Karl Marx


O custo cultural da regulação econômica

Vivemos em meio a uma revolução econômica. O fato de que ela tem nos engolido apenas gradualmente não a torna menos revolucionária. É uma revolução moral do mesmo jeito. Economia é uma questão moral. Não é uma questão sobre a qual os cristãos podem simplesmente concordar em discordar. É incrível a forma como muitos cristãos […]

Fernando Henrique Cardoso – O rei da pilantragem

Fernando Henrique Cardoso – o FHC – grudou como visgo de jaca na vida política brasileira. Não sei se vale a pena levantar o seu histórico de falsas espertezas, pois elas são por demais conhecidas e encontram-se fartamente registradas nos anais tupiniquins. Em todo caso, vamos lá.

Cretinices gramscianas (II)


Tomar o poder e exercê-lo na máxima medida das suas possibilidades é a essência e missão da intelectualidade revolucionária.

A teoria embutida no espaço entre o fato e a generalização que Gramsci dela extrai é a própria teoria gramsciana da hegemonia, segundo a qual a cultura reinante em qualquer época ou lugar é o instrumento pelo qual a classe dominante impõe sua ditadura mental a toda a população.

Interpor uma teoria entre os fatos e a conclusão, em vez de esperar que a própria acumulação de fatos sugira a conclusão, já é trapaça suficiente para desmoralizar qualquer teorizador. Mas a teoria da hegemonia ultrapassa os últimos limites da vigarice razoável e tenta nos fazer engolir como realidade universal e constante algo que é uma impossibilidade material pura e simples.

Ética econômica e criação da prosperidade: para além dos mitos da esquerda – II

O desenvolvimento é o resultado de atitudes e valores positivos. De um certo ethos. E de instituições políticas que estimulam a inovação e a descoberta.

A mentalidade marxista é uma das principais causas do atraso nacional em Cabo Verde e atormenta, com o seu ranço anticapitalista e a sua mitologia avessa à liberdade individual, consciências e almas serôdias, gerando, assim, mil absurdos em vez de luzes e esclarecimento.

É uma herança miserável do velho “partido único”. Desde 1975, somando-se, aliás, ao corporativismo antiparlamentar adveniente do Estado Novo salazarista, “legitimado” pelo plebiscito de 1933.

Direita e esquerda: a relevância de uma distinção – 4ª parte

 

“Um soberano jamais deve colocar em acção um exército motivado pela raiva; um líder jamais deve iniciar uma guerra motivado pela ira.” – Sun Tzu, filósofo e general chinês (544-496 a.C.)

 

Uma das maiores pragas que se abateu sobre a humanidade foi a criação da mentalidade revolucionária.

A mentalidade revolucionária, que é a essência de 90% da esquerda, é a encarnação do Juízo Final. A secularização da ideia de salvação.

É uma ideologia, lato sensu, fanática e assassina.

Segundo o filósofo Olavo de Carvalho, trata-se essencialmente de um fenómeno espiritual e psicológico, “se bem que seu campo de expressão mais visível e seu instrumento fundamental seja a acção política”.

Mas a mentalidade de “shopping center”, relativista, oportunista, covarde e consumista, e estruturalmente leviana, perdeu a noção do perigo.

Julga que a história parou e que depois da “queda” da URSS o mundo entrou, finalmente, numa era dourada de paz e democracia.

A tradição teutônica e as raízes ocultistas do nazismo – Parte 2

As fontes românticas e pré-românticas do nacional-socialismo: Sturm und Drang

 

A Beleza é uma manifestação de leis naturais secretas que de outro modo teriam permanecido escondidas de nós para sempre. (…) Mágica é acreditar em você mesmo, se você conseguir fazer isto poderá fazer qualquer coisa acontecer.
Johann Wolfgang von Goethe

O romantismo alemão caracteriza-se pela recusa do racionalismo imposto pelo Iluminismo e a elevação da subjetividade como bem maior. Já o movimento pré-romântico na música e literatura alemãs (1760-1780) se baseava na livre expressão da subjetividade, particularmente de extremos de emoção, como reação às amarras do racionalismo imposto pelo Aufklärung. Este período recebeu o nome da peça de Friedrich Maximilian Klinger primeiramente apresentada pela companhia teatral de Abel Seyler em Leipzig em 1º de abril de 1777: Sturm und Drang. Este movimento representava o irromper do indivíduo contra a sociedade e da intuição, dos sentimentos e da emoção contra a fria razão e, paralelamente, a nostalgia do estado feudal medieval. A Idade Média era vista por estes românticos precoces como um período mais simples e integrado e tentaram, em seu tempo, uma nova síntese de arte, filosofia e ciência medievais.

Criando uma celebridade – 4

Após esse começo triunfal, que retrata o seu autor muito mais claramente do que a mim, ele qualifica de “pérola” a seguinte afirmativa que encontrou num artigo meu (www.olavodecarvalho.org/semana/081009dc.html): “O Islam… é a cultura mais escravagista dos últimos dois milênios.”

Essa afirmativa bastou para que o sr. Moreira acreditasse, ou fingisse acreditar, que via em mim um inimigo jurado da civilização islâmica. Como já expliquei, ele nem mesmo tentou confirmar essa impressão mediante a consulta a outros textos meus, que a desmentem frontalmente. Deduzir de uma afirmação isolada um perfil ideológico inteiro, caracterizando-o como uma tomada de posição unilateral e até fanática, é um procedimento típico de quem está, ele próprio, infectado de veneno ideológico ao ponto de nem de longe conseguir vislumbrar que a vítima de seus ataques pode ser um intelecto equilibrado, capaz de perceber aspectos contraditórios no seio da realidade e admitir, como no caso, que uma civilização possa ser ao mesmo tempo portadora de valores universais e autora de crimes abomináveis. O ódio do sr. Moreira à civilização cristã é que é inteiramente coerente consigo mesmo, um bloco sólido onde não há espaço para atenuantes e concessões. É evidente que ele me imagina à imagem e semelhança dele próprio, apenas com signo invertido.

Criando uma celebridade – 3

 A “direita conservadora” é, na mais generosa das hipóteses, uma vaga convergência de insatisfações entre cidadãos isolados. Fazer dela uma corrente política ativa é um fingimento histérico mediante o qual a esquerda dominante camufla o controle hegemônico que exerce sobre toda a sociedade brasileira.

 

A falsificação histérica da situação de discurso consiste em que o sujeito fala e escreve não desde sua posição real na vida e na sociedade, mas desde um posto imaginário que ele se atribui ad hoc. Na mesma proporção, o objeto de seus ataques, quando se trata de uma investida polêmica, deve ser transferido desde seu contexto social verdadeiro a um lugar fictício onde pareça mais vulnerável.

O sr. Moreira é, na realidade, um recém-egresso de faculdade cuja única ocupação pública conhecida é sua participação na comunidade “Olavo de Carvalho nos Odeia”, um entre cinco mil detratores empenhados em praticar dia e noite o Estratagema 7 de Schopenhauer contra um alvo individual, dando-se ares de que o fazem por motivos morais nobres e elevados.

Antes das conclusões

O discurso do agente político baseia-se inevitavelmente em convenções ou pseudo-consensos que têm de ser isolados de toda possibilidade de exame analítico para que o discurso alcance suas finalidades.

Meu debate com o prof. Alexandre Duguin (http://debateolavodugin.blogspot.com/2011/04/index-english.html) está encerrado, só faltando as conclusões de parte a parte, as quais, sendo publicadas juntas, já escaparão ao jogo de réplicas e tréplicas que constitui propriamente o debate.

Tenho a consciência clara de que provei os meus pontos, enquanto meu adversário não provou absolutamente nada. Nem eu esperava que o fizesse. É da natureza do discurso ideológico tomar como premissas inquestionáveis as crenças e valores mesmos que busca defender, fechando-se portanto num raciocínio circular que exclui, in limine, a possibilidade da prova.

Lukács não compreendeu Goethe

Lukács não revelou apenas ignorância em seu posfácio, expôs também a limitação do método marxista para análise literária.

Ao concluir a leitura do livro Os Anos de Aprendizado de Wilhelm Meister, de Goethe, na excelente edição da Editora 34, deparei-me com um posfácio escrito por Georg Lukács em 1936. Eu havia lido outros textos do autor húngaro sobre a peça Fausto e rapidamente dei-me conta da pobreza de sua interpretação, um reducionismo marxista incompatível com a grandeza do alemão. Compreender a obra goethiana é sobretudo compreender sua metafísica, seus símbolos. Nada aparece lá fora de lugar.