América Latina


Cuba, Bolívia, Venezuela e Equador: a fonte secou

Nosso governo lixava-se para uruguaios, paraguaios, argentinos, bolivianos, equatorianos, venezuelanos, nicaraguenses e cubanos. Sua solidariedade se dirigia aos governantes desses países.

Assim como o Renascimento deve muito à atividade dos mecenas, membros abastados da elite daqueles tempos, assim também existe, há anos, um mecenato político vermelho. Nesse sentido, está a merecer estudo a atividade da Secretaria de Relações Internacionais do PT. Foi dali que saiu o senhor Marco Aurélio (top top) Garcia para determinar, até bem pouco, tudo que realmente importava no Itamaraty. Graças a essa interferência de um partido nas relações externas do Brasil, nosso governo, desde 2003, esteve para os articulados no Foro de São Paulo mais ou menos (não é uma analogia perfeita) como a Rússia para seus países satélites.

Dilma, passe de mágica e “esquerda obsoleta”


O alívio da Srª Rousseff e do PT, outorgado pelo mesmo senado que acabava de destituir a presidente, sem dúvida está sendo celebrado pelos regimes bolivarianos da Venezuela, Cuba, Bolívia, Equador e Nicarágua, que em boa medida dependem do PT brasileiro.

1. O Senado brasileiro, baseado em disposições constitucionais, acaba de destituir a presidente Dilma Rousseff, pertencente ao esquerdista Partido dos Trabalhadores (PT), que (des)governou o país durante mais de uma década. A maioria dos cidadãos brasileiros havia manifestado seu apoio à destituição, recorrendo previamente a reiteradas e massivas manifestações de rua. Sem sombra de dúvida, essa destituição constituiu uma má notícia para as esquerdas brasileiras e latino-americanas.

Sobre o desarmamento das FARC

Se as FARC acreditam que os colombianos vão aceitar esse retrocesso e que elas vão chegar ao poder fingindo ser um partido como os demais, se enganam.

O desarmamento das FARC (no caso em que haja desarmamento real e completo, coisa que muito poucos acreditam factível) deve consistir não só na entrega física e visível e ante os olhos do país (não atrás de opacos biombos estrangeiros de duvidosa condição) dos fuzis, pistolas, granadas, morteiros, minas, explosivos, laboratórios de droga, veículos e aviões, e demais instrumentos de guerra em poder dessa organização. O desarmamento deve ser unilateral (nada de desmantelar simultaneamente o Estado e a Força Pública).

Colômbia: “Fora, forças estrangeiras!”

Jean Arnault (foto), chefe da Missão de Verificação da ONU na Colômbia, pretende fazer a opinião pública acreditar que a verificação dos “acordos de paz” de Santos com as FARC estará a cargo de 500 soldados estrangeiros, entre os quais ele pretende incluir, com a anuência do presidente Santos e dos chefes das FARC, nada menos que 50 soldados cubanos. Arnault simula que a chegada de tropas estrangeiras não estabelece nenhum problema de soberania nacional à Colômbia, e faz como se tal ato não constituísse uma violação brutal da Constituição e das leis da República da Colômbia.

Pela criminalização dos símbolos comunistas

Já existe uma lei no Brasil que criminaliza, corretamente, os símbolos nazistas – a Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor.

Em seu artigo 20, a Lei 7.716 preceitua que:


“Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)


Pena: reclusão de um a três anos e multa. (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)


§ 1º Fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo. (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)


Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa. (Incluído pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)”.

A nova política externa brasileira em descompasso com o Foro de São Paulo



Não gosto do José Serra nem do PSDB desde sempre, e nunca escondi isso. Entretanto, suas atitudes à frente do Ministério de Relações Exteriores, logo após a posse, têm-me agradado bastante e não posso deixar de reconhecê-lo. Durante os 13 anos de governos do PT o nosso Itamaraty funcionou com a mesma política do compadrio tosco, de ajudar a “cumpanherada” em detrimento dos interesses nacionais, criando embaixadas e consulados em republiquetas falidas de notórios ditadores, como estabeleceu o Foro de São Paulo (FSP). 

Desde que o processo de impeachment da presidente petista começou, os países-membros e organizações pertencentes ao Foro vêm se manifestando com a cantilena de que “é golpe”, mas cinco em particular, sobretudo porque acusam o Brasil daquilo em que são mestres, mereceram notas do novo chanceler: Cuba, Venezuela, Nicarágua, Equador e Bolívia. Nenhum desses países é regido por uma democracia, respeita a liberdade e os direitos individuais da pessoa humana, bem ao contrário, pois Cuba instalou uma ditadura sangrenta através de um golpe, a Venezuela sofreu vários golpes com o falecido Hugo Chávez (o primeiro, falido, em 1992) e agora com Nicolás Maduro, o mais afoito de todos, através de sucessivos golpes violando a Constituição e as leis do Tribunal Superior Eleitoral. Isso sem falar dos golpes por fraude eleitoral que praticaram Daniel Ortega da Nicarágua, Rafael Correa do Equador e Evo Morales na Bolívia.

Do “como nunca antes” ao “tchau e nunca mais”

O que vemos é o resultado inevitável de uma forma de conceber o Estado e a Política, a pessoa humana e a sociedade, a Economia e a História. Não há acerto possível onde tudo está mal pensado.

Não vou puxar aqui o rosário das más notícias que desfilam cotidianamente nos meios de comunicação. A muitos de nós, elas chegam assim, como informação. A milhões de outros, como causas de tragédias pessoais e familiares. Alguns veem as estatísticas. Outros vivem as estatísticas em seu dia a dia. Ao governo que assume, o noticiário expressa a emergência e a urgência de medidas para afirmação de um rumo ascendente. Aos afastados do governo, essas notícias são desconforto político que deve, rapidamente, ser debitado ao “mercado”, à CIA, ao Cunha, ao FHC, ao Moro, às “zelites”, à direita, aos coxinhas e aos “golpistas”. Jamais a si mesmos nem ao exercício rapineiro, irresponsável e incompetente das tarefas de gestão. Nunca à ideologia que abraçam. Profissionais da falácia, nem por acaso batem no próprio peito! O partido que pretendeu ter descoberto o Brasil em 2003 nos fez regredir no tempo e perder, inteiramente, os últimos 13 anos.

Dilma Rousseff e o PT em pleno vendaval


Os treze anos do PT no poder terminam assim, com essa espetacular queda de Rousseff (e, portanto, de seu mentor Luiz Inácio ‘Lula’ da Silva) e em uma perda enorme de adeptos.

O que se joga hoje no Brasil é de importância capital para a democracia representativa não só do Brasil, senão do continente americano e do mundo.

Dilma Rousseff não suporta a realidade de seu processo de destituição. Não admite que tenha sido suspensa de funções legitimamente pelo poder legislativo de seu país. Não concebe que esse poder lhe reprove haver cometido graves delitos. Não aceita outra condição diferente à de vítima inocente. Não agüenta que lhe provem que foi posta fora do jogo por falsificar as contas do Estado, em uma tentativa para fazer os brasileiros acreditarem que sua gestão econômica era impecável. Não tolera que lhe cobrem ter encoberto os déficits orçamentários de seu país e ter dissimulado a crise criada por seu falso “Estado de bem-estar” levando às arcas públicas, sem permissão do Congresso, dinheiros emprestados pelos bancos estatais.

Tá ruim mas tá bom

O Itamaraty deveria declarar não-reconhecimento à autoridade da UNASUL e de países como Cuba, Venezuela, Bolívia e Equador, governados por ditadores ou postulantes a ditadores.

A reação oficial ainda está distante de uma reação justa e necessária.

É digno de nota que o Itamaraty tenha “repudiado” as declarações dos governantes da Bolívia, do Equador, da Venezuela e de Cuba, além da Unasul, que se recusam a reconhecer o presidente Michel Temer e insistem em chamar o processo constitucional do impeachment de golpe.[1] Contudo, a atitude do Itamaraty ainda está longe, muito longe, do realmente necessário.

Diálogos de paz na Colômbia: a guerra primeiro, a política depois

spNenhum país, por sólidas que sejam suas instituições cívicas, está isento destes indivíduos que pensam que a gestão pública é um campo de batalha, na qual o uso de qualquer arma está justificada.

Nas propostas e operações políticas mais tolerantes e plurais, subjazem, em algumas ocasiões explicitamente, certas expressões de violência que às vezes se concretizam gerando um ambiente de confrontação que pode derivar de cruentos conflitos, situação na qual é aplicável a expressão de Carl von Clausewitz de que “a guerra é a continuação da política por outros meios”.

Por sorte, para benefício do cidadão e da comunidade, a maioria dos que incursionam na gestão pública são partidários do debate de idéias e propostas. Rechaçam qualquer manifestação de violência além das paixões que a controvérsia gera, e são partidárias da conciliação por meio do diálogo e das negociações.