liberalismo


Por que governos de esquerda fazem políticas “neo”-liberais?

Na Venezuela, Maduro e os chavistas discutem se devem aplicá-las ou não e na Argentina, Cristina sempre teve suas dúvidas. Porém, são políticas que desde há anos os governos de Ortega na Nicarágua, Santos na Colômbia, Correa no Equador, Humala no Peru, Morales na Bolívia, Tabaré e “Pepe” no Uruguai, e igualmente Lula e Dilma no Brasil, por exemplo, as aplicam.

“Neo” liberais significa mais ou menos inspiradas no Consenso de Washington (CdeW) dos anos 90, uma lista de “recomendações de política”, que na ocasião os burocratas do FMI e do Banco Mundial viram como “viáveis e sustentáveis”, quer dizer: aceitáveis pelos principais atores.

São 10, e se resumem assim: 1. Disciplina fiscal e orçamento em equilíbrio, 2. priorizar o gasto público: em medicina básica, educação primária, infra-estrutura, 3. impostos: baixar taxas para subir a arrecadação, 4. tipos de juros: livres, 5. taxa de câmbio: “competitiva”, 6. substituir barreiras quantitativas às importações por taxas alfandegárias e depois reduzi-las pouco a pouco até 10% ou 20% na média, 7. alentar todo o investimento estrangeiro direto, 8. privatizar empresas estatais, 9. eliminar barreiras legais à entrada e saída nos mercados e 10. reforçar direitos de propriedade. Até aqui diz o CdeW.

Por que é importante um país ter uma economia aberta

Houve uma época em que o povo da Índia tinha de entrar em uma lista de espera para conseguir comprar o carro Ambassador, que era fabricado pela Hindustan Motors e que era uma mera e óbvia cópia do sedã britânico Morris Oxford de algumas décadas anteriores. 

O motivo para essa lista de espera era simples: o governo indiano não permitia a importação de carros estrangeiros, pois queria evitar a concorrência e, com isso, “proteger e estimular” a indústria nacional.

O fato de que o Ambassador era uma mera cópia não é nenhum motivo de condenação.  A primeira câmera Nikon era uma óbvia cópia de uma câmera alemã chamada Contax, e a primeira Canon era uma óbvia cópia da também alemã Leica. A diferença é que, ao longo dos anos, Nikons e Canons foram se aperfeiçoando até se tornarem o estado da arte, tanto durante a era do filme quanto na atual era digital.

Direita e esquerda: a relevância de uma distinção – 2ª parte

Society is a contract between the past, the present and those yet unborn.
Edmund Burke

Na fímbria espessa da demagogia, a propaganda estabeleceu, desde 1975, um conjunto de mitos que, ainda hoje, vicejando com o brilho pálido do “pensamento único”, dominam quase por inteiro, independentemente das fórmulas políticas de circunstância, o imaginário ilhéu.

Um desses mitos fabulosos diz-nos, por exemplo, que o nazismo de Hitler e o socialismo marxista eram inimigos mortais e irreconciliáveis, estando um para o outro como a Gália de Astérix e os soldados romanos de Júlio César.

O confisco de armas, o caminho à servidão e nós, os “teóricos da conspiração”

Em seu espetacular livro “O caminho para a servidão”, F. A. Hayek demonstra com exatidão a importância de se conhecer o passado para se ter a nítida ideia de futuro. Escreve ele:

… embora a história nunca se repita em condições idênticas, e exatamente porque o seu desenrolar nunca é inevitável, podemos de certo modo aprender do passado a evitar a repetição de um mesmo processo. Não é preciso ser profeta para dar-se conta de perigos iminentes. Uma combinação de vivência e interesse muitas vezes revelará a um homem certos aspectos dos acontecimentos que poucos terão visto”.

Mas alguns vêem, ainda que por isso sejam rotulados de paranóicos.

Direita e esquerda: a relevância de uma distinção – 1ª parte

Nestes dias de intenso cinismo político, turbo-alimentado por uma confusa “entrevista” (http://www.asemana.publ.cv/spip.php?article100562&ak=1) do sr. José Maria Neves, estafante e supinamente vazia, vale a pena retomar um tema mal esclarecido na esfera pública pátria.

A disputa esquerda vs. direita.

Proponho, todavia, aos amáveis leitores um exercício diferente, mais enriquecedor, num debate instruído que vá além dos slogans e estribilhos de circunstância. Não se vê outra alternativa.

Mas há, nisto tudo, um ponto estratégico que não pode ser ignorado: o ir e vir constante, e mesmo iluminante,entre a teoria e a prática.

Só assim se recupera a unidade primordial, o logos dos antigos. O ser das coisas. Como condição aliás da coerência e, porque não?, antídoto eficaz contra a mistificação; quefalsifica, que sacrifica, que destrói o laço eterno entre o discurso e a realidade. 

Crimes, segurança e justiça


A Política requer a prévia compreensão das coisas. É uma longa preparação.
A alternativa é um mar de charlatães, eles e elas todos catitas, vogando no altar da conversinha oca e da desinformação.


“Tanto os que convertem como os que são convertidos pela coação precisam da convicção fervorosa de que a fé que impõem ou que são forçados a adotar é a única verdadeira”.

Eric Hoffer

Há um fato iniludível que o PAICV (Partido Africano da Independência de Cabo Verde, de esquerda) e a sua máquina de propaganda tentam apagar a todo o custo: este é o governo responsável pelo aumento da criminalidade nos últimos anos.

Como justificar o socialismo

Quase não há resposta à pergunta sobre quais são os argumentos a favor do socialismo, porque a maior parte dos argumentos dos socialistas não é em favor do socialismo, mas contra o capitalismo. Mais do que falhas econômicas, atribuem ao capitalismo supostos defeitos morais. Só que, nos últimos cem anos, os socialistas tiveram de ir mudando seus argumentos contra o capitalismo à medida que seus argumentos iam caindo. Vejamos, um a um:

1. EXPLORAÇÃO: No século XIX, Marx e Engels acusaram as empresas capitalistas de explorar seus trabalhadores mediante a suposta “mais-valia” que lhes era “extraída” (como uma chupada de sangue do Drácula). Porém, acontece que na Europa e Estados Unidos, os empregados e operários da Standard Oil, Shell, Ford, General Motors, General Eletric, e muitas outras empresas, não se tornaram cada vez mais pobres, como antecipava a profecia de Marx, pelo contrário, saíram da pobreza, e muitos prosperaram, dentro de poucos anos. Esse argumento contra o capitalismo caiu.

Os extremistas europeus não estão exatamente na direita

Está na hora de chamarmos os estatistas autoritários da Frente Nacional e seus pares do
que eles realmente são.

Direita ou esquerda?

Essa semana, o parlamento europeu deu uma forte guinada à esquerda. Essa não é exatamente a história que se leu na mídia (sendo a maioria das manchetes sobre a Europa ter dado uma guinada à direita) mas essa é a conclusão óbvia ao se analisar os resultados das eleições de domingo desde o que a maior parte dos britânicos entende pela divisão entre direita e esquerda.

Partindo de qualquer questão política britânica, das escolas aos gastos públicos, a posição esquerdista costuma ser entendida como a defesa de uma maior intervenção estatal e de um gerenciamento da economia pelo estado. A posição da direita é vista como em defesa de um estado mínimo, do livre mercado e a redução da regulamentação nas atividades econômicas. Sendo assim, como um partido como o francês Frente Nacional (que defende protecionismo e estado de bem estar social e que se opõe a globalização) é chamado de “extrema-direita”?

A igualdade econômica é imoral e atenta contra o “bem comum”

Medidas coercivas que visam à redistribuição de riqueza farão apenas com que os espertos e os politicamente bem-relacionados enviem sua riqueza para o exterior ao passo que os desafortunados terão de arcar com o fardo do inevitável declínio econômico.

Gostaria muito de saber quem foi a primeira pessoa a proferir essa máxima. Ela certamente está entre as maiores verdades de todos os tempos, uma que é ao mesmo tempo simples e repleta de profundos significados.

A igualdade perante a lei — por exemplo, ser julgado inocente ou culpado baseando-se exclusivamente em você ter cometido o crime, e não em sua cor, gênero ou crença — é um ideal nobre ao qual nenhuma pessoa de bom senso se opõe. Por isso, não é o tema deste artigo. A “igualdade” a que a frase acima se refere está relacionada à renda econômica e à riqueza material.

Por que Hayek é um conservador

Pergunto-me se Hayek teria escrito o mesmo ensaio hoje, tendo em vista que muito do que o separava dos conservadores é diferente hoje, tendo o estado crescido enormemente e num poder que provavelmente sequer foi imaginado.

Em honra ao aniversário de F.A. Hayek, vamos considerar por um momento como ele se interpretou mal. No seu ensaio “Por que não sou um conservador” o economista e filósofo argumentou por um programa anti-estatista radical, em contraste com um conservadorismo que apenas desejava diminuir o ritmo do assim chamado progresso ou empreender uma defesa do status quo.

Porém, o início do conservadorismo americano enquanto movimento político normalmente nos leva ao New Deal, e, até o advento do neoconservadorismo, ele tinha como foco em repeli-lo. Hayek dá a impressão de estar consciente disso quando escreve: