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Cuba, uma revolução decrépita e rabugenta

22 de junho de 2017 - 18:39:20


Em 1959, meus pais vieram morar em Porto Alegre. Aqui estavam as universidades e os melhores colégios públicos que para elas preparavam seus alunos. No topo da lista, o Colégio Estadual Júlio de Castilhos e seus excelentes professores. Por ali passaríamos os sete irmãos, cada um ao seu tempo. Era impossível, na efervescência intelecto-hormonal e no dinamismo da política estudantil dos anos 60, ficar imune aos debates e às disputas  entre as distintas e “sólidas” convicções dos adolescentes às voltas com suas espinhas. Foi nesse ambiente que ouvi, pela primeira vez, afirmações que repercutiriam através de sucessivas gerações de brasileiros: nosso país, a exemplo de outros, era subdesenvolvido por causa do imperialismo norte-americano, do capitalismo, da ganância empresarial e da remessa de lucros para o estrangeiro. Desapropriação e nacionalização compunham palavras de ordem e o fogoso Leonel Brizola se encarregava de agitar a moçada com inflamados discursos a respeito.

Para proporcionar ainda mais calor àquela lareira ideológica, Fidel Castro, montado num tanque, passara por cima dos supostos males causados pela burguesia e – dizia-se – colocava Cuba no limiar do paraíso terrestre. Derrubara uma ditadura e implantava o comunismo na ilha. Cá em Porto Alegre, nos corredores do Julinho, os mais eufóricos desfilavam entoando “Sabãozinho, sabãozinho, de burguês gordinho! Toda vil reação vai virar sabão!”. A efervescência tinha, mesmo, incontidas causas hormonais.

Em meados de 2015, o New York Times publicou matéria repercutida pelo O Globo sobre as expropriações e nacionalizações promovidas pela revolução cubana em seus primeiros três anos. Menciona vários contenciosos que se prolongam desde então, envolvendo, entre outros, o governo espanhol, uma entidade representativa dos interesses dos cidadãos espanhóis, os Estados Unidos, bem como empresas e cidadãos norte-americanos e cubanos. Todos tiveram seus haveres confiscados, expropriados e, em muitos casos, surrupiados por agentes públicos. Ao todo, dois milhões de pessoas abandonaram a ilha, deixando para trás seus bens. Muitos, como a nonagenária Carmen Gómez Álvarez-Varcácel, que falou ao NYT por ocasião dessa reportagem, tiveram tomadas as joias de família que levavam no momento em que abandonavam o país. Segundo a justiça revolucionária, tudo era produto de lucro privado e merecia ser expropriado. Quem, sendo contra, escapasse ao paredón, já estava no lucro. Um estudo da Universidade de Creighton fala em perdas de US$ 6 bilhões por parte de cidadãos norte-americanos. As pretensões espanholas chegariam a US$ 20 bilhões.

No discurso da esquerda daqueles anos, e que se reproduz através das gerações, Cuba, tinha, então, o paraíso ao seu dispor. Sem necessidade de despender um centavo sequer, o Estado herdou todo o patrimônio produtivo, tecnológico e não produtivo de empresas privadas e de milhões de cidadãos. Libertou-se a ilha da dita exploração capitalista. O grande vilão ianque foi banido de seu território. Extinguira-se, de uma só vez e por completo, a remessa de lucros. A maldosa burguesia trocara os anéis pelos dedos.Tudo que o discurso exigia estava servido de modo expresso, simultâneo, no mesmo carrinho de chá.

Cuba, no entanto, mergulhou na miséria, no racionamento, na opressão da mais longa ditadura da América, na perseguição a homossexuais, na discriminação racial e na concessão a estrangeiros de direitos que, desde então, recusa ao seu povo. Por outro lado, enquanto, em nome da autonomia dos povos, brigava como Davi com bodoque soviético contra os Estados Unidos, treinava e subsidiava movimentos guerrilheiros centro e sul-americanos, e intervinha militarmente em países africanos a serviço da URSS.

O recente recuo político promovido por Trump nos entendimentos com a alta direção de Castro&Castro Cia. Ltda. leva em conta aspectos que foram desconsiderados por Obama e pelo Papa Francisco, tanto na política interna da ilha quanto nos contenciosos nascidos naqueles primeiros atos da revolução. Não posso ter certeza sobre quanto há de proteínas democráticas na corrente sanguínea de Trump animando essa decisão. Mas não tenho dúvida, porque recebo informações a respeito, que os milhões de cubanos na Flórida conhecem como ninguém a opressão política, a coletiva indigência, a generalizada escassez e a falta de alternativas que sombreia sucessivas gerações de seus parentes sob o jugo de uma revolução velha e velhaca, decrépita e rabugenta. E essa pressão política pesa muito por lá.

http://puggina.org

 

  • José Amaro

    A melhor do dia: Trump propõe que, um “grande e lindo muro” na fronteira com o México, tenha painéis solares “para reduzir o custo da estrutura”. Uma piada de valor! Temo que não entenderão a ironia, mas se tiver que desenhar, desenho.

    • Robson La Luna Di Cola

      O custo energético de um muro entre fronteiras é altíssimo, para iluminação, para as cabines de vigilância, e para manutenção. O custo operacional é altíssimo! Energia solar é grátis.

      • José Amaro

        Grato Luna, o Al Gore gostou da idéia. E o cubasolar.cu informa: “En Cuba hasta el momento se han instalado unos 3 MW, básicamente en sistemas aislados, resolviendo necesidades sociales en zonas remotas. Más de 9 000 instalaciones prestan estos servicios con una alta repercusión social…
        “Es responsabilidad de esta generación hacer todo lo posible para cambiar el rumbo hacia 100% con fuentes renovables de energía. Cuba puede lograrlo. Como dijo Ban Ki-moon,
        el Secretario General de la ONU: “Es un reto moral de nuestra generación. Lo más importante es que las generaciones que nos suceden dependen de nosotros. No podemos robarle a nuestros niños su propio futuro”.

        • Robson La Luna Di Cola

          Estou pouco me lixando para visões político-ideológicas dos fatos. Que é a grande desgraça dos tempos atuais: esquerda x direita. Eu só ligo para a REALIDADE. Sou engenheiro.

          • José Amaro

            No change.org tem um abaixo assinado aguardando assinaturas. No momento com 332 para ‘Make the border wall out of solar panels’.
            Enquanto isso vou ouvir outra vez:
            Olavo de Carvalho: politica trata de poder, de pessoas e meios.

          • Robson La Luna Di Cola

            Perfeita a análise do Olavo. Mas o meu comentário foi sobre a falta de REALISMO da grande maioria dos analistas da mídia. Para analistas liberal-conservadores, TUDO que acontece de bom no mundo é consequência do liberalismo econômico. E TUDO que acontece de ruim é culpa do socialismo. A recíproca também é verdadeira.

        • Robson La Luna Di Cola

          Você é um agente da máfia dos empresários do Big Oil?

    • Newton (ArkAngel)

      Qual muro? Aquele que começou a ser construído pelo Bill Clinton? Vai gerar empregos para os mexicanos que trabalham nos EUA.

  • Robson La Luna Di Cola

    Olhando a realidade: a ditadura de Fulgêncio Batista com os EUA como aliado, forneceu argumentos para uma ditadura mais sangrenta ainda. Recentemente, surgiu na América Latina o bolivarianismo. Inspirado na figura histórica de Simón Bolivar. Que combateu o imperialismo colonial Espanhol. Sua versão 2.0 alega combater qual império? O império americano! Vejam o estrago que o Destino Manifesto está provocando há séculos na América…

  • Daniel Robert

    Para esquerdistas o roubo e a pilhagem do Estado revolucionário é o bem-comum.