Notícias Faltantes


Os “paracachitos” de Evo Morales

O governo necessitava criminalizar a oposição, iniciar uma perseguição contra os líderes da dissidência e esmagar – mediante a repressão e o medo – os protestos contra o Regime.

Em nove de maio de 2004, em meio de um alardeado escândalo, o governo venezuelano capturou nos arredores de Caracas um contingente de presumíveis paramilitares colombianos, cujo suposto objetivo era atacar o maior quartel militar da Venezuela – Fuerte Tiuna -, seqüestrar aviões caça F16, bombardear o Palácio de Miraflores e perpetrar um magnicídio contra Hugo Chávez.

Cadernos de “Jojoy”: “justiçamentos” de meninos informantes e abortos

Mostrar toda a malignidade escondida naquelas selvas, ninguém ousa; é proibido macular a imagem de tão generosos e justos “lutadores sociais”…

Em fins de março o jornal colombiano “El Tiempo” publicou uma matéria em que contava ter tido acesso a uma espécie de caderno, compilado fielmente pelo rádio-operador de “Mono Jojoy”, alcunha de Jorge Briceño Suárez, um dos comandantes das FARC, com anotações de conversas tidas por rádio de Jojoy com “Manuel Marulanda”, “Alfonso Cano”, “Raúl Reyes” e outros chefes.

As conversas são mais ou menos cifradas, com linguagem semelhante a telegramas, mas perfeitamente compreensíveis. Conversa-se sobre tudo: a prova de sobrevivência dos seqüestrados, de planos terroristas, de alianças com narcos, “justiçamentos” e até de “licenças” para abortos.

As crianças na guerra


A
inda há idiotas funcionais que crêem que Lula age de boa-fé, que a idiotice pacifista dos Colombianos pela Paz não tem duplo sentido, e que as FARC com seu comunismo estão perdidas. 

Cifras aproximadas indicam que 30% dos integrantes dos grupos terroristas que delinqüem na Colômbia são menores de idade e quase todas crianças pré-adolescentes. Em meio à morbidez publicitária, os meios de comunicação têm se limitado a resenhar os constantes casos, enquanto que os organismos governamentais e as ONGs que se relacionam com o tema, ficam com as estatísticas dos desmobilizados nestas categorias.

As vítimas silenciosas do terror vermelho no Camboja

O terror dos cambojanos é pouco comentado. Não sei se algum jornal vai pedir a Oscar Niemeyer sua opinião sobre a experiência social promovida pelo Khmer. Comparando à cobertura da rotina em Guantánamo, o julgamento dos responsáveis pelo genocídio no Camboja recebe atenção mínima da imprensa

 

No colégio e no jornal, aprendemos que as maiores barbaridades da história foram causadas por americanos. São verdades incontestáveis. Todos nós aprendemos que a guerra no Vietnã foi a maior carnificina da Ásia. A invasão do Iraque foi um crime contra a humanidade. Os americanos fizeram o golpe de 64 no Brasil. Estão matando detentos em escala industrial em Guantánamo.

A farsa do “acordo humanitário”

O papel do presidente Lula nesta farsa teve vários objetivos, um dos quais pôr uma cortina de fumaça sobre as íntimas ligações de seu governo e seu partido (PT) com as FARC, confirmadas nos achados dos computadores de Raúl Reyes.

Causou-me constrangimento e perplexidade os comentários maldosos, baseados em desinformação plantada pela mídia companheira de viagem, a respeito da participação do nosso Exército Brasileiro na operação de resgate dos seqüestrados pelas FARC. Em primeiro lugar, é fundamental que se nomeie as coisas por seus nomes reais, e não pela novilíngua do politicamente correto. Essas pessoas que aos poucos estão sendo libertadas não são “prisioneiros de guerra” – porque se admitirmos isto, estaremos implicitamente concordando que existe uma contenda entre dois Estados –, mas SEQÜESTRADAS por um bando narcoterrorista, de corte marxista-leninista.

Cebrapaz promove debate sobre a reativação da Quarta Frota

No último dia 14 de agosto, o Núcleo Cebrapaz Rio de Janeiro voltou a abordar o tema IV Frota.

Membros do PCdoB e representantes de Cuba promoveram manifestação em Brasília, em julho de 2008, contra a IV Frota da Marinha dos EUA. E, como de costume, nada foi comentado pela grande mídia brasileira.

No último dia 14 de agosto, o Núcleo Cebrapaz Rio de Janeiro voltou a abordar o tema IV Frota. Promoveu um debate no auditório da Assembléia Legislativa do Estado (ALERJ) sobre a reativação da Quarta Frota Estadunidense. E, como sempre, nada foi divulgado pela mídia.
 
O debate contou com a participação da presidenta do Conselho Mundial da Paz (CMP) e do Cebrapaz, Socorro Gomes (militante do PC do B), e do Professor de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense, Bernardo Kocher.
 
O foco das discussões durante o evento foi a grande preocupação com o patrulhamento ostensivo feito pelos EUA na América Latina e Caribe, consolidado pela reativação da Quarta Frota Estadunidense.
 
“A Quarta Frota faz parte da política agressiva dos EUA”, disse a presidenta do CMP. “Precisamos nos manifestar contra ela e denunciar a ameaça que ela representa para que os países a rechacem, não a aceitem”, acrescenta.
 
No auditório da ALERJ, quarenta pessoas assistiram a duas grandes conferências, durante as quais o Profº. Bernardo e Socorro Gomes contextualizaram o surgimento da Quarta Frota no período da Guerra Fria.
 
Os dois conferencistas destacaram a ascensão de governos de esquerda em vários países da América Latina, bem como a união da América do Sul, com ações concretas como o Parlasul, Unasul e o próprio Mercosul.
 
“O objetivo da Quarta Frota é intimidar, ameaçar países e nações de toda a América Latina e do Caribe a fim de estabelecer o controle sobre a região e sobre os governos que não aceitam as imposições do governo dos EUA, países que buscam sua independência, a integração regional e discutem a criação de um plano estratégico para a defesa das nações do Sul”, disse a presidenta do CMP.
 
Bernardo Kocher foi enfático ao dizer que a América Latina poderá se rebelar contra os EUA. O professor também ressaltou a influência crescente da Rússia na geopolítica da Europa Oriental e o enfraquecimento da ação dos EUA na região do Cáucaso.
 
A nova descoberta de campos petrolíferos em nossas águas também foi um elemento destacado por Socorro Gomes, assim como nossas riquezas de biodiversidade, concentradas, em sua maioria, na região norte.
 
“Trata-se de uma política de roubo, de saque dos recursos naturais, já que as regiões escolhidas são ricas em recursos naturais”, disse a presidenta.
 
Socorro Gomes disse ainda que a intenção humanitária expressada pelos EUA ao corpo diplomático brasileiro, a fim de justificar a intervenção militar, foi apenas uma desculpa para acobertar as ações do poderio bélico da frota.
 
“Rios não são águas internacionais, a idéia de explorar rios está intimamente ligada à questão das bases militares pelo mundo”, alerta Socorro Gomes.
 
Ao final do debate, a presidenta convocou os movimentos sociais para discutirem ações contra o perigo real representado pela nova investida imperialista. “O Cebrapaz como o CMP convocam todos os movimentos pela paz no mundo a fazerem campanha contra o imperialismo e contra a Quarta Frota”, disse.
 
Socorro também convidou todos os presentes a participarem do Fórum Social Mundial 2009, que será realizado na cidade de Belém do Pará e terá, entre seus temas de debate, a reativação da Quarta Frota.

Notas:

Da esquerda p/ direita: Bernardo Kocher, socorro Gomes e Márica Silva, representante do Núcleo Cebrapaz RJ.

 

Os nexos de Lula com as FARC

O certo é que as relações de Lula da Silva e seu governo com as FARC, não podem ficar como uma revelação secundária publicada por uma revista de segunda categoria e nada mais.

Estavam demorando, o governo colombiano e os meios de comunicação, para destampar a panela apodrecida da relação do governo brasileiro com as FARC, não somente pelos reveladores correios eletrônicos encontrados nos PC’s de Reyes, como também por fatos concretos anteriores, como a contribuição de vários milhões de dólares das FARC em apoio ao Partido dos Trabalhadores (PT) durante a primeira eleição de Lula.
 
A diferença entre Lula e os bocudos da Venezuela, Equador e Nicarágua, é de estilo mas não de pensamento nem de propósitos. E, claro que a uma potência econômica como o Brasil, com um dos exércitos mais bem preparados e que carregam uma responsabilidade muito grande em defesa da soberania nacional e da segurança do hemisfério, a ditadura cubana não a pode manipular com a mesma facilidade com que dispõe de seus cachorros em Quito, Caracas, Manágua e La Paz. Porém, ao mesmo tempo, Lula está de acordo com o que pensam e fazem seus vizinhos co-partidários, mancomunados com Piedad Córdoba e o Partido Comunista Colombiano.
 
O fato de que apareçam tantos funcionários públicos da administração Lula nos correios de Reyes, e que em quase todos Reyes insista na importância das relações políticas das FARC com o mandatário brasileiro, é um claro sinal de que a situação é estrutural e não uma simples conjuntura. Sem dúvida, Lula (embora à sua maneira) faz parte do complô contra a Colômbia e no final o que contam são os resultados.
 
A isso se acrescenta que o terrorista Oliverio Medina não tenha sido extraditado e que, pelo contrário, se lhe tenha dado status de refugiado no Brasil, além de que este estivesse ansioso à espera do passaporte para visitar Reyes no Equador.
 
Ao mesmo tempo, a Coordenadora Continental Bolivariana (CCB), integrada pelos partidos comunistas de todo o hemisfério e alguns representantes do ETA basco e do comunismo espanhol, não fizeram outra coisa senão multiplicar o ódio anti-yanque, a relação do governo colombiano com os Estados Unidos, a necessidade de dar protagonismo e liderança regional ao Brasil, a construção da chamada Pátria Grande e o reconhecimento político às FARC.
 
Palavras mais, palavras menos, esses têm sido os mesmos delineamentos de Lula que, por meio de outras argúcias e com a tática de tirar a brasa com a mão alheia, consentiu desde a suposta distância que debaixo de seu nariz se desenvolva toda esta trama com a preconcebida desculpa de que, se algum dia as coisas se descobrirem, do mesmo modo que o vergonhoso mandatário colombiano Ernesto Samper, dirá que tudo foi feito pelas suas costas.
 
É evidente que neste momento o presidente Uribe tem a faca e o queijo na mão, pois possue as provas que comprometem vários governos, inclusive o de Lula, com os terroristas das FARC. O desafio imediato é o emprego estratégico dessa mesma informação, não só para derrotar as FARC no campo político, senão para salvar o hemisfério da crescente onda de “aventureiros” no poder e o risco de atraso estrutural da região, se cai no projeto totalitário comunista.
 
Não vamos padecer a vergonha cubana que depois de meio século de ditadura nem podem viajar para fora de seu país, nem usar a Internet nem possuir um telefone celular próprio. Afora isso, perder o direito à livre expressão, à propriedade privada e à livre locomoção.
 
A prova disso é que quando Correa começou a desenvolver a teatral manifestação de dignidade de vitrine, ordenada pela ditadura cubana a ele e aos demais paus mandados de Fidel Castro, fez um périplo pela Bolívia, Venezuela, Brasil e Manágua antes de ir à Cúpula do Rio. É claro que tal viagem não era só para pedir solidariedade, senão para uma série de reuniões de inimigos da Colômbia, com o objetivo de refinar a mentira e as tapeações com as quais pretendiam desviar a realidade e descartar a grave responsabilidade de suas alianças com as FARC.
 
Não se pode esquecer que Lula é um dos fundadores do Foro de São Paulo, reunião pró-subversiva que acolheu as FARC como movimento político, e que o mandatário brasileiro nunca se retratou disto. Tampouco se pode esquecer que Lula nunca quis aceitar que as FARC são terroristas e inclusive disse que não faz isso, para poder servir em uma eventual intermediação na paz que ninguém lhe solicitou. Chama a atenção que os correios encontrados no PC de Reyes refiram a insistência do governo brasileiro no Acordo Humanitário, quer dizer, todos estão de acordo; não são meras coincidências.
 
Em outras palavras, é a mesma tese de Chávez e Correa, prevista para que os governantes “pátria ou morte” com Fidel Castro, dessem status de beligerância às FARC, assim que Chávez se reunisse com Tirofijo para protocolizar a doação de 300 milhões de dólares, mais uns barris de petróleo, com a finalidade de financiar a etapa da ofensiva final das FARC contra a Colômbia. Inclusive foi com essa mesma missão que as FARC liberaram Luis Eladio Pérez. E foi essa mesma a tese de Piedad Córdoba em suas intervenções ante auditórios no exterior.
 
O certo é que as relações de Lula da Silva e seu governo com as FARC, não podem ficar como uma revelação secundária publicada por uma revista de segunda categoria e nada mais. É necessário que o governo colombiano inicie sem mais demora a ofensiva diplomática internacional, para que o mundo inteiro tenha os elementos de juízo suficientes para entender a dimensão do complô contra a Colômbia, e para buscar apoio na luta contra o terrorismo.
 
De maneira paralela, é hora de que a Procuradoria Geral da Nação inicie as investigações formais contra todos os conspiradores e os peça em extradição pois, como se supõe, os países de origem não os vão entregar, então haveria um forte argumento para levar os casos à Corte Penal Internacional. Das águas turvas e das posições pusilânimes nunca se escreveu nada. O que está em jogo é a continuidade do sistema democrático na Colômbia e a segurança integral do hemisfério. Lula não é só inimigo da Colômbia. É um dissimulado.
 
Os reveladores achados da conexão Lula-FARC são um elemento-chave e concreto para a reeleição de Uribe, e a continuidade da luta para conseguir a estabilidade e a paz com justiça social no país. Por iss o cabe lembrar uma frase de Trumman: “Os governos não caem pelos maus senão pelos fracos”.
 
Que a debilidade humana não vá tocar o Presidente Uribe. Que desate a ofensiva diplomática e jurídica contra os conspiradores. Os abraços de Lula, as caleidoscópicas mudanças de atitude de Chávez e Correa, e as mudanças bruscas de Ortega, não são outra coisa que o desdobramento de uma cartilha dirigida desde Havana e justificada pelos populistas franceses. A Colômbia está na mira dos terroristas e de seus corifeus. E esse objetivo não se pode retirar do foco.
 
Aqui não valem nem servem para nada as posições dos consuetudinários pacifistas acovardados que, como o pavão real, encolhem a plumagem ao primeiro ruído. Tampouco valem os cantos de sereia dos camaleões, ou as desculpas esfarrapadas de Lula. Todos os conspiradores são comunistas e partem do princípio de que há uma luta de classes, na qual a Colômbia é o inimigo ao qual têm que derrotar para impor a paz socialista. Quanto ao mais, é dar oportunidade…
 
E mais um detalhe: já é hora de o governo colombiano trazer à luz pública as revelações que por razões óbvias devem ter os PC de Reyes, com os lógicos nexos e direção estratégica de todo o complô por parte da ditadura cubana.

Notas:

Nota da Tradutora: Este artigo foi publicado em 31 de julho mas permanece atualíssimo considerando que, por ordem do governo, a imprensa além de minimizar a gravidade das denúncias, de desmenti-las sem provas contestatórias e desmerecer a revista “Cambio” como sensacionalista, colocou uma pedra sobre o assunto e nunca mais se falou disso. Daí a importância deste artigo, para que não caia no esquecimento do público mal informado, que há vínculos sólidos e reais do PT e do Sr. Lula com as FARC.
 

Fonte: www.eltiempo.com

Tradução: Graça Salgueiro

Lições da Bolívia

Cada vez que um dos membros do Foro de São Paulo se encontra em dificuldades, o resto dos integrantes acode em seu apoio, passando por cima das nacionalidades. Em compensação, os democratas da região atuam única e exclusivamente dentro de seu próprio território.

Semanas antes do referendo de 10 de agosto, os aliados internacionais de Evo Morales lançaram uma intensa campanha para defender seu pupilo.
 
Em 30 de junho, Chávez viajou a Tucumán, Argentina, para assistir à XXXV Cúpula do Mercosul, onde propôs aos países membros dessa organização um plano para apoiar Morales.
 
Em 18 de julho, Chávez e o presidente Lula viajaram a Riberalta, Bolívia, para respaldar Evo Morales. Em um gesto claramente propagandístico, Lula assinou um protocolo para o financiamento de 230 milhões de dólares para construir uma estrada de 508 kilômetros que ligará a Bolívia com o Brasil.
 
Pouco antes de 10 de agosto, dirigentes do Foro de São Paulo viajaram a La Paz para “manifestar seu apoio ao processo político que vive a Bolívia e à gestão do presidente Evo Morales”. Segundo a nota de Mundo Posible, entre outros assistentes “estiveram presentes a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN), de El Salvador, a Frente Sandinista da Nicarágua, o Polo Dmocrático Alternativo da Colômbia e a Frente Ampla do Uruguai”. O Foro de São Paulo foi criado por Lula e Fidel Castro em 1990. Chávez é membro desde 1995 e é o principal financiador dessa organização.
 
Tal como resenhou uma nota no portal de notícias do Mercosul em 11 de agosto, “Na campanha do referendo revocatório no qual esteve em jogo o mandato de Evo Morales, seu aliado estratégico Hugo Chávez foi a espada e o presidente brasileiro Lula da Silva, o escudo”.
 
Em contraste, as forças democráticas da Ibero-América pouco ou nada fizeram durante a campanha eleitoral. Exceto por alguns artigos de opinião, se limitaram a esperar os resultados do referendo. Deixaram os opositores bolivianos absolutamente sós.
 
Cada vez que um dos membros do Foro de São Paulo se encontra em dificuldades, o resto dos integrantes acode em seu apoio, passando por cima das nacionalidades. Em compensação, os democratas da região atuam única e exclusivamente dentro de seu próprio território.
 
A lição é esta: urge criar uma contrapartida ao Foro de São Paulo; uma organização democrática ibero-americana, capaz de combater internacionalmente essa máfia de alcance mundial. Porém, para consegui-lo, primeiro é necessário ampliar a visão da política. Ou os democratas da Ibero-América lutamos conjuntamente, ou nos derrotarão um a um.

Notas:

Tradução: Graça Salgueiro

A verdade sobre o PT e as FARC

Tanto o PT como as FARC estiveram – ombro a ombro – no Grupo de Trabalho do Foro de São Paulo, desde sua fundação até (ao menos) março deste ano; quer dizer, durante dezoito anos.

Um escândalo maiúsculo levantou-se no Brasil pelas revelações da revista “Cambio”, segundo as quais membros do alto governo de Lula estariam vinculados às FARC.

Os próprios incriminados – entre eles o chanceler Celso Amorim e o assessor Marco Aurélio Garcia – puseram a boca no mundo, alegando que não têm nada a ver com a guerrilha colombiana e que, pelo contrário, foi o Partido dos Trabalhadores (PT) quem “afastou as FARC do Foro de São Paulo”.

Entretanto, os fatos demonstram que o PT e o próprio Lula mantiveram relações não só com as FARC, como também com o ELN.

Em julho de 1990, o Partido dos Trabalhadores – junto com o Partido Comunista de Cuba – convocou uma reunião na cidade de São Paulo, para discutir o que fazer frente a queda do muro de Berlim e o provável desaparecimento do comunismo. À reunião assistiram sessenta e oito forças políticas pertencentes a vinte e dois países latino-americanos, entre eles as FARC e o ELN.

Ali decidiram conformar uma nova organização política, de alcance continental, à qual denominaram Foro de São Paulo (FSP), para manter viva a utopia marxista. Estabeleceram um mecanismo de comunicação permanente, encontros anuais, uma revista semestral – América Libre – e uma junta diretora, denominada Grupo de Trabalho.

Tanto o PT como as FARC estiveram – ombro a ombro – no Grupo de Trabalho do Foro de São Paulo, desde sua fundação até (ao menos) março deste ano; quer dizer, durante dezoito anos. Enquanto o Conselho Editorial de América Libre teve – desde seu primeiro exemplar até o mais recente – algum porta-voz do PT e o número um das FARC, Manuel Marulanda, codinome Tirofijo.

O confisco do computador de Raúl Reyes, ocorrido em março deste ano, acendeu os alarmes de todos os aliados das FARC, inclusive os do PT, porque nos discos rígidos ficava plenamente demonstrada não somente uma afinidade ideológica, senão uma aliança política e operacional com o narco-terrorismo colombiano. Isso sim é que eram palavras maiores.

Deste modo, o PT ordenou uma estratégia de desacoplamento, a qual começou em maio na cidade de Montevidéu, com uma coletiva de imprensa outorgada pelo alto dirigente petista Valter Pomar, que ocupava o cargo de Secretário Executivo do XIV Encontro do Foro de São Paulo.

Pomar anunciou com estardalhaço e arrogância que as FARC já não pertenciam ao Foro de São Paulo. Entretanto – para sua desventura – Daniel Ortega se encarregou de desmenti-lo dois dias mais tarde, quando pronunciou um apaixonado discurso a favor de Manuel Marulanda, que foi ovacionado de pé por todos os participantes do Encontro, inclusive a delegação do PT.

Em resumo, a vinculação entre o PT e as FARC é fácil de demonstrar. Ocorre através do Foro de São Paulo. Há milhares de documentos públicos que o certificam. O problema é que Lula é nada menos que o Presidente da República e o PT é o partido do governo. Portanto, embora existam as provas, dificilmente haverá castigo porque as próprias autoridades irão querer impedir ou sabotar qualquer julgamento.

Só uma Comissão Internacional da Verdade, composta por personalidades de toda a América, será capaz de levar ao banco dos réus os acusados e de levar ao cárcere os que durante tantos anos foram aliados do narco-terrorismo colombiano.

Notas:

 

Tradução: Graça Salgueiro

“Sentiam prazer em nos humilhar”

Uma reportagem impactante que mostra claramente para que servem os moradores de rua de São Paulo: massa de manobra para o esquerdismo que contaminou a Igreja Católica.

Morei ali no albergue São Francisco, que ficava na esquina da rua Santo Amaro, com o viaduto Jacareí, bem em frente à Câmara Municipal de São Paulo. Ele foi desativado há 15 dias, da noite para o dia, por força de um abaixo-assinado dos moradores, pois o local se transformou em um ponto de albergados e marginais de todo o tipo, e retornou para a baixada do Glicério que estava sendo fechado. Antes o São Francisco chama-se Cireneu e era administrado por uma Ong de quinta categoria, com verba liberada pela Prefeitura, por meio da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social.

Pois bem. Em abril, os padres franciscanos assumiram o comando do albergue e o que era ruim ficou pior. Acho muito estranho que o padre Júlio Lancelotti e outros religiosos liderem uma passeata com moradores de rua, usando albergados como massa de manobra para conseguir, talvez, mais recursos da Prefeitura.

Maus tratos – Ali , no albergue São Francisco, os padres, que zelam tanto pela fraternidade, tratavam os albergados de forma desumana. Éramos mais de 400 pessoas amontoadas num imenso porão-dormitório sujo, que alagava quando chovia. Era um depósito de seres humanos, com um cheiro insuportável. Senhores com mais de 80 anos misturavam-se a jovens alcoólatras, drogados, crianças, mulheres, deficientes físicos e mentais, tuberculosos, portadores do vírus da aids, ex-presidiários e outros ainda cumprindo pena condicional, sem nenhum tipo de assistência.

Aquilo se assemelhava mais a um campo de concentração nazista. Durante cinco anos, o albergue funcionou ali, debaixo do viaduto, sob um estridente barulho, o “dum-dum” dos veículos que passam pelas emendas sobre o viaduto. Esse incômodo barulho martelava nossos ouvidos a noite toda. Nunca se tomou uma providência.

Com raríssimas exceções, os monitores, contratados pela igreja sem a mínima qualificação profissional, sentiam prazer em nos humilhar, deixando-nos na fila, debaixo de chuva e frio, à espera da hora de entrar. As regras são draconianas. Entra-se após às 17h30 e acorda-se às 5h. Até as 7h, todos têm que ir para a rua, inclusive aos domingos e feriados. As assistentes sociais explicavam que eram ordens da Prefeitura e não podiam fazer nada. Assim, todos, até mesmo as senhoras e outras pessoas com idade avançada tinham de sair, fizesse sol ou chuva.

Sem camas – Um dia, com princípio de pneumonia, pedi para ficar lá dentro, pois chovia e fazia frio. Me sentia muito mal. Solicitei a um dos monitores que me deixasse ficar e ouvi:

“Não enche o saco, meu. Você não sabe que os padres não querem ninguém aqui dentro? Vá embora”.

No dia seguinte, muito mal, me escondi na biblioteca e não saí. Era começo de maio, fazia um frio insuportável. Foi então que presenciei uma cena lamentável: o coordenador dos franciscanos dentro do albergue mandou retirar centenas de camas (são beliches) do dormitório para colocá-las nos porões daquele fétido lugar. Ele dizia aos outros monitores: “Quanto menos camas, melhor. Agora vem o frio, a Prefeitura vai querer mandar mais gente para cá e, desse jeito, podemos dizer que não há lugar”. Depois, espaçou as camas que restaram para dar a impressão de que não havia mais lugar.

“Há uma indústria da miséria”

No albergue São Francisco, que fu ncionava sob o viaduto Jaceguai, muitos dos idosos que lá dormiam não conseguiam mais fazer suas necessidades fisiológicas no banheiro. E sujavam na roupa, na cama, no chão. Não havia fralda geriátrica para eles.

Muitas vezes vi albergados mais novos ajudando os mais velhos a tomar banho. Vi vários deles caídos no chão, pedindo ajuda. O pior de tudo é que o albergue São Francisco foi desativado, mas na Baixada do Glicério (seu novo endereço) a situação continua a mesma, segundo relatos dos albergados que foram removidos para lá. Outros foram encaminhados para um hotel social (a Prefeitura o chama de Centro de Recolhimento), na rua Francisca Michelina, na região central da cidade. A comida é razoável, mas costuma provocar indisposições estomacais.

Monopólio da Igreja – Depois disso tudo, cheguei à conclusão de que deve existir “uma indústria da miséria”. Em São Paulo, o monopólio dos moradores de rua está nas mãos da Igreja. Ela usam a verba da Prefeitura, mas gasta muito pouco na melhoria dos serviços do albergue.

Na época em que se chamava Cireneu (nome de um empresário ligado ao grupo Copagaz) a coisa era ruim, mas só aceitavam pessoas com mais de 40 anos. Depois que a Igreja assumiu o albergue, abriu as portas para todo mundo. Então, jovens, líderes de facções criminosas, assaltantes, e até traficantes passaram a almoçar e morar lá. Eram comuns os princípios de tumulto.

“Muquiranas” – Para se conseguir almoçar era preciso esperar, em média, 3 horas, debaixo de chuva ou de sol. Os padres se recusavam a abrir os portões para que pudéssemos entrar e nos abrigar. Um papel colado na parede interna do dormitório indicava que a dedetização estava vencida havia 3 meses. Os dormitórios ficavam infestados de baratas e de outros insetos, principalmente de “muquiranas”, uma espécie de piolho que dá no corpo de quem não toma banho, produzindo uma coceira insuportável. É muito fácil ficar infestado. São os moradores de rua que os trazem.

Com auto-estima muito baixa, mas com alguma dignidade, suportávamos todo tipo de humilhação que nos era imposta, com medo de sofrer represálias: ser cortado e ir para rua. Era fila para entrar, fila para pegar alguma roupa no bagageiro, fila para tomar banho (quando os chuveiros funcionavam) e fila para jantar. Não adiantava muito tomar banho, porque éramos obrigados a vestir a mesma roupa, que cheirava mal.

Vícios – Pude constatar que a maioria dos albergados já está, de alguma forma, mentalmente comprometida com os vícios adquiridos e não existe uma política específica para tratar dessa questão social. Não há tratamento diferenciado para cada tipo de problema, curso técnico, suporte jurídico, assistência médica. Enfim, não há nada. Entra-se no final da tarde, só toma banho quem quer, dorme-se e, às 5h da manhã, todo mundo acorda.

No café da manhã é servido um pão (de hot-dog) com manteiga e café com leite de soja (mais dor de barriga em todo mundo). Depois, dez horas passadas na rua. Essa é a rotina. Do jeito que funcionam, esses albergues não contribuem para nada. Dali, a maioria sai e passa o dia bebendo e se drogando até a hora de voltar. Poucos trabalham ou fazem bicos. Estão todos abaixo da linha da pobreza. Dificilmente conseguem se reintegrar à sociedade.

Chá com política – Quem mora em albergue ou pelas ruas da cidade conhece muito bem o que é uma “boca de rango”. É aquele lugar que oferece comida de graça aos pobres. Em São Paulo existem várias delas e uma das mais conhecidas, e bastante freqüentada, é a do “chá do padre”. De segunda a sexta-feira, as 14h, a igreja de São Francisco, com entrada pela rua Riachuelo, oferece chá com dois pãezinhos com manteiga. O salão fica lotado e é nessa hora que os religiosos aproveitam para fazer suas pregações políticas, incitando os moradores de rua e albergados a se organizarem em movimentos políticos para reivindicar seus direitos junto ao governo. Até um terceiro mandado do Lula já foi questionado lá.

Quando não é no chá, essa doutrinação política é feita nos albergues, por meio das assistentes sociais. Mas os albergados são avessos a esses movimentos. As assistentes sociais também convocaram todo mundo para protestar no dia 1º de Maio, a pedido da Igreja. Disseram que era importante a presença dos albergados nessas manifestações. A Igreja mandou confeccionar vários cartazes e distribuíram farto material para que fossem feitas faixas e cartazes. Todos deveriam estar reunidos na praça da Sé. Mas ninguém deu a menor importância a isso.

A Prefeitura, por sua vez, faz propaganda enganosa, espalhando pelas principais praças da cidade peruas Kombi azuladas, com os dizeres “São Paulo Protege”. Existem cerca de 13 mil moradores de rua em São Paulo, mas só a metade deles mora em albergue. Essas peruas só recolhem as pessoas da rua no final da tarde. E nem sempre existem vagas nos albergues. Cheguei a ver gente entrando às 2h da manhã para sair logo depois, às 5h.

Prefeitura diz que vai apurar

O supervisor de Assistência Social da Região da Sé, Luiz Fernando Franceschini, afirmou que vai apurar as denúncias feitas. “São denúncias fortes, graves, mas temos de apurar com cuidado, porque o problema é muito complexo”, afirmou.

Falando em nome do secretário da Assistência e Desenvolvimento Social, Franceschini admitiu que não existe, de fato, uma política pública que dê amparo a esse tipo de população. “Estamos nos esforçando para melhorar os serviços, readequar os albergues, a fim de evitar que problemas mais graves aconteçam”.

O supervisor, porém, fez questão de ressaltar que a falta de assistência aos idosos (como a doação de fraldas geriátricas, por exemplo) é um problema da Secretaria da Saúde que, por meio das Unidades Básicas de Saúde e dos Ambulatórios Médicos, deveriam se responsabilizar por isso. Franceschini também admitiu que não existem asilos suficientes para acolher todos os idosos em situação de rua.

O albergue situado no Glicério também será desativado, anunciou o supervisor. Ele disse que a Prefeitura está procurando dois imóveis para abrigar os albergados. Disse ainda que, por se tratar de um assunto sério e complicado, a Prefeitura encontra uma série de dificuldades para resolver o problema: “Em princípio, nós confiamos no Serviço Franciscano de Fraternidade, que entende da questão de moradores de rua e albergados”.

Notas:

Publicado pelo Diário do Comércio em 05/08/2008