As crianças na guerra


A
inda há idiotas funcionais que crêem que Lula age de boa-fé, que a idiotice pacifista dos Colombianos pela Paz não tem duplo sentido, e que as FARC com seu comunismo estão perdidas. 

Cifras aproximadas indicam que 30% dos integrantes dos grupos terroristas que delinqüem na Colômbia são menores de idade e quase todas crianças pré-adolescentes. Em meio à morbidez publicitária, os meios de comunicação têm se limitado a resenhar os constantes casos, enquanto que os organismos governamentais e as ONGs que se relacionam com o tema, ficam com as estatísticas dos desmobilizados nestas categorias.

A farsa do “acordo humanitário”

O papel do presidente Lula nesta farsa teve vários objetivos, um dos quais pôr uma cortina de fumaça sobre as íntimas ligações de seu governo e seu partido (PT) com as FARC, confirmadas nos achados dos computadores de Raúl Reyes.

Causou-me constrangimento e perplexidade os comentários maldosos, baseados em desinformação plantada pela mídia companheira de viagem, a respeito da participação do nosso Exército Brasileiro na operação de resgate dos seqüestrados pelas FARC. Em primeiro lugar, é fundamental que se nomeie as coisas por seus nomes reais, e não pela novilíngua do politicamente correto. Essas pessoas que aos poucos estão sendo libertadas não são “prisioneiros de guerra” – porque se admitirmos isto, estaremos implicitamente concordando que existe uma contenda entre dois Estados –, mas SEQÜESTRADAS por um bando narcoterrorista, de corte marxista-leninista.

Os nexos de Lula com as FARC

O certo é que as relações de Lula da Silva e seu governo com as FARC, não podem ficar como uma revelação secundária publicada por uma revista de segunda categoria e nada mais.

Estavam demorando, o governo colombiano e os meios de comunicação, para destampar a panela apodrecida da relação do governo brasileiro com as FARC, não somente pelos reveladores correios eletrônicos encontrados nos PC’s de Reyes, como também por fatos concretos anteriores, como a contribuição de vários milhões de dólares das FARC em apoio ao Partido dos Trabalhadores (PT) durante a primeira eleição de Lula.
 
A diferença entre Lula e os bocudos da Venezuela, Equador e Nicarágua, é de estilo mas não de pensamento nem de propósitos. E, claro que a uma potência econômica como o Brasil, com um dos exércitos mais bem preparados e que carregam uma responsabilidade muito grande em defesa da soberania nacional e da segurança do hemisfério, a ditadura cubana não a pode manipular com a mesma facilidade com que dispõe de seus cachorros em Quito, Caracas, Manágua e La Paz. Porém, ao mesmo tempo, Lula está de acordo com o que pensam e fazem seus vizinhos co-partidários, mancomunados com Piedad Córdoba e o Partido Comunista Colombiano.
 
O fato de que apareçam tantos funcionários públicos da administração Lula nos correios de Reyes, e que em quase todos Reyes insista na importância das relações políticas das FARC com o mandatário brasileiro, é um claro sinal de que a situação é estrutural e não uma simples conjuntura. Sem dúvida, Lula (embora à sua maneira) faz parte do complô contra a Colômbia e no final o que contam são os resultados.
 
A isso se acrescenta que o terrorista Oliverio Medina não tenha sido extraditado e que, pelo contrário, se lhe tenha dado status de refugiado no Brasil, além de que este estivesse ansioso à espera do passaporte para visitar Reyes no Equador.
 
Ao mesmo tempo, a Coordenadora Continental Bolivariana (CCB), integrada pelos partidos comunistas de todo o hemisfério e alguns representantes do ETA basco e do comunismo espanhol, não fizeram outra coisa senão multiplicar o ódio anti-yanque, a relação do governo colombiano com os Estados Unidos, a necessidade de dar protagonismo e liderança regional ao Brasil, a construção da chamada Pátria Grande e o reconhecimento político às FARC.
 
Palavras mais, palavras menos, esses têm sido os mesmos delineamentos de Lula que, por meio de outras argúcias e com a tática de tirar a brasa com a mão alheia, consentiu desde a suposta distância que debaixo de seu nariz se desenvolva toda esta trama com a preconcebida desculpa de que, se algum dia as coisas se descobrirem, do mesmo modo que o vergonhoso mandatário colombiano Ernesto Samper, dirá que tudo foi feito pelas suas costas.
 
É evidente que neste momento o presidente Uribe tem a faca e o queijo na mão, pois possue as provas que comprometem vários governos, inclusive o de Lula, com os terroristas das FARC. O desafio imediato é o emprego estratégico dessa mesma informação, não só para derrotar as FARC no campo político, senão para salvar o hemisfério da crescente onda de “aventureiros” no poder e o risco de atraso estrutural da região, se cai no projeto totalitário comunista.
 
Não vamos padecer a vergonha cubana que depois de meio século de ditadura nem podem viajar para fora de seu país, nem usar a Internet nem possuir um telefone celular próprio. Afora isso, perder o direito à livre expressão, à propriedade privada e à livre locomoção.
 
A prova disso é que quando Correa começou a desenvolver a teatral manifestação de dignidade de vitrine, ordenada pela ditadura cubana a ele e aos demais paus mandados de Fidel Castro, fez um périplo pela Bolívia, Venezuela, Brasil e Manágua antes de ir à Cúpula do Rio. É claro que tal viagem não era só para pedir solidariedade, senão para uma série de reuniões de inimigos da Colômbia, com o objetivo de refinar a mentira e as tapeações com as quais pretendiam desviar a realidade e descartar a grave responsabilidade de suas alianças com as FARC.
 
Não se pode esquecer que Lula é um dos fundadores do Foro de São Paulo, reunião pró-subversiva que acolheu as FARC como movimento político, e que o mandatário brasileiro nunca se retratou disto. Tampouco se pode esquecer que Lula nunca quis aceitar que as FARC são terroristas e inclusive disse que não faz isso, para poder servir em uma eventual intermediação na paz que ninguém lhe solicitou. Chama a atenção que os correios encontrados no PC de Reyes refiram a insistência do governo brasileiro no Acordo Humanitário, quer dizer, todos estão de acordo; não são meras coincidências.
 
Em outras palavras, é a mesma tese de Chávez e Correa, prevista para que os governantes “pátria ou morte” com Fidel Castro, dessem status de beligerância às FARC, assim que Chávez se reunisse com Tirofijo para protocolizar a doação de 300 milhões de dólares, mais uns barris de petróleo, com a finalidade de financiar a etapa da ofensiva final das FARC contra a Colômbia. Inclusive foi com essa mesma missão que as FARC liberaram Luis Eladio Pérez. E foi essa mesma a tese de Piedad Córdoba em suas intervenções ante auditórios no exterior.
 
O certo é que as relações de Lula da Silva e seu governo com as FARC, não podem ficar como uma revelação secundária publicada por uma revista de segunda categoria e nada mais. É necessário que o governo colombiano inicie sem mais demora a ofensiva diplomática internacional, para que o mundo inteiro tenha os elementos de juízo suficientes para entender a dimensão do complô contra a Colômbia, e para buscar apoio na luta contra o terrorismo.
 
De maneira paralela, é hora de que a Procuradoria Geral da Nação inicie as investigações formais contra todos os conspiradores e os peça em extradição pois, como se supõe, os países de origem não os vão entregar, então haveria um forte argumento para levar os casos à Corte Penal Internacional. Das águas turvas e das posições pusilânimes nunca se escreveu nada. O que está em jogo é a continuidade do sistema democrático na Colômbia e a segurança integral do hemisfério. Lula não é só inimigo da Colômbia. É um dissimulado.
 
Os reveladores achados da conexão Lula-FARC são um elemento-chave e concreto para a reeleição de Uribe, e a continuidade da luta para conseguir a estabilidade e a paz com justiça social no país. Por iss o cabe lembrar uma frase de Trumman: “Os governos não caem pelos maus senão pelos fracos”.
 
Que a debilidade humana não vá tocar o Presidente Uribe. Que desate a ofensiva diplomática e jurídica contra os conspiradores. Os abraços de Lula, as caleidoscópicas mudanças de atitude de Chávez e Correa, e as mudanças bruscas de Ortega, não são outra coisa que o desdobramento de uma cartilha dirigida desde Havana e justificada pelos populistas franceses. A Colômbia está na mira dos terroristas e de seus corifeus. E esse objetivo não se pode retirar do foco.
 
Aqui não valem nem servem para nada as posições dos consuetudinários pacifistas acovardados que, como o pavão real, encolhem a plumagem ao primeiro ruído. Tampouco valem os cantos de sereia dos camaleões, ou as desculpas esfarrapadas de Lula. Todos os conspiradores são comunistas e partem do princípio de que há uma luta de classes, na qual a Colômbia é o inimigo ao qual têm que derrotar para impor a paz socialista. Quanto ao mais, é dar oportunidade…
 
E mais um detalhe: já é hora de o governo colombiano trazer à luz pública as revelações que por razões óbvias devem ter os PC de Reyes, com os lógicos nexos e direção estratégica de todo o complô por parte da ditadura cubana.

Notas:

Nota da Tradutora: Este artigo foi publicado em 31 de julho mas permanece atualíssimo considerando que, por ordem do governo, a imprensa além de minimizar a gravidade das denúncias, de desmenti-las sem provas contestatórias e desmerecer a revista “Cambio” como sensacionalista, colocou uma pedra sobre o assunto e nunca mais se falou disso. Daí a importância deste artigo, para que não caia no esquecimento do público mal informado, que há vínculos sólidos e reais do PT e do Sr. Lula com as FARC.
 

Fonte: www.eltiempo.com

Tradução: Graça Salgueiro

Lições da Bolívia

Cada vez que um dos membros do Foro de São Paulo se encontra em dificuldades, o resto dos integrantes acode em seu apoio, passando por cima das nacionalidades. Em compensação, os democratas da região atuam única e exclusivamente dentro de seu próprio território.

Semanas antes do referendo de 10 de agosto, os aliados internacionais de Evo Morales lançaram uma intensa campanha para defender seu pupilo.
 
Em 30 de junho, Chávez viajou a Tucumán, Argentina, para assistir à XXXV Cúpula do Mercosul, onde propôs aos países membros dessa organização um plano para apoiar Morales.
 
Em 18 de julho, Chávez e o presidente Lula viajaram a Riberalta, Bolívia, para respaldar Evo Morales. Em um gesto claramente propagandístico, Lula assinou um protocolo para o financiamento de 230 milhões de dólares para construir uma estrada de 508 kilômetros que ligará a Bolívia com o Brasil.
 
Pouco antes de 10 de agosto, dirigentes do Foro de São Paulo viajaram a La Paz para “manifestar seu apoio ao processo político que vive a Bolívia e à gestão do presidente Evo Morales”. Segundo a nota de Mundo Posible, entre outros assistentes “estiveram presentes a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN), de El Salvador, a Frente Sandinista da Nicarágua, o Polo Dmocrático Alternativo da Colômbia e a Frente Ampla do Uruguai”. O Foro de São Paulo foi criado por Lula e Fidel Castro em 1990. Chávez é membro desde 1995 e é o principal financiador dessa organização.
 
Tal como resenhou uma nota no portal de notícias do Mercosul em 11 de agosto, “Na campanha do referendo revocatório no qual esteve em jogo o mandato de Evo Morales, seu aliado estratégico Hugo Chávez foi a espada e o presidente brasileiro Lula da Silva, o escudo”.
 
Em contraste, as forças democráticas da Ibero-América pouco ou nada fizeram durante a campanha eleitoral. Exceto por alguns artigos de opinião, se limitaram a esperar os resultados do referendo. Deixaram os opositores bolivianos absolutamente sós.
 
Cada vez que um dos membros do Foro de São Paulo se encontra em dificuldades, o resto dos integrantes acode em seu apoio, passando por cima das nacionalidades. Em compensação, os democratas da região atuam única e exclusivamente dentro de seu próprio território.
 
A lição é esta: urge criar uma contrapartida ao Foro de São Paulo; uma organização democrática ibero-americana, capaz de combater internacionalmente essa máfia de alcance mundial. Porém, para consegui-lo, primeiro é necessário ampliar a visão da política. Ou os democratas da Ibero-América lutamos conjuntamente, ou nos derrotarão um a um.

Notas:

Tradução: Graça Salgueiro

A verdade sobre o PT e as FARC

Tanto o PT como as FARC estiveram – ombro a ombro – no Grupo de Trabalho do Foro de São Paulo, desde sua fundação até (ao menos) março deste ano; quer dizer, durante dezoito anos.

Um escândalo maiúsculo levantou-se no Brasil pelas revelações da revista “Cambio”, segundo as quais membros do alto governo de Lula estariam vinculados às FARC.

Os próprios incriminados – entre eles o chanceler Celso Amorim e o assessor Marco Aurélio Garcia – puseram a boca no mundo, alegando que não têm nada a ver com a guerrilha colombiana e que, pelo contrário, foi o Partido dos Trabalhadores (PT) quem “afastou as FARC do Foro de São Paulo”.

Entretanto, os fatos demonstram que o PT e o próprio Lula mantiveram relações não só com as FARC, como também com o ELN.

Em julho de 1990, o Partido dos Trabalhadores – junto com o Partido Comunista de Cuba – convocou uma reunião na cidade de São Paulo, para discutir o que fazer frente a queda do muro de Berlim e o provável desaparecimento do comunismo. À reunião assistiram sessenta e oito forças políticas pertencentes a vinte e dois países latino-americanos, entre eles as FARC e o ELN.

Ali decidiram conformar uma nova organização política, de alcance continental, à qual denominaram Foro de São Paulo (FSP), para manter viva a utopia marxista. Estabeleceram um mecanismo de comunicação permanente, encontros anuais, uma revista semestral – América Libre – e uma junta diretora, denominada Grupo de Trabalho.

Tanto o PT como as FARC estiveram – ombro a ombro – no Grupo de Trabalho do Foro de São Paulo, desde sua fundação até (ao menos) março deste ano; quer dizer, durante dezoito anos. Enquanto o Conselho Editorial de América Libre teve – desde seu primeiro exemplar até o mais recente – algum porta-voz do PT e o número um das FARC, Manuel Marulanda, codinome Tirofijo.

O confisco do computador de Raúl Reyes, ocorrido em março deste ano, acendeu os alarmes de todos os aliados das FARC, inclusive os do PT, porque nos discos rígidos ficava plenamente demonstrada não somente uma afinidade ideológica, senão uma aliança política e operacional com o narco-terrorismo colombiano. Isso sim é que eram palavras maiores.

Deste modo, o PT ordenou uma estratégia de desacoplamento, a qual começou em maio na cidade de Montevidéu, com uma coletiva de imprensa outorgada pelo alto dirigente petista Valter Pomar, que ocupava o cargo de Secretário Executivo do XIV Encontro do Foro de São Paulo.

Pomar anunciou com estardalhaço e arrogância que as FARC já não pertenciam ao Foro de São Paulo. Entretanto – para sua desventura – Daniel Ortega se encarregou de desmenti-lo dois dias mais tarde, quando pronunciou um apaixonado discurso a favor de Manuel Marulanda, que foi ovacionado de pé por todos os participantes do Encontro, inclusive a delegação do PT.

Em resumo, a vinculação entre o PT e as FARC é fácil de demonstrar. Ocorre através do Foro de São Paulo. Há milhares de documentos públicos que o certificam. O problema é que Lula é nada menos que o Presidente da República e o PT é o partido do governo. Portanto, embora existam as provas, dificilmente haverá castigo porque as próprias autoridades irão querer impedir ou sabotar qualquer julgamento.

Só uma Comissão Internacional da Verdade, composta por personalidades de toda a América, será capaz de levar ao banco dos réus os acusados e de levar ao cárcere os que durante tantos anos foram aliados do narco-terrorismo colombiano.

Notas:

 

Tradução: Graça Salgueiro

O dossiê brasileiro

Capa da revista Cambio: mais uma vergonha para a imprensa brasileira

O entardecer do sábado de 19 de julho, na fazenda Hatogrande, a casa presidencial ao norte de Bogotá, o presidente colombiano Álvaro Uribe, sorridente e despreocupado, como poucas vezes, não teve dúvidas em oferecer a seu colega brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, um copo de aguardente antioqueño para mitigar o frio que perfurava os ossos.

O copo selou a primeira parte da intensa jornada que tinha começado na sexta-feira, dia 18 de julho, e que terminaria no domingo com a celebração do Dia da Independência colombiana. Uma celebração que, como nunca, reuniu artistas do nível de Shakira e a qual participou também o presidente peruano Alan Garcia.

A agenda de Lula e Uribe, ao redor dos acordos bilaterais, foi condimentada com muitos elogios públicos. O presidente Uribe agradeceu a Lula e a seu governo de seis anos pelas relações dinâmicas e de confiança. No entanto, em uma reunião particular que mantiveram com pouquíssimas testemunhas, Uribe fez a Lula um breve resumo sobre uma série de arquivos que as autoridades colombianas encontraram nos computadores de Raúl Reyes que comprometia cidadãos e funcionários de seu governo com as Farc.

Diferente do que aconteceu com a informação relacionada aos servidores públicos do governo de Rafael Correa e cidadãos equatorianos, que o governo tornou pública, no caso do Brasil as instruções do presidente colombiano foram de mantê-las reservadas e manejá-las diplomaticamente para não deteriorar as relações comerciais e de cooperação com o governo de Lula.

O governo colombiano usou de forma seletiva os arquivos do computador pessoal de Raúl Reyes. Enquanto com o Equador e a Venezuela foram usados para colocar em proibição Chávez e Correa, hostis com Uribe, com o Brasil foi manipulado por debaixo da mesa para não comprometer Lula, que se mostrou mais hábil e menos belicoso com a Colômbia que seus outros colegas.

Ainda assim, alguns meios brasileiros tinham informação parcial sobre uns poucos arquivos e, por isso, no dia 27 de julho consultaram o ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, que em uma entrevista do jornal “O Estado de S. Paulo” confirmou que o governo colombiano havia informado Lula sobre o tema.

“Há uma série de informações de conexões que entregamos ao governo brasileiro para que possa atuar como considerar mais apropriado”, disse Santos, que se absteve de comentar se havia ou não políticos e funcionários oficiais com relações com o grupo que hoje é encabeçado por Alfonso Cano. Às declarações do ministro, o assessor de política internacional do Brasil, Marco Aurélio Garcia, respondeu de forma imediata e qualificou como irrelevantes os dados fornecidos pela Colômbia.

Cura Camilo – Não se sabe com exatidão e o quão detalhada foi a informação que o presidente colombiano Uribe deu a Lula, mas o que poderia ser chamado de “dossiê brasileiro” teria implicações mais sérias que as derivadas da informação relacionada com Venezuela e Equador.

A revista Cambio teve acesso a 85 mensagens eletrônicas que, entre fevereiro de 1999 e fevereiro de 2008, circularam entre Tirofijo, Raúl Reyes, o Mono Jojoy, Oliverio Medina – delegado das Farc no Brasil – e de homens identificados como Hermes e José Luís.

A julgar pelo conteúdo das mensagens, a presença das Farc no Brasil chegou às mais altas esferas do governo Lula, o Partido dos Trabalhadores (PT), a diligência política e a administração de Justiça. Neles, são mencionados cinco ministros, um procurador-geral, um assessor especial do presidente Lula, um vice-ministro, cinco deputados, um conselheiro e um juiz superior.

A personagem central das mensagens eletrônicas é Oliverio Medina, também conhecido como “Cura Camilo”, um sacerdote que ingressou nas Farc em 1983 e que teve uma rápida ascensão até tornar-se secretário de Tirofijo. Chegou ao Brasil como delegado especial das Farc em 1997 e esteve na Colômbia durante o processo da zona de Caguán, em que foi chefe de imprensa do grupo.

Por trás da ruptura das conversações em fevereiro de 2002, regressou ao Brasil, onde continuou sua missão, e sua influência chegou até altos níveis da administração Lula, que assumiu o cargo em janeiro de 2003. Mas graças à pressão das autoridades colombianas, foi capturado em agosto de 2005. A Colômbia pediu sua extradição, mas o Supremo Tribunal Federal, de Brasília, não somente a negou, em 22 de março de 2007, como reconheceu Medina como refugiado político.

Até o Curubito – O cárcere não foi obstáculo para que “O Cura Camilo” suspendesse seu trabalho proselitista e propagandista. Prova disso são as numerosas mensagens que ele enviou a Reyes e que mostraram como conseguiu chegar até a cúpula do governo brasileiro.

Quatro das mensagens às que a Revista Cambio teve acesso se referem ao presidente Lula. Em uma delas, de 17 de julho de 2004, Raúl Reyes disse a Trofijo que o governo Lula ajudaria com o acordo humanitário: “Os curas me enviaram uma carta pedindo entrevista com eles do Brasil”, escreveu Reyes. Segundo dizem, falaram com Lula e ele assumiu o compromisso de ajudar no acordo humanitário, intercedendo com Uribe para efetuar uma reunião no Brasil.

Na segunda mensagem, do dia 25 de setembro de 2006, Oliverio Medina conta a Reyes: “Não lhe disse que faz alguns dias que Lula chamou o ministro Pablo Vanucchi [ministro da Secretaria Nacional de DD. HH.], indicando-lhe que telefonara para o advogado Ulises Riedel e o felicitara pelo êxito jurídico em sua brilhante defesa a favor de meu refúgio.”

No terceiro e-mail, com data de 23 de dezembro de 2006, Medina informa a Reyes que “a Lula e a um de seus assessores que nos ajudaram, enviei o pôster de Aguinaldo.” Os funcionários são Silvino Heck, assessor especial do presidente Lula, e Gilberto Carvalho, chefe de Gabinete, que aparecem mencionados em uma mensagem eletrônica de 23 de fevereiro de 2007, também dirigida a Reyes: “É possível que me visite um assessor de Lula chamado Silvio Heck, que, com Gilberto Carvalho, foi outro que nos ajudou bastante.”

Entre os 85 e-mails a que a revista Cambio teve acesso, há um sem data, também enviado por Medina a Reyes, que diz: “Falei com a deputada federal Maria José Maminha. Combinamos que ele vai abrir caminho rumo ao presidente via Marco Aurélio Garcia.” Garcia é secretário de assuntos internacionais.

Não menos comprometedoras são aquelas mensagens em que aparecem mencionados alguns ministros. Em uma delas, dirigida a Reyes o dia 4 de junho de 2005 por um tal de José Luis, figura o nome do ministro da Previdência, José Dirceu. “Chegou um jovem de uns 30 anos e se apresentou como Breno Altman (dirigente do PT) e me disse que vinha da parte do ministro da Previdência José Dirceu, que, por motivos de segurança, eles haviam acordado que as relações não passariam pela Secretaria de Relações Internacionais, senão que fizeram diretamente por meio do ministro com a representação de Breno.”

Ao final da mensagem, José Luis disse que o governo brasileiro e o PT dariam proteção a Medina enquanto avança o trâmite da extradição: “Perguntei se poderíamos estar tranqüilos, que não iriam seqüestrá-lo ou deportá-lo para a Colômbia e ele me respondeu: ‘ Podem ficar tranqüilos’ “. Em uma mensagem do dia 24 de junho de 2004, Reyes comenta com Media sobre a possível saída de José Dirceu do Gabinete e lhe disse: “Com certeza, esta medida em proveito dos detratores de Lula pode afetar a incipiente abertura das relações que eles têm conosco.”

Amorim – As Farc também tentaram chegar ao escritório do Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Em uma mensagem do dia 22 de fevereiro de 2004, José Luis escreve a Reyes: “Por intermédio do legendário líder do PT, Plínio Arruda Sampaio, chegamos a Celso Amorim, atual ministro de Relações Exteriores. Plínio nos mandou falar para Albertao (conselheiro de Guarulhos) que o ministro está disposto a nos receber. Que assim que tiver espaço em sua agenda, nos receberá em Brasília.”

O procurador e o juiz – O embaixador das Farc fez tão bem seu trabalho que também conseguiu chegar até o procurador Luis Francisco de Souza, que é mencionado em uma extensa mensagem eletrônica do dia 22 de agosto de 2004, que Medina e José Luis enviaram a Reyes e a Rodrigo Granda: “Ele deu o seguinte conselho: andar com uma máquina fotográfica e, se possível, com um gravador para em caso de voltar a parar um agente de informação, fotografá-lo e gravá-lo, tendo o cuidado de não deixar que ele pegue a câmera e o gravador. Que em relação ao que aconteceu, façamos uma denúncia dirigida a ele como Procurador para fazê-la chegar ao chefe da Polícia Federal e à Agência Brasileira de Informação.”

Algumas mensagens foram escritas durante o processo da zona de Caguán e envolvem um prestigiado juiz e um alto ex-oficial das Forças Armadas Brasileiras. Por exemplo, em um e-mail do dia 19 de abril de 2001, Mauricio Malverde informa a Reyes: “O juiz Rui Portanova, amigo nosso, nos falou que quer ir aos acampamentos e receber instrução e conhecer a vida das Farc. Pague a viagem dele.” Portanova era, então, juiz superior da Corte Estatal do Rio Grande do Sul, de Porto Alegre.

Três dias antes, em 16 de abril, Medina relata a Reyes um encontro entre Raimundo, Pedro Enrique e Celso Brand – ao que parecem, laços das Farc no Brasil – com o brigadeiro Iván Frota, ex-chefe da Força Aérea Brasileira. “O homem se interessou e disse que gostaria de ter um encontro pessoal conosco. Disse que está começando a amadurecer a tomada da base de Alcântara pelas forças nacionais para impedir que os Estados Unidos fiquem com os 600 quilômetros quadrados que estão sob seu domínio.”

A pequena amostra dos 85 emails a que a Revista Cambio teve acesso revelam a importância do Brasil na agenda exterior das Farc, manejada por Raul Reyes, e não cabe dúvidas de que “O Cura Camilo”, para sustentar a estratégia continental da guerrilha, aproveitou a conjuntura criada pela ascensão de poder de Lula e seu influente Partido dos Trabalhadores para chegar até as mais altas esferas do governo.

E, se os e-mails são apenas indícios de um possível compromisso do governo Lula com as Farc, pois nenhum dos funcionários enviou mensagens pessoais a algum dos membros do grupo guerrilheiro, despertam muitas interrogações que exigem uma resposta do governo brasileiro.

Os contatos das Farc – A expansão das Farc na América Latina não somente incluiu funcionários dos governos da Venezuela e Equador, como também comprometeu a destacados dirigentes, políticos e altos membros do Partido dos Trabalhadores, ao qual o presidente Lula pertence. Além disso, o grupo guerrilheiro manteve contatos com procuradores e juízes do Brasil.

A LISTA DOS CITADOS:

– José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil

– Roberto Amaral, ex-ministro da Ciência

– Erika Kokay, deputada

– Gilberto Carvalho, chefe de Gabinete

– Celso Amorim, chanceler

– Marco A. García, assessor para assuntos internacionais

– Perly Cipriano, subsecretário de Promoção DD.HH.

– Paulo Vanucci, ministro da Secretaria de DD.HH.

– Selvino Heck, assessor presidencial

Notas:

Publicado pelo Diário do Comércio em 01/08/2008 e originalmente pela revista Cambio (versão on line em http://www.cambio.com.co/portadacambio/787/ARTICULO-WEB-NOTA_INTERIOR_CAMBIO-4418592.html ).

Para maiores informações, recomenda-se acessar o links

http://www.dcomercio.com.br/noticias_online/1097437.htm

http://www.dcomercio.com.br/noticias_online/1097438.htm

http://www.dcomercio.com.br/noticias_online/1097449.htm