Foro de São Paulo


Dilma, passe de mágica e “esquerda obsoleta”


O alívio da Srª Rousseff e do PT, outorgado pelo mesmo senado que acabava de destituir a presidente, sem dúvida está sendo celebrado pelos regimes bolivarianos da Venezuela, Cuba, Bolívia, Equador e Nicarágua, que em boa medida dependem do PT brasileiro.

1. O Senado brasileiro, baseado em disposições constitucionais, acaba de destituir a presidente Dilma Rousseff, pertencente ao esquerdista Partido dos Trabalhadores (PT), que (des)governou o país durante mais de uma década. A maioria dos cidadãos brasileiros havia manifestado seu apoio à destituição, recorrendo previamente a reiteradas e massivas manifestações de rua. Sem sombra de dúvida, essa destituição constituiu uma má notícia para as esquerdas brasileiras e latino-americanas.

Colômbia: o cavalo de Tróia do “acordo de paz” com as FARC

Nada do que se escreve aqui é novo, pois o Partido Comunista e as FARC o ressarciram desde sempre. Preocupa, em contraste, a miopia político-estratégica dos que deveriam por competência de seus cargos impedir que isto aconteça.

Há um assunto espinhoso que contrasta com o alvoroço de suposto otimismo que destilam o governo Santos, os comissionados de paz e os “amigos da paz”, frente à recente imposição unilateral das FARC de impedir operações militares sobre suas guaridas, mediante o habilidoso estratagema do cessar fogo bilateral: é o cavalo de Tróia com a implementação dos acordos de paz com as FARC, que não tem limites no tempo e que pressupõe que as guerrilhas continuarão armadas, pois o acordado é que “iniciem” a deixar as armas quando se assine a paz definitiva, não quando se assine o fim do conflito.

Colômbia: “Fora, forças estrangeiras!”

Jean Arnault (foto), chefe da Missão de Verificação da ONU na Colômbia, pretende fazer a opinião pública acreditar que a verificação dos “acordos de paz” de Santos com as FARC estará a cargo de 500 soldados estrangeiros, entre os quais ele pretende incluir, com a anuência do presidente Santos e dos chefes das FARC, nada menos que 50 soldados cubanos. Arnault simula que a chegada de tropas estrangeiras não estabelece nenhum problema de soberania nacional à Colômbia, e faz como se tal ato não constituísse uma violação brutal da Constituição e das leis da República da Colômbia.

A Constituição inaudita



Juan Manuel Santos, Raúl Castro e o narcoterrorista Timoleón Jiménez, o “Timochenko”, líder das FARC.

A Colômbia de julho de 2016 é como a Venezuela de dezembro de 1999: o abismo está ante nossos pés. O “sim” nos lançará no vazio. O NÃO” nos permitirá manter os pés em terra firme.

Esta será, talvez, uma das votações mais fraudulentas da história da Colômbia. O presidente Santos quer que os colombianos votem “sim” no plebiscito, um sim que quererá dizer, segundo ele, “sim à paz”. Na realidade, os que votem sim ou os que se abstenham de contradizer Santos, estarão ajudando aos que tomarão esse sim como um sim a outra coisa: não à paz verdadeira senão a uma nova Constituição, a uma constituição monstruosa, espúria, não-democrática, defensora da impunidade e da injustiça, redigida às escondidas, que prolongará a guerra e nos afundará na miséria mais tenaz.

Colômbia: balanço após 44 meses das negociações FARC-Governo


Uma coisa é a paz que convém ao país e outra a que convém aos mesquinhos interesses politiqueiros de Santos e sua camarilha
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Quarenta e quatro meses depois de conversações improdutivas para a Colômbia e muito positivas para o Plano Estratégico das FARC que impôs todas as condições sem dar nada em troca, o balanço parcial do até agora acordado é desalentador para o futuro da paz no país, para as relações internacionais do mesmo, para a projeção geo-política colombiana e para o desenvolvimento integral do país.

Pela criminalização dos símbolos comunistas

Já existe uma lei no Brasil que criminaliza, corretamente, os símbolos nazistas – a Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor.

Em seu artigo 20, a Lei 7.716 preceitua que:


“Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)


Pena: reclusão de um a três anos e multa. (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)


§ 1º Fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo. (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)


Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa. (Incluído pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)”.

A nova política externa brasileira em descompasso com o Foro de São Paulo



Não gosto do José Serra nem do PSDB desde sempre, e nunca escondi isso. Entretanto, suas atitudes à frente do Ministério de Relações Exteriores, logo após a posse, têm-me agradado bastante e não posso deixar de reconhecê-lo. Durante os 13 anos de governos do PT o nosso Itamaraty funcionou com a mesma política do compadrio tosco, de ajudar a “cumpanherada” em detrimento dos interesses nacionais, criando embaixadas e consulados em republiquetas falidas de notórios ditadores, como estabeleceu o Foro de São Paulo (FSP). 

Desde que o processo de impeachment da presidente petista começou, os países-membros e organizações pertencentes ao Foro vêm se manifestando com a cantilena de que “é golpe”, mas cinco em particular, sobretudo porque acusam o Brasil daquilo em que são mestres, mereceram notas do novo chanceler: Cuba, Venezuela, Nicarágua, Equador e Bolívia. Nenhum desses países é regido por uma democracia, respeita a liberdade e os direitos individuais da pessoa humana, bem ao contrário, pois Cuba instalou uma ditadura sangrenta através de um golpe, a Venezuela sofreu vários golpes com o falecido Hugo Chávez (o primeiro, falido, em 1992) e agora com Nicolás Maduro, o mais afoito de todos, através de sucessivos golpes violando a Constituição e as leis do Tribunal Superior Eleitoral. Isso sem falar dos golpes por fraude eleitoral que praticaram Daniel Ortega da Nicarágua, Rafael Correa do Equador e Evo Morales na Bolívia.

Do “como nunca antes” ao “tchau e nunca mais”

O que vemos é o resultado inevitável de uma forma de conceber o Estado e a Política, a pessoa humana e a sociedade, a Economia e a História. Não há acerto possível onde tudo está mal pensado.

Não vou puxar aqui o rosário das más notícias que desfilam cotidianamente nos meios de comunicação. A muitos de nós, elas chegam assim, como informação. A milhões de outros, como causas de tragédias pessoais e familiares. Alguns veem as estatísticas. Outros vivem as estatísticas em seu dia a dia. Ao governo que assume, o noticiário expressa a emergência e a urgência de medidas para afirmação de um rumo ascendente. Aos afastados do governo, essas notícias são desconforto político que deve, rapidamente, ser debitado ao “mercado”, à CIA, ao Cunha, ao FHC, ao Moro, às “zelites”, à direita, aos coxinhas e aos “golpistas”. Jamais a si mesmos nem ao exercício rapineiro, irresponsável e incompetente das tarefas de gestão. Nunca à ideologia que abraçam. Profissionais da falácia, nem por acaso batem no próprio peito! O partido que pretendeu ter descoberto o Brasil em 2003 nos fez regredir no tempo e perder, inteiramente, os últimos 13 anos.

Dilma Rousseff e o PT em pleno vendaval


Os treze anos do PT no poder terminam assim, com essa espetacular queda de Rousseff (e, portanto, de seu mentor Luiz Inácio ‘Lula’ da Silva) e em uma perda enorme de adeptos.

O que se joga hoje no Brasil é de importância capital para a democracia representativa não só do Brasil, senão do continente americano e do mundo.

Dilma Rousseff não suporta a realidade de seu processo de destituição. Não admite que tenha sido suspensa de funções legitimamente pelo poder legislativo de seu país. Não concebe que esse poder lhe reprove haver cometido graves delitos. Não aceita outra condição diferente à de vítima inocente. Não agüenta que lhe provem que foi posta fora do jogo por falsificar as contas do Estado, em uma tentativa para fazer os brasileiros acreditarem que sua gestão econômica era impecável. Não tolera que lhe cobrem ter encoberto os déficits orçamentários de seu país e ter dissimulado a crise criada por seu falso “Estado de bem-estar” levando às arcas públicas, sem permissão do Congresso, dinheiros emprestados pelos bancos estatais.

Tá ruim mas tá bom

O Itamaraty deveria declarar não-reconhecimento à autoridade da UNASUL e de países como Cuba, Venezuela, Bolívia e Equador, governados por ditadores ou postulantes a ditadores.

A reação oficial ainda está distante de uma reação justa e necessária.

É digno de nota que o Itamaraty tenha “repudiado” as declarações dos governantes da Bolívia, do Equador, da Venezuela e de Cuba, além da Unasul, que se recusam a reconhecer o presidente Michel Temer e insistem em chamar o processo constitucional do impeachment de golpe.[1] Contudo, a atitude do Itamaraty ainda está longe, muito longe, do realmente necessário.