comunismo


A fragmentação do Brasil

Está em curso acelerado o processo de fragmentação de nosso País, não apenas em termos territoriais mas, também, e não menos importante, na área jurídica.

 

“A tarefa dos comunistas é explorar todas as contradições; e onde não existirem, criá-las”.

VLADIMIR ILITCH LENIN

 

Está em curso acelerado o processo de fragmentação de nosso País, não apenas em termos territoriais mas, também, e não menos importante, na área jurídica. Enquanto a situação na Amazônia, particularmente a Reserva Raposa/Serra do Sol, assume caráter quase onipresente, perde-se de vista outros desenvolvimentos que visam, através de leis, decretos e portarias esdrúxulas, outras formas de fragmentação: criar conflitos raciais, culturais, sexuais, étnicos e classistas. No entanto, os conflitos territoriais – mais evidentes – e os jurídicos se interpenetram, formando dois flancos do mesmo ataque à liberdade, à propriedade e à nacionalidade. Não se divide um povo somente pelo fracionamento territorial – este, pelo contrário, pode até uni-lo, como recentemente na questão amazônica – mas criando paralelamente conflitos inexistentes ou exacerbando os latentes. Entre os últimos cite-se a existência de óbvios preconceitos, como os raciais e sexuais, que não obstante muito raramente se configuraram no passado como discriminação; e as diferenças de interesse de classe. Exacerbá-los até o paroxismo discriminatório uns, e à luta de classes os outros, é o objetivo de certas medidas legais e extralegais que comentarei a seguir.

A fragmentação territorial vem sendo levada a cabo por três vertentes principais: 1- os movimentos ditos sociais que têm por finalidade invadir propriedades alheias, entre os quais desponta soberano o MST, mas incluem-se outros como o MAB (dos atingidos por barragens) e os urbanos (sem teto e instalação de favelas) que, dos grandes centros, já se espalharam como uma epidemia para o restante do País; 2- a política indigenista que já transformou nossas fronteiras numa verdadeira peneira desde o Mato Grosso até o Amapá; e 3- a revolução quilombola.

A evidência de que são movimentos articulados vem da proposta apresentada pela Corrente Articulação do PT e pelo Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) e aprovada pelo VII Congresso do MST em 1990: “O campo e a cidade são duas faces de uma dominação capitalista única que devem ser enfrentadas de forma revolucionária”. Esta articulação se estende aos movimentos pela emancipação das áreas indígenas e das áreas de quilombos, que atingem tanto o campo como as cidades. Estão previstas 127 demarcações de terras indígenas até 2010, e só em 2008 mais 29. As áreas quilombolas já em estudo para demarcação atingem o incrível número de 3.524 das quais 1.140 já estão em curso (os assentamentos de quilombos foram suspensos para melhor exame, porém serão “discutidos” com os quilombolas).

A FRAGMENTAÇÃO JURÍDICA

“Jamais o nosso país foi governado por tanta legislação infra-legal! (…) em nosso país já não vige a lei, mas o decreto, a portaria, a instrução normativa, o aviso. Vivemos em uma democracia roída pelos cupins, ou melhor, vivemos em uma proto-ditadura!”

KLAUBER CRISTOFEN PIRES

O que vem ocorrendo entre nós é a aplicação ao pé da letra do Direito Alternativo cujo princípio básico é: “Toda desigualdade (incluindo nos planos metafísico e religioso) é uma injustiça, toda autoridade um perigo, a liberdade absoluta é um bem supremo”. Cria-se, desta forma, um preceito infra-legal: o de legitimidade em oposição ao de legalidade. Como bem expressou o Presidente Lula à Folha de São Paulo, 26/05/1994: “Coisa justa vale mais que lei… Entre a lei e a coisa justa e legítima, eu sempre disse que o justo e o legítimo é muito mais importante”. Pode ser risível a intromissão de Sua Excelência como se fosse um jurisconsulto pontificando sobre o assunto, mas o fato é que é assim que as coisas têm sido “neste país”! E cada vez se aprofunda mais!

É esta alternatividade do direito que cria, por “legítimas” embora ilegais, as cotas raciais e os direitos das minorias “alternativas” e impõe às maiorias “opressoras” obrigações absurdas como ter que aceitar conviver em pé de igualdade com todas as extravagâncias e perversões sexuais. Simultaneamente, legalizam-se também, por “legítimas”, as várias formas de fragmentação territorial: as invasões urbanas e rurais, a instalação de quilombos, os direitos das “nações” indígenas à autonomia – e, muito em breve, as declarações de independência. Ora, se é legítimo, dane-se a Constituição que prevê a integridade territorial do País e as leis que valem para os demais. Espertamente os mentores da governança global e aspirantes a membros do futuro governo mundial, valem-se de documentos alienígenas, como a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que determina o “Direito de autodeterminação dos povos indígenas e tribais, incluindo fazer suas próprias leis, regulamentos, convenções, etc. e proíbe operações militares nas reservas em quaisquer circunstâncias”.

No caso das invasões de qualquer origem vem ocorrendo a seguinte seqüência: invasão ? criação de novas normas legais por decreto ou medida administrativa ou medida provisória que a legitima ? cria-se “jurisprudência” e novos direitos ? novas invasões ? seguem-se pressões sobre o STF para legalizá-las e sobre o Congresso para criar novas leis ou Emendas Constitucionais. Chega-se, assim, a uma ruptura da ordem jurídica vigente criando-se uma nova ordem: do Estado de Direito passa-se ao Estado Democrático de Direito, que já impera e está bem definido por Klauber Pires; invertem-se os valores jurídicos: “já não vige a lei, mas o decreto, a portaria, a instrução normativa, o aviso”, todos criados por pressão democrática legítima.

É evidente que com todos estes atos tenta-se atingir algo mais: o cerne do direito de propriedade privada. Qualquer um versado em dial ética marxista percebe neste desenvolvimento as três leis da dialética aplicadas ao direito: a da oposição entre os contrários (nova ordem revolucionária contra velha ordem jurídica que impera há milênios); a transformação da qualidade pelo acúmulo quantitativo (acumulam-se as “legitimações” até que se transformem em novas leis e direitos); e a da negação da negação, pois a nova é a negação da velha mas traz em seu bojo a negação de si mesma na medida em que cria um ciclo interminável, que é a própria natureza da revolução. Estamos vivendo sim uma proto-ditadura, mas que tem sobrenome conhecido: comunista!

Notas:

Publicado pelo Jornal Inconfidência.

A liquidação da Oposição Operária na Rússia

O caso do Partido Bolchevique, que constituiu uma experiência localizada e condicionada por fatores peculiares da situação na Rússia do inicio do século passado, acabou por tornar-se modelo universal de organização revolucionária.

Você não se interessa pelas ideologias, mas as ideologias se interessam por você.

A política que a partir de 1918 foi implantada na Rússia pela Revolução Bolchevique praticamente colocou na ilegalidade todas as organizações de massa dos trabalhadores que não fossem os sindicatos oficiais – chapa branca -, aboliu o direito de greve, admitiu a implantação de normas que permitiram cassar as entidades sindicais, restringiu e depois retirou dos sindicatos o direito de eleger livremente os seus dirigentes e, finalmente, permitiu a demissão por decreto das diretorias sindicais, inaugurando a prática de nomeação de seus dirigentes. A política que serviu de suporte para tais desdobramentos não surgiu do nada.

Ela foi apenas a evolução de uma mesma matriz original que concebia o partido como hierarquia não só das organizações de revolucionários mas também da massa das organizações operárias, conforme escreveu Lênin em 1904.

Em setembro de 1920, na IX Conferência do Partido Bolchevique, o recém-formado grupo de Oposição Operária fez sua primeira aparição pública na Rússia. Meses mais tarde, esse grupo viria a constituir-se na mais numerosa corrente que, dentro do partido, se opunha aos encaminhamentos políticos da direção bolchevique: 124 delegados contra os 154 favoráveis ao Comitê Central.

Além de combater o sistema de nomeações e cooptações feitas pela cúpula do partido, propondo a volta das eleições internas, a Oposição Operária discordava do intervencionismo do Comitê Central nos sindicatos e nos sovietes (organizações de massa).

Esse debate, que antecedeu o X Congresso do partido, teve seu ponto alto em janeiro de 1921. Então, o grande combate não era mais entre Lênin e Trotsky. Embora defendendo plataformas diferentes, ambos estavam, então, tacitamente unidos contra o inimigo principal, a Oposição Operária, que era o grupo bolchevique de oposição com base proletária mais numerosa e mais influente junto à classe operária, em especial junto aos metalúrgicos e, de certa forma, exprimia a reação da maioria do proletariado russo à política de militarizar os sindicatos e convertê-los, de fato, em organismos a serviço do Estado, com dirigentes não-eleitos, mas cooptados, nomeados pelo Estado a partir de indicações do partido.

Lênin pressentiu o perigo e articulou medidas visando cortar o mal pela raiz, esmagando, enquanto era tempo, o agrupamento dissidente, proibindo sua existência e tentando dissociar-se da antipática posição de Trotsky favorável à estatização dos sindicatos.

Adotando a posição meramente teórica da não-vinculação formal dos sindicatos nem ao partido e nem ao Estado, Lênin conquistou em Trotsky um aliado tático para a tarefa de extermínio da Oposição Operária. Essa aliança tática resultou em que, no X Congresso, realizado em março de 1921, dentre os quase 700 delegados com direito a voto, a Oposição Operária só tenha conseguido 18 delegados! Foram vários os procedimentos utilizados, desde a pressão sobre os Comitês do partido, ao boicote e até à fraude pura e simples.

A direção do partido, utilizando a máquina partidária para preparar o Congresso, pôs em ação os departamentos políticos criados no Congresso anterior com a finalidade de controlar os diversos comitês e organismos do partido. Onde encontrava algum obstáculo ou resistência, o CC substituía os militantes por appratchiks fiéis à sua orientação. Foi o caso, por exemplo, da Comissão de Controle do CC, da qual, um mês antes do Congresso, Yevgeni Alekseyevich Preobrazhensky e Felix Dzerzhinsky foram demitidos sob a alegação de serem demasiado complacentes com a Oposição Operária, sendo substituídos por burocratas.

Em janeiro de 1921, Lênin, em um artigo publicado pelo Pravda, assinalou: “Temos que combater a confusão ideológica dos elementos nocivos da oposição, que chegam ao ponto de repudiar toda a militarização da economia, de repudiar não só os métodos de nomeação, que têm sido os métodos predominantes até agora, mas inclusive todas as nomeações. Isso significa repudiar o papel dirigente do partido em relação às massas sem-partido. Temos que combater o desvio anarco-sindicalista que matará o partido se este não o eliminar completamente”.

A queimação das teses da Oposição Operária, tachadas de anarco-sindicalistas, a caracterização dos grupos divergentes como tendências anti-partido e a implantação de encaminhamentos anti-democráticos na preparação do X Congresso, eram justificados pela necessidade de salvar a revolução, de consolidar a unidade ante os grandes perigos internos que, após a guerra civil, o novo Estado ainda tinha que enfrentar.

Tais concessões ao autoritarismo, no entanto, como a História demonstrou, salvaram, na realidade, o país da democracia proletária, se é que isso existe.

Finalmente, chegamos ao histórico X Congresso do Partido Bolchevique, em março de 1921. Lênin abriu o Congresso com um discurso dirigido aos delegados da Oposição Operária que, como já vimos, estava em minoria: “Neste Congresso devemos dizer claramente que não permitiremos debates sobre desvios. Temos que acabar com isso (…) O ambiente de discussões está se tornando extremamente perigoso e se convertendo em uma ameaça direta à ditadura do proletariado”.

Fiel a essa orientação, o Congresso foi mais longe, não apenas rejeitando as teses da Oposição Operária, como também proibindo sua existência, iniciando um processo de perseguição aos seus membros até o total aniquilamento, um ano mais tarde.

As tais teses da Oposição Operária, rejeitadas pelo Congresso, propunham, basicamente, a adoção de quatro medidas: a volta à democracia interna, com a abolição dos métodos militaristas que exigiam a subordinação cega às ordens superiores; a transformação do partido em um partido mais operário, eliminando de seu seio os elementos não-proletários e estabelecendo novas condições de ingresso para todos os que quisessem voltar às suas fileiras; garantia de que os operários estreita mente ligados às massas trabalhadoras detivessem a maioria nos postos administrativos; volta ao princípio da elegibilidade dos responsáveis e à ampla discussão nas bases de todas as questões importantes sobre a atividade do partido e a política soviética, antes que a direção se pronunciasse.

Para a Oposição Operária – isso em 1921 – as nomeações não poderiam ser toleradas e constituíam uma das características da burocracia. Somente as conferências e congressos deveriam eleger candidatos capazes de ocupar postos administrativos de responsabilidade. Eliminar a burocracia já então enquistada no partido e no Estado, era para a Oposição Operária uma necessidade para a construção da nova sociedade.

A Oposição Operária argumentava que as medidas que propunha não faziam mais do que reafirmar o caminho que Marx e Engels esboçaram no Manifesto Comunista. Ou seja, que “a libertação dos trabalhadores é obra dos próprios trabalhadores”.

Nesse mesmo X Congresso, Trotsky usou da palavra para denunciar que os membros da Oposição Operária haviam proposto palavras-de-ordem perigosas, transformaram os princípios democráticos em fetiche e colocaram acima do partido o direito dos trabalhadores de elegerem os seus representantes, como se o partido não tivesse o direito de exercer a sua ditadura, mesmo se essa ditadura entrasse em conflito com o humor variável da democracia operária.

Entretanto, foi Lênin quem desfechou o golpe de misericórdia, propondo ao Congresso a aprovação de duas resoluções políticas: uma, condenando a plataforma da Oposição Operaria como desvio anarco-sindicalista (expressão até hoje empregada pelos comunistas de todo o mundo para caracterizar aqueles que lhes são contrários no movimento sindical), e outra proibindo definitivamente a sua existência legal e o seu funcionamento. Tudo isso em nome da… unidade do partido.

Na Resolução aprovada pelos delegados, o Congresso concedeu ao Comitê Central plenos poderes para aplicar as sanções ao alcance do partido no sentido de que fosse aniquilado todo o fracionismo.

Estabelecida a condenação, teve início a perseguição que prossegue até hoje a todos os tipos de oposição operária. Tudo em nome da… unidade do partido.

Dois meses depois, em maio de 1921, surgiria a primeira oportunidade de o Comitê Central colocar em prática os “plenos poderes” que lhes foram delegados pelo Congresso: no Congresso Nacional do Sindicato dos Metalúrgicos, o CC apresentou uma lista de candidatos para preencher os cargos de direção desse sindicato, onde a Oposição Operária mantinha a sua principal base de apoio, a fim de eleger uma diretoria fiel à linha oficial. Essa chapa, no entanto, foi derrubada pelos delegados, por 120 a 40 votos, fazendo com que a direção do partido da classe operária, ignorando solenemente a decisão do Congresso, simplesmente nomeasse os seus próprios candidatos.

Finalmente, no XI Congresso do partido, em março de 1922, a Oposição Operária já havia sido aniquilada, como queriam Lênin e Trotsky.

Somente para não esquecer: nesse XI Congresso, Stalin foi nomeado Secretário-Geral do partido e, nesse mês e ano, foi fundado o Partido Comunista do Brasil.

O caso do Partido Bolchevique, que constituiu uma experiência localizada e condicionada por fatores peculiares da situação na Rússia do inicio do século passado, acabou por tornar-se modelo universal de organização revolucionária, reproduzindo, assim, tanto as limitações impostas pelas condições concretas do meio social onde se desenvolveu, quanto a concepção que orientou a sua construção e atuação nesse meio, impondo um padrão único e passando a ser um carimbo para reproduzir, em série, os partidos comunistas de todo o mundo, autenticados pelo cartório do Komintern.

A rede organizada por trás do livro anti-Bush

O que quer que você pense de Bush, McCain ou a Guerra no Iraque, não há dúvidas de que o ex-assessor de imprensa de Bush fez o papel de “idiota útil”.

O editor Peter Osnos, que pessoalmente admite estar trabalhando com o ex-assessor de imprensa da Casa Branca no Governo Bush, Scott McClellan, em seu novo livro, “What Happened” (O que houve), iniciou sua carreira como um assistente de I. F. Stone, o “jornalista” pró-comunista conhecido como agente de influência soviético, tio de Kathy Boudin, terrorista comunista da Weather Undergound.

Mas as conexões não param por aqui. Chesa, filho de Boudin, foi criado pelos colegas de Barack Obama, Bill Ayers e Bernardine Dohrn, que foram camaradas de Boudin no grupo terrorista comunista após Cathy Boudin ter sido presa por seu envolvimento em um roubo e assalto a mão armada que resultou na morte de dois policiais e um segurança. Dohrn foi preso mais tarde por recusar-se a cooperar em uma investigação oficial sobre o crime.

Obama tira proveito do livro de McClellan porque ele foi obviamente manipulado sob a orientação de Osnos, para infligir o máximo prejuízo ao Presidente Bush e, por conseguinte, ao seu colega republicano e apoiador da Guerra no Iraque, Senador John McCain. Nada disso pode ser coincidência.

Praticamente todos os antigos amigos de McClellan dizem que o que ele está escrevendo e dizendo agora não parece de forma nenhuma ser coisa dele. A explicação óbvia é que, qualquer que seja a razão ou motivação, ele está lendo um script preparado por Osnos e pela extrema esquerda.

Uma reportagem de 30 de maio do Washington Post dizia: “Em algum momento entre a proposta e a publicação, de acordo com o que contou McClellan ontem, caíram os antolhos, levando-o a escrever um livro no qual acusa seu ex-chefe, o Presidente Bush, e seus assistentes superiores de abandonarem a ‘imparcialidade e a honestidade’ para empreender uma ‘campanha de propaganda política’ que levou a nação a uma ‘guerra desnecessária.’”

Mas o jornal também citou Osnos como tendo dito que McClellan “precisou de uma orientação editorial para contar a história que ele queria contar o tempo todo”. Isto envolveu até mesmo o subtítulo, que a princípio terminava com “O que há de errado com Washington”, mas que tornou-se “A cultura da Fraude de Washington” no produto final. Osnos contou ao jornal que o subtítulo “evoluiu”. A história obviamente também.

Uma questão que foi levantada por críticos é se McClellan está nessa só pelo dinheiro. Mas isto é menos importante do que o fato de que a rede que fez deste livro uma realidade incorpora muitos elementos da extrema esquerda. A rede que incluía Stone, que morreu em 1989, foi o assunto do livro de 2003 de Susan Braudy, Family Circle (Círculo Familiar), sobre as ligações comunistas e socialistas da família de Boudin. A página 185 mostra Kathy Boudin e Bernardine Dohrn juntos, “após o retorno de Bernardine de Cuba”, onde ela teve “uma calorosa reunião com os membros do Viet cong”.

A linha de ataque

É significativo que Osnos diga que cada livro que ele publica inclui uma dedicatória a Benjamin C. Bradlee, I. F. Stone e Robert Bernstein, ex-presidente da Random House. Os dois primeiros são dignos de menção. Bradlee foi o editor-executivo do Washington Post, famoso por dizer certa vez que, durante a cobertura do affair Irã-Contra na gestão Reagan, ele estava tendo “a maior diversão desde Watergate”. Bradlee estava esperando derrubar Reagan, da mesma forma que haviam derrubado Nixon na cobertura feita pelo jornal sobre o escândalo Watergate.

Nixon tinha adquirido uma reputação nacional como deputado e tinha feito a base para sua campanha à presidência do país quando ajudou a expor o espião soviético Alger Hiss no Departamento de Estado e uma rede comunista dentro do governo norte-americano. Interessantemente, um dos repórteres de Bradlee no caso Watergate foi Carl Bernstein, cujos pais foram membros do Partido Comunista controlado pelos soviéticos. O episódio Irã-Contras não derrubou Reagan, mas a extrema esquerda aparentemente espera que o livro de McLellan derrube ou prejudique mais o Presidente George W. Bush. Também pode, nos seus pontos de vista, causar algum prejuízo colateral a McCain.

Trata-se de uma tática que tem sido utilizada reiteradas vezes. Aproveitando a cobertura de um livro, a mídia cria uma aparência de “escândalo”, desta vez com um ex-“integrante” do governo, e tenta infligir um prejuízo político que beneficia os Democratas. O problema para McClellan é que ele parece claramente tolo, enumerando responsabilidades na Guerra do Iraque – e assim por diante – que já foram na maioria das vezes levantadas antes pelos inimigos políticos do presidente. McClellan, que nunca objetou às políticas quando as promoveu e defendeu, está agindo como uma marionete.

A rede soviética

Osnos é a chave para compreender a rede que está trabalhando nos bastidores. Osnos foi assistente de I. F. Stone nos anos 1960. Stone posicionava-se como um escritor radical independente, mas foi exposto como um agente soviético nas transcrições de mensagens soviéticas conhecidas como as interceptações do Projeto Venona e por outras fontes. O ex-Major General da KGB, Oleg Kalugin, identificou Stone como um agente soviético mas, sob a pressão de amigos de Stone na mídia, mais tarde voltou atrás nesta descri ção precisa. Contudo, em seu livro, “The First Directorate: My 32 Years in Intelligence and Espionage Agains the West”, Kalugin ainda identificava Stone como um “companheiro de viagem” da União Soviética que “não escondia sua admiração pelo sistema soviético” durante um período de muitos anos, e com o qual tinha contatos e almoços regulares.

Osnos ainda é um dentre muitos jornalistas de extrema esquerda que não querem aceitar os fatos terríveis sobre seus heróis e ícones. Mas como o fundador do AIM, Reed Irvine, contou ao New York Times em 1992, “a acusação de que I. F. Stone era um agente soviético não surpreende aqueles que sabiam que como um companheiro de viagem, se não um membro do Partido [Comunista], Stone permanecia um stalinista convicto após os expurgos, o pacto de Hitler e Stalin e a absorção do Leste Europeu…”

O livro de Braudy sobre os Boudins, Family Circle, tem muito a dizer sobre Kathy Boudin e seu tio, I. F. Stone, também conhecido por Izzy. Antes de entrar em uma vida de crime como terrorista comunista, ela quis trabalhar para o jornal do seu tio, que era também onde Osnos havia trabalhado. Ela nos conta que Stone tentou organizar uma oposição ao envolvimento dos EUA na Guerra da Coréia a fim de tornar a Coréia do Sul a salvo para o comunismo, e que ele trabalharia mais tarde para remover as forças americanas do Sul do Vietnã a fim de pavimentar o caminho para uma vitória militar dos comunistas por lá. Stone e seus camaradas tiveram sucesso no caso vietnamita. Seu histórico pró-comunista estava claro para quem quisesse ver, exceto para Osnos e os seus.

Defendendo os Vermelhos

De acordo com Braudy, Stone “ganhou fama nos anos 1950 por lutar pelos direitos das pessoas que foram acusadas de terem sido membros do Partido Comunista Americano”. Mas nada disso aparentemente incomodou Osnos, que foi trabalhar para Stone nos anos 1960. E a ligação de Osnos com Stone não incomodou o Post. “Após trabalhar para I. F. Stone, Peter Osnos tornou-se um correspondente internacional do Washington Post e editor internacional e nacional do jornal”, divulga o site oficial de I. F. Stone.

Em 1980, Osnos foi professor convidado no Instituto para Estudos de Programas de Ação (IPS – Institute for Policy Studies), pró-marxista, durante as aulas de Karen DeYoung sobre “correspondência estrangeira”.

DeYoung, à época uma correspondente internacional do Post, é hoje uma editora associada no jornal. O curso do IPS ocorria durante o período em que a antiga União Soviética e sua subordinada, a Cuba comunista, estavam desestabilizando a América Central e esperando instalar uma série de governos comunistas. Reagan freou a investida soviética em uma conjuntura crítica quando ele ordenou a libertação militar de Granada, controlada pelos comunistas. Simultaneamente, Reagan também estava apoiando o governo democrático de El Salvador, que enfrentava um movimento terrorista-comunista, e os Combatentes da Liberdade na Nicarágua. Foi este último que desencadeou no affair “Irã-Contra” quando Oliver North, membro do Conselho de Segurança Nacional, providenciou assistência não-oficial à resistência nicaragüense enquanto o Congresso dominado pelos Democratas tentava cortar sua ajuda.

Para Karen DeYoung, como ela revelara à classe, “a maioria dos jornalistas de hoje, ao menos a maior parte dos jornalistas ocidentais, são muito ávidos por procurar grupos guerrilheiros, grupos esquerdistas, porque presumem serem eles os mocinhos”. Osnos, por sua vez, manifestava uma visão estranha do comunismo, como notou o editor do AIM Clif Kincaid em um artigo na Human Events de abril de 1983, “The IPS and the Media: Unholy Alliance” (O IPS e a mídia: Aliança profana). Ele dizia não saber por que os soviéticos agiam da maneira como agiam. Mas ele havia visitado Cuba, onde não achara provas do controle soviético, e voltara convencido de que havia um “relacionamento aparentemente genuíno” entre Castro e o povo cubano.

Em 12 de março de 2008, enquanto preparava a publicação do livro de McClellan, Osnos encontrou tempo que chega para homenagear I. F. Stone pelo aniversário de seu nascimento. Outros que prestaram homenagens foram Robert Kaiser, editor associado e ex-editor administrativo do Washington Post, e Myra MacPherson, autor de um livro sobre Stone e ex-repórter do Washington Post.

Este é o ambiente que produziu o livro de McClellan. O que quer que você pense de Bush, McCain ou a Guerra no Iraque, não há dúvidas de que o ex-assessor de imprensa de Bush fez o papel de “idiota útil”.

Mais uma vez a mídia se diverte.

Notas:

Cliff Kincaid é Editor da Accuracy in Media AIM e pode ser contactado em cliff.kincaid@aim.org

Tradução: Marcel van Hattem

O novo comunismo

Em seu livro Blue Planet in Green, o presidente da República tcheca Václav Klaus denuncia que o movimento para “salvar” o meio ambiente foi tomado por ideólogos que defendem o controle total do governo sobre as nossas vidas.

Os norte-americanos estão buscando uma liderança neste ano eleitoral e eles a encontraram. Infelizmente, não é um político norte-americano. Václav Klaus, Presidente da República Tcheca, que sobreviveu ao sistema comunista e agora conduz um país emergente da dissolução do império soviético, adverte para uma nova forma de comunismo que está ameaçando a liberdade e o progresso humanos.

Como o ex-presidente Ronald Reagan, que desenvolveu seu conhecimento sobre a ameaça comunista lutando contra os comunistas em Hollywood, Klaus sofreu durante a era comunista na Tchecoslováquia. Por causa da sua experiência, contudo, ele compreendeu como o comunismo ao estilo soviético, que ruiu como império e criou as condições para a emergência da República Tcheca como uma nação livre e independente, nunca morreu de verdade como ideologia e que tem seus admiradores no Ocidente.

Seu livro, Blue Planet in Green Shackles (Planeta Azul, Obstáculos Verdes), publicado pelo Competitive Enterprise Institute, denuncia que o movimento para “salvar” o meio ambiente foi tomado por ideólogos que defendem o controle total do governo sobre as nossas vidas. Ele diz que o ambientalismo pode ser considerado uma forma de comunismo, socialismo ou mesmo fascismo. De qualquer forma que o chamemos, o resultado será a extinção da liberdade humana.

Raízes fascistas

De fato, o livro de Klaus cita o ensaio abalizado “Ideologia Fascista: a Asa Verde do Partido Nazista e seus Antecedentes Históricos”, de Peter Staudenmaier, como um pano de fundo para compreender a mentalidade que conduz à histeria fomentada pela mídia sobre o “aquecimento global” e a alegada necessidade de ação governamental imediata nos níveis nacional e global.

Staudenmaier escreveu que “a incorporação ao movimento Nazista de temas ambientalistas foi um fator crucial para a ascensão deles à popularidade e ao poder estatal”. Ele explicou: “Hitler e Himmler foram ambos vegetarianos radicais e amantes de animais, atraídos pelo misticismo da natureza e pelas curas homeopáticas e firmemente contrários à vivisseção e crueldade com animais. Himmler estabeleceu até mesmo fazendas orgânicas experimentais para o plantio de ervas para propósitos medicinais das SS. E Hitler, por vezes, soava como um verdadeiro utopista Verde, discutindo com autoridade e em detalhes várias formas de fontes de energia renovável (incluindo força hidráulica ambientalmente correta e a produção de gás natural de lodo) como alternativas ao carvão, e declarando ‘a água, os ventos e as marés como a base energética do futuro’”.

Enquanto o engajamento nazista nestas soluções energéticas e de saúde alternativa não as põem em descrédito, os fatos históricos deveriam fazer-nos refletir sobre as motivações daqueles que promovem tais causas no contexto atual. Os ataques às grandes empresas petrolíferas e a pressão por tecnologias energéticas alternativas estão sendo usados como pretexto para um maior controle governamental sobre a economia? As demandas por ação governamental para frear o aquecimento global estão sendo usadas para minar e subverter o capitalismo de livre iniciativa e os direitos de propriedade privada?

Mas enquanto o comunismo foi um sistema ateístico, nota Klaus, o ambientalismo moderno assumiu uma dimensão religiosa e tornou-se uma “religião verde”.

Fascismo liberal

Ao final das considerações de Klaus sobre este assunto em um jantar em Washington D. C. no Competitive Entrerprise Institute (CEI) e por ele patrocinado, o mestre de cerimônias Jonah Goldberg disse que ele gostaria que tivéssemos um Presidente dos EUA que fizesse tal pronunciamento. Tragicamente, Bush e o Senador John McCain, o provável indicado republicano à presidência, caíram no campo – que inclui Barack Obama, Hillary Clinton e a maior parte do Partido Democrata – que quer erodir a liberdade individual em nome da salvação do meio ambiente. É a visão moderna do marxista “de cada um de acordo com suas habilidades, para cada um de acordo com suas necessidades”, excetuando-se que as necessidades do meio ambiente estão agora sendo colocadas acima daquelas das pessoas.

Foi apropriado que Goldberg, que elogiou as considerações de Klaus, tenha escrito o excelente livro Liberal Fascism (Fascismo Liberal), sobre as tendências totalitárias do liberalismo moderno.

Klaus, por seu lado, escreve que “a atitude dos ambientalistas em relação à natureza é análoga à abordagem marxista relacionada à economia. O objetivo em ambos os casos é substituir a evolução livre e espontânea do mundo (e da humanidade) pelo suposto planejamento otimizado central ou – utilizando o adjetivo mais elegante atualmente – global, do desenvolvimento mundial. Tanto como no caso do comunismo, essa abordagem é utópica e levaria a resultados completamente diversos dos pretendidos. Como outras utopias, esta jamais pode se materializar, e os esforços para materializá-la só podem ser dispendidos com restrições à liberdade por meio de imposições de uma pequena e elitizada minoria sobre uma esmagadora maioria”.

Resumidamente, não perderemos apenas a nossa liberdade, mas também o progresso econômico e o avanço humano serão sufocados. E mais pessoas inevitavelmente morrerão. Klaus acrescenta: “nos últimos 150 anos (pelo menos desde Marx), os socialistas têm sido muito eficazes em destruir a liberdade humana sob slogans humanos e compassivos, como ‘preocupando-se com o homem’, ‘assegurando igualdade social’ e ‘promovendo bem-estar social’. Os ambientalistas estão fazendo o mesmo sob slogans igualmente nobres, expressando preocupação com a natureza mais do que com as pessoas (lembremos do motto radical ‘a Terra primeiro’). Em ambos os casos, os slogans foram (e continuam sendo) apenas uma cortina de fumaça. Em ambos os casos, os movimentos foram (e são) exclusivamente sobre poder, da hegemonia dos ‘escolhidos’ (como eles próprios se vêem) sobre o restante, pela imposição da única visão de mundo correta (a deles), para a remodelagem do mundo”.

Num apêndice, Klaus aborda diretamente a pressão popular por um sistema intitulado “cap-and-trade” (limitar-e-negociar), em uma base nacional e global, concedendo a burocratas o poder de decidir as “pegadas de carbono” das pessoas, companhias e nações, e limitando suas emissões de carbono e o uso de energia. Ele chama a proposta de completamente irracional e não-científica e sugere que seja apenas mais uma desculpa para conceder mais poder ao governo.

As forças da liberdade

Na introdução ao livro de Klaus, Fred L. Smith Jr., presidente da CEI, faz uma advertência a respeito da atração que a “classe intelectual” continua a ter pelo “estatismo” ou “coletivismo” que são os outros nomes para as ameaças que encaramos. Hoje, diz Smith, estamos testemunhando uma “guerra cultural contra a liberdade econômica” que requer “vozes pró-liberdade” para evitar escorregar ao totalitarismo. Klaus veio a Washington, D. C. no final de maio para liderar esta campanha. Mas ele retornará à República Tcheca. Várias figuras políticas conservadores dos EUA, incluindo o Ex-presidente Republicano da Câmara de Representantes, Newt Gingrich, estão também tentando parecer “verdes”. Gingrich, por exemplo, aparece num comercial, financiado pela Aliança pela Proteção Climática de Al Gore, com a atual Presidente Democrata da Câmara, Nancy Pelosi, advertindo sobre o aquecimento global. O Observatório Judicial afirma que o comercial é uma violação à lei eleitoral federal e uma contribuição ilegal à campanha de Pelosi. Gingrich tornou-se um advogado do “conservadorismo verde” e propõe agora um “Contrato com a Terra” ao estilo Gore.

Em seu livro, Klaus chama Gore de hipócrita em virtude de seu “próprio consumo desperdiçador de eletricidade” e diz que o ex-vice-presidente não tem interesse em fatos ou documentos para os seus protestos sensacionalistas. A “guerra cultural” sobre a qual Smith adverte pode ser percebida na quase total falta de cobertura que a mídia liberal deu às várias visitas de Klaus a Washington D. C., incluindo o jantar da CEI e no National Press Club (Clube de Imprensa Nacional). Ao invés de tentar refutar os argumentos de uma pessoa que tem um grande conhecimento sobre economia e relações econômicas internacionais, a mídia liberal fez o possível para ignorá-la.

Matéria de capa

Felizmente, o Washington Times destacou suas advertências na primeira página. “Ambientalismo, diz o Presidente Tcheco Václav Klaus, é o novo comunismo, um sistema de comando-e-controle da elite que mata a prosperidade e deveria semelhantemente ser condenado ao monte de cinzas da História”, relatou o jornal na matéria de capa de David R. Sands. “Eu entendo que o aquecimento global é uma religião concebida para suprimir a liberdade humana”, disse Klaus aos editores e aos repórteres no jornal.

Para demonstrar a natureza corajosa da posição que Klaus está assumindo internacionalmente, o livro inclui uma charge de uma pessoa que lembra Klaus sendo queimado na fogueira enquanto três pessoas zombam dele, dizendo: “Então, você acredita em aquecimento agora?”.

Onde estão os líderes políticos americanos que seguirão Klaus tomando uma posição franca em favor da liberdade humana?

Notas:

Cliff Kincaid é Editor da Accuracy in Media AIM e pode ser contactado em cliff.kincaid@aim.org

Tradução: Marcel van Hattem

Komintern – A ajuda fraternal aos partidos comunistas de todo o mundo

O Partido  sempre valorizou e considerou mais útil a seus interesses estratégicos um homem tido como de direita, com acesso aos organismos empresariais ou de Segurança, que um provado e leal militante. Essa foi a realidade.

O Komintern – Organização internacional comunista fundada por Vladimir Lenin e pelo Partido Comunista da União Soviética em março de 1919, que pretendia lutar com “todos os meios disponíveis, inclusive armados, para derrubar a burguesia internacional e estabelecer uma República Soviética internacional como um passo transitório à completa abolição do Estado”.

Após a Revolução Bolchevique de 1917, na Rússia, foram criadas forças e partidos comunistas em vários países, que logo aceitaram as famosas 21 condições exigidas pela III Internacional – também conhecida como Komintern ou Internacional Comunista – para que fossem reconhecidos em nível internacional. O Komintern foi assim definido pelo “Pequeno Dicionário Político”, editora Progresso, Moscou, 1984: “Estado-Maior ideológico e político do movimento revolucionário do proletariado”.

Em troca da adesão, o Komintern outorgava a esses partidos a patente de revolucionários, numa relação periferia-centro que pouco tempo depois ficaria conhecida como Movimento Comunista Internacional. Essa foi a origem dos vínculos que, por 70 anos, os comunistas da ex-União Soviética mantiveram com todos os partidos comunistas do mundo.

Para Lênin, que dirigiu a Revolução Bolchevique, o Komintern tinha como objetivo “lutar por todos os meios possíveis para a derrubada da burguesia internacional e criação de uma revolução mundial soviética, como etapa de transição à completa abolição do Estado”. Nesse contexto, a ditadura revolucionária do proletariado era o único caminho possível para “libertar a humanidade dos horrores do capitalismo”.

Logo depois da Revolução Bolchevique, em 1925, foi instalado em Buenos Aires o Bureau Sul-Americano (BSA) do Komintern, com a tarefa de coordenar as atividades dos partidos comunistas da região. Nesse sentido, o papel do Partido Comunista Argentino (PCA), como correia de transmissão da política do Komintern, passou a ser decisivo, uma vez que, então, o PCA já possuía contatos com dirigentes da Internacional, em Moscou, que eram os que, de fato, dirigiam o PC Argentino.

Nessa época o PCA era o partido comunista mais importante da América Latina, e já contava, em 1923, com cerca de 3.300 militantes.

Em 1928 o Bureau Sul-Americano passou a ter existência legal na Argentina e a refletir as forças e as precariedades do Komintern na região. A bolchevização, ou seja, a aplicação irrestrita das 21 condições leninistas e a adesão incondicional à União Soviética era a condição essencial para que um partido comunista fosse admitido como membro do Komintern. O Partido Comunista Brasileiro, fundado em 1922, logo aceitou essas condições. Tanto é assim que sua denominação era Partido Comunista do Brasil, Seção Brasileira da Internacional Comunista.

Segundo o dirigente comunista argentino Luis Sommi, enviado do PCA ao Komintern, em fins de 1934 foi realizada em Moscou a III Conferência Comunista Latino-Americana, na qual foi aprovada a deflagração, no Brasil, de um movimento armado. Nesse sentido, a Conferência respaldou a criação da Aliança Nacional Libertadora, que pouco tempo depois, em julho de 1935, viria a ser efetivamente criada como uma organização de fachada do PCB.

Sob a tutela da Internacional Comunista, criaram-se uma série de organizações internacionais, entre as quais pode-se citar: Internacional Sindical Vermelha (Profintern), Internacional da Juventude Comunista, Socorro Vermelho Internacional (MOPR), Internacional Camponesa (Krestintern) e Internacional Desportiva Vermelha (Sportintern);

Em 15 de maio de 1943, depois de celebrada a Conferencia de Teerã, o Presidium do comitê executivo da Internacional Comunista, “tendo em conta a maturidade dos partidos comunistas” nacionais, e para evitar os temores dos países capitalistas aliados, decidiu disolver a Internacional Comunista.

Em 1947 foi criada a Kominform (Oficina de Informação Comunista) como substituta da Komintern, que reunía os Partidos Comunistas da Bulgária, Checoslováquia, França, Hungria, Itália, Polônia, a União Soviética e Iugoslávia. Foi dissolvida em 1956 por Nikita Kruschev.

William Waak, em seu livro “Camaradas”, assinala que a Intentona Comunista seria impossível de ser explicada sem levar em conta a personalidade carismática de Prestes, já então membro do Comitê Executivo do Komintern. Baseado em dados inéditos, pesquisados nos arquivos do Komintern, em 1993, em Moscou, William Waak demonstra que a Intentona Comunista foi mais uma ação do prestismo do que do comunismo.

Em 1932, quando o general Agustín Justo tomou o Poder na Argentina, em decorrência de um golpe de Estado, o Bureau Sul-Americano foi tornado ilegal, passando a funcionar em Montevidéu.

Sobre o tão falado Ouro de Moscou, ou seja, a ajuda fraternal que o PC Soviético sempre deu a todos os partidos comunistas do mundo, deve ser assinalado que sustentar um exército de revolucionários profissionais que tornasse possível a manutenção de casas ilegais (aparelhos), imprensas, depósitos para literatura, aparatos de autodefesa, gráficas, serviços de Inteligência, etc, requeria muito dinheiro. Dinheiro que os PCs da região não tinham. Nesse contexto, a ajuda fraternal, embora limitada para as necessidades sempre crescentes, não era desdenhável. Aos partidos comunistas antepunham-se duas alternativas: o caminho das expropriações revolucionárias ou o da penetração nos grandes âmbitos econômicos – os chamados empreendimentos partidários. Todos os partidos comunistas do mundo optaram por este último caminho, que requeria pessoas fiéis e incorruptíveis.

O Ouro de Moscou, no entanto, não fluía sem limites e, muitas vezes, nem em montantes significativos que atendessem a todas as necessidades partidárias. Todavia, esse auxílio fraternal foi muito mais amplo do que se possa imaginar, conforme os balancetes dados a conhecer em Moscou após o fim da União Soviética, a partir de 1991. Seguindo o jornal Konsomolskaya Pravda de 8 de abril de 1992, o PCUS, somente em 1990 – ou seja, 5 anos após a implantação das políticas da glasnost e perestroika, de Gorbachev – “ajudou com mais de US$ 200 milhões os partidos irmãos do mundo, entre os quais o da Espanha e Portugal e quase todos da América Latina. Os mais beneficiados foram os partidos comunistas do Chile (US$ 700 mil) , da Argentina, da Venezuela e de El Salvador (US$ 450 mil cada um). Os do Brasil e Colômbia receberam US$ 400 mil cada um. Os partidos de tendência comunista da Espanha receberam US$ 300 mil e o PC Português, o primeiro da lista, U$ 1 milhão”.

O apoio político e a ajuda fraternal, todavia, não eram dados apenas aos partidos comunistas fiéis a Moscou, como seria lícito supor. Ao final da década de 70, dos diversos exilados latino-americanos que foram acolhidos e viveram em Moscou e em países do bloco comunista, cerca de 100 pertenciam à organização argentina de luta armada Montoneros, segundo registra o livro El Oro de Moscu, 1994, de Isidoro Gilbert, ex-chefe da agência de notícias soviética Tass, em Buenos Aires. Ou seja, o PCUS, que se sobrepunha ao Estado soviético, apoiava também as organizações de luta armada, ao mesmo tempo em que mantinha negócios e relações diplomáticas com os países onde essas organizações atuavam, como ficou claro com o apoio em dinheiro, armas e treinamento aos militantes da Frente Patriótica Manuel Rodriguez, uma cisão do Partido Comunista Chileno que, em meados da década de 80 descambou para a luta armada.

Essa ajuda fraterna era, todavia, muito mais ampla que as cifras mencionadas pelo Konsomolskaya Pravda. Implicava também em financiamento de editoras, gráficas, jornais, revistas, viagens de membros do aparelho dirigente ao exterior, férias anuais em casas de repouso na Criméia, educação política e treinamento de quadros nas escolas do partido, em Moscou, inclusive treinamento militar e outros tipos de auxílio. Muitos negócios no comércio exterior foram facilitados graças à interferência do Departamento de Relações Internacionais do PCUS, ao qual se vinculavam os partidos comunistas de todo o mundo, através de um “referente” (membro do aparelho do Departamento de Relações Internacionais responsável pelos assuntos de um PC determinado, encarregado de encaminhar e buscar solucionar todos os problemas, que ordinariamente surgiam, envolvendo o partido comunista ao qual ministrava assistência). O “referente” fazia também as vezes de “perevodchic” (intérprete) quando das reuniões de visitantes comunistas com funcionários de maior hierarquia do PCUS. Os “referentes” sempre conheceram de perto e influenciaram nas lutas íntimas dos partidos comunistas aos quais davam assistência política.

Nos casos de intermediação de negócios de comércio exterior, os partidos comunistas recebiam comissões por parte das empresas nacionais que haviam sido ajudadas. Mas, na medida em que o socialismo real se foi degradando, particularmente após 1985, quando Gorbachev assumiu o Poder na URSS, sua decadência influenciou negativamente sobre esses negócios, bem como sobre os empreendimentos partidários, pois nenhum deles conseguiu adaptar-se à situação de livre mercado. Na Rússia de hoje, conforme a imprensa dá conta quotidianamente, o fim do PCUS deixou a várias frações e diversos ex-dirigentes pós-soviéticos alguns negócios, dando origem ao que hoje é chamado máfia russa.

Depois que o PCUS foi formalmente colocado na ilegalidade e declarado extinto, em agosto de 1991, seus arquivos secretos foram abertos e, alguns deles, rapidamente fechados. Velentin Falin, último chefe do Departamento de Relações Internacionais do PCUS, que em fins de 1992 solicitou e obteve asilo político na Alemanha – onde havia sido embaixador – declarou que “em meados de março de 1990, uma grande injeção financeira foi recebida pela maioria dos partidos comunistas estrangeiros. O da França recebeu US$ 2 milhões, o do Chile US$ 700 mil, os da Alemanha e Portugal US$ 500 mil cada um, o do Líbano US$ 400 mil, o de Luxemburgo US$ 270 mil, e os da Índia e Argentina US$ 250 mil cada um” (jornal Novedades, Moscou, 27 de setembro de 1992).

Também o livro “A Conspiração do Kremlin”, escrito conjuntamente pelo Procurador-Geral da Rússia, Valentina Stepankov, por seu segundo, Evgueny Lisov, e pelo jornalista Pavel Nikitin, assinala que o PCUS doava cerca de US$ 20 milhões de ajuda financeira, anualmente, aos partidos comunistas e organizações revolucionárias de todo o mundo. Esse montante é considerado correto pelo general da KGB, hoje na reserva, Nokolai Leonov.

Todavia, a imaginação criadora daqueles que geriam os fundos financeiros do PCUS não tinha limites. Havia outras formas de enviar dinheiro aos partidos comunistas estrangeiros. A Federação Sindical Mundial, a Federação Mundial da Juventude Democrática, a União Internacional de Estudantes, a Federação Democrática Internacional de Mulheres, e outras entidades que integravam o Movimento Comunista Internacional, também possuíam seus canais, se bem que mais modestos, de remeter ajuda fraternal às entidades similares dos países do Ocidente.

Essa tarefa de auxílio aos revolucionários de todo o mundo teve início em 1920, logo depois da Revolução Bolchevique, através do Serviço de Relações Internacionais do Komintern, entidade conhecida pela sigla OMS (Otdel Mezhdunarodnykh Suyasey), que era a alma do aparato secreto do Komintern, pois controlava os códigos para a transmissão e o recebimento de mensagens, bem como as planilhas sobre o financiamento aos partidos comunistas, que eram manuscritas, a fim de que delas não tomassem conhecimento olhares menos confiáveis.

Existiam, então, representantes do OMS em todo o mundo, aos quais cabia a tarefa de fazer chegar essa ajuda fraternal a quem de direito. Esses representantes, contudo, não devem ser confundidos com os dirigentes do Komintern enviados ao exterior para educar na doutrina científica os membros dos partidos comunistas estrangeiros. Os partidos comunistas da América Latina, por exemplo, durante toda a existência do Komintern, desativado por Stalin em maio de 1943, receberam a ajuda financeira através do Bureau Sul-Americano, em Buenos Aires e, posteriormente, em Montevidéu.

Nesse sentido, é edificante o quadro publicado por William Waak, na página 210 do seu livro “Camaradas”, relacionando “os gastos justificados ao Komintern de abril a setembro de 1935” com a conspiração que resultou na Intentona Comunista. Segundo esse quadro, desde então, Luis Carlos Prestes era um assalariado do Komintern, recebendo a quantia de US$ 1.714,00.

A nova situação criada com o fim da União Soviética e o desmantelamento do PCUS afetou fundamentalmente as finanças dos partidos comunistas de todo o mundo, que a partir de 1992 não mais receberam a ajuda fraternal à qual haviam se acostumado por 70 anos, levando à falência os jornais, revistas, gráficas, editoras e demais empreendimentos da maioria – senão de todos – os partidos comunistas do mundo.

A bem da verdade, deve ser assinalado que essa múltipla colaboração, sob a hegemonia do PCUS e sob a égide do Movimento Comunista Internacional, não obscurece o talento e o sacrif& iacute;cio de milhares de militantes que integraram os aparatos anônimos dos partidos comunistas de todo o mundo, que participavam de comícios, greves políticas, distribuição de panfletos e colagem de cartazes, tarefas essas que marcaram a ferro e fogo as personalidades da grande maioria desses anônimos que fizeram dessa profissão o seu modo de vida e jamais conheceram outro, e da vida um alheamento da realidade. Profissão que deglutiu famílias e pessoas diabolicamente convencidas de estarem lutando por um mundo melhor.

A esses, o dinheiro nunca chegou. Viviam como pedintes, do que era denominado “circulismo”. Isto é, de arrecadar dinheiro em seu círculo de amigos, colaboradores e simpatizantes. Muitos desses militantes agora perguntam: “O que se passou?”. Nada, apenas o tempo…

Contraditoriamente, o Partido (com inicial maiúscula) sempre valorizou e considerou mais útil a seus interesses estratégicos um homem tido como de direita, com acesso aos organismos empresariais ou de Segurança, que um provado e leal militante. Essa foi a realidade. Realidade que não significou, absolutamente, o fim da História. Pelo contrário, o mundo encontra-se apenas no início de um período duvidoso, carregado de imponderáveis. Mais perigoso que o dos tempos da Guerra Fria. As perspectivas são várias e as diversas conjecturas estão em aberto.

Foro de São Paulo e Diálogo Interamericano: pacto firmado em 1993

Os contatos entre o Foro de São Paulo e o Diálogo Interamericano ajudariam a entender a enorme falta de ação da oposição aos desmandos do governo petista?

Lula, Fidel e dissidentes

É muito estranho que um homem que afirma ser “sensível à dor humana” como Lula nada faça junto ao seu amigo Fidel Castro em favor dos que são oprimidos pela ditadura cubana.


“A tirania é um hábito, tem a propriedade de se desenvolver, e se dilata a tal ponto que acaba virando doença”

Fiodor Dostoievski

 

Com o dinheiro fácil dos empréstimos concedidos por Lula e doações de fartos créditos materiais do coronel Hugo Chávez, o ditador Fidel Castro, que se mostrava disposto a fazer “concessões democráticas” em troca de recursos externos, está partindo para a repressão total e, por extensão, aperta o torniquete em torno dos dissidentes políticos que ousam discordar do regime cubano: já são, agora, mais de 300 os “prisioneiros de consciência” que apodrecem nas 200 prisões de segurança máxima da ilha-cárcere, com destaque para as masmorras de Boniato e Kilo Prieto, pocilgas de 45 graus à sombra.

Em meados de abril, desesperado com a situação, o economista e jornalista Oscar Espinosa Chepe, uma figura emblemática da oposição cubana, escreveu carta ao presidente Lula da Silva solicitando apoio para a libertação de 61 presos do chamado “Grupo 75”, jornalistas trancafiados por Castro depois de denúncias contra os rigores do regime comunista de Cuba. Chepe, favorecido por problemas de saúde (e a pressão da Anistia Internacional) com uma “licença extra-penal”, foi claro e direto na carta (distribuída em Havana) enviada ao amigo brasileiro do provecto ditador: “Sr. Presidente: peço sua ajuda humanitária para a libertação imediata e incondicional dos 61 prisioneiros de consciência condenados a longas penas”.

Até agora Lula não deu resposta ao dissidente cubano e é completo o silêncio do embaixador do Brasil em Cuba, o ex-deputado petista Tilden Santiago, que, em casos semelhantes, dá sempre o calado como resposta – o que significa postar-se, por inferência, ao lado do regime totalitário de Fidel.

Mais próximo da ilha caribenha, no México, é desesperadora a situação de 66 cubanos que haviam sido detidos em alto-mar pela Marinha mexicana, todos desnorteados em precário barco de pesca. Os fugitivos da ilha-cárcere estão num alojamento do Instituto Nacional de Migração (INM), em Forte de Las Flores, Estado de Vera Cruz. E diante da possibilidade de serem repatriados, iniciaram greve de fome ao tempo em que exibem, pelas janelas, cartazes com apelos dramáticos: “Pelo amor de Deus: não nos deportem para Cuba, preferimos morrer aqui”. Ou ainda, em outro pedaço de papelão: “Não nos deportem; nos matarão em Cuba”.

Os fugitivos denunciam que não é possível viver no regime de exploração e precariedade vigentes na ilha, sem falar na opressão e na implacável vigilância da DGI, o centro de espionagem e informações da ditadura. “Fidel es un tirano!”, avaliam. O governador de Vera Cruz, Fidel Herrera, atendeu positivamente a um pedido do governo federal, visto que a Marinha do México não tem instalações para alojar os 66 fugitivos cubanos. Entrevistado pela imprensa, o governador foi sensível ao drama vivido pelos fugitivos: “Vamos buscar uma saída solidária”.

É muito estranho que Lula da Silva, o homem da lágrima copiosa, sempre sensível à dor humana (pelo menos assim o proclama) além de “amigo do peito” de Fidel Castro, ao qual já manifestou completa solidariedade, abrindo inclusive os cofres do BNDES para aliviar as carências da ilha-cárcere, é muito estranho, repito, que Lula se mostre insensível ao pedido de apoio de Oscar Espinosa Chepe, o emblemático dissidente cubano e permaneça no mais completo silêncio. Em outras oportunidades, personalidades menos votadas e diante de fatos semelhantes, pediram e obtiveram a complacência do senhor ditador. O próprio escritor Garcia Marques, amigo de Castro, tem a seu favor o fato inconteste de já ter ajudado a salvar inúmeros dissidentes políticos (ou pessoas do desagrado do regime), até mesmo do indefectível “paredón”. Por sua vez, a ação positiva do governador do Estado mexicano de Vera Cruz, o Sr. Herrera, demonstra que, no campo político, nem tudo está perdido e é sempre possível se tomar medidas inspiradas em “atos de consciência”.

No caso específico de Lula, o pedido de Chepe ainda é mais pertinente, visto que o Presidente metalúrgico vive de entoar, nas suas permanentes viagens e nos seus diuturnos discursos, os valores soberanos da democracia, da paz e do amor. Diante dos 61 prisioneiros de consciência, ameaçados por regime de fome e tortura nas masmorras de Boniato e Kilo Prieto, o presidente Lula, em vez do silêncio, tem a oportunidade única de fugir à retórica das palavras bombásticas e partir para a ação positiva de uma negociação justa e viável, e que pode significar a salvação de dezenas de vidas. O presidente, que já se disse um homem sem pecados, não pode ficar omisso e pecar pela omissão. Seria o mesmo que afirmar o sofisma de que a verdade, na política, é a mentira e a mentira, a paralaxe dos homens. E depois, sejamos rigorosamente verdadeiros: não será com a libertação e posterior deportação de 61 prisioneiros de consciência que a ditadura de Castro irá cair. Para mantê-la viva, pelo menos por tempo considerável, existirá sempre o apoio de países como Brasil e a Venezuela, que se esmeram, até com o sacrifício dos supremos valores da liberdade e dos direitos humanos, em escorar com atos e palavras, nos foros internacionais, uma tirania que apodrece apodrecendo os seus dissidentes e a própria significação do conceito de humanidade.

Por que não agir?