Foro de São Paulo


O blogueiro Fidel

Não fora os petrodólares do tiranete Hugo Chávez e a cobertura diplomática dada pelo Itamaraty Vermelho ao velho ditador Fidel Castro, a esta hora Cuba estaria vivendo num real clima de abertura democrática.

 

“A minha aspiração suprema é sentar-me a mesa para governar o mundo inteiro”

Confidência de Fidel Castro ao padre jesuíta Alberto Rojas

 

Fidel Castro, ora atravessando fase de senilidade mórbida, virou blogueiro. Ele está se valendo, por assim dizer, do avançado instrumental tecnológico desenvolvido pelo capitalismo, a internet, para destilar a sua tradicional verborragia totalitária. O velho ditador, famoso por colocar o povo cubano de castigo para ouvir suas intermináveis ladainhas antiamericanas, agora, com auxílio de funcionários do PC cubano, manda  recados e distribui puxões nas orelhas dos aliados que ousam lamentar as desditas políticas e sociais que afligem o infernal “paraíso caribenho”.

Semana passada, depois de cutucar o cantor “simpatizante” Caetano Veloso por causa da música “Baía de Guantánamo”, na qual se levanta de forma ambígua a intolerável questão dos direitos humanos na ilha-cárcere, o Vampiro do Caribe soltou o verbo para atacar os chanceleres da União Européia (UE) que derrubaram, com senões, as sanções diplomáticas impostas ao regime comunista de Cuba. A medida punitiva, como se sabe, foi tomada pela UE depois que Fidel Castro, em 2003, ordenou pessoalmente a prisão de 75 dissidentes políticos e a execução sumária de três nativos que pretendiam emigrar para os Estados Unidos.

Em vez de agradecer aos diplomatas puxa-sacos da UE, Fidel, como de hábito, esperneou por causa dos senões. No frigir dos ovos, deu-se o seguinte: para derrubar em caráter definitivo as sanções estabelecidas pelo bloco europeu contra a ilha, a Suécia, a Alemanha e os países ex-comunistas, fugindo ao consenso, exigiram sejam avaliadas ao cabo de um ano, a real condição dos direitos humanos em Cuba – e, por extensão, a verdadeira dimensão da abertura política do regime ditatorial ainda arbitrado pelo déspota pouco esclarecido. No entender da comissária das Relações Exteriores da UE, Benita Ferrero-Waldner, porta-voz da decisão, caso tudo permaneça como está, sem que ocorra em Cuba as urgentes reformas de abertura democrática, o bloco europeu volta a impor sanções punitivas, entre elas as que se reportam aos acordos de cooperação e empréstimos facilitados. A rigor, Dona Benita está com a razão: de fato, como acreditar num sujeito que é capaz de enganar o próprio Papa com ocas promessas de diálogo?

No uso bélico da Internet (site www.cubadebate.cu), Fidel Castro tachou a decisão conciliatória da UE de “hipócrita”, visto que, na sua paranóia, ela tem como meta “entregar a pátria (cubana) ao imperialismo”. Em seguida, num assomo de demência cínica, típica das personalidades doentias, depois de acusar os Estados Unidos de genocida, proferiu a mais deslavada mentira até hoje jamais expressa por qualquer ditador latino-americano – uma patacoada digna de encabeçar os anais da história universal da infâmia. O tirano teve o desplante de afirmar o seguinte: “Aqui (em Cuba) nunca torturamos ninguém, nem privamos ninguém da vida por métodos extrajudiciais”.

Caso alguns dos nossos leitores não saibam, Fidel Castro (e sua revolução socialista) é o responsável direto e indireto pela morte e desaparecimento de, no mínimo, 50 mil pessoas (dados do “Livro Negro do Comunismo”, editora Bertrand Brasil, Rio, 1999). Nas suas mais de 200 prisões de segurança máxima, entre as quais as sinistras masmorras de La Cabaña e Puerto Boniato, onde se processavam (e processam) torturas medievais e sevícias sem fim, foram executados centenas de prisioneiros em julgamentos sumários ou mesmo sem julgamento algum.

No seu livro “Contra Toda Esperança – As prisões políticas de Fidel Castro” (Editora InterMundo, 3ª Edição, 1988, São Paulo), o poeta cubano Armando Valadares, considerado pela Anistia Internacional como Prisioneiro de Consciência, relata como conviveu com a morte diária por pancadas de canos de ferro envoltos em mangueiras de borracha, a ingestão de fezes e o extermínio de prisioneiros – como na Alemanha Nazi – em laboratórios de experiência biológica. O próprio Valadares, depois de 22 anos de masmorra, três dos quais confinado numa cela-gaveta, saiu da prisão em cadeira de rodas (graças à gestão de François Mitterrand, então presidente da França).

Outro prisioneiro cubano, o escritor Pedro Juan Gutiérrez, dá conta dos horrores sofridos nas UMAP (Unidades Militares de Ayuda a la Produción), planejadas por Fidel, para onde eram levados os filhos de presos políticos, comerciantes, religiosos, artistas, homossexuais e órfãos (filhos de políticos executados pela revolução). Em tais “unidades de ajuda”, tornaram-se corriqueiras as lições de “reeducação ideológica” aplicadas no espaço das “tostadoras”, jaulas de grades de ferro em que o preso não podia deitar nem permanecer de pé, ficando sempre exposto ao calor do sol escaldante alternado com o frio das madrugadas chuvosas.

No mesmo dia em que o celerado Castro expressava suas barbaridades pela Internet, a realidade o desmentia: em Matanzas, nos arredores de Havana, oito dissidentes do regime foram presos quando se preparavam para realizar uma manifestação de protesto defronte ao Ministério do Interior. E em entrevista concedida em Berlim, depois de fugir da ilha-cárcere, o campeão olímpico de boxe Erislandy Lara – o mesmo que Tarso Genro (leia-se Lula) entregou às feras comunistas quando da realização dos jogos Pan-Americanos do Rio – foi preciso: “Estou feliz por estar na Alemanha, ansioso para me tornar profissional e ganhar o título mundial. Não quero falar sobre os detalhes de minha saída de Cuba, mas ali não se respeita os direitos das pessoas”.

Em suma: não fora os petrodólares do tiranete Hugo Chávez e a cobertura diplomática dada pelo Itamaraty Vermelho ao velho ditador, a esta hora Cuba estaria vivendo num real clima de abertura democrática. Mas como na agenda do Foro de São Paulo a ordem é beatificar Fidel, os cubanos, para atingir a liberdade, terão mesmo de enfrentar os tubarões do mar do Caribe.

ALBA – Alternativa Bolivariana para as Américas

Em 26 de março de 2008, ao desembarcar em Recife, onde se encontrou com o presidente Lula, Hugo Chávez defendeu a criação de uma Organização do Tratado do Atlântico Sul para a defesa da região, dizendo ser esse “o plano de Bolívar”.

A idéia original de formação da Alternativa Bolivariana para as Américas foi apresentada por Hugo Chávez em dezembro de 2001, durante a II Reunião de Cúpula dos Chefes de Estado e de Governo da Associação de Estados do Caribe, mas a instituição somente surgiu formalmente em dezembro de 2004, quando, em Havana, Fidel Castro e Hugo Chávez firmaram os protocolos de sua fundação.

Com a chegada de Evo Morales à presidência da Bolívia, esse país passou a fazer parte da entidade e, logo a seguir, Dominica, em janeiro de 2008 e Nicarágua, esta após o triunfo de Daniel Ortega nas eleições para a presidência.

O Equador, em 13 de junho de 2008, rejeitou a entrada na ALBA, segundo Nota do Ministério das Relações Exteriores, mas que “acompanha com atenção a iniciativa”.

Reunidos em Havana dias 27 e 28 de abril de 2005, Fidel Castro e Hugo Chávez firmaram um plano para o início de implementação da Alternativa Bolivariana para as Américas (ALBA), uma espécie de solidariedade econômica e financeira entre os dois países. Um Bloco de Poder Regional, conforme o denomina Hugo Chávez e seus aspones, dentre os quais o cientista político alemão Heinz Dieterich. A ALBA, pretende ser uma alternativa à ALCA (Área de Livre Comércio das Américas), que persegue a liberação absoluta de bens, serviços e investimentos. A ALBA, por sua vez, estaria empenhada em lutar contra a pobreza e a exclusão social, segundo seus fundadores.

Foram 49 os acordos assinados entre Cuba e Venezuela.

Em 27 e 28 de abril de 2007, foi realizada em Barquisimeto, Venezuela, a V Reunião de Cúpula da ALBA, tendo como países observadores convidados o Uruguai, Equador, Dominica, Saint Kitts y Nevis, S. Vicente e Granada. Numeroso contingente cubano presta “colaboração” a países integrantes da ALBA: 39 mil na Venezuela, 2.300 na Bolívia e 58 na Nicarágua.

A VI Reunião de Cúpula da ALBA foi realizada em Caracas dias 24 e 25 de janeiro de 2008 com a presença dos países-membros e dos convidados Granada, S. Vicente, Antigua, Barbados, Saint Kitts y Nevis, Equador, Haiti, Uruguai e Honduras. Nessa oportunidade, Dominica foi integrada formalmente à ALBA.

Em janeiro de 2008, em seu programa semanal de rádio “Alô Presidente”, Hugo Chavez, acompanhado por Daniel Ortega, presidente a Nicarágua, propôs a criação de uma força armada conjunta da Alternativa Bolivariana para as Américas, com o objetivo de enfrentar uma hipotética agressão dos EUA. Então, já integravam a Alba, a Bolívia, Venezuela, Cuba, Dominica e Nicarágua.

Ainda em 26 de janeiro de 2008, Bolívia, Cuba, Venezuela e Nicarágua assinaram um documento fundando o Banco da ALBA, com um capital de US$ 1 bilhão, banco que deverá ser submetido a decisões políticas e não econômicas e financeiras, segundo disse o ministro venezuelano das Finanças, Rafael Isea.

Em um vídeo [*] que circula na Internet, citando Lula textualmente, Hugo Chávez disse que o Presidente do Brasil concorda formar um Conselho de Defesa e, em conseqüência, um exército bolivariano para enfrentar o inimigo comum, os EUA.

Em 26 de março de 2008, ao desembarcar em Recife, onde se encontrou com o presidente Lula, Hugo Chávez defendeu a criação de uma Organização do Tratado do Atlântico Sul para a defesa da região, dizendo ser esse “o plano de Bolívar”.

Em 23 de abril, no Palácio Miraflores, em Caracas, foi realizada uma reunião entre Hugo Chávez, Evo Morales, Daniel Ortega e Carlos Lage, vice-presidente de Cuba. O ponto principal da reunião foi sentir a solidariedade dos países da ALBA “ante os intentos separatistas da oligarquia na Bolívia”.

Foram essas as atividades da ALBA até o momento, atividades que certamente serão ofuscadas pela prioridade à formação da Unasul (União das Nações Sul-Americanas) constituída em reunião realizada dia 23 de maio de 2008, em Brasília, na qual o presidente Lula propôs – e não foi aprovada – a constituição de um Conselho de Defesa Regional, iniciativa que prevê a convergência do Mercosul e da Comunidade Andina de Nações. Essa idéia não aprovada deu origem à formação de um grupo de trabalho que deverá pronunciar-se sobre essa iniciativa nos próximos seis meses. Para muitos analistas o Conselho de Defesa Regional iria configurar um intento de criação da Organização do Tratado de Defesa do Atlântico Sul, o tal “plano de Bolívar”, citado por Chávez em 26 de março de 2008, em Recife.

Notas:

[*] http://www.dailymotion.com/video/x46u7g_alba-defensa_news

Foro de São Paulo e Diálogo Interamericano: pacto firmado em 1993

Os contatos entre o Foro de São Paulo e o Diálogo Interamericano ajudariam a entender a enorme falta de ação da oposição aos desmandos do governo petista?

Hitler está aqui

O diário oficialista Últimas Notícias lançou ontem um balão de ensaio para medir a capacidade de resposta da sociedade, frente ao projeto chavista de estabelecer na Venezuela uma tirania com roupagem institucional. A reforma é calcada no que Hitler fez na Alemanha em circunstâncias iguais, quando a cidadania ainda tinha alguma força para resistir ao seu projeto de poder pessoal totalitário.

Segundo o diário oficialista, o MVR apresentaria à Assembléia Nacional uma reforma da Constituição que, sem dissimulação, porá nas mãos de Chávez todos os mecanismos de poder, com capacidade discrecional para encarcerar cidadãos civis e militares, fechar empresas, aprovar as leis que acomodem seu projeto e, assentado no terror, reeleger-se indefinidamente como o tem feito Fidel e o teria feito Hitler se os aliados não tivessem entrado em Berlim.

A emenda de 21 artigos converterá a Constituição em um instrumento de poder total do presidente sobre os indivíduos e a sociedade. É exata a “coincidência” entre esta reforma chavista e a que Hitler efetuou desde o poder, em circunstâncias exatamente iguais.

A mudança fundamental, estritamente copiada de Hitler, é que o presidente poderá prender sem julgamento prévio de mérito a generais e almirantes, o qual lhe permitirá aterrorizar a Força Armada e usá-la sem limitações para esmagar os cidadãos. Em seguida vêm os artigos dirigidos para, segundo a proposta do MVR, “…atacar com severidade e prontidão o procedimento dos grupos econômicos…”, com o qual Chávez poderá encarcerar indefinidamente os empresários que “não cooperem com seu regime”, e fechar suas empresas.

Se nesta reforma ainda resta algum resquício de liberdade, a “debilidade” será coberta rapidamente aprovando leis orgânicas específicas que preenchem o vazio e, se fizer falta, genéricas leis habilitantes (poder discrecional para o governante) por maioria simples. Este procedimento da maioria simples se considera inaceitável nos países democráticos, quando se trata de reformas estruturais, às quais em teoria democrática e lógica sã não podem ser impostas à maioria por uma minoria, muito embora esta seja a menor das minorias como é o caso do MVR na Assembléia.

Tudo isto será coroado aprovando a reeleição indefinida do presidente da República. Uma e outra vez, até o infinito, procedimento absolutamente eliminado em todas as constituições do mundo civilizado, pois o utilizam somente em nações primitivas onde um homem forte se eterniza no poder mediante o terror, como no passado fizeram os velhos ditadores latino-americanos.

O projeto será introduzido e aprovado em qualquer momento na Assembléia Nacional, eliminando definitivamente qualquer possibilidade de Liberdade e Democracia na Venezuela. É o mais trágico que ocorreu a um país do ocidente depois que desapareceram ditaduras como a de Trujillo… e o resultado pode ser ainda mais horrendo do que o de Cuba governada por Fidel Castro.

Notas:

Fonte: Coluna “A sangue frio”, diário El Nuevo País.

Tradução: Graça Salgueiro