Terrorismo


A “guerra cultural” do Hamas e seus laços históricos com o nazismo

A verdade, porém, é que a liderança palestina, apoiada pelas massas palestinas, teve um papel significativo no Holocausto de Hitler.

hitlermuftiO Hamas, a organização terrorista especializada em alvejar civis, agora decidiu, de acordo com uma manchete do jornal americano The New York Times, mudar “de mísseis para guerra cultural”, num esforço para angariar apoio do público para sua causa. Parte de sua campanha de relações públicas em andamento é descrever os israelenses como os “novos nazistas” e os palestinos como os “novos judeus”. Para realizar essa transformação, será preciso se engajar em uma forma de negação do Holocausto, para apagar o registro histórico da ampla cumplicidade palestina com os “antigos nazistas” em perpetrarem o verdadeiro Holocausto. Tornou-se uma parte importante do mantra dos apoiadores do Hamas que nem o povo palestino nem sua liderança tiveram qualquer participação no Holocausto. Ouça Mahmoud Ahmadinejad falando aos alunos da Universidade Columbia, nos Estados Unidos:

Sobre a atual estrutura do crime organizado

Não só de ações tipicamente criminosas se nutre a rede: também a organização de manifestações no campo e nas cidades, como as invasões de terra e de imóveis, pelos direitos das “minorias”, pelo desarmamento e protestos em geral. Em países em que o FSP está no poder uma importante fonte paralela de financiamento é a proveniente do Tesouro Nacional, via orçamento das empresas estatais, camufladas entre as despesas comuns e mais difíceis de controlar do que o orçamento público que é examinado pelo Congresso. Certamente o principal motivo para o governo impedir o estouro da “caixa-preta” da Petrobrás é a possibilidade de que venham à luz os financiamentos ao MST, aos “movimentos sociais” da “sociedade civil organizada” e que, aberta a porteira, outras estatais sejam alvo das mesmas investigações. O maior perigo está no BNDES.

Num artigo anterior (O encobrimento do crime) comentei sobre o texto de dois “especialistas” em criminalidade e segurança pública da UFMG. Volto ao tema para acrescentar que os autores estão totalmente desatualizados quando estabelecem como quarto e último estágio “o crime organizado e de inserção internacional (…) nos moldes da Máfia”. E acrescentam: “Não há indicação de que uma máfia internacional brasileira esteja em formação”.

Hezbollah, o Partido de Deus

O Hezbollah utilizou distintas denominações, objetivando confundir os Órgãos de Inteligência ocidentais: Jihad Islâmica (quando de objetivos ocidentais no Líbano); Resistência Islâmica (quando os objetivos eram israelenses); e outras denominações ocasionais, como Organização para a Justiça Revolucionária, Organização dos Oprimidos da Terra, ou Jihad Islâmica para a Libertação da Palestina.

HEZBOLLAH: significa “Partido de Deus”. Foi constituído em 1982 por um grupo de libaneses muçulmanos xiitas, quase todos clérigos. Recebem suporte ativo do Irã – orientação ideológica e fundos financeiros. Seu objetivo é criar um Estado Islâmico no Líbano, além de estimular a destruição de Israel. Opera a partir do Vale do Bekah, no Sul do Líbano. Por meio de seu braço armado, a JIHAD ISLÂMICA, é responsável por inúmeros atentados e mortes dentro e fora de Israel. É, certamente, um dos grupos mais eficazes e poderosos, com extensas ramificações na Europa, África e Américas do Norte e Sul.

Terroristas da al-Qaeda no vôo da Air France?

Os dois suspeitos no Airbus podem ter feito a viagem para testar a viabilidade do plano”, disse um alto funcionário da inteligência em Londres.”Consideramos que os dois corpos desaparecidos oferecerão informações valiosas para entendermos como os ‘caminhos de rato’ funcionam”.

Suspeitos poderiam estar testando rota para entrar na Grã-Bretanha

LONDRES – Agentes do serviço de inteligência britânico MI6 voaram para Buenos Aires para participar da investigação do acidente do mal-fadado Airbus A330 da Air France que mergulhou no mar a 700 milhas da costa nordeste do Brasil, resultando na morte de 228 pessoas porque os nomes de dois suspeitos de terrorismo aparecem na lista de passageiros. É o que diz uma matéria do boletim G2 de Joseph Farah.

Como o diabo gosta

O ataque de 27 de novembro contra a cidade de Mumbai iniciou um novo capítulo na guerra contra o terror. Foram lembradas e ressaltadas as nítidas características da Al-Qaeda, que têm mais a ver com o clássico pensamento leninista do que com o Alcorão. Leiam as Sagradas Escrituras dos muçulmanos e ninguém encontrará muitas pistas sobre a atual guerra terrorista. Porém, voltando-se para os clássicos livros de textos revolucionários do século 19 – incluindo Trotski no fascista Técnica do Golpe de Estado (1931), de Malaparte, a batalha de Mumbai faz sentido. Não foi um movimento desesperado de suicidas para fazer uma declaração. Foi uma operação cuidadosamente planejada, sob o comando de alguma liderança sofisticada, para alcançar um objetivo estratégico nítido.

Os governos indianos e paquistaneses estavam às vésperas de selar uma aliança contra o inimigo comum deles de fato – o radicalismo islâmico – sob a orientação do governo dos EUA. O ataque em Mumbai, ao reviver o medo dos indianos de que, mais uma vez, estavam sob ataque dos serviços secretos paquistaneses, poderá muito bem prejudicar essa aliança planejada.

A descoberta de passaportes paquistaneses no corpo de alguns terroristas não é uma pista de que eles vieram do Paquistão, mas foi importante para se fazer acreditar de onde vieram. Contudo, o ataque em Mumbai ocorreu alguns dias antes de eleições provinciais decisivas na Índia: sem dúvida que os ruidosos partidos nacionalistas hindus vão explorar os sentimentos antimuçulmanos para ganhos políticos. Como as bombas em Madri, lançadas pela Al-Qaeda em 2003, o timing eleitoral confirma a sofisticação da estratégia do movimento terrorista.

Opropósito essencial dessa estratégia militar também se tornou muito claro a partir de Mumbai. A Al-Qaeda, desde os primórdios de suas operações, precisa conquistar um país para servir como base para suas ações militares e como modelo para a futura sociedade que planeja organizar. A ambição geográfica é um alvo móvel, enquanto Bin Laden e seus aliados se transferem da Arábia Saudita para o Sudão, Afeganistão e Paquistão. Na percepção da Al-Qaeda a inexperiência de Obama abre novas possibilidades.

Depois que tal base territorial fosse estabelecida, os líderes da Al-Qaeda estariam – assim pensam eles – em melhor posição para promover o tipo perfeito de sociedade muçulmana que gostariam de vender para o resto do mundo. Eles iriam construir o islamismo em um país, uma paráfrase do socialismo em um país de Stalin. Esse seria o primeiro passo rumo a grandiosa ambição revolucionária de restabelecer o califado: um líder global iluminado, com o Alcorão como Constituição.

Esse proclamado ideal metafísico e revolucionário pode explicar por que a Al-Qaeda consegue facilmente recrutar homens-bombas como os bolcheviques e os anarquistas russos eram capazes de fazer no início de seus movimentos.

A estratégia da Al-Qaeda está muito facilitada pela recente evolução no mundo muçulmano. Esse é bem o caso da Índia. Após o Islã interromper sua expansão no século 16, os muçulmanos em todos os lugares de fato misturaram tradições locais com os preceitos do Alcorão. Sobretudo os muçulmanos indianos foram bastante influenciados pelas práticas hindus e sufis: ser um muçulmano na Índia não exclui ir a cerimônias hindus. O culto muçulmano também era local, com orações freqüentemente dedicadas a algum santo local.

Esse Islã sincrético e enraizado geograficamente está sendo progressivamente substituído por um Islã mais global. As diferenças regionais tendem a desaparecer pela influência das migrações para os países árabes em busca de emprego, pela urbanização que corta as raízes com as antigas mesquitas, pela imersão em um novo Islã global transmitido pela TV e pela internet. Assim, um jovem trabalhador muçulmano sem raízes, em Mumbai, vai progressivamente passar do Islã tradicional de sua vila para um Islã internacional mais sintético e mais radical.

Para ser justos, não vamos idealizar o passado da Índia. A coexistência de muitas religiões na Índia nem sempre foi harmoniosa, mas os conflitos entre hindus e muçulmanos nas vilas indianas pobres tinham mais a ver com disputas pelos raros recursos do que eram rixas estritamente religiosas. Isso está mudando radicalmente, mesmo quando o governo indiano tende a preferir um estado de negação.

Há 20, até há 10 anos, os muçulmanos na Índia não mostrariam nenhuma preocupação com os conflitos no Oriente Médio, eles não usariam roupas árabes, cantariam nos feriados religiosos na tradição sufi indiana. Uma Índia democrática e multicultural era o país deles. Não tinham forte simpatia por seus vizinhos pobres e caóticos, Paquistão e Bangladesh, ainda que países muçulmanos.

Nessa parte do mundo, não existe outro país onde qualquer muçulmano tenha tantas oportunidades e liberdade quanto na Índia. Mas, estatisticamente, os recrutadores da Al-Qaeda vão encontrar no enorme grupo da população muçulmana da Índia (entre 100 e 200 milhões, ninguém sabe ao certo), adolescentes insatisfeitos o bastante para serem convertidos em atacantes suicidas.

A Índia, por ter rapidamente passado de uma economia rural conservadora para uma sociedade urbanizada e desenvolvida, tornou-se assim o terreno de caça perfeito para os agentes da Al-Qaeda. Como já foi mencionado, a negação dessa nova realidade pelos líderes indianos é mais fácil do que admiti-la. Ao mesmo tempo que é o grande sucesso econômico dos últimos anos que está perturbando a relativa harmonia entre as religiões tradicionais da Índia.

Não existe uma solução fácil para restabelecer a harmonia, nem uma forma fácil de vencer a guerra contra a Al-Qaeda. O que o ataque em Mumbai confirma é que há uma guerra de fato e ela é global. Nenhum país onde vivem muçulmanos está seguro das intervenções da Al-Qaeda. A democracia e o desenvolvimento econômico não reduzem a influência da Al-Qaeda. Num primeiro estágio, num período de transição, isso pode até funcionar nas mãos da Al-Qaeda. Sendo ela uma organização militar, só pode ser combatida com meios militares.

Finalmente, qual é a relação entre a Al-Qaeda e o Islamismo? Os terroristas pegam emprestados termos do Alcorão e da remota vida épica de Maomé. Isso os torna muçulmanos. A maioria dos muçulmanos pelo mundo discorda da interpretação de Bin Laden do Islã, mas esses muçulmanos moderados, até agora, não foram capazes de condenar a heresia da Al-Qaeda não voz nítida e forte.

Publicado pelo Diário do Comércio em 02/12/2008

Como surge um jihadista

Como e por que é produzido o salto desde o radicalismo islamita até a integração em uma célula terrorista? 

“La frustración social, laboral y política conduce al radicalismo. Así lo muestra el primer estudio policial europeo hecho con casos reales”.

Jornal El País, 25 de novembro de 2007, matéria de autoria de Jose Maria Irujo.

 

Essa foi a conclusão a que chegou um estudo confidencial conduzido pela Europol (Polícia Européia), a organização que agrupa as polícias européias, segundo escreveu José Maria Irujo, de cuja matéria são os extratos abaixo.

Quem são os terroristas que cometeram o atentado contra os trens em Madri, os ônibus em Londres, os que atentaram contra o aeroporto de Glasgow com carros-bombas ou tentaram envenenar as águas da rua Veneto, em Roma?

Na opinião dos policiais que elaboraram o estudo, não há um perfil único, nem uma só tipologia sobre o terrorismo jihadista que atua na União Européia. O estudo sobre os perfis jihadistas foi elaborado por experts das unidades antiterroristas- Antiterrorism Taks Force, da Europol – da França, Espanha, Reino Unido e Itália, e não foi difundido por razões de segurança, sendo guardado como um tesouro pelos ministérios do Interior desses países e como uma arma eficaz para combater o terrorismo islamita, que configura a principal ameaça à Europa.

Foram analisados como são os seguidores de Osama Bin Laden, os perfis de uma centena de jihadistas implicados em ataques praticados e frustrados, de terroristas vivos e mortos, de infiltrados, confidentes e familiares, buscando o que se passa no mais íntimo dos corações de terroristas dispostos a morrer para conseguir os objetivos da causa.

Suas declarações à Polícia e à Justiça, suas atitudes ante os interrogatórios, foram analisados a fim de buscar parâmetros comuns. Porém, foram vários os resultados obtidos. Segundo um dos investigadores, “não podemos falar de um único perfil: há jovens e maduros, universitários e sem formação, legais e ilegais, fundamentalistas ou indiferentes à religião. O perfil é mais complexo do que imaginávamos”.

Como e por que é produzido o salto desde o radicalismo islamita até a integração em uma célula terrorista? O estudo da Europol assegura que o isolamento e a frustração profissional, social e política dos jovens é o caldo de cultura para ser recrutado. “Utilizam os recursos do país em que vivem. Parecem integrados, porém não se sentem integrados, pois não é a integração que eles querem. E, nessas condições, são cooptados com maior facilidade pelos recrutadores”, assinala um dos investigadores.

A principal ferramenta de cooptação é a Internet e a propaganda e proselitismo do jihadismo na Europa. Em todos os casos estudados nos quatro países, os terroristas consultavam as páginas extremistas, onde existem fatwas, livros sobre a jihad, vídeos violentos e manuais sobre a fabricação de bombas. “Aí, na rede, é onde se encontra a autoria intelectual que leva avante as ações desses grupos”, assinala um expert.

A falta de experiência da maioria deles e as viagens de alguns às zonas de conflito como Afeganistão, Paquistão, Iraque, Chechenia, Indonésia e, recentemente a Argélia, onde recebem cursos de adestramento em técnicas terroristas, são outros dos elementos comuns entre eles. Os que viajam, regressam à Europa com uma categoria superior e se convertem em emires (chefes) dos grupos aos quais se deve lealdade. “Em quase todos os casos estudados estes são os que dirigem e decidem o que fazer”.

O Informe da Eurool destaca a importância do grupo (célula) na vida desses jovens. Só dentro do grupo podem desenvolver suas personalidades. O grupo se converte em parte de suas novas identidades. Fora do grupo não são nada. No grupo encontram a reafirmação de suas idéias e é no grupo que se produz o salto de radical a terrorista. A entrada no grupo é chave.

O trabalho das polícias européias assegura que as raízes do jihadismo internacional não são novas e sim históricas e antigas. Os terroristas interrogados falam da “nação islâmica” e não se apegam a fronteiras em que peses pertencerem a distintos países. O objetivo de um novo califado e a recuperação dos denominados “territórios perdidos”, perseguido por dirigentes como Abdala Azzam, Osama Bin Laden e Ayman Al Zawahiri são o seu azimute.

O estudo sobre perfis jihadistas analisa com preocupação os casos de jovens terroristas que pertecem à segunda geração de imigrantes, mesmo porque o isolamento e a frustração dessas pessoas é, às vezes, superior à de seus país.

Os coletes multicoloridos de Carlos Minc

Nos anos de 1970 e 71, Carlos Minc foi fazer curso de escoteiro em Cuba, para aprimorar suas habilidades ambientalistas, como prática de tiro ao pato e fabricação de coquetéis de diversos paladares.

Está explicado por que o atual ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc Baumfeld, costuma vestir coletes multicoloridos.
 
Como diria o esquartejador, “vamos por partes”.
 
Nos anos da matraca comunista, quando era comum terroristas brasileiros explodirem guaritas com militar dentro – caso do soldado do Exército Mário Kozel Filho, em São Paulo -, Carlos Minc pertenceu ao grupo terrorista Comando de Libertação Nacional (Colina). No dia 31 de março de 1969, Minc comemorou os cinco anos da Revolução assaltando o Banco Andrade Arnaud, no Rio de Janeiro, juntamente com Fausto Machado Freire e outros comparsas, ocasião em que foram afanados Cr$ 45 milhões (quarenta e cinco milhões de cruzeiros) e fuzilado o comerciante Manoel da Silva Dutra.
 
Em sua vida de assaltante, Minc era um sujeito muito ativo. No dia 18 de julho de 1969, 13 terroristas da VAR-Palmares, inclusive Minc, liderados por Juarez Guimarães Brito, todos disfarçados de policiais, assaltaram em Santa Tereza, no Rio, a mansão de Anna Benchimol Capriglione, amante de Adhemar de Barros. Na ocasião, o assalto rendeu a fortuna de US$ 2.864.000,00 (dois milhões e oitocentos e sessenta e quatro mil dólares), dos quais 1 milhão deve ter ido para o governo da Argélia, que apoiava na época terroristas brasileiros. É por isso que Minc chegou a utilizar até três codinomes para perpetrar os atos que hoje não ousa confessar em público, nem a imprensa escreve a respeito: “Jair”, “José” e “Orlando”.
 
Nos anos de 1970 e 71, Carlos Minc foi fazer curso de escoteiro em Cuba, para aprimorar suas habilidades ambientalistas, como prática de tiro ao pato e fabricação de coquetéis de diversos paladares…
 
A propósito: Dilma Rousseff, atual guerrilheira-chefe da Casa Civil, que atendia pelo codinome de “Estela” na VAR-Palmares, também deve ter participado do assalto ao cofre de 200 Kg de Adhemar, pelo menos no planejamento da “grande ação”. É por isso que ela é chamada por Lula de “mãe do PAC”: Plano de Assalto ao Cofre, de Adhemar…
 
Hoje, Carlos Minc anda muito preocupado. E não é com o vazamento radioativo de Angra III, que começará a ser construído em setembro. Tem medo de ser metralhado por alguém que, nos anos sessenta, se sentiu prejudicado pelos assaltos que praticou e pela morte do comerciante. Daí sua mania de vestir coletes ambientalistas multicoloridos, todos devidamente fabricados à prova de bala.
 
Quem é o fabricante dos coletes? Ora, a Lubeca. Pergunte ao Greenhalgh se não é verdade… ou então à Erundina…

Terrorismo como ele é

Paradoxalmente, as organizações terroristas, que desprezam a lei e a ordem existentes, são freqüentemente respaldadas por essas mesmas leis que almejam destruir.


“É essencial fazer o processo de interrogatórios funcionar. A guerra contra o terrorismo não será decidida pelo poderio da mão-de-obra ou da artilharia, como na 2ª Guerra Mundial, mas localizando os terroristas e sabendo quando e onde os ataques futuros poderão acontecer. Esta é uma guerra na qual a Inteligência é tudo. Vencer ou perder depende de informações de Inteligência”.
(Cadeia de Comando – A Guerra de Bush do 11 de setembro às Torturas de Abu Ghraib, Seymor Hersh, editora Ediouro, 2004)

 

O texto abaixo é uma síntese de diversos artigos já publicados pelo autor sobre o tema Terrorismo. Contém, porém, alguns dados inéditos sobre o tema.

A possibilidade de uma organização não-estatal relativamente pequena e fraca infligir um dano catastrófico, é algo genuinamente novo nas relações internacionais e representa um desafio sem precedentes à segurança. Todo o edifício da teoria das relações internacionais é construído em torno do pressuposto de que os Estados são os únicos participantes significativos na política mundial. Se uma destruição catastrófica pode ser infligida por agentes que não são Estados, então muitos conceitos que fizeram parte da política de segurança ao longo dos dois últimos séculos – equilíbrio de poder, dissuasão, contenção e assemelhados – pedem sua relevância. A teoria da dissuasão, em particular, depende de o usuário de qualquer forma de arma de destruição em massa ter um endereço e, com ele, ativos que possam ser ameaçados em retaliação.

As regiões fronteiriças entre Afeganistão e Paquistão, e entre Paquistão e Índia, reúnem 65 diferentes grupos de guerrilheiros e terroristas. Somando-se a mais de 30 grupos atuando no Iraque, o resultado significa que a Ásia Central é a região mais turbulenta do planeta.

Segundo Nigel Inkster, diretor da área de Ameaças Transnacionais e Risco Político do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, o número de grupos violentos “não estatais” aumentou em 10% no último ano – são cerca de 400 em todo o mundo (coletiva de imprensa, disponível no site do instituto: www.iiss.org).

– Definição de terrorismo

Definir o que é terrorismo não é uma tarefa fácil. O terrorismo é uma forma de propaganda armada. É definido pela natureza do ato praticado e não pela identidade de seus autores ou pela natureza de sua causa. Suas ações são realizadas de forma a alcançar publicidade máxima, pois têm como objetivo produzir efeitos além dos danos físicos imediatos. Pode ser dito que o terrorismo é o emprego sistemático e premeditado da violência contra alvos não-combatentes a fim de intimidar governos e sociedades. Em toda a sua existência, a ONU não conseguiu obter um consenso para uma definição do que é terrorismo.

Vilipendiado pela maioria das pessoas, defendido pelos seus instigadores, a verdade é que o terrorismo conseguiu prioridade na cobertura da mídia. Sua incidência mais que dobrou nos últimos 20 anos e se transformou em um dos mais prementes problemas políticos da atualidade. Suas características multifacetadas, suas letalidade e imprevisibilidade, que não custam caro, tornam a prevenção e controle difíceis, dispendiosos e não confiáveis.

As definições abaixo comprovam que não há uniformidade nem mesmo entre os órgãos de Inteligência e de Segurança de um mesmo país sobre o tema terrorismo:

“O uso ilegal da força ou violência contra pessoas ou propriedades para intimidar ou coagir um governo, uma população civil, ou qualquer segmento dela, em apoio a objetivos políticos ou sociais” (FBI);

“O calculado uso da violência ou da ameaça de sua utilização para inculcar medo, com a intenção de coagir ou intimidar governos ou sociedades, a fim de conseguir objetivos, geralmente políticos, religiosos ou ideológicos” (Departamento de Defesa dos EUA);

“Violência premeditada e politicamente motivada, perpetrada contra alvos não combatentes por grupos sub-nacionais ou agentes clandestinos, normalmente com a intenção de influenciar uma audiência” (Departamento de Estado dos EUA).

Nessa lista de definições, o ponto comum fica evidente mas há diferenças de ênfase. O FBI frisa a coerção, a ilegalidade e as agressões contra a propriedade em apoio a objetivos sociais bem como políticos. O Departamento de Estado coloca a ênfase na premeditação, frisa a potencial motivação política de grupos sub-nacionais, mas não faz referência à violência espontânea ou à significação psicológica da ação ameaçada. O Departamento de Defesa, com mais abrangência, dá igual destaque à violência real ou ameaçada, cita uma faixa mais ampla de objetivos e inclui entre os possíveis alvos não só governos como também sociedades inteiras.

As definições de terrorismo conhecidas provocam interrogações. Uma delas: por quais critérios os terroristas devem ser considerados por executarem atos ilegais ou ilegítimos? Essa é uma questão que desperta a atenção dos cientistas políticos. Há concordância generalizada de que é importante examinar o contexto em que o terrorismo e os terroristas operam. Ou seja, os fatores históricos, sociais, econômicos, étnicos e até psicológicos que têm alguma influência sobre o pensamento, o comportamento e a ação dos terroristas (http://www.midiasemmascara.org/artigo.php?sid=5606&language=pt).

No Brasil, mesmo com a crescente pressão internacional, o governo não irá mais propor ao Congresso a tipificação do crime de terrorismo. Essa decisão – segundo o jornal O Globo de 15 de novembro de 2007 – de sepultar o projeto antiterrorista consta de um relatório do grupo criado pela Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e Levagem de Dinheiro (Enccia), formado por representantes dos ministérios da Justiça, Defesa, Relações Exteriores, Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e membros do Ministério Público Federal e do Judiciário. Após um ano de estudos, esses especialistas ent enderam que a classificação de terrorismo como crime “é inviável”. O Gabinete de Segurança Institucional, em relatório enviado ao Ministério da Justiça, comunicando essa decisão, alegou que qualquer definição “seria mortal para os movimentos sociais e grupos de resistência política”.

Também não existe lei no Brasil que defina o que é uma organização criminosa, segundo o ministro Cayres de Brito, do STF, em 17 de agosto de 2007, durante uma sessão do julgamento dos 40 quadrilheiros do Mensalão. A menos que se apreenda uma ata da criação de uma organização criminosa, dificilmente se poderá ter provas de sua existência, segundo o ministro.

Essas lacunas constituem, sem dúvida, um fator de força para o terrorismo e o crime organizado.

– O terrorismo e a Convenção de Genebra

Um dos mais condecorados militares, o general francês Massu, em seu livro A Batalha de Argel, fez a apologia da “tortura funcional, que poupa a vida da vítima mas obtém a informação necessária”. Defendeu a violação da Convenção de Genebra na Argélia, argumentando que os combatentes argelinos não eram soldados regulares e, por isso, não têm direito à proteção dada ao prisioneiro comum. O terrorista vitima não-combatente, põe bombas em aviões civis, em trens de passageiros comuns, matando mulheres e crianças. Argumento diverso não é o dos consultores jurídicos do governo Bush: “A Convenção de Genebra trata da guerra e não do terrorismo” (http://www.midiasemmascara.org/artigo.php?sid=2792).

Objetivos e características do terrorismo

– O objetivo básico do terrorismo é buscar estabelecer um clima de insegurança, uma crise de confiança que a comunidade deposita em um regime, que facilite a eclosão ou o desenvolvimento de um processo revolucionário. Ou seja, objetiva criar artificialmente as condições objetivas que tornem factíveis uma revolução;

– O alvo, para os terroristas, é irrelevante, pois o que lhes interessa “não é a natureza do cadáver, mas sim os efeitos obtidos”, conforme escreveu Carlos Marighela, no final dos anos 60, em seu Minimanual do Guerrilheiro Urbano;

– Os prédios públicos, instituições e instalações que desempenham funções importantes e simbolizam a ordem vigente são os alvos preferidos. Também ataques indiscriminados e ao acaso contra a população, visando atingir suas atividades quotidianas, em supermercados, lojas, restaurantes, aeroportos, estações rodoviárias e ferroviárias, trens e metrôs, objetivando, nesse caso, fomentar um clima generalizado de medo e o sentimento de que ninguém está seguro, em parte alguma, seja qual for sua importância política, como foi o caso do atentado em 11 de setembro de 2001 às Torres Gêmeas, em Nova York, e 11 de março de 2004 a um trem de passageiros, em Madri;

– Uma das características que define o terrorismo moderno é a sua internacionalização, resultante de três fatores, até certo ponto complementares: a cooperação existente entre organizações terroristas; o fato de Estados nacionais soberanos apoiarem grupos terroristas e utilizarem o terror como meio de ação política, especialmente no Oriente Médio; e a crescente facilidade com que terroristas cruzam fronteiras para agir em outros países;

– Os terroristas não têm origem no proletariado e sim na chamada classe média, uma vez que a causa do terrorismo não é a pobreza e sim problemas políticos. A motivação política é a característica fundamental do terrorismo;

– Embora os grupos terroristas envolvam cerca de 80 diferentes nacionalidades, os mais ativos têm sido os palestinos, sendo que, para os grupos religiosos islâmicos, tanto o capitalismo como o socialismo são um mal. Eles dizem agir em nome de Maomé, com quem alegam ter ligação direta;

– As organizações dedicadas ao terrorismo começaram a agir sem vínculos entre si e sem inspiração ou ajuda externa. Hoje, todavia, coordenam suas atividades, prestam serviços umas às outras, emprestam-se homens e armas, compartilham campos de treinamento, e algumas têm por trás de si Estados que as financiam, que lhes dão guarida, armam, fornecem documentação e comandam suas operações;

– O terrorismo deve ser combatido de uma forma total e coordenada, sob pena de fugir ao controle. Uma defesa puramente passiva – o contra-terrorismo – historicamente não tem constituído um obstáculo suficiente para conter o seu desenvolvimento. O anti-terrorismo, ao contrário, sugere uma estratégia ofensiva, com o emprego de toda uma gama de opções para prevenir e impedir que atos terroristas ocorram, levando a guerra aos terroristas. Essa, todavia, não é uma tarefa simples. Exige Serviços de Inteligência altamente capacitados e governos determinados, uma vez que, nesse caso, as represálias são levadas a efeito antes que haja qualquer ataque. Antes, portanto, que sejam causados quaisquer tipos de danos. O anti-terrorismo é, portanto, uma resposta a algo que ainda não ocorreu. Nesse sentido, talvez não constitua surpresa o fato de Otto Von Bismarck, o grande chanceler alemão, ter comparado a guerra preventiva a “cometer o suicídio por medo de morrer”. É geralmente considerado legítimo recorrer à defesa violenta em resposta a graves ameaças que inflijam extensos sofrimentos humanos ou coloquem em risco a própria sobrevivência da sociedade. Todavia, esse critério da grave ameaça é escorregadio na aplicação específica. Como na maioria dos julgamentos humanos, a avaliação da gravidade da ameaça envolve sempre alguma subjetividade. A grave ameaça prescreve uma escolha de opções, mas a escolha de opções violentas também formata, muitas vezes, a construção da grave ameaça;

– É impossível proteger por todo o tempo todos os alvos em potencial, ficando assim, sempre, os terroristas, com a vantagem da iniciativa. Para que essa proteção fosse efetiva seria necessário implantar um Estado-policial, exatamente o tipo de situação que os terroristas gostariam que fosse criada, pois, assim, teriam um inimigo fascista para combater… em nome da democracia. Uma democracia não pode utilizar um cidadão em cada cinco para ser policial; não pode fechar suas fronteiras e nem restringir as viagens dentro do país; nem manter uma vigilância constante sobre cada hotel, cada prédio, cada apartamento em cada andar; e nem gastar horas revistando carros nas ruas e bagagens de viajantes nos aeroportos e em terminais rodoviários;

– Finalmente, assim sendo, uma das únicas defesas contra o terrorismo é a possibilidade de realizar uma infiltração com a finalidade de interceptar e conhecer antecipadamente quando e onde um alvo deverá ser atacado. Essa, contudo, é, como já foi dito, uma tarefa para um excepcional Serviço de Inteligência, aliada a dois componentes essenciais: vontade política e decisões que não temam riscos, mormente agora, em que o fundamentalismo islâmico substituiu o marxismo e o anarquismo como principal ideologia revolucionária utilizada para justificar, gerar e difundir o terrorismo. Todavia, é um fato de que quanto mais brutais forem as represálias contra o apoio da população às atividades terroristas, menor será o apoio ao governo. Por outro lado, também é verdadeiro que os grupos que se valem da coerção e do terror para conseguirem o apoio da população, colocam em risco os seus interesses de longo prazo e apresentam à Inteligência oportunidades para recrutar informantes e penetrar nas organizações terroristas ou insurgentes.

O objetivo de recordar os conceitos acima foi a publicação pela imprensa da oportunista – esse é o adjetivo correto – decisão dos representantes dos 192 países que compõem a Organização das Nações Unidas (ONU), aprovada em 8 de setembro de 2006, às vésperas do quinto aniversário do ataque às Torres Gêmeas, de “adotar uma estratégia global contra o terrorismo”. Isso, sem antes, durante toda a sua trajetória desde que foi fundada, conseguir definir para o mundo o que seja terrorismo de uma forma aceitável a todas as pessoas e Estados (http://www.midiasemmascara.org/artigo.php?sid=5220&language=pt).

– O terrorismo é a arma dos fracos

O terrorismo é a arma dos fracos. Existe, todavia, uma tendência nas sociedades ocidentais de identificar o “lado fraco” com o “lado justo”. Essa tendência faz com que as organizações insurgentes ou terroristas, ou ainda de ideologias religiosas reacionárias, mesmo agindo contra a maioria da opinião pública, contra os desejos da maioria do povo, aproveitem-se dessa tendência – “lado fraco”, “lado justo” – e usem a mídia para tentar aumentar o apoio à sua causa, embora nas atividades terroristas os civis inocentes tornem-se o alvo principal.

Apesar de ser considerada a arma dos fracos, o general Aleksandr Sakharovski, um dos chefes da KGB, definiu, em 1967, o novo rumo a ser seguido pelo comunismo internacional: “No mundo de hoje, quando as armas nucleares tornaram obsoleta a força militar, a nossa principal arma deve ser o terrorismo”. (citado por Olavo de Carvalho – O Orvalho Vem Caindo, Diário do Comércio, 05 de novembro de 2007).

Paradoxalmente, as organizações terroristas, que desprezam a lei e a ordem existentes, são freqüentemente respaldadas por essas mesmas leis que almejam destruir. Leis que garantem os direitos individuais e que buscam evitar que o governo penetre na privacidade das pessoas, que não permitem prisões indiscriminadas, que proíbem o uso de pressões irresistíveis durante interrogatórios e que determinam o seguimento estrito dos procedimentos legais. Tais leis servem como um dispositivo importante na proteção aos insurgentes e aos terroristas. Além disso, em nome da democracia, as leis geralmente não se opõem a que as organizações levem a cabo operações abertas para organizar-se, recrutar novos membros, publicar jornais e panfletos e até angariar fundos (http://www.midiasemmascara.org/artigo.php?sid=4988).

Apesar de todos os obstáculos legais, “é essencial fazer o processo de interrogatórios funcionar. A guerra contra o terrorismo não será decidida pelo poderio da mão-de-obra ou da artilharia, como na 2ª Guerra Mundial, mas localizando os terroristas e sabendo quando e onde os ataques futuros poderão acontecer. Esta é uma guerra na qual a Inteligência é tudo. Vencer ou perder depende de informações de Inteligência. Estamos diante de um inimigo que não luta, ataca ou planeja de acordo com as leis da guerra”. (Cadeia de Comando – A Guerra de Bush do 11 de setembro às Torturas de Abu Ghraib, Seymor Hersh, editora Ediouro, 2004).

Nesse sentido, o Novo Manual de Contra-Insurgência dos EUA (http://www.defesanet.com.br/zz/war_fm3-24.htm) define, em seu capítulo terceiro, que é “indispensável a preparação da Inteligência, no ambiente operacional e antecedendo as operações a serem realizadas”, ficando evidente a máxima que, na atualidade, numa campanha de contra-insurreição bem sucedida, é impositivo que “a Inteligência conduza as operações”.

No Brasil, recentemente, foi alterado o regulamento da Agência Brasileira de Inteligência–Abin, sendo criado um Departamento de Contra-Terrorismo, organismo que, conceitualmente, busca levar a guerra aos terroristas, imobilizando-os antes mesmo que pratiquem qualquer ato criminoso. Ou seja, uma busca pelo que ainda não foi feito, o que exige órgãos de Inteligência de alta qualidade. Tudo isso, contudo, não deixa de ser um paradoxo, pois como funcionará um Departamento de Contra-Terrorismo se nem os experts da ONU e nem os do governo brasileiro conseguiram ainda definir o que seja Terrorismo?

Tampouco, no Brasil, se conseguiu definir o que é uma organização criminosa (ministro Cayres de Brito, do STF, em 27 de agosto de 2007).