ilha localizada a noventa milhas náuticas de Miami. Balelas, falsificações (…) O poder socialista instituiu a censura, impediu a livre circulação de idéias e impôs a versão oficial. Os textos encontrados sobre a revolução cubana são meros panfletos de propaganda ou relatos factuais, carentes de honestidade e aprofundamento teórico (…).


A ameaça iminente de agressões facilitou a militarização do país. Milícias Populares e Comitês de Defesa da Revolução formam uma teia considerável que abastecem o S2 de informações sobre posições políticas, atitudes sociais e escolhas sexuais dos cidadãos (…) O Partido Comunista é o único permitido, e em seus postos importantes reinam os combatentes de Sierra Maestra ou gente de sua confiança, em detrimento dos quadros oriundos do movimento operário e do extinto Partido Socialista Popular, representante em Cuba do Movimento Comunista Internacional e aliado da União Soviética.


Os contatos com as organizações de luta armada são feitos através do S2, conseqüência esperada das deturpações do regime. A revolução na América Latina não seria uma questão política e sim, usando as palavras do caricato “Totem”
(NOTA: codinome atribuído ao general Arnaldo Uchoa, comandante do Exército em Havana em 1973. “
Totem” lutou na Venezuela e Angola e esteve no Chile durante o governo Allende. No final dos anos 80 foi condenado à morte e fuzilado, sob a acusação de envolvimento com o narcotráfico),
“de mandar bala”. Nos relacionamos com agentes secretos (…) Eles tentam influenciar na escolha de nossos comandantes, fortalecem uns companheiros em detrimento de outros; isolam alguns para criar uma situação de dependência psicológica que facilite a aproximação; influenciam o recrutamento; alimentam melhor os que aderem à sua linha e fornecem informações da Organização; concedem status que vão desde a localização e qualidade da moradia à presença em palanques nos atos oficiais; não respeitam nossas questões políticas e desconsideram nosso direito à autodeterminação (…)
Fabiano” (referência a Carlos Marighela)
negociou com os cubanos de igual para igual, mas “Diogo” (referência a Joaquim Câmara Ferreira)
concedeu demais. Sentiu-se enfraquecido pelas quedas em São Paulo que culminaram na morte do nosso líder, e permitiu algumas ingerências nas escolhas de quadros para a volta e os postos que ocupariam na Organização. No Brasil, recebemos com espanto a volta de um comandante indicado pelos cubanos e aceito por Diogo. O episódio não chegou a ter maiores conseqüências, pois o comandante desertou no caminho e foi morar na Europa” (fls 178 a 181). (referência ao “
comandante
Raul”, Washington Adalberto Mastrocinque Martins,
escalado pelos cubanos para ser o comandante da Coluna guerrilheira, na
Área
Estratégica, no Bico do Papagaio, que desertou no caminho de volta ao Brasil e viveu na Europa até a Anistia). Depois de meses de reuniões de autocrítica, entre “
Clemente” e o que restava da ALN, em Cuba, ainda fazendo cursos, todos decidiram, por unanimidade, abandonar a luta armada. Muitos voltaram ao partido do qual haviam saído, o PCB e outros, como “
Clemente”, optaram por abandonar a luta armada. A montanha de mortos fora em vão.   (*)Carlos I. S. Azambuja é historiador.

O minimanual do guerrilheiro urbano

Resumo: Carlos Azambuja analisa o conteúdo de um dos “guias” do terrorismo urbano ao longo da década de 1960: O Minimanual do Guerrilheiro Urbano,  verdadeira “bíblia” do terror comunista latino-americano.

© 2004 MidiaSemMascara.org

É interessante conhecer alguns dos ensinamentos de CARLOS MARIGHELA expressos no Minimanual do Guerrilheiro Urbano, de sua autoria, editado em panfleto em junho de 1969 – ou seja, há 35 anos – e posteriormente traduzido no exterior para diversos idiomas e posto em prática por grupos guerrilheiros de diversos países. Carlos Marighela escreveu:

 A Guerra Psicológica

É uma técnica agressiva, baseada na utilização direta ou indireta dos meios de comunicação de massa e da notícia de boca em boca, no sentido de desmoralizar o governo. Este sempre leva desvantagem, pois impondo a censura aos meios de comunicação acaba arrastado a uma posição defensiva. Com isso, torna-se mais contraditório e desprestigiado, perdendo tempo e energia num controle dispendioso e enervante.

A Guerra Psicológica tem como objetivo desinformar, difundindo inverdades e meias verdades, o que todo mundo pode fazer, criando, assim, um ambiente de nervosismo, descrédito, insegurança, incerteza e intranqüilidade para o governo.

Pode-se, por exemplo:  – anunciar, por telefone ou correio, pistas falsas à polícia e ao governo, avisos sobre colocação de bombas e atos de terrorismo em repartições públicas e outros locais, ameaças de seqüestro e assassinatos, etc, desgastando as autoridades e mantendo-as ocupadas;  – fazer cair nas mãos da polícia planos falsos, desviando sua atenção;  – espalhar boatos, provocando inquietação no governo e na população;  – explorar, pelos mais variados meios, a corrupção, erros e deslizes do governo e seus representantes, obrigando-os a explicações pelos meios de comunicação de massa, por eles próprios postos sob censura;- Formular denúncias às embaixadas estrangeiras, à ONU, à Nunciatura Apostólica e às comissões internacionais de juristas, de defesa dos direitos humanos ou de liberdade de imprensa, apresentando casos concretos de violações e emprego da violência pela ditadura militar, e fazendo sentir que a guerra revolucionária prosseguirá, com graves danos para os inimigos do povo.

– Os Métodos de Conduzir as Ações

Os métodos revolucionários de conduzir as ações diferenciam o guerrilheiro urbano do marginal. Exigem, forçosa e obrigatoriamente a aprendizagem e o emprego dos seguintes elementos: pesquisas e informações; observação; reconhecimento e exploração do terreno; estudo e cronometragem dos horários e itinerários; planejamento; motorização do pessoal e revezamento; seleção da capacidade de fogo; estudo e meios de execução; cobertura; retirada; desova; resgate ou transbordo; eliminação de pistas; e resgate de feridos.

 Algumas Observações sobre o Método

Quando não existe informação, o ponto de partida para o planejamento da ação pode ser a pesquisa e a observação. Mesmo havendo informação, é necessário verificar o que foi informado.

Negligenciar o reconhecimento ou exploração do terreno e o estudo e cronometragem dos itinerários equivale a dar um salto no escuro.

A motorização não pode ser subestimada ou deixada para as vésperas da ação principal a ser executada. Deve ser encarada a sério, realizada com bastante antecedência, exigindo planejamento rigoroso. Começa pela informação, até ser consumada, com cuidado e precisão. A guarda, conservação, manutenção e descaracterização dos veículos expropriados são particularmente importantes. Falhando a motorização, fracassa a ação principal.

Na seleção do pessoal, evita-se a inclusão dos indecisos e vacilantes, que podem contaminar os demais participantes.

A retirada é tão ou mais importante que a operação em si, devendo ser rigorosamente planejada, mesmo para a hipótese de um fracasso.

O resgate deve ser feito com a maior naturalidade e sempre em terreno em cotovelo, ou níveis diferentes, ou ainda dependendo de passagens estreitas, que permitam a travessia a pé, a fim de evitar o encontro de dois carros. Evitar o resgate ou transbordo levando crianças ou fazendo qualquer coisa que desperte a atenção de pedestres. A obrigatória eliminação das pistas exige o máximo de cautela, visando encobrir sinais de dedos e outros indícios. A falta de cuidado trará o nervosismo às nossas fileiras, fator que o inimigo explora com freqüência.

– O Resgate de Feridos

É um problema que merece atenção especial. Em nenhuma hipótese um companheiro ferido deve ser abandonado em mãos do inimigo. Havendo no Grupo de Fogo alguém com conhecimento de primeiros socorros, eles devem ser aplicados imediatamente.

Devemos criar cursos de enfermagem para homens e mulheres, nos quais o guerrilheiro urbano seja matriculado.

Médicos, estudantes de Medicina, enfermeiros, farmacêuticos ou simples iniciados em socorros de urgência, são necessários para a luta revolucionária moderna. Um pequeno manual de primeiros socorros para o guerrilheiro urbano, mesmo mimeografado, deve ser também motivo de iniciativa de qualquer conhecedor do assunto.

A logística médica não pode ser esquecida no planejamento e execução da ação armada. Isso é resolvido por meio de uma clínica móvel ou motorizada, ou um posto volante montado em um automóvel. Outra solução é um enfermeiro aguardar com sua maleta de curativos em uma casa ou outro lugar, para onde será levado o ferido. O ideal será possuir uma clínica própria, bem montada, o que custa muito dinheiro, a não ser que utilizemos material expropriado.

Falhando os recursos apontados, muitas vezes necessitaremos recorrer a clínicas legais, empregando a mão armada, se for o caso, para obter o tratamento.

Na compra eventual de sangue ou plasma sangüíneo, ou quando recorrermos a hospitais ou casas de saúde, jamais fornecer endereços de quaisquer elementos comprometidos com o trabalho clandestino da organização. As casas onde ficarem os feridos só podem ser do conhecimento de reduzidíssimo número de companheiros incumbidos do transporte e do tratamento e acompanhamento. Panos sujos de sangue, medicamentos e outros indícios de tratamento de companheiros feridos, devem ser eliminados.

– A Segurança do Guerrilheiro

Vivendo em constante perigo, dada a possibilidade de sermos denunciados e descobertos, nosso principal problema de segurança é a garantia de estarmos bem escondidos e bem guardados, bem como que estejam assegurados os meios para impedir a vinda da polícia até onde nos encontremos.

O maior perigo que nos ameaça é a infiltração do espião ou delator de nossa organização. O que for apanhado será punido com a morte. O mesmo acontecerá aos desertores que revelarem à polícia o que sabem.

Cautela e severidade no recrutamento são fundamentais para evitar a infiltração e a obtenção de informações a nosso respeito.

Também não se deve permitir que todos conheçam todos, nem que todos conheçam tudo. Cada um só deve conhecer o que disser respeito ao seu trabalho. Esta é a regra fundamental do ABC de segurança.

É inadmissível que o guerrilheiro urbano forneça o seu ou outros endereços clandestinos ao inimigo, ou que fale demais.

Anotações nas margens de jornais, documentos esquecidos, cartões de visitas, cartas e bilhetes, são pistas que a polícia jamais despreza. Cadernetas de endereços e telefones têm que ser abolidas e não se deve escrever ou guardar papéis, evitando arquivos de nomes legais e ilegais, indicações biográficas, mapas, esquemas e planos. Pontos de encontro devem ser memorizados e não anotados.

O transgressor dessas regras deve ser advertido pelo primeiro que verificar a infração;  se prosseguir, devemos evitar trabalhar com ele.

A necessidade de nos movimentarmos constantemente e a relativa proximidade da polícia face ao cerco policial estratégico a que está submetida a cidade, levam-nos a adotar medidas de segurança variáveis, dependendo da movimentação do inimigo. Impõe-se um serviço de informações diário sobre as atividades ostensivas do inimigo, locais de batidas policiais, gargantas e pontos de estrangulamento que estão submetidos a vigilância. A leitura diária do noticiário policial dos jornais é, no caso, ótima fonte de informações.

O mais importante é jamais permitir na organização o menor sinal de afrouxamento nas medidas e regras de vigilância.

Também, e principalmente,  em caso de prisão, a segurança deve ser mantida. O guerrilheiro preso não pode revelar à polícia nada que prejudique a organização, que resulte na prisão de outros companheiros, na descoberta de endereços e esconderijos ou na queda de armas e munições.

– Os Sete Pecados do Guerrilheiro Urbano

1. A inexperiência. Ofuscado por esse pecado, julga o inimigo tolo, subestima sua inteligência, julga as coisas fáceis e, em conseqüência, deixa pistas que conduzem ao desastre. Pode também superestimar o inimigo, considerando-o mais poderoso do que realmente é, acabando por intimidar-se, permanecer inseguro e indeciso, amarrado e sem audácia;

2. Vangloriar-se de suas ações e alardeá-las aos quatro ventos;

3. Envaidecer-se, pretendendo, assim, resolver os problemas da revolução, desencadeando ações na cidade sem preocupação com o lançamento e a sobrevivência da guerrilha rural. Cego pelos êxitos obtidos, acaba organizando uma ação que considera decisiva e na qual joga todas as forças da organização. Como a cidade é a área do cerco estratégico, que não podemos evitar ou romper enquanto a guerrilha rural não for desencadeada e estiver prestes a ser vitoriosa, sobrevém sempre o erro fatal, por onde será dado ao inimigo atacar-nos com golpes certeiros;

4. Exagerar suas forças e querer fazer aquilo que não tem condições e nem está à sua altura, por não possuir, ainda, uma infra-estrutura adequada;

5. Precipitação, perdendo a paciência e ficando nervoso, não esperando por nada e lançando-se intempestivamente às ações e sofrendo revezes inesperados;

6. Atacar o inimigo quando este está assanhado;

7. Não planejar as ações e agir na base da improvisação.

– O Apoio Popular

Para conquistá-lo, o guerrilheiro urbano deve identificar-se permanentemente com as questões populares.

Onde a atuação do governo se revelar inepta ou corrupta, não devemos vacilar em interferir a fim de mostrar que o combatemos, ganhando assim a simpatia popular.

A rebelião do guerrilheiro urbano e sua persistência em interceder nas questões populares são a melhor maneira de assegurar o apoio do povo à causa que defendemos.

Desde que uma parte razoável da população comece a levar a sério a ação do guerrilheiro urbano, seu sucesso estará garantido.

Para o governo não restará alternativa senão intensificar a repressão, com batidas policiais, invasão de lares, prisões de suspeitos e inocentes, barreiras em estradas, tornando a vida insuportável para os cidadãos.

Vendo os militares e a ditadura à beira do abismo e temendo pelas conseqüências da guerra revolucionária, já então num plano bastante avançado e irreversível, os apaziguadores, sempre existentes entre as classes dominantes, e os oportunistas de direita, partidários da luta pacífica, dar-se-ão as mãos e passarão a murmurar nos bastidores, implorando por eleições, democratização, reformas de cartas constitucionais e outros ingredientes destinados a enganar as massas, buscando fazer cessar o impacto revolucionário nas cidades e nas áreas rurais do país.

Já então, o povo começa a entender que é uma farsa votar em eleições, cujo único objetivo é garantir a continuidade da ditadura militar e dar cobertura a seus crimes.

Atacando em cheio a farsa de eleições e das chamadas aberturas políticas, o guerrilheiro urbano deve tornar-se mais agressivo e violento, recorrendo sem cessar à sabotagem,  terrorismo, assaltos, seqüestros, justiçamentos, etc.

Isso anulará qualquer pretensão de enganar as massas, uma vez que tanto o Parlamento como os partidos são chamados a funcionar por honra e graças de um alvará da ditadura militar, num autêntico espetáculo de cães amestrados.

O guerrilheiro urbano deve ter em vista a ação revolucionária em favor do povo, e com ela buscar a participação das massas na luta contra a ditadura militar e pela libertação do país do jugo dos EUA. Partindo da cidade e com o apoio do povo é que se chegará rapidamente à guerrilha rural, cuja infra-estrutura vai sendo montada cuidadosamente à medida que a área urbana mantém sua rebelião.

– A Guerrilha Urbana – Escola de Seleção do Guerrilheiro

A revolução é um fenômeno social que depende de homens, armas e recursos. Armas e recursos existem no país e podem ser tomados e manejados, mas para isso é necessário contar com os homens, pois sem eles nada tem sentido e valor. Os homens devem ter uma motivação político-revolucionária e possuir um preparo técnico adequado.

Entre os requisitos fundamentais e indispensáveis, o primeiro é encontrado entre o imenso e inconfundível contingente dos inimigos da ditadura militar e da dominação do imperialismo dos EUA. Tais homens afluem quase diariamente, e por isso é que a reação não para de anunciar que desbaratou grupos revolucionários, mas está sempre passando pelo dissabor de vê-los ressurgir das próprias cinzas.

Os homens melhor treinados, mais experientes e dedicados da guerrilha urbana e, simultaneamente, da guerrilha rural, constituem a espinha dorsal da guerra revolucionária. Dessa espinha dorsal surgirá o cerne do Exército Revolucionário de Libertação Nacional, oriundo da guerrilha.   

Esse é um resumo do Minimanual do Guerrilheiro Urbano.

Deve ser assinalado que, quando, de fato, irrompeu a guerrilha urbana, em meados dos anos 60, logo após a Revolução de Março de 1964, com alguns quadros das diferentes Organizações já treinados no exterior e dispostos à luta, as Forças Armadas e seus Órgãos de Inteligência, chamados para combatê-los, não possuíam experiência nesse tipo de guerra, uma guerra não convencional. Dessa forma, as táticas e estratégias foram sendo improvisadas de conformidade com as ações empreendidas pelo inimigo.

Dessa forma, erros foram cometidos, vidas preciosas foram perdidas e carreiras foram abreviadas, mas as guerrilhas urbana e rural, os seqüestros de diplomatas e de aviões comerciais, os “justiçamentos”, os assaltos a bancos e a estabelecimentos comerciais, foram erradicados num espaço de tempo relativamente curto, muito embora muitas pessoas, mal informadas ou desinformadas, hoje, desdenhem essa verdade.

As ações levadas a efeito pelas organizações guerrilheiras, além do elemento surpresa, primavam pela rapidez e violência. Não titubeavam  em utilizar suas armas contra quem quer que fosse. Nesse contexto, muitos inocentes tombaram.

Os Serviços de Inteligência militares desempenharam um papel relevante no levantamento e identificação dos militantes e das estruturas das Organizações terroristas, seus fatores de força e suas mazelas interiores, através, fundamentalmente, de agentes infiltrados e desertores desencantados com a progressiva transformação dessas Organizações em grupos de marginais.

Os desertores recrutados, aliás, tiveram um papel fundamental que ainda não foi escrito em seu todo e está para ser reconhecido. Todos, ou a grande maioria, tiveram suas identidades preservadas, conforme os acordos de cavalheiros que presidiam os entendimentos. A maioria deles está aí, incólume e sem traumas. Alguns, de certa forma, ainda continuam militantes.

A imprensa, em geral, segmento que nunca esteve imune à infiltração da esquerda revolucionária, no início das hostilidades, nos anos 60, teve um papel preponderante em favor da guerrilha urbana, com a divulgação, muitas vezes distorcida, de suas ações, tidas como de propaganda armada, até que, em dezembro de 1968, com a censura imposta pelo Ato Institucional nº 5, esse fator de força foi tirado à guerrilha.

Por divergências entre suas lideranças quanto às táticas, ou seja, às formas de conduzir a revolução, nunca, a não ser no início do ano de 1973 (ainda que precariamente), quando a derrota já se configurava  como inevitável, nunca – repetimos – as Organizações de luta armada conseguiram promover uma aliança estável e atuar coordenadamente. Houve casos em que o mesmo alvo era objeto de assalto simultâneo por mais de uma Organização.

Devido a esse fato, tornou-se relativamente menos difícil combatê-las. Todavia não foi fácil neutralizá-las. Isso exigiu sacrifício e abnegação de um punhado de militares, e também civis, que, hoje, são alvos de uma campanha revanchista, por parte de grupos, nacionais e estrangeiros, preocupados em defender os direitos humanos dos terroristas de então, hoje anistiados e indenizados. Muitos com cargos no governo.

Os nomes mais de 100 vítimas da subversão e do terrorismo aloprado não são recordados e tampouco suas famílias, que nada pediram ou pedem, foram indenizadas.

Conhecer o inimigo, sua organização, estrutura e identidades de seus membros são tarefas dos Serviços da Inteligência. O conhecimento antecipado de todas as nuanças de uma Organização terrorista poupa vidas e é mais econômico e menos doloroso se utilizados agentes infiltrados ou se promovido o recrutamento de militantes desencantados. Esta, todavia, não é uma tarefa para principiantes. Mas foi utilizada, com êxito, maior ou menor, por todos os Órgãos de Inteligência que, constitucionalmente, cumprindo decisão política de um governo legítimo, viram-se empenhados no combate à violência armada.

A História registra que Napoleão Bonaparte teria dito que “um espião implantado nos centros de decisão do inimigo, equivale a um Exército de 100 mil homens”. Essa afirmação não está longe da verdade. Recordemos que na 2ª Guerra Mundial, Richard Sorge, personagem do livro “O Espião que Abalou o III Reich”, infiltrado junto à alta cúpula das nações do Eixo, obteve informações de valor inestimável que, fornecidas aos soviéticos, mudaram o curso da guerra no Leste Europeu.

O combate  e o desmantelamento das Organizações voltadas para a violência armada no Brasil, adeptas da linha cubana consubstanciada na implantação de “focos guerrilheiros”, ou da linha chinesa, de “guerra popular prolongada”, foi concluído em meados de 1974, com a erradicação final da chamada Guerrilha do Araguaia, um projeto do PC do B, apoiado pela China e pela Albânia.

Anteriormente, no início dos anos 70, projetos semelhantes, porém em estágios ainda embrionários, da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares e do Partido Revolucionário dos Trabalhadores – uma cisão na Ação Popular -, em áreas próximas ao Araguaia, haviam sido também desmantelados numa operação denominada “Operação Mesopotâmia”.

Paralelamente ao combate prioritário às organizações voltadas para a violência armada, os Órgãos de Inteligência nunca deixaram de acompanhar as atividades desenvolvidas por grupos trotskistas e por partidos marxistas-leninistas ortodoxos, não inseridos na violência armada, mas com atividades altamente deletérias.

Essas Organizações e partidos vieram a ser também desmantelados – em um menor espaço de tempo, graças à experiência adquirida pela chamada repressão – tão logo concluída a fase de erradicação das guerrilhas rural e urbana. Afinal, esses partidos e grupos haviam sido o grande celeiro onde foram formados no be-a-bá da doutrina científica aqueles jovens que, radicalizados, optaram pela violência revolucionária.

True Lies

É difícil traduzir true lies para o Português. Talvez a melhor seja mentiras embutidas numa verdade, por sua vez também embutida noutras mentiras. Mentiras com algum fundo verdadeiro que, sendo gradualmente administradas, entorpecem a mente de tal modo que a maioria acaba acreditando.

Experimentem colocar uma rã numa panela comágua fervendo. Ela vai pular fora e se safar! Agora, coloquem a mesma rã em água fria e aqueçam lentamente. A rã vai gostar, a mudança gradual de temperatura vai entorpece-la, e quando ferver, ela já não poderá saltar porque estará morta.

É difícil traduzir true lies para o Português. Talvez a melhor seja mentiras embutidas numa verdade, por sua vez também embutida noutras mentiras. E é disto que tratarei aqui: de mentiras com algum fundo verdadeiro que, sendo gradualmente administradas, entorpecem a mente de tal modo que a maioria acaba acreditando. Se fossem mentiras abertas, ou ditas de chofre, seriam rejeitadas, tal como fez a rã. Mas quem não se deixa entorpecer e enxerga a verdade por trás de tanto mascaramento, percebe que o que ocorre hoje no mundo é o resultado de uma estratégia de domínio mundial, é logo tido como paranóico. Por esta razão, este artigo contém inúmeras referências de fontes.

Limitar-me-ei, por ora, a uma das maiores mentiras que vem sendo administrada de forma gradual e eficientíssima na mente das pessoas: a da necessidade de um Governo Mundial que assegure a eterna Paz entre os homens, do qual a Organização das Nações Unidas já seria o embrião. Esta seria a verdadeira globalização, mas enquanto isto se lança a idéia oposta: de que a globalização seria do interesse dos Estados Unidos da América. Esta é uma das mais eficientes estratégias de dissimulação. Lança-se um projeto, atribui-se o mesmo ao inimigo como coisa do demônio e, enquanto ele é combatido, instala-se aquilo mesmo que se finge combater.

A idéia inicial data de 1931 e tem sua origem na Escola Lênin de Guerra Política, de Moscou, onde se ensinava: “A guerra de morte entre comunismo e capitalismo é inevitável. Hoje, certamente, não estamos suficientemente fortes. Nosso tempo chegará em 20 ou 30 anos. Para vencer, precisamos do elemento surpresa, a burguesia deverá ser amortecida, anestesiada, por um falso senso de segurança. Um dia, começaremos a espalhar o mais teatral movimento pacifista que o mundo já viu. Faremos inacreditáveis concessões. Os países capitalistas, estúpidos e decadentes….cairão na armadilha oferecida pela possibilidade de fazer novos amigos e mercados, e cooperarão na sua própria destruição” (1). Posteriormente, esta ofensiva pela “paz” contaria com a encomenda de Stalin a Picasso de um símbolo, que resultou na famosa pomba branca com ramo de oliveira. Foi também por inspiração de Stalin que Picasso forjou uma das maiores fraudes artísticas do século XX, ao trocar o nome de quadro já pronto, La Muerte del Toro, para Guernica, após a destruição desta cidade pela Luftwafe.

Dois anos depois é lançado o primeiro “Manifesto Humanista” apelando para uma síntese de todas as religiões e uma ordem econômica de “cooperação social” (2). Em 1939 H G Wells, um autor de ficção científica obcecado por idéias místicas orientalistas, lança New World Order onde defende que a maior doença da humanidade é o individualismo nacionalista e advoga uma nova ordem de “democracias socialistas”. A brochura é publicada pela Carnegie Endowment for Peace, braço da Carnegie Foundation. O mesmo Wells publicará Open Conspiracy, (3) onde traça a estratégia de uma conspiração mundial. Mais tarde publicará The Shape of Things to Come: A Prophetic Vision of the Future (4), onde, após avaliar o estado mundial de então, mostra um governo mundial já estabelecido que exerce o poder ditatorial.

Em 1948 a National Education Association, fundada e financiada pela Carnegie Corporation, lança o que seria a base para todas as discussões posteriores:

“Fica bem estabelecida a idéia de que a preservação da paz e da ordem internacionais requer o uso da força para compelir uma nação a conduzir seus procedimentos e interesses dentro de um quadro estabelecido por um sistema mundial. A expressão mais moderna desta doutrina de segurança coletiva é a Carta das Nações Unidas. (…) Muitos acreditam que uma paz duradoura jamais será conseguida enquanto o mundo continuar constituído do atual sistema de estados-nações. Este é um sistema de anarquia internacional”. (5)

No mesmo ano o psicólogo comportamental B F Skinner, propõe (6) uma “sociedade perfeita” na qual “as crianças serão educadas pelo Estado, não por seus pais, e serão treinadas desde o nascimento para demonstrar somente os comportamentos e características desejáveis”. Suas idéias passaram a ser implantadas nas escolas americanas. Já em 1931, outro obcecado por ocultismo oriental, Aldous Huxley, (7) lançara Brave New World onde tais idéias era levadas ao extremo, talvez até servindo de inspiração a Skinner. Jamais a engenharia social tinha sido levada a tais extremos (*). Na mesma linha a Associação para Supervisão e Desenvolvimento dos Currículos Escolares (ASCD), publica To Nurture Humaneness: Commitments for the 70’s“, onde se defende que “os controles sociais não podem ser deixados à própria sorte e a mudanças não planejadas – usualmente atribuídas a Deus! (8) “Muitas das decisões que hoje são tomadas pelos indivíduos, em breve serão tomadas por outros em seu nome”! (9).

O mais surpreendente é que em 1985 o Departamento de Estado dá à Carnegie Corporation “autoridade para negociar com a Academia de Ciências da União Soviética (conhecida como um ramo da KGB) no sentido de desenvolver novos currículos e re-estruturar a educação Americana!” (10).

Em 1999 é lançado o “Manifesto 2000” (11), terceira versão do Manifesto Humanista. Em seu item III são lançadas as bases para substituir todas as religiões por um certo “naturalismo científico” com o abandono de todas as idéias metafísicas ou teológicas, mas baseado exclusivamente nas ciências. No item VIII a, “Nova Agenda Global”, inclui “igualdade, estabilidade, alívio da pobreza, redução dos conflitos e salvaguardas para o meio ambiente”. O mais importante é o item IX (A Necessidade de Novas Instituições Planetárias). Uma das estratégias é utilizar “organizações e fundações voluntárias voltadas para a educação e o desenvolvimento social”. Obviamente, as ONG’s, apátridas no sentido mais extremo da palavra, totalmente desligadas dos governos nacionais para implementar o internacionalismo. Mas existem outras: reforma da Constituição da ONU, incluindo “um corpo legislativo bicameral, com um Parlamento Mundial eleito pelo povo, um imposto sobre transações financeiras para ajudar países subdesenvolvidos (seria a tal CPMF Mundial proposta pelo governo brasileiro?), o fim do direito de veto no Conselho de Segurança (objetivo defendido pelas ditaduras), uma Agência Ambiental, e um Tribunal Internacional (Tribunal Penal Internacional) com poderes de fazer valer suas sentenças”.

Nas “Promessas do Manifesto 2000” (12) aparece claramente qual o alvo principal dos mesmos: os Estados Unidos da América. O que nos dois primeiros era oculto, agora se desvela com clareza meridiana. Acusam-se os EEUU de isolacionistas, de estarem dominados por uma “ortodoxia religiosa”, defende-se uma Ética Planetária e novas instituições políticas para lidar com problemas globais. Mas não são os EEUU como um todo: são as administrações Republicanas, já que o Partido Democrata apoiou firmemente este Manifesto, através de uma das mais importantes figuras na New Age, Al Gore. Por isto a grita internacional e as acusações de fraude contra a eleição de Bush. Acusa o Congresso de então, majoritariamente Republicano, de obedecer a influências de uma “coalizão Cristã” (sic), de não retornar à UNESCO, de não reconhecer o Tribunal Penal Internacional, de diminuir a ajuda aos países subdesenvolvidos e de aderir às idéias liberais de livre comércio.

Outros objetivos, ainda não vislumbrados, foram genialmente acrescentados. Descobriu-se um meio de internacionalizar países, como Brasil e EEUU, que têm grandes extensões de território e tribos indígenas, através da criação de “nações indígenas”. Um novo conceito que vai muito além das tradicionais reservas, pois pretende-se um status internacional fora da soberania do País. Nos EEUU várias extensões de terra já são propriedade de ONG’s e tribos indígenas. No Brasil, os dois últimos governos e o atual atuam decisivamente neste sentido. Outro objetivo veio a ser importante pela rápida, extensa e profunda revolução nas comunicações com a Internet. Passou a ser necessário controla-la, o que não é tão fácil como a velha e simples censura dos meios de comunicação. Brasil, Índia e China já propuseram este controle. Cuba e China já a exercem de maneira cabal.

NOVOS DESENVOLVIMENTOS DA FARSA – OS FORUNS SOCIAIS MUNDIAIS

Como já disse acima, a melhor estratégia de dissimulação é estabelecer um projeto, chamá-lo de satânico ou hediondo, atribui-lo ao inimigo visado e, enquanto se combate o projeto como de autoria deste, criam-se as condições de implementa-lo. Autêntica true lie! Para quem pode ler em profundidade, as notícias dos Fóruns Sociais, mundiais ou locais, fica claro que seu objetivo é estabelecer a mais ampla globalização de que se tem notícia. No entanto, todas as manifestações e “teses” apresentadas são contra a globalização! Mas qual? Uma suposta globalização “neoliberal”, apenas um substituto para a falsa idéia de “imperialismo” inventada por Lênin, que seria comandada pelos Estados Unidos da América. Chega a ponto de pessoas de bom nível intelectual argumentarem que, se a globalização fosse idéia comunista existiria um “Manifesto do PC” em cada esquina, e não um McDonalds! Transforma-se a disseminação de empresas americanas pelo mundo como um bem urdido plano de conquista mundial e, evidentemente, como é de praxe e o atual Fórum de Mumbai não foge à regra, pretende-se o boicote a tais empresas!

Estes fóruns não passam de uma mistura psicótica de xamãs, pagés, pseudo-padres, dançarinos exóticos, para entorpecer um bando de adolescentes idiotas imbecilizados, talvez até com drogas das mais pesadas, e faze-los massa de manobra para uma “revolução mundial anti-neoliberal” e “entender como é boa a internacionalização, o “amor” e a “cooperação entre os povos”. Todos convenientemente vestindo jeans, comendo hambúrgueres e tomando Coca-Cola – ou usando só coca, sem cola! – enquanto os verdadeiros líderes traçam a estratégia para a globalização ditatorial. Nada mais são do que o novo passo na cronologia acima apresentada, de conquista de um governo mundial ditatorial, anti cristão, anti judaico (as duas únicas religiões que não entram no “multiculturalismo” planetário! Um exemplo claro de true lie é o uso que se faz da presença de monges tibetanos e indígenas de outros países. O Tibet, invadido pela China Comunista com o custo de centenas de milhares de vida, luta por sua autonomia e todos apóiam. Ora, se os tibetanos podem por que não os ianomâmis, ou txucarramães, os apaches, sioux, etc? Misturam-se alhos com bugalhos e só sobra os últimos pois a China não está nem aí; perdem, Brasil e EEUU!

Estes fóruns têm dado tão certo que já se organiza um novo, mais amplo, o Fórum Universal das Culturas, ou Fórum Barcelona 2004 (13) que, durante 141 dias reunirá pessoas de todas as partes do mundo com uma “oferta artístico-solidária-intelectual que vai de mesas redondas, debates, conferências e espetáculos”. “O Fórum é um novo acontecimento internacional para que pessoas de todas as procedências e culturas se encontrem, dialoguem e sugiram soluções para os principais problemas do nosso planeta” , segundo declarou ao Caderno Boa Viagem do Globo (08 de janeiro de 2004) Jaume Pagés, conselheiro-delegado. Já se podem antever os resultados pois haverá reflexões sobre variações climáticas, religião, movimentos migratórios, guerras e modelos econômicos, tendo como base os três eixos fundamentais: desenvolvimento sustentável, diversidade cultural e condições para a paz!

ONU: A GRANDE FARSA!

Desde 1948 nos acostumamos a ouvir que a ONU é o único organismo capaz de manter a paz entre as nações, a defesa dos direitos humanos e acabar com a pobreza e as injustiças no mundo. Por uma bela jogada de Stalin a sede ficou nos EEUU, em terreno doado por John D Rockfeller Jr. A intenção era dar a impressão ao mundo que os EEUU mandavam na ONU, uma excelente true lie. Foi fundada por um punhado de países, muitos dos quais não tinham a menor intenção de respeitar a carta que estavam assinando. Tal como Hitler, Stalin assinava qualquer coisa sem nenhum compromisso de honrar a assinatura. Como a maior parte dos países não respeitava o Pai dos Povos, foi preciso criar o sistema de veto até que a maré virasse e a onda avassaladora de nações descomprometidas assumisse a maioria. Chegou a hora.

Durante a guerra fria foi implementada, com a eficiência de sempre, a mentira de que a ONU acabara se desvirtuando e passara a ficar a serviço do “imperialismo” americano, enquanto, na surdina urdia-se a ampliação do número de países membros descomprometidos exatamente com os princípios de sua carta e da Declaração Universal dos Direitos do Homem, preparando-se o futuro Governo Mundial. Ainda existe uma maioria que pensa que o interesse neste governo é dos americanos, que ainda mandariam na ONU.

Vejamos. Entre os países membros, 102 não são democracias e não respeitam a liberdade e 47 são notórias ditaduras que violentam permanentemente os direitos humanos. Seis deles foram designados pelos EEUU como terroristas. Segundo levantamento de Fred Gedrich, da Freedom Alliance (14):- os 114 membros do Movimento dos Não Alinhados votaram contra os EEUU em 78% (Este grupo inclui todos os estados terroristas e ditatoriais e consideram heróis Castro, Kadhaffi e Assad) – os 22 membros da Liga Árabe votaram contra em 83% – os 56 membros da Conferência Islâmica, 79% – os 53 membros da União Africana, 80%.

Muitos dizem que os EEUU não ajudam os pobres e por isto estes votam contra. Vejamos. Dos 12 bilhões de dólares de ajuda externa direta a 142 países no ano fiscal de 2002, seis países levaram a parte do leão: Israel, Afeganistão, Colômbia, Egito, Jordânia e Paquistão. Israel votou a favor dos EEUU em 93%, os outros cinco, coletivamente, 79% contra.

Por outro lado, os EEUU são responsáveis por 25-27% do orçamento da ONU. Em 1999 (veja-se a “coincidência” com o Manifesto 2000!) o Senado americano aprovou legislação baixando para 20%.

Todas as agências da ONU, futuros Ministérios do Governo Mundial (OMS, UNESCO, OIT, FAO, etc.) estão ocupados por países hostis aos EEUU, sem falar no Secretário Geral, Kofi Annan, uma das maiores jogadas de marketing contra as democracias. Depois de um vigoroso Dag Hammarskjöeld, um birmanês tonto que nunca soube o que fazia lá, U Thant, e um nazista, Kurt Waldheim, agora um legítimo representante dos países “excluídos”, Ghana! (os outros foram Lie Trygve, Butros Butros-Ghali e Javier Pérez de Cuellar).

(Os termos nos quais a ONU avalia o desempenho dos países membros em termos econômico sociais deixam de ser avaliados aqui porque já o foram por Anselmo Heidrich em seu excelente artigo “IDH e Obscurantismo da ONU”).

Como bem o diz Heidrich: a ONU é uma instituição corrupta e moralmente falida porque serve de guarida e porta voz para algumas das mais sinistras forças mundiais. E pergunta: porque razão os EEUU deveriam permitir que esta organização hostil ditasse sua política externa? Pergunta que qualquer pessoa que pense com mais de dois neurônios faz. Mas a resposta óbvia está acima: é o embrião de um futuro governo mundial, com uma burocracia monstruosa e crescente a exaurir cada vez os povos e a impor ditatorialmente, uma suposta nova cultura, a da New Age, com o fim dos Estados Nações e das religiões e morais tradicionais. Estas serão substituídas por um panteísmo animista e ocultista, assunto para o próximo artigo: True Lies II: as Raízes no Ocultismo.

 

(*) Wells e Huxley geralmente são lidos como apenas autores de ficção futurista. Na verdade não eram, acreditavam piamente que estavam sendo proféticos. Junto com George Bernard Shaw, pertenciam a sociedades secretas ligadas à uma das maiores quadrilhas de escroques e vigaristas do século passado, “iniciados” nas idéias psicóticas de Yeliena Pietrovna Blavatsky, Annie Besant, Cel Henry Olcott, Georgy Ivanovitich Gurdijeff, Charles Webster Leadbeater e outros, os criadores da Sociedade Teosófica e da farsa chamada Krishnamurti (15). Isto será objeto de um próximo artigo desta série.

REFERÊNCIAS

(1) Aula de Dmitri Z. Manuilsky, tutor de Nikita S. Khrushchev. Ver em: http://www.mt.net/~watcher/nwonow.html e http://www.ukrweekly.com/Archive/1960/1796021.shtml

(2) http://www.jcn.com/manifestos.html

(3) http://www.mega.nu:8080/ampp/hgwells/hg_cont.htm

(4) CORGI Books, Transworld Publishers Ltd.

(5) Dennis Cuddy, The Grab for Power: A Chronology of the NEA, Plymouth Rock Foundation, Marlborough, NH

(6) Walden II http://www.ship.edu/~cgboeree/ e http://www.ship.edu/~cgboeree/skinner.html

(7) http://somaweb.org/ e http://somaweb.org/w/huxbio.html

(8) pp. 50-51

(9) pp. 79

(10) Charlotte T. Iserbyt, Soviets in the Classrooms: America’s Latest Educational Fad. Também em: http://www.newswithviews.com/iserbyt/iserbyt7.htm

(11) http://www.secularhumanism.org/manifesto/ 2000

(12) http://www.secularhumanism.org/manifesto/promise.htm

(13) http://www.barcelona2004.org/eng/

(14) UN General Assembly Voting Habits, em: http://www.freedomalliance.org/view_article.php?a_ide=312

(15) Ver: Peter Washington, Madame Blavatsky’s Baboon: A History of the Mystics, Mediums and Misfits Who Brought Spiritualism to America, Shocken Books, NY