Media Watch


Marilena Chauí: a velhinha de Taubaté do petismo

CultChauí
Lula não pertence à classe dominante? Por quê? Por causa de sua origem de retirante e operário, da qual ele já se afastou há cerca de quatro décadas? Parece que Marilena Chauí considera a condição de retirante/operário como um estado de alma, que unge eternamente quem a possuiu um dia, independente das circunstâncias materiais.

A revista Cult promove uma tentativa de resgatar do esquecimento a famigerada Marilena Chauí, velhinha de Taubaté do petismo. Deu sua capa à douta senhora, da qual faz a santificação no editorial e no perfil biográfico que antecede a entrevista com a figura, a que chama de “uma das personalidades mais admiráveis do país” e a “maior intelectual” brasileira.

Esquerdismo fiscalista do Estadão

O Estadão acaba por se alinhar com o que há de mais escabroso e eficaz no esquerdismo militante, aquele que está justamente nos agentes estatais que cuidam da burocracia tributária.

O editorial de hoje (Refis pouco disfarçado) do Estadão mostra que sua posição coincide com a posição da burocracia fiscalista do Estado. Escreveu o editorialista: “Quando se trata de decidir sobre uma proposta que prejudica o Fisco para beneficiar contribuintes devedores, muitos dos quais são contumazes maus pagadores de impostos, boa parte dos congressistas não costuma ter dúvidas: vota a favor”.

Chamo a sua atenção, caro leitor, para a grande mentira que se esconde por detrás do argumento do editorial, que é a mesma posição dos partidos de esquerda, o que transforma o Estadão em companheiro de viagem da revolução em marcha. Fala de devedores contumazes. Ora, ninguém deve ao Fsico por opção ou má fé. Dever ao Fisco hoje em dia transforma a pessoa (física ou jurídica) em um pária econômico: não consegue fazer operações bancárias, vai para o CANDIN, um monstro jurídico ainda mais desgraçado do que a própria Receita Federal, não consegue ser fornecedor do governo, não consegue receber o que o governo lhe deve e as próprias empresas fornecedoras cortam-lhe o crédito.

MST e a mídia global

Ao se reportar à ação criminosa do exército paramilitar do MST, a mídia brasileira, na sua quase totalidade, procurando esconder da opinião pública o óbvio ululante nunca revela ao leitor o que se opera por trás das sucessivas invasões. Para ela, segundo se depreende da opinião dos seus editoriais, o avanço da programada violência rural pelas tropas do MST, a demonstrar a clara ameaça de comunistização do País, não passa de soma de acidentes isolados, ainda que nocivos, sem vínculos com a vontade de um governo que – opina – apenas concilia “alianças políticas e ideológicas ecléticas.

Ao contrário do que se deixa entrever, o farto apoio e a ampla cobertura econômica, política, moral e institucional que o governo Lula presta ao MST não são fatos aleatórios: eles fazem parte do projeto de “transição para o socialismo” arquitetado pelo Foro de São Paulo, entidade representativa de organizações esquerdistas transnacionais, fundada pelo próprio Lula e Fidel Castro, em 1990, com o objetivo de articular a “retomada na América Latina do que foi perdido no Leste Europeu”. (Quem por ventura duvidar do aqui exposto, basta entrar no site “Mídia Sem Mascara” e consultar as atas oficiais da referida entidade).

A farsa do “acordo humanitário”

O papel do presidente Lula nesta farsa teve vários objetivos, um dos quais pôr uma cortina de fumaça sobre as íntimas ligações de seu governo e seu partido (PT) com as FARC, confirmadas nos achados dos computadores de Raúl Reyes.

Causou-me constrangimento e perplexidade os comentários maldosos, baseados em desinformação plantada pela mídia companheira de viagem, a respeito da participação do nosso Exército Brasileiro na operação de resgate dos seqüestrados pelas FARC. Em primeiro lugar, é fundamental que se nomeie as coisas por seus nomes reais, e não pela novilíngua do politicamente correto. Essas pessoas que aos poucos estão sendo libertadas não são “prisioneiros de guerra” – porque se admitirmos isto, estaremos implicitamente concordando que existe uma contenda entre dois Estados –, mas SEQÜESTRADAS por um bando narcoterrorista, de corte marxista-leninista.

Cebrapaz promove debate sobre a reativação da Quarta Frota

No último dia 14 de agosto, o Núcleo Cebrapaz Rio de Janeiro voltou a abordar o tema IV Frota.

Membros do PCdoB e representantes de Cuba promoveram manifestação em Brasília, em julho de 2008, contra a IV Frota da Marinha dos EUA. E, como de costume, nada foi comentado pela grande mídia brasileira.

No último dia 14 de agosto, o Núcleo Cebrapaz Rio de Janeiro voltou a abordar o tema IV Frota. Promoveu um debate no auditório da Assembléia Legislativa do Estado (ALERJ) sobre a reativação da Quarta Frota Estadunidense. E, como sempre, nada foi divulgado pela mídia.
 
O debate contou com a participação da presidenta do Conselho Mundial da Paz (CMP) e do Cebrapaz, Socorro Gomes (militante do PC do B), e do Professor de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense, Bernardo Kocher.
 
O foco das discussões durante o evento foi a grande preocupação com o patrulhamento ostensivo feito pelos EUA na América Latina e Caribe, consolidado pela reativação da Quarta Frota Estadunidense.
 
“A Quarta Frota faz parte da política agressiva dos EUA”, disse a presidenta do CMP. “Precisamos nos manifestar contra ela e denunciar a ameaça que ela representa para que os países a rechacem, não a aceitem”, acrescenta.
 
No auditório da ALERJ, quarenta pessoas assistiram a duas grandes conferências, durante as quais o Profº. Bernardo e Socorro Gomes contextualizaram o surgimento da Quarta Frota no período da Guerra Fria.
 
Os dois conferencistas destacaram a ascensão de governos de esquerda em vários países da América Latina, bem como a união da América do Sul, com ações concretas como o Parlasul, Unasul e o próprio Mercosul.
 
“O objetivo da Quarta Frota é intimidar, ameaçar países e nações de toda a América Latina e do Caribe a fim de estabelecer o controle sobre a região e sobre os governos que não aceitam as imposições do governo dos EUA, países que buscam sua independência, a integração regional e discutem a criação de um plano estratégico para a defesa das nações do Sul”, disse a presidenta do CMP.
 
Bernardo Kocher foi enfático ao dizer que a América Latina poderá se rebelar contra os EUA. O professor também ressaltou a influência crescente da Rússia na geopolítica da Europa Oriental e o enfraquecimento da ação dos EUA na região do Cáucaso.
 
A nova descoberta de campos petrolíferos em nossas águas também foi um elemento destacado por Socorro Gomes, assim como nossas riquezas de biodiversidade, concentradas, em sua maioria, na região norte.
 
“Trata-se de uma política de roubo, de saque dos recursos naturais, já que as regiões escolhidas são ricas em recursos naturais”, disse a presidenta.
 
Socorro Gomes disse ainda que a intenção humanitária expressada pelos EUA ao corpo diplomático brasileiro, a fim de justificar a intervenção militar, foi apenas uma desculpa para acobertar as ações do poderio bélico da frota.
 
“Rios não são águas internacionais, a idéia de explorar rios está intimamente ligada à questão das bases militares pelo mundo”, alerta Socorro Gomes.
 
Ao final do debate, a presidenta convocou os movimentos sociais para discutirem ações contra o perigo real representado pela nova investida imperialista. “O Cebrapaz como o CMP convocam todos os movimentos pela paz no mundo a fazerem campanha contra o imperialismo e contra a Quarta Frota”, disse.
 
Socorro também convidou todos os presentes a participarem do Fórum Social Mundial 2009, que será realizado na cidade de Belém do Pará e terá, entre seus temas de debate, a reativação da Quarta Frota.

Notas:

Da esquerda p/ direita: Bernardo Kocher, socorro Gomes e Márica Silva, representante do Núcleo Cebrapaz RJ.

 

Os nexos de Lula com as FARC

O certo é que as relações de Lula da Silva e seu governo com as FARC, não podem ficar como uma revelação secundária publicada por uma revista de segunda categoria e nada mais.

Estavam demorando, o governo colombiano e os meios de comunicação, para destampar a panela apodrecida da relação do governo brasileiro com as FARC, não somente pelos reveladores correios eletrônicos encontrados nos PC’s de Reyes, como também por fatos concretos anteriores, como a contribuição de vários milhões de dólares das FARC em apoio ao Partido dos Trabalhadores (PT) durante a primeira eleição de Lula.
 
A diferença entre Lula e os bocudos da Venezuela, Equador e Nicarágua, é de estilo mas não de pensamento nem de propósitos. E, claro que a uma potência econômica como o Brasil, com um dos exércitos mais bem preparados e que carregam uma responsabilidade muito grande em defesa da soberania nacional e da segurança do hemisfério, a ditadura cubana não a pode manipular com a mesma facilidade com que dispõe de seus cachorros em Quito, Caracas, Manágua e La Paz. Porém, ao mesmo tempo, Lula está de acordo com o que pensam e fazem seus vizinhos co-partidários, mancomunados com Piedad Córdoba e o Partido Comunista Colombiano.
 
O fato de que apareçam tantos funcionários públicos da administração Lula nos correios de Reyes, e que em quase todos Reyes insista na importância das relações políticas das FARC com o mandatário brasileiro, é um claro sinal de que a situação é estrutural e não uma simples conjuntura. Sem dúvida, Lula (embora à sua maneira) faz parte do complô contra a Colômbia e no final o que contam são os resultados.
 
A isso se acrescenta que o terrorista Oliverio Medina não tenha sido extraditado e que, pelo contrário, se lhe tenha dado status de refugiado no Brasil, além de que este estivesse ansioso à espera do passaporte para visitar Reyes no Equador.
 
Ao mesmo tempo, a Coordenadora Continental Bolivariana (CCB), integrada pelos partidos comunistas de todo o hemisfério e alguns representantes do ETA basco e do comunismo espanhol, não fizeram outra coisa senão multiplicar o ódio anti-yanque, a relação do governo colombiano com os Estados Unidos, a necessidade de dar protagonismo e liderança regional ao Brasil, a construção da chamada Pátria Grande e o reconhecimento político às FARC.
 
Palavras mais, palavras menos, esses têm sido os mesmos delineamentos de Lula que, por meio de outras argúcias e com a tática de tirar a brasa com a mão alheia, consentiu desde a suposta distância que debaixo de seu nariz se desenvolva toda esta trama com a preconcebida desculpa de que, se algum dia as coisas se descobrirem, do mesmo modo que o vergonhoso mandatário colombiano Ernesto Samper, dirá que tudo foi feito pelas suas costas.
 
É evidente que neste momento o presidente Uribe tem a faca e o queijo na mão, pois possue as provas que comprometem vários governos, inclusive o de Lula, com os terroristas das FARC. O desafio imediato é o emprego estratégico dessa mesma informação, não só para derrotar as FARC no campo político, senão para salvar o hemisfério da crescente onda de “aventureiros” no poder e o risco de atraso estrutural da região, se cai no projeto totalitário comunista.
 
Não vamos padecer a vergonha cubana que depois de meio século de ditadura nem podem viajar para fora de seu país, nem usar a Internet nem possuir um telefone celular próprio. Afora isso, perder o direito à livre expressão, à propriedade privada e à livre locomoção.
 
A prova disso é que quando Correa começou a desenvolver a teatral manifestação de dignidade de vitrine, ordenada pela ditadura cubana a ele e aos demais paus mandados de Fidel Castro, fez um périplo pela Bolívia, Venezuela, Brasil e Manágua antes de ir à Cúpula do Rio. É claro que tal viagem não era só para pedir solidariedade, senão para uma série de reuniões de inimigos da Colômbia, com o objetivo de refinar a mentira e as tapeações com as quais pretendiam desviar a realidade e descartar a grave responsabilidade de suas alianças com as FARC.
 
Não se pode esquecer que Lula é um dos fundadores do Foro de São Paulo, reunião pró-subversiva que acolheu as FARC como movimento político, e que o mandatário brasileiro nunca se retratou disto. Tampouco se pode esquecer que Lula nunca quis aceitar que as FARC são terroristas e inclusive disse que não faz isso, para poder servir em uma eventual intermediação na paz que ninguém lhe solicitou. Chama a atenção que os correios encontrados no PC de Reyes refiram a insistência do governo brasileiro no Acordo Humanitário, quer dizer, todos estão de acordo; não são meras coincidências.
 
Em outras palavras, é a mesma tese de Chávez e Correa, prevista para que os governantes “pátria ou morte” com Fidel Castro, dessem status de beligerância às FARC, assim que Chávez se reunisse com Tirofijo para protocolizar a doação de 300 milhões de dólares, mais uns barris de petróleo, com a finalidade de financiar a etapa da ofensiva final das FARC contra a Colômbia. Inclusive foi com essa mesma missão que as FARC liberaram Luis Eladio Pérez. E foi essa mesma a tese de Piedad Córdoba em suas intervenções ante auditórios no exterior.
 
O certo é que as relações de Lula da Silva e seu governo com as FARC, não podem ficar como uma revelação secundária publicada por uma revista de segunda categoria e nada mais. É necessário que o governo colombiano inicie sem mais demora a ofensiva diplomática internacional, para que o mundo inteiro tenha os elementos de juízo suficientes para entender a dimensão do complô contra a Colômbia, e para buscar apoio na luta contra o terrorismo.
 
De maneira paralela, é hora de que a Procuradoria Geral da Nação inicie as investigações formais contra todos os conspiradores e os peça em extradição pois, como se supõe, os países de origem não os vão entregar, então haveria um forte argumento para levar os casos à Corte Penal Internacional. Das águas turvas e das posições pusilânimes nunca se escreveu nada. O que está em jogo é a continuidade do sistema democrático na Colômbia e a segurança integral do hemisfério. Lula não é só inimigo da Colômbia. É um dissimulado.
 
Os reveladores achados da conexão Lula-FARC são um elemento-chave e concreto para a reeleição de Uribe, e a continuidade da luta para conseguir a estabilidade e a paz com justiça social no país. Por iss o cabe lembrar uma frase de Trumman: “Os governos não caem pelos maus senão pelos fracos”.
 
Que a debilidade humana não vá tocar o Presidente Uribe. Que desate a ofensiva diplomática e jurídica contra os conspiradores. Os abraços de Lula, as caleidoscópicas mudanças de atitude de Chávez e Correa, e as mudanças bruscas de Ortega, não são outra coisa que o desdobramento de uma cartilha dirigida desde Havana e justificada pelos populistas franceses. A Colômbia está na mira dos terroristas e de seus corifeus. E esse objetivo não se pode retirar do foco.
 
Aqui não valem nem servem para nada as posições dos consuetudinários pacifistas acovardados que, como o pavão real, encolhem a plumagem ao primeiro ruído. Tampouco valem os cantos de sereia dos camaleões, ou as desculpas esfarrapadas de Lula. Todos os conspiradores são comunistas e partem do princípio de que há uma luta de classes, na qual a Colômbia é o inimigo ao qual têm que derrotar para impor a paz socialista. Quanto ao mais, é dar oportunidade…
 
E mais um detalhe: já é hora de o governo colombiano trazer à luz pública as revelações que por razões óbvias devem ter os PC de Reyes, com os lógicos nexos e direção estratégica de todo o complô por parte da ditadura cubana.

Notas:

Nota da Tradutora: Este artigo foi publicado em 31 de julho mas permanece atualíssimo considerando que, por ordem do governo, a imprensa além de minimizar a gravidade das denúncias, de desmenti-las sem provas contestatórias e desmerecer a revista “Cambio” como sensacionalista, colocou uma pedra sobre o assunto e nunca mais se falou disso. Daí a importância deste artigo, para que não caia no esquecimento do público mal informado, que há vínculos sólidos e reais do PT e do Sr. Lula com as FARC.
 

Fonte: www.eltiempo.com

Tradução: Graça Salgueiro

1968: 40 anos do AI-5

Seria importante o Jornal da Câmara difundir todos esses fatos ocorridos ao longo de 1968, não apenas aqueles que atendam a algum propósito ideológico.

O Jornal da Câmara, de 2/9/2008 (http://www2.camara.gov.br/jornal – Geral: Câmara dos Deputados, 2 de setembro de 1968), lembra que neste dia, em 1968, o deputado pelo MDB, Márcio Moreira Alves, proferiu um discurso em que atacava a ditadura militar por ter invadido a Universidade de Brasília no dia 29 de agosto. No dia seguinte, 3/9, Moreira Alves voltou à carga e pediu aos pais que boicotassem as festividades do Sete de Setembro, não deixando seus filhos assistirem aos desfiles, e finalizou afimando que o Exército era um “valhacouto de bandidos”. Não se sabe porquê, a gravação original deste “pinga-fogo” de Moreira Alves sumiu misteriosamente da Câmara, segundo afirmou o ex-senador Jarbas Passarinho.
 
O Jornal da Câmara apresentou a opinião de outros palestrantes, além de Passarinho, que participaram do seminário “Brasil: 1968-2008”, ocorrido no Interlegis/Senado Federal, no dia 26 de agosto, com os historiadores Carlos Fico, da UFRJ e Estevão de Rezende Martins, da UnB. (Participaram do seminário, ainda, os cientistas políticos Paulo Kramer e David Fleischer, da UnB, e o jornalista José Nêumanne Pinto, do Estadão; o cineasta Wladimir de Carvalho não pôde comparecer ao evento, por estar sofrendo de forte dor de coluna.) Invertendo fatos históricos, Carlos Fico afirmou em sua palestra (a qual eu assisti) que a ditadura militar foi quem promoveu a violência em 1968, não os terroristas, ao invadir a UnB e censurar a peça “Roda Viva” de Chico Buarque, e que a fala de Moreira Alves foi apenas uma deixa para fechar ainda mais o regime. Como se pode deduzir, Carlos Fico, à moda de Habsbawm, analisa a História apenas sob a ótica marxista, pinçando fatos a seu favor.
 
O ano de 1968 contém uma agenda muito mais ampla e macabra do que a apresentada pelo Jornal da Câmara, que lista apenas 7 datas (a conta do mentiroso…), muito bem escolhidas ideologicamente falando. Foi um ano em que começaram a proliferar muitos grupos terroristas, especialmente no Rio e em São Paulo, sob as ordens de Cuba, de acordo com o que foi deliberado pela OLAS, em 1966, fundada sob inspiração de Salvador Allende, para “criar vários Vietnãs na América Latina”, segundo afirmou Fidel Castro na ocasião. Com a morte de Che Guevara na Bolívia, em 1967, muitos estudantes latino-americanos queriam ser iguais ao guapo jovem de boina vermelha que havia se tornado um mito entre a estudantada.
 
Carlos Fico afirmou, ainda, que não havia necessidade de implantar uma ditadura para combater os grupos terroristas. Que isso poderia ter sido feito dentro do regime democrático. Jarbas Passarinho rebateu o historiador relativista no seminário aludido, afirmando que o habeas corpus, p. ex., mandava soltar terroristas sanguinários, como Carlos Marighela, e que havia, sim, necessidade de endurecimento do governo, com leis especiais, afirmando que a Colômbia “nunca editou seu AI-5” e o resultado aí está: as FARC já aterrorizam toda a nação há 44 anos.
 
Vejamos quais foram os principais acontecimentos de 1968, que justificaram a criação do AI-5:
 
– No dia 1º de maio, em um comício na Praça da Sé, em São Paulo, o Governador Abreu Sodré e sua comitiva foram expulsos da tribuna, a qual foi utilizada por agitadores para ataques violentos ao Governo militar.
 
– No dia 26 de junho, o soldado do Exército, Mário Kosel Filho, foi explodido pela VPR de Carlos Lamarca em uma guarita do QG do então II Exército, onde tirava serviço de sentinela. Nesse mesmo dia (mera coincidência?), realizava-se no Rio a “passeata dos 100 mil”, reunindo estudantes, padres, artistas, “intelectuais” e outros.
 
– No dia 22 de julho, a VPR rouba 9 FAL do Hospital Militar do Cambuci, em São Paulo.
 
– No dia 10 de agosto, a ALN de Carlos Marighela assalta o trem-pagador Santos-Jundiaí, ação que rendeu ao grupo NCr$ 108.000.000,00 e consolidou sua entrada na luta armada. O ministro da Justiça do governo Fernando Henrique Cardoso, Aloysio Nunes Ferreira, foi um dos que participaram daquele assalto, fugindo em seguida com a mulher para Paris, com documentos falsos. Em Paris, o “Ronald Biggs” caboclo viria a participar da Frente Brasileira de Informações (FBI), criada em 1968 em Argel, Argélia, sob inspiração de Miguel Arraes, ligada a organizações de esquerda, de oposição ao governo militar do Brasil, órgão que tinha por objetivo promover a desinformatsya, tanto no Brasil, quanto no exterior. “Marcito pinga-fogo” também foi um ativo militante da FBI, junto com Fernando Gabeira e Francisco Whitaker Ferreira, Frente essa que teve o apoio ostensivo do guru marxista francês Jean-Paul Sartre e as bênçãos do bispo vermelho D. Hélder Câmara.
 
– No dia 20 de agosto, foi morto por terroristas o soldado da Polícia Militar de São Paulo, Antônio Carlos Jeffery.
 
– No dia 12 de outubro, a VPR assassinou o capitão do Exército dos EUA, Charles Rodney Chandler, projetando-se perante as organizações terroristas nacionais e internacionais.
 
– No dia 7 de setembro, foi assassinado o soldado da PM de São Paulo, Eduardo Custódio de Souza, e
 
– No dia 7 de novembro foi assassinado o Sr. Estanislau Ignácio Correa, ocasião em que os terroristas levaram seu automóvel.
 
– Nesse mesmo ano de 1968, houve um crescendo na agitação estudantil de todo o País, fruto da “Revolução Cultural” implementada na China por Mao Tsé-Tung, com os famigerados “livros vermelhos”, que atingiu também Paris quase derrubando o Governo Charles de Gaulle, e pela OLAS de Cuba, como já foi citado acima. Em Paris, os estudantes eram influenciados pelas idéias neomarxistas de Marcuse e pelo líder estudantil Daniel Cohn Bendit, além de movimentos mundiais contra a Guerra do Vietnã, contestada principalmente pelos negros americanos.
 
Muitos estudantes, brasileiros ou não, queriam ser os “novos guevaras”, após o “martírio” de Che na Bolívia, em 1967. A agitação estudantil era insuflada principalmente pela Ação Popular (AP), pela Dissidência da Guanabara (DI/GB), pelo Comando de Libertação Nacional (COLINA), pelo Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), pela Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e pela Ala Marighela (posterior Ação Libertadora Nacional – ALN). Os principais líderes estudantis eram Vladimir Palmeira e Franklin Martins, da DI/GB, e José Dirceu, da ALN.
 
– No dia 28 de março de 1968 foi morto no Rio o estudante Edson Luís de Lima Souto, em um choque de estudantes contra a polícia. Durante seu enterro, foi depredado um carro da Embaixada americana e incendiado um carro da Aeronáutica.
 
– No dia 31 de março, uma passeata de estudantes contra a Revolução deixou 1 pessoa morta e dezenas de policiais da PM feridos no Rio.
 
– No dia 19 de junho, liderados por Vladimir Palmeira, presidente da UNE, 800 estudantes tentaram tomar o prédio do MEC no Rio, ocasião em que 3 veículos do Exército foram incendiados.
 
– No dia 21 de junho, no Rio, 10.000 estudantes incendiaram carros, saquearam lojas, atacaram a tiros a Embaixada Americana e as tropas da PM, resultando 10 mortos, incluindo o sargento da PM, Nélson de Barros, e centenas de feridos.
 
– No dia 22 de junho, estudantes tentaram tomar a Universidade de Brasília (UnB).
 
– No dia 24 de junho, estudantes depredaram a Farmácia do Exército, o City Bank e a sede do jornal O Estado de S. Paulo.
 
– No dia 26 de junho ocorreu a “passeata dos 100 mil”, no Rio, e o assassinato do soldado Kozel Filho, como já afirmado acima.
 
– No dia 3 de julho, estudantes portando armas invadiram a USP, ameaçando colocar bombas e prender generais.
 
– No dia 4 de julho, a “passeata dos 50 mil” tinha como principal bordão “só o povo armado derruba a ditadura”.
 
– No dia 29 de agosto, houve agitação no interior da UnB, ocasião em que foi preso o militante da AP, Honestino Guimarães, presidente da Federação de Estudantes Universtários de Brasília (FEUB), o qual, desde então, foi dado como desaparecido. O deputado Mário Covas foi à UnB para lhe prestar solidariedade.
 
– No dia 3 de outubro, choques entre estudantes da USP e do Mackenzie ocasionaram a morte de um deles, baleado na cabeça.
 
– No dia 12 de outubro, realizou-se o XXX Congresso da UNE, em Ibiúna, SP. A polícia prendeu os participantes, entre os quais Vladimir Palmeira, José Dirceu e Franklin Martins. Nesse Woodstock tupiniquim, foram encontradas drogas, bebidas alcoólicas e uma infinidade de preservativos usados. Havia até uma “escala de serviço” de moças para atendimento sexual. Os líderes estudantis, em acordo com Marighela e com o governo de Cuba, haviam chegado à conclusão de que o estopim para a luta armada viria de uma prisão em massa de estudantes, envolvendo comunistas e inocentes úteis, e jogaria essa massa nos braços da luta armada.
 
– No dia 15 de outubro, estudantes tentaram tomar o prédio da UNE, queimando carros oficiais. Fernando Gabeira participou do ato terrorista.
 
Para analisar aqueles “anos da matraca”, especialmente o quentíssimo ano de 1968, convém lembrar duas passagens de José Antonio Giusti Tavares, em seu livro Totalitarismo Tardio – O caso do PT:
 
“Juízos de valor acerca de condutas do passado devem ser feitos não a partir de parâmetros éticos do presente, mas da contextualização da conduta na sua própria época, e nela, por comparação com condutas diferentes”.
 
“Os historiadores e os cientistas sociais devem cumprir pelo menos dois requisitos básicos da epistemologia e da ética das ciências humanas:
 
1) evitar tanto quanto possível qualquer restrição ou seleção dos fatos brutos e,
 
2) ao apresentá-los, distinguir sempre, tanto quanto possível, entre fatos e interpretações”.
 
Seria importante o Jornal da Câmara difundir todos esses fatos ocorridos ao longo de 1968, não apenas aqueles que atendam a algum propósito ideológico. No entanto, tenho que concordar com o jornal em pelo menos um aspecto: “a verdadeira história ainda não foi contada”.
 
Por que a Câmara não começa, enfim, a contar toda essa história, de verdade, ao invés de contá-la pela metade, sonegando informações históricas importantes ao povo brasileiro?

Rede Globo: agonia e êxtase!

Os jornalistas brasileiros que só lêem os
press releases do
Washington Post e do
New York Times levaram um susto com a escolha da candidata a vice-presidente do republicano McCain, e transformam suas análises sobre o episódio num festival de hiprocrisia e reacionarismo moralista.

A mídia oficialista brasileira levou um susto quando soube quem McCain havia escolhido como Vice. Depois de ignorarem solenemente a existência da Governadora do Alaska, embora qualquer pessoa que acessasse os jornais eletrônicos americanos já soubesse de sua inclusão nos planos há mais de um mês – e de seu favoritismo há duas semanas – se apavoraram com a notícia. Nossos grandes jornalistas que ganham para fazer não sei bem o quê, e só lêem os press releases do Washington Post e do New York Times, na véspera da escolha ainda colocavam três nomes como favoritos – todos homens, à frente Mitt Romney, há muito descartado.

O grande susto foi porque Sarah Palin é mulher, muito bonita, casada com o descendente de uma minoria – esquimós – mãe de muitos filhos, inclusive um com Síndrome de Down que recusou abortar porque é radicalmente anti-abortista, é a favor da abstenção pré-casamento, contra o ‘casamento’ (sic) gay, a favor da exploração do petróleo no seu estado, mas que já provou não ser capacho das petrolíferas impondo-lhes pesadas perdas. À primeira vista, imbatível! Agonia na Globo: e agora? Nosso queridinho Osama – perdão, Obama – pode ser derrotado!

O dia do comunicado também foi preciso: a data em que se comemora a assinatura da XV Emenda à Constituição Americana com a qual as mulheres conquistaram definitivamente o direito de sufrágio. Após um longo debate a Emenda foi aprovada pelo Congresso e, como é necessário, passou pelo processo de ratificação de, no mínimo, 36 estados, o último dos quais foi o Tennessee em 18 de agosto de 1920. No dia 26 foram certificadas as ratificações e a lei posta em vigor a 29.

The right of citizens of the United States to vote shall not be denied or abridged by the United States or by any State on account of sex. Congress shall have power to enforce this article by appropriate legislation.

O timing foi tão perfeto que ofuscou até mesmo a data escolhida por Obama, a do discurso de Martin Luther King Jr. na véspera.

A Globo, como todo mundo sabe, tem uma influência decisiva na opinião pública americana – línguas maldosas dizem até que pululam secretamente cursos de Português para entender a GloboMews (atenção revisora: não é erro, é estábulo mesmo, devido ao conteúdo que expele!). O que fazer para reverter votos ex-Hillary e de conservadores irritados com Bush, e com as posições mais liberais de McCain?

Eis que se descobre um grande pecado e a agonia se transmuta em êxtase: a filha da Sarah, solteira, com 17 aninhos, está grávida! Oh, o horror! Finalmente os pés de barro que faltavam! A Globo, extremamente conservadora, como defensora incansável da moral tradicional e dos bons costumes – o que se espelha em suas saudáveis novelas de casamentos estáveis, famílias felizes, o bem sempre vencendo o mal – não poderia menos do que denunciar este escândalo indesculpável, esta afronta inominável!

Uma teen-ager grávida e solteira e nem favelada é! ECA nela! Finalmente as crianças e adolescentes até os 18 anos devem ter a ‘proteção’ do Estado. Ah, mas lá eles não têm ECA para cassar o pátrio poder dos Palin e mandar a transviada para o Conselho Tutelar de Juneau. Que pena! Já que não se pode tomar nenhuma medida legal recorra-se à suprema hipocrisia: paladinos das teorias liberais de criação de filhos transmutam-se imediatamente em sisudos reacionários e com aquele ar de indignação e cenho franzido como só os esquerdopatas conseguem à perfeição, decretam: incoerência assola a família Palin, enquanto a mãe defende a abstenção sexual pré-nupcial a filha ‘dá pra todo o mundo’, é uma devassa (comuna quando finge indignação não deixa por menos!). A esta altura, se bem conheço as redes comunistas mundiais, as ofensas já se espalharam por todo o planeta, tanto quanto foram sonegadas as informações sobre as ligações comunistas e antiamericanas do queridinho Os(b)ama, bem como sua falsidade ideológica – certidão de nascimento falsa e tudo quanto a ele se opõe.

Com que então, solenes cavalheiros, os filhos têm que seguir as idéias morais dos pais senão, pau neles? Ora, a alegação de incoerência não passa de um sofisma de péssima qualidade baseado nas idiotices coletivistas que recusam o direito à liberdade individual. Mas não vai dar certo, os conservadores americanos não são idiotas – e, queira a Globo ou não, são eles que votam: o truque do falso moralismo de ocasião não deu certo com o atual Vice, Dick Cheney, cuja filha é declaradamente lésbica, chefiou sua campanha ao lado de sua ‘companheira’ e Bush-Cheney foram eleitos duas vezes!

Lições da Bolívia

Cada vez que um dos membros do Foro de São Paulo se encontra em dificuldades, o resto dos integrantes acode em seu apoio, passando por cima das nacionalidades. Em compensação, os democratas da região atuam única e exclusivamente dentro de seu próprio território.

Semanas antes do referendo de 10 de agosto, os aliados internacionais de Evo Morales lançaram uma intensa campanha para defender seu pupilo.
 
Em 30 de junho, Chávez viajou a Tucumán, Argentina, para assistir à XXXV Cúpula do Mercosul, onde propôs aos países membros dessa organização um plano para apoiar Morales.
 
Em 18 de julho, Chávez e o presidente Lula viajaram a Riberalta, Bolívia, para respaldar Evo Morales. Em um gesto claramente propagandístico, Lula assinou um protocolo para o financiamento de 230 milhões de dólares para construir uma estrada de 508 kilômetros que ligará a Bolívia com o Brasil.
 
Pouco antes de 10 de agosto, dirigentes do Foro de São Paulo viajaram a La Paz para “manifestar seu apoio ao processo político que vive a Bolívia e à gestão do presidente Evo Morales”. Segundo a nota de Mundo Posible, entre outros assistentes “estiveram presentes a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN), de El Salvador, a Frente Sandinista da Nicarágua, o Polo Dmocrático Alternativo da Colômbia e a Frente Ampla do Uruguai”. O Foro de São Paulo foi criado por Lula e Fidel Castro em 1990. Chávez é membro desde 1995 e é o principal financiador dessa organização.
 
Tal como resenhou uma nota no portal de notícias do Mercosul em 11 de agosto, “Na campanha do referendo revocatório no qual esteve em jogo o mandato de Evo Morales, seu aliado estratégico Hugo Chávez foi a espada e o presidente brasileiro Lula da Silva, o escudo”.
 
Em contraste, as forças democráticas da Ibero-América pouco ou nada fizeram durante a campanha eleitoral. Exceto por alguns artigos de opinião, se limitaram a esperar os resultados do referendo. Deixaram os opositores bolivianos absolutamente sós.
 
Cada vez que um dos membros do Foro de São Paulo se encontra em dificuldades, o resto dos integrantes acode em seu apoio, passando por cima das nacionalidades. Em compensação, os democratas da região atuam única e exclusivamente dentro de seu próprio território.
 
A lição é esta: urge criar uma contrapartida ao Foro de São Paulo; uma organização democrática ibero-americana, capaz de combater internacionalmente essa máfia de alcance mundial. Porém, para consegui-lo, primeiro é necessário ampliar a visão da política. Ou os democratas da Ibero-América lutamos conjuntamente, ou nos derrotarão um a um.

Notas:

Tradução: Graça Salgueiro

A política eleitoreira e a outra

Se o “outro mundo possível” idealizado por Frei Beto tem como paradigma a Cuba de Castro, é melhor tolerar o político do cafezinho

Não sei se os senhores já ouviram falar de Frei Betto, o mentor espiritual de Lula da Silva. O dito Frei Beto (vai com um “t” só, porque, no seu caso, dois é demais), junto com o expurgado Leonardo Boff (cujo verdadeiro nome é Genezio Darci), é um dos pilares da Teologia da Libertação, a apostasia que subverte a premissa central do cristianismo de que o homem é um ser criado à semelhança de Deus. Como se sabe, para a teologia anticristã, o objeto da adoração dos fiéis deve voltar-se para o culto à Mãe-Terra, ou Gaia, que pretende, segundo o frenesi libertário, “espiritualizar a terra e criar um espaço vazio para que Deus atue neste mundo”.
 
(Comentário: Mas, para atuar no espaço vazio deste mundo, em vez da presença Divina, o aparato materialista da Teologia da Libertação comandado por Frei Beto e Leonardo Boff arregimentou o MST, Movimento dos Sem-Terra, que é hoje o maior proprietário de terras no Brasil, com sua virulência revolucionária impulsionada a golpes de machado, foice, martelo e malandragem por tipos como João Pedro Stédile, Bruno Maranhão, José Rainha, Gilmar Mauro et caterva).
 
Bem, vamos aos fatos. No limiar das eleições municipais, que em última análise irão definir se o Partido dos Trabalhadores continuará ou não no mando político do país, Frei Beto reapareceu nas páginas de O Globo (“Por que falta emoção?”, 08/08/2008) para entoar sua cantiga para lá de enganosa. De início, o puxa-saco de Fidel Castro lamenta no artigo malicioso a postura dos candidatos da presente corrida eleitoral: “(Eles) andam pelas ruas, cumprimentam eleitores, distribuem sorrisos, entopem-se de pastéis, afogam-se em cafezinhos. E não provocam nenhuma emoção. Quantos votos haverão de angariar com esse peripatético (mais patético que outra coisa) aquecimento eleitoral?”.
 
(Comentário: Por que os candidatos, em meio à demagogia geral, como de praxe, não haveriam de cumprimentar os eleitores, comer pastéis e tomar cafezinhos? Que há de patético nisto, Beto? Pior, mas seguramente pior, seria encher a cara de aguardente “51”, como fazia o seu candidato e pupilo Lula da Silva, para, depois, aos tropeções e amparado pelas sarjetas, ficar dando vexame – conforme registram inúmeras fotos de domínio público).
 
No seu arrogante proselitismo crítico-ideológico, o falso moralista Beto, que não é mais frei, dá suas estocadas: “Os candidatos a prefeito confiam nos programas de TV, capazes de levar suas imagens a inúmeros lares e, quem sabe, aumentar seus índices nas pesquisas. Os marqueteiros eleitorais capricham no visual de seus clientes, maquiam o débil de forte; o corrupto de honesto; o incompetente de capaz; o feio do bonito. Trata-se o candidato como produto e o eleitor como consumidor. Produto com prazo de validade a vencer no dia da apuração. Os derrotados evaporam e os eleitos são alçados às inalcançáveis estruturas do poder”.
 
(Comentário: Bonito, não é mesmo? Mas o teólogo, que passa por cima do “homem econômico” de Marx, deveria dar nomes aos bois. Por exemplo: quem foi e continua sendo o marqueteiro-mor da mistificação política nacional, a feiticeira que, reconhecidamente contraventora, aparou os cabelos crespos de Lula, vestiu-o à Georgio Armani, injetou-lhe botox e transformou a fera do ABC no beatifico Lulinha Paz e Amor, alçando-o às inalcançáveis estruturas do poder? Sim, o leitor acertou: foi ele mesmo, o “companheiro” Duda Mendonça, o fantástico prestidigitador que recebia pagamento da máquina petista em dólares via paraísos fiscais – mas que, nem por isso, está por trás das grades).
 
No seu arrazoado visionário, o teólogo da apostasia reclama da “falta de emoção” nas atuais eleições. Diz ele: “A emoção é filha da utopia, do sonho que alenta, da paixão que encoraja, do desejo que se projeta. Esta é a palavra-chave: projeto. Qual é o projeto ou programa dos candidatos, além do próprio interesse de eleger-se? O que os candidatos a prefeito têm a dizer quanto ao sistema municipal de saúde, educação, saneamento básico, transporte coletivo, alimentação, áreas de lazer, esporte e cultura?”.
 
(Comentário: Antes assim do que assado. Quando o sujeito fala em “utopia” perto de mim, a primeira coisa que me vem à razão são os tenebrosos crimes praticados pelos partidos comunistas (Lenin, Stalin, Mao, Pol Pot, Fidel), nazista (Adolf Hitler, o leitor de Marx) e fascista (Benito Mussolini, o socialista dissidente) – todos eles comprometidos com o emocionante “sonho” da organização de uma sociedade “mais justa e fraterna”. Todos eles, em nome dos seus projetos de governo voltados para “transformações sociais” nas áreas de saúde, educação, saneamento básico, transporte, alimentação, lazer, esporte e cultura, terminaram por estabelecer na face da terra um universo concentracionário marcado pela dor, miséria, angústia, exploração e extermínio em massa).
 
Todavia, o mais curioso, ao condenar as nocivas práticas políticas vigentes no “mercado”, a Eminência Parda de Lula não apregoa o voto nulo. Pelo contrário: “Não podemos nos enojar da política, apesar da mediocridade da maioria dos candidatos (…) Ainda é tempo de tirar os candidatos dos patéticos sorrisos e tapinhas nas costas, e da moldura televisiva que visa a produzir sedução e não compromissos”. Perfeito, mas para substituí-los por quem?
 
Pressuroso, o comunista Beto não se faz de rogado: ele quer os políticos subordinados à autocracia vermelha dos “movimentos sociais”, tipo MST, que ele mesmo controla: “Movimentos sociais, sindicatos, associações, ONGs, denominações religiosas etc. devem convocar candidatos para o debate olho no olho, de modo a avaliar se têm projetos ou apenas ambição de poder; vínculos com grupos populares ou representam interesses corporativos oligárquicos”.
 
(Comentário: Ora, Betinho, vai te catar! Democracia representativa não é a farsa da “democracia direta” – filha bastarda do “centralismo democrático” bolado pelo sanguinário Lênin – que leva o povo aos desvãos do totalitarismo escravocrata, subordinado na marra às promessas nunca alcançadas dos projetos utópicos da nomenclatura parasitária – da qual você nunca se afastou).
 
Moral da história: se o “outro mundo possível” idealizado por Frei Beto tem como par adigma a Cuba de Castro, sou mais o político do cafezinho – embora, pessoalmente, não vote em ninguém.