Media Watch


Entrevista com Heitor De Paola

Uma entrevista com o colunista do MSM.

1- Lula é um semi-analfabeto, ignorante, presunçoso e que se gaba de ser iletrado. Na sua opinião, qual é o maior legado que Lula deixará ao Brasil, (um país de tolos), na hipótese de deixar o poder? (Luiz Inácio, símbolo do Brasil)

Heitor De Paola –> Apesar de semi-analfabeto e tudo o mais, Lula tem uma característica extraordinária: é de uma sagacidade ímpar e de uma capacidade de apreender o significado de coisas complexas e sintetizá-las, raramente encontradas num homem público. Só é comparável a Adolf Hitler, outro homem de pouca instrução. Esta característica permite a Lula uma comunicação instantânea com as massas. Não é à toa que se gaba de ser iletrado, de ter criado os bordões “nunca antes neste país”, “nunca, nos últimos 500 anos….” e de interpretar corretamente qual é o caminho da felicidade do PT, inchando a máquina estatal e cooptando o apoio dos grandes empresários e banqueiros: “vamos deixar de lado as ideologias; a China tem partido único e imprensa controlada e ninguém reclama porque estão ganhando muito dinheiro”, o que inclui uma ameaça óbvia: “seu eu fizer o mesmo aqui os empresários e banqueiros vão adorar!”. Não creio que Lula deixe o poder tão cedo, pode até trocar de endereço físico – se não for re-eleito – mas continuará mandando, seja através de um candidato petista ou de um tucano, dá no mesmo. Seu legado será de uma unanimidade burra a duradoura.

2- Na sua opinião, qual o paralelo existente entre o crime do aborto e a possibilidade de geração de melhores condições de vida ao ser humano, através da manipulação de células embrionárias?
(Quando começa a vida?)

Heitor De Paola –> Quando saiu a decisão do STF sobre as células-tronco embrionárias houve uma imensa comemoração: “vitória da ciência sobre o obscurantismo religioso!”. O que venceu foi o pior obscurantismo de todos, o dogmatismo pseudocientífico, baseado num falso entendimento de ciência. Qualquer pessoa familiarizada com os procedimentos científicos sabe que os cientistas não formulam verdades absolutas, mas conjecturas que permanecerão sempre abertas às refutações e que, portanto, é impossível enunciar julgamentos morais ou éticos com base nelas. Os cientistas abrem caminhos; não encerram diálogos! Cada vez que se faz isto, milhões morrem. É o que vai acontecer com os seres humanos em fase embrionária. Não foi lapso, é assim mesmo: embriões são seres humanos tanto quanto as crianças, os adultos, os idosos. O limite da ciência, neste particular, é dizer que os embriões já são humanos, pois possuem 46 cromossomos, exclusivo da espécie humana, e se sobreviverem não há a menor possibilidade de se tornarem jacarés ou rinocerontes ou árvores. Não cabe à ciência determinar quando os seres humanos adquirem o status de pessoa e se e quando devem ser eliminadas. Isto é da área da ética, da religião, da moral, da política. E enquanto nenhuma pesquisa séria aponta os tais benefícios, outras mostram a grande evolução havida com as células-tronco adultas. Por que então matar embriões? Obviamente, aberta a exceção estará livre o caminho para aprovação do aborto legal.

3- Recentemente veio à baila que a mulher de Olivério Medina, “embaixador” das FARCs no Brasil, trabalhava à custa do erário brasileiro. E com o aval do governo petista, esse é só mais um exemplo da intimidade do atual poder executivo com terroristas de ontem e de hoje, que dele fazem parte. Temos alguma chance ou já está “tudo dominado”?

Heitor De Paola –> Está tudo dominado e tenho sérias dúvidas se esta situação poderá ser revertida por via democrática, pois o povão está comprado pelas diversas “bolsas” e programas “sociais” e o empresariado e os banqueiros pelas fortunas que “nunca antes neste país” ganharam em tal enxurrada. Estão todos, como dizia Lenin, comprando a corda com que serão enforcados. Cada um recebe a anestesia correta e só uns poucos conseguem enxergar o conjunto das ameaças. E estes estão sendo calados: recentemente o Jornal do Brasil desconvidou todos os articulistas que escreviam discordando da linha oficial, com a exceção de Olavo de Carvalho (até quando?) e o Estadão acabou de fazer o mesmo com um dos seus articulistas. Na área política não existe oposição. O PSDB é governo, embora finja ser oposição, o DEM sei lá para quê existe, sobram quais? Muita gente exultou quando FHC estrilou e chamou Lula de nazista. Ora, não passou de briga de quadrilhas, Lula deve ter ultrapassado os limites da área da outra “famiglia”, como nos velhos tempos de Chicago. Como o Lula jamais perseguiu judeus e não consta que tenha alguma simpatia por idéias anti-semitas, a denúncia é absolutamente vazia! Se fosse para valer tê-lo-ia chamado do que ele é: comunista!

4- Nos corredores palacianos comenta-se que o grande facilitador da tramitação do Projeto de Lei que resultou na Lei de Mobilização Nacional foi José Dirceu. Você acha que o advento desse dispositivo legal (Lei 11631/07) capacita o governo do PT a articular qualquer “golpe de mão” na rés publica (coisa pública) e na rés privatae (coisa particular), sob falso pretexto de mobilizar a nação para o enfrentamento a um possível avanço colombiano em solo amazônico, sob orientação norte-americana? (Big Brother is Watching You)

Heitor De Paola –> Sim, mas não creio que venha a ser esta a razão da mobilização, se houver. Não é do interesse do atual governo tomar nenhuma atitude contra os EUA, ao menos enquanto não terminar o governo Bush, já que as relações correm em mar de almirante com a crença idiota da Casa Branca e do Departamento de Estado de que Lula serve para apaziguar Chávez et caterva – sem perceber que Lula é o chefe da caterva. Creio que o SINAMOB (Sistema Nacional de Mobilização) foi criado mais como uma estratégia preventiva de reações das Forças Armadas ou de setores civis contra o avanço cada vez maior nas nossas liberdades – e no nosso bolso. Note-se que a Lei prevê no artigo 3º, a tomada de ações estratégicas “desde uma situação de normalidade”, isto é, qualquer coisa pode ser interpretada como uma ameaça. É uma prévia do Estado Policial que se avizinha e já conta com algumas estruturas bem montadas, como a Recei ta Federal.

5- Desde 2003 ( Lendas e mistérios da Amazônia) você alerta para os problemas de fronteira da Amazônia e a política indigenista (na aparência caótica), e finaliza seu último artigo sobre o tema com uma série de questões: “Quando as fronteiras estão assim arrasadas e quando Governadores, Parlamentares e empresários brasileiros acorrem à Clarence House para de forma abjeta e degradante consultar o Príncipe Charles sobre o quê fazer com a Amazônia (ver notícia), cabe a pergunta: a soberania brasileira está reduzida a quê? Ou melhor, ainda somos um país soberano? Será que ainda cabe perguntar se é possível salvar nossas fronteiras, ou se deve ser substituída por: será que ainda há tempo de retomá-las, expulsando todas as ONG’s e fazendo cumprir o Artigo 142 da Constituição do Brasil?” Você poderia nos dar o caminho para as respostas a algumas dessas perguntas aqui postas por você? (Amazônia: doação anunciada)

Heitor De Paola –> A soberania brasileira está reduzida a nada, não somos um país soberano há muito e não há fronteiras a salvar e sim a retomar, à força se necessário. Mas isto dependerá da disposição das Forças Armadas em tomar as medidas cabíveis para fazer cumprir o artigo 142 (sua destinação para a defesa da Pátria, da garantia dos poderes constitucionais e da lei e da ordem). A soberania não está restrita às fronteiras físicas da Nação. De nada adianta mantê-las se a Nação não tiver o poder de, livremente e sem ingerências externas, tomar as decisões que julgar mais adequadas. E isto o Brasil já perdeu desde que se submeteu a todas as determinações oriundas da ONU e outros organismos internacionais e a qualquer ONG financiada por multibilionárias fundações internacionais que se arvore a ditar ordens. O governo brasileiro não é mais o defensor do poder nacional, mas apenas um sátrapa que executa as ordens do Foro de São Paulo, do Diálogo Interamericano, da Comissão Trilateral e até do Príncipe Charles que reina mais aqui do que na sua terra onde não pode nem escolher a própria mulher! A abdicação começou com Collor: na palhaçada de tampar o buraco da Serra do Cachimbo, com a assinatura do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares, culminando na realização da ECO 92 onde aceitamos todas as idiotices ambientalistas coordenadas pela Fundação Gorbachov para inviabilizar a economia Ocidental. Itamar tentou resistir, mas FHC enterrou de vez, na medida em que se comportou menos como Presidente do que como Governador da Capitania do Brasil em nome do Diálogo Interamericano. Os organismos eletivos viraram nada mais do que fantasmas que pairam em Brasília e apenas sua corrupção é real, nada fantasmagórica. Finalmente, alguma coisa eles têm que fazer!

6- Como você compreende a recente lei de repatriação de imigrantes ilegais aprovada pela União Européia, à luz dos objetivos de instalação do governo mundial onde a ONU é a fachada das mãos invisíveis do corpo de elite não eletivo formado pelo Council on Foreign Relations, A Trilateral Commission, Bildeberg Club entre outras organizações internacionais, o Komintern (Internacional Comunista) e o Islam (A “Comunidade Internacional”)? Como a Nova Ordem Mundial (socialista, da maneira que se apresenta) trataria a imigração (a legal e a ilegal, que são situações bem distintas)? Os distintos “blocos” que já se formam na configuração da nova ordem mundial construiriam “novos muros de Berlim”?

Heitor De Paola –> A formação destes blocos estanques é bem provável, como o futuro previsto por George Orwell: Oceania (Inglaterra e Américas), Eurásia (Europa, União Soviética com suas repúblicas federadas) e Lestásia (China, Japão, Sudeste Asiático) – a África seria um eterno campo de batalha. Mas tudo é especulação, o futuro só é previsível para os “iluminados” marxistas e não podemos incorrer no mesmo erro e nos igualarmos a eles, como Francis Fukuyama (O Fim da História). A Trilateral Comission, uma evolução do atlanticismo (América do Norte e Europa) para incluir o Japão, ignora o resto do mundo como áreas de conflito permanente. Até então o problemas das imigrações era o mercado de trabalho que poderia ser dividido nas áreas menos nobres desde que não criassem problemas na camada mais rica. No entanto, o rápido crescimento do Islã no final do século passado e o advento da moderna Jihad, não previstos por estes movimentos puramente ocidentais, criam uma zona cinzenta que dificulta a avaliação dos futuros previsíveis. Inclusive, e principalmente, a questão da imigração. Jamais houve uma onda migratória que ameace tanto os países hospedeiros como a invasão islâmica. As antigas ondas migratórias européias para as Américas contribuíram e muito para o desenvolvimento dos países receptores porque eram constituídas por migrantes – legais ou ilegais, não importa – com a mesma tradição cultural. O Islam tende e romper com as tradições e impor a shari’a, suprema lei corânica, para todos.

7- No seu artigo “A Fragmentação do Brasil”(Publicado no Jornal Inconfidência, Ano XIV, Nº. 127, Junho/2008), você alerta para o fato de que a “legitimação” em oposição à legalidade tem sido um dos principais fatores para a manutenção da proto-ditadura comunista que ora vivemos no país. No momento em que o poder legislativo já se encontra praticamente anulado como tal diante do abuso das medidas provisórias (e outros tantos “instrumentos”), no seu ponto de vista, que razões levam o poder Judiciário a se ajoelhar diante de tanta legislação infra-legal?

Heitor De Paola –> Um misto de ideologia, demagogia e intimidação. Alguns juízes são ideologicamente identificados com os “movimentos sociais”, são realmente comunistas, já formados dentro da ideologia do direito alternativo; outros votam demagogicamente, como bem o disse o próprio Presidente do STF a respeito da publicação da lista dos políticos submetidos a processos, uma medida obviamente inconstitucional e que viola as melhores tradições do direito – a de que só as pessoas com sentença transitada em julgado podem ser consideradas culpadas -; os demais se deixam intimidar pelas pressões de três origens: populares, ONG’s e do próprio Executivo. Isto ocorreu, por exemplo, no caso das células-tronco embrionárias: nenhum dos quatro que não votaram a favor teve a hombridade de se pronunciar claramente contra, mas levaram horas justificando votos ambíguos. Com o apr ofundamento do processo revolucionário os últimos tendem a desaparecer primeiro e depois os demagógicos, até que sobrem apenas os ideológicos. É como dizia Churchill: “um pacifista é um sujeito que alimenta o jacaré na esperança de ser comido por último”. A revolução não tem pressa e as aposentadorias nos órgãos de cúpula da Magistratura estão à vista. Alguns dirão: e a corrupção, não existe? Sim, como em qualquer grupo humano devem existir juízes corruptos, só que sempre existiram e estamos falando aqui de uma situação revolucionária.

8- Na série de artigos “O Suicídio da águia – (I-II-III-IV)” você diz que “A dissolução dos Parlamentos nacionais e até mesmo dos governos é uma questão de tempo, pois se tornarão completamente desnecessários.” (…) “Mas, para se obter sucesso pleno, a caminhada rumo a esse objetivo deve eliminar a soberania de um país em particular: os EUA.” Como (e em que proporção) a eventual vitória de Barack Hussein Obama concorre com esse suicídio?

Heitor De Paola –> Obama é uma incógnita, mas suas raízes comunistas e islâmicas certamente concorrem para aumentar as chances deste suicídio. No entanto, ainda é muito cedo para um julgamento. Note-se que as posições dos dois candidatos estão mudando a toda hora: Obama já não vai retirar as tropas do Iraque em 18 meses; McCain mudou de idéia quanto à liberação do aborto “em certos casos”. É melhor aguardar.

9- Como você compreende a contradição(?) do apoio dos financiadores judeus ao partido democrata norte-americano e em especial a Barack Hussein Obama, que demonstra uma predileção pela causa palestina e sinaliza para uma relação no mínimo amistosa com Ahmadinejad?

Heitor De Paola –> (Para responder contei com a ajuda de amigos judeus que conhecem a história da comunidade judaica americana). Por terem sofrido discriminação e preconceito dos gentios, os judeus europeus seculares e mais ou menos seculares se filiaram a partidos de esquerda e criaram o primeiro partido comunista-judeu (é contraditório mas é um fato), o Bund, essencialmente anti-sionista, defendia uma cultura judaica européia com o yiddish como a lingua-mãe e não o hebraico. Os judeus sefaraditas ou mizrahim nao existiam para eles. Os partidos de esquerda eram os únicos que combatiam a discriminação e preconceitos, prometendo igualdade social, econômica, etc. Com a chegada dos pogroms promovida pelos czares houve uma emigração desses judeus e sua utopia para os mais diversos paises, inclusive os EUA. Assim como o partido comunista nunca foi muito forte nos EUA, a maior identificação ocorreu com o partido Democrata e não com o Republicano que arregimentava os magnatas, conservadores e anti-semitas (não que não houvesse anti-semitismo no PD). E essa tradição da maioria dos judeus se filiarem ao PD perdura, independentemente do candidato. Obviamente hoje em dia não há lógica nisso, mas persiste uma forte desconfiança histórica quanto aos republicanos. Para alguns caiu a ficha, como para o senador Joe Liberman. O Obama é muito esperto: ele tem um discurso ambíguo. Apóia Israel incondicionalmente, mas não apoiaria a política do Likud. Na realidade hoje em dia muitos eleitores judeus que tradicionalmente votam nos democratas estão perplexos. Os financiadores judeus existem, mas são os de esquerda, e o principal deles, é o anti-sionista George Soros, que vive financiando causas Anti-Israel, e promove grupos que constantemente têm sido os mais ferrenhos e preconceituosos críticos das relações entre os Estados Unidos e Israel.

10- Como viabilizar a reversão da grande escalada das “mentiras convenientes” como a do terrorismo ecológico e desmascarar para o grande público a “conexão de Al Gore e seus cúmplices atuais, Nancy Pelosi na política, idiotinhas deslumbrados como Leonardo Di Caprio e o Príncipe Charles, com a antiga gang comunista de Gore Sr. e Hammer”?
(A Comunidade Internacional II – Final)

Heitor De Paola –> Não será fácil, nem sei se será possível. As campanhas de esclarecimento pela internet têm demonstrado uma força inesperada, como no caso do desarmamento. Jornais eletrônicos, sites e blogs como Mídia Sem Máscara, Farol da Democracia Representativa (onde, clicando em Temas e escolhendo Falácias sobre Aquecimento Global existem vários artigos sobre o tema), e o de vocês, atingem uma camada grande da população, mesmo quem não tem internet através da transmissão boca-a-boca. Articulistas que têm acesso à grande mídia (não cito nomes para não deixar ninguém de fora injustamente) têm feito seu papel. Ultimamente vem surgindo também uma imprensa “nanica” e jornais de bairro que apresentam uma visão bem mais clara da situação. Cito o Ilha Capital, de Florianópolis que conheci recentemente. É muito pouco porque há interesses poderosos por trás da mídia chapa branca que bloqueia até cartas de leitores. Nos EUA existe o potente instrumento de difusão das informações: o rádio. Apesar de todos os progressos o rádio é ainda um maior formador de opinião do que a TV. E aqui, pelo famigerado sistema de concessões, o que se pode fazer se a qualquer momento o governo pode cassá-las?

11- O gradualismo gramscista é bem exemplificado pela entrevista de Garcia (MAG) ao Le Monde onde afirma que “as eleições democráticas são uma farsa, unicamente um passo para a tomada do poder de uma nação”. Uma vez que “uma parte essencial do gradualismo gramscista é o controle cada vez maior das comunicações”, como você entende que se poderia concretizar um bem sucedido ataque anti-comunista contra tais amarras paralisantes “antes que seja impossível vencer as avalanches catastróficas da maldade comunista”? (A colheita I – O Eixo do Mal Latino-Americano)

Heitor De Paola –> A resposta é igual à anterior. É necessário ressaltar que a tomada do poder a que se refere o MAG não é mais, necessariamente, aquela revolução violenta em que os comunistas se apossam do poder e fuzilam todos os opositores. Basta ter o Governo nas mãos e permitir que as ONG’s e os organismos internacionais tomem o verdadeiro controle das decisões. E esta fase já está completada. Toda a imprensa depende de dinheiro público e/ou está em regime de concessão e é diariamente vigiada pelos órgãos policiais e de inteligência, exatamente o que acusavam a “ditadura” de fazer. Mas naqueles tempos havia alguma censura específica sobre determinados temas, hoje é muito mais abrangente. Com os atuais meios de comunicação não é mai s necessária a presença física dos censores. As grandes empresas privadas dependem de contratos do governo e/ou financiamento do BNDES. Pode-se contra-argumentar que a mídia tem denunciado o Foro de São Paulo e algumas revistas vêm criticando duramente o MST e até suas ligações com as FARC. Bem, o Foro já está instalado plenamente no poder central e pode ser falado. Quem deu a autorização foi o próprio Lula quando abriu o jogo. Nenhum dos articulistas e repórteres que antes negavam veementemente sua existência veio a público pedir desculpas por sua cumplicidade ou inépcia. Quanto ao MST também já precisa mais de propaganda do que sigilo e, por outro lado, o PT pode controlar melhor sua arrogância e radicalização, tomando aqui e ali medidas que parecem repressivas.

12- O Eixo do mal latino-americano conta com um considerável aparato de apoio a seus objetivos sub-reptícios como o Foro de São Paulo (criado por Fidel e Lula e que além de abrigar terroristas já elegeu Lugo no Paraguai, seu 12º presidente) e também “outras entidades interessadas que se aliaram a ele”, como “O Diálogo Interamericano” (do qual FHC é “membro nato”), o Pacto entre eles e que foi acertado em Princeton entre Lula e FHC em 1993, bem como as conexões extra-continentais. Você poderia expor um pouco mais sobre essas conexões extra- continentais? ( A colheita I, A colheita II – O Eixo do Mal Latino-Americano e A colheita final: URSAL em marcha)

Heitor De Paola –> A rede é vastíssima e nem sempre os interesses são idênticos. De maneira geral todas as entidades interessadas no aprofundamento do governo mundial estão representadas. Em meu livro cito, além da ONU e suas Agências – que a meu ver já são verdadeiros Ministérios Mundiais – as grandes fundações, Ford, Rockfeller, Carnegie Edowment for International Peace, Woodrow Wilson International Center for Scholars. Organizações como o COUNCIL ON FOREIGN RELATIONS, a TRILATERAL COMMISSION, ASSOCIATION OF WORLD FEDERALISTs, Bilderberg Group (BG), o Committee for Economic Development (CED). As religiosas, como National Council of Churches, World Council of Churches, United Religions Initiative (recomendo a leitura do livro False Dawn de Lee Penn para ver a enorme extensão desta última). Posso citar ainda aquelas ligadas ao Príncipe Charles e seu pai, dois ilustres desocupados: Prince’s Foundation for the Built Environment, Prince’s Regeneration Trust e a Cambridge University. Guerrilheiras “camponesas” como a Via Campesina, Friends of MST, National Farm Workers Service Center Inc. As ligadas à liberação das drogas, como Open Society Institute e Marijuana Policy Project.

13- Ainda em seu artigo A colheita final: URSAL em marcha, você diz que a “contra cúpula” dos povos expressou sua imensa satisfação com o trabalho de Chávez como sucessor de Fidel. Alardearam especificamente Chávez ter controlado e dominado facilmente a “classe política” venezuelana o que lhe credencia para controlar a classe política de toda a América Latina, iniciando um processo irreversível de integração latino-americana, do qual a integração comercial em acordos “neo-liberais” é apenas o início mais aceitável para a “comunidade internacional”. Não seriam essas futuras fronteiras artificiais advindas da instalação da URSAL um dado passível de ser explorado pelos anti-comunistas uma vez que parece ter sido sub-dimensionado por seus “idealizadores”?

Heitor De Paola –> Não creio. Já criaram a UNASUL, uma antecessora da URSAL como eu previra, e ninguém chiou, a não ser os mesmos de sempre. Já está em franco processo a união das Forças Armadas da América do Sul, já existe Banco, TV, tudo e quem fala algo sobre isto? A única esperança é que as Forças Armadas se recusem ao desarmamento, sucateamento e transformação em meras milícias regionais. E voltarem às suas funções primordiais de defesa do território nacional. A UNASUL segue os planos do Diálogo Interamericano de levar a estes resultados. Quanto à sucessão de Fidel, observe-se a reciprocidade entre Chávez e Raúl e o fato de que o primeiro se declarou, há alguns dias, “filho de Fidel”, entrando assim para a família. Ninguém, nem Fidel nem Raul, o desdisse.

14- Você concorda com a suposição de que a UNASUL é o incremento de legalidade à fundação da URSAL, mediante a continentalização do MERCOSUL, criação de um banco central sul-americano, criação de um conselho de defesa, moeda única, tudo aos moldes da União Européia? E que a permanência da Colômbia à margem do processo poderá ser um entrave providencial para esse passo inicial? (A colheita final: URSAL em marcha)

Heitor De Paola –> Não só a Colombia, mas também o Peru; e o Uruguai poderá, nas próximas eleições, eleger um Presidente liberal, se os tradicionais Partidos Blanco e Colorado se unirem. Também o Chile, com o crescente descontentamento popular, poderá ter um resultado não previsto. Aqui parece que vai ocorrer o oposto da Europa: lá, os países que submeteram a adesão ao referendo popular se deram mal, veja-se a Holanda e agora a Irlanda. Por isto a EU está implementando a união através de mecanismos não eleitorais. Aqui, a resistência só ocorrerá enquanto Alan Garcia e Uribe estiverem no poder (e se se confirmarem as possibilidades acima do Uruguai e do Chile). Se for a referendo a propaganda do Chávez é fortíssima, através das cartilhas bolivarianas distribuídas por empresas interessadas em contratos lá. Pode ser wishful thinking, mas acho que aqui no Brasil, indo a referendo, não passa, então provavelmente vão aproveitar os desvãos da “Constituição Cidadã” para aprovar no Congresso mesmo. Quando eu estava respondendo a esta entrevista deu-se a libertação de Ingrid Bettancourt e outros reféns das FARC mediante, ao que transpareceu nos primeiros momentos, uma espetacular ação do Exército colombiano. O fortalecimento de Uribe se incrementou. A reação de Chávez: calou-se! De Correa: pena que não tenha havido negociação de paz, mas um resgate. E a de Lula: mandou o Amorin, menino de recados do MAG, dizer que não tivera tempo para telefonar a Uribe! O golpe foi tão grande que eles vão ter que reunir extraordinariamente o Foro de SP para ver o que fazer; ou dizer! Entretanto é preciso observar bem os futuros desdobramentos. Ingrid é de esquerda e poderá se lançar contra Uribe, pois comunista não tem palavra de honra, só palavra de ordem!

15- As previsões feitas em 2002 por Constantine Menges (falecido em 2004) que alertava para a constituição de um “eixo do mal” latino-americano com a participação d a Venezuela , Cuba e Brasil, onde o Irã seria parceiro desse eixo, são um fato consumado que deve ser complementado pelo surgimento de um “eixo auxiliar de governantes de esquerda que assumem o papel de “moderados úteis”, para adormecer as sãs reações e pavimentar o terreno ao “eixo do mal” (e onde Lula desponta como um dos principais expoentes continentais). Você concorda que a partir dos acordos firmados entre Chávez e Ahmadinejad “a América Latina poderá se transformar, em curto ou médio prazo, em um novo campo de batalha político, financeiro e, quem sabe, militar, dos conflitos do Oriente Médio”, além dos conflitos que se desenham contra a Colômbia, por exemplo? ( Aliança Chávez-Ahmadinejad: “eixo do mal” e “eixo auxiliar”)

Heitor De Paola –> Não creio. Os conflitos do Oriente Médio têm raízes milenares, Bíblicas. Não se reduzem a meros esquemas economicistas, como o controle do petróleo, explicação preferida pelos esquerdopatas, nem territoriais, como preferem os defensores dos “palestinos”. É o tipo do caso para o qual a expressão popular “o buraco é mais em baixo” se aplica. Ou melhor, mais em cima: é a questão da Terra Santa para as três religiões monoteístas, tendo como centro Jerusalém. É um conflito interminável a meu ver, a não ser que os países islâmicos se desarmem, o que não correrá. Como bem o disse Binyamin Netanyahu, se os árabes se desarmarem acaba a guerra; se Israel se desarmar, acaba Israel. O eixo Venezuela-Irã é parte de uma luta global para destruir os EUA, mas nunca terão a radicalização religiosa que existe lá. O eixo latino-americano não tem conotações anti-semitas. Isto não implica que não exista preconceito e até algum grau de discriminação, mas nenhum dos governantes da área sustenta uma política consistentemente anti-semita por princípio.

16- “A sucessão de Fidel por Chávez, mesmo que numa Federação co-presidida por Raúl Castro, teria o objetivo de impedir qualquer ação americana após a morte do primeiro já que Cuba não seria um país acéfalo e sim, no gozo de sua plena soberania, além de que Chávez colocaria novo vigor na repressão interna em Cuba.” Como a ascensão da esquerda norte-americana, representada pelos democratas, modificaria essa configuração? (A colheita final: URSAL em marcha)

Heitor De Paola –> Em princípio reforçaria. Obama já se declarou disposto a “dialogar” com Raúl e, como todo Democrata, manda sinais de paz para os inimigos. Se Obama for da estirpe de Carter e Clinton, estamos fritos! Lembrem que tais sinais de conciliação por parte de Carter ensejaram dois desastres: a queda do Xá do Irã e do Somoza. Ambos foram substituídos por regimes antiamericanos infinitamente mais cruéis. Mas mantenho o que eu disse acima: Obama ainda é uma incógnita.

17- Você adverte para o fato de que apesar de muitos movimentos anti-nacionais estarem baseados nos EUA, não se pode dar vazão “às interpretações delirantes dos ultranacionalistas e das esquerdas – que não deliram, sabem muito bem da verdade mas não lhes convém difundir – de que os EUA estão preparados para invadir o Brasil, principalmente a Amazônia”. Uma vez que esta é uma “interpretação simplista e mesmo simplória que vê os EUA como um todo homogêneo”, e que “É impossível haver consenso de Washington se não existe consenso em Washington.”, como se deve tratar esse assunto para que a população em geral se livre da cultura anti-americana ? (A colheita II – O Eixo do Mal Latino-Americano)

Heitor De Paola –> Rezando! Só por milagre isto acontecerá. O Brasil é o país mais antiamericano do mundo, ganha até da França!, embora, como lá também, todo mundo adore viajar para Disneyworld, hambúrguer do McDonald’s, carrões, lojas com nome em Inglês e calças jeans.

18- Você cita Sun Tzu quanto ao desequilíbrio da balança entre quem defende e quem ataca. A postura do Exército adotada de 1979 para cá, que visa unicamente defender-se e buscar uma parceria com a esquerda revolucionária e vingativa, não seria uma demonstração cabal de que o EB (ativa) na verdade serve ao atual governo e é cúmplice da total tomada do poder pelo Foro de São Paulo, numa frontal traição ao estado brasileiro, o que fere inclusive suas atribuições constitucionais? ( As raízes históricas do Eixo do Mal Latino-Americano – Parte V)

Heitor De Paola –> O Exército está intimidado e na defensiva, a meu ver sem nenhum motivo já que continua sendo a instituição mais confiável para a população, segundo pesquisas do próprio governo. Por isto, sempre que Exército se manifesta e encontra eco na população, como no caso da Amazônia, surgem novamente os processos contra os Coronéis Ustra e Lício e são preparadas armadilhas como a dos sargentos gays (ao menos um deles era desertor) e do Morro da Providência. A gana que estes caras têm do Exército é incomensurável! Notem bem: isto não é, como comumente se diz, revanchismo. Não mesmo, é um plano muito bem urdido para liquidar com a única força que pode deter a revolução comunista, como já fez em 35, 64 e 68/73. Sem anular o Exército nada feito. No entanto, não é o Exército como um todo que “serve ao atual governo e é cúmplice da total tomada do poder pelo Foro de São Paulo, numa frontal traição ao estado brasileiro”. Por mais que se mantenha coeso nota-se certas fraturas cada vez mais acentuadas. Se eles se renderem de todo só nos restará duas saídas: Galeão e Guarulhos!

19- “(…) Bom Senso morreu depois de seus pais, Verdade e Confiança; de sua mulher, Discrição; de suas filhas, Responsabilidade e Razão. Sobreviveram a ele seus irmãos adotivos: Eu Conheço Meus Direitos, Eu Quero Já, O Outro é o Culpado e Eu Sou Uma Vítima.
Poucos compareceram ao seu enterro porque só uma minoria percebeu que ele havia morrido. Se você ainda se lembra dele, re-envie esta notícia. Caso contrário junte-se à maioria e nada faça.” Você considera que somente o re-envio da notícia da morte do Bom Senso consegue mudar a postura apática da maioria das pessoas? (Obituário do Sr. Bom Senso – © London Times -Tradução: Heitor De Paola)

Heitor De Paola –> Claro que não, aquilo faz parte do texto original do Times, não é de minha autoria. É preciso levar em conta que a revolução gramscista tem como um dos seus principais componentes a modificação do senso comum. (Traduzi commom sense por bom senso porque se aplica melhor à linguagem comum. Já quando se trata de uma linguagem técnica a tradução deve ser literal).

20- No dia 30 de Junho p.p., a É Realizações lançou o livro de sua autoria “O Eixo do Mal Latino-Americano e a Nova Ordem Mundial”, onde Alejandro Peña Esclusa o apresenta como “um acurado estudo sobre o neocomunismo, partindo do período do pós-guerra até o Foro de São Paulo, organização que já conta entre seus membros com doze presidentes latino-americanos.” E Olavo de Carvalho no prefácio menciona o fato de que você se viu “diante do caso clínico mais dramático e desesperador que já passou pelo divã de um discípulo (não muito fiel) do Dr. Freud: um continente neurotizado por um intenso tiroteio cruzado de ações camufladas e mentiras ostensivas que ultrapassa imensuravelmente a capacidade de compreensão da inteligência popular e a engolfa num abismo de esperanças ilusórias, terrores sem objeto e ódios sem sentido.”
(Prefácio de Olavo de Carvalho aqui). O que mais você poderia nos adiantar sobre o seu livro?

Heitor De Paola –> Na Introdução faço um resumo da minha história nas esquerdas brasileiras e as razões pelas quais revi minhas posições. Nos demais capítulos faço um levantamento histórico das raízes que levaram nosso Continente a ser comandado pelo Foro de São Paulo e o Eixo Havana-Caracas-Brasília.

21- Você concorda com Olavo de Carvalho, que no artigo “Quem nos governa, afinal?” afirma que “que não há nenhum exagero em dizer que a Nova Ordem globalista-socialista é um fato consumado, irreversível”? Por quê?

Heitor De Paola –> Certamente! Quem dá as cartas na economia mundial? O FMI e o Banco Mundial. Quem supervisiona a educação mundial? A UNESCO. Quem determina as leis trabalhistas? A OIT. Quem dá as diretrizes da saúde? A OMS. Quem faz e desfaz nas leis sobre a infância? A UNICEF. FAO na agricultura, AIEA determina quem pode ou não desenvolver o potencial nuclear. E por aí vai! São verdadeiros Ministérios mundiais, só falta mudar o nome, o que nunca vai acontecer para não despertar grandes resistências e rechaço. Os ministérios nacionais existem para implementar as ordens que vêm de fora; os legislativos, para sacramentar as leis impostas pela Nova Ordem. E quem comanda a ONU são as ONG’s globalistas e as grande fundações multibilionárias. É irreversível, a não ser que seja substituída por outra: a Ordem Islâmica. O Cristianismo acovardou-se ou está infiltrado e já não consegue resistir mais, nem aos ataques materialistas e pagãos da Nova Ordem Ocidental, nem aos da Ordem Islâmica. Estas duas vão se enfrentar para herdar o que restar dos escombros da civilização judaico-cristã, pois Israel sozinho não conseguirá resistir.

22- No mesmo artigo ( “Quem nos governa, afinal?”), Olavo de Carvalho desnuda o papel desempenhado pelas ONGs e afirma que “muito do poder de decisão do parlamento é transferido aos órgãos burocráticos, que, agindo já não como braços do eleitorado, mas como agentes a serviço de parcerias controladas pelo triunvirato de ONG’s, corporações e organismos internacionais, passa então a introduzir na sociedade mutações radicais que, no sistema de governo representativo, jamais seriam aprovadas nem pela população, nem pelo parlamento”. Na sua avaliação, é viável a hipótese de se impedir a existência dessas ONGs no país como um caminho para a reversão do processo de instalação da “Nova Ordem globalista-socialista”?

Heitor De Paola –> Muito difícil, talvez impossível. Falando do Brasil a única possibilidade é que as Forças Armadas compreendam a situação e tomem uma atitude como a de 64. Mas sem o amplo apoio civil como houve naquele ano elas não se mobilizarão.

23- De que maneira seria possível (pelo menos teoricamente) superar os fatos que promovem “a “descentralização” dos governos nacionais, simulando em escala local uma vitória do liberal-capitalismo sobre as tendências centralizadoras e socialistas” a qual foi “posta a serviço da construção do Leviatã supranacional que, inacessível e quase invisível, controla dezenas de Estados reduzidos à condição de entrepostos da administração global”? (“Quem nos governa, afinal?” de Olavo de Carvalho)

Heitor De Paola –> Quem nos governa já foi respondida na resposta 22. Teoricamente: se os EUA tomassem vergonha na cara, saíssem da ONU e parassem de financiar o seu maior inimigo e a expulsasse do East River. Chances de isso acontecer: uma em cem milhões! Se tanto! Pois os EUA também não são mais um País autônomo. No dia em que estou respondendo esta pergunta (4 de julho) os americanos estão comemorando o Independence Day. Para quem tem uma visão de conjunto como a que estou expondo aqui é deprimente que eles não percebam que a grande conquista de mais de 200 anos já não passa de uma ficção!

24- Ante o enfraquecimento das Forças Armadas, citado no Capítulo XII de seu livro “O Eixo do Mal Latino-Americano e a Nova Ordem Mundial” , qual sua opinião pessoal sobre o emprego do Exército em uma obra de cunho eleitoreiro (cimento social), vindo a confrontar de maneira criminosa os efetivos daquela força com os efetivos do tráfico carioca?

Heitor De Paola –> A mesma opinião técnica do Comando Militar do Leste que foi contra tal emprego.

25- Qual sua opinião sobre a participação das Forças Armadas brasileiras num país como o Haiti, incrustado numa área estratégica como o Golfo do México e culturalmente desvinculado de nosso país e de nosso povo?

Heitor De Paola –> Um absurdo! Não pelo problema cultural, que não tem importância, mas porque aceitar fazer parte das tropas da ONU, usar aquele famigerado capacete azul ao invés do nosso verde oliva, é sinal de rendição da soberania nacional. Tropas brasileiras em país estrangeiro só em caso de guerra declarada soberanamente pelo Brasil!

26- Ainda no Capítulo XII do mesmo livro, você se refere à oposição brasileira como “grupo de poltrões que esganiçam como velhotas de aldeia, mas nada fazem se ganharem carguinhos mesmo chinfrins e algumas regalias…”. No prolongamento da idéia, o PSDB é citado por ser “interessado direto, nada diga…”. Essa sua afirmação seria a mesma coisa que dizer da irmandade ideológica entre o PSDB e o P T?

Heitor De Paola –> Claro, é um casal muito feliz que briga de vez em quando por coisas menores e que jamais se separarão. E quem afirmou isto foi o FHC.

27- Em relação à análise constante no Capítulo XIII do seu livro “O Eixo do Mal Latino-Americano e a Nova Ordem Mundial”, sobre a consolidação da URSAL, ao analisar-se que a UNASUL já foi institucionalizada, que abertamente já se planeja o conselho de defesa sul-americano, que há uma tendência de distensão do MERCOSUL, que a TELESUR já é uma realidade, que a moeda única já está engatinhando em acordos alfandegários entre Brasil e Argentina, qual será o mote de criação da URSAL, que necessariamente deverá aglutinar a América Central e o Caribe?

Heitor De Paola –> A necessidade de integração de toda a América Latina para enfrentar o “império” e liquidar o “injusto” sistema capitalista.

28- Você gostaria de acrescentar alguma coisa que considere importante e que não foi aqui perguntado, já que temos consciência de que o assunto não se esgota e também de que muitas outras entrevistas seriam necessárias?

Heitor De Paola –> Nada. Para uma entrevista geral está muito bem montada. Outros assuntos específicos poderão ser abordados em outras oportunidades, como o ambientalismo, a invasão gramscista nas ciências e na psicanálise, etc.

Notas:

Publicado pelo blog Direto do Abismo

Ignorância atrevida

A mídia tem sido crucial para toda a candidatura de Barack Obama, o que não é novidade, já que as únicas realizações de significância nacional em toda a sua carreira foram retóricas e midiáticas, provando que você não precisa saber dos fatos quando é um ignorante atrevido e tem a mídia a seu lado.

Ao se tornar o candidato democrata à presidência dos EUA, para a alegria da mídia doméstica e internacional, o senador Barack Obama escreveu uma carta ao Ministro da Defesa como se ele já fosse presidente e estivesse se dirigindo a um de seus subordinados.

A carta termina assim: “Aguardo uma resposta imediata”.

Com as guerras do Iraque e Afeganistão ainda em andamento, um ministro da Defesa deve ter outras coisas com que se preocupar antes de elaborar uma “resposta imediata” a um candidato político.

Por causa das estatísticas, amplamente divulgadas, de que a taxa de suicídio entre os soldados americanos se elevou, o senador Obama diz querer saber do ministro, imediatamente:

“Quais mudanças o senhor fará para providenciar aos soldados no campo de batalha o apropriado tratamento médico?”.

“Qual tipo de treinamento o Pentágono tem dado aos profissionais de saúde que trabalham nas zonas de guerra para que eles reconheçam quem está a ponto de cometer suicídio?”.

“Que tipo de assistência o senhor providenciou para as famílias que estão aqui em casa para que elas possam reconhecer os fatores de risco de suicídio e, desta forma, ajudar os profissionais a prestarem assistência aos soldados necessitados?”

“Quais são os programas que o Pentágono tem implementado para reduzir o estigma que carrega alguém com problemas de saúde mental, de forma a que um maior número de militares procure a ajuda apropriada?”.

Tudo isso parece muito plausível, como muitas outras coisas ditas pelo senador Obama. Mas, como muitas das outras coisas, isso não se sustenta sob o devido escrutínio.

O que tem sido amplamente divulgado pela mídia é que o número de suicídios entre soldados americanos aumentou. O que não tem sido amplamente divulgado é que essa taxa maior de suicídios não é ainda tão alta quanto a taxa de suicídios entre grupos demograficamente comparáveis de civis.

Ninguém precisa ser lembrado de que suicídio é uma questão séria, quer entre soldados, quer entre civis. Mas a mídia tem agido de forma a criar a impressão de que é o serviço militar no exterior a causa dos suicídios entre os soldados americanos, quando se sabe que civis de mesma idade e mesmas características demográficas estão cometendo, em casa, suicídio a taxas ainda mais elevadas.

Ademais, esta não é a primeira vez em que o serviço militar é descrito na mídia como a causa de problemas que são piores na população civil no país.

O New York Times foi o primeiro a tratar na primeira página do jornal a questão dos homicídios cometidos por militares que voltam da guerra, colocando a culpa disso no “trauma de combate e no estresse da permanência na zona de guerra”. Por outro lado, o New York Post mostrou que a taxa de homicídio entre os veteranos de guerra é uma fração da taxa de homicídios entre os civis demograficamente comparáveis.

Em outras palavras, se os veteranos militares não são completamente imunes aos problemas encontrados na população civil no país, então os problemas dos veteranos são culpa do serviço militar – pelo menos para a mídia mais influente.

Saberá o senador Obama a relação entre os suicídios ou homicídios entre os veteranos militares e entre a população civil? Terão os fatos alguma importância para ele, comparados a uma oportunidade de ganhar alguns pontos políticos?

Talvez ainda mais importante: estará a mídia minimamente preocupada se o senador Obama sabe do que ele está falando? Ou esse simbolismo do “primeiro presidente negro” é tão importante, mesmo se isso significar um presidente com uma ignorância atrevida em tempos de perigo para a nação?

A mídia tem sido crucial para toda a candidatura de Barack Obama. Suas únicas realizações de significância nacional em toda a sua carreira têm sido retóricas e midiáticas.

Talvez a maior delas tenha sido ser candidato com uma imagem totalmente incompatível com o que ele realmente tem feito por décadas. Esse homem, que vai agora supostamente nos “unir”, tem trabalhado lado a lado e contribuído com seu dinheiro e com o dinheiro dos contribuintes com gente que procura nos dividir da forma mais demagogicamente grosseira.

Com toda a sua expressa preocupação com a guerra do Iraque, ele não pôs os pés lá por mais de dois anos – incluindo exatamente os anos em que progressos têm sido feitos contra os terroristas.

Você não precisa saber dos fatos quando é um ignorante atrevido e tem a mídia a seu lado.

 

Notas:

Publicado por Townhall.com

Tradução de Antônio Emílio Angueth de Araújo

Cuidem-se japoneses!

A Educação gaúcha está nas mãos de gente que tem medo de avaliações de desempenho e da meritocracia, porque foram forjados na demagógica campanha socialista que diz falar em nome do povo.

O lamentável texto da militante Simone Goldschmidt, presidente do CPERS – Sindicato (Zero Hora, 15/06/2008), torna óbvia a obra de destruição da Educação em nosso país e, em particular, em nosso estado. De um português deplorável, confuso nas idéias e nos temas, a uma exposição intelectual miseravelmente pobre, aliás, ela mesma no mesmo nível em que se encontra a Educação brasileira, a militante esquerdista nos envenena mais uma vez em Zero Hora na defesa do indefensável – condenar o mérito humano e o sistema que o reconhece.

A princípio me desagradou essa nova oportunidade dada a alguém de méritos intelectuais tão escassos, eles mesmos muito vulneráveis às “avaliações de desempenho”. Mas Zero Hora acertadamente deu o texto da militante ao debate público, como se vê na página eletrônica do Mural. Pois ali está a posição do povo gaúcho, que, em sua maioria, lamenta tanto a condenação da meritocracia quanto a avaliação de desempenho. Os leitores contradizem fortemente o que o texto afirmou: “tanto a meritocracia quanto a avaliação de desempenho encontram resistências na sociedade”. Isso é mentira. O que a militante chama de sociedade é seu próprio grupo de interesse, cevado nas idéias comunistas de Paulo Freire, e os seqüelados produzidos na esteira da vitória do socialismo, verdadeiras vítimas de um cruel cacoete ideológico de que a muito custo nos livraremos um dia. Ao contrário do que a militante escreveu, a população crescentemente está se dando conta do colapso da Educação brasileira e gaúcha; uma Educação que rodou em todos os concursos, em todas as provas.

Vale lembrar aqui que foi no RS que nasceu o trabalho de desmanche da Educação brasileira. Aqui primeiro se firmou a pedagogia socialista de Paulo Freire, ligada a partidos de esquerda. Em duas décadas a Educação estava destruída e, com ela, toda uma tradição de boa cultura do povo gaúcho. O resultado disso também se lê no espectro moral e político atual.

O único momento em que a militante Simone (me recuso chamá-la de professora, vejam o site do CPERS e como eles mesmos se tratam) disse alguma verdade e escapou do perigo de sua própria liqüidificação mental foi quando afirmou: “o resultado (do aprendizado) é sempre fruto de um esforço que reúne o trabalho de direção da escola, do corpo docente, da equipe de funcionários e o projeto político” . Exatamente isso! E o resultado dessa coletivização forçada todo mundo conhece: fracasso total; alunos indisciplinados que mal sabem ler e quase nada sabem escrever; últimos lugares nas terríveis avaliações internacionais e nacionais de desempenho! Sabe-se do porquê de tanto medo das avaliações de desempenho agora!

No mais, o texto, comprometido pela pedagogia socialista que excluiu a inteligência, o mérito, que não separa o mau aluno do bom, e ainda confere notas iguais a desiguais por mérito e esforço, descamba para os lugares comuns dos velhos discursos vermelhos: “neoliberalismo” (uma ficção inventada pela esquerda moderna!); “desigualdades sociais”; “privilégios”; “trabalho coletivo”, etc., etc., etc. Tudo isso não passa de slogans revolucionários criados em mentes imaturas intelectualmente em permanente guerra contra a lucidez e a honestidade intelectual. Mentes revolucionárias que só não têm medo da própria burrice e que ainda se orgulham dela. A própria militante escreve por impulsos emocionais, ativados pela energia revolucionária que a impele a conceitos pré-fabricados na escola do pobrismo, em que Lula é mestre. A militante pula de um assunto para outro, confundindo instâncias administrativas escolares com o “projeto” pedagógico infeliz que arruinou a Educação brasileira. Como sempre, busca confundir o leitor com as mazelas da administração pública. Seus poucos defensores por aí se enfileiram, como se viu no Mural.

Esse é o CPERS; essa é a sua presidente. A Educação gaúcha está nas mãos dessa gente. Gente que tem medo de avaliações de desempenho e da meritocracia, porque foram forjados na demagógica campanha socialista que diz falar em nome do povo, para o povo, e cujo principal objetivo é a completa estupidificação do povo brasileiro. Gente que não passaria em um concurso público há 10 anos!

E ainda a pseudo-professora, militante da revolução socialista, tem a pretensão de querer amedrontar os japoneses ameaçando-os com um “guru” companheiro. Logo os japoneses, um dos povos mais cultos do mundo, exatamente por conta da meritocracia e da avaliação constante e permanente de desempenhos de seus alunos e mestres!

Cuidem-se, japoneses!

Notas:

No link abaixo o texto original na íntegra.

http://www.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a1972219.xml&template=3898

O queridinho da elite global

Barack Obama é o primeiro candidato presidencial que se apresenta com uma biografia nebulosa, contraditória e, a rigor, incompreensível,  capaz de se amoldar às projeções mais desencontradas que a imaginação do eleitor possa lançar sobre ele.

Nada mais significativo do retardamento mental brasileiro do que a insistência mecânica, repetitiva, psicastênica, no mote: Estarão os EUA maduros para aceitar um presidente negro? A chantagem psicológica embutida nessa pergunta é tão óbvia, tão grosseira, tão primária (“ou você vota em Obama ou confessa que é racista”), que por aqui até mesmo os mais devotos porta-vozes do candidato democrata procuram evitá-la, deixando-a para jornaizinhos de estudantes e grupos de esquerda sem a mínima expressão eleitoral.

Tomando como modelo o discurso desses jornaizinhos, a “grande mídia” nacional revela todo o seu provincianismo, a sua radical incapacidade de superar os slogans anti-americanos mais bobocas dos anos 50. Afinal, por que os americanos deveriam, só para provar “maturidade”, eleger presidente o representante de uma comunidade étnica que mal chega a doze por cento da sua população?

No Brasil, os negros e afrodescendentes são quase metade do contingente demográfico, e nunca um deles foi comandante das Forças Armadas, nem ministro das Relações Exteriores. Nem mesmo candidato à presidência. Em Cuba jamais houve sequer um ministro negro, mas o estoque de negros nas prisões é um dos mais altos do mundo.

O que singulariza o sr. Barack Obama e explica a onda de badalação em torno dele não é a cor da sua pele, nem a soma de seus duvidosos talentos. Alan Keyes – meu candidato, se eu votasse nas eleições americanas — é duas vezes mais preto que ele, mil vezes mais culto e dez mil vezes mais honesto, e nem por isso deixou de ser boicotado ao ponto de ter de sair do Partido Republicano e lançar-se como candidato independente. Embora tenha considerável apoio entre os conservadores, foi excluído de todos os debates e jamais aparece na “grande mídia”.

As diferenças específicas do sr. Barack Obama são as seguintes:

1 . Desde William Z. Foster e Earl Browder, que na década de 40 concorreram pelo Partido Comunista e tiveram votações irrisórias, Obama é o esquerdista mais radical que já se apresentou a uma eleição presidencial americana.

2 . Ele apóia todas as medidas globalistas voltadas à destruição da soberania americana. Os círculos globalistas devolvem a gentileza, financiando-o generosamente.

3 . Ele é o primeiro candidato presidencial que se apresenta com uma biografia nebulosa, contraditória e, a rigor, incompreensível, sendo menos uma pessoa historicamente identificável do que um amálgama de lendas e subterfúgios capaz de se amoldar às projeções mais desencontradas que a imaginação do eleitor possa lançar sobre ele. É, em toda a extensão do termo, uma figura construída, um fantoche.

4 . Ele é o primeiro candidato presidencial americano que jamais teve um emprego produtivo. Só trabalhou como ativista. É um comedor de subsídios por natureza, e não espanta que seu programa de governo consista essencialmente de quatro coisas: aumentar impostos, elevar as despesas estatais até às alturas da catástrofe pura e simples, estrangular a indústria americana por meio de mais leis restritivas e bloquear sob lindos pretextos ecológicos a exploração de petróleo, tornando os EUA ainda mais dependentes da OPEC.

5 . O círculo de proteção erigido em torno dele pela grande mídia é tão sólido que mesmo sucessivamente desmascarado pelas mentiras tolas que profere e pela revelação de suas ligações com toda sorte de terroristas e vigaristas, ele continua sendo tratado como alma pura e santa. Tal como Lula, ele foi adotado pela elite globalista e investido do dom da impecância eterna, imune à sujeira da sua vida real, que todo mundo conhece mas que é proibido levar em conta.

O manto de proteção estendido sobre ele chega mesmo ao Brasil, onde até um colunista supostamente conservador como Ali Kamel canta louvores ao candidato com base tão-somente nas suas intenções declaradas, abstraindo, como se fossem zeros à esquerda, toda a sua atividade anterior e os inumeráveis trechos francamente racistas dos seus dois livros.

6 . Somado a essas qualidades, o fato de ser negro é somente um detalhe útil, que não precisa nem deve ser explorado muito abertamente. A chantagem é tanto mais eficiente quanto mais sutil.

Notas:

Publicado pelo
Diário do Comércio em 13/06/2008

Cinema novo, Glauber Rocha e merda

Atacando pessoas, coisas e instituições, o guru baiano Glauber Rocha, com ou sem razão, se esmerava num palavreado tão sujo que a expressão “merda”, por ele frequentemente usada, podia ser entendida como uma jóia de delicadeza verbal.

Um integrante da turma do Casseta e Planeta, Marcelo Madureira – um sujeito talentoso, por sinal – afirmou em debate público travado no Cine Odeon, no Rio de Janeiro, que “Glauber Rocha é uma merda”. Bem entendido, não propriamente o temerário cineasta baiano, mas os seus filmes tidos pelo entourage cinemanovista como intocáveis. Depois, em carta enviada ao Segundo Caderno de “O Globo” (11/04/08), Madureira explicou-se melhor: considera as fitas de Rocha “mal filmadas, mal dirigidas, onde tudo parece ser feito meio nas coxas e com umas alegorias, por vezes, primárias”. No arremate, foi veemente: “Sempre achei todos muitos chatos; enfim, para ser bem impressionista, uma merda mesmo”.

Um dos señoritos da corporação estatizante, o velhíssimo Cacá Diegues, justamente o mais badalado, se insurgiu contra a declaração, considerando-a “um desrespeito”. Para o ele, tachar de merda os filmes do finado cineasta “é uma agressão desnecessária”. Ora, se existiu um sujeito desrespeitoso e agressor na história do cinema, a merecer reprimenda permanente, este é justamente Glauber Rocha, conhecido pelo destempero verbal. Basta conferir nos anais do movimento inconcluso: atacando pessoas, coisas e instituições, o guru baiano, com ou sem razão, se esmerava num palavreado tão sujo que a expressão “merda”, por ele frequentemente usada, podia ser entendida como uma jóia de delicadeza verbal.

Para se ter idéia de como funcionava a coisa, à época, basta mencionar o seguinte: certa vez, no Bar da Líder (ponto da patota do Cinema Novo, em Botafogo, Rio) um roteirista cinematográfico da velha-guarda, Ítalo Jacques, depois de fitar o genioso diretor nos olhos, cumprimentou-o assim: – “Como vai, Boca Podre?”

Glauber Rocha, no auge da sua intempestividade político-ideológica, se acreditava o “Che” Guevara do cinema. Sem conhecer Marx, ou conhecendo apenas por meio de comentadores, passou a enxergar o mundo sob a estreita ótica do materialismo dialético, a mixórdia marxista chupada da dialética hegeliana, cuja síntese histórica (ultrapassagem), no entrechoque da tese (imediação) com a antítese (mediação), permanece até hoje sem comprovação. Seus mentores intelectuais, pela ordem, eram: um advogado sindicalista baiano crente na história movida pela eterna luta de classes (Walter Silveira); um professor trotskista da USP siderado pelos filmes de propaganda soviéticos (P. E. Salles Gomes) e um panfletário crítico de cinema da linha djanoviana-stalinista, cujo objetivo era “destruir Hollywood” (Alex Viany).

Em pleno efervescer da revolução cubana, logo transformada numa ditadura comunista impenitente, o desbocado Rocha, impulsionado pela distinção européia de “Barravento”, um filme “naif”, partiu para a razzia do cineasta radical. Estabelecendo-se na praça como “enfant terrible”, armou-se cedo do conveniente arcabouço conceitual do “cinema de autor”, celebrado nas páginas do “Cahiers du Cinéma” pelo oportunismo maroto da “nouvelle vague” francesa. A partir daí, instalado no beco sem saída da vanguardismo desenfreado, elevou aos cornos da Lua a crença de que não existia “arte revolucionária sem forma revolucionária”. Para completar, mordendo a isca do cinema “épico-didático” reclamado por Stalin ao mitificado Eisenstein, e ainda impregnado pelos “damnés de la terre” do terceiro-mundista (fanático) Franz Fanon, caiu na exasperação da estética do caos, vertente natural do que tinha como a “dialética da violência”.

Decerto que Madureira, não vivendo sob a pressão da impostura intelectual dos anos 1960, está com a razão: os filmes de Glauber Rocha, todos eles, são chatíssimos, além de intencionais – feitos nas coxas para “provar” alguma coisa. “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, pela grandeza dramática da paisagem evocada por Euclides da Cunha e a força vulcânica dos tipos sociais levantados por Zé Lins do Rego – beatos e cangaceiros – escapa, em alguns instantes, da amolação geral. Mas “Terra em Transe”, um “ideograma chinês de cabeça para baixo”, no dizer de Nelson Rodrigues, é sem dúvida o mais ininteligível embuste “autoral” jamais concebido sob a forma de “cinema político” – e sobre o qual o próprio realizador, ao cabo de uma exibição, confessou “não ter entendido nada”.

Já “A Idade da Terra”, gerado num estágio de pré-loucura, quem sabe provocado pelo consumo freqüente da cannabis sativa, é caso para investigação mais acurada de como uma mente criativa pode chegar à completa desintegração. Nele, radicalizando o seu código autista de percepção da “realidade terceiro-mundista”, o gênio baiano, no exercício sádico da “montagem nuclear”, atinge o paroxismo da desarticulação cinemática, cujos critérios artísticos inconfessos são os de levar o raro espectador ao puro masoquismo. De fato, no apelo insondável do “novo pelo novo”, como proposta estética, a vanguarda da vanguarda não cria a beleza socialmente perceptível, não faz arte e muito menos a incensada revolução. No máximo, promove o caos.

O resultado de tudo é que a platéia, mesmo a que procura no cinema mais do que lazer, deu às costas aos filmes glauberianos. E, junto com eles, aos filmes do cinema novo, menos radicais, mas igualmente empenhados em fazer do espectador uma cobaia de suas malogradas experiências estéticas e pretensões revolucionárias. “O diretor é genial, mas o filme é uma merda” – foi mais ou menos o mote que se tornou público, veiculado no auge do movimento pelo próprio “Pasquim”, o tablóide da esquerda etílica.

Na ausência de bilheteria para produzir filmes cada vez mais insolventes, o Cinema Novo, depois de um pacto com o general Golbery, apropriou-se da Embrafilme, empresa criada pelo contragolpe militar de 64 com objetivos da cooptação política. O dinheiro passou a correr fácil, e de revolucionária a corporação do CN transformou-se numa aristocracia parasitária (burguesa) com todos os privilégios e nenhum dever – aristocracia que o governo Lula sustenta hoje com empenho e malícia.

Quer dizer, uma merda, sobretudo para o contribuinte.

Para além da sátira

O pesadelo de povos inteiros trucidados ante o olhar indiferente do mundo e os sorrisos sarcásticos dos bem-pensantes repete-se, igualzinho ao dos anos 30.

Não há discussão possível sem o acesso dos interlocutores a um mesmo conjunto de dados. Os dados do presente artigo estão nos livros “Their Blood Cries Out: The Untold Story of Persecution Against Christians in the Modern World”, de Paul A. Marshall e Lela Gilbert (Word Publishing, 1997) e “Persecution: How Liberals Are Waging War Against Christianity”, de David Limbaugh (Regnery, 2003), e nos sites http://www.religioustolerance.org/rt_overv.htm , http://freedomhouse.org , http://www.markswatson.com/Persecution.html e http://www.persecution.org/newsite/ .