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As principais ameaças à educação – Parte 1

17 de outubro de 2017 - 17:47:56

A liberdade só pode existir sem o governo nos dizer como viver, o que dizer, o que pensar, o que saber e o que não saber.
Alieksandr Solzhienitsyn

 

Solzhienitsyn tinha uma grande experiência com o governo da URSS para saber o que falava. Mas não apenas os governos totalitários se intrometem na vida das pessoas. Nas últimas décadas esta intromissão tomou vulto assustador nos países assim denominados “democráticos”. Sua origem não é somente nacional, mas procedem principalmente de instituições internacionais como a ONU e a miríade de ONGs que a cercam.

No assunto que estamos abordando a interferência da UNESCO atingiu proporções intoleráveis. Já não se pode falar em educação nacional em nenhum país ocidental. “Especialistas” globais se arrogam o poder de interferir diretamente no currículo, impondo a formação de “cidadãos para um mundo globalizado”.

Desnecessário dizer que nada disto ocorreria sem o concurso de “especialistas” locais aboletados no Ministério da Educação e nas secretarias estaduais, muitas vezes membros das mesmas ONGs.

Os estudantes, nesse império do politicamente correto, são ensinados a rejeitar a noção de verdades absolutas e aceitar o relativismo em todas as áreas, principalmente moral, ética e religiosa. A tradição e os valores nacionais e ocidentais são vistos como intolerantes e devem ser rejeitados em favor de “valores” internacionais (globais). Impera o multiculturalismo, todas as “culturas” – conceito cujo valor de grande conhecimento se esvaiu numa teia de significados vazios – têm igual valor. “…a única cultura que não pode ser celebrada é a cultura que permitiu que todas essas outras culturas fossem celebradas” (Douglas Murray), exatamente aquela que deu origem à civilização ocidental judaico-cristã.

Um dos principais fatores para este verdadeiro desastre foi a paulatina retirada da educação do lar e entregue à escola.

Educação ou ensino?

Educated men are as much superior to uneducated men as the living are to the dead.
Aristóteles

Diferencio esses dois temas por considerar que o primeiro se refere à família e o segundo à escola. Existem analfabetos educados e sábios sem nenhuma educação. A modernidade cada vez mais foi alijando a família e concentrando ambos na escola. Sou, no entanto, de uma geração na qual os dois temas eram bem delimitados: cabia à família educar e à escola ensinar. A participação da escola na educação se restringia à conduta disciplinar. A transmissão das tradições morais, éticas e religiosas vinha do lar. Cabia aos pais decidir se a educação religiosa deveria ser complementada pela escola, encaminhando seus filhos para escolas religiosas de sua fé, ou não. A escola não se arrogava o direito de educar e formar, mas em sua tarefa, o ensino, era criteriosa e exigente. Os professores conheciam o assunto que ensinavam, sem intricadas teorias ou técnicas pedagógicas para atrapalhar.

A pressão para esta entrega deve-se a dois fatores: de um lado pais inseguros formados nas décadas pós-guerra que de tanto criticar seus pais – era a época da “libertação” sexual, das ações revolucionárias, dos festivais tipo Woodstock onde tudo era permitido – não souberam assumir suas responsabilidades como pais e preferiram entrega-las à escola. De outro, “educadores”, ávidos de controlar e doutrinar os estudantes ao invés de ensiná-los, pedagogos cheios de teorias que queriam testar no farto material humano que lhes era entregue como cobaias.
Não havia como a educação e o ensino não decaírem a níveis vergonhosos. Em todos os países ocidentais este fenômeno ocorreu, mas no Brasil assumiu proporção assustadora!

Era inevitável que aparecessem inúmeros problemas principalmente para os estudantes, desde um ensino deficitário e perverso onde a história é continuamente reescrita e deturpada ideologicamente, até gravíssimas intervenções médico-psicológicas que serão objeto da continuidade deste artigo.

O que a confraria médico-psicopedagógica está fazendo com nossas crianças?

…as crianças são de longe o grupo mais classificado e rotulado de nossa sociedade. Advirto contra ‘as prescrições institucionais de um sistema que procura enquadrar as crianças em categorias diagnósticas’.
Frank Putnam

Desde a década de 80 a psico-medicalização da infância vem assumindo proporções alarmantes. A escola, além de abdicar de sua missão primordial de ensinar, assumiu o papel de clínica psicológica. A idealização dos sentimentos e o consequente abandono da racionalidade – esta abominação inventada pela civilização ocidental – estimularam a formação de grupos onde os alunos, mesmo de tenra idade, são estimulados a discutirem seus sentimentos abertamente. Inventou-se a ideia do bullying e tentou-se destruir a agressividade natural e necessária para o desenvolvimento (o que é diferente de coibir a destrutividade), principalmente nos meninos para inibir o desenvolvimento da masculinidade dos futuros “machistas”, pois a participação do movimento feminista na degradação da educação e no nível dos professores é enorme. As histórias infantis, depuradas de qualquer maldade, se tornaram contos aborrecidos e sem graça.

“A proteção terapêutica – terapismo – é como colocar viseiras nas crianças antes de levá-las a passear no campo cheio de vida”. (Christina Hoff Sommers & Sally Satel, M.D). O terapismo é uma invenção da psicopedagogia para anular a invidualidade, “desconstruindo” os valores familiares e a produção espontânea do pensamento infantil.

Problema mais grave, no entanto, é a medicalização de aspectos do desenvolvimento normal das crianças. Referindo-se aos EUA, o Dr. Chester M. Pierce, psiquiatra, deixou claro em seu discurso para o Seminário Internacional de Educação da Infância em 1973, haver um propósito subversivo por trás da profissão psiquiátrica.

“Toda criança na América que ingressar na escola com a idade de cinco anos pode ser considerada insana, porque vem para a escola com certas fidelidades aos nossos pais fundadores, em relação aos nossos funcionários eleitos, em relação aos pais, em relação a uma crença em um ser sobrenatural, e em relação à soberania desta nação como uma entidade separada. Cabe a vocês como professores curar todas essas crianças doentes – criando a criança internacional do futuro”.

Pode parecer exagero, mas estas palavras, adaptadas, podem ser usadas para descrever o que ocorre no Brasil. G. Brock Chisholm, psiquiatra e co-fundador da Federação Mundial de Saúde Mental afirmou que para alcançar um governo mundial, é necessário remover das mentes dos homens seu individualismo, a lealdade às tradições familiares, patriotismo nacional e dogmas religiosos…”.

Além da extensa doutrinação para transformar as crianças em meros cães de Pavlov, inventaram-se falsos diagnósticos psiquiátricos para condições normais em crianças irrequietas e curiosas, sendo a principal o “Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade”. Pais amedrontados pela atividade natural de seus filhos e professores que querem salas de aula com robozinhos bem comportados uniram-se a psiquiatras ávidos de pacientes e laboratórios visando enormes lucros para aceitar sem nenhuma crítica esta falsa síndrome já reconhecida pelo seu próprio criador, Leon Eisenberg, como “um excelente exemplo de uma doença fictícia”.

A existência de diagnósticos também influencia a visão que os pais e professores têm das crianças sob seus cuidados. Muitos professores e pais ouviram falar de “hiperatividade” e mais especificamente de déficit de atenção/hiperatividade. Muitos profissionais não especializados em saúde mental acreditam que podem fazer este diagnóstico.

Diane McGuinness declarou em 1989:
“Nos últimos 25 anos fomos levados a um fenômeno raro na história. Pesquisas metodológicas rigorosas indicam que o síndrome de Distúrbio do Déficit de Atenção e Hiperatividade simplesmente não existe. Inventamos uma doença, a sancionamos e agora devemos desmenti-la. O maior problema é saber como vamos matar o monstro que nós criamos. Não é fácil fazer isto sem nos desmoralizarmos”.

Para não me alongar demais devo fazer um último aviso: a prescrição de medicamentos para as crianças é amplamente justificada com base nestes diagnósticos. A mais conhecida é a ritalina, droga com efeitos colaterais extensos e que causa muitas vezes os sintomas que pretende curar. Seu uso por tempo prolongado pode causar danos cerebrais irreparáveis, além de criar dependência física e assegurar futuros clientes psiquiátricos e fregueses dos laboratórios produtores de drogas psicotrópicas. Mas estes fatos são geralmente escamoteados aos pais.

Segundo Breggin & Breggin a “cura” para essas crianças é uma atenção mais amorosa e racional por parte do pai. Os jovens estão hoje em dia sedentos de atenção por parte de seus pais, atenção que pode vir de qualquer adulto do sexo masculino.

A má influência do feminismo ativista e gay tenta feminizar os homens e retirar deles sua função específica: de chefe da família.

Nota do autor:
Artigo apresentado ao Fórum sobre Educação do Clube Militar. É o primeiro de uma série.

 

Heitor de Paola (www.heitordepaola.com) é escritor e comentarista político, membro da International Psychoanalytical Association e Clinical Consultant, Boyer House Foundation, Berkeley, Califórnia, e membro do Board of Directors da Drug Watch International. Autor do livro O Eixo do Mal Latino-Americano e a Nova Ordem Mundial, possui trabalhos publicados no Brasil e exterior. É ex-militante da organização comunista clandestina, Ação Popular (AP).

 

 

  • Mauricio Gabriel

    Tenho um blog que tenta mostrar esse lado da educação, algo muito simplório e carente de argumentos. Todos os argumentos lá contido chegou até mim pela leitura de Maquiavel Pedagogo. Muito bom o artigo.

  • Gustavo Brandão

    Sensacional artigo.

  • Ig Moura

    Sou formado, pelo desastroso e precário ensino brasileiro tanto no ensino básico quanto superior de licenciatura em história, me sinto envergonhado perante a minha ignorância de ter recebido um diploma e considerado perante a sociedade como apto para ensinar os demais, mesmo eu sabendo que não sou. E devo dizer por experiência própria que nada disso é citado nos cursos de pedagogia ou de outra licenciatura. Somos instruídos a sermos considerados facilitadores, ou como diz a lei de diretrizes e bases – à moda Paulo Freire globalista – “educadores”, e não profissionais do ensino. Temos disciplinas voltadas a diagnosticar possíveis distúrbios nas crianças e assim fazer o possível para que essa criança seja tratada, indiretamente por nós “educadores/facilitadores” e diretamente pelos psicopedagogos da ciência mainstream. A responsabilidade de ensinar já grande e ainda querer que eduquemos outros, que por sinal não são nossos filhos, é o mesmo que vender sua própria alma ao diabo. Tudo aquilo de mais valioso que se têm é entregue àquele que mais destrói.

    • Osvaldo Pereira Júnior

      Parabéns por sua sinceridade. O Brasil precisa de gente igual você.

      A maioria das pessoas não assumem que são semi-analfabetos.

      • Igor Henrique Moura

        Obrigado por me considerar sincero. Dói pensar assim, no entanto, não deixa de ser um fato. Acredito que esse é um dos primeiros resultados do curso do Professor Olavo. É buscar a sinceridade perante, primeiramente, Deus e depois a si mesmo.

        • Alexandre Sampaio Cardozo de A

          Prezado Igor, você seguramente não é a única vítima dessa maldição que alguns chamam de “sistema educacional”. Eu também sou um analfabeto funcional. No meu caso, ao perceber que seria incapaz de exercer a profissão correspondente ao curso, no caso Direito, optei por abandonar a faculdade e trabalhar em uma função compatível com a minha capacidade. E confesso-lhe que me sinto muito bem com a minha decisão. Pois o minguado salário que percebo, faço-o por merecer, ao contrário de muitos “adevogados” que não sabem redigir uma mísera petição inicial, a peça mais básica em qualquer área do Direito. Os anos de estrago (do primário a universidade), tento compensar estudando sozinho em casa. E os resultados tem sido satisfatórios. Nem todos podemos ser “doutores”. Mas, o ensino praticado no Brasil, é um crime de lesa-pátria.

          • Ig Moura

            Estou seguindo o mesmo caminho, eu me vi totalmente despreparado para atuar na educação, justamente pelo mesmo efeito que você teve. Atualmente trabalho em uma empresa de informatica pra ter de custear minha recuperação intelectual. E também estudo por fora, em casa, para procurar desfazer dessa merda pseudo intelectual que jogaram em mim. O que mais me satisfaz é que tenho ajudado muito minha esposa, coitada dela, pois ela está enfrentando um curso de economia em uma federal aqui de na minha cidade. Eu tenho dado um suporte em algumas matérias de história que ela tem no curso. Só assim pra que eu possa praticar o que tenho aprendido no curso do COF. Tenho um certo interesse por ensinar outras pessoas, mas minha falta de capacidade intelectual, coisa que vi um pouco tarde, tem atrapalhado justamente por ter descoberto o qual perigoso é ter a responsabilidade de transmitir conhecimento aos demais. Determinado conjunto de ideias já mataram milhões durante o curso da história e eu não quero ser um dos que participou disso, mesmo inconscientemente ou indiretamente.

    • Flavio Aprigliano Filho

      Entro no seu comentario tão sincero e realista, e fico feliz que vc esteja mum momento tão importante de autocritica. Esta é a forma mais correta e certeira de conseguir crescimento. Parabens!!
      Permita-me dar-lhe um conselho: não deixe de entrar no site brasilparalelo. Lá vc vai encontrar aprendizado de historia do Brasil da melhor qualidade, atraves de videos que podem ser acessados gratuitamente e atraves de uma conteibuiçao vc tambem terá acesso a mais de 50 entrevistas/ aulas com profissionais de historia da melhor qualidade. Não deixe de entrar. Outro site é o Terça Livre, onde por R$9,90/ mês vc terá acesso a aulas de historia, etc, com hangout’s e bibliografias.
      Boa sorte!

      • Igor Henrique Moura

        Obrigado. Eu participei da campanha do brasil paralelo, ajudei com uma contribuição. Estou assistindo aos poucos as entrevistas e palestras. Sobre o terça, eu só não faço o curso pois já estou fazendo o curso do COF, vai ficar um pouco apertado devido a massa de conteúdo. Mesmo assim muito obrigado pelas palavras.

        • Flavio Aprigliano Filho

          Que ótimo!
          Vc já está no caminho certo. Perseverança e Sucesso. Seus futuros alunos lhe serão muito gratos por isso, e a sociedade brasileira tambem.
          Abrs.

    • Hodney Fortuna

      Ig Moura – sua humildade te fez um verdadeiro sábio.

  • Shirley Loos

    Excelente!

  • Osvaldo Pereira Júnior

    O quê um comunista quer para o povo e o quê ele quer para ele próprio?

    Desarmamento pra vocês, carros blindados para mim!
    Venezuela e Cuba pra vocês, Estados Unidos e Europa para mim!
    Comunismo pra vocês, capitalismo para mim!
    Ração estatal pra vocês, comida importada para mim!
    Rede Globo pra vocês, canais internacionais para mim!
    Virada cultural na paulista pra vocês, Disney para mim!
    Controle populacional pra vocês, família grande para mim!
    Ideologia de gênero pra vocês, educação moralista para mim!
    Codex Alimentarius pra vocês, comida orgânica de qualidade para mim!
    Remédios genéricos pra vocês, vitaminas puras para mim!
    Economia de água pra vocês, piscinas com hidro para mim!

    • Osvaldo Pereira Júnior

      Pergunta que não quer calar aqui no site ao Rafael comunista;

      Rafael, você quer morar em Cuba vivendo com salário de cubano e com direitos de cubano?

      30 dólares por mês, sem direito a internet livre, sem direito a contestar o governo, sem direito a viajar para o exterior, sem direito a ter armas, sem direito a nada.

      Responde ai desgraçado!

  • Luiz F Moran

    EDUCAÇÃO – por C. S. Lewis, trecho do livro “A Abolição Do Homem” escrito em 1940:
    “Enquanto a antiga promovia uma iniciação, a nova apenas condiciona.
    A antiga lidava com os alunos da mesma maneira como os pássaros crescidos lidavam com os filhotes quando lhes ensinavam a voar; a nova lida com eles mais como o criador de aves lida com os jovens pássaros – fazendo deles alguma coisa com propósitos que os próprios pássaros desconhecem.
    Em suma, a educação antiga era uma espécie de propagação – homens transmitindo a humanidade para outros homens; a nova é apenas propaganda”.

    • The Question

      Excelente texto, essa é umas das poucas obras do autor que ainda não li. Com certeza vou procurar lê-lo o quanto antes.

  • Sergio Ricardo M. da Silva

    Ótimo.

  • Felix André

    Uma coisa que eu tenho notado aqui onde eu moro é o modo como a maioria dos pais se veste igual as crianças – bermudas, camisetas estampadas, tênis. bonés. O comportamento de certos pais por vezes é até mais infantil do que a dos filhos pequenos. Que modelo essas crianças vão seguir?

    • nando_dsqs

      Vestimenta a muito deixou de ser coisa de bom gosto
      Gosto de ver as mulheres gordas de regata, um horror
      Ou casado, bermuda e chinelo e frio de doer

  • sirohwort

    Frase do Olavo hoje em relação ao Banco Santander

    “UMA SÓ cena de bestialidade mostrada a crianças é mais grave do que mil páginas de tagarelice pró-pedofilia.
    O que esses engomadinhos do show business estão fazendo não é “apologia da pedofilia”. É algo mais sutil e, ao mesmo tempo, muito pior. Estão tentando apagar, na mente das crianças, a medida do humano, o senso do que é específico e mais digno na condição de “homo sapiens”. Não são meros propagandistas do que não presta. São monstros morais, mentes disformes que querem deformar tudo e todos à sua imagem e semelhança.”

  • Leo Nardus Mouras

    O ensino no Brasil é uma porcaria, até o ensino público universitario.

  • Wolney Garcia

    Excelente artigo Dr. Heitor de Paola! De fato a principal ameaça à educação de forma geral, parte principalmente dessa inversão absurda de papeis os quais não cabem à classe docente e sim aos pais educarem seus filhos. Porém temos visto infelizmente que o Governo só associou o ofício do educar ou da educação aos professores por conta do declínio da função paterna e posteriormente do declínio familiar. Creio que foi muito bem observado ao dizer sobre esse declínio ao dizer:

    “Os jovens estão hoje em dia sedentos de atenção por parte de seus pais, atenção que pode vir de qualquer adulto do sexo masculino.”

    “A má influência do feminismo ativista e gay tenta feminizar os homens e retirar deles sua função específica: de chefe da família.”

    Sobre esses sintomas, novos sintomas, de novas patologias, de mutações sociais,
    psicoses, etc. indico o seguinte artigo:

    “Novos sintomas” e declínio da função paterna: um exame crítico da questão
    http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-14982014000200003