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Pró Pena de Morte

26 de abril de 2017 - 12:43:02

Jacy de Souza Mendonça

De todos os 124 artigos que distribuí recentemente, o último, sobre a PENA DE MORTE, mereceu o maior número de contestações, algumas até provocativas e agressivas.

O fato de alguém não pensar como eu não me desagrada em absolutamente nada muito pelo contrário. Conto com frequência a história de um aluno, ao tempo em que eu lecionava, que fez a prova contestando radicalmente as teses que eu defendia. Ao perceber mais tarde que eu lhe atribuíra o grau dez, espantou-se e veio conversar comigo, ao que me parece, tentando descobrir se eu tinha mesmo lido e entendido o que escrevera. Expliquei-lhe que, ao opor-se às minhas ideias, ele demonstrara que havia estudado e com grande profundidade. Mais do que isso eu não poderia pretender. Não pensar como eu e fazer questão de expor e justificar sua réplica só valorizava o trabalho. Não é diferente minha reação diante dos que defendem a pena de morte.

Acredito que muitos destes missivistas devem ter passado por experiência negativa que os levou a tal posicionamento se não eles, um parente ou amigo, tudo o que justifica plenamente a reação. Confesso que eu mesmo não me garanto em relação à minha resposta em situação assemelhada. Minha razão aponta para o comportamento correto, mas um impulso emocional poderá levar-me em sentido contrário. Estarei errado. Escrevi do ponto de vista estritamente ideal: não como a vida é, mas como deve ou deveria ser para todos, incluindo-me, portanto. As reações que recebi inscrevem-se no mundo do ser e eu escrevi sobre o mundo do dever ser. Creio firmemente que a vida humana é uma obra maravilhosa a ser respeitada e admirada e que ninguém – repito, ninguém -, muito menos a Estado, tem o direito de interrompê-la, quaisquer que sejam a motivação e as circunstâncias. Por isso posicionei-me também contra o aborto (sob qualquer condição) e a eutanásia.

O que me espantou, todavia, foi a quantidade de defensores da pena de morte, certamente fruto de nossa vivência brasileira. De fato, vivemos hoje em uma sociedade onde campeia a criminalidade, a selvageria, a violência, o desrespeito ao outro. Grande é, por isso, o número dos vitimados pela bandidagem.

Lembro, porém, àqueles que se posicionam favoráveis à execução dos bandidos que, se essa fosse a solução adequada, não teríamos o elevado índice de delinquência dos países que a adotam. A pena de morte não inibe a delinquência, talvez mesmo a incremente, pois o criminoso, na iminência de ser submetido a ela, irá às últimas consequências para esquivar-se, mas sem interromper seu processo delituoso.

Não se preocupem, portanto, meus missivistas opositores. Recebi e receberei sempre suas reações com o respeito que elas merecem e até como estímulo para refletir mais e melhor sobre as ideias nas quais acredito.

Continuo e continuarei, no entanto, defendendo a vida humana e combatendo todas as formas de agredi-la, inclusive as pseudo jurídicas, como a pena de morte.

Publicado no http://heitordepaola.com/publicacoes_materia.asp?id_artigo=6933

  • J.Ricardo C.Monteiro

    Interessante polêmica, devemos lidar com a dúvida daquilo que se passa na cabeça do transgressor, sociedade secular tem disso; nosso sistema carcerário não passa de uma antessala do inferno, condenação para quem acredita no quinto mandamento, apenas. O transgressor sabe que ficar sob a custódio do Estado é morrer aos poucos, morrer várias vezes, opção de purgatório na prisão perpétua. Qual coisa plantaram nos corações humanos?

  • Luiz Otavio Almeida

    Já oscilei entre o pró e o contra várias vezes. Parei de elucubrar sobre o assunto pois trata-se de cláusula pétrea da nossa constituição. De todo modo, já que o assunto veio à baila, independentemente da inquestionável legitimidade da pena de morte, pergunto se não seria ela um prêmio para o bandido.

    • Walter Cardoso de Brito

      Fiz esse mesmo julgamento!! Estar em uma cadeia o dia todo por 30 ou 40 anos em regime fechado, sob pena de trabalhos forçados pode, e deve sim, intimidar mais do que a simples morte…..

  • Andrea Hilbk

    Eu racionalmente me colocaria contra a pena de morte, mas não nego
    que se algum familiar meu fosse assassinado a sangue frio, e eu tivesse a
    oportunidade de mandar caça-lo, talvez caísse na tentação oriunda da
    revolta.
    Agora: sei que as prisões, em alguns casos, deixam muito a
    desejar, mas a realidade que observo exporei abaixo e acho incabível
    estas regalias. Sei que estamos falando de crimes pesados onde a vida
    humana está em jogo e parece não fazer sentido agora elencar os
    criminosos de colarinho branco, que nunca chegam a ficar mofando nas
    prisões, recebem prisão domiciliar ou tornozeleira e estão presentes nos 3 Poderes da Nação.

    1 – regime de progressão de pena por bom comportamento, como se não fosse obrigatório, na cadeia;
    2- mau comportamento não aumenta penas;

    3 – indulto de natal, ano-novo, etc – qual o único país do mundo que solta estuprador, traficante e
    assassino para visitar a mamãe?
    4 – visitas intimas, agora a partir
    de 12 anos de idade, com o nosso patrocínio da camisinha (que lindo
    não?!);
    5 – visitas a presos perigosos;

    6 – preso não trabalhando na prisão para se sustentar;

    7 – prisão perpétua para crimes hediondos, nem pensar;

    8 – SEM investimento maciço na construção de novos presídios e modernização dos antigos, pois é tudo surrupiado por estes congressistas e governo;

    9 – indenização dos criminosos e não das vítimas através do BOLSA PRESIDIÁRIO, numa inversão total de valores;

    10 – permissão de sinal de celular nos presídios
    11 – para a redução da maioridade penal foi aquela briga e mal conseguimos para apenas 16 anos;
    Então não acho que seja tão ruim a vida destes marginais e na realidade não estão lá de férias, e nem acredito em medidas que a esquerda defende para reintegrá-lo à sociedade. Para mim é realmente um castigo pelo que fez e deve ser cumprido. Abraços a todos.