Globalismo


True Lies

É difícil traduzir true lies para o Português. Talvez a melhor seja mentiras embutidas numa verdade, por sua vez também embutida noutras mentiras. Mentiras com algum fundo verdadeiro que, sendo gradualmente administradas, entorpecem a mente de tal modo que a maioria acaba acreditando.

Experimentem colocar uma rã numa panela comágua fervendo. Ela vai pular fora e se safar! Agora, coloquem a mesma rã em água fria e aqueçam lentamente. A rã vai gostar, a mudança gradual de temperatura vai entorpece-la, e quando ferver, ela já não poderá saltar porque estará morta.

É difícil traduzir true lies para o Português. Talvez a melhor seja mentiras embutidas numa verdade, por sua vez também embutida noutras mentiras. E é disto que tratarei aqui: de mentiras com algum fundo verdadeiro que, sendo gradualmente administradas, entorpecem a mente de tal modo que a maioria acaba acreditando. Se fossem mentiras abertas, ou ditas de chofre, seriam rejeitadas, tal como fez a rã. Mas quem não se deixa entorpecer e enxerga a verdade por trás de tanto mascaramento, percebe que o que ocorre hoje no mundo é o resultado de uma estratégia de domínio mundial, é logo tido como paranóico. Por esta razão, este artigo contém inúmeras referências de fontes.

Limitar-me-ei, por ora, a uma das maiores mentiras que vem sendo administrada de forma gradual e eficientíssima na mente das pessoas: a da necessidade de um Governo Mundial que assegure a eterna Paz entre os homens, do qual a Organização das Nações Unidas já seria o embrião. Esta seria a verdadeira globalização, mas enquanto isto se lança a idéia oposta: de que a globalização seria do interesse dos Estados Unidos da América. Esta é uma das mais eficientes estratégias de dissimulação. Lança-se um projeto, atribui-se o mesmo ao inimigo como coisa do demônio e, enquanto ele é combatido, instala-se aquilo mesmo que se finge combater.

A idéia inicial data de 1931 e tem sua origem na Escola Lênin de Guerra Política, de Moscou, onde se ensinava: “A guerra de morte entre comunismo e capitalismo é inevitável. Hoje, certamente, não estamos suficientemente fortes. Nosso tempo chegará em 20 ou 30 anos. Para vencer, precisamos do elemento surpresa, a burguesia deverá ser amortecida, anestesiada, por um falso senso de segurança. Um dia, começaremos a espalhar o mais teatral movimento pacifista que o mundo já viu. Faremos inacreditáveis concessões. Os países capitalistas, estúpidos e decadentes….cairão na armadilha oferecida pela possibilidade de fazer novos amigos e mercados, e cooperarão na sua própria destruição” (1). Posteriormente, esta ofensiva pela “paz” contaria com a encomenda de Stalin a Picasso de um símbolo, que resultou na famosa pomba branca com ramo de oliveira. Foi também por inspiração de Stalin que Picasso forjou uma das maiores fraudes artísticas do século XX, ao trocar o nome de quadro já pronto, La Muerte del Toro, para Guernica, após a destruição desta cidade pela Luftwafe.

Dois anos depois é lançado o primeiro “Manifesto Humanista” apelando para uma síntese de todas as religiões e uma ordem econômica de “cooperação social” (2). Em 1939 H G Wells, um autor de ficção científica obcecado por idéias místicas orientalistas, lança New World Order onde defende que a maior doença da humanidade é o individualismo nacionalista e advoga uma nova ordem de “democracias socialistas”. A brochura é publicada pela Carnegie Endowment for Peace, braço da Carnegie Foundation. O mesmo Wells publicará Open Conspiracy, (3) onde traça a estratégia de uma conspiração mundial. Mais tarde publicará The Shape of Things to Come: A Prophetic Vision of the Future (4), onde, após avaliar o estado mundial de então, mostra um governo mundial já estabelecido que exerce o poder ditatorial.

Em 1948 a National Education Association, fundada e financiada pela Carnegie Corporation, lança o que seria a base para todas as discussões posteriores:

“Fica bem estabelecida a idéia de que a preservação da paz e da ordem internacionais requer o uso da força para compelir uma nação a conduzir seus procedimentos e interesses dentro de um quadro estabelecido por um sistema mundial. A expressão mais moderna desta doutrina de segurança coletiva é a Carta das Nações Unidas. (…) Muitos acreditam que uma paz duradoura jamais será conseguida enquanto o mundo continuar constituído do atual sistema de estados-nações. Este é um sistema de anarquia internacional”. (5)

No mesmo ano o psicólogo comportamental B F Skinner, propõe (6) uma “sociedade perfeita” na qual “as crianças serão educadas pelo Estado, não por seus pais, e serão treinadas desde o nascimento para demonstrar somente os comportamentos e características desejáveis”. Suas idéias passaram a ser implantadas nas escolas americanas. Já em 1931, outro obcecado por ocultismo oriental, Aldous Huxley, (7) lançara Brave New World onde tais idéias era levadas ao extremo, talvez até servindo de inspiração a Skinner. Jamais a engenharia social tinha sido levada a tais extremos (*). Na mesma linha a Associação para Supervisão e Desenvolvimento dos Currículos Escolares (ASCD), publica To Nurture Humaneness: Commitments for the 70’s“, onde se defende que “os controles sociais não podem ser deixados à própria sorte e a mudanças não planejadas – usualmente atribuídas a Deus! (8) “Muitas das decisões que hoje são tomadas pelos indivíduos, em breve serão tomadas por outros em seu nome”! (9).

O mais surpreendente é que em 1985 o Departamento de Estado dá à Carnegie Corporation “autoridade para negociar com a Academia de Ciências da União Soviética (conhecida como um ramo da KGB) no sentido de desenvolver novos currículos e re-estruturar a educação Americana!” (10).

Em 1999 é lançado o “Manifesto 2000” (11), terceira versão do Manifesto Humanista. Em seu item III são lançadas as bases para substituir todas as religiões por um certo “naturalismo científico” com o abandono de todas as idéias metafísicas ou teológicas, mas baseado exclusivamente nas ciências. No item VIII a, “Nova Agenda Global”, inclui “igualdade, estabilidade, alívio da pobreza, redução dos conflitos e salvaguardas para o meio ambiente”. O mais importante é o item IX (A Necessidade de Novas Instituições Planetárias). Uma das estratégias é utilizar “organizações e fundações voluntárias voltadas para a educação e o desenvolvimento social”. Obviamente, as ONG’s, apátridas no sentido mais extremo da palavra, totalmente desligadas dos governos nacionais para implementar o internacionalismo. Mas existem outras: reforma da Constituição da ONU, incluindo “um corpo legislativo bicameral, com um Parlamento Mundial eleito pelo povo, um imposto sobre transações financeiras para ajudar países subdesenvolvidos (seria a tal CPMF Mundial proposta pelo governo brasileiro?), o fim do direito de veto no Conselho de Segurança (objetivo defendido pelas ditaduras), uma Agência Ambiental, e um Tribunal Internacional (Tribunal Penal Internacional) com poderes de fazer valer suas sentenças”.

Nas “Promessas do Manifesto 2000” (12) aparece claramente qual o alvo principal dos mesmos: os Estados Unidos da América. O que nos dois primeiros era oculto, agora se desvela com clareza meridiana. Acusam-se os EEUU de isolacionistas, de estarem dominados por uma “ortodoxia religiosa”, defende-se uma Ética Planetária e novas instituições políticas para lidar com problemas globais. Mas não são os EEUU como um todo: são as administrações Republicanas, já que o Partido Democrata apoiou firmemente este Manifesto, através de uma das mais importantes figuras na New Age, Al Gore. Por isto a grita internacional e as acusações de fraude contra a eleição de Bush. Acusa o Congresso de então, majoritariamente Republicano, de obedecer a influências de uma “coalizão Cristã” (sic), de não retornar à UNESCO, de não reconhecer o Tribunal Penal Internacional, de diminuir a ajuda aos países subdesenvolvidos e de aderir às idéias liberais de livre comércio.

Outros objetivos, ainda não vislumbrados, foram genialmente acrescentados. Descobriu-se um meio de internacionalizar países, como Brasil e EEUU, que têm grandes extensões de território e tribos indígenas, através da criação de “nações indígenas”. Um novo conceito que vai muito além das tradicionais reservas, pois pretende-se um status internacional fora da soberania do País. Nos EEUU várias extensões de terra já são propriedade de ONG’s e tribos indígenas. No Brasil, os dois últimos governos e o atual atuam decisivamente neste sentido. Outro objetivo veio a ser importante pela rápida, extensa e profunda revolução nas comunicações com a Internet. Passou a ser necessário controla-la, o que não é tão fácil como a velha e simples censura dos meios de comunicação. Brasil, Índia e China já propuseram este controle. Cuba e China já a exercem de maneira cabal.

NOVOS DESENVOLVIMENTOS DA FARSA – OS FORUNS SOCIAIS MUNDIAIS

Como já disse acima, a melhor estratégia de dissimulação é estabelecer um projeto, chamá-lo de satânico ou hediondo, atribui-lo ao inimigo visado e, enquanto se combate o projeto como de autoria deste, criam-se as condições de implementa-lo. Autêntica true lie! Para quem pode ler em profundidade, as notícias dos Fóruns Sociais, mundiais ou locais, fica claro que seu objetivo é estabelecer a mais ampla globalização de que se tem notícia. No entanto, todas as manifestações e “teses” apresentadas são contra a globalização! Mas qual? Uma suposta globalização “neoliberal”, apenas um substituto para a falsa idéia de “imperialismo” inventada por Lênin, que seria comandada pelos Estados Unidos da América. Chega a ponto de pessoas de bom nível intelectual argumentarem que, se a globalização fosse idéia comunista existiria um “Manifesto do PC” em cada esquina, e não um McDonalds! Transforma-se a disseminação de empresas americanas pelo mundo como um bem urdido plano de conquista mundial e, evidentemente, como é de praxe e o atual Fórum de Mumbai não foge à regra, pretende-se o boicote a tais empresas!

Estes fóruns não passam de uma mistura psicótica de xamãs, pagés, pseudo-padres, dançarinos exóticos, para entorpecer um bando de adolescentes idiotas imbecilizados, talvez até com drogas das mais pesadas, e faze-los massa de manobra para uma “revolução mundial anti-neoliberal” e “entender como é boa a internacionalização, o “amor” e a “cooperação entre os povos”. Todos convenientemente vestindo jeans, comendo hambúrgueres e tomando Coca-Cola – ou usando só coca, sem cola! – enquanto os verdadeiros líderes traçam a estratégia para a globalização ditatorial. Nada mais são do que o novo passo na cronologia acima apresentada, de conquista de um governo mundial ditatorial, anti cristão, anti judaico (as duas únicas religiões que não entram no “multiculturalismo” planetário! Um exemplo claro de true lie é o uso que se faz da presença de monges tibetanos e indígenas de outros países. O Tibet, invadido pela China Comunista com o custo de centenas de milhares de vida, luta por sua autonomia e todos apóiam. Ora, se os tibetanos podem por que não os ianomâmis, ou txucarramães, os apaches, sioux, etc? Misturam-se alhos com bugalhos e só sobra os últimos pois a China não está nem aí; perdem, Brasil e EEUU!

Estes fóruns têm dado tão certo que já se organiza um novo, mais amplo, o Fórum Universal das Culturas, ou Fórum Barcelona 2004 (13) que, durante 141 dias reunirá pessoas de todas as partes do mundo com uma “oferta artístico-solidária-intelectual que vai de mesas redondas, debates, conferências e espetáculos”. “O Fórum é um novo acontecimento internacional para que pessoas de todas as procedências e culturas se encontrem, dialoguem e sugiram soluções para os principais problemas do nosso planeta” , segundo declarou ao Caderno Boa Viagem do Globo (08 de janeiro de 2004) Jaume Pagés, conselheiro-delegado. Já se podem antever os resultados pois haverá reflexões sobre variações climáticas, religião, movimentos migratórios, guerras e modelos econômicos, tendo como base os três eixos fundamentais: desenvolvimento sustentável, diversidade cultural e condições para a paz!

ONU: A GRANDE FARSA!

Desde 1948 nos acostumamos a ouvir que a ONU é o único organismo capaz de manter a paz entre as nações, a defesa dos direitos humanos e acabar com a pobreza e as injustiças no mundo. Por uma bela jogada de Stalin a sede ficou nos EEUU, em terreno doado por John D Rockfeller Jr. A intenção era dar a impressão ao mundo que os EEUU mandavam na ONU, uma excelente true lie. Foi fundada por um punhado de países, muitos dos quais não tinham a menor intenção de respeitar a carta que estavam assinando. Tal como Hitler, Stalin assinava qualquer coisa sem nenhum compromisso de honrar a assinatura. Como a maior parte dos países não respeitava o Pai dos Povos, foi preciso criar o sistema de veto até que a maré virasse e a onda avassaladora de nações descomprometidas assumisse a maioria. Chegou a hora.

Durante a guerra fria foi implementada, com a eficiência de sempre, a mentira de que a ONU acabara se desvirtuando e passara a ficar a serviço do “imperialismo” americano, enquanto, na surdina urdia-se a ampliação do número de países membros descomprometidos exatamente com os princípios de sua carta e da Declaração Universal dos Direitos do Homem, preparando-se o futuro Governo Mundial. Ainda existe uma maioria que pensa que o interesse neste governo é dos americanos, que ainda mandariam na ONU.

Vejamos. Entre os países membros, 102 não são democracias e não respeitam a liberdade e 47 são notórias ditaduras que violentam permanentemente os direitos humanos. Seis deles foram designados pelos EEUU como terroristas. Segundo levantamento de Fred Gedrich, da Freedom Alliance (14):- os 114 membros do Movimento dos Não Alinhados votaram contra os EEUU em 78% (Este grupo inclui todos os estados terroristas e ditatoriais e consideram heróis Castro, Kadhaffi e Assad) – os 22 membros da Liga Árabe votaram contra em 83% – os 56 membros da Conferência Islâmica, 79% – os 53 membros da União Africana, 80%.

Muitos dizem que os EEUU não ajudam os pobres e por isto estes votam contra. Vejamos. Dos 12 bilhões de dólares de ajuda externa direta a 142 países no ano fiscal de 2002, seis países levaram a parte do leão: Israel, Afeganistão, Colômbia, Egito, Jordânia e Paquistão. Israel votou a favor dos EEUU em 93%, os outros cinco, coletivamente, 79% contra.

Por outro lado, os EEUU são responsáveis por 25-27% do orçamento da ONU. Em 1999 (veja-se a “coincidência” com o Manifesto 2000!) o Senado americano aprovou legislação baixando para 20%.

Todas as agências da ONU, futuros Ministérios do Governo Mundial (OMS, UNESCO, OIT, FAO, etc.) estão ocupados por países hostis aos EEUU, sem falar no Secretário Geral, Kofi Annan, uma das maiores jogadas de marketing contra as democracias. Depois de um vigoroso Dag Hammarskjöeld, um birmanês tonto que nunca soube o que fazia lá, U Thant, e um nazista, Kurt Waldheim, agora um legítimo representante dos países “excluídos”, Ghana! (os outros foram Lie Trygve, Butros Butros-Ghali e Javier Pérez de Cuellar).

(Os termos nos quais a ONU avalia o desempenho dos países membros em termos econômico sociais deixam de ser avaliados aqui porque já o foram por Anselmo Heidrich em seu excelente artigo “IDH e Obscurantismo da ONU”).

Como bem o diz Heidrich: a ONU é uma instituição corrupta e moralmente falida porque serve de guarida e porta voz para algumas das mais sinistras forças mundiais. E pergunta: porque razão os EEUU deveriam permitir que esta organização hostil ditasse sua política externa? Pergunta que qualquer pessoa que pense com mais de dois neurônios faz. Mas a resposta óbvia está acima: é o embrião de um futuro governo mundial, com uma burocracia monstruosa e crescente a exaurir cada vez os povos e a impor ditatorialmente, uma suposta nova cultura, a da New Age, com o fim dos Estados Nações e das religiões e morais tradicionais. Estas serão substituídas por um panteísmo animista e ocultista, assunto para o próximo artigo: True Lies II: as Raízes no Ocultismo.

 

(*) Wells e Huxley geralmente são lidos como apenas autores de ficção futurista. Na verdade não eram, acreditavam piamente que estavam sendo proféticos. Junto com George Bernard Shaw, pertenciam a sociedades secretas ligadas à uma das maiores quadrilhas de escroques e vigaristas do século passado, “iniciados” nas idéias psicóticas de Yeliena Pietrovna Blavatsky, Annie Besant, Cel Henry Olcott, Georgy Ivanovitich Gurdijeff, Charles Webster Leadbeater e outros, os criadores da Sociedade Teosófica e da farsa chamada Krishnamurti (15). Isto será objeto de um próximo artigo desta série.

REFERÊNCIAS

(1) Aula de Dmitri Z. Manuilsky, tutor de Nikita S. Khrushchev. Ver em: http://www.mt.net/~watcher/nwonow.html e http://www.ukrweekly.com/Archive/1960/1796021.shtml

(2) http://www.jcn.com/manifestos.html

(3) http://www.mega.nu:8080/ampp/hgwells/hg_cont.htm

(4) CORGI Books, Transworld Publishers Ltd.

(5) Dennis Cuddy, The Grab for Power: A Chronology of the NEA, Plymouth Rock Foundation, Marlborough, NH

(6) Walden II http://www.ship.edu/~cgboeree/ e http://www.ship.edu/~cgboeree/skinner.html

(7) http://somaweb.org/ e http://somaweb.org/w/huxbio.html

(8) pp. 50-51

(9) pp. 79

(10) Charlotte T. Iserbyt, Soviets in the Classrooms: America’s Latest Educational Fad. Também em: http://www.newswithviews.com/iserbyt/iserbyt7.htm

(11) http://www.secularhumanism.org/manifesto/ 2000

(12) http://www.secularhumanism.org/manifesto/promise.htm

(13) http://www.barcelona2004.org/eng/

(14) UN General Assembly Voting Habits, em: http://www.freedomalliance.org/view_article.php?a_ide=312

(15) Ver: Peter Washington, Madame Blavatsky’s Baboon: A History of the Mystics, Mediums and Misfits Who Brought Spiritualism to America, Shocken Books, NY