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Perigosas crendices sobre o aborto

18 de julho de 2017 - 18:37:43

Certa vez, um químico deixou acidentalmente que uma solução de ácido clorídrico (HCl) fosse lançada sobre sua pele. Um colega de laboratório pôs-se a pensar o que fazer para socorrer seu amigo que gritava de dor.

Pensou ele: ácidos e bases neutralizam-se mutuamente, produzindo sal e água. Assim, uma solução de ácido clorídrico (HCl) é neutralizada, por exemplo, por uma solução de hidróxido de sódio (NaOH), produzindo cloreto de sódio (NaCl) e água (H2O).

HCl + NaOH ® NaCl + H2O

Levado pelo desejo de neutralizar o efeito do ácido clorídrico, o amigo da vítima aplicou sobre sua pele corroída uma solução de hidróxido de sódio (soda cáustica). Para sua surpresa, o resultado não foi um alívio, mas um agravamento da corrosão, o que fez a vítima sofrer ainda mais.

* * *

O aborto “terapêutico”
Da mesma forma, diante do fato de que certas doenças se tornam mais complicadas com a gravidez, há médicos que, à semelhança do químico do exemplo anterior, acreditam que o aborto fará “desengravidar” a paciente, levando-a ao estado anterior à concepção do filho. Segundo Alberto Raul Martinez, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (SP), em depoimento de 1967,

“deve-se levar em conta que a reação mais comum do médico não afeito à especialidade ginecológica, quando a gravidez ocorre em uma de suas pacientes já afetadas por problema físico ou mental, é a de que a remoção da gestação poderia simplificar a questão.”

Isso, porém, não ocorre. O aborto é uma prática tão selvagem que, além de condenar à morte um inocente, agrava o estado de saúde da gestante enferma.

Sobre este assunto, convém citar a célebre aula inaugural “Por que ainda o aborto terapêutico?” do médico-legal João Batista de Oliveira Costa Júnior para os alunos dos Cursos Jurídicos da Faculdade de Direito da USP de 1965:

Ante os processos atuais [de 1965!] da terapêutica e da assistência pré-natal, o aborto não é o único recurso; pelo contrário, é o pior meio, ou melhor, não é meio algum para se preservar a vida ou a saúde da gestante. Por que invocá-lo, então? Seria o tradicionalismo, a ignorância ou o interesse em atender-se a costumes injustificáveis? Por indicação médica, estou certo, não o é, presentemente. Demonstrem, pois, os legisladores coragem suficiente para fundamentar seus verdadeiros motivos, e não envolvam a Medicina no protecionismo ao crime desejado. Digam, sem subterfúgios, o que os soviéticos, os suecos, os dinamarqueses e outros já disseram. Assumam integralmente a responsabilidade de seus atos [1].

O aborto para “aliviar” os danos do estupro
Também à semelhança do químico que pretendia neutralizar a corrosão do ácido clorídrico despejando hidróxido de sódio na vítima, há quem pense que, se uma gravidez resultou de um estupro, o aborto seria capaz de “desestuprar” a mulher. Depois de um aborto — pensam os doutos, sem qualquer fundamento — a mulher violentada voltaria a seu estado anterior ao estupro. E mais ainda: afirmam gratuitamente que, se a mulher violentada der à luz, a simples visão do bebê perpetuará a lembrança do estupro em sua vida. Leia-se, por exemplo, esta lamentável afirmação de Nélson Hungria:

Nada justifica que se obrigue a mulher estuprada a aceitar uma maternidade odiosa, que dê vida a um ser que lhe recordará perpetuamente o horrível episódio da violência sofrida [2].

Convém lembrar ao célebre jurista que a vida da criança por nascer permanece inviolável apesar da violência praticada por seu pai e sofrida por sua mãe. Ainda que o bebê parecesse repugnante aos olhos da mãe, nada justificaria a sua morte. Em tal caso (suponhamos que ele existisse), a mãe poderia encaminhar seu filho recém-nascido para a adoção, e ele rapidamente encontraria um casal para acolhê-lo [3].

No entanto, os casais que pretendem adotar não devem alimentar esperanças de encontrar bebês disponíveis entre os concebidos em uma violência sexual, pois estes costumam ser os filhos preferidos de suas mães. Explico-me.

Em meu trabalho pró-vida, já conheci muitas vítimas de estupro que engravidaram e deram à luz. Elas são unânimes em dizer que estariam morrendo de remorsos se tivessem abortado. Choram só de pensar que alguma vez cogitaram em abortar seu filho. A convivência com a criança não perpetua a lembrança do estupro, mas serve de um doce remédio para a violência sofrida. Com exceção das gestantes doentes mentais [4], não conheço nenhum caso em que uma vítima de estupro, após dar a luz, não se apaixonasse pela criança.

E mais: se no futuro, a mulher se casa e tem outros filhos, o filho do estupro costuma ser o preferido. Tal fato tem uma explicação simples: as mães se apegam de modo especial aos filhos que lhe deram maior trabalho.

Olha! Se você sofre demais para conseguir uma coisa, é muito mais amor. Porque esse filho é o que mais deu dilema.
(Maria Aparecida, violentada em 1975, referindo-se ao seu filho Renato, fruto da violência).

No início, quando você percebe que está grávida, fica com muita raiva. Mas depois que a criança nasce, você nem se lembra mais do que aconteceu.
(Maria Luciene, violentada em 1995, mãe de Bruna).

Tive tanto trabalho para ter esse neném e agora vou dar para os outros?
(E., adolescente de 12 anos, violentada pelo pai em 1999).

Se, porém, a gestante fizer um aborto, a marca do estupro, longe de se apagar, ficará cristalizada. Em vez de ter diante de si um rosto sorridente de uma criança para lhe servir de remédio, a mulher terá dentro de si a voz da consciência acusando-a de ter matado um filho inocente. Nenhuma vítima de estupro merece tão horrível castigo. Mas é isso o que nosso governo tem oferecido como “tratamento” para a violência sexual…

Notas:
[1] João Batista de O. COSTA JÚNIOR, Por quê, ainda, o abôrto terapêutico? Revista da Faculdade de Direito da USP, 1965, volume IX, p. 326.

[2] HUNGRIA, Nélson. Comentários ao Código Penal. vol. 5, 4.ed. Rio de Janeiro: Forense, 1958, p. 312.

[3] Quem conhece as filas de adoção dos Juizados da Infância e da Juventude, sabe que os recém-nascidos não ficam muito tempo esperando por pais adotivos.

[4] As doentes mentais não rejeitam o filho. Contudo, não criam laços afetivos com ele, de modo que não se importam que ele seja adotado.

http://www.providaanapolis.org.br

  • Daniel Robert

    Aborto é assassinato!

    • Thiago

      Sem dúvida.
      Mas no caso de uma vítima de estupro não querer gerar em seu ventre uma vida que tem 50% do DNA do seu algoz, você acha que ela não tem o direito de legalmente fazê-lo?
      Não há exceções a toda regra?

      • Dirk Lindeke

        O que eu entendo e que este artigo está tentando transmitir é que se o estado permite esta modalidade de assassinato, nestes casos as mães vão optar pelo mesmo num primeiro momento, mas vão se arrepender depois. A esquerda vive de intenções, temos que olhar os resultados. Mães amam ou não os filhos gerados pelo ato violento? O artigo diz que sim, gostaria de ver a fonte.

      • Daniel Robert

        Claro! Eu não posso ser contra o assassinato, desde que ele dependa da vontade de quem o comete!

      • Fernando Freitas

        A situação é dificílima, porque foi originada num crime terrível. Só que todo mundo no Brasil que brada pelo estupro num dia, brada para proteger o estuprador no outro. Está muito claro que eles precisam do estuprador solto, para defender a legalização do aborto. Fora com isso.

      • Aderbal Matias

        A mesma galerinha que defende o aborto em caso de estupro é contra a retirada dos testículos do estuprador, caso o Código Penal seja reformado.
        Ou seja, o que está em jogo não é o bem-estar da mãe, mas uma agenda de assassinos, que se valem das nossas leis fracas pra perpetuar sua pregação satânica.

      • João Farias

        A frase “toda regra tem uma exceção” não faz sentido, ela é auto contraditória, cria um paradoxo. Para ela ser verdadeira teria que haver uma exceção para ela, que seria: “nem toda regra tem exceção”. Mas isso seria o contrário da primeira frase. Nunca use essa frase, ela não tem sentido…

  • O próprio suicídio não é um comportamento aceito nem pela lei de César e muito menos pela lei de Deus.

    Sendo assim, se você não pode matar nem a você mesmo, por quê se acha no direito de matar uma criança?

    A simples defesa do aborto já é um crime quase tão perverso como praticá-lo. Fazer apologia ao aborto em qualquer sociedade decente e que se preze, deve ser punida com no mínimo 10 anos de prisão. Já a pratica deve ser punida com a pena de morte a todos os envolvidos.

    Só assim para limparmos a sociedade dessa escória de psicopatas pois essa gente só respeita o que teme.

    • Thiago

      Concordo com você. Mas no caso de gravidez por estupro, você abre exceção, no caso da vítima desejar abortar?

      • Uma criança em gestação fruto de um estupro continua sendo uma criança em gestação tão digna de viver como qualquer outra.

        O estado não deve custear o aborto nesses casos mas sim assumir a responsabilidade dessa criança e a colocar a disposição para adoção caso a mãe não a queira.

        Se permitirmos aborto nesse caso temos que permitir em qualquer outro afinal ser contra o aborto é defender a vida de crianças sejam elas quais forem.

      • Aderbal Matias

        De jeito nenhum. O correto é oferecer amparo à criança, caso a mãe realmente não queira prosseguir com a guarda da mesma. Por outro lado, deve-se instituir o mais rápido possível a castração física (remoção dos testículos) pra todo estuprador, independente do estado mental.

        • Felipe Dias

          E se for o desejo do estuprador engravidar uma mulher? Você vai premiar o ato do criminoso com uma garantia na lei. Que lindo!

          • Aderbal Matias

            Nesse caso o estuprador será sim “premiado”, como vc diz. Mas o meu ponto é que precisamos defender a todo custo a vida da criança DESDE QUE A CASTRAÇÃO FÍSICA SEJA REAL. Há que se unir as duas coisas, proteção e punição.

            Eu não trocaria minhas bolas por criança nenhuma nesse mundo. Imagina vc ser um pai sem saco? Todo flácido e com voz feminina? Lembrando sempre que a criança pode ser doada de forma anônima pra pessoas que nunca terão contato com a família original, e com isso vc tira a suposta vantagem do estuprador 😉

    • Raimundo Lulo

      pelo visto só discordamos sobre a obrigatoriedade de matricular os filhos na escola, Osvaldo

    • Felipe Dias

      Amigo, digamos que ocorra com você algo que ocorre de vez em quando em cidades do interior: seu vizinho (um cara problemático qualquer) acaba gostando da sua mulher e deseja fazer sexo com ela. Ele reúne um grupo de outros caras para raptar e transar com sua mulher quando a mesma estiver na rua para fazer compras.
      Você aceitaria o filho do teu vizinho na sua casa, para lembrar para sempre que você é um corno?
      Em casos de estupro, o aborto deve sim ser legalizado. Dizer o contrário é legitimar e até premiar o resultado de um crime sexual.

  • Thiago

    Ué, apagaram meu comentário na cara dura?

  • Thiago

    Aborto por irresponsabilidade de engravidar mesmo tendo à disposição uma dúzia de métodos contraceptivos (coito-interrompido, camisinha, pílula, etc) não é moral e nem deve ser incentivado e muito menos financiado pelo Estado.

    Mas em caso de estupro, se a vítima decidir, é um direito legítimo e inatacável, e cabe até o custeio estatal para esse público.

    O único problema seriam grávidas por imprudência alegarem falsamente estupro para abortarem pelo SUS, mas aí é outro debate.

    Achei o texto fundamentalista e dogmático ao sugerir que uma vítima do estupro sempre lidaria melhor com tal trauma caso optasse em gerar e criar o bebê, filho do estuprador. O trauma sempre existirá, quem deve decidir como lidar com ele é a vítima sobretudo.

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    • Mulher nenhuma tem o direito de matar criança nenhuma.

      • Daniel Robert

        O cara é o gênio do direito, assassinato se tornou direito.

    • Raimundo Lulo

      dogmático é vc dizendo que é “direito inatacável”

    • Raimundo Lulo

      eu já fui um bebê, posso afirmar por experiência própria

  • Robson La Luna Di Cola

    O amor maternal é um dos sentimentos mais nobres, e impressionantes dos seres humanos. Portanto, deve ser respeitado, valorizado, e difundido.

  • Seu Zé

    se a gravidez representa risco à vida da gestante, não deve ser executado o aborto para que saudável a mulher possa engravidar novamente?? ou é melhor ela morrer com o feto?

    • Raimundo Lulo

      quem diz o que representa risco à vida da gestante?

      vc? eu? a gestante? o médico?

      não!

      quem decide é a OMS, ela já decidiu o seguinte: a própria gravidez já representa o risco…

      portanto, seguindo esse critério do risco de vida e os parâmetros da OMS, qualquer grávida pode abortar

  • Luiz F Moran

    Aborto é assassinato de indefeso, não há crime mais horrendo que uma mãe matar o seu próprio filho.

    • Daniel Robert

      E tem gente que argumenta a favor deste ato, cheios de eufemismo e sofismas.

  • Marcos Menezes

    Não existe justificativa para se matar uma criança!Aborto é um crime hediondo!!

  • Márcio Monteiro

    Bem, em caso de estupro, considero legítimo.
    Cabe a cada mulher decidir se quer ou não abortar. No entanto, deveria ser detectado se está grávida com bastante antecedência. Basicamente, mal seja feita a denúncia, a mulher deveria ser acompanhada.

    Só vejo aqui comentários de homens, aparentemente. Não nos cabe a nós, homens, tomar decisão sobre isso. Afinal de contas é a mulher que vai gerar a criança.
    Imaginando-me sendo mulher e ter sido estuprada, no caso de ter engravidado, iria querer fazer o aborto o mais cedo possível.

    Agora, sendo homem e imaginando que a minha namorada fosse estuprada e tivesse engravidado, eu não conseguiria lidar com a situação se ela avançasse com a gravidez.

    • Fernando Freitas

      Porque não conseguiria lidar com a situação? Ficaria na dúvida se houve ou não o estupro? É disso que se trata, não? Você acharia que ela não matar o bebê seria uma prova de amor pela criança ou pelo pai? Ficaria mais tranquilo dormindo ao lado de uma pessoa capaz de matar seu próprio filho, indefeso? Acharia mesmo que essa mulher seria boa mãe para seu filho? Investiria sua paternidade numa mãe assassina? Cara.. não faz sentido nenhum.

      • Márcio Monteiro

        Não duvidaria que fosse estupro. Mas a situação em si seria incômoda. Depois o facto de o filho não ser meu. Eu sei que é egoísta porque ela é que teria passado por essa situação infeliz, mas essa situação iria gerar uma mistura de emoções tão chatas que não saberia lidar com a situação. Preferia afastar-me do que viver com isso. Seria egoista, eu sei, mas era uma decisão que poderia tomar.

        • Fernando Freitas

          Nós precisamos parar de discutir a pauta da esquerda. O artigo mostra as falácias sobre o aborto, e essa do estupro é só mais uma. Primeiro que deveríamos cobrar medidas duríssimas contra o estuprador, apoiando por exemplo o projeto do Bolsonaro. Castrar quimicamente um perturbado desse é a primeira providência. Mas vamos lá.. desmistificar a questão do aborto…. Márcio, no Brasil, basta a mulher dizer que foi estuprada, e ela poderá fazer o aborto no hospital. Não precisa nem Boletim de Ocorrência. Daí vem o fato de tantos “estupros” serem noticiados na rede de saúde. Em primeiro lugar, existem medidas praticamente obrigatórias numa situação dessas, a saber : coquetel anti-Aids, pílula do dia seguinte e exame de corpo de delito. Qual é a coerência de querer realizar um aborto 3 meses depois, ficando com o risco do procedimento, o remorso de matar um inocente e a ameaça de contrair uma doença sem cura? E tem mais… a chance de uma gravidez é muito pequena em uma relação sexual, da ordem de 15~18%, se a mulher estiver em período fértil! Então, se a mulher realmente for estuprada, basta ir até o hospital, ser medicada, e ela não engravidará. De sobra, deve ir à delegacia e prestar queixa contra o estuprador, coletando o material genético para futura identificação. Por isso penso que a imensa maioria que diz ter sido estuprada, na verdade apenas quer fazer o aborto. Por que teve muitos parceiros e não sabe quem é o pai, porque sabe quem é o pai, porque quer, etc etc etc. Cabe às pessoas de bem tentar interromper isso o mais rápido possível. E cadeia aos assassinos e estupradores.

        • Felipe Dias

          Ninguém gosta de ser corno, imagina agora criar o filho de outro – no caso, do estuprador…

      • Felipe Dias

        Não faz sentido é o maridão criar o filho de outro, um estuprador, lembrando dia e noite que é um corno. Concordo, eu também não aceitaria de modo algum criar o filho de um estuprador.

  • Forkert

    Existe pena de morte para o estuprador? Não! Então também não tem sentido condenar o fruto do estupro à morte.

  • Paulo Henrique

    excelente texto