Editorial


Não perca: deputado inglês esculhamba o primeiro-ministro.

Daniel Hannan, representante do Sudeste da Inglaterra no Parlamento Europeu, fez em dez minutos um dos mais brilhantes discursos políticos dos últimos tempos, mostrando como as políticas estatizantes estão destruindo a economia do seu país. Elegante, mas simples e direto, Hannan conquistou seu lugar na tradição dos grandes oradores britânicos, de Edmund Burke a Winston Churchill. Não deixe de ver:
The devalued Prime Minister of a devalued Government

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Da mentira à impostura

Nunca, fora dos países comunistas onde a mídia é oficialmente órgão de propaganda e desinformação, os jornalistas jogaram tão sujo quanto na ocultação pertinaz do Foro de São Paulo e na operação-desconversa que se seguiu à queda do muro de silêncio.

Mentiroso compulsivo é aquele que, desmascarado, não dá o braço a torcer: persiste na mentira, adorna-a de novos floreios, jura, esbraveja, argumenta, e tanto insiste que acaba deixando o interlocutor em dúvida. Porém mais perverso ainda, um sociopata em toda a linha, é aquele que, em tal situação, se faz de desentendido e continua falando no tom da maior normalidade e segurança, como se nada tivesse acontecido. Aí a mentira singular se transmuta em impostura permanente, estrutural, alterando de uma vez o quadro das relações humanas e quebrando, na alma do ouvinte, não a confiança nesta ou naquela verdade em particular que ele julgava conhecer, mas no próprio valor da verdade em geral. No primeiro caso, a mentira buscava imitar a verdade, parasitando o seu prestígio; agora ela se impõe por seus próprios méritos, como um valor em si, independente e superior à verdade. Perplexo e atordoado pelo fascínio da insanidade, o ouvinte se vê atraído para dentro de uma espécie de teatro mágico, onde o preço do ingresso é a abdicação não só do poder, mas do simples desejo de conhecer a verdade.

Os pais da crise americana

A mera entrada em ação da campanha Alinsky-Cloward-Piven já modificava radicalmente a natureza do sistema, transformando o Estado liberal-capitalista num Estado previdenciário pré-socialista – e a falência deste último seria então denunciada como crise do anterior.

Se a folha de realizações criminosas dos movimentos revolucionários nas democracias não pode, por definição, concorrer com o desempenho deles nas áreas que dominam, nem por isso ela deixa de ser a causa principal de distúrbios e sofrimentos,seja no Terceiro Mundo, seja nas nações desenvolvidas. Não há crise, não há fome, não há violência, não há fracasso para o qual a proposta revolucionária, nua e crua ou numa de suas inumeráveis versões camufladas, não tenha dado sua contribuição essencial. Talvez o exemplo mais evidente esteja em nosso próprio país, onde as gangues de criminosos jamais teriam chegado a derramar o sangue de 40 mil brasileiros por ano se não fosse pela ajuda, indireta e direta, que receberam dos revolucionários, primeiro mediante a instrução em técnicas de organização e guerrilha, recebida dos terroristas presos na Ilha Grande na década de 70, segundo pela sucessão de leis que esses mesmos terroristas, anistiados e transfigurados em políticos, criaram para proteger os criminosos e dificultar a ação da polícia, terceiro pela assistência técnica e treinamento militar que as Farc hoje dão às quadrilhas nacionais.

Convocação lembra a de Collor, mas é chavismo em estado puro

por  Reinaldo Azevedo

Ao convocar sua militância para tomar as ruas o PT mimetiza no Brasil o que os seus congêneres de esquerda têm feito continente afora.

O PT, ficou claro na entrevista coletiva do presidente do partido, José Genoino, e do tesoureiro da legenda, Delúbio Soares, vai pedir à população que se vista de vermelho. Vai, em suma, pra galera. Delúbio especificou o público que ele espera estar presente no que chamaram de “ato em defesa do PT”: os filiados do partido, as ONGs, o MST e a “sociedade petista”, aqueles que, segundo ele, não sendo ligados à legenda, têm simpatia por ela. O ato, segundo os dirigentes, será em defesa do partido, mas também contra a corrupção no país. Não poderia ser mais orwelliano do que isso. É pura “novilíngua”: a coisa é o rigoroso contrário da palavra. Explicável: a distopia criada por George Orwell é parente moral da utopia petista. Estão todos em casa. Mas sigamos: eis aí. Chegou a hora de o PT brincar com o perigo. E ele, claro, brinca.

O último que conclamou a população a sair às ruas em defesa do governo foi Fernando Collor, naquele pedido patético para que os brasileiros se vestissem de verde e amarelo. No outro dia, o país estava coalhado de gente envergando luto. Não será ainda o caso desta vez. Até porque, à sua maneira, Delúbio e Genoino sabem o que fazem: parte dos que usaram preto contra Collor vestirá vermelho, desta vez, a favor de Lula. Muito bem: a similaridade com o ex-presidente se esgota aqui. A partir deste ponto, sai Collor, entra Hugo Chávez como inspiração do petismo. Àqueles sempre muito seduzidos e encantados com a conversão do PT à democracia, está sendo dada a primeira lição: esses caras não temem crise, não, senhores! Eles investem nela porque acreditam que, ao fim, saem sempre ganhando. Assim fizeram ao longo de 25 anos e foram bem-sucedidos.

Acuados por denúncias, descendo a ladeira da ética, dos bons costumes políticos, da decência, da funcionalidade, da governabilidade, restou o quê? Partir para a clivagem que sempre esteve subjacente ao discurso do próprio Lula: de um lado, o povo pobre, sedento de justiça; de outro, as elites. O ato proposto é um sinal de que eles se julgam prontos a ir para o confronto. Golpeiam as instituições; tratam o Parlamento como um lupanar; aparelham o Estado; privatizam o destino do país, colando-o ao do partido, e, ora vejam, na hora em que as coisas apertam, fazem o quê? Denunciam a desestabilização. Como se não fossem eles mesmos a desestabilizar o país, o governo e as próprias instituições.

Tudo isso estava escrito e inscrito na estrela. Alguns, como nós (e não fomos os únicos, felizmente), viram e acusaram o risco precocemente; outros perceberam, mas julgaram, sei lá, que o país deveria cumprir uma espécie de carma (eu, hein…); uns poucos, com certa soberba, acreditaram que a razão sempre triunfa no fim (o que é uma inverdade provada cotidianamente pela história); muitos, mais cínicos, apostaram que era possível encabrestar o petismo e ainda colher alguns lucros com isso.

Pois bem. Se é assim, então é chegada a hora de a sociedade civil não se deixar intimidar pelo apparatchik. Antes que prossiga, retomo, como parêntese, o que escrevi na edição anterior. Usando a expressão do colunista Antonio Fernandes do site e-agora (Notas:

Publicado por Primeira Leitura em 08/06/2005.