1. Brasil
  2. Colunistas
  3. Cultura
  4. Governo do PT

Rombo da cultura oficial

25 de setembro de 2017 - 22:29:02


O governo Temer anunciou que o déficit primário das contas públicas em 2017 saltou de R$ 139 bilhões para R$ 159 bilhões, enchendo de som e fúria a mídia amestrada. De fato, para um “quadrilhão” que derrubou o gangsterismo da dupla Lula/Rousseff em nome do repúdio às  “pedaladas fiscais”, a trolha do rombo deficitário, na ordem de R$ 20 bilhões, além de criminosa, é ato de puro lesa-pátria passível de pena de morte por fuzilamento – tanto mais que o rombo só faz aumentar a astronômica dívida pública federal, estimada hoje, por enquanto, na incrível soma de R$ 3,65 trilhões.

O homem das ruas talvez ignore. Mas o que significa, na prática, o rombo sistemático das contas públicas do governo? Apenas isto: ausência de crédito (nacional e internacional), falência da cadeia produtiva, aumento de preços, juros elevados, baixa qualidade de vida,  desemprego em escala, violência rural e urbana, criminalidade desenfreada, falta de recursos para segurança, saúde, educação – em suma, escolas e hospitais fechados, assaltos a cada esquina, assassinatos em massa. Para não falar no medo, na angústia e na desconfiança (tidos como “sentimentos subjetivos”) que sufocam corações e mentes da população fustigada.

Bem, falei no rombo fiscal de R$ 159 bilhões, mas o que dizer dos bilhões de reais que escorrem pelos ralos permissivos da chamada cultura oficial do País? Só o cinema nativo  torrou, nos últimos tempos, cerca de R$ 40 bilhões (ou mais) sob a cínica justificativa de que apenas com muito dinheiro público sacado do bolso do contribuinte (em forma de isenções fiscais e verbas colossais) a atividade poderá se manter na “vanguarda cultural”. Arrotam os aristocráticos mentores da falácia, fartamente nutridos nos privilégios impositivos concedidos pelo governo (e, em primeira instância, responsáveis pelo alastramento do rombo das contas públicas), que o audiovisual tupiniquim tem como objetivo se tornar arma ideológica de um “soft power” capaz de “ajudar a construir a nação” (socialista, já se vê). Por isso, o governo tem de manter ad infinitum a vigência de uma lei fraudulenta e perdulária cujo prazo, para o bem dos cofres públicos, está se esgotando. É muita canalhice!

Mas, sobre isso, a mídia amestrada, conivente e também acanalhada pela vassalagem engajada, fica na moita: ninguém investiga o abuso, ninguém levanta números, ninguém faz a análise do fenômeno em profundidade. Por aqui, só se abre espaço para a corporação insaciável, viciada em mamar fundo nas tetas do governo e mentir adoidada exigindo mais benesses de políticos desonestos aboletados no poder. Gente da laia de Lula da Selva, Dilma Rousseff e FHC, todos repudiados pela população consciente do País.

Falei antes que Lula, Dilma e FHC eram políticos desonestos. Mas eles são, sobretudo, salafrários, à mercê de corporações sedentas de dinheiro fácil, uma gente sem escrúpulos que se mobiliza dia e noite, aríete nas mãos, para arrombar o erário. Um exemplo de como agem, encontra-se em reportagem da revista “gauche” Piauí sobre Luiz Carlos Barreto, a quem chama de “meio mafioso”. Nela, diz Barreto: “O Cacá (Diegues) colocou a cara à tapa, e eu fui para o campo agir. Nós temos um know-how que vem da época da ditadura: tem aquele que briga, e tem o outro que negocia”.

A tramoia funciona há décadas, sempre com apoio da mídia às esquerdas. Outro dia, para pressionar o pusilânime governo Temer, O Globo abriu habitual espaço para o milionário L. C. Barreto, produtor do fracassado “Lula, O Filho do Brasil” (o mais caro filme nacional de todos os tempos): “Se a lei do audiovisual não for renovada, eu, aos 89, vou me transformar num exilado cultural”.

O rombo da cultura oficial tornou-se inabordável. A defasagem entre custo e benefício é imensa. Gasta-se muito dinheiro, inutilmente. No campo literário, por exemplo, a boa literatura sumiu. Gente do porte de Machado de Assis, Lima Barreto, Zé Lins do Rego, Graciliano Ramos,   Érico Veríssimo e até Jorge Amado virou fenômeno de Fata Morgana. Predomina nos cursos acadêmicos a ditadura do desconstrucionismo minimalista, que fez da leitura um ato de tortura digno do leito de Procusto. Por aqui, ninguém ganha Oscar ou Prêmio Nobel, embora anualmente apresentem-se candidatos em profusão. (Não falo nas universidades que, entre nós, sem exceção, são reconhecidas mundialmente  como fábricas de analfabetos funcionais).

Exemplo típico de como se processa a difusão das “artes” no Brasil, inserido no contexto revolucionário do marxismo cultural vigente, dá-se numa exposição do Santander Cultural, em Porto Alegre, mantido com o dinheiro fácil da renúncia fiscal, especialmente destinada ao público infantil. Nela, se esmeram telas, fotos e desenhos chinfrins, onde se louva a pedofilia. cobrofilia, zoofilia e o vilipêndio à fé religiosa: Cristo aparece numa tela segurando vibradores; pretos e brancos se alastram em surubas mis, enquanto um casal transa (dá-lhe, Lula!)  com uma cabra. Logo na entrada, desenhos de crianças pintadas de travestis posam felizes com um cartaz nos peitos: “Eu sou viado”.

Custou um 1 milhão de reais e a exposição contou com a farta promoção da mídia amestrada.

É o fim!

 

Ipojuca Pontes, cineasta, jornalista, e autor de livros como ‘A Era Lula‘, ‘Cultura e Desenvolvimento‘ e ‘Politicamente Corretíssimos’, é um dos mais antigos colunistas do Mídia Sem Máscara. Também é conferencista e foi secretário Nacional da Cultura.

 

 

  • nando_dsqs

    Sem falar da proliferação sem fim na tv a cabo de filmes e séries nacionais, sendo que os filmes sempre com aquele conteúdo e linguajar vulgar que aposto ninguém fala em casa daquela maneira
    Este invasão da TV a cabo dos horários da programação ruim nacional goela abaixo em todos os canais, em dias diferentes deve custar alguma grana também.

    • Renato Passero

      Exatamente, o estado impõe essa “cultura brasileira” a todos os meios, querem nos obrigar a aceitar isso. Não vi nenhum canal, aberto ou a cabo, que se prontificou a passar O Jardim das Aflições ou os documentários do Brasil Paralelo por exemplo.

      • Diego Ingracio

        Esse ano ta foda, Jardim e Brasil paralelo foram melhor que Velozes 8 kkkk

    • Rebeca

      Engano seu! Eles já estão promovendo esse linguajar vulgar a tanto tempo que, se você prestar atenção, notará que já tem gente se expressando assim!

  • Eduardo Prestes

    Os cineastas brasileiros não precisam de público, a remuneração está garantida com a Lei Rouanet. Basta fazer qualquer coisa, ficar uma semana em cartaz numa birosca e a vida está ganha. O dia em que acabar a Lei Rouanet isso muda, os filmes terão que encontrar público, o que representa uma dificuldade intransponível para boa parte dos cineastas.

    • Gustavo Costa de Oliveira

      e pra não fechar a torneira basta tomar cuidado pra ficar sempre do lado de lá ou no máximo no muro

    • Danilo Scarabelli

      Concordo. Tudo que é bom é, automaticamente, promovido por quem consome.

      E, falando em Lei Rouanet, precisamos de 20.000 apoios à Ideia Legislativa que visa extinguir essa Lei. Já beira os 50.000. Penso que, quanto mais massivo o apoio, mais percebem que a população está de olho. Segue o link:

      https://www12.senado.leg.br/ecidadania/visualizacaoideia?id=89939&voto=favor

  • Marcos Pereira

    De rombo em rombo, com a chancela, complacência, omissão, corrupção e interesses escusos mais chegamos aos R$ 3,6 Trilhões de uma dívida pública impagável, que nos torna seus reféns. O mais estranho é que chegamos a esse descalabro praticamente não investindo e pouco gastando com as FFAA. Creio ser o Brasil, o único país do mundo que quebrou por uma questão de Cultura. Cultuar ao estatismo, Cultura ao Marxismo, Cultura ao Vitimismo, Cultura a Indolência – hoje quanto assisti à reportagens sobre os estragos consequentes do rompimento das barragens da Samarco, fiquei revoltado, revoltado não só com a samarco, com governos mas, com os próprios moradores; simplesmente inertes aguardando o maná cair do céu.
    Nunca em um país a estratégia Cloward-Piven deu tanto certo. A administração pública brasileira virou um Leviatã fora de controle,cada vez mais viciado no perdulário.
    Jogamos dinheiro pelo ralo, quer seja por sobre preços ( é incrível como o estado adquire produtos e serviços incluindo todos os impostos, taxas e contribuições – autofágico), obras inacabadas, equipamentos parados, falta de mão de obra. Outra dia estava vendo uma entrevista com o Secretário da Saúde da Cidade de São Paulo. Pasmem, fiquei sabendo que sobre dinheiro para a dita Saúde; com 70% do orçamento dá para tocar os serviços com os pés nas costas.
    No mais tudo é assim. Torto, malfeito. feio, ruim. Para compensar o malditos demônios da administração pública querem mais impostos ( creio que a carga tributária brasileira está hoje acima de 60% – o cálculo dever ser feito sob a preço s/ impostos). Mesmo com mais impostos, expandem continuamente a dívida pública.
    Chegamos a um ponto, no qual temos que forçar o ponto de inflexão para um governo que sirva ao cidadão e não seja por ele servido, Um governo que pense no consumidor e no Empreendedor.
    Isto certamente não acontecerá com essa esquerda que está por décadas e mais décadas; talvez um século.
    O modelo de estado SOCIALISTA BRASILEIRO , esgotou-se, sucumbiu.
    Que fhc, lula, dilma, temer, e toda essa cambada comunista, apenas façam parte um ocaso histórico que por pouco não destrui o Brasil.

  • marcelo almeida

    Como diria o professor Olavo: ” todo poder emana do povo e contra ele será exercido”.

  • Odilon Rocha

    Uma excelente exposição da bacanal com o dinheiro público. E tá assim, oh, de gente conivente com essa suruba perdulária.

  • Beto Moraes

    Se não for o fim, é um ensaio de pré-estreia.