liberalismo


Por que não sou liberal. Nem conservador. Nem porcaria nenhuma.

Pensemos numa tempestade que se aproxima.

Vivemos um momento novo, um contexto inédito. A esquerda já não reina soberana na cultura nacional. Pessoas identificadas com diversas correntes políticas colocam-se como opositoras do esquerdismo. Mas, afinal, quem somos nós? Sobram incompreensões várias – o que até é normal em uma conjuntura incipiente. Os debates públicos, em redes sociais e mesmo em grupos fechados parecem definir o seguinte: há, do lado direito, o conservadorismo moral e o liberalismo econômico; do lado esquerdo, há o libertarianismo moral e o socialismo econômico; no meio, há o liberalismo moral e econômico. Mas esse aparente arranjo é tão-somente isso, aparente. 

O liberalismo faz parte do movimento revolucionário?

A pergunta é intrigante e ao mesmo tempo necessária.

Será o liberalismo uma doutrina política revolucionária?

Do ponto de vista da história das ideias, é mesmo uma pergunta irrecusável, apesar da relutância crioula, típica, aliás, de um meio intelectualmente provinciano, em discutir assuntos desta natureza, tidos como distantes e “abstractos”. Ou seja, inúteis.

Uma política esclarecida, gizada no perímetro da Constituição democrática e na procura incessante do “bem comum”, não pode, todavia, fazer tábua rasa de um tema jusfilosófico tão essencial.

Família – Perdeu-se um tesouro?


Combater a instituição familiar é atentar contra a humanidade e a liberdade. A família é essência do espaço privado, grupo humano em relação ao qual o Estado só deve agir para proteger e onde não deve entrar sem expressa e muito bem justificada determinação judicial.

É provável que só com ler o título deste artigo alguém já me esteja admoestando mentalmente: “Olha que Estado é laico!”. Como se eu não soubesse! Tal advertência, tantas vezes lida e ouvida, tem por finalidade silenciar qualquer opinião que, objetiva ou subjetivamente, mantenha relação com alguma orientação religiosa cristã. Isso leva ao seguinte disparate: o ateu, o comunista, o materialista, o maria-vai-com-as-outras, o iletrado e o doutor, podem falar sobre quaisquer assunto, especialmente sobre moral e valores. Admitem-se, inclusive, com reverências e como referências, posições das mais diferentes culturas, da txucarramãe à budista. Calem-se, contudo, os que pretendam dizer algo que guarde relação com a tradição judaico-cristã, fundadora, com a filosofia grega e o direito romano, da civilização ocidental.

Diário do Olavo: a quebra da hegemonia esquerdista e a urgência em se livrar do PT

Durante trinta anos de vigência da hegemonia intelectual da esquerda, todos os direitistas, sem exceção, ficaram encolhidos de medo, inermes e atônitos, incapazes da menor reação efetiva, no máximo resmungando um pouco em circuito fechado. Aí veio um sujeito e, sozinho, deu cabo dessa hegemonia. Então os ratos começaram a sair das suas tocas e, num surto de coragem tardia, puseram-se a roer o cadáver da falecida com ares de quem enfrentasse um inimigo vivo, e a rosnar impropérios contra o matador da desgraçada, dizendo que ele não tinha feito nada de mais, que era apenas um astrólogo embusteiro, um gnóstico alucinado, talvez até um comunista enrustido. Essa é a biografia mental da direita brasileira nas últimas décadas. Não espanta que essa gente, mesmo secundada por noventa e dois por cento da população, não consiga derrubar um governo caquético e moribundo.

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Durante trinta anos esses bostinhas não conseguiram fazer NADA contra a hegemonia esquerdista. No máximo murmuravam pelos cantos e choramingavam no travesseiro. Depois que eu fui lá e matei o monstro, todo mundo virou herói. A velha ideologia direitista brasileira — udenista, tefepista, integralista, liberal, etc — era ABSOLUTAMENTE impotente para compreender a estratégia esquerdista posterior aos anos 60, quanto mais para combatê-la eficazmente. A maiior parte dos que AINDA falam em nome da direita nunca leu sequer uma página de Karl Marx, para não falar de Lênin, Stalin ou Mao. Pegam frases soltas nos meus artigos, transformam em chavões, repetem como papagaios e acham que estão fazendo alguma coisa.

Suicídios políticos


O dito “anarcocapitalismo” rejeita a divisão entre direita e esquerda porque é ele mesmo uma mescla de capitalismo com marxismo cultural, e como todo híbrido é instável, inviável, estéril e inclassificável.

Vinte e tantos anos depois da queda do Muro de Berlim (1989), e do colapso da União Soviética (1991), a esquerda segue viva, e até mesmo em posição de domínio, na América Latina, Estados Unidos e em grande parte do mundo.

E por quê? Simples: porque a direita cometeu suicídio político. Uma força política pode suicidar-se de várias formas, e a direita escolheu o “igualismo”, que em inglês chamam de me-tooism (me too = eu também). No mercado é quando se lança uma oferta igual ou muito similar a da concorrência. Um equívoco grosseiro: a arte comercial consiste em distinguir-se, não em igualar-se; porque se há originais, ninguém quer cópias.

Por que não falar a verdade?


Só quem torce o nariz à simplicidade e à honestidade da verdade de homens comuns e de Bolsonaros são esses intelectualóides e os jornalistas de esquerda, além dos estrategistas cagões de centro e de direita.

Mentira, engodo, desinformação, confusão etc. conformam as estratégias da esquerda há século e meio. Mundo afora, a reação de parte dos não-esquerdistas, logo depois do atordoamento por lidar com o descaramento do adversário, é tentar imitá-lo, colocando a estratégia política acima da verdade indiscutível.

Olhemos para o Brasil. O PT mente há 30 anos. No meio desse caminho, seus adversários desistiram de defender a realidade. Passaram a fazer de conta que não eram a favor de ações corretas (e.g., austeridade e eficiência nas contas públicas e flexibilização de leis trabalhistas) e começaram a levantar as mesmas bandeiras do adversário mais eloqüente. Quantas vezes vimos o PSDB pintando de azul bandeiras petistas? [
Sim, assumo aqui que haja a possibilidade de o PSDB não ser mera linha auxiliar a serviço do PT.]
 Quantos políticos que sabíamos ser contrários ao desarmamento e outros esquerdismos não “esquerdaram” no Plenário ou aos microfones midiáticos?

O Estado e a razão


Mesmo aqueles que desejariam ardentemente diminuir os poderes do Estado não vêem outra maneira de fazê-lo senão por meio do próprio Estado, e suas belas intenções acabam sendo trituradas pela máquina da racionalidade estatal.

Toda idéia que se condensa num chavão torna-se imediatamente estúpida, se é que já não o era desde o início e por isso mesmo se acomoda tão confortávelmente nesse formato. Há anos ouço falar de “enxugar o Estado”. À primeira vista parece a resposta lógica natural à constatação de que de que os problemas do Brasil provêm de a sociedade civil ser muito débil e o Estado muito forte – tão forte que consegue subjugar as organizações da sociedade civil. O PT jamais teria conseguido concentrar tanto poder sem a ajuda da OAB, da CNBB e de milhares de ONGs que, nascidas da iniciativa social espontânea, acabaram se transformando numa espécie de funcionalismo público informal. O sujeito vê isso acontecendo e exclama: “Enxugar o Estado!”

A crise da Grécia


A Grécia tornou-se a prova viva do fracasso econômico das esquerdas políticas, cujo programa é seguido em toda parte.

As manchetes de todos os jornais do mundo, nos últimos dias, estão debruçadas sobre o caso da crise econômica da Grécia. Os jornalistas fingem que não sabem o que vai acontecer: quebradeira generalizada, desemprego astronômico, queda brutal do PIB, paralisação dos investimentos, fuga de capitais. Isso era possível de ser evitado? Não. A Grécia vem de muitos anos de irresponsabilidade fiscal, tendo a relação dívida/PIB explodido desde 2008, estando hoje em quase o dobro do produto.

A quebra da Grécia afetará o mundo? De forma alguma. A Grécia é um país pequeno e os únicos que sofrerão com o default serão os próprios gregos. Será como foi no caso argentino. Os gregos serão excluídos dos mercados internacionais, não poderão ter suprimento regular de suas necessidades de importação, o sistema bancário será destruído e a formação de poupança também. E, claro, não receberá investimentos externos.

Educação domiciliar, “casamento” gay, liberais ateus e outras notas


“Mais escolas é igual a menos presídios”? No Brasil tem acontecido o fenômeno inverso: há pelo menos três décadas, o aumento da criminalidade está ocorrendo de forma concomitante com o aumento do acesso à educação formal.

A principal força contra a expansão do poder estatal é a religião, essencialmente as várias denominações cristãs.

Dias atrás um amigo brincou, dizendo: “do jeito que as coisas estão indo, o STF vai acabar considerando obrigatória a educação domiciliar!” Na hora, achei engraçado o otimismo dele, mas depois me lembrei que na verdade a educação domiciliar já é obrigatória. Quando a Constituição declara que a educação é um dever da família, está obrigando os pais a educarem seus filhos em casa. A educação domiciliar, portanto, não é um direito dos pais, mas um dever que deve ser cumprido por eles, sem possibilidade alguma de delegação.

O que está em discussão agora no STF é se um dos componentes da educação, a instrução, pode ser dada exclusivamente em casa ou se requer a frequência a uma escola. Nós estamos preparados para demonstrar não apenas que os pais têm autonomia para decidir sobre isso como também em regra têm condições adequadas para instruir os filhos em casa.

Se a direita não percebe a diferença entre Malafaia e Boechat, é melhor desistir


A escolha por “nenhum dos dois” é a escolha pelo seu próprio ego.

As decisões tomadas na guerra política, obviamente, impactam a vida de todos. Se esta é uma verdade inescapável, nossas escolhas deveriam ser responsáveis e, principalmente, avaliadas sob o aspecto moral. Boa parte da direita diz “(x) é igual a (y)”, com a mesma leviandade que criticam ou apoiam jogadores de futebol. Muitas vezes acabam optando por sua própria opressão, por puro desleixo ou egolatria.

Ontem fiz um post sobre a questão do embate entre Malafaia e Boechat, com dicas para o primeiro conseguir lançar bons mísseis teleguiados contra o segundo. Ao mesmo tempo, vi uma parte da direita se rebelar contra Malafaia com argumentos como “ele é religioso e defende algo de que discordo” ou até um campeão professando “ah, eu não vou com a cara do Malafaia mesmo”.