Notícias Faltantes


“Sentiam prazer em nos humilhar”

Uma reportagem impactante que mostra claramente para que servem os moradores de rua de São Paulo: massa de manobra para o esquerdismo que contaminou a Igreja Católica.

Morei ali no albergue São Francisco, que ficava na esquina da rua Santo Amaro, com o viaduto Jacareí, bem em frente à Câmara Municipal de São Paulo. Ele foi desativado há 15 dias, da noite para o dia, por força de um abaixo-assinado dos moradores, pois o local se transformou em um ponto de albergados e marginais de todo o tipo, e retornou para a baixada do Glicério que estava sendo fechado. Antes o São Francisco chama-se Cireneu e era administrado por uma Ong de quinta categoria, com verba liberada pela Prefeitura, por meio da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social.

Pois bem. Em abril, os padres franciscanos assumiram o comando do albergue e o que era ruim ficou pior. Acho muito estranho que o padre Júlio Lancelotti e outros religiosos liderem uma passeata com moradores de rua, usando albergados como massa de manobra para conseguir, talvez, mais recursos da Prefeitura.

Maus tratos – Ali , no albergue São Francisco, os padres, que zelam tanto pela fraternidade, tratavam os albergados de forma desumana. Éramos mais de 400 pessoas amontoadas num imenso porão-dormitório sujo, que alagava quando chovia. Era um depósito de seres humanos, com um cheiro insuportável. Senhores com mais de 80 anos misturavam-se a jovens alcoólatras, drogados, crianças, mulheres, deficientes físicos e mentais, tuberculosos, portadores do vírus da aids, ex-presidiários e outros ainda cumprindo pena condicional, sem nenhum tipo de assistência.

Aquilo se assemelhava mais a um campo de concentração nazista. Durante cinco anos, o albergue funcionou ali, debaixo do viaduto, sob um estridente barulho, o “dum-dum” dos veículos que passam pelas emendas sobre o viaduto. Esse incômodo barulho martelava nossos ouvidos a noite toda. Nunca se tomou uma providência.

Com raríssimas exceções, os monitores, contratados pela igreja sem a mínima qualificação profissional, sentiam prazer em nos humilhar, deixando-nos na fila, debaixo de chuva e frio, à espera da hora de entrar. As regras são draconianas. Entra-se após às 17h30 e acorda-se às 5h. Até as 7h, todos têm que ir para a rua, inclusive aos domingos e feriados. As assistentes sociais explicavam que eram ordens da Prefeitura e não podiam fazer nada. Assim, todos, até mesmo as senhoras e outras pessoas com idade avançada tinham de sair, fizesse sol ou chuva.

Sem camas – Um dia, com princípio de pneumonia, pedi para ficar lá dentro, pois chovia e fazia frio. Me sentia muito mal. Solicitei a um dos monitores que me deixasse ficar e ouvi:

“Não enche o saco, meu. Você não sabe que os padres não querem ninguém aqui dentro? Vá embora”.

No dia seguinte, muito mal, me escondi na biblioteca e não saí. Era começo de maio, fazia um frio insuportável. Foi então que presenciei uma cena lamentável: o coordenador dos franciscanos dentro do albergue mandou retirar centenas de camas (são beliches) do dormitório para colocá-las nos porões daquele fétido lugar. Ele dizia aos outros monitores: “Quanto menos camas, melhor. Agora vem o frio, a Prefeitura vai querer mandar mais gente para cá e, desse jeito, podemos dizer que não há lugar”. Depois, espaçou as camas que restaram para dar a impressão de que não havia mais lugar.

“Há uma indústria da miséria”

No albergue São Francisco, que fu ncionava sob o viaduto Jaceguai, muitos dos idosos que lá dormiam não conseguiam mais fazer suas necessidades fisiológicas no banheiro. E sujavam na roupa, na cama, no chão. Não havia fralda geriátrica para eles.

Muitas vezes vi albergados mais novos ajudando os mais velhos a tomar banho. Vi vários deles caídos no chão, pedindo ajuda. O pior de tudo é que o albergue São Francisco foi desativado, mas na Baixada do Glicério (seu novo endereço) a situação continua a mesma, segundo relatos dos albergados que foram removidos para lá. Outros foram encaminhados para um hotel social (a Prefeitura o chama de Centro de Recolhimento), na rua Francisca Michelina, na região central da cidade. A comida é razoável, mas costuma provocar indisposições estomacais.

Monopólio da Igreja – Depois disso tudo, cheguei à conclusão de que deve existir “uma indústria da miséria”. Em São Paulo, o monopólio dos moradores de rua está nas mãos da Igreja. Ela usam a verba da Prefeitura, mas gasta muito pouco na melhoria dos serviços do albergue.

Na época em que se chamava Cireneu (nome de um empresário ligado ao grupo Copagaz) a coisa era ruim, mas só aceitavam pessoas com mais de 40 anos. Depois que a Igreja assumiu o albergue, abriu as portas para todo mundo. Então, jovens, líderes de facções criminosas, assaltantes, e até traficantes passaram a almoçar e morar lá. Eram comuns os princípios de tumulto.

“Muquiranas” – Para se conseguir almoçar era preciso esperar, em média, 3 horas, debaixo de chuva ou de sol. Os padres se recusavam a abrir os portões para que pudéssemos entrar e nos abrigar. Um papel colado na parede interna do dormitório indicava que a dedetização estava vencida havia 3 meses. Os dormitórios ficavam infestados de baratas e de outros insetos, principalmente de “muquiranas”, uma espécie de piolho que dá no corpo de quem não toma banho, produzindo uma coceira insuportável. É muito fácil ficar infestado. São os moradores de rua que os trazem.

Com auto-estima muito baixa, mas com alguma dignidade, suportávamos todo tipo de humilhação que nos era imposta, com medo de sofrer represálias: ser cortado e ir para rua. Era fila para entrar, fila para pegar alguma roupa no bagageiro, fila para tomar banho (quando os chuveiros funcionavam) e fila para jantar. Não adiantava muito tomar banho, porque éramos obrigados a vestir a mesma roupa, que cheirava mal.

Vícios – Pude constatar que a maioria dos albergados já está, de alguma forma, mentalmente comprometida com os vícios adquiridos e não existe uma política específica para tratar dessa questão social. Não há tratamento diferenciado para cada tipo de problema, curso técnico, suporte jurídico, assistência médica. Enfim, não há nada. Entra-se no final da tarde, só toma banho quem quer, dorme-se e, às 5h da manhã, todo mundo acorda.

No café da manhã é servido um pão (de hot-dog) com manteiga e café com leite de soja (mais dor de barriga em todo mundo). Depois, dez horas passadas na rua. Essa é a rotina. Do jeito que funcionam, esses albergues não contribuem para nada. Dali, a maioria sai e passa o dia bebendo e se drogando até a hora de voltar. Poucos trabalham ou fazem bicos. Estão todos abaixo da linha da pobreza. Dificilmente conseguem se reintegrar à sociedade.

Chá com política – Quem mora em albergue ou pelas ruas da cidade conhece muito bem o que é uma “boca de rango”. É aquele lugar que oferece comida de graça aos pobres. Em São Paulo existem várias delas e uma das mais conhecidas, e bastante freqüentada, é a do “chá do padre”. De segunda a sexta-feira, as 14h, a igreja de São Francisco, com entrada pela rua Riachuelo, oferece chá com dois pãezinhos com manteiga. O salão fica lotado e é nessa hora que os religiosos aproveitam para fazer suas pregações políticas, incitando os moradores de rua e albergados a se organizarem em movimentos políticos para reivindicar seus direitos junto ao governo. Até um terceiro mandado do Lula já foi questionado lá.

Quando não é no chá, essa doutrinação política é feita nos albergues, por meio das assistentes sociais. Mas os albergados são avessos a esses movimentos. As assistentes sociais também convocaram todo mundo para protestar no dia 1º de Maio, a pedido da Igreja. Disseram que era importante a presença dos albergados nessas manifestações. A Igreja mandou confeccionar vários cartazes e distribuíram farto material para que fossem feitas faixas e cartazes. Todos deveriam estar reunidos na praça da Sé. Mas ninguém deu a menor importância a isso.

A Prefeitura, por sua vez, faz propaganda enganosa, espalhando pelas principais praças da cidade peruas Kombi azuladas, com os dizeres “São Paulo Protege”. Existem cerca de 13 mil moradores de rua em São Paulo, mas só a metade deles mora em albergue. Essas peruas só recolhem as pessoas da rua no final da tarde. E nem sempre existem vagas nos albergues. Cheguei a ver gente entrando às 2h da manhã para sair logo depois, às 5h.

Prefeitura diz que vai apurar

O supervisor de Assistência Social da Região da Sé, Luiz Fernando Franceschini, afirmou que vai apurar as denúncias feitas. “São denúncias fortes, graves, mas temos de apurar com cuidado, porque o problema é muito complexo”, afirmou.

Falando em nome do secretário da Assistência e Desenvolvimento Social, Franceschini admitiu que não existe, de fato, uma política pública que dê amparo a esse tipo de população. “Estamos nos esforçando para melhorar os serviços, readequar os albergues, a fim de evitar que problemas mais graves aconteçam”.

O supervisor, porém, fez questão de ressaltar que a falta de assistência aos idosos (como a doação de fraldas geriátricas, por exemplo) é um problema da Secretaria da Saúde que, por meio das Unidades Básicas de Saúde e dos Ambulatórios Médicos, deveriam se responsabilizar por isso. Franceschini também admitiu que não existem asilos suficientes para acolher todos os idosos em situação de rua.

O albergue situado no Glicério também será desativado, anunciou o supervisor. Ele disse que a Prefeitura está procurando dois imóveis para abrigar os albergados. Disse ainda que, por se tratar de um assunto sério e complicado, a Prefeitura encontra uma série de dificuldades para resolver o problema: “Em princípio, nós confiamos no Serviço Franciscano de Fraternidade, que entende da questão de moradores de rua e albergados”.

Notas:

Publicado pelo Diário do Comércio em 05/08/2008

Cebrapaz e CMP organizam campanha, em Brasília, contra a Quarta Frota

Membros do PCdoB e representantes de Cuba promovem manifestação em Brasília. E como de costume, nada foi comentado pela grande mídia brasileira.

A matéria abaixo, comentando atos realizados em Brasília por dirigentes comunistas do PC do B e membros do Estado cubano, não mereceu publicação pelos órgãos de imprensa nacionais. 
 

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 Diante da ameaça representada pela nova investida imperialista, o Cebrapaz lançou, em conjunto com o Conselho Mundial da Paz (CMP), uma campanha contra o relançamento da Quarta Frota estadunidense em águas do Atlântico.
 
A presidenta do Conselho Mundial da Paz, Socorro Gomes (Maria do Socorro Gomes Coelho, deputada federal pelo PC do B/PA) alerta: “O anúncio de recriação da Quarta Frota estadunidense, destinada a realizar missões navais agressivas nas regiões do Caribe, América Central e América do Sul, é uma grave ameaça à paz, à segurança e à soberania de todos os povos e nações da América Latina”.
 
De acordo com a presidenta, o que está em jogo na decisão de autoridades estadunidenses de relançar a Quarta Frota são os interesses de frear o processo de transformação política da região e disputar os recursos naturais e estratégicos dos povos destas latitudes do mundo, ferindo a soberania e buscando intimidar militarmente a região.
 
“O objetivo é constituir um amplo movimento contra o relançamento da Quarta Frota e em defesa da paz e da soberania dos países da região”, disse Socorro Gomes sobre a campanha a ser realizada pelo Cebrapaz em parceria com o CMP.
 
Recordamos que o CEBRAPAZ é um órgão criado pelo PC do B e vinculado ao Conselho Mundial da Paz, organização de frente remanescente do Movimento Comunista Internacional.
 
Cebrapaz e CMP se reúnem com Ricardo Alarcón
 
Na última quinta-feira, dia 03 de julho, em Brasília, o Cebrapaz participou de uma reunião com Ricardo Alarcón, presidente da Assembléia Nacional do Poder Popular de Cuba e coordenador da Campanha pela Libertação dos 5 heróis cubanos, presos ilegalmente nos Estados Unidos.
 
Durante a reunião, a presidenta do CMP e do Cebrapaz, Socorro Gomes, e o diretor executivo do Cebrapaz, Rubens Diniz, apresentaram os resultados da Assembléia do Conselho Mundial da Paz (CMP) e o desejo de intensificar campanhas pela libertação dos cinco heróis.
 
Na ocasião foi analisada a atual conjuntura política na América Latina, o relançamento da Quarta Frota, o resgate da senadora Ingrid Betancourt.
 
Socorro Gomes disse que na próxima reunião do CMP será debatida uma campanha internacional em solidariedade com os cinco heróis cubanos, que inclui a realização de visitas de personalidades internacionais às prisões dos Estados Unidos nas quais eles estão detidos.
 
Cebrapaz homenageia José Martí no Congresso Nacional
“Ao exaltar José Martí, um dos fundadores do pensamento político antiimperialista da época moderna, essa solenidade também homenageia aqueles patriotas que lutam pelos mesmos ideais de José Martí”.
 
É dessa forma que o jornalista José Reinaldo Carvalho, Diretor de Comunicações do Cebrapaz, define a solenidade que inaugurou a exposição em homenagem a José Martí, o herói da independência de Cuba do domínio espanhol. José Reinaldo de Carvalho é membro do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil.
 
Realizada pelo Cebrapaz em parceria com outras forças progressistas, a exposição ficará no corredor de acesso ao plenário da Câmara dos Deputados até o próximo dia 04 de julho.
 
A exposição exibe fotografias sobre José Martí e imagens de Cuba de autoria de Lílian Vaz, integrante do Núcleo Cebrapaz São Paulo, que retratam cenas cotidianas e paisagens urbanas de Cuba. Ao referir-se às fotografias, José Reinaldo disse ter-se lembrado dos cinco patriotas cubanos, que estão proibidos de andar naquelas ruas porque se encontram presos nos cárceres do império.
 
“Essa exposição além de ser uma homenagem a eles é também um ato de solidariedade e de reivindicação para que sejam imediatamente libertados”, declarou o jornalista em seu discurso durante a inauguração da exposição, realizada no salão negro da Câmara.
 
A inauguração da exposição contou com a presença do presidente da Assembléia Nacional do Poder Popular de Cuba, deputado Ricardo Alarcón de Quesada, e o embaixador de Cuba no Brasil, Pedro Nuñes Mosquera, além de deputados e membros do corpo diplomático.
 
“Sinto-me muito honrado em representar o Cebrapaz em um evento que homenageia José Martí”, disse José Reinaldo. “O Cebrapaz se considera uma organização ‘martiniana’, porque os princípios através dos quais o Cebrapaz se orienta são os mesmos princípios de solidariedade e internacionalismo defendidos por José Martí e expressos em sua célebre frase: ‘Pátria é humanidade’”, acrescenta.
 
Antes da inauguração da exposição foi realizado um ato no plenário do Senado Federal que também contou com o apoio do Cebrapaz. Durante o ato organizado pelo Grupo Parlamentar Brasil-Cuba, formado por mais de 200 integrantes entre deputados e senadores, Ricardo Alarcón, que liderou a delegação cubana, fez duras críticas ao governo estadunidense por manter presos ilegalmente em seu território cinco compatriotas cubanos.
 
Alarcón elogiou a iniciativa do chanceler belga De Gucht que declarou que seu país irá sensibilizar outros interlocutores na Europa para que apóiem a libertação dos cubanos.

 

O dossiê brasileiro

Capa da revista Cambio: mais uma vergonha para a imprensa brasileira

O entardecer do sábado de 19 de julho, na fazenda Hatogrande, a casa presidencial ao norte de Bogotá, o presidente colombiano Álvaro Uribe, sorridente e despreocupado, como poucas vezes, não teve dúvidas em oferecer a seu colega brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, um copo de aguardente antioqueño para mitigar o frio que perfurava os ossos.

O copo selou a primeira parte da intensa jornada que tinha começado na sexta-feira, dia 18 de julho, e que terminaria no domingo com a celebração do Dia da Independência colombiana. Uma celebração que, como nunca, reuniu artistas do nível de Shakira e a qual participou também o presidente peruano Alan Garcia.

A agenda de Lula e Uribe, ao redor dos acordos bilaterais, foi condimentada com muitos elogios públicos. O presidente Uribe agradeceu a Lula e a seu governo de seis anos pelas relações dinâmicas e de confiança. No entanto, em uma reunião particular que mantiveram com pouquíssimas testemunhas, Uribe fez a Lula um breve resumo sobre uma série de arquivos que as autoridades colombianas encontraram nos computadores de Raúl Reyes que comprometia cidadãos e funcionários de seu governo com as Farc.

Diferente do que aconteceu com a informação relacionada aos servidores públicos do governo de Rafael Correa e cidadãos equatorianos, que o governo tornou pública, no caso do Brasil as instruções do presidente colombiano foram de mantê-las reservadas e manejá-las diplomaticamente para não deteriorar as relações comerciais e de cooperação com o governo de Lula.

O governo colombiano usou de forma seletiva os arquivos do computador pessoal de Raúl Reyes. Enquanto com o Equador e a Venezuela foram usados para colocar em proibição Chávez e Correa, hostis com Uribe, com o Brasil foi manipulado por debaixo da mesa para não comprometer Lula, que se mostrou mais hábil e menos belicoso com a Colômbia que seus outros colegas.

Ainda assim, alguns meios brasileiros tinham informação parcial sobre uns poucos arquivos e, por isso, no dia 27 de julho consultaram o ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, que em uma entrevista do jornal “O Estado de S. Paulo” confirmou que o governo colombiano havia informado Lula sobre o tema.

“Há uma série de informações de conexões que entregamos ao governo brasileiro para que possa atuar como considerar mais apropriado”, disse Santos, que se absteve de comentar se havia ou não políticos e funcionários oficiais com relações com o grupo que hoje é encabeçado por Alfonso Cano. Às declarações do ministro, o assessor de política internacional do Brasil, Marco Aurélio Garcia, respondeu de forma imediata e qualificou como irrelevantes os dados fornecidos pela Colômbia.

Cura Camilo – Não se sabe com exatidão e o quão detalhada foi a informação que o presidente colombiano Uribe deu a Lula, mas o que poderia ser chamado de “dossiê brasileiro” teria implicações mais sérias que as derivadas da informação relacionada com Venezuela e Equador.

A revista Cambio teve acesso a 85 mensagens eletrônicas que, entre fevereiro de 1999 e fevereiro de 2008, circularam entre Tirofijo, Raúl Reyes, o Mono Jojoy, Oliverio Medina – delegado das Farc no Brasil – e de homens identificados como Hermes e José Luís.

A julgar pelo conteúdo das mensagens, a presença das Farc no Brasil chegou às mais altas esferas do governo Lula, o Partido dos Trabalhadores (PT), a diligência política e a administração de Justiça. Neles, são mencionados cinco ministros, um procurador-geral, um assessor especial do presidente Lula, um vice-ministro, cinco deputados, um conselheiro e um juiz superior.

A personagem central das mensagens eletrônicas é Oliverio Medina, também conhecido como “Cura Camilo”, um sacerdote que ingressou nas Farc em 1983 e que teve uma rápida ascensão até tornar-se secretário de Tirofijo. Chegou ao Brasil como delegado especial das Farc em 1997 e esteve na Colômbia durante o processo da zona de Caguán, em que foi chefe de imprensa do grupo.

Por trás da ruptura das conversações em fevereiro de 2002, regressou ao Brasil, onde continuou sua missão, e sua influência chegou até altos níveis da administração Lula, que assumiu o cargo em janeiro de 2003. Mas graças à pressão das autoridades colombianas, foi capturado em agosto de 2005. A Colômbia pediu sua extradição, mas o Supremo Tribunal Federal, de Brasília, não somente a negou, em 22 de março de 2007, como reconheceu Medina como refugiado político.

Até o Curubito – O cárcere não foi obstáculo para que “O Cura Camilo” suspendesse seu trabalho proselitista e propagandista. Prova disso são as numerosas mensagens que ele enviou a Reyes e que mostraram como conseguiu chegar até a cúpula do governo brasileiro.

Quatro das mensagens às que a Revista Cambio teve acesso se referem ao presidente Lula. Em uma delas, de 17 de julho de 2004, Raúl Reyes disse a Trofijo que o governo Lula ajudaria com o acordo humanitário: “Os curas me enviaram uma carta pedindo entrevista com eles do Brasil”, escreveu Reyes. Segundo dizem, falaram com Lula e ele assumiu o compromisso de ajudar no acordo humanitário, intercedendo com Uribe para efetuar uma reunião no Brasil.

Na segunda mensagem, do dia 25 de setembro de 2006, Oliverio Medina conta a Reyes: “Não lhe disse que faz alguns dias que Lula chamou o ministro Pablo Vanucchi [ministro da Secretaria Nacional de DD. HH.], indicando-lhe que telefonara para o advogado Ulises Riedel e o felicitara pelo êxito jurídico em sua brilhante defesa a favor de meu refúgio.”

No terceiro e-mail, com data de 23 de dezembro de 2006, Medina informa a Reyes que “a Lula e a um de seus assessores que nos ajudaram, enviei o pôster de Aguinaldo.” Os funcionários são Silvino Heck, assessor especial do presidente Lula, e Gilberto Carvalho, chefe de Gabinete, que aparecem mencionados em uma mensagem eletrônica de 23 de fevereiro de 2007, também dirigida a Reyes: “É possível que me visite um assessor de Lula chamado Silvio Heck, que, com Gilberto Carvalho, foi outro que nos ajudou bastante.”

Entre os 85 e-mails a que a revista Cambio teve acesso, há um sem data, também enviado por Medina a Reyes, que diz: “Falei com a deputada federal Maria José Maminha. Combinamos que ele vai abrir caminho rumo ao presidente via Marco Aurélio Garcia.” Garcia é secretário de assuntos internacionais.

Não menos comprometedoras são aquelas mensagens em que aparecem mencionados alguns ministros. Em uma delas, dirigida a Reyes o dia 4 de junho de 2005 por um tal de José Luis, figura o nome do ministro da Previdência, José Dirceu. “Chegou um jovem de uns 30 anos e se apresentou como Breno Altman (dirigente do PT) e me disse que vinha da parte do ministro da Previdência José Dirceu, que, por motivos de segurança, eles haviam acordado que as relações não passariam pela Secretaria de Relações Internacionais, senão que fizeram diretamente por meio do ministro com a representação de Breno.”

Ao final da mensagem, José Luis disse que o governo brasileiro e o PT dariam proteção a Medina enquanto avança o trâmite da extradição: “Perguntei se poderíamos estar tranqüilos, que não iriam seqüestrá-lo ou deportá-lo para a Colômbia e ele me respondeu: ‘ Podem ficar tranqüilos’ “. Em uma mensagem do dia 24 de junho de 2004, Reyes comenta com Media sobre a possível saída de José Dirceu do Gabinete e lhe disse: “Com certeza, esta medida em proveito dos detratores de Lula pode afetar a incipiente abertura das relações que eles têm conosco.”

Amorim – As Farc também tentaram chegar ao escritório do Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Em uma mensagem do dia 22 de fevereiro de 2004, José Luis escreve a Reyes: “Por intermédio do legendário líder do PT, Plínio Arruda Sampaio, chegamos a Celso Amorim, atual ministro de Relações Exteriores. Plínio nos mandou falar para Albertao (conselheiro de Guarulhos) que o ministro está disposto a nos receber. Que assim que tiver espaço em sua agenda, nos receberá em Brasília.”

O procurador e o juiz – O embaixador das Farc fez tão bem seu trabalho que também conseguiu chegar até o procurador Luis Francisco de Souza, que é mencionado em uma extensa mensagem eletrônica do dia 22 de agosto de 2004, que Medina e José Luis enviaram a Reyes e a Rodrigo Granda: “Ele deu o seguinte conselho: andar com uma máquina fotográfica e, se possível, com um gravador para em caso de voltar a parar um agente de informação, fotografá-lo e gravá-lo, tendo o cuidado de não deixar que ele pegue a câmera e o gravador. Que em relação ao que aconteceu, façamos uma denúncia dirigida a ele como Procurador para fazê-la chegar ao chefe da Polícia Federal e à Agência Brasileira de Informação.”

Algumas mensagens foram escritas durante o processo da zona de Caguán e envolvem um prestigiado juiz e um alto ex-oficial das Forças Armadas Brasileiras. Por exemplo, em um e-mail do dia 19 de abril de 2001, Mauricio Malverde informa a Reyes: “O juiz Rui Portanova, amigo nosso, nos falou que quer ir aos acampamentos e receber instrução e conhecer a vida das Farc. Pague a viagem dele.” Portanova era, então, juiz superior da Corte Estatal do Rio Grande do Sul, de Porto Alegre.

Três dias antes, em 16 de abril, Medina relata a Reyes um encontro entre Raimundo, Pedro Enrique e Celso Brand – ao que parecem, laços das Farc no Brasil – com o brigadeiro Iván Frota, ex-chefe da Força Aérea Brasileira. “O homem se interessou e disse que gostaria de ter um encontro pessoal conosco. Disse que está começando a amadurecer a tomada da base de Alcântara pelas forças nacionais para impedir que os Estados Unidos fiquem com os 600 quilômetros quadrados que estão sob seu domínio.”

A pequena amostra dos 85 emails a que a Revista Cambio teve acesso revelam a importância do Brasil na agenda exterior das Farc, manejada por Raul Reyes, e não cabe dúvidas de que “O Cura Camilo”, para sustentar a estratégia continental da guerrilha, aproveitou a conjuntura criada pela ascensão de poder de Lula e seu influente Partido dos Trabalhadores para chegar até as mais altas esferas do governo.

E, se os e-mails são apenas indícios de um possível compromisso do governo Lula com as Farc, pois nenhum dos funcionários enviou mensagens pessoais a algum dos membros do grupo guerrilheiro, despertam muitas interrogações que exigem uma resposta do governo brasileiro.

Os contatos das Farc – A expansão das Farc na América Latina não somente incluiu funcionários dos governos da Venezuela e Equador, como também comprometeu a destacados dirigentes, políticos e altos membros do Partido dos Trabalhadores, ao qual o presidente Lula pertence. Além disso, o grupo guerrilheiro manteve contatos com procuradores e juízes do Brasil.

A LISTA DOS CITADOS:

– José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil

– Roberto Amaral, ex-ministro da Ciência

– Erika Kokay, deputada

– Gilberto Carvalho, chefe de Gabinete

– Celso Amorim, chanceler

– Marco A. García, assessor para assuntos internacionais

– Perly Cipriano, subsecretário de Promoção DD.HH.

– Paulo Vanucci, ministro da Secretaria de DD.HH.

– Selvino Heck, assessor presidencial

Notas:

Publicado pelo Diário do Comércio em 01/08/2008 e originalmente pela revista Cambio (versão on line em http://www.cambio.com.co/portadacambio/787/ARTICULO-WEB-NOTA_INTERIOR_CAMBIO-4418592.html ).

Para maiores informações, recomenda-se acessar o links

http://www.dcomercio.com.br/noticias_online/1097437.htm

http://www.dcomercio.com.br/noticias_online/1097438.htm

http://www.dcomercio.com.br/noticias_online/1097449.htm

 

 

Para além da sátira

O pesadelo de povos inteiros trucidados ante o olhar indiferente do mundo e os sorrisos sarcásticos dos bem-pensantes repete-se, igualzinho ao dos anos 30.

Não há discussão possível sem o acesso dos interlocutores a um mesmo conjunto de dados. Os dados do presente artigo estão nos livros “Their Blood Cries Out: The Untold Story of Persecution Against Christians in the Modern World”, de Paul A. Marshall e Lela Gilbert (Word Publishing, 1997) e “Persecution: How Liberals Are Waging War Against Christianity”, de David Limbaugh (Regnery, 2003), e nos sites http://www.religioustolerance.org/rt_overv.htm , http://freedomhouse.org , http://www.markswatson.com/Persecution.html e http://www.persecution.org/newsite/ .